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História The Truth Behind the Clichés - Capítulo 3



Notas do Autor


Oii pessoas,como vocês estão?
Estamos de volta com mais um capítulo fresquinho pra vocês!
Espero que gostem!

OBS: Antes do cap começar tenho um aviso para quem não lê muito no wattpad ou spirit, isso aqui 《 "×-×-×-×-×-×" 》significa quebra de tempo, é como se eu estivesse passando de uma cena para outra, só isso mesmo

 Boa leitura para vocês♡

Capítulo 3 - -- Capítulo 2 --



POV. Jonathan

F*deu.

Estou atrasado para o trabalho, não acredito que aquela maldita professora segurou a gente dentro da sala por mais 15 minutos, com certeza foi para ferrar com a minha vida.

Neste exato momento, estou correndo pelas ruas tentando não ser atropelado por nenhum carro, motivo? Estou completamente atrasado para o trabalho e detalhe: É O MEU PRIMEIRO DIA DE TRABALHO, eu não acredito nisso, espero que ninguém perceba o meu atraso, Deus me ajude.

Fiquei 5 minutos nessa correria louca até chegar na cafeteria onde trabalho, coloco as mãos no joelho tentando recuperar o ar que eu havia perdido nessa corrida, paro e analiso o local até parar no caixa, onde se encontrava uma moça, acho que ela é funcionária daqui, espero que ela não diga nada sobre eu chegar atrasado, fui caminhando calmamente até ela parando em sua frente.

— É… licença moça, você trabalha aqui né? — é óbvio que ela trabalha aqui gênio, que pergunta mais idiota.

— Olá, seja bem-vindo — deu uma risadinha diante meu nervosismo — trabalho sim, posso ajudá-lo?

— Sou o novo funcionário daqui, não sei se a chefe falou sobre mim — cocei a nuca, envergonhado — desculpe pelo atraso, prometo que não vai se repetir.

— Ela falou sim, vamos ser colegas de trabalho então? — ela da uma risada e sorri — e sobre o atraso, tudo bem, eu não vou contar para ninguém, mas acho melhor você ir se trocar-ela apontou para trás onde havia uma única porta, concordei passando por ela e indo em direção a porta — Ei espera, qual seu nome?

— Jonathan, muito prazer — sorri — e o seu?

— Prazer, sou Lorena.

— Certo, agora acho melhor eu ir trocar né — dou uma risada em meio a frase — já volto para te ajudar — virei as costas até chegar no fundo da pequena cafeteria onde se encontrava o vestiário, Lorena parece ser uma garota bacana, espero que possamos ser amigos.

Coloquei meu uniforme e sai do pequeno cômodo, Lorena estava terminando de atender uma senhora, preciso pedir para ela me explicar como funcionam as coisas aqui, não quero fazer m*rda bem no 1° dia.

POV. LORENA

Sai do colégio com um sorriso no rosto, estava em direção a cafeteria pensando se foi uma boa ideia chamar o Lucas para ir lá em casa, mas já foi, espero que dê tudo certo.

 Depois de 5 minutos chego no meu local de trabalho, entro na cafeteria e cumprimento a funcionária que vai trocar de turno comigo, logo em seguida indo em direção aos fundos.

Abro meu armário, pego meu uniforme, me troco rapidamente e vou em direção ao caixa, a outra garota já foi embora, deixando a cafeteria sobre minhas responsabilidades, minha chefe me disse que hoje chegaria um funcionário novo, mas até agora nada…

×-×-×-×-×-×-×-×-×-×-×

Estou guardando o troco do último pedido quando um garoto entra correndo, e para com as mãos nos joelhos, provavelmente para recuperar o fôlego, depois ele caminha calmamente para perto de mim e pergunta:

— É… licença moça, você trabalha aqui né?

— Olá, seja bem-vindo — não pude me conter, dei uma risada baixa — trabalho sim, como posso ajudá-lo?

— Eu sou o funcionário novo, não sei se a chefe falou sobre mim — ele dá um sorrisinho e coça a nuca, envergonhado, o garoto é fofo demais — desculpe pelo atraso, prometo que não vai se repetir

— Ela falou sim, vamos ser colegas de trabalho então? — dou uma risadinha — e sobre o atraso, tudo bem, não vou contar para ninguém, mas acho melhor você ir se trocar — aponto para a porta dos fundos logo atrás dele, ele assente e segue em direção ao local, mas logo percebo que não fiz a pergunta básica — Ei, espera, qual seu nome?

