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História The Twisted Truths - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo Dois


Laguna Beach; Casa de Stassie; Domingo; 10:32 da manhã.


   Stassie se olhava no espelho pela enésima vez desde que ficara pronta. Estava ansiosa, como todas as outras vezes, mas dessa vez em especial se sentia confiante. Seu sorriso se alargou e seu coração bateu mais rápido.

   Mesmo que estivesse extremamente feliz por finalmente vê-lo depois de meses, ela sentia que essa visita seria diferente das outras. Um pouco mais livre, diria. 

   Ela rodou na frente do espelho e a saia do seu vestido se levantou um pouco. Soltou um riso fraco enquanto o arrumava. Por que, desta vez, ela não sentia medo? Por que, como fora das outras vezes, ela não estava insegura? Na mente de Stassie não haviam respostas para essas perguntas.

   O interfone da casa soou. Como ela estava esperando alguém, não se importou de ir diretamente atender ao convidado. Ela abriu a porta com rapidez e assim que viu quem estava atrás dela, seu sorriso se fechou.

   - Liam? – Seu rosto estava inchado e seus olhos vermelhos. – O que aconteceu?

   Stassie o puxou imediatamente para dentro e o levou até a sala, sentando-o em um dos sofás.

   - Victória aconteceu. – Sussurrou.

   Seus olhos de encheram de lágrimas. Ele colocou o rosto sobre as mãos e apoiou os cotovelos nas coxas. Stassie passou seu braço sobre as costas do rapaz e acariciou docemente seu pescoço desnudo.

   - Amor... - Ela beijou o topo de sua cabeça. - Eu sinto muito. - Stassie o abraçou. 

   - Estamos brigando há dois dias e a única coisa que ela sabe falar é como eu não me importo com a nossa irmã! - Ele ri sem humor. - Como se isso fosse possível, não é?

   - Tenta entender o lado dela, Liam. - Ela afaga os cabelos do rapaz. - É tão doloroso para ela quanto é para você.

   - Mas ela não pode entender o meu lado? – Ele aponta para si mesmo. – Poxa Stassie! Ela sofre com a perda da Natalie, mas eu também sofro com a morte dela e ainda com o fato da Vic estar se afundando cada vez mais na dor.

   Liam respirou fundo e fechou os olhos. Stassie suspirou e se levantou, afastando-se dele.

  - Ela está se sabotando com todo esse apego. – A namorada direcionada seu olhar a ele. – Uma hora ela não vai mais aguentar. – Ele abre os olhos e seu olhar se encontra com o de Stassie. – E eu não estou pronto para isso.

   Ele abaixa seu olhar, parando em suas mãos, que agora estão entrelaçadas a sua frente. Stassie passa os dedos pelos cabelos claros e cacheados, bufa em irritação e fecha os olhos. Liam franze o cenho em confusão ao ver a reação da namorada.

   - O que foi, Stassie?

   - Nada, Liam. – Força um sorriso. Liam percebe a tentativa de disfarce.

   - Posso ficar aqui ou você vai sair? – Pergunta apontando para o vestido que a garota usava.

   - Claro. – Abriu outro sorriso forçado. – Eu ia sair com a Amelia, mas você é mais importante. – Liam confirma com a cabeça e sorri. 

   Stassie estava agindo estranho e Liam percebeu isso. O que quer que fosse que ela estivesse escondendo, ele ficou tentado a descobrir.

   - Olha, pode ficar à vontade, você sabe. – Diz apressadamente. – Eu vou me trocar. – Ela aponta para o corredor de seu quarto sorrindo.

   - Okay.

   Ela vai para seu quarto rapidamente, fecha a porta, encosta-se na mesma e respira fundo, aliviada. Seus olhos percorrem seu quarto à procura de seu celular e quando o encontra, pega-o imediatamente discando um número conhecido. No terceiro toque a pessoa atende, e antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Stassie a interrompe:

   - Liam está aqui. Não poderei ir vê-lo hoje.

   Suspira cansada.

   - Lógico que eu não vou contar para ele! – Eleva o tom da voz. – Quer dizer – Pigarreia. –, ele vai saber, mas na hora certa.

   Seus olhos ficam úmidos e ela os fecha com força, mas logo os abre novamente.

