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História The travaler - Capítulo 8


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Notas do Autor


Voltei!

Boa leitura~

Capítulo 8 - Remendados


Eu passei o resto do dia trancado no quarto. Não sabia como JeongIn tinha reagido ou se ele ainda estava ali, mas também não me importava, ou pelo menos fingia não me importar. Eu sabia que HyunJin tinha ficado com ele matando a saudade e perguntando mil e uma coisas sobre a viagem, coisas essas que JeongIn respondia apenas quando lhe convinha. HyunJin estava mais coração mole do que eu, isso sem dúvidas, e eu não negava que fiquei levemente chateado por ele não ter voltado para cuidar de mim algumas horas depois e impedir que eu mofasse dentro daquele quarto abafado.


Devo ter acordado na hora do jantar, já que meu estômago roncava terrivelmente pela falta de almoço e pelo cheiro bom que tomou o quarto. Era um cheiro bem diferente do usual e por isso eu sabia que era JeongIn quem estava cozinhando. Não queria levantar pois iria vê-lo e acabar comendo da sua comida, não teria energia para isso nem se quisesse, ainda que precisasse como nunca de um bom banho quente. No entanto, meu corpo clamava por qualquer mísero grão de arroz que eu tivesse a oportunidade de comer e eu já estava me sentindo tonto pela fraqueza.


Respirei fundo, controlando aquela necessidade.


Poderia ser infantil de minha parte correr o risco de desmaiar por baixa de glicose, mas eu realmente não queria ver ninguém, principalmente JeongIn, o qual eu sequer queria dirigir a palavra até que desistisse de toda sua história imbecil. Em outra situação eu estaria louco para abraça-lo a noite inteira e não teria saído de seu encalço quando ele chegou, mas eu tinha um orgulho a zelar, um orgulho que foi ferido por meu namorado idiota que não queria me dar motivos plausíveis para ter me enganado e ignorado por anos. O pior de toda a situação era que eu não tinha mais sono e estava sem meu celular, pois acabei esquecendo-o em meio ao meu surto, e para completar, estava com sede e minha cabeça começava a reagir a minha fome, me deixando com uma dor de cabeça latejante.


Contudo, ele ainda podia ficar melhor, afinal, eu ainda tinha um namorado que se importava comigo de verdade. O Jin entrou no quarto como um anjo, carregando um prato gigante de bimbapp que me tiraria da fome, eu queria beijá-lo só por isso. Ele me olhou com uma carinha decepcionada e meio chateada, e eu sabia bem que era por eu não estar lá com ele sendo um bom namorado para JeongIn. Sentou-se em minha frente sem dizer nada e eu fiz minha melhor carinha tristonha para ganhar beijinhos no rosto, como ele tinha se acostumado a me dar desde que começamos a ter uma relação melhor.


- Como está? Mais calmo?


- Chateado- Respondi controlando o sorriso que queria surgir quando ele satisfez a minha carência de seus beijos.


- Se sente, eu trouxe o seu jantar. Você deve estar com fome.


- Obrigada, Jinnie- Fui pegar o prato, mas ele impediu e levou os hashis cheios em minha direção. Eu não ia negar esse carinho.


- Está pálido... E desidratado, seus lábios estão secos.


- Sim, eu estou com sede.


- Eu vou cuidar de você- Ele sorriu, me dando mais comida- Depois daqui o senhor vai tomar um banho, e nós três vamos escolher um filme.


- Jinnie, eu não acho que-


- Eu sei, mas por favor, eu quero que façam isso por mim e pelo nosso relacionamento. Não quero que fiquem bem ou que se entendam, só quero que vocês convivam na mesma sala por duas horas - Ele pediu, meio cabisbaixo pela situação em que estávamos. Era a primeira vez que era ele a mediar a briga, já que antes esse papel era do Yang - O Jeonginie está triste por você não ter ido falar com ele, por estar o ignorando, ele até achou que você iria jantar conosco e cozinhou na maior expectativa. Agora está lá se sentindo péssimo e dizendo que acabou atrapalhando tudo entre nós dois.


