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História The Unbecoming of Any Gabrielly - beauany - Capítulo 24


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Notas do Autor


Boa leituraa

3/4

Capítulo 24 - Capítulo 23


Não sabia como reagir a Josh na aula no dia seguinte. A festa a fantasia parecia ter acontecido havia eras, mas minha humilhação era recente. Fiquei feliz pela camisa de botão de manga comprida que precisava usar — ao menos minimizava o impacto das ataduras no braço esquerdo. Mamãe, que se tornara a Guardiã dos Comprimidos, tinha separado Tylenol com codeína antes de eu sair naquela manhã. Meu corpo todo doía, mas não tomei, e também não planejava começar a tomar Zyprexa por enquanto. Precisava estar com a cabeça limpa. 

 

Quando entrei na aula de inglês, Josh já estava lá. Nossos olhos se encontraram por um segundo antes de eu abaixar o olhare passar por ele. Precisava saber de Mabel — fazia só uma semana desde que eu a resgatara? — e descobrir como falar sobre ela com meus pais agora, considerando o que havia acontecido. Mas não sabia como mencionar o assunto com Josh, como falar com ele depois da festa. Sentei-me numa mesa do outro lado da sala, mas ele se levantou e me seguiu, sentando-se atrás da minha cadeira. Quando a Sra. Leib começou a falar, eu estava batendo com o lápis na mesa. Josh estalava os dedos atras de mim, o que me dava um nervoso de ranger os dentes. 

 

Quando o sinal tocou, cortei caminho entre os alunos, ansiosa pela aula de álgebra pela primeira vez na vida. Josh levava as garotas à loucura, e eu já era louca. Precisava esquecer isso. Esquecer ele. Como Krystian muito sabiamente dissera, eu já tinha problemas suficientes. 

 

Fiquei tão aliviada ao ver Krystian na aula de álgebra que devo até ter corrido. Com os dentes. Mas o brilho do meu bom humor não durou: Josh me encontrou assim que o sinal tocou. 

 

— Oi — disse ele ao iniciar um trote gracioso ao meu lado. 

 

— Oi. — Mantive os olhos à frente. Pergunte sobre a cadela. Pergunte sobre a cadela. Tentei encontrar as palavras, mas trinquei os dentes em vez disso.

 

—Mabel não está muito bem — falou Josh com o tom de voz constante. 

 

Meu estômago se contorceu, e eu diminuí um pouquinho o passo. 

 

— Ela vai ficar bem? 

 

— Acho que sim, mas provavelmente é melhor se continuar conosco por um tempo. Assim mamãe pode tomar conta dela — disse Josh passando a mão pela nuca. — Você se importa? 

 

— Não — respondi, ajustando o peso da bolsa no ombro ao me aproximar da próxima sala de aula. — Deve ser melhor assim. 

 

— Queria te perguntar uma coisa... — começou Josh, então levou uma das mãos aos cabelos, torcendo as mechas. — Mamãe queria saber se talvez poderíamos ficar com ela? Ela está muito apegada. 

 

Virei o rosto para o lado para vê-lo. Ou ele não reparou nas minhas ataduras ou as estava ignorando. Parecia indiferente a tudo. Distante. As palavras não combinavam com seu tom de voz. 

 

— Quero dizer, a cadela é sua — disse ele —, o que você quiser nós faremos...

 

— Não tem problema — interrompi. Lembrava do modo como Mabel tinha se enroscado no peito dele enquanto a carregava. Ela estaria melhor com ele, com certeza. — Diga a sua mãe que não tem problema. 

 

— la perguntar quando vi você na festa, mas você saiu. 

 

— Tinha outro lugar para ir — falei, evitando o olhar dele. 

 

— Certo. O que há de errado? — perguntou Josh, ainda parecendo extremamente desinteressado.

 

— Nada. 

 

— Não acredito em você. 

 

— Não me importo. — Não era verdade. 

 

— Tudo bem. Almoce comigo, então — disse ele, casualmente. 

 

Fiz uma pausa, dividida entre o sim e o não. 

 

— Não — respondi finalmente. 

 

— Por que não? 

 

— Combinei de estudar com alguém — falei. Esperava que Krystian na confirmasse. 

 

— Com quem? 

 

— Por que se importa? — perguntei em tom desafiador. Poderíamos estar discutindo física molecular, considerando o interesse que ele parecia dispensar à conversa. 

 

— Também estou começando a me perguntar isso — disse Josh e foi embora. Não olhou para trás.

 

Tudo bem. 

