História The Women Of Willy Wonka (REESCRITA) - Capítulo 30


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Palavras 2.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Overturn


Fanfic / Fanfiction The Women Of Willy Wonka (REESCRITA) - Capítulo 30 - Overturn

Mr. Wonka

Fazem mais ou menos três semanas desde que procurei Liah na Inglaterra. Não tenho parado de pensar naquela tarde, me lembrar daquelas poucas e preciosas horas que passei com ela.

Ah, como eu queria não ter sido tão podre com ela desde que nos casamos pela segunda vez.

Aquela foi a segunda chance que ela tinha me dado para fazê-la feliz, e eu consegui fazê-la ainda mais infeliz do que antes. Ela não merecia aquilo. Se eu tivesse visto o quanto estava errado um pouco antes... Se ao menos Agnes tivesse me alertado um pouco mais cedo. Um dia mais cedo haveria salvo nosso casamento. Apenas um dia mais cedo.

Eu me levanto, pego o violão de Rita, e começo a tocar para passar o tempo. Faz tantos anos que não toco...

Começo a recordar de quando ensinei Liah a tocar. Ela reclamava que seus dedinhos doíam... eu ria e beijava as pontas dos dedos dela, a mão, o braço, o ombro, o pescoço, a boca... em uma das aulas, os beijos foram tantos que acabamos deixando a música de lado e nos amamos ali mesmo, no sofá da sala do apartamento em que ela morava na França.

Nós éramos tão jovens e bobos. Parecia que dali para frente tudo seriam beijos, carinhos, sexo e risadas e passeios pelas ruas parisienses.

Perco-me entre lembranças e a noção do tempo perde-se junto. Liah me deu as lembranças mais doces que alguém poderia ter. Acabo chorando de saudade. Não tento parar. Apenas deixo as lágrimas descerem. Acho que nenhum período da minha vida foi tão doloroso quanto este está sendo agora. Ela sempre foi, e sempre será tudo pra mim, e agora eu a perdi, acho que para sempre.

Queria poder voltar 14 anos no tempo, para quando vivíamos em Paris, e ela era minha doce mocinha de 16, aspirante a atriz, tão inocente e cheia de sonhos. Se tivesse essa chance, eu faria tudo diferente. A conservaria aquela menina alegre que era até hoje.

Eu continuo chorando em silêncio ainda por algum tempo, até que as lágrimas cessam sozinhas. Minutos depois, Debbie entra no quarto sem pedir licença, com seus ares de dona da casa. Apesar de seus tenros três anos de idade, sua personalidade forte já se nota. Será uma mulher decidida quando crescer, o que, apesar de uma qualidade, me preocupa quanto ao período de sua adolescência. Sinto que não conseguirei segurá-la, impor-lhe limites. Já mal consigo agora. Ela me tem na palma da mãozinha dela. Não ouso dizer-lhe um não que seja. Por mais que saiba que ela me respeita muito.

— Oi, querida. — Eu a pego no colo, e a coloco sentada ao meu lado na cama. Ela me beija o rosto.

— Oi, papai. Cê toca isso? — Ela pergunta, pondo a mão no violão de Rita.

— Toco. Acho que ninguém além da sua mãe sabe disso, mas eu toco.

— Toca pa mim?

— Claro, meu bem. — Eu inicio uma melodia, sem cantar, e ela fecha os olhinhos e fica apenas sentindo a música. — Acabou. — Eu digo, quando a música termina.

— Ah... quelo mais uma. E canta.

— Não, meu bem. Eu não sei cantar. Mas posso tocar de novo.

— Não! Eu quelo que cante.

— Está bem...

Eu toco uma nova melodia, cantando baixinho uma cantiga francesa que todas as crianças cantavam quando eu era pequeno.

— Eu não tendi.

— Não entendeu o quê?

— O que você cantou. Não tendi nadinha.

— É porque cantei em francês.

— Fancês? O que é?

