História The Wind - Capítulo 30


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Categorias Harry Potter
Personagens Alice Longbottom, Bellatrix Lestrange, Dorcas Meadowes, Franco Longbottom, Harry Potter, Pedro Pettigrew, Personagens Originais, Rabastan Lestrange, Regulus Black, Remo Lupin, Severo Snape, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Drama, Drama Adolescente, The Marauders Era, Uma Marota
Visualizações 72
Palavras 4.956
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ahhh, o amor é tão complicado, né? Pena que o mundo acabaria se não houvesse... Dói tanto mas também é um prazer imenso. Amar é como ralar o joelho e ficar feliz porque sua mãe ou um outro alguém irá cuidar de você.

O link para o GIF do capitulo está nas notas finais.

Capítulo 30 - Um coração partido


- Estou afundando aos poucos... - Murmurava Ane para si mesma e sua voz ecoava na área vazia da piscina. Claro, por conta do frio que fazia ninguém ousaria ir para a piscina, com exceção de Ane.

As aulas já haviam terminado, o fim do quinto ano havia chegado e todos poderiam aproveitar as férias como bem entendessem. Ane e Sirius estavam sem se falar desde aquele incidente, a garota o evitava a todo custo e quanto mais fazia isso mais a ferida a incomodava.

A loira soltou um suspiro alto e direcionou o seu olhar para o teto branco encarando-o por longos minutos até que afundou o seu corpo na água, assim, todos os sons externos tornavam-se apenas um zumbido que não a incomodava.

Repentinamente as memórias começaram a atingi-la agressivamente, tudo o que tanto desejava esquecer havia voltado como um tiro certeiro em seu coração. Memórias com Sirius.

O dia em que havia sido pedida em namoro, o primeiro aniversário de namoro, os seus amassos em público, e também o dia em que foram visitar a praia... Aquele dia sem dúvidas fora especial para Ane.

'

- Sirius, não! - Gritou Ane enquanto batia nas costas do namorado para que ele parasse mas o mesmo parecia nem se importar e continuava a correr na direção da água afim de jogá-la como tanto ameaçava - Me põe no chão!

- Então diga! - Respondeu ele rindo sem parar de correr

- Não mesmo! - Respondeu ela sem parar de bater nas costas dele mas ao perceber que estavam cada vez mais próximos da água ela resolveu se render - Tudo bem, eu digo!

Sirius riu e parou com Ane esperando que ela dissesse tais palavras

- SIRIUS BLACK É O MELHOR JOGADOR DE QUADRIBOL DO SÉCULO! - Gritou ela revirando os olhos e cruzando os braços até que foi colocada novamente no chão, a garota abriu um sorrisinho maroto e socou o peitoral do namorado - Em seus sonhos!

Após ter dito isso, Ane começou a correr pela areia enquanto gargalhava animadamente e era perseguida por Sirius que gritava o seu nome insistentemente atraindo o olhar de algumas pessoas que caminhavam por ali. Algumas os admiravam por serem um belo casal de jovens que se amavam, outros se incomodavam com a gritaria e até mesmo com a animação alí presente.

Mas Ane e Sirius sequer se importavam com aquilo, estavam mais focados em aproveitar o dia juntos, se amando, como a dias planejavam fazer.

Sirius finalmente conseguiu alcançar a namorada e agarrou-a pela cintura erguendo-a no ar e girando-a, sua gargalhada era como uma melodia que o agradava imensamente. Um sorriso escapou lábios de Sirius e ele logo aproximou seu rosto do rosto de Ane e beijou-a apaixonadamente sendo correspondido da mesma maneira. Qualquer um que os visse poderia ter certeza de que alí havia um amor que nada, nem ninguém, poderia explicar. '

Ane abriu os seus olhos e permitiu que seu corpo fosse puxado de volta para a superfície, logo a mesma começou a tossir e se sentou na borda da piscina recebendo alguns tapinhas em suas costas.