 

Desenhei meu braço enfaixado na aula de artes, ainda que devêssemos estar trabalhando com rostos. E quando chegou o almoço, não procurei por Krystian, optando pela solidão. Peguei a banana que havia levado, descasquei e mordi devagar enquanto me dirigia ao armário, deixando os dentes roçarem na fruta. Estava feliz por ter me livrado de Josh. Aliviada, até o momento em que fui trocar os livros. 

 

Foi aí que vi o bilhete. 

 

Dobrado para que coubesse nas frestas do armário, empilhado inocentemente sobre uma torre de livros. Um pedaço de papel grosso com meu nome escrito. 

 

Papel neutro e branco reluzente. 

 

Papel de caderno de desenhos. 

 

Do meu caderno de desenhos.

 

Desdobrei o bilhete e reconheci um de meus desenhos de Josh imediatamente. O outro lado do papel simplesmente dizia:

 

���������� �������� ������ ���������������� �� ��������. 

����������������-���� ������ ���������������� ���� ������������ ���� ������������ ���� �� ������������ ���� ����������. 

 

Uma descarga de calor percorreu minha pele. Teria Josh roubado meu caderno de desenhos? A raiva repentina me surpreendeu. Nunca tinha socado ninguém antes, mas havia uma primeira vez para tudo. Interrompi o pensamento com a batida metálica e aguda da porta do armário. Não lembro como cheguei à base das escadas. Em um minuto estava ao lado do armário, no outro estava dobrando a esquina das máquinas de lanche. E então um pensamento horrível passou por mim: e se não tivesse sido Josh? Se tivesse sido outra pessoa? Como... ah, não. Como Diarra e Sofya. Imaginei-as se dissolvendo em um ataque de risos ao mostrar meus desenhos de Josh aos amigos. 

 

É lógico que, quando cheguei, as duas estavam de pé aguardando com expressões esnobes e satisfeitas nos rostinhos bonitos. Escoltadas por Lamar, os três bloquearam meu caminho, transbordando de satisfacão. 

 

Quando vi os três, ainda estava confiante de que conseguiria lidar com aquilo. Praticamente já tinha me acostumado a esperar pelas besteiras delas. 

 

O que não esperava eram as dezenas de alunos reunidos para assistir aquele desastre se desenrolar. 

 

E o que fez um grito lancinante percorrer minha espinha foi ver Josh, no centro de um círculo de admiradores, homens e mulheres. 

 

Naquele momento, a magnitude das tramas de Sofya e Diarra me ofendeu. Meu estômago se revirou quando tudo se encaixou: por que estavam todos ali, por que Josh estava ali. As duas estavam montando aquele picadeiro desde que ele tinha falado comigo no primeiro dia de aula. Foi no Mercedes preto dela que quase bati na semana anterior — ela me viu sair do carro de Josh. E agora, tudo de que elas precisavam para completar a fantasia de mestre de cerimônias era a cartola e o monóculo. 

 

Ah, Diarra e Sofya. Subestimei vocês. 

 

Todos os olhares estavam em mim. Minha vez. Se eu fosse jogar. Passei os olhos pelos estudantes reunidos enquanto fiquei ali de pé, decidindo. Finalmente, apenas olhei para as duas garotas e desafiei-as a falar. Aquela que falar primeiro perde. E elas não desapontaram. 

 

— Procurando por isto? — disse a loira inocentemente ao segurar meu caderno de desenhos, aquele que ninguém poderia ver.

 

Estiquei o braço, mas ela o puxou de volta. 

 

— Suas manja-rola — falei, com os dentes trincados. 

 

A outra, Diarra, fingiu choque.

 

— Nossa, nossa, Any. Que linguajar! um item perdido à legítima dona. É a legítima dona, não é? — perguntou a morena ao abrir o caderno para ver o verso da capa. — Any Gabrielly — leu em voz alta — É você — acrescentou com ênfase, pontuando a declaração com uma risada de escárnio. Não falei nada. — Lamar aqui foi bonzinho o bastante para pegar quando o esqueceu na aula de álgebra por engano.

 

Lamar sorriu com a deixa. Devia ter tirado de dentro da minha bolsa. 

 

— Na verdade, ele roubou. 

 

— Creio que não, Any. Você deve ter se descuidado e o colocou em outro lugar — disse a mesma e fez um tsc. 