— Jonathan, muito prazer — vejo um sorriso se formar em seus lábios — e o seu?

— Prazer, sou Lorena, sua nova colega de trabalho — retribuo o sorriso do mesmo

— Certo, agora acho melhor eu ir me trocar né? — diz a frase seguindo de uma pequena risada

Jonathan parece ser um garoto legal, quando ele sai volto a atender os clientes, quando acabo de servir uma mulher escuto o garoto abrir a porta dos fundos, ele se aproxima e diz timidamente:

— Lorena, pode me mostra como funciona as coisas aqui?

— Claro — deixo um sorriso escapar

 ×-×-×-×-×-×-×-×-×-×-×

Depois de adaptar o Jonathan ao local, pergunto:

— Alguma dúvida?

— Não, não, Lo, obrigada — diz entre um sorriso, que depois vira uma feição de dúvida — posso te chamar assim certo?

Tive um certo um receio antes de responder, nunca recebi apelidos de ninguém a não ser meu pai, Lo era o apelido favorito dele, lembrava o chocolate que ele mais gostava, tenho tanta saudade dele, fico um tempinho pensando, mas logo respondo:

— Claro que pode, devemos ter quase a mesma idade né? Então não tem problema, além de que não é como se eu fosse sua chefe, pode agir comigo como se eu fosse sua amiga — falo e sorrio, nunca tive amigos, mas depois de hoje percebi que isso pode acabar não sendo uma coisa tão ruim como era na minha mente.

— Ah! Sim, sim! Então somos amigos — Jonathan está corado, e com um sorrisinho fofo estampado no rosto.

— Vamos combinar assim, você anota e entrega os pedidos e eu fico no caixa pode ser?

— Pode ser — ele sai em direção a mesa de um moço que acabou de chegar, atendendo o mesmo todo sorridente, acho que vou me dar bem com esse garoto.

×-×-×-×-×-×-×-×-×-×-×

Chamo o Jonathan e aviso para ele que iria sair mais cedo, acho que ele fica assustado por pensar que o deixaria sozinho logo no primeiro dia, então logo digo:

— Mas relaxa, uma colega do turno da noite virá para cobrir o tempo que não estarei aqui, o nome dele é Gilbert, ele é mais velho que eu, mas é legal mesmo assim, vocês vão se dar bem — dou um sorriso reconfortante e percebo a feição dele relaxar

— Ufa — ele fala e volta a trabalhar, enquanto vou para os fundos

Me troco, pego minhas coisas, e vou em direção ao Gilbert, já dizendo:

— Oie Gilbert, ele é novato então pega leve tá? — ele assente com a cabeça — obrigada por me cobrir nessa, te devo uma — dou um sorriso, e ele também, normalmente Gilbert não sorri, não sei o porque, o sorriso dele é tão lindo — me despeço dele e do Jonathan, e saio da cafeteria, seguindo em direção a minha casa.

Como sai mais cedo, só vou pegar as gorjetas amanhã, já que dividem entre os funcionários no fim do turno de cada um, meus tios vão ficar bravos que voltei sem nada, a minha esperança deles mudarem a atitude comigo já morreu faz tempo, pego meu celular e vejo o horário…15:55.

AI MEU DEUS TENHO QUE CORRER

Saio dali correndo o mais rápido que posso, sorte a minha que minha casa não fica longe, abro a porta e começo a subir a escada rapidamente, mas paro quando escuto uma voz rouca de alguém bêbado, não acredito oque ele ta fazendo aqui nesse horário?