A ardência tomou conta dos seus olhos e ela fechou-os rapidamente esfregando-os afim de aliviar aquilo.

- Eles adicionam muito cloro na água, não é? - Disse aquela voz tão conhecida e Ane virou o seu rosto encontrando o amigo que a encarava sorridente - Eu sabia que estaria aqui.

- O que você quer, Aiden? - Indagou ela se levantando após ter desistido de voltar para a água já que seus dedos estavam enrugados e a pele sensível, Ane não esperou pela resposta do amigo e foi logo na direção de um banco onde havia deixado suas vestes e a toalha.

- Seu amigo mandou essa carta - Disse ele tirando a carta do bolso de sua jaqueta e se aproximando de Ane que secava o seu corpo com a toalha e logo se enrolava na mesma virando-se para  Aiden e encarando a carta que havia em sua mão.

Ane reconheceu a caligrafia imediatamente e se aproximou do amigo tomando a carta de sua mão sem nem se importar com o fato de seus dedos estarem molhados. Abriu a carta rapidamente e passou a lê-la sem muita animação.

" Sugar, meus pais saíram em uma viagem de negócios e a casa agora é só minha. Mas você sabe que detesto ficar sozinho, então... peço que venha me fazer companhia e se quiser pode trazer aquele seu amigo trouxa, Aiden, acertei? Acredito que sim.

Venha assim que possível, estou me sentindo tão sozinhooooo!

James Gostoso Potter "

Ane se permitiu rir ao ler a assinatura do amigo e revirou os seus olhos, somente James para fazê-la rir dessa forma. Uma súbita saudade tomou conta do seu peito e ela decidiu que iria no dia seguinte. Se virou para Aiden dando um sorriso para o mesmo e recebendo um em troca.

- James te convidou para ir até a casa dele também... - Disse ela

- Poxa... eu adoraria mas tenho ensaio com a banda, sabe como é, iremos gravar o nosso cd e precisamos estar preparados. Deixa para a próxima - Disse ele com um sorriso amarelo

- Sim, deixa para a próxima... - Ane suspirou e pegou a sua roupa no banco logo se direcionando até o banheiro ouvindo os passos de Aiden se distanciarem até que o mesmo alcançou a saída.

Empurrou a porta do banheiro feminino com o pé e entrou no mesmo logo em seguida fechando e rumando até uma das cabines de mármore branco, Ane colocou a sua roupa pendurada em um gancho junto com a sua toalha que antes cobria o seu corpo. Tirou também o maiô molhado e o pendurou em outro gancho para que não molhassse o restante de suas coisas. Ajustou o chuveiro em uma temperatura morna e ligou-o sentindo a água intensa que caiu sobre si, Ane se posicionou embaixo do chuveiro e ficou ali parada sentindo o seu corpo se aquecer aos poucos.

Não sabia ao certo quanto tempo ficou ali parada recebendo a água intensa que caía em seu corpo mas deduziu que teria se passado um bom tempo já que sua pele estava corada - Por conta da temperatura da água -. A garota desligou o chuveiro e, sem pressa, puxou a toalha secando o seu corpo distraidamente. Pegou as suas roupas secas e vestiu primeiramente as íntimas e depois o seu short jeans e a camisa masculina que, inicialmente, Ane não se deu conta de a quem verdadeiramente pertencia.

Ane abriu a sua toalha úmida com uma das mãos e colocou no meio dela o seu maiô logo fechando-a para que formasse uma trouxinha.

Saiu da cabine do chuveiro e se olhou no espelho, primeiramente observou o seu cabelo molhado que grudava em seu rosto e molhava a sua camisa, a camisa... seu olhar recaiu sobre a mesma e ela engoliu em seco lutando contra as lágrimas que se fizeram presentes.

Era a camisa de Sirius, haviam diversas outras dentro do seu malão, ela nem mesmo havia se dado conta disso enquanto o arrumava. Ane abanou os seus olhos enquanto encarava o teto afim de parar de chorar. Suspirou profundamente e saiu do banheiro logo agarrando a sua mochila e saindo da área de piscina.

