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História The System (Hiatus) - Capítulo 3



Capítulo 3 - Chapter two.


Fanfic / Fanfiction The System (Hiatus) - Capítulo 3 - Chapter two.

𝕶im Jongsu andava calmamente pelos corredores alvos e límpidos da Sede. O homem de cabelos pretos luminosos, possuía uma expressão séria, quase serena, além de esbanjar elegância por onde passava. Em seu rosto, os traços estavam rígidos como pedra, o maxilar contraído, a boca em uma linha reta. Seus olhos estavam perdendo o vazio, o opaco cedendo espaço para o brilho da sua confusão que começava a emergir. Olhava apenas para a frente, sendo assim, praticamente impossível identificar o que passava em sua cabeça.

O cheiro do lugar era algo misturado com um odor hospitalar, sem graça, dando uma visão mórbida ao ambiente. As portas de vidro estavam fechadas, em um completo silêncio. Nenhum mero ruído era ouvido pelo corredor, a não ser o barulho da sola do sapato de Jongsu.

O blazer era de um cinza padrão, passado com delicadeza, a fim de não deixar nenhuma marca visível. A camisa, também cinza, fazia jus ao resto da roupa. Pouco a pouco, o homem foi sentindo uma ansiedade louca subir por seu peito, coberto pela camisa social. Era assim que se sentia, toda vez que estava prestes a fazer aquilo novamente.

De tempos em tempos, todo cidadão deve comparecer às Sedes de Reposição para que a lavagem seja refeita, pois os efeitos não são perenes e os cidadãos correm o risco de se livrar desse controle.

Mas Jongsu, ao invés de repudiar o ato, sentia prazer naquilo. As moléculas em seu corpo estavam aceleradas, batendo uma contra as outras, enquanto ansiavam por aquilo, para sentir de novo aquela sensação. 

Quando o efeito estava para passar, o Kim sentia medo pela dor que era causada pelos transmissores. Seus sentimentos começavam a aflorar um por um e o pânico começava a tomar conta de seu corpo. Sempre era a mesma coisa, mas era para um bem maior, mentalizava ele.

Por isso, quando sentiu sua cabeça pesar e os braços começarem a tremer, tratou de apressar seus passos para chegar logo em seu destino.

Após pegar o elevador ao fim do corredor, chegou ao andar onde são feitas as reposições. Haviam filas de pessoas para cada porta do extenso corredor. O silêncio do edifício apenas fazia complemento para a música de sons estranhos que vinham dos humanos. As filas eram compostas por muita tremedeira, como se estivessem tendo um curto-circuito, e uivos de dor. Quando os efeitos estavam para passar, o resultado era um horripilante jato de dor e confusão mental para o receptor.

O homem se encaminhou, tremelicando, para a fila da sala correspondente ao seu código de reposição. Haviam sete pessoas à sua frente, copiando seus tremores involuntariamente.

Sua cabeça parecia estar carregando uma bomba-relógio prestes a explodir. Uma dor estava comprimindo seus nervos e deixando seu corpo mais pesado.

A porta dupla de metal, semelhante a de um elevador, correspondente à sua fila se abre e a mulher que ocupava a primeira posição se encaminha para dentro. Ao mesmo tempo em que a porta se fecha, um operador injeta de maneira brusca uma injeção em seu pescoço, que a faz desmaiar no mesmo instante.

As lavagens só eram realizadas nos seres quando estavam inconscientes, pois assim, o trabalho era menor.

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Ano de 2210. Taehyung - 8 anos.

Havia um círculo em cima da grama verde da casa vizinha.

As crianças brincavam animadamente ali, correndo atrás das outras, jogando água, rindo e gritando. Todas muito felizes e animadas. 

Porém, dentro da casa grande, em frente ao círculo de jovens, havia um garotinho, olhando tristemente para as mesmas. Seus pequenos olhos observavam cada movimento que elas faziam, imaginando como seria se estivesse ali também. Imaginando como seria sair para fora de casa e conhecer outras crianças como a si mesma. 

"Ei, Tae?" Ao ouvir seu nome ser chamado, o garoto olha para trás, se deparando com sua irmã mais velha.

"O que foi, noona?" Faz um bico nos lábios. A garota sorri e se aproxima do irmão, olhando o que tanto chamava atenção do mesmo. Ela abre a boca quando finalmente vê a cena.

"Quer brincar com eles?" O garotinho logo abre um sorriso enorme, que toma conta do seu rosto.

"Sim, noona." Fala animado, animação esta, que contagiou a própria irmã.

"Então vai lá." Taehyung arregala os olhos.

"Posso mesmo ir?" Hesita, com medo do que a mãe diria. Mas sua irmã apenas abre um sorriso.

"Pode." Taehyung nem esperou mais nada, correu para fora do quarto, desçeu as escadas e saiu pela porta. Sorriu ainda mais, quando viu as crianças na sua frente.

Não perdeu tempo, corrreu em direção ao círculo, se juntando a elas.

A sensação foi absurdamente diferente do que brincar em casa com seus carrinhos. Era como estar livre. Era como sair da bolha protetora que seus pais haviam criado. 

Taehyung não parecia aquele mesmo garoto triste que sempre ficava na janela, olhando o lado de fora de sua casa. O sorriso grande, denunciava a felidade e a euforia que sentia com aquelas crianças desconhecidas. 

O garoto brincou bastante, se molhou, estava sujo de lama e cheio de grama espalhada pelas suas roupas. Entretanto, a felicidade cessou, assim que o ronco do motor de um carro soou ali perto, anunciando que alguém chegara.