 

Agora que haviam montado o palco, Sofya começou a folhear meu caderno de desenhos. Se batesse nelas, Lamar pegaria o caderno e Josh veria o que eu tinha desenhado. E, para ser honesta, nunca bati em ninguém na vida. Também não havia nada que pudesse dizer para minimizar o dano. Os desenhos eram tão precisos, retratos dele tão bem construídos que trairiam minha quedinha obsessiva assim que fossem revelados. A humilhação seria perfeita, e elas sabiam.

 

A derrota tomou minhas bochechas, escorrendo para a garganta e as clavículas. Não poderia fazer nada a não ser sofrer diante de tal exposição emocional e ficar ali, sujeita à escola inteira, até as garotas estarem bêbadas da overdose de crueldade. 

 

E pegar meu caderno de desenhos depois que ela terminasse. Porque era meu e o teria de volta. 

 

Não queria ver o rosto de Josh quando Sofya finalmente abrisse a página onde ele aparecia pela primeira vez. Vê-lo sorrir torto, ou rir, ou gargalhar, ou revirar os olhos acabaria comigo, e eu não podia chorar ali naquele dia. Então fixei o olhar no meu caderno e assisti Diarra tremer com malícia exultante ao segurar o caderno de desenhos e abrir caminho até ele. A multidão passou de um semicírculo torto para um triângulo aberto, com Josh no vértice, e em sua frente Sofya e Diarra. 

 

— Josh? — cantarolou a mais alta.

 

— Diarra, Sofya— respondeu Josh, inexpressivo.

 

A loira folheou o caderno, e eu podia ouvir os sussurros crescerem até burburinho. Ouvi o zumbido de uma risada em algum lugar no lado de distante dos quiosques, mas o som parou. As duas viravam as páginas devagar para obter efeito, e, como diretoras de escola demoníaca, seguravam o livro num ângulo que permitisse exposição máxima à multidão reunida. Todos precisavam ter a oportunidade de dar uma boa olhada em minha desgraça.

 

— Esse se parece tanto com você — disse Sofya para Josh pressionando o próprio corpo contra o dele. 

 

— Minha garota tem talento — respondeu Josh.

 

Puta. Merda.

 

Meu coração parou de bater. 

 

O coração de Diarra parou de bater. 

 

O coração de Sofya parou de bater.

 

O coração de todo mundo parou de bater. 

 

O zumbido de um mosquito solitário teria soado obsceno naquela quietude. 

 

— Mentira — sussurrou Diarra finalmente, mas foi alto o bastante para que todos ouvissem. Elas não tinham se movido um centímetro. 

 

Josh deu de ombros. 

 

— Sou um babaca vaidoso, e Any ainda me faz esses agrados. — Depois de uma pausa, acrescentou: — Só estou feliz que você não tenha pego outros desenhos que Any fez quando estávamos sozinhos. Isso sim teria sido vergonhoso. — Os lábios dele se curvaram em um sorriso tímido, mas malicioso, enquanto deslizava para longe da mesa de piquenique na qual estava sentado. – Agora, me deixa em paz, porra —falou com calma para uma Sofya muda, e uma Diarra chocada.

 

Então passou por elas empurrando-as e puxando o caderno de desenhos com violência de suas mãos. 

 

E veio até mim. 

 

— Vamos — ordenou Josh gentilmente ao chegar ao meu lado. O corpo dele roçava a reta entre meu ombro e braço de modo protetor. E, então, ele estendeu a mão. 

 

Queria agarrá-la. Queria cuspir na cara das duas. Queria beijar Josh. Queria acertar uma joelhada na virilha de Lamar Morris. A civilidade venceu, e ordenei que cada nervo do meu corpo respondesse ao sinal que o cérebro enviava e tocasse os dedos dele com os meus. Uma corrente a das pontas dos dedos até o vazio que costumava ser meu estômago. 

 

E simplesmente assim, eu era total, completa e interamente,

Dele. 

 

Nenhum de nós falou até estarmos fora dos campos de audição e visão do corpo discente chocado e boquiaberto. Estávamos de pé ao lado de um banco na quadra de basquete quando Josh parou, finalmente soltando minha mão. Senti-me vazia, mas mal tive tempo perda. 

 

— Você está bem? – perguntou ele, baixinho. 

 

Confirmei, olhando além dele. Minha língua estava dormente.

 

— Tem certeza? 

 

Fiz que sim outra vez. 

 

— Absoluta? 

 

Encarei-o fixamente. 

 

— Estou bem — falei. 

 

— Essa é minha garota. 

 

— Não sou sua garota — falei com mais veneno do que pretendia. 