   - Ligue para ele, fale que eu tive um imprevisto e que amanhã eu vou vê-lo. – Ela bufa. – Eu vou contar Amelia! Não me pressione, ok? Beijos.

   A chamada é encerrada e ela se senta em sua cama. Estava chateada por não ver o garoto, mas sabia que não podia contar para Liam, ainda não. A hora certa chegaria e ela saberia que seria o momento de revelar tudo. Mas o que ela não sabia era que esse momento estava próximo demais, porque a pessoa a qual ela mais escondia o seu segredo estava ouvindo toda a sua conversa do outro lado da porta. 



Laguna Beach; Victoria Beach; Domingo; 11:27 da manhã.


   Victória observava o mar de longe, admirando o imenso azul que estava em frente aos seus olhos. Para ela, nada podia ser melhor do que apreciar a imensidão apenas acompanhada do som que as ondas faziam, transmitindo uma enorme tranquilidade.

   Era engraçado para ela pensar em como amava a quietude da praia, sendo ela, uma garota extremamente extrovertida. Mas ela amava esses momentos, porque lhe serviam para pensar com clareza nas coisas.

   Liam havia saído de casa há poucas horas com os olhos vermelhos depois de mais uma briga entre ele e Victória. Eles começaram a brigar com mais frequência depois do que ele disse a irmã sobre Natalie. Ela não queria esquecê-la, mas no fundo sabia que Liam tinha razão.

   Minutos depois de Victória apreciar apenas sua companhia, um garoto alto de cabelos meio encaracolados se senta ao lado da garota, abraçando-a pela cintura. Ela olha para ele com uma feição serena e ele a beija calmamente.

   Nenhum dos dois ousavam quebrar o silêncio entre eles. Estavam confortáveis desse jeito, apreciando a companhia um do outro, como se somente o amor que existisse entre eles bastasse e não precisasse de qualquer tipo de diálogo. E era assim que se sentiam, suficientes um para o outro.

   - Você acha que eu devo? – Disse, depois de algum tempo. Ela olhou para o namorado, que olhava enfeitiçado para as ondas.

   - A questão não é sobre o que eu acho – Seu olhar foi de encontro ao dela. –, mas o que você sente em relação a isso.

   Victória ficou pensativa.

   - Você concorda com o que Liam disse? – Perguntou retoricamente. – Sim? Não? Esse é o começo dessa confusão. 

   O garoto respira fundo.

   - Eu não quero te pressionar a tomar uma decisão Vic, mas você tem que entender uma coisa: isso não está te fazendo bem e não é de hoje. – Ele levou uma das mãos até a bochecha da menina e acariciou-a. – Não é a primeira vez que você está se machucando por causa da Natalie.

       -Quinn... – Ele sorriu.

   - Eu sei que você tomará a melhor decisão. Se você decidir se livrar de toda a dor e recomeçar, eu vou te apoiar, mas se você decidir deixar tudo como está, eu também vou te apoiar porque eu amo você e nada mais importa para mim do que a sua felicidade. 

   - Obrigada. – Ela se aninhou no peito do namorado. – Eu amo você.


//><\\


   Quinn e Victória caminhavam a beira da água, as mãos dadas, seus sapatos em suas outras mãos, a expressão calma e o coração aquecido. Os pensamentos da garota pareciam um imenso furacão, tudo estava um turbilhão se sentimentos e para ela, nada melhor do que reorganizar toda essa confusão ao lado do namorado.

   Ele segurava a mão da namorada com carinho. Ela sempre o confortava em momentos difíceis e ele sempre fazia o mesmo por ela. Quinn sentia-se extremamente sortudo por ter Victória Foster ao seu lado, mesmo com imensa dor, ela se esforçava para agradar aqueles a quem ela amava.

    - Quinn? – Ela indaga em um sussurro.

   - Sim, meu amor? – Ele a olha de forma carinhosa. 

   - Eu acho que já sei o que vou fazer.

 Victória para de andar e sorri para o parceiro. Ele retribui o sorriso em grande felicidade, para ele, vê-la feliz significa a sua própria felicidade. Ele larga seu sapato na areia branca da praia e beija a garota a sua frente com imenso amor.

   Ambos aproveitavam o beijo com o coração acelerado. Ele, por fim, deixa um selar sobre os lábios dela, cola suas testas e eles se olham com carinho.

   - Eu sei que você tomou a melhor decisão.