Taehyung apenas viu sua irmã sair de casa apressadamente, para trazer o irmão de volta, mas não fora rápida o suficiente. Sunmi saía do carro, com os braços repletos de sacolas do mercado, quando viu o filho pequeno correndo entre as crianças do bairro. A mulher abre os olhos, surpresa.

"Kim Taehyung!" Ela grita no meio da calçada. No mesmo instante, o garoto a olha confuso.

"Omma." Fala, receoso. E sabendo que a brincadeira acabara, Taehyung anda cabisbaixo até a mãe. As crianças pararam quando ouviram o grito, mas logo continuaram o que faziam.

"O que eu te falei sobre sair de casa?" Sunmi tenta manter o tom baixo. Não queria chamar atenção para eles.

"M-mas, omma..." A irmã observa os dois com o semblante raivoso. Odiava quando a mãe fizia aquilo com o irmão mais novo.

"Nada de mas! Eu já disse que não quero você brincando com essas crianças." Ela se aproxima do filho. "Eu não te crio para brincar, eu crio você para ser alguém importante. E por que não está se preparando?" Questiona. Os lábios da mulher estavam em linha reta, denunciando que estava tensa e com raiva.

"E-eu..." Gagueja.

"Eu mandei você ficar em casa, se preparando para a seleção do Sistema, não para brincar com essas crianças sujas." Desvia os olhos para as citadas. "Olha o seu estado, está todo sujo." Olha com nojo para as roupas de Taehyung. O garoto estava com a cabeça baixa, não ousando dizer nada.

"É isso o quer ser? É assim que quer ficar quando crescer? Imundo desse jeito?" Minhee olha surpresa para a mãe, não acreditando naquelas palavras. "Se eu ver você aqui de novo mais uma vez, irá ficar sem os seus brinquedos, pois eu vou jogar tudo fora. Vá para dentro e pense no que fez!" Ordena e Taehyung a obedece, sem dizer nada. O garoto anda para dentro de casa, com ombros caídos e o olhar baixo, tristonho.

Olhar para o irmão daquele jeito, apenas quebrou o coração de Minhee. A garota seguiu o pequeno, com olhos tristes, mas seu rosto mudou quando os direcionou para a Kim mais velha.

"Como pôde falar isso para ele?" Olha indignada para a mãe, que passa por si e segue para a casa com as sacolas na mão, depois de acionar o alarme do carro. A filha segue atrás da mulher.

"Já conversamos sobre isso, Minhee." Fala, neutra. Apoia as sacolas na bancada da cozinha.

"Sim, mas eu não entendo essa sua proteção louca e do papai também. Qual é o problema dele brincar com outras crianças iguais a ele?" Sunmi começa a guardar as compras na dispensa, como se nada estivesse acontecendo. 

"Quando tiver seus filhos, entenderá." Minhee fica indignada com o tom seco na voz da mãe.

"Taehyung ainda é uma criança, não um adolescente que tem que estudar o tempo inteiro, sem parar." Sunmi para o que fazia e a olha.

"Quem decide o que é bom ou não para ele, sou eu. E minha decisão vai prevalecer a mesma. Não discuta!" Fala, dura. Minhee balança à cabeça, conformada.

"Um dia, quando Taehyung se virar contra você e o papai, se arrependerão de tudo isso." Deixa as palavras no ar ao sair dali.

Desde então, Kim Taehyung nunca mais fora o mesmo.

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Kim Minhee era uma garota inteligente, audaciosa, astuta, que não se deixava abater por nada, muito menos comentários infelizes. A garota cresceu em uma sociedade dura, ditatorial, onde as pessoas são mecanizadas como se fossem máquinas que estivessem dispostas a fazer tudo que o Sistema quer. Mas nada daquilo a fez abaixar a cabeça e seguir o que todos seguiam. Nada daquilo fora capaz de fazer com que a garota seguisse as regras burocráticas daquela nova sociedade maquiavélica. 

Como era a filha mais velha, Minhee deveria seguir os passos de seus pais, ou seja, ter seus sentimentos arrancados de si, retirados sem a sua permissão, mas ela foi contra essa ideia maluca. Minhee disse não ao Sistema, e principalmente aos seus pais, os quais deveriam ter libertado os filhos daquela política tenebrosa. 

Mas não foi o que aconteceu. 

Kim Jongsu era um homem duro, rígido, e que nunca dava o braço a torcer. Mas quem poderia culpá-lo? Milhares e milhares de pessoas eram exatamente iguais a Kim Jongsu, duras como pedras, seguindo cada regra rígida do novo governo. E como todo pai que apoia o Sistema, Jongsu obrigou Minhee a fazer sua primeira "perda de memória", mas a filha se negara a aceitar tal pedido. 

"Amanhã você irá para a Sede de Reposição." Jongsu disse, quando estavam na mesa de jantar. 

"Não." Foi o que a menina respondeu, contrariando o pai. Jongsu ergueu as sobrancelhas, assim como a mãe de Minhee, Kim Sunmi. 

"Como é?" A voz de Jongsu era neutra.

"Appa, o senhor já viu o que eles fazem com as pessoas naquele lugar? Eu percebo como o senhor fica antes de ir em uma sessão." Minhee demonstra agonia apenas de lembrar. 

"Isso não é um pedido, Minhee, é uma ordem. Você irá sim à Sede." O Kim ordenou, voltando a comer a refeição. 

"Não, eu não vou!" A Kim alterou a voz. 

"Você vai e ponto final!" O Kim mais velho engrossa a voz, deixando Taehyung, o filho caçula, com medo da discussão. 

