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História The Witcher: O Legado dos Elfos - Capítulo 30


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Notas do Autor


Voltei com mais uma capítulo bafônico para vocês! 😱😱😱 Mais coisas serão reveladas.
Não deixem de comentar se possível. Então aproveitem a leitura e até as notas finais ☺️

Capítulo 30 - A Gaivota Longe do Ninho


Fanfic / Fanfiction The Witcher: O Legado dos Elfos - Capítulo 30 - A Gaivota Longe do Ninho

Ellin encarou incrédula a mulher que empunhava a espada diante de seus olhos, tanto pelo fato da mesma estar em carne e osso a sua frente quanto por estar apontando o fio de sua lâmina para ela. Questionava a si mesma em seu subconsciente se a oponente seria capaz de realmente lhe ferir ou pior, lhe matar. Não entendia de forma alguma o motivo daquela ação ríspida e selvagem, era como se ela fosse uma total estranha e ameaça aos olhos da mulher. A princesa ergueu então as mãos a frente do corpo demonstrando que não queria iniciar uma peleja.

- Sou eu, Ellinfirwen... Ellin... Não se lembra de mim?

Porém, a mulher nada disse. Permaneceu a encarando friamente.

- Eu não quero lutar, quero apenas conversar. – Declarou Ellin tentando apaziguar o ambiente.

Mas ao que tudo indicava a tentativa da elfa de evitar um combate havia sido em vão, pois a mulher permanecia impassível diante das palavras proferidas. Não demorou muito para que a dita cuja assaltasse a Aen Seidhe, que ainda não querendo entrar no combate apenas se desviava de todas as formas, sem sacar a espada, dos golpes da lâmina que vinham ao seu encontro cortando o ar de todas as direções.

- Pare! – Ordenou ainda se esquivando dos golpes. – Não quero lhe ferir.

A mulher continuava a golpear sem cessar cada vez mais vorazmente para cima da elfa. Quando a lâmina passou rente ao rosto da princesa, que desviou no último segundo, cortando alguns fios de seu cabelo, ela se aproveitou deste momento que estava perto o suficiente da oponente para segurar-lhe firmemente tanto o braço que empunhava a espada quanto o outro, afim de evitar qualquer investida abrupta. Mediam forças veemente, porém, ela não contava com a rasteira inesperada que levara, fazendo-a despencar de costas duramente no solo de terra e arfar ao sentir o forte impacto nas costas. A mulher voltou a apontar a espada em direção a ela. Ambas voltaram a se encarar severamente por um breve momento. Mas aquele foi o transbordo do copo para Ellin de uma tentativa de diálogo pacífica. Ela bufou frustrada e ainda no chão puxou brutamente a espada de sua bainha, se levantando mais que rapidamente e erguendo a lâmina contra a oponente.

- Eu não me daria a esse esforço em vão se fosse você. – Alertou a mulher com ar de superioridade ainda em sua posição de combate percebendo que a elfa a atacaria a qualquer momento.

Mas a princesa nada respondeu, apertou com mais firmeza a empunhadura de sua lâmina e mais que depressa assaltou-a em um pulo, rasgando o ar sobre a cabeça da mulher que em um movimento rápido parou o golpe da espada do oponente com sua própria. Ainda com as espadas cruzadas na altura de seus rostos, ambas passaram a medir forças impetuosamente.

Nesse momento surge Jaskier na entrada do beco, que ao sair afoito da taverna atrás de Ellin perguntou para todas as pessoas na rua a respeito de uma mulher de chapéu preto triangular e outra de cabelos extremamente loiros até conseguir chegar onde ambas travavam a peleja. O bardo petrificou no lugar, perplexo com a cena que estava presenciando.

- Minha mãezinha... – Exclamou ele aflito com as mãos sobre a cabeça.

- Por que está fazendo isso? – Vociferou Ellin rangendo os dentes pela força que estava aplicando sobre sua lâmina.

- Por que você está fazendo isso? – Rebateu a mulher com o semblante igualmente voraz. – O que quer de mim?

- Eu só queria conversar, mas não me deixou escolha.

- Disso eu duvido muito.

Em um movimento imprevisível, mas sincronizado ambas se chutaram na altura do abdômen fazendo com se separassem e caíssem de costas violentamente no chão. Com o impacto, o chapéu da mulher despencou de sua cabeça revelando suas orelhas pontiagudas que transpareciam através dos cabelos castanhos. Por sua vez, Jaskier saiu em disparada para acudir Ellin, mas a elfa fez um sinal com a mão para que ele não se aproximasse enquanto ela se levantava pressionando a ponta da espada contra o chão como apoio.