   

Laguna Beach; Casa de Stassie; Domingo; 11:52 da manhã.


   Seus olhos passaram pela milésima vez pelo rosto carrancudo do namorado e o quão distante ele estava. Liam estava com os braços cruzados e olhando fixamente para a TV da sala, que passava o seriado favorito do casal.

   Depois de Stassie voltar para a sala – dignamente trocada para uma preguiçosa tarde de domingo –, Liam não falou uma palavra sequer, apenas concordava ou discordava com a cabeça a algumas perguntas que a namorada fazia.

   Seus olhos estavam inexpressivos e Stassie não sabia dizer o que havia de errado com Liam. A garota ficou em seu canto, tristonha por toda a indiferença, mesmo que na realidade gostaria de estar em outro lugar, ela amava a companhia do garoto.

   - O que foi? – Ela pergunta, chateada.

   - O que? – Ele desvia o olhar da televisão para olhar para Stassie com uma expressão interrogativa.

   - O que está acontecendo? – Ela se senta e o olha incisiva. – Você está estranho desde quando eu voltei.

   Liam bufa irritado.

   - Acho melhor eu ir para casa. – Levanta-se de supetão demonstrando estar raivoso.

   - O que? Não! – Ela se levanta juntamente a ele e segura sua mão. O olhar da garota para no rosto do namorado.

   - Eu não devia ter ficado, você ia sair. – Evita o olhar de Stassie. – Eu vou embora Stassie.

   Liam se solta da mão de Stassie e se volta para a porta, indo em direção a ela.

   - Liam. – Ele não olha. – Vamos conversar. Conte-me o que aconteceu.

   Ele para ao abrir a porta. 

   - Nós não temos nada para conversar, Stassie.

   Liam fecha a porta atrás de si e vai em direção ao seu carro, dando partida e saindo rapidamente da casa de Stassie Hughes. Ela encontrava-se estática no centro da sala de estar, o que havia acontecido? Ela nunca havia visto Liam agir desse jeito, com tamanha indiferença.

   Stassie retirou seu celular do bolso e mandou uma mensagem de texto para o namorado pedindo – novamente – para que conversassem sobre o que havia acontecido. 

   Assim que seu pequeno choque passou, ela arrumou o pequeno cômodo e foi para o quarto, ligando o notebook que ficava em sua mesa de estudos e abrindo diretamente no Skype. Ela pressionou para ligar e em poucos toques depois ela viu o rosto de uma das pessoas que mais amava nesse mundo.

   - Oi meu amor. – Ela abriu um sorriso carinhoso. – Como você está?

   - Oi mamãe! – O garotinho abre um sorriso de orelha a orelha. – Por que você não veio? Sabia que hoje é meu aniversário? – Ela gargalhou pela felicidade do menino.

   - Sim, Max. Parabéns meu príncipe. – Eles sorriem um para o outro. – Mamãe teve um imprevisto e eu não pude ir. – Ele fica cabisbaixo. – Mas amanhã, assim que eu sair do trabalho, vou te ver e te dar um abraço bem apertado.

   - Eu estou com saudades! – Uma lágrima desce pelo rostinho do menino. 

   - Não precisa chorar meu amor! Eu também estou. – Ela enxuga sua própria lágrima que escorre por sua bochecha. – Nós moramos um pouquinho longe, mas eu prometo tentar te visitar mais vezes, tudo bem? – Ele afirma com a cabeça, sorrindo.



Laguna Beach; Burton’s Restaurant; Domingo; 12:47 da tarde.


   Ele parou embaixo da fachada do restaurante, o qual estava sempre muito bem movimentado. Seus olhos percorreram o estabelecimento a sua frente, ele sorriu desdenhoso. Jason solta um riso anasalado e fecha os olhos por alguns segundos. Inspira e expira calmamente.

   Seu celular vibra no bolso de seu casaco, ele pega o aparelho e vê a mensagem que brilhava na tela: “Boa sorte x.”, ele sorriu – com sinceridade. Ao guardar o dispositivo, deu um passo à frente, entrando no restaurante.

   Jason percorreu o olhar por todos os cantos do local, analisando minuciosamente tudo a sua volta. Ele passou a mão por seus cabelos loiros e começou a andar por entre as mesas, prestando atenção em cada detalhe.