Percebendo a reação do irmão, relutante, ela abaixa a cabeça e continua a comer. Sabendo que era inútil tentar argumentar com uma casca vazia. Se força a agir naturalmente, como se estivesse de acordo com seu pai.

Terminado o jantar, Minhee sobe para o seu quarto. Ela sente as lágrimas quentes descendo pelo seu rosto, mas a garota não se importou com aquele detalhe, apenas pegou uma mochila pequena e jogou suas roupas ali mesmo, com pressa. 

A Kim sabia que seus pais iriam obrigá-la a seguir o Sistema, pois era assim com todos os jovens. Ela sabia que teria de tomar a maldita injeção, pois todos que completam 16 anos devem tomar sua primeira dose. Mas a garota não queria aquilo, não queria que suas memórias com Taehyung fossem arrancadas daquele jeito. Não suportava a ideia de agir como seus pais, não tinha a curiosidade de saber como seria não ter mais seu amor fraterno pelo irmão, de não ser capaz de apenas... Sentir.

Minhee teria que fugir. 

Enquanto a Kim se ocupava em arrumar a mochila, escutou alguns toques suaves na porta, mas ignorou, pois não queria ser impedida de fugir. 

"Minhee-noona, sou eu." A voz de Taehyung soa, baixinha. A garota suspira, antes de ir até a porta e abrir a mesma. 

"Tae, eu estou ocupada." Fala, não querendo ser rude com o irmão. Taehyung olha para a mochila que está em cima da cama, e arregala os olhos puxadinhos. 

"Você vai embora? Não vai não, noona." Minhee quase desaba quando os bracinhos finos do irmão pequenino enlaçam sua cintura. Minhee olha para o teto do quarto, a fim de controlar as lágrimas que queriam descer. 

"Tae, olha para mim." A mais velha agacha no chão, em frente ao irmão, e segura o rosto do caçula nas mãos. " Escuta, eu vou precisar sair por um tempo, ok? Mas não se preocupe, eu irei voltar para te levar comigo." 

"Por que? Foi por causa do que o appa disse?" 

"Não, é que... Olha, apenas não se preocupe comigo, tudo bem?" 

"Mas eu não quero que você vá embora. Não quero que me deixe." Os lábios de Taehyung formam um bico e lágrimas começam a escorrer pelo seu pequeno rosto.

"Eu volto para te buscar, Tae." Ela deposita um beijo na testa do caçula. 

"Promete?" 

"Prometo." Sorri tristemente. 

"Posso te ajudar a arrumar a mochila?" 

"Pode sim." Minhee sorri para o garoto, ao que o dá um forte abraço com traços de despedida. 

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Ano de 2218. Taehyung - 16 anos.

"Terceira repetição, continuem! Um, dois, três, quatro..." A voz do soldado, de segunda patente, reverbera pela ampla sala de treinamento enquanto os de patente inferior realizam abdominais.

Taehyung estava exausto, não teve uma noite de sono adequada, devido à sua mente inquieta que estava lhe dando dores de cabeça. Como ainda era novo, as poucas doses que já recebeu não eram o suficiente para padronizar sua mente por completo. Mas se forçava a continuar com os exercícios e se empenhava ao máximo para não deixar transparecer sua dor, afinal, bons soldados não pensavam, muito menos sentiam.

Havia se preparado para aquilo. Tantos anos de preparação, e finalmente, estava ali, claro que sua posição ainda não era muito alta, mas estava subindo cada degrau da imensa escada que tinha criado para atingir o nível que queria.

"Anda, Kim! Vai desistir agora?! Vai voltar para casa e ser o filhinho da mamãe?!" Sungwon questiona, andando em círculos ao redor do garoto, o qual estava sentindo o suor de sua testa pingar no chão. Sua respiração estava desregulada, e seu coração batia de forma desenfreada. Não conseguia dizer absolutamente nada. "Me responde, porra!" O soldado grita.

"N-não, senhor." Fala baixinho, sem voz.

"Eu não ouvi!" Taehyung trinca os dentes.

"Não, senhor!" Fala mais alto.

"Já chega por hoje." Sungwon diz, usando um apito, para sinalizar o fim dos exercícios. Os novatos deitam no chão, respirando fundo, como se suas vidas dependessem disso. Taehyung se joga no chão, respirando pela boca, com força.

"Para o banheiro, já!" O soldado ordena e, prontamente, o novatos obedecem ao comando. Taehyung se levanta com dificuldade e vai para o banheiro. Era um lugar grande, onde várias portas dividiam as cabines que continham chuveiros dentro.

"O treino foi pesado hoje, né?" Jaehyun se aproxima do moreno. Os dois pegam uma toalha e entram em uma espécie de fila.

"Sim." Taehyung diz, apenas. Jaehyun sabia que o Kim era um garoto de poucas palavras, mas não se incomodava de fato.

"Sua família virá te visitar?" 

"Eu não sei." Taehyung mantém o olhar para a frente. Lembrara das palavras de seu pai, ao dizer que não era para manter amizades ali, pois ninguém possuí amigos.

"Minha família irá me visitar. Minha omma vai trazer Kimchi." O garoto sorri. Taehyung questiona a si mesmo, o por quê de Jaehyun ser alguém tão sorridente, era como se ele não estivesse no lugar que estava. Pois o Sistema era cruel, escolhia os mais frios e os tornava suas próprias máquinas.

Talvez a dose dele estivesse no final. Era a única explicação plausível.

Os dois abandonaram o assunto por ali. Taehyung entrou em uma cabine, assim que a mesma foi desocupada. 