O sol era escondido pelas nuvens e pela neblina, os desacostumados com aquela região imaginariam que era um aviso de chuva, mas isso não era verdade. Indicava apenas uma noite fria que viria pela frente. Ane caminhou em passos rápidos pela calçada, vez ou outra desviando de algumas pessoas que vinham em sua direção e até mesmo ignorando alguns conhecidos que a cumprimentavam pois ela tinha a impressão de que se abrisse a boca seria para gritar aos ventos o quão descontente estava com a vida.

E o vento lhe responderia calmamente.

A vida é assim, em alguns momentos você estará sorrindo de felicidade e em outros estará chorando angustiada. Mas isso não acaba aqui, a caminhada é mais longa do que imagina e coisas como essa irão se repetir ainda mais intensas. E no final, talvez haja uma explicação.

Enquanto isso não acontecia, ela teria que se contentar em permanecer calada. Era o melhor para todos. Ninguém merecia ser vítima de suas lastimas, ninguém exceto Sirius...

Ane empurrou o portão de madeira que rangeu e entrou no jardim de casa logo fechando-o e se aproximando da porta da casa branca cercada de flores onde vivia, abriu a porta silenciosamente e entrou na casa. Tirou os seus chinelos deixando-os ao lado do tapete e foi direto para a escada subindo a mesma rapidamente até alcançar o corredor, virou-se para a direta e caminhou em passos rápidos logo abrindo a porta do seu quarto e entrando no mesmo, fechou a porta calmamente e jogou a sua mochila no chão ao lado do armário.

Tirou a sua camisa jogando para o alto e correu até a cama se jogando na mesma e abraçando o seu travesseiro extremamente fofo.

Ane suspirou profundamente e deitou o seu rosto no travesseiro lutando contra as lágrimas, não iria chorar, não mais. Passara o final de semana inteiro chorando, seus olhos já estavam inchados e também haviam olheiras, possuía uma figura miserável.

Ela pretendia apenas continuar se lastimando mentalmente mas fora interrompida por batidas em sua porta, Ane nem mesmo fez questão de erguer a sua cabeça quando foi responder.

- Pode entrar - Disse com a voz sendo abafada pelo travesseiro

A porta se abriu e passos leves se fizeram presentes dentro do seu quarto, ela não precisava olhar na direção da porta para saber de quem se tratava.

- Querida, eu procurei por sua jaqueta para lavar mas não a encontrei. Está por aqui? - Disse a Senhora Evans olhando em volta e Ane se levantou preguiçosamente  indo até a sua mochila e abrindo a mesma a procura de sua jaqueta

- Hmmm... - Murmurou ela franzindo o cenho - Não está aqui...

- Como não? Eu me lembro de ter visto você sair com ela... - Murmurou a senhora Evans pensativa e Ane a encarou de olhos arregalados

- Merda! Eu esqueci na área da piscina - Disse ela se levantando imediatamente, pegando a camisa que antes havia jogado pelo quarto e vestindo-a

- Céus, vá logo antes que a perca - Disse a senhora Evans enquanto abria a porta para Ane que saiu rapidamente

- Obrigada, eu volto logo! - Gritou ela enquanto descia rapidamente as escadas e alcançava a sala.

Calçou os seus chinelos desajeitadamente e  abriu a porta logo saindo e batendo a mesma, se aproximou do portão abrindo o mesmo e saiu correndo sem nem se lembrar de fechá-lo.

Aquela jaqueta era especial demais, Ane se repreendia mentalmente por ter esquecido algo tão importante quanto aquilo. E se repreenderia eternamente caso o perdesse, não poderia...