— Oi tio… — me viro, e digo cabisbaixa com uma voz rouca e baixa, mas de um modo que ele consiga escutar

— Tio é o car*lho, onde ta o seu dinheiro? — o mesmo fala com uma voz falha por causa do efeito da bebida, inclusive ele conseguiu tomar uma garrafa inteira, sozinho, já que a mesma está vazia em sua mão esquerda, estou com medo da sua reação, mas tenho que dizer:

— Não trouxe dinheiro hoje — falo com uma voz abafada e logo em seguida sinto meu rosto arder, sim, ele tinha me dado um tapa no rosto, meus olhos já estavam cheios de lágrimas, mas tento não chorar na frente dele, não quero demonstrar fraqueza

— Vai para o seu quarto agora seu pedaço de lixo — nesse momento corri em direção ao meu quarto e bati a porta, agora escutando a voz dele abafada dizer — vou sair e só volto a noite, não quero mais ver sua cara na minha frente, sua vagabunda — nesse momento escuto a porta bater, já estou com o rosto todo molhado de lágrimas, ainda sentindo o ardor do tapa de sua mão pesada na minha bochecha, pelo menos ele saiu, não vou ter que explicar para o Lucas o porquê de ter um bêbado maldito me xingando na minha própria casa.

Depois de um tempo, me deito na cama e pego meu celular, são 16:15, porque o Lucas não chegou ainda? Nesse momento meu celular vibra e vejo uma mensagem na tela de notificação:

“Oie Lorena, é o Lucas, vou me atrasar um pouco, mas é por uma boa causa, te vejo logo, logo, tchau”

Estranho, mas tudo bem, respondo com um “ok” e vou para o banheiro, lavo meu rosto, que ainda está avermelhado, só não sei mais se é por causa do tapa ou de tanto chorar, me olho no espelho novamente, e meu olhar vai diretamente para a caixinha dourada na lateral do armário, pego a mesma e abro, fico encarando aquela lâmina, com meu sangue nela, quando pensei em fazer algo escuto a campainha tocar coloco rapidamente a caixa no lugar e saio correndo dali para abrir a porta, quando abri, me deparei com Lucas sorrindo, retribui esse sorriso e pedi para o mesmo entrar, fechei a porta e quando me virei, percebi que ele estava com uma sacola de papel na mão, apontei para a sacola e perguntei:

— Oque é isso?

— Calma ai, pequena, seus olhos estão brilhando de curiosidade — pequena… gostei desse apelido, acho que estou corada, mas tudo bem — trouxe um lanche e uns doces para nós, imaginei que não tivesse comido já que foi da escola, direto para o trabalho, como diz o ditado saco vazio não para em pé, e temos muita coisa para fazer, não quero que você desmaie de fome — ele fala e sorri, fico um pouco envergonhada e sinto minhas bochechas queimarem, dou um pequeno abraço nele e digo:

— Obrigada por se preocupar comigo Lucas, você é bem atencioso — me separo dos braços dele, e noto que ele está corado — você está com vergonha, que bonitinho — solto uma risadinha e ele desvia o olhar

— Eu com vergonha? Nada a ver pequena — Lucas dá uma risadinha — temos trabalho a fazer, vamos?

— Sim, sim, claro, vamos lá — subimos a escada e entramos no meu quarto

— Quarto legal

— Eh… Valeu — dou uma risada e ele faz o mesmo quando percebeu meu nervosismo.

— Antes de começarmos, vamos comer

— Oba!!

Ele dá uma risada, ok, eu me rendo, eu definitivamente amo essa risada.

 

×-×-×-×-×-×-×-×-×-×-×

 Já tínhamos feito boa parte do trabalho, só faltava passar a limpo, enquanto eu escrevia de repente o Lucas para de ditar.

— Ué? O'que foi? — pergunto curiosa.

— Tenho que ir ao banheiro

— Ata, fica aqui do lado, a direita

— Ok, já volto

Lucas sai do quarto, e sento na minha cama, pego meu celular e começo a mexer, decido entrar no “blog” da escola, e me deparo logo de cara com:

“OS NOVATOS LUCAS E MIGUEL SÃO GAYS”

Na publicação está anexada uma foto dos dois se abraçando, sério qual a necessidade das pessoas postarem isso, e se eles forem realmente homossexuais? Qual o problema? Isso não tem nada a ver com a vida delas, se eles quiserem contar algo os dois vão contar, no tempo deles, e o povo está fazendo tumulto julgando eles por causa de um abraço, não sabem o significado de amizade? Rolo os comentários e só tem coisas do tipo:

“Nossa, eles são gays que nojo”

“Sabia que tinha algo estranho com esses dois”

“Não sei como eles vão ter coragem de aparecer na escola amanhã”

“Eles ainda não provaram a melhor, por isso são gays”

E só piora, tem alguns que salvam:

“Homofobia é crime não sei se vocês sabem”

“Gente parem de fazer fuzuê por causa de um abraço”

“Deixa os meninos serem felizes”

Acho que o Lucas ainda não viu isso, não queria estragar a animação dele, mas vou ter que falar, ele está demorando muito.