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Taehyung estava sentado na cadeira branca, em uma mesa igualmente branca. Seus braços magricelas estavam estendidos em cima da mesa e seus olhos focavam na mesa sem vida, sem cor. Era o dia de visitas, ato que acontecia apenas uma vez no mês. Essa era a regra do Sistema. Nada de encontros familiares mais de uma vez no mês. As horas eram controladas pelo Sistema. Os novatos tinham seu tempo organizado para comer, treinar, tomar banho, estudar e outras coisas. Tudo era minimamente calculado, exatamente na forma como eles queriam. Para Taehyung fora fácil se adaptar àquele novo modo de vida. Um modo regado a frieza, nada muito diferente do que Taehyung tinha em casa.

A vida passava como vento diante de seus olhos quando ficava em completo silêncio, como naquele momento. Taehyung nunca fora livre o suficiente para escolher qual caminho desejava seguir. Suas escolhas sempre haviam sido comandadas por seus próprios pais. Era como viver em um cativeiro dentro de sua própria casa. Era como ter mãos em frente à sua boca, apertando, puxando, o impedindo de se expressar, de falar, de dizer o que realmente sentia.

Eles pensavam por si.

Seu olhar vaga pelos garotos e garotas que estavam no mesmo local. Todos, com o olhar baixo, fixados na mesa, como se tivessem medo de olhar para algo que não fosse aquela mesa de metal. Suas mentes eram comandadas por um Sistema frio, regado à sangue, fogo, raiva, ódio, egoísmo. Seria igual a eles.

Quando o soldado musculoso adentrou a sala branca, olhou para todos da sala com um semblante neutro, embora possuísse uma satisfação em ver todos de cabeça baixa. Ele então para suas órbitas duras em Taehyung, franzindo o cenho, como se repudisse que o garoto estivesse com os olhos levantados e não fixados na mesa. Mas o homem não diz nada, apenas se vira. Quando os pais começam a entrar, os garotos e garotas se endireitam na cadeira dura, exatamente como robôs.

Taehyung se vira para frente, com as costas retas na cadeira. Seus olhos captam o exato momento em que seus pais puxam as cadeiras e se sentam. Ambos, com a expressão neutra na face. Mas Minhee não estava junto e aquilo lhe deixou triste, incomodado, desconfortável.

"Sungwon me contou como está se saindo bem, Taehyung. Isso me agrada muito." Jongsu diz, embora sua face permanecesse a mesma, fria, dura. Taehyung apenas acena com a cabeça.

"Vocês têm notícias da Minhee?" Pergunta, hesitante.

"Nós passamos quase um mês sem vir aqui e você nos pergunta sobre Minhee?" Sua mãe questiona, de forma ácida.

"Minhee escolheu outros caminhos, Taehyung." Aquilo só deixou o garoto ainda mais receoso. "Caminhos que eu não irei deixar você seguir. Você irá se tornar um grande homem, é sua obrigação." As palavras soam como uma ordem, e eram. 

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Ano de 2220. Taehyung - 18 anos.

O alarme ressoa pelos corredores. Todos os homens levantam automaticamente, condicionados àquilo. O pouco tempo de sono não é novidade, mas resistência faz parte de ser um soldado.

Taehyung, assim como seus companheiros de dormitório, arruma sua cama e segue para o corredor. Nenhuma palavra dita, movimentos calculados e sem vida. Ele se junta à fila, aguardando sua vez para utilizar o banheiro. Nada fora do lugar, ninguém torto na linha, assim como deve ser.

Logo após, ele segue para o refeitório, come apenas o suficiente para manter a força necessária para servir aos líderes. Caminha então pelos corredores silenciosos até chegar à sala onde trabalha.

Um local de tamanho médio, reservado para tortura. Algo que seleciona os recrutas novatos, para testar serem dignos de servir aos honrados líderes do Sistema.

Taehyung se tornou o melhor no que faz. Poucos conseguem passar no teste, pois piedade não é algo que seja encontrado no vocabulário implantado.

Ele abre a porta da sala e encontra um garoto nu, não aparentando ter mais que 14 anos, com mãos e pés acorrentados à parede. O garoto levanta a cabeça e encara Taehyung. Medo, receio, terror, uma explosão de sentimentos brilhava em seus olhos, mas só encontrou o vazio opaco dos olhos do mais velho, precisaria mostrar ser forte o suficiente para não o julgarem sem utilidade, sem valor.

Taehyung fecha a porta atrás de si, entorpecido pelo vazio, movido pelo piloto automático, como vem sendo desde que completou as doses da lavagem, ele desliga as luzes da sala e deixa apenas uma refletindo o garoto. Aqueles olhos adolescentes que brilham sentimentos, estavam com os segundos contados, afinal aquilo era errado. 

Apenas a indiferença da opacidade é algo aceito socialmente, e Taehyung arrancaria aquele brilho da mesma forma que haviam feito consigo. Sem dor, nem arrependimentos. Pois marionetes não pensam, apenas se movem de acordo com a vontade de quem as controla.

Após terminar o serviço, ao final do dia, o Kim seguia para seu dormitório, quando foi barrado por alguém de patente superior.

"Me acompanhe soldado, recebi ordens para lhe mostrar algo." O homem diz, sem expressão no rosto duro, marcado por uma cicatriz na lateral de seu queixo.

"Sim, senhor." O mais novo responde e logo começa a seguir os passos do outro. Eles caminham em silêncio, apenas o barulho de seus sapatos ecoando pelo piso alvo. Passaram por diversos corredores, saíram da base e entraram em outra. Todos que passavam pelos dois os ignoravam, como se não os vissem. Como se fossem fantasmas.