Ane correu o mais rápido que pôde já sentindo os seus pés doerem quando a mesma se aproximava cada vez mais da área de piscina. Saltou o pequeno degrau na entrada da mesma e se esforçou para ficar de pé enquanto deslizava pela área molhada da piscina. Olhou em volta desesperadamente e abriu um enorme sorriso quando encontrou a sua jaqueta ainda pendurada no gancho perto dos bancos. Ane enxugou uma lágrima que escorria do canto do seu olho e se aproximou dos bancos logo pegando a jaqueta e abraçando-a fortemente exalando o cheiro imaginário do perfume de sua mãe.

Aquela jaqueta pertencia a ela, sua mãe, Ane a tinha como uma lembrança. Assim, nunca se esqueceria de sua mãe que usava tanto essa jaqueta.

Vestiu-a calmamente e suspirou aliviada logo saindo da área da piscina encontrando o céu prestes a escurecer. Havia um ótimo lugar para observar o pôr do sol nesse horário, Ane sentia saudade de observa-lo e sentiu-se na obrigação de ir até esse lugar.

A montanha florida, nome dado por conta das diversas flores que marcavam seu caminho para o topo. Lugar não apenas conhecido por pedidos de namoro e casamento, mas também pela bela visão do céu.

~~

   Ane

Apoiei minhas mãos em meus joelhos e respirei fundo buscando forças em meu interior para poder prosseguir a minha caminhada pela montanha. Faziam tantos anos que eu havia até mesmo me esquecido do quão longa era a caminhada até alcançar o topo. Levantei-me e voltei a caminhar com determinação, eu precisava contemplar o pôr do sol, mas... desde quando isso se transformou em uma obrigação? Era pra ser apenas uma sensação prazerosa, não uma obrigação.

Céus... o que estou fazendo?

Afastei os meus pensamentos e continuei a subir o mais rápido que podia, mas esse rápido não fora o suficiente. Eu estava prestes a alcançar o topo quando vi algumas pessoas - casais - descendo a montanha com sorrisos em seus lábios.

- Foi lindo - Disse uma mulher agarrada no braço de um homem que sorria apaixonadamente para ela, isso me apertou o coração.

- Sim, foi incrível - Concordou ele - Nunca me cansarei de contemplar o pôr do sol.

Não pude ouvir mais pois eles já haviam se afastado, parei de caminhar e suspirei pesadamente. Eu havia perdido o pôr do sol...

Funguei e continuei a caminhar mesmo que não fosse valer a pena, alcancei o topo e me aproximei da grade que havia ali - posta para que ninguém corresse o risco de cair -, apoiei meus braços na mesma e abaixei a cabeça.

- Me desculpe... - Murmurei para mim mesma.

~~

A noite caia lentamente mas eu já tinha uma boa visão da lua no céu quando alcancei o portão de casa.  Abracei meu corpo ao sentir a brisa fria da noite e abri o portão logo fechando o mesmo e encontrando a porta que estranhamente, estava aberta. Eles não tinham o costume de deixar a porta aberta mas eu apenas ignorei e, no momento em que coloquei o pé dentro de casa, fui abordada pela senhora Evans que sorriu para mim.

- Seu amigo veio lhe visitar - Disse ela indo até a janela e fechando a mesma

- Meu amigo? - Arqueei a sobrancelha em confusão

- Sim, um de cabelo médio, muito bonito ele... - Viajei em meus pensamentos a procura de alguém com essa descrição e sorri ao imaginar, Snape... - Mas ele parecia um daqueles garotos maus, parte de uma gangue de motoqueiros ou banda de rock.

- Gangue de motoqueiros? - Comecei a rir assimilando Snape como membro de uma gangue de motoqueiros - Banda de rock?

- Sim e ele me lembrou um pouco o Aiden, com seus cachos rebeldes e...

- C-cachos rebeldes? - Dei um passo para trás

- Isso, não me lembro bem do seu nome mas acho que era... Sir... Sirius?

- Sirius... - Repeti um tanto atordoada

- Esse mesmo! - Disse como se tivesse lembrado

- Onde ele está? - Indaguei com desespero na voz

- Eu disse que você havia ido para a área da piscina e ele se foi, faz um tempo... Vocês não se encontraram no caminho?