- O que quer que eu faça? – Perguntou o bardo aflito.

- Só fique longe.

A mulher agarrou de volta sua espada que havia caído no chão com sua queda e novamente as duas elfas entraram em posição de combate novamente segurando o punho de suas espadas com toda a força que possuíam. Avançaram uma para cima da outra, Ellin golpeando desta vez de forma ávida com movimentos rápidos e subsequentes cortando o ar de todos os ângulos possíveis enquanto a outra elfa defendia os impactos da lâmina do oponente, em seguida aplicando céleres contragolpes que eram bloqueados igualmente pela princesa.

Voltaram a cravar as espadas medindo forças se encarando seriamente. Ellin cabeceou a elfa, mas a oponente apesar do desnorteio pelo forte impacto permaneceu firme no lugar. Foi então que a Aen Seidhe de cabelos acastanhados subitamente se desvencilhou da lâmina da princesa acertando-lhe um chute no joelho, o que a fez perder a postura e em seguida fora atingida com um soco na região do nariz fazendo-a despencar no solo.

- Já estou cansada. Isso acaba agora. – Declarou a elfa com determinação na voz apontando o fio da espada em direção a Ellin que tentava se levantar arduamente, mas ainda estava um tanto desorientada pelo golpe que levara.

- Por todos os deuses, não faça isso. – Suplicou Jaskier desesperado, temendo pelo pior.

A Aen Seidhe estava pronta pra desferir o último golpe, mas petrificou no lugar ao olhar para a espada caída ao lado de Ellin. Instantaneamente ela abaixou sua espada ainda encarando perplexa a lâmina da oponente e logo voltou seu olhar espantado para a princesa.

- Ellin... É mesmo você? – Questionou ainda incrédula.

- Merda... Quem achou que fosse? – Rebateu enquanto o bardo lhe ajudava a se levantar.

- Eu não sei. Uma magia de ilusão, um duplice, qualquer coisa menos você. – Declarou guardando a espada de volta na bainha.

- Bem, acho que faz sentido. Já que ainda estou custando a acreditar em meus olhos... - Disse entre os gemidos de dor.

- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – Questionou Jaskier confuso colocando as mãos na cintura.

- É exatamente o que quero saber também. – Respondeu Ellin recolhendo sua espada do chão e voltando-a para a bainha.

Em seguida a princesa encarou seriamente a outra elfa por alguns segundos após a mesma recolher seu chapéu, limpar a sujeira e colocá-lo novamente em sua cabeça.

- Sabe de uma coisa? Você não mudou nada. Continua caindo sob o fio da minha espada. – Ironizou a elfa com um leve sorriso de satisfação no rosto.

- Também é muito bom te rever irmãzinha. Por um momento achei que realmente fosse me matar.

- Minha cara Ellinfirwen, se eu realmente quisesse te matar não teria me segurado tanto. Além do mais, se esqueceu que eu gosto de entradas dramáticas? – Elevou a sobrancelha.

- Como poderia me esquecer? Sua desgraçada... – Praguejou na língua élfica. – Você também continua a mesma, Lara. – Limpou o filete de sangue que escorria de seu nariz.

- Vou levar isso como um elogio. – Sorriu pelo canto dos lábios. - O que está fazendo tão longe de casa Ellin? Em que problema se meteu desta vez? – Questionou Larawen intrigada.

- Não me meti em nenhum problema, ele veio até nós. E além do mais, era eu quem deveria estar lhe perguntando isso. O que aconteceu com você? Onde esteve todos esses anos? Você foi dada como morta. Aí de repente lhe encontro em uma taverna qualquer em Temeria.

- É uma longa história meu caro carvalho. – Suspirou. - Muita coisa aconteceu comigo depois daquela batalha. E imagino que também tenha acontecido a você, caso contrário não estaria aqui.

- Você não faz ideia... Mas não sairei daqui até me dar boas explicações. – Declarou Ellin impassível.

- Pois bem. Se iremos conversar, melhor que seja em um local mais privado e bebendo uma boa caneca de bebida.

- Ah, finalmente uma frase que entendi nessa conversa toda. – Jaskier se intrometeu abrindo os braços em sinal de frustração por não estar entendendo patavinas.

O trio retornou para a taverna de onde tinham saído e o taberneiro logo abriu um sorriso irônico no canto dos lábios ao ver o hematoma na testa de Larawen e o nariz de Ellin que ainda escorria um pouco de sangue.

- Pelo jeito teve um encontro e tanto. Em qual encrenca se meteu desta vez?