Os corredores eram de uma cor branca, amena, calma, tornando o local ainda mais frio e mórbido. O silêncio era algo que predominava no Sistema, algo que era mais como uma regra, a qual todos deveriam seguir. Se manter em silêncio.

Aos poucos, Taehyung e outro soldado param em uma porta de ferro, separada das demais da Base. O soldado mais velho digita um código próprio, que era somente seu, e os dois tem acesso livre para adentrar a sala.

Havia uma pequena fila lá dentro, a qual era composta por adolescentes. Todos sentiam o medo corroer seus ossos como uma serra, o pavor fazia suas pernas tremerem com força. Os jovens se assustaram ao ouvirem o barulho da porta automática se abrir, e Taehyung os olhou portando de um semblante vazio, opaco, sem revelar quaisquer tipos de sentimentos.

"Sungwon quis que eu o trouxesse aqui." O homem ao seu lado disse, olhando para as pessoas que tinham na sala. Um soldado do Sistema se aproximou do primeiro da fila, e anotou algo na ficha que portava. O segundo homem injetou alguma substância no pescoço do garoto, e o segurou nos braços, antes de o levar para uma próxima porta.

"Com que propósito?" Taehyung indaga, vendo o exato momento em que os soldados repetem o mesmo que fizeram com primeiro garoto, no próximo da fila.

"Eu não faço ideia, ele apenas disse que poderia ser útil para você." Deu de ombros, e guiou Taehyung para a próxima porta.

Taehyung já havia passado por aquilo, pela reposição que o Sistema fazia esporadicamente em seus habitantes, para que os mesmos não pudessem ter sentimentos, exceto os de natureza repulsiva quando presenciassem algum ato contraditório ao governo. Era algo doloroso, e que quase toda a população já tinha passado. Mas o Kim sabia que era algo bom para si, o próprio Sistema pregava aquelas palavras, então por que pensar o contrário?

No entanto, existiam pessoas que iam contra aquele tipo de pensamento antiquado, e sem fundamento nenhum. Eles eram chamados de Opositores, e buscavam por um meio de acabar com a política implantada em toda a sociedade, pelo Sistema. Muitos ataques ao longo dos anos foram planejados por eles, e até agora, os Opositores conseguiram sabotar diversos planos do governo, além de tirar pessoas do domínio do Sistema, para que elas tivessem uma vida com sentimentos de verdade, e não vivenciassem sonhos mecanizados.

Para pessoas como Taehyung, era uma completa loucura ir contra as regras do Sistema, um suicídio total, afinal, tudo o que o governo faz é para o bem de todos. Não há a necessidade de se preocupar com nada, pois tudo é predefinido para você. Não seguir o Sistema significa ter uma vida nômade, fugindo e se escondendo como ratos, da verdade incontestável e benevolente dos líderes.

A sala onde ocorriam as chamadas "perdas de memória", era um lugar que ficava gravado em sua mente, como uma cola que gruda com força, e não existe maneiras de retirar. As pessoas eram postas em cadeiras de ferro, acorrentadas, e com um capacete em suas cabeças. Fios ligavam o capacete ao campo cerebral, os deixando colados, enquanto os jovens estavam desacordados. Taehyung observava com atenção a cena que era reproduzida à sua frente.

Um dos soldados da Base foi até um gerador que havia próximo dali, e virou a alavanca para cima. O espetáculo começou a acontecer.

Uma descarga enorme de energia foi desferida até o capacete dos que estavam sentados, causando um impacto extraordinário em suas cabeças. E mesmo que estivessem desacordados inicialmente, os adolescentes gritavam, acordavam em certos momentos, e desmaiavam em outros, pois o impulso da energia era forte demais, intensa demais. Apesar de que, quando a sessão findasse, nem mesmo a dor seria recordada.

Havia uma tela ao lado de cada pessoa, que mostrava cada lembrança que não atendesse aos interesses do Sistema, se apagando e tornando-se nada, uma mente oca.

Quando terminou a sessão, os soldados levantaram os jovens, e os tiraram dali, levando-os para outra sala, onde se recuperavam e se tornavam novos robôs do Sistema.

E então, era uma nova vida, com novas regras, novas lembranças. Suas mentes deixariam de se tornar vazias, e seriam preenchidas pela nova política que o Sistema pregava. Apenas mais um, em meio a milhares.

Quando saem dali, Taehyung acompanha seu superior até a sala de Sungwon, onde o encontram revisando táticas governamentais.

Os dois se curvam diante o homem, em sinal de subordinação.

"Kim Taehyung às suas ordens, senhor."

O outro soldado, então, se retira da sala e deixa Sungwon a sós com Taehyung.

"Sente-se, Kim." O homem aponta a cadeira enfrente à sua mesa. "Espero que tenha apreciado a visão da primeira purificação daquelas coisas. É sempre um prazer quando retiramos os leigos de suas antigas vidas e eles começam a entender o que é o certo, conhecem a verdade única e se juntam aos respeitáveis líderes."

"Tenho certeza de que eles também apreciam, senhor."

"Enfim, resolvi dar essa pequena recompensa devido aos seus bons resultados para o governo. Um de meus superiores veio notando o seu desempenho e decidiu te promover de captador, para combatente." O homem de grande porte e feições severas, diz.

"Promovido?" Divaga Taehyung, imaginando a reação positiva de seu pai por finalmente estar se tornando um grande homem.

"Afirmativo. Você agora fará parte da equipe de soldados que está encarregada de reprimir as ações de grupos opositores ao governo, aniquilando os seres defeituosos que tentam contra o bem estar da nossa sociedade." Sungwon se levanta de sua cadeira, roboticamente, e encara Taehyung friamente. "Você está sendo submetido a um cargo de demasiado respeito. Não quero que dê apenas o seu melhor, pois não é o suficiente. Nada abaixo da perfeição será tolerado, soldado Kim."