- Não...

- Então tal...

- Eu já volto!

Nem mesmo deixei ela terminar a sua fala, dei as costas e corri até o portão abrindo o mesmo e saindo pela rua seguindo na direção da área da piscina.

Por que estou fazendo isso? Por que estou correndo até ele? Por que eu tenho que amá-lo tanto?... depois de tudo que ele me fez... eu não deveria, eu...

Agarrei-me na parede e enxuguei as lágrimas que agora deslizavam pelo meu rosto descontroladamente. Olhei para dentro um tanto desesperada e procurei por ele com o olhar, mas não havia nada... estava vazio como se nunca tivesse sido ocupado antes.

Tudo estava tão silencioso e eu fui capaz de escutar o som do meu coração se partindo ainda mais, creio que qualquer decepção seja capaz de parti-lo de vez e, talvez, de uma forma permanente.

Encarei a grande montanha novamente e suspirei, não havia mais nada a ser feito.

Eu subi.

~~

Eu continuava alí parada, não havia um real motivo para voltar para casa, ninguém me esperava lá... Esse pensamento fez com que o meu coração se apertasse em meu peito, mas era verdade. Não havia ninguém para me esperar.

No momento, eu sou como uma cachorrinha abrigada.

Era isso que eu era, uma cachorrinha abrigada, não era parte da familia nem nada. E eu irei sair de lá - quando alcançar a maioridade -, sumir como se nunca estivesse estado.

Serei como... o vento.

O vento é algo passageiro, serei como ele. Apenas algo passageiro na vida das pessoas, causarei apenas algumas sensações que... podem ser esquecidas em questão de segundos.

De qualquer forma, eu precisava voltar para casa. Por enquanto, viverei como um cachorrinho.

Virei-me pronta para descer a montanha, mas o encontrei. Aquele que não imaginava encontrar tão cedo. Mas desejava...

- Sirius... o que faz aqui? - Indaguei dando um passo para trás e esbarrando na grade. Aparentemente é uma grade útil.

- Eu fui até a sua casa e a senhora Evans me disse que você havia ido até a área da piscina... - Disse ele se aproximando ainda mais de mim - Você não estava lá e eu decidi perambular por aí, até que encontrei a montanha e subi para ver o pôr do sol. E então... você chegou. Um tanto perdida, eu diria. Não consegui coragem para interromper os seus pensamentos.

- Quer dizer... você está aqui desde...

- Eu estive te observando, apenas esperando pelo momento certo. - Ele deu mais alguns passos até estar a centímetros de mim - Eu queria me desculpar... você não faz ideia do quão mal eu me senti durante todo esse tempo.

- Você? Quão mal você se sentiu? E eu?! Tem ideia do quão mal eu me senti? O quanto eu sofri e o quanto eu chorei... Você mente pra mim e trata algo tão importante como se não fosse nada, como se eu não fosse nada, como se nós não fôssemos nada! Você que não faz ideia de nada... - Só me dei conta de que estava chorando quando senti o líquido quente escorrer pelo rosto e, no mesmo momento, o vento soprou como se de alguma forma estivesse me consolando e devolvendo uma calma que eu nem mesmo sabia de onde havia sido tirada.

- Me escute, p-por favor... - Havia desespero em sua voz e suas mãos tremiam. Me deu um pouco de esperança... ele tinha medo de me perder? - Me desculpe, por tudo. Sei que fui um tolo, eu realmente sei! Também sei que prometi mudar, diversas vezes, mas agora eu realmente estou disposto. Percebi o quanto eu errei e o quanto te machuquei, definitivamente não quero te fazer sofrer, eu só quero te fazer feliz...

- Não parece... - Murmurei cabisbaixa - Quantas vezes você me deixou na mão? Me deixou sozinha e eu tive que carregar o peso do mundo em minhas costas sem nem poder contar com a sua ajuda. Logo você que prometeu estar sempre ao meu lado me deixava aos poucos... e céus... como isso dói. Você me matou aos poucos e o sofrimento foi dobrado.