 

— Certo, então — disse Josh, e olhou para mim de modo curioso. Ele ergueu uma das sobrancelhas. — Quanto a isso. — Eu não sabia o que dizer, então não disse nada. — Você gosta de mim. Você, assim como eu, gosta de mim. — Ele estava tentando não sorrir. 

 

— Não. Eu odeio você — falei, esperando que ao enunciar se tornasse verdade. 

 

— Mas mesmo assim me desenha. — Josh ainda soava presunçoso, minha declaração não o deteve nem um pouco. 

 

Aquilo era tortura. Era até pior do que aquilo que tinha acabado de acontecer, ainda que fôssemos só nós dois. Ou exatamente porque éramos só nós dois. 

 

— Por quê? — perguntou ele. 

 

— Por que o quê? — O que eu poderia dizer? Josh, apesar você ser um babaca, ou talvez justamente por causa disso, gostaria de arrancar suas roupas e ser a mãe dos seus filhos. Não conte a ninguém. 

 

— Por que tudo. Começando com por que me odeia. E então continue até chegar à parte sobre os desenhos. 

 

— Eu não odeio você de verdade — falei, derrotada. 

 

— Eu sei. 

 

— Então por que pergunta? 

 

— Porque queria que você admitisse — disse ele, sorrindo torto. 

 

— Feito — respondi, sentindo-me perdida. —Terminamos? 

 

— Você é a pessoa mais ingrata do mundo. 

 

— Está certo — falei com a voz inexpressiva. — Obrigada por me salvar. Preciso ir. 

 

Comecei a ir embora. 

 

— Não tão rápido. 

 

Josh esticou o braço na direção do meu punho saudável. Ele o pegou delicadamente, e eu me virei. Meu coração flutuava de modo doentio. 

 

— Ainda temos um problema — continuou.

 

Olhei sem entender para ele, que ainda segurava meu punho, e esse contato interferia no funcionamento do meu cérebro. 

 

— Todos acham que estamos juntos — falou Josh.

 

Ah, Josh precisava de uma saída. Claro que precisava. Não estávamos, de fato, juntos. Eu era só... não sei o que era para ele. Olhei para o chão, apontando o bico do tênis para a calçada como uma criança deprimida enquanto pensava no que dizer. 

 

— Na segunda-feira, fale pra eles que me dispensou — respondi, finalmente. 

 

Josh soltou meu punho e pareceu verdadeiramente confuso. 

 

— O quê? 

 

— Se disser que terminou comigo durante o fim de semana, todos vão acabar esquecendo que isso aconteceu. Diga que eu era muito grudenta ou algo assim. 

 

Josh arqueou as sobrancelhas de leve. 

 

— Não era exatamente isso que eu tinha em mente. 

 

— Tudo bem. — Agora eu estava confusa. — Vou concordar com o que você preferir, pode ser? 

 

— Domingo. 

 

— Como é? 

 

— Prefiro domingo. Meus pais combinaram alguma coisa para o sábado, mas no domingo estou livre. 

 

Não entendi.

 

— E? 

 

— E você vai passar o dia comigo. 

 

Aquilo não era o que eu esperava. 

 

— Vou? 

 

– Sim. Você me deve. – E estava certo: eu devia. Josh não precisou fazer nada para transformar o sonho de Diarra e Sofya e meu pesadelo em realidade. Ele poderia ter ficado sentado lá, olhando para a cena como se não tivesse a ver com ele, e teria sido o suficiente para aprimorar minha humilhação perante a escola. 

 

Mas ele não fez isso. Ele me salvou, e eu não conseguia entender por quê. 

 

— Adianta perguntar o que faremos no domingo? 

 

— Na verdade não. 

 

Tudo bem. 

 

— Adianta perguntar o que vai fazer comigo? 

 

Ele deu um sorriso malicioso. 

 

— Na verdade não. 

 

Incrível. 

 

— Será necessário que decore alguma palavra chave caso precise de socorro? 

 

— Isso vai depender inteiramente de você. — Josh chegou impossivelmente mais perto, apenas a centímetros de distância. Algumas sardas sumiam para trás do pescoço na altura do maxilar dele. — Serei delicado —acrescentou. Minha respiração ficou presa na garganta conforme ele me olhava por debaixo dos cílios, me destruindo. 

 

Encarei-o com os olhos semicerrados. 

 

— Você é mau — declarei. 

 

Em resposta, Josh sorriu e ergueu o indicador para bater de leve na ponta do meu nariz. 

 

— E você é minha — falou, e então foi embora.


Notas Finais


Ainda vai ter mais um capítulo hoje ❤️


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