Taehyung levanta de sua cadeira e bate continência. Seus movimentos firmes e mecanizados. Olha profundamente nós olhos do mais velho e com suas feições duras, responde.

"Protegerei o Sistema com a minha vida, assim como está destinado a ser."

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Ano de 2210. Jungkook - 7 anos.

"Appa hoje o meu dia foi muito divertido!" o pequeno garotinho sorri sapeca enquanto Seonghwa o coloca na cama. 

"Que bom, meu filho. O que você fez hoje, meu garotinho serilepe?" O mais velho sorri docemente e puxa o cobertor para cima, se certificando de que Jungkook esteja quentinho.

"Eu brinquei de pique-esconde com o Jin-hyung." O pequeno começa a gargalhar e seu pai franze o cenho, não entendo o motivo da risada. "Eu me escondi dentro de um dos banheiros e peguei aquela toalha branca que tem lá, para me cobrir e não deixar o hyung me ver."

"Não me diga que você assustou seu amiguinho, filho?" Seonghwa estreita os olhos, em direção ao outro.

"Não pense mal de mim, appa, eu não fiz por mal." Ele pede, ao notar o semblante sério de seu pai. "O que aconteceu foi que, quando o hyung medroso entrou no banheiro para me procurar, a luz queimou. Ele gritou de susto e eu, que estava escondido dentro do box, saí assustado, tropecei no tapete e caí. O problema é que eu ainda estava com a toalha e o hyung surtou, começou a gritar e saiu correndo do banheiro." O menino conta, tentando conter suas risadinhas com as mãos.

"Crianças sendo crianças..." O homem suspira e nega com a cabeça. "Jin está bem? Ele ainda não se adaptou totalmente ao seu novo lar, deve estar fragilizado." Pergunta, preocupado.

"O hyung? Eu fui atrás dele depois e o encontrei na cozinha. Ele estava muito assustado e até chorava baixinho, appa." O garotinho perde o sorriso em sua face. "Não sabia que ele não gosta dessas coisas... Então eu pedi desculpas e tentei acalmar ele."

"Esse é o meu garoto. Fico feliz que você saiba reconhecer seus atos e se desculpar por isso. Apenas homens fortes o suficiente fazem isso." O mais velho bagunça o cabelo do pequeno, que abre seu sorriso infantil. 

"Mas sabe o que eu mais gostei do meu dia, appa?" Pergunta euforicamente, ao que o outro nega com a cabeça. "Depois que o hyung se acalmou e me desculpou, ele me abraçou e disse não ficou chateado, pois me considera como um irmão para ele, e que gosta muito de passar o tempo comigo!" O sorriso do garotinho ia de orelha a orelha, fazendo ruguinhas aparecerem em seus olhos. "Eu gosto muito do Jin-hyung, ele é muito legal! E se ele também gosta de mim, significa que eu também sou legal!"

"Amizades verdadeiras são muito importantes, Jungkook. Cultive bem a sua e não a deixe se perder com o tempo. Se o pequeno Jin é alguém especial para você, fique ao lado dele e não o abandone. Devemos guardar um lugarzinho no coração para cada pessoa importante da nossa vida." Ele coloca o indicador sobre a região onde está localizado o coração de Jungkook. O garotinho olha para a mão do pai e segura ela com suas duas mãozinhas.

"O senhor tem um lugar grandão no meu coração, appa." Suas doces palavras e seus dentinhos protuberantes arrancaram um riso de amabilidade de seu progenitor.

"Te amo, meu pequeno. Você, suas irmãs e sua mãe ocupam meu coração inteirinho." Ele deposita um selar na testa do menor, que se senta na cama.

"Ele todinho?!" Pergunta, surpreso.

"Todinho." Seonghwa responde com um riso. Jungkook arregala seus olhinhos e abraça o pai apertado.

"Também te amo de montão, appa!"

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"Está tudo pronto para irmos? Já coloquei as meninas e Jungkook para dormir." Seonghwa pergunta à sua esposa ao chegar na sala do esconderijo e encontrar todo o esquadrão a postos. 

"Está sim, amor. Seu esquipamento está completo? Tem certeza que não está se esquecendo de nada?" Indaga Jiyeon, com sua preocupação rotineira.

Seu marido então deposita um selar singelo em sua testa, afirmando que pegara tudo. Virando-se para seus companheiros, que estavam atentos ao menor sinal de comando, conclui.

"Vamos, pessoal! Rumo a liberdade!" Ele reverbera ao levantar seu punho e todos o acompanham, com determinação brilhando em seus olhos vívidos.

Jiyeon sorri, orgulhosa de seus companheiros, e todos saem do esconderijo, onde cada grupo segue para um veículo diferente.

O céu noturno servindo como plano de fundo de uma adrenalina disseminada como ondas pelo ar. Esperança e ansiedade sendo palpáveis, tamanha a densidade.

A mente de Seonghwa estava em meio a um turbilhão de pensamentos. Sua esposa, seus filhos, seus companheiros... Queria muito dar um futuro digno para aqueles que ama. Uma sociedade livre para sonhadores. Desejava poder mostrar a todos o quão bom é sentir, o quão poderoso e delicado o amor é.

Ele sabia que suas ações não eram capazes de abraçar o mundo sozinhas, mas estava disposto a fazer sua vida servir ao menos para um aperto de mão.