— Lucas!

Gritamos ao mesmo tempo

— Lorena!

Que estranho por que ele ta me chamando? Antes que eu tenha tempo de pensar, ele aparece na porta, com uma expressão que eu não consigo decifrar, meu olhar vai parar na mão dele e nela está… a minha caixinha dourada, essa não…

POV. LUCAS 

Depois de falar com a Lorena, fui para minha “casa”, vou me aproximando da porta, receoso, assim que a abro, suspiro aliviado ao ver o cinzeiro vazio, vou até o quarto da minha mãe e dou um beijo em sua bochecha e aviso a ela que irei sair para fazer um trabalho na casa de uma colega e que volto mais tarde, ela assente com a cabeça e saio do local, fechando a porta atrás de mim, indo direto em direção ao banheiro, preciso tomar um banho e me arrumar antes de ir para a casa dela. Hoje o dia havia sido bem tranquilo pela primeira vez em dias, pude ver novamente o Miguel, meu melhor amigo, e eu estava feliz por isso.

Depois de sair do banho, me troquei e escovei os dentes e fiquei à-toa até dar o horário de ir para a Lorena, peguei minhas coisas e saí, a casa dela não é tão longe da minha, então é tranquilo ir andando e também não deve demorar.

Assim que fui bater na porta vi alguém pela janela, mas não parecia ser a Lorena e a pessoa estava claramente exaltada e como eu não sou curioso, nem nada, resolvi dar uma espiada. A pessoa era um homem e ao seu lado estava Lorena, eles pareciam estar brigando e ele parecia estar bêbado, fico me perguntando se eu deveria intervir, e se ele acabar agredindo ela? Continuei espiando até que o vejo levantar a mão e dar um tapa no rosto da garota, fiquei surpreso, aquele era seu pai?

Ouvi ele xingar a Lorena, e vi ela subir as escadas correndo enquanto ele continuava insultando a mesma, até que ele para olha para uma garrafa vazia que estava em suas mãos e começa a caminhar em direção a porta, saio dali rapidamente não quero que ele me veja.

Vou para a rua de trás e me escoro em um poste, enquanto finjo estar mexendo no celular, vejo o mesmo homem da casa passar por mim, o mesmo estava cambaleando e com os olhos vermelhos, provavelmente por causa da quantidade de bebida, ele vira a rua e segue direto, finalmente o caminho está livre, não queria causar mais problemas para ela.

Estava caminhando novamente a casa dela, quando paro e penso como isso deve ter desanimado a mesma, o que a deixaria feliz? Ah! É claro, doces, sempre fico feliz quando como doces.

Mandei mensagem para a Lorena avisando que eu ia me atrasar um pouquinho e ela de imediato respondeu somente com um “ok”, não consigo nem imaginar o que ela deve estar sentindo agora. Cheguei no mercado que se encontrava na esquina da casa da minha colega e selecionei alguns doces que poderiam deixá-la feliz. Peguei todos os doces que imaginei que ela gostasse, paguei e sai indo em direção a casa da Lorena.

Toquei a campainha e esperei que ela abrisse a porta, assim que a mesma abriu pude olhar para o seu belo rosto, que agora estava avermelhado, seus olhos inchados, provavelmente por conta do choro, fingi não perceber e sorri, ela pediu para entrar e fechou a porta, depois disso se virou para mim com um olhar curioso.

— O que é isso? — e apontou para a sacola em minha mão

— Calma ai, pequena, seus olhos estão brilhando de curiosidade — lhe dei um apelido e ela pareceu gostar — trouxe um lanche e uns doces para nós, imaginei que não tivesse comido já que foi da escola, direto para o trabalho, como diz o ditado saco vazio não para em pé, e temos muita coisa para fazer, não quero que você desmaie de fome — falo e sorrio, vendo ela ficar envergonhada e me dar um pequeno abraço

— Obrigada por se preocupar comigo Lucas, você é bem atencioso — ela se separa de mim, e noto que minhas bochechas estão queimando — você está com vergonha, que bonitinho — solta uma risadinha fofa

— Eu com vergonha? Nada a ver pequena — solto uma risadinha também — temos trabalho a fazer, vamos?