A princesa e o bardo se encararam de soslaio atrás de Lara. A elfa de cabelos castanhos tinha o costume de ser uma assídua frequentadora das tavernas das cidades em que passava, assim como o bardo. E O Náufrago Flutuante era uma de suas preferidas quando estava em Ponte Branca.

- Nem faz ideia, Arthur. Nem faz ideia... Por incrível que pareça, não é o que está pensando. – Suspirou se apoiando no balcão. – Preciso de um favor, um lugar reservado. Tenho assuntos particulares a tratar.

- Há uma saleta vazia no andar de cima com uma mesa e algumas cadeiras. Pode usá-la. É a segunda porta a esquerda.

- Obrigada. Mas preciso de mais um favor. Um recipiente com água morna para dar um trato nessas belas artes em nossos rostos.

- Tenho algumas ervas medicinais no meu depósito se quiser. – Sugeriu o taberneiro corpulento.

- Creio que não será necessário, não foi nada grave. – Declarou Ellin com a mão sobre o nariz para conter o sangramento. – Além do mais eu tenho algumas comigo se precisarmos.

- E vou querer duas canecas do seu melhor hidromel e... – Lara pediu a Arthur.

- Se não for muito incômodo eu gostaria de rum. Depois do que vi agora pouco vou precisar de algo forte. – Interrompeu Jaskier.

- Bem, é isso. Coloque na minha conta. – Concluiu Larawen.

- Você quem manda. Já irei levar-lhes a água e as bebidas. – Finalizou o taberneiro barbudo se retirando em direção a cozinha.

O trio também se retirou subindo as escadas em direção a saleta.

- O taberneiro sabe que você é uma Aen Seidhe? - Questinou Ellin curiosa.

- Arthur é um dos poucos temerianos que não tem preconceito com as raças ancestrais. Então não precisa se preocupar enquanto estiver aqui. - Lara respondeu abrindo a porta da saleta.

 O recinto não havia janela, possuía apenas uma pequena mesa de madeira desgastada e quatro cadeiras em volta. Se acomodaram nas cadeiras, Ellin de frente para Larawen e Jaskier ao lado da princesa. Permaneceram se encarando com o silêncio torturante pairando sobre o ambiente, ambas esperando quem falaria primeiro.

- Não fomos devidamente apresentados. – Pronunciou o bardo quebrando o silêncio. – Julian Alfred Pankratz ao seu dispor. Mas pode chamar-me de Jaskier, o aclamado bardo dos reinos. – Concluiu tomando a mão de Larawen e depositando um suave beijo.

- Jaskier... Esse nome não me é estranho. – Larawen pôs-se a pensar enquanto tirava seu chapéu de couro e o colocava sobre a mesa. - Você não é o bardo que compôs a famosa canção “Dê um Trocado pro Seu Bruxo”?

- O próprio. – Respondeu ele de peito estufado com um sorriso largo no rosto enquanto Ellin apenas o fuzilava com o olhar de esguelha.

- Com certeza já devo ter lhe visto em alguma taverna por aí.

- Eu creio que infelizmente não. De certo me lembraria de uma linda elfa como você. – Sorriu sedutoramente.

Mas logo o sorriso se desfez quando Ellin lhe deu um forte chute na perna o fazendo gemer com a dor e massagear o local atingido. O que obviamente não passou desapercebido por Larawen.

- Vocês dois são... - Especulou apontando para ambos.

- Claro que não. – Interrompeu a princesa. – Jaskier é um amigo e companheiro de viagem. É que ele tem um péssimo hábito de cortejar todas as mulheres bonitas que brotam em sua frente.

Isso fez com que Lara não contivesse uma risada abafada escapar de seus lábios.

- Não é péssimo hábito elogiar a beldade de lindas mulheres. – Resmungou o bardo.

- Não se preocupe. Já estou acostumada a lidar com esse tipo. – Ironizou a elfa de cabelos castanhos. - E quem diria, Ellinfirwen aén Fidháil fazendo amizade com humanos. Nunca pensei que viveria o suficiente para ver isso.

Ellin revirou os olhos com a constatação que acabara de ouvir.

- O mundo dá voltas Lara, as coisas mudam. Até porque minha cara gaivota, não se esqueça que você tinha tanto apreço pelos humanos quanto eu.

- Realmente, isso não posso negar. Mas faço de suas palavras as minhas, o mundo dá voltas e as coisas mudam.

Logo batidas foram ouvidas na porta. Em seguida Arthur adentrou trazendo consigo uma bandeja de prata com um recipiente com água morna, alguns panos limpos e três canecos de bebidas.