- Ei - Ele agarrou meu queixo e levantou minha cabeça para que eu o encarasse e só então eu percebi a presença das lágrimas acumuladas em seus olhos - Eu realmente sinto muito. Sei que nada do que eu disser será o suficiente mas eu prometo, eu te prometo que não irei ser um babaca. Prometo que lhe devolverei o Sirius que você tanto amou um dia e... que eu sei que você ainda ama, pelo menos um pouquinho...

Ele estava sofrendo... seus olhos o entregavam.

Eu pude sentir o chão estremecer aos meus pés, minhas pernas pareciam fracas e o meu coração batia acelerado em meu peito. Isso apenas confirmava aquilo que eu nunca tive dúvidas, eu o amava tanto.

Eu tentei lutar contra o meu coração e seguir o que a minha mente mandava, mas era impossível. Meu coração gritava tanto que eu nem mesmo escutava a voz em minha cabeça. Eu precisava dele tanto quanto precisava de mim mesmo, eu o amava, céus... eu o amava tanto!

Não deveria lutar, eu deveria apenas seguir o meu coração pois de alguma forma ele quer o que é melhor para mim. Sirius Black é o melhor para mim.

- Six... - Ele ergueu o seu olhar para mim e eu tive visão do brilho que se passou em seus olhos,um brilho de felicidade ao ouvir o apelido carinhoso pelo qual eu o chamava - Eu te amo.

Ele sorriu.

Eu senti tanta falta disso... de tudo isso.

- Eu também te amo - Dito isso, ele me abraçou fortemente me girando no ar e nos afastando da grade - Eu te amo tanto!

Senti falta de tudo isso... o seu   abraço, seu cheiro, seu calor, ouvir o Eu Te Amo sair de sua boca... Eu senti falta de Sirius Black.

No momento em que seus lábios tomaram os meus, eu pude sentir as borboletas reviverem em meu estômago. Aquelas borboletas que antes haviam morrido voltaram a vida.

O calor se fez presente em meu corpo, diversas sensações vieram a tona  e eu sorri entre o beijo. Tudo era tão nostálgico, mas o sentimento de felicidade me parecia algo novo.

- Ane... - Ele separou os nossos lábios e enfiou a mão em sua jaqueta logo tirando uma caixinha do seu bolso e abrindo a mesma revelando o par de anel que havia dentro.

Imediatamente as lágrimas começaram a cair, não eram de tristeza, eram de felicidade. Eu havia até mesmo perdido a conta de quanto tempo havia se passado desde que chorei de felicidade...

Ele pegou a minha mão e colocou o anel em meu dedo, eu sentia o meu corpo tão mole e não havia nem mesmo tido alguma reação. Eu apenas observava a pedrinha de diamante em meu anel.

- Você é a minha namorada, feliz aniversário de namoro - Ele me abraçou.

Naquele momento eu sentia como se o mundo ao nosso redor tivesse parado para nos observar, talvez com afeto, ou com pena. Eu sinceramente não me importava,o que importava de verdade era o fato de que estávamos felizes. Pelo menos eu estava.

~~

- James, seu idiota! - Gritei enquanto jogava a almofada de volta em sua direção e me levantava do chão.

- Você estava no mundo da lua e eu não sabia uma forma mais carinhosa de te acordar - Respondeu ele rindo com Sirius enquanto abria uma garrafa de whisky de fogo

- Ei, eu quero - Disse enquanto me aproximava mais deles e me sentava na cadeira ao lado de Sirius

- Estou feliz por vocês então iremos comemorar! - Ele abriu a garrafa e eu sorri

- Você pelo menos sabe se isso é bom? - Indagou Sirius tirando as palavras da minha boca, concordei olhando para James que apenas deu de ombros em resposta

- Iremos descobrir agora. - Respondeu com seu típico sorriso maroto nos lábios

James encheu as três taças que haviam sobre a mesa e depois fechou a garrafa colocando-a no canto da mesa. Nos entreolhamos um tanto nervosos e pegamos cada um uma taça em mãos.