— Sim, sim, claro, vamos lá — subimos a escada indo em direção ao quarto dela

— Quarto legal — digo analisando o local, era realmente bonito

— Eh… Valeu — sorri, oque me faz perceber seu nervosismo.

— Antes de começarmos, vamos comer

— Oba!!

Dou risada e vou com ela para a cozinha.

×-×-×-×-×-×-×-×-×-×-×

 Já tínhamos feito boa parte do trabalho, só faltava passar a limpo para ficar mais apresentável.

Me deu uma enorme vontade de ir ao banheiro, parei de digitar e a garota ao meu lado percebeu que eu estava incomodado.

— Ué? O que foi? — perguntou me olhando curiosa.

— Tenho que ir ao banheiro

— Ata, fica aqui do lado, a direita

— Ok, já volto — me levantei e fui até a porta onde ela havia apontado

Assim que acabei de fazer as minhas necessidades, fui até a pia para poder lavar as mãos, dei uma arrumada no cabelo e me virei para poder sair, até que uma caixinha dourada jogada ao lado da pia me chamou atenção, andei até ela e a peguei abrindo-a.Dentro haviam… lâminas? Estão ensanguentadas… O que elas estão fazendo aqui, ou melhor, são da Lorena? Precisava tirar essa dúvida que me corroía por dentro, então gritei seu nome e ouvi e por incrível que pareça, ela me gritou também.

— Lorena!

— Lucas!

Fui em direção a ela e a mesma me olhava com uma cara estranha, até que seu olhar foi de mim até a caixinha em minha mão e ela ficou paralisada… Será que é o que estou pensando?

— O que aconteceu? — perguntei

— Não, pode dizer você primeiro — me olhou e eu não consegui decifrar que sentimento seus olhos transmitiam-por favor

— Tudo bem — suspirei — você poderia me explicar o que é isso daqui?

— Isso? Ah! Não é nada de mais, sabe… é que coleciono lâminas e tal — riu de nervoso e desviou o olhar, ela não pretendia me contar a verdade e eu não queria força-la — Deixa isso de lado, preciso te mostrar uma coisa.

Ela desbloqueou o celular e virou a tela em minha direção, estava aberto no blog da escola e pelo que entendi eu estava nele.

— Que p*rra é essa? — lhe olhei, eu não estava acreditando

— Está no blog da escola, eu não sei o que significa, mas pelo que parece é uma foto sua com um tal de Miguel

— Que ótimo — passei a mão nos meus cabelos e me virei para ela novamente — já volto

Sai de seu quarto pegando meu telefone, precisava falar com o Miguel urgente e estou torcendo para ele atender.

— Alô, Lucas? — ouvi meu melhor amigo me chamar

— Você já entrou no blog do colégio?

— Não sabia nem que tinha isso, mas o que que tem?

— Cara, postaram uma foto nossa e a legenda dizia que não somos “gays”-ouvi ele tossir do outro lado da linha

— Como é? Mas Por quê?

— Eu não sei, acabei de ver, eu estava…-ouvi um soluço que vinha do quarto da Lorena e fiquei preocupado — Foi mal cara, tenho que resolver uma coisa aqui, depois te ligo.

— Beleza, vou tentar ver quem foi que postou

— Beleza, tchau — ele se despediu antes que eu desligasse o telefone.

Coloquei meu celular no bolso e fui até o quarto da garota, encontrei Lorena encolhida na cama aos prantos, ela soluçava desesperadamente e eu sentia meu coração doer a cada soluço, fui até ela e a abracei.

— Ei pequena, estou aqui com você — ela correspondeu o abraço chorando ainda mais enquanto eu fazia carinho em seus cabelos.

POV. NARRADORA

— Ei pequena, sabe que pode confiar em mim, não sabe? — o garoto levantou o rosto de Lorena fazendo com que ela lhe olhasse.

Ela apenas assente e se afasta, seus olhos estavam vermelhos e cheios d'água.

— Lucas, por que eu não posso ter uma vida normal igual a de todo mundo?

— Pequena, ninguém tem uma vida normal, todos tem seus próprios problemas, só que algumas pessoas têm mais que os outros, entende? — acariciou a bochecha dela olhando-a com carinho

— Você também tem problemas Lucas? — o fitou curiosa, com seus olhos marejados

— Vários, mas não deixo isso me derrubar, uma hora ou outra tudo acaba, primeiro a tempestade depois o arco-íris.