Figuras borradas na escuridão passavam rápidas pela janela do carro. Por um momento, os únicos sons escutados por Seonghwa eram os das rodas deslizando quase silenciosamente pelo asfalto, e de sua própria respiração. A imensidão intangível do escuro, a beleza que se ouve no silêncio.

Apenas um momento de calmaria antes da tempestade, pois logo os veículos param e todos descem, encarando a vasta estrada mal iluminada, escondida da cidade. Afinal, para um governo sorrateiro, agir por baixo dos panos é o conveniente.

"De acordo com as informações que coletamos, logo à frente está localizado um dos Centros de Pesquisa do governo. Nossa missão aqui é resgatar o estoque de humanos que eles mantém para experimentos. Nunca abaixem a guarda, estejam atentos a tudo. Certifiquem-se de seguir com o plano, sem desvios!" Jiyeon exclama, e todos a respondem afirmativamente. "Certo. O esquadrão um, irá na frente, aguardaremos o sinal deles pelos transmissores. Vamos adotar posições estratégicas perto do local, sem chamar a atenção." Ela conclui. Antes de Seonghwa partir com o seu grupo, sela os lábios de sua esposa e sussurra que a ama. Um mantra que seguia em todas as suas missões.

"Tome cuidado." Ela responde e segura o rosto dele entre suas mãos. Seus olhos se conectam intensamente, transmitindo sensações. Ela o beija brevemente e se despede. "Também te amo, meu amor."

O esquadrão um então segue em frente cautelosamente pelas sombras. Como já tinham estudado o turno dos guardas e as falhas, Seonghwa sinaliza para que o restante espere escondido enquanto ele segue até os fundos da propriedade. Apenas um guarda é avistado em frente a porta dos fundos.

Seonghwa se aproxima silenciosamente através do ponto cego do guarda e, quando vê uma oportunidade, atira um tranquilizante e acerta em cheio o pescoço do homem, que em questão de segundos desmaia. Antes mesmo que o corpo dele pudesse chegar ao chão, Jeon o segura, para evitar barulhos, e sinaliza para que um de seus companheiros se aproxime. Ele logo troca de roupa com o guarda e toma seu posto. Seonghwa guarda sua arma tranquilizante e então arrasta o corpo do homem e o esconde na vegetação alta perto dali.

"Tudo pronto, rapazes. Ele não acordará nas próximas três horas, então não será mais um problema." Ele sussurra para seus companheiros que estão agachados atrás de um dos arbustos.

Eles então saem silenciosamente do esconderijo e seguem até o alçapão que leva em direção ao porão do lugar, o qual está localizado logo ao lado da porta dos fundos, onde um dos opositores finge ser um guarda.

Com uma das chaves do guarda, eles conseguem destrancar o alçapão e, ao constatarem não haver soldados por ali, eles descem um por um e fecham o alçapão. Ao ligar sua lanterna, Seonghwa percebe se tratar de um depósito para as substâncias utilizadas nos experimentos.

O local era abafado e cheirava a tortura. Era notório o clima pesado no ar, o que só atiçava ainda mais a determinação dos opositores.

Eles seguem então para à escada localizada mais a fundo no porão. Cada degrau que sobem, é um passo para o confronto. Como líder do esquadrão, Jeon vai à frente e coloca seu ouvido junto à porta para tentar captar algum ruído do lado de fora. Como não escuta nada suspeito, ele gira a maçaneta lentamente e abre uma pequena brecha. O que viu foi apenas um corredor vazio, iluminado com luzes alaranjadas. Ele abre então um pouco mais à porta e com sua escopeta em mãos, sai no corredor.

"Tudo limpo por aqui." Constata ao restante do esquadrão, que logo saem ao seu encalço.

O grupo segue pelo corredor, até que uma porta abre subitamente e dois homens vestidos com trajes brancos saem por ela.

Antes mesmo de anunciarem a presença do grupo, os membros do esquadrão atiram com suas armas silenciadas. Os dois corpos vão ao chão e mancham o piso alvo com o vermelho escarlate de seus sangues frescos.

O grupo então verifica a sala da qual à porta fora aberta. Ao todo haviam quatro celas com três pessoas em cada uma, ao longo da enorme sala. O cheiro pútrido dos corpos mal cuidados e maltratados era notório. Os jovens estavam imundos, trajando apenas camisolas hospitalares e exalando medo.

Eles então procuram por algum cartão que abra as celas, na roupa dos corpos no chão do corredor. Ao encontrar o que procuravam, duas pessoas do esquadrão voltam para o porão para enviar o sinal aos outros grupos e esperá-los. Um dos outros três, fica de vigia na porta enquanto Seonghwa e outro opositor adentram a sala.

Rapidamente eles começam a abrir as celas. Os jovens olham amedrontados e assustados para os dois. Estavam confusos e sem entender nada do que estava acontecendo.

"Não precisam nos temer, viemos aqui resgatar vocês." Seonghwa diz.

"Venham comigo, irei guiá-los para fora desse lugar." O outro fala e os pequenos garotos saem das celas lentamente, desconfiados e doloridos. Não tinham mais nada a perder, então seguem o opositor, que sai da sala e segue para o porão. O que estava de vigia na porta, segue atrás dos meninos para garantir que não sofram um ataque surpresa.

Seonghwa continua na sala, procurando informações importantes que possam ser usadas em táticas futuras. Ele abre gavetas, mas só o que encontra são seringas. Procura nos armários, e não encontra nada de útil.

"Droga." Ele pensa.

"Seonghwa, está na escuta?" Um dos opositores infiltrados no local de vigilância das câmeras, chama pelo rádio transmissor. "Você têm que sair daí agora!"

"O quê?" Ele não ouve direito a voz do companheiro.