- Ele não pode reclamar por ser ignorado, principalmente por nós. Lembra das vezes em que ligamos e ele não atendia? E das vezes que ele ficava adiantando a conversa para poder desligar logo? Sempre algo era mais importante do que a gente - Disse. Eu não havia gostado de ouvir que JeongIn estava pensando ser um estorvo, mas não respondi nada por saber que essa parte da culpa me cabia totalmente. Só esperava que ele não pensasse que meu amor por ele tinha acabado ou que ele estava sendo excluído da relação, por que isso, definitivamente, jamais aconteceria.


- Eu sei, é claro que me lembro - suspirou - Mas já deu, não acha? Se ele está escondendo algo é porque existem motivos e nós não podemos ser egoístas ao ponto de obrigá-lo a falar. Vamos esperar por ele, hum? Nós passamos tanto tempo separados. Agora que estamos juntos vamos nos separar de novo? Ele está aqui finalmente, lá na sala, pensando ser o maior monstro do mundo por te deixar triste.


- Tudo bem HyunJin, eu vou assistir ao seu maldito filme - Me rendi aos seus desejos. HyunJin, sempre argumentativo, só me fazia ficar mais aflito, e fazer JeongIn ficar triste por me deixar triste só nos deixava na mesma situação, pois as nossas angústias eram recíprocas e eu agora também carregava a culpa de deixá-lo chateado. 


Eu me importava com ele, muito, porque o amava da mesma forma que a três anos atrás, talvez até intensificado pela saudade. Por isso eu sabia que manter meu comportamento com ele seria torturante para nós dois, e aquele momento juntos  era perfeito para me fazer ponderar sobre isso.


- Obrigado, Minnie. Eu amo vocês.




{•••}




Assistir ao filme com eles não foi a mesma coisa de antigamente, dessa vez era sufocante e eu não conseguia prestar atenção em nada, nem mesmo em meus pensamentos, e a todo momento me vinha um aperto no peito e uma vontade imensa de chorar até cansar, de abraçar JeongIn e pedir para ele ser claro e sincero comigo e assim pudéssemos voltar a ser como éramos. Eu queria dizer que o amava mais do que tudo no mundo e que tinha sentido muito a sua falta, mas também queria dizer que estava chateado e continuaria assim até que ele me dissesse o que tinha para dizer. Nunca foi tão difícil para mim ficar ao lado dele, e me sentir acuado por sua presença estava me fazendo ficar pior. Mas, no final das contas, eu abracei HyunJin pelo peitoral durante todo o filme e tentei não olhar para o Yang uma vez sequer. Ainda que soubesse que isso iria machucá-lo, eu não saberia vê-lo triste sem fazer nada a respeito, e acabaria rendido e chorando de saudade em meio aos seus braços. Ele também ficou quieto e a única coisa que nos mantinha unidos era sua mão entrelaçada à HyunJin, porém, seu corpo estava no lado oposto do sofá, distante. 


Quando o filme acabou eu levantei e fui para o quarto sem dizer nada, pois sentia que meu corpo estava prestes a entrar em combustão e logo eu explodiria novamente. Eles demoraram a vir, acredito que o Jin estava consolando o Jeong (que teve suas esperanças de falar comigo mais uma vez destruídas), então resolvi não chamá-lo ou atrapalhar a conversa baixinha que ouvia, até porque, seria muita maldade de minha parte chamar HyunJin para deitar e não fazer o mesmo com o menor. Machucá-lo não era a minha intenção, era apenas uma consequência de meus atos frios para com ele.  Depois de alguns minutos eles chegaram, e eu, infantilmente, fingi que dormia encolhido no meu lado da cama.


O meio estava preenchido como a anos não ficava, aquilo me deixava feliz, porém nervoso por estar (agora) tão próximo ao Jeong. Novamente meu interior revirava e eu fui obrigado a respirar fundo várias vezes para tentar manter a calma, mas era impossível, e aquilo revelou a eles que eu estava muito bem acordado. Meu corpo tensionou por inteiro quando eu senti uma mão atravessar a minha cintura e se manter ali, parada, comigo sentindo a respiração quente em meu pescoço e um corpo menor e mais magro se encaixar no meu em um abraço carinhoso. JeongIn encostou a cabeça em minhas costas e respirou fundo me mostrando que aquele era o abraço que ele esperava receber de mim, mas eu não o dei. Logo depois ele ia recuar o toque mas desistiu e continuou abraçado comigo, que ainda tentava prosseguir com meu falho teatro do sono. Eu sinceramente preferi essa sua escolha pois assim conseguia sanar um pouco da minha vontade de ficar junto a ele, pelo menos por alguns segundos, até eu ouvir o primeiro fungado saindo baixinho do corpo colado ao meu, prosseguido de vários outros em sequência.