- Tudo bem... vamos lá - Disse segundos antes de virar a taça de uma só vez sendo imitada por James e Sirius.

O líquido descia quente pela minha garganta mas não era um calor absurdo até então.

Tirei a minha jaqueta pendurando-a na cadeira e me voltei para os meninos. Nós três ficamos parados apenas nos entreolhando mas logo James encheu as taças novamente e a viramos em questão de segundos como da primeira vez.

E assim foi até que não restasse sequer uma gotinha de whisky de fogo na garrafa.

Minutos depois nós já nos encontrávamos suando e nos abanando mesmo que o ar frio da noite estivesse invadindo a sala da casa dos Potter pela grande janela entreaberta.

- Eu tô queimando! - Berrei logo prendendo o meu cabelo em um coque firme no topo da cabeça e voltando a me abanar até que decidi subir um pouco a minha blusa

- Cara... eu tô morrendo de calor - Disse Sirius também se levantando cambaleando e tirando a sua camisa jogando-a sobre o sofá no centro da sala

- Eu tô muito bêbado - Disse James também tirando a sua camisa e jogando-a no mesmo local onde Sirius jogara a sua a poucos minutos

- Gente, sério... - Chamei a atenção dos dois que me encararam confusos - Não dá.

Me abanei apenas mais uma vez com a mão antes de me livrar da minha blusa ficando apenas de sutiã e short - mas desse último eu me livrei alguns segundos após alcançar o quintal dos Potter -.

Fiquei alguns minutos parada apenas apreciando as rajadas do vento frio daquela noite e sentindo o cheiro da grama fresca que tanto amava e me lembrava Dorcas.

Sorri e olhei para trás encontrando os meninos que vinham também na direção da piscina prontos para mergulhar. Mas eu fui mais rápida e mergulhei sentindo meu corpo bater contra a água que aos poucos foi me acolhendo e me afundando logo permitindo que eu nadasse livremente até que os outros dois entraram.

Eu já sentia meu corpo um pouco mais fresco mas algumas partes ainda pareciam em chamas e eu tinha a impressão de que suava mesmo estando dentro d'água.

- Ah cara... isso é tão bom - Murmurou James com os braços apoiados na borda da piscina e o olhar perdido no céu assim como eu e Sirius, cada um em uma das pontas da piscina.

- Eu senti saudades disso - Abri um sorrisinho de canto sentindo um calor tomar conta do meu peito e isso não se dava pelo Whisky de Fogo e sim uma felicidade que eu desejava não ser apenas momentânea

- Ainda faltam Remus e Peter, mas de alguma forma, eles parecem presentes - Disse Sirius e eu direcionei meu olhar em sua direção, mesmo a iluminação sendo precária eu pude perceber que seus olhos estavam fechados e um sorriso tomava conta dos seus lábios

- Amanhã iremos chamá-los - Eu disse ainda com o olhar perdido em Sirius mas logo voltando-o ao céu estrelado

- Mesmo estando separados nós sempre seremos os marotos. - Disse James logo rindo - E nem a morte é capaz de nos separar...

- Nem a guerra que assola - Disse Sirius abrindo os seus olhos e nos encarando

- Muito menos o medo que bate em nossa porta todos os dias e tenta nos convencer de que desistir é a melhor opção - Disse enquanto me aproximava do meio da piscina sendo imitada por James e Sirius

- Por mais gay que seja dizer isso... eu amo vocês - Disse James seriamente e eu ri, seriedade não combinava com um maroto como ele - O que foi?

- Eu também amo vocês - Respondi ignorando sua pergunta

- É, eu também - Disse Sirius sorrindo

- Deveríamos nos abraçar? - Indagou James confuso e nós nos entreolhamos logo rindo alto e nos abraçando fortemente - Vocês são os melhores que há no mundo, disso eu não tenho dúvida.