— Estou esperando minha vida melhorar a anos, na verdade, desde o dia que nasci, mas só piora a cada dia,acho que vim destinada para sofrer — o garoto limpou as lágrimas que insistiam em cair

— Lo, sei que é difícil ok?Mas eu tô aqui com você, pode confiar em mim, sei que nos conhecemos a muito pouco tempo, mas quero muito te ajudar, de verdade.

— Não quero te incomodar com os meus problemas,está tudo bem — ela limpou o próprio rosto e depois encarou o garoto que estava a sua frente.

— Ei — Lucas segurou o rosto da amiga com carinho, queria que ela entendesse que ele estava ali para ela, e somente para ela — não tem incômodo nenhum, se eu tô aqui é porque quero te ajudar, me diz o que se passa nesse coração, pequena.

— Eu… — ela fica receosa antes de contar — eu sou complicada desde o nascimento, minha mãe morreu para me dar a vida e meu pai se suicidou por falta da minha mãe, sou um monstro entende?Eu matei os meus pais, eles não mereciam isso, eles não mereciam a filha que tem e eu não merecia estar viva. Vivo com meus tios e eles são horríveis, minha tia sempre me culpa pela morte dos meus pais e sempre me bate, o meu tio é um alcoólatra e sempre pede meu dinheiro para comprar ainda mais bebidas, quando eu não tenho ele… ele — a garota desabou em lágrimas novamente, aquilo era demais para uma adolescente aguentar — ele me bate e me chama de nomes horríveis e eu aguento tudo isso, às vezes acho que mereço passar por tudo isso, eu não mereço ter alguém como você do meu lado, você é bom demais e eu não quero te corromper.

O garoto estava paralisado, na sua mente só surgiam mais e mais perguntas, como ela conseguia sorrir depois de tudo? Como conseguia levantar da cama depois de tudo? Sem pensar duas vezes, ele a abraçou e ficaram uns bons minutos assim, a garota soluçava em seus braços e ele tentava acalmá-la.

Assim que Lorena parou de chorar, se virou para seu amigo e se ajeitou na cama.

— Ei Lu — chamou — você disse que também tem problemas certo? — ele apenas assentiu com a cabeça — você… você quer me contar? Sabe queria te ajudar igual você está me ajudando.

Lucas sorriu, e na sua mente rondava uma pergunta, como ela conseguia ser tão fofa?

— Hoje não pequena, hoje não — puxou tranquilamente a menina para um abraço afagando seus cabelos — você já teve emoções demais por hoje, tudo bem?

— Tudo bem, mas, me promete que vai contar depois?

— Prometo

— De dedinho? — a garota ergueu o mindinho na direção do rosto, fazendo Lucas sorrir

— Claro pequena, de dedinho — ele entrelaça seus dedos e mantém o seu sorriso reconfortante na direção da menor 

Ela se deitou no peito do mesmo enquanto ele fazia carinho em seus lindos cabelos ondulados, ficaram assim até ele sentir os músculos dela relaxarem e a respiração ficar tranquila, olhou para baixo para conferir se ela estava mesmo dormindo. Devagar para não acordá-la, ele a tira de seu peito e coloca sua cabeça no travesseiro, depois disso a cobre e acaricia o seu cabelo, pensando em como um ser tão maravilhoso pode sofrer desse jeito, assim que se virou para a porta, sentiu uma mão leve agarrando seu pulso.

— Fica aqui, por favor — pediu com a voz baixa e com uma lágrima escorrendo por seu rosto

Ele limpa a lágrima dela e faz carinho em sua bochecha.

— Eu não posso pequena, mas fica bem tá? Seja forte e qualquer coisa me manda uma mensagem que venho correndo.

Se aproxima e dá um beijo na testa da mesma e vê um leve sorriso se formar em seus lábios.

— Obrigada Lucas… por tudo

— De nada pequena — sorriu vendo a mesmo pegar no sono novamente

O garoto sai da casa de Lorena atordoado, a partir de hoje teria que protegê-la com sua vida.

Continua…


Notas Finais


E foi isso,espero que tenham gostado.
Beijos para todos.
Tchau tchau!


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