Eu não queria fazê-lo chorar. E, para mim, aquele também foi o ápice.


Acabei tirando sua mão com mais brutalidade do que deveria, mas foi apenas a minha necessidade de sair daquele aperto o mais rápido possível para poder me sentar na cama. Fiquei de costas para eles, sentado na beirada da cama enquanto chorava veementemente e meus soluços se tornavam tão audíveis quanto os de JeongIn, doídos e incontroláveis como as lágrimas que eu não tentava conter. O motivo do choro era tão mesclado que nem eu saberia explicá-lo ao certo, somente sentia uma imensa tristeza por estar tão mal com meu namorado juntamente a um alívio por ele, pelo menos, estar ali comigo. Eu também estava mal por toda aquela situação confusa e por estarmos em nossa cama como três estranhos. Aquilo era demais para suportar.


Meu maior desejo era que estivéssemos completamente bem e juntos como antes, dormindo num emaranhado de braços e pernas e trocando beijos que variavam entre sedentos e carinhosos.


JeongIn levantou rapidamente e me abraçou pela cintura, ficando atrás de mim e escondendo o rosto em minhas costas enquanto chorava junto comigo. Eu sentia as suas mãos me abraçando de forma desengonçada e percebi que elas, apesar de maiores, ainda eram menores do que as minhas e pareciam mãozinhas fofas e delicadas em comparação, assim como é o meu JeongIn. Suas lágrimas quentes molhavam a blusa de meu pijama mas eu não me importava nem um pouco, e não tardei a entrelaçar meus dedos nos seus, em frente de mim. Ele estava sentado na cama e eu senti seu rosto subindo pelas extensão de minhas costas enquanto seu nariz frio traçava o caminho feito por ele, chegando até meu pescoço. JeongIn apertou mais seus braços em volta de mim e cheirou o lugar com força, me fazendo arrepiar completamente pela junção das sensações e me trazendo para perto de si como se estivesse com medo de eu fugir novamente. Seu rosto se manteve ali, abusando de meu cheiro natural misturado ao sabonete que eu usara mais cedo, com suas lágrimas molhando a pele pálida de meu pescoço e ele chorando bastante e me abraçando com força e saudade.




Eu não podia mais ficar tão inerte.




- Me desculpe.




Eu precisava abraçá-lo com todas as forças até que aquele aperto no peito sumisse.




- Me desculpe, hyung. Por favor, me desculpe!




Ele falava com tanto desespero e zelo, ele estava triste, e eu estava necessitado dele.




- Fale comigo, hyung. Diga que vai me perdoar. Por favor, não me ignore!




Eu queria ter o meu amor de volta em meus braços para sempre, queria poder cuidá-lo e amá-lo como ele merece.




- Eu te amo, hyung!




Eu o amo muito.




- Diga que me ama...




Eu o amo tanto. Somente sua voz manhosa me destruía por inteiro.




- Por favor, não seja assim comigo.




JeongIn cansava de esperar uma resposta minha, mas eu estava incapaz de abrir a boca.




- Eu voltei para vocês! Eu estou aqui por vocês!




Ele tinha chegado a uma conclusão com o meu silêncio.




- Você não sentiu a minha falta, não foi?




Era minha culpa. Culpa do meu silêncio demorado e insistente.




- Você ainda me ama, hyung?




Aquilo era doloroso demais para se ouvir.




- Você não me ama.




Minhas atitudes apenas causaram dor para nós dois. Eu precisava parar de ser tão egoísta. Eu precisava cuidar dele.