- Com licença. – Disse depositando a bandeja na mesa e se retirando logo após.

Ellin observou o taberneiro barbudo sair e assim que a porta foi fechada ela voltou seu olhar pra Lara.

- Pois bem, quem perguntará aqui primeiro serei eu. – Determinou a princesa seriamente. – O que aconteceu com você? Por que não voltou?

Larawen molhava um dos panos na água morna e pressionava contra o hematoma na testa enquanto Jaskier por sua vez já entornava um grande gole de rum goela abaixo.

- Quando fui ferida na Batalha de Brenna, lembro de ter visto Yaevinn me arrastar para fora da linha de combate me escondendo por dentro da vegetação ao redor antes de eu desmaiar. Quando acordei, ainda estava jogada no mesmo lugar. Depois soube que Yaevinn havia desaparecido também. A batalha havia findado e não havia mais nada no campo além de pilhas e pilhas de corpos e uma leva de Carniçais os devorando. Com muita dificuldade e sorte eu consegui me arrastar para fora dali sem ser notada. – Pausou seu relato para dar um bom gole em sua bebida, pois a garganta já estava seca.

Ellin, assim como Jaskier estava tão compenetrada nas palavras de Lara que até havia se esquecido de sua bebida. Mas aproveitou a pausa para molhar o outro pano na água morna e limpar seu nariz. Bebericou um pouco de hidromel em seguida. Larawen limpou os resquícios de bebida em seus lábios com a manga de seu sobretudo para continuar.

- Acabei chegando a uma estrada de terra, mas acabei por desvanecer novamente por causa da perda de sangue. Assim que despertei vi que estava em uma espécie de cela. Foi quando concluí que quem havia me resgatado só fez isso para benefício próprio se aproveitando de mim. Fui mantida como escrava naquele lugar um bom tempo, sendo humilhada e torturada tendo que servir a uma família maldita de humanos egoístas e sem alma. Mas obviamente eu não me permitiria ficar naquela situação por muito mais tempo. Planejei minha fuga e assim a fiz. Matei os desgraçados e saí daquele maldito lugar. Eu andei por dias e dias até desmaiar de fome e sede dentro da floresta. Achei que ali seria meu fim, quando fui resgatada novamente, mas desta vez eu realmente fui salva e acolhida. Ao ver minhas habilidades com a espada, acabei ganhando um lugar no esquadrão e desde então estou trabalhando como forma de pagamento por ter sido resgatada e acolhida.

- Céus, que história... – Concluiu Jaskier soltando um largo suspiro e bebericando seu rum. – Com certeza seria uma balada de sucesso.

- Jaskier, não comece. – Repreendeu a princesa revirando os olhos. – E o que está fazendo aqui em Temeria?

- Estou executando um trabalho para um cliente de rastrear um traidor que veio se esconder aqui em Ponte Branca.

- É uma mercenária. – Ellin concluiu afirmando o que na verdade deveria ser uma pergunta.

- Não sei por que a surpresa. Pode não ser algo tão nobre quanto ser a princesa das Torres de Prata, mas é um ofício como qualquer outro.

- Disso tenho minhas dúvidas.

- Gostando você ou não esse é meu modo de sobrevivência atualmente. E estou satisfeita com o que faço.

- Além disso, Dol Blathanna não existe mais. Pelo menos não o que já foi um dia.

- Eu fiquei sabendo... Sinto muito. – A mercenária lastimou. Foi então que se lembrou do que vira no beco. - O que aconteceu Ellin? Eu vi que está com a espada de seu pai.

Apesar de temer a resposta, Lara sabia exatamente qual seria. Pois na tradição dos Elfos Livres o primogênito sempre herda as armas de seus pais quando os mesmos perecem.

Mas a princesa nada respondeu, apenas suspirou cabisbaixa com a dor invadindo seu ser novamente. Aquela ação respondia perfeitamente a questão de Lara, palavras não eram necessárias.

- Não posso acreditar... – Larawen lamentou profundamente sendo invadida pela mesma dor que consumia Ellin naquele momento e tentava ao máximo conter as lágrimas que lutavam para sair.

A elfa sempre considerou Filavandrel como a um pai por tê-la acolhido e a sua mãe sob seu teto depois que seu pai morreu em batalha. E sempre demonstrou sua gratidão não somente ao rei, mas a rainha e consequentemente a princesa também.


Notas Finais


Segredos revelados nesse capítulo. Mas se preparem que próximo capítulo vai ter coisas mais tensas ainda.
Obrigada por acompanharem até aqui e nos vemos no próximo capítulo ✌️


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