   Certamente tudo era incrivelmente bonito, desde os lustres no teto até as mesas de madeira envelhecida. Jason concordava que o irmão realmente tinha bom gosto, e não esperava nada menos vindo dele.

   E foi quando ele ouviu um vidro se quebrando há poucos metros a sua frente. Seus olhos pararam diretamente no dono de toda essa bagunça. E lá estava uma das pessoas que não esperava ver tão cedo: Dean Peterson.

   Os olhos de Dean estavam arregalados e sua boca estava entreaberta. Ele estava estático, e metade dos clientes o observavam com estranheza. “Por que esse imbecil não está recolhendo os cacos?”, eram o que suas expressões diziam. Mas ninguém conseguia entender o porquê do garoto estar olhando fixamente para o cara de cabelos loiros.

   Jason apenas sorriu em resposta. Dean tomou um choque de realidade com a ação do loiro e se voltou para os cacos de vidro espalhados pelo chão. O outro se virou para uma mesa vazia e sentou-se com elegância. 

   Ele olhava para Dean com superioridade. Após alguns minutos o encarando e rejeitando atendimento de qualquer garçom – que o observava com curiosidade –, o moreno deu-se por vencido e se aproximou carrancudo da mesa de Jason.

  - Jason. – Disse sério, cruzando os braços.

     - Dean. – Sorriu. – Quanto tempo.

   - É, quase seis anos. – Suspira. – E a única pergunta que vem a minha cabeça é: o que você está fazendo aqui? – Olha profundamente para o rapaz.

    - Não é óbvio? Eu vim ver meu irmão.

  - Não quero falar por ele, mas tenho certeza que Jasper não quer vê-lo. – Sorriu debochado. – Aliás, não acredito que nosso chefe de cozinha tenha tempo para jogar conversa fora. 

   - Eu sei disso, Dean. – Balança a cabeça, concordando.

   - Ótimo! Sendo assim, se não for comer nada, gostaria que se retirasse, pois está ocupando lugares de verdadeiros clientes. 

   E o moreno deu-lhe as costas não esperando qualquer tipo de resposta. Jason respirou fundo, levantou-se e se retirou do estabelecimento rapidamente, sentindo olhares curiosos sobre si.


//><\\


   - Jasper. – Dean entrou na cozinha, eufórico.

   - O que foi Dean? Estou ocupado.

   - Eu não sei bem como te contar isso. – Jasper se virou para olhar o amigo, que parecia angustiado.  

  - O que foi? – Dean engole a seco. – Dean!

    - Jason estava aqui.

   A respiração de Jasper parou por um segundo, e perto deles Sabrina observava o namorado receosa. “O que Jason fazia ali?”, era a pergunta que passava pela cabeça dos três amigos. O chefe sentou-se na cadeira mais próxima e respirou fundo. Sabrina foi até ele, preocupada.

   - O que ele quer, Sabrina? – Ele olhou fundo nos olhos da namorada.

   - Eu não sei, meu amor. – Ela segurou suas mãos. – Já é a segunda vez que ele te procura, acho que você devia conversar com ele para esclarecer as coisas.

   - O que? – Dean solta, incrédulo. – Você já o viu antes? Quando ele voltou?

   Jasper respirou fundo.

   - Ele me procurou na praça na sexta-feira. Mas eu não sei o que ele quer. – Ele se levanta. – E não sei se quero saber.

   - Você tem que esclarecer isso, Jasper! – Aproximou-se do amigo. – Ele pode trazer problemas para muitas pessoas. – Falou mais a si mesmo do que aos dois a sua frente.

   - O quer dizer com isso? – Indagou, confuso.

   - Eu... eu não sei. – Engoliu a seco. – Pode infernizar a vida a Vic e do Liam por causa da Natalie. 

 Todos ficaram em silêncio, sendo observados pelos funcionários igualmente calados. Jasper passou as mãos sobre o rosto, irritado.

   - Você tem razão. – Suspira. – Preciso falar com ele.

   E Dean soltou todo o ar que havia prendido nos pulmões inconscientemente, aliviado.

   Toda a cozinha ficou tensa, todos sabiam que algo estava acontecendo. Mesmo – quase – ninguém entendendo o que estava acontecendo, a tensão emanada por Dean, Jasper e Sabrina deixavam todos em silêncio absoluto.


Notas Finais


Espero que gostem!


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