Senti o abraço desfazer enquanto ele se preparava para levantar da cama, eu segurei o seu pulso e o puxei para mim, trazendo ele para os meus braços como eu queria ter feito desde que ele chegou. Eu senti seu corpo tremer contra meu peito enquanto ele escondia seus rosto em meu pescoço e se ajeitava com as pernas  volta de minha cintura, sentado em minhas coxas e se colando a mim de frente, seus braços finos me apertavam com força além de prender minha camisa entre seus dedos. Eu o abracei de volta com a mesma intensidade e fiz nele o que a pouco ele tinha feito em mim, buscando o cheiro em seu pescoço como se aquilo fosse uma necessidade, e de fato era. Meus braços foram direto para a sua cintura e circularam ali, sentindo a pele quente por debaixo de sua camisa e apalpando a cintura fina que para o meu tato era tão familiar.


- Eu te amo - Sussurrei - Muito. Nunca mais duvide disso. - Ele concordou com a cabeça várias vezes, com suas orbes castanhas presas em mim e lendo meu rosto em busca de alguma mentira. Eu acariciei seu cabelo cheiroso e sorri terno, vendo seus olhinhos brilhando marejados como resposta, emocionado de felicidade. Ele pôs um biquinho pedindo para ser beijado nos lábios e eu não exitei em realizar o desejo.


Sentir os lábios gostosos contra os meus novamente era uma sensação indescritível, eu me sentia completo depois de muito tempo sendo só um pedaço de mim, além de sentir meu corpo prestes a atingir seu ponto de ebulição. O beijo era lento e muito suave, e eu podia saborear a língua de JeongIn roçando na minha de uma forma deliciosa, arrepiando todos os meus pelos. JeongIn passava o dedo suavemente pela minha pele e eu apertava seu cabelo sem força, entretanto, a sua cintura era apertada com possessividade. Eu poderia ficar ali para sempre, sentindo sua respiração fraca batendo contra meu rosto e nossos corpos colados por completo, principalmente com meu corpo começando a reagir àquele aperto. Não era surpresa, afinal, eu tinha meu namorado sentado em meu colo depois de anos separados, e aquela posição não favorecia muito, ainda que minha vontade fosse somente de beijá-lo e cuidar dele até que o Yang enjoasse da minha companhia.


- Eu senti tanto a sua falta... - Digo na separação de nossos lábios - Eu não sei viver sem você. Sem vocês.


- Me desculpe por ser um idiota, eu prometo que depois tudo vai ser esclarecido - Disse ainda fungando, com ralas lágrimas descendo - Não me tratem mais assim, por favor! Eu estava com tanta saudade...


- Tudo bem, se você quer um tempo, eu te darei isso. Mas você tem que prometer contar o que fez nessa viagem quando estiver pronto. - Suspirei fundo. Aquela não era a minha vontade, mas eu não queria mais vê-lo chorar por minha causa. Tudo seria mais fácil se ele simplesmente dissesse, mas se era assim que ele queria eu teria que dar meu voto de confiança mais uma vez, mesmo temendo. Eu não imaginava algo tão grande a ponto de ter que ser um segredo entre nós três, mas pensar na possibilidade dessa "coisa" existir me deixava tenso e apreensivo.


De qualquer maneira, eu teria que aprender a conviver com isso.


- Obrigada, hyung- Ele disse simplesmente, ignorando a promessa. Fiquei levemente frustrado, mas o abracei mesmo assim  e  o recoloquei contra mim, apoiando seu peso no meu corpo e o acariciando seus cabelos e rosto. Ele me abraçou de volta e logo nós dois fomos presos por dois braços maiores e mais fortes.


- Eu amo vocês - Ele falou bem próximo e com a voz meio embargada- Eu amo ver vocês assim - Enxugou as lágrimas que corriam. Eu ri do HyunJin todo sentimental e meloso conosco, enquanto JeongIn ficou surpreso em vê-lo ser tão romântico e melodramático, diferente do antigo Hwang.


Teríamos que nos acostumar com isso, afinal, a nossa vida sempre foi cheia de surpresas, mudanças e adaptações. E no final de tudo eu percebi que HyunJin estava certo e eu não duraria muito em minha implicância.


Porque, apesar de tudo, JeongIn tinha voltado para nós.


{•••}


Notas Finais


Será que essa paz vai durar?

Até! ❤


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