- Morreremos juntos, tudo bem? Nem que estejamos separados, mas nós morreremos juntos - Encarei os dois sorrindo fracamente - É uma promessa...

Levei a minha mão para a frente e logo eles colocaram as suas sobre a minha

- Uma promessa de maroto - Dissemos em uníssono.

~~

- Six... desculpe - Murmurei cabisbaixa abraçando o meu próprio corpo e indo para o canto da cama.

Era a terceira vez que tentávamos mas eu não conseguia, céus... o que há de errado comigo? Até mesmo Dorcas conseguiu, então por quê diabos eu não consigo?!

Eu o amo mas eu ainda não me sinto pronta, e eu não entendo... Li em revistas trouxas que o momento certo é você quem faz, mas eu devo estar fazendo algo de errado.

- Meu amor, isso não importa - Disse ele sorrindo docemente e eu virei o rosto em sua direção observando-o terminar de secar o seu cabelo com a toalha colocando a mesma no gancho da porta do banheiro e logo vindo em minha direção.

Fechei os meus olhos ao sentir o contato dos seus lábios quentes em minha testa e sorri já me sentindo devidamente confortável, Sirius tinha esse poder sobre mim. Ele se deitou ao meu lado e abraçou o meu corpo carinhosamente enquanto eu deitava a minha cabeça sobre o seu peito logo escondendo meu rosto na curvatura do seu pescoço e inalando o seu cheiro que eu tanto desejava que ficasse guardado para sempre em meu cérebro, assim, eu me sentiria próxima dele em todos os momentos, nunca estaria só.

A luz aos poucos foi se desligando automaticamente até que a única iluminação no quarto fosse a fina linha de luz da lua que invadia pela fresta da janela e alcançava um outro canto do quarto onde não havia nenhum objeto, era apenas um canto tomado pela penumbra.

- Six, eu te amo...

Segundos depois eu ouvi a sua respiração leve que entregava o fato de que ele já havia adormecido. Ergo a minha cabeça tomando o devido cuidado para não acordá-lo e apoio meus braços confortavelmente no colchão para observá-lo melhor. Sua feição calma me fazia confiar que ele estava tendo um bom sono, olhei para a aliança em minha mão e sorri, eu também teria um bom sono, graças a ele.

- Eu te amo... - Sussurrei mais uma vez logo me deitando na mesma posição de antes mas logo desci um pouco com a minha cabeça até o seu peito para que pudesse ouvir o seu coração batendo.

Aquilo me relaxava de uma maneira que eu simplesmente não sabia explicar, me deixava tão feliz saber que ele estava ali, vivo, e comigo.

Sorri e logo em seguida fechei os meus olhos aguardando o sono que vinha aos poucos.

Estava prestes a adormecer quando percebi que ele havia começado a balbuciar palavras que eu não entendia e tive que me esforçar para não rir.

- M... M...

- Mor? - Dei uma risada anasalada voltando a fechar os meus olhos.

No momento seguinte, meu coração se quebrou e o chão sumiu, tudo sumiu... inclusive a minha felicidade que, infelizmente, fora momentânea.

"Suas mãos estavam vazias agora, vazias como seu coração, que era como um coco cuja polpa tivesse sido arrancada" – Thrity Umrigar


Notas Finais


https://imageshack.us/i/potBC1NIg

Eu também gostaria de dizer que estou tentando fazer algo para agradecer a vocês pelos +80 ( Pouco para 90 que logo vem 100 e.e ) favoritos. Eu não sei bem o que fazer para demonstrar a minha gratidão que, eu juro, é enorme! Mas eu estou me esforçando para fazer algo que definitivamente não tenho talento algum😂 vai ser uma surpresa que eu super espero que dê certo pois já fazem dias que estou tentando mas... Tá osso!

Ahh e para quem pediu uma narração do Sirius não precisa se preocupar pq isso ocorrerá provavelmente no próximo onde terá também algumas explicações.


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