"Seonghwa, sai daí, porra! Os soldados estão se aproximando!"

"Merda!" Ele pragueja. "Estou saindo."

Ele então corre de volta para o corredor, onde escuta passos pesados se aproximando. Então se dirige para o porão. Ao ver que os jovens ainda estão saindo e seus companheiros ainda estão lá dando cobertura, ele os apressa.

"Andem logo com isso, há soldados vindo para cá!" Os jovens se assustam com a sentença e os opositores logo se dividem. Dos cinco, três ficam com os garotos auxiliando na fuga e dois vão para o corredor para atrasar os soldados.

Como os outros grupos, que estavam encarregados de lidar com os soldados e destruir o lugar, ainda não haviam chegado, eles teriam que ganhar tempo.

O barulho dos coturnos ficam cada vez mais altos. Eles pegam os dois corpos no chão para servir se escudo. Seonghwa, com as costas viradas para o amigo, prepara sua escopeta e fica a postos. Cada um virado para um lado do corredor, para cobrir a retaguarda do outro.

A adrenalina era ensurdecedora, o sangue, bombeando em uma rapidez alarmante. Matar ou morrer nunca será algo acalentador.

Quando soldados começam a aparecer pelo corredor, os dois opositores atiram certeiramente, derrubando um após o outro.

Quando os soldados revidam, sangue é jorrado por todo o corredor. Seja dos corpos sem vida, ou não.

Os homens não param de vir. Era uma quantidade exorbitante para apenas duas pessoas darem conta. Percebendo que não tinham mais saída, Seonghwa dá passos para trás, empurrando levemente o amigo até que ficassem ao lado da porta que dá ao porão.

"O que você está fazendo?" Pergunta com dificuldade, seu companheiro.

"Por favor, fuja, e se encontre com o resto do pessoal."

"Ficou louco?! Não vou deixar você sozinho aqui!" Seu companheiro exclama incrédulo.

E, sentindo as balas atingirem cada vez mais o corpo que usava de escudo, Seonghwa empurra seu companheiro, que cai e rola pela escada do porão junto com o outro corpo. Rapidamente ele fecha a porta, gritando para que seu amigo fugisse.

Não deu tempo para se certificar de que seu amigo conseguiu escapar ou não. Não houvera mais nada. Tempo era algo precioso demais para um ambiente sangrento como aquele.

Balas o perfuraram pelas costas e o fizeram cair por cima do cadáver que segurava. Balas e mais balas continuaram a vir, como uma garantia. As luzes azuis que iluminavam o corredor eram inúteis agora, pois o vermelho já dominava o local.

E para ele, não havia mais tempo.


Notas Finais


Oi! Aqui é a Isabelle ( @itsfixxggukie ). Bom, primeiro peço perdão pela demora, e espero que tenham gostado do capítulo. Vamos tentar postar um pouco mais rápido da próxima vez kkk.

Criamos um canal no YouTube! Lá vocês poderão encontrar a playlist de TS toda separada, para os personagens principais, o Sistema, a Oposição, e etc. O nome é Kilvetti S2, e assim que pesquisarem o nome do canal, as playlists já irão aparecer.

É isso aí. Bjs e até o próximo❤

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Hey pessoas! Minha nossa mãe, esse cap foi mais difícil de sair que bosta quando está dura.

(Bela comparação hein?)

Enfim... Sou a Bia (@Bia-Potter)^ ^

Perdão pelo abandono temporário... Já estávamos loucas com a correria da escola, trabalhos em cima de trabalhos, cheirinho de testes e cagadas de provas (pois é, bem-vindos ao terceirão, meus caros!). E como eu trabalho, a loucura só dobra... Então como se não bastasse, um tal de Corona (não sei se vcs conhecem, sabem?) resolveu dar as caras e mudou a vida e a rotina de todos.

"Ah mano, mas agora na quarentena vc só fica em casa... Blablabla"
E daí? Gente, estamos em casa não por estarmos de férias, estamos em casa porque milhares de pessoas estão morrendo! Como querem que sejamos "produtivos" com tudo que está acontecendo? Nenhum ser humano que se preze está 100% bem com tudo isso. Cadê a empatia pelos vulneráveis?

Espero que estejam se cuidando direitinho ^ ^
Por favor, se protejam! De preferência em casa, sofrendo pelo shipp ksksksk

Bem... Eu e a Isa criamos um cronograma de escrita/revisão/edição para a fanfic, assim não demoraremos uma eternidade para postar novos capítulos! Não desistam da gente, ok?

Ah, nós não iremos mais responder os comentários de vocês nos capítulos. Mas não é por não ligarmos para vocês, pelo contrário! Deixaremos os comentários como espaço livre dos leitores para depositarem o que quiserem, é o espacinho só de vocês (só não sejamos muito rudes com as autoras, ok?). Se quiserem conversar conosco, enviem-nos mensagens! Iremos responder todas de prontidão e com o muito carinho. ^ ^

Maaaas, não significa que não leremos os comentários. (Qual é, adoramos ler o que vocês escrevem!) Afinal, é muito gratificante ver o nosso trabalho sendo retribuído *-*

TERMINADO o lenga lenga, colocarei abaixo o link dos trajes da Oposição, para vocês terem uma noção de como eles se vestem...

https://pin.it/1KANiwt

https://pin.it/PxaInyU

https://pin.it/1aoZvQ6

Obs: PRESTEM BASTANTE ATENÇÃO NAS DATAS nos capítulos, para vocês não se perderem!

Vão lá escutar as playlists, no YouTube, que preparamos com muito carinho! : )

Sem mais, até a próxima pessoas! ^ ^


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