— É uma língua muito diferente da que falam aqui.

— E como você sabe cantar?

— Sei porque essa é a língua que se fala no lugar onde eu nasci.

— Onde você nasceu?

— Em Paris.

— Onde é Palis?

— Muito longe daqui. Eu sinto falta de lá.

— E po que não vai pa lá?

— Porque construí minha vida aqui. Não posso largar tudo e voltar.

— Deve ser bonito lá.

— É, sim. Mas por que achou isso?

— Poque você é bonito e veio de lá. — Eu rio, a puxo para junto de mim, pondo o braço ao redor de seus ombros e beijo o alto de sua cabecinha.

— Quer ver como é? — Ela responde com um movimento da cabeça. — Então venha. Tenho um livro de fotografias de lá que você vai adorar ver.

Eu a pego pela mãozinha e a levo até a biblioteca da casa. Ela se senta no sofá e eu no tapete, e lhe mostro as fotografias do livro, contando-lhe as histórias que eu conheço, ou que vivi naqueles lugares.

Conheço Paris como a palma da minha mão. Não há uma pedra na pavimentação das ruas que eu já não tenha visto. Minha mãe tinha verdadeiro fascínio pela capital francesa, e junto com ela explorei cada canto da Cidade Luz. Não havia um final de semana de Sol em que ela não me levasse para um passeio. Isso, claro, foi antes de ela adoecer e nos deixar.

Quanta falta sinto dela. Debbie me traz, no dourado dos cabelos, uma recordação viva de sua avó. Que presente bonito Liah me deu. Uma combinação perfeita dos traços das duas mulheres que mais amei em toda a minha vida: a minha mãe, e a própria Liah. Ela se engana ao dizer que Debbie se parece comigo. Ela não tem nada de mim, é praticamente idêntica à avó, mas com os olhos de Liah. A criatura mais bonita que já vi. Mais bonita que minha mãe, e mais bonita que a mãe dela. Uma junção tão perfeita das duas, que parece que, juntas, a esculpiram à mão.

Quando minha mãe partiu, tinha exatamente a idade que Liah tem agora. 30 anos. Tão linda e tão jovem. Ainda hoje poderia ser tão bonita. Sinto falta de seu cheiro e de sua voz. Aquele cheiro nunca voltei a sentir. E voz dela era inigualável. Um anjo que cantava toda noite, até eu dormir. Ah, quanta falta sinto dela...

Miss Davis

Alô? — Diz a voz infantil do outro lado da linha.

— Oi. Debbie?

Uhum. Quem é?

— É tia Bette, querida. Me diz, papai está aí?

Não. 

— Sabe aonde foi?

— Ele foi pa loja dele.

— Ah, é? Faz muito tempo que ele saiu, amor?

Não.

— É? Tá bom, então. Tchau, bonequinha.

Eu desligo, e ainda sentada na cama, encaro o espelho. Me levanto, analisando se esse vestido está bom o bastante. Não está. O retiro, e troco por um vestido que ele certa vez me disse que gostava. Troco também os sapatos, e solto o cabelo, o escovo rapidamente, passo meu batom vermelho e saio de casa.

No meu carro, já com uma mão no volante e a outra na chave, pronta para dar a ignição, eu paro e penso um pouco. Questiono-me se deveria mesmo estar fazendo isso. Se não faria um papel ridículo ao ir atrás dele, depois dele ter me empurrado para fora de sua vida da maneira que fez, há tão poucos meses.

Ele é um homem casado agora. Eu sinto que ele seria capaz de me fazer uma proposta indecente, como de não deixar Rita e me manter como a outra. E não sei se seria forte o bastante para dizer não.

O amo como nunca amei ninguém. Pensei que já havia estado apaixonada antes, mas o que sinto agora me fez ver, que daqueles outros homens, eu apenas gostei. No máximo, eu gostei.

Tentei me distrair de todas as formas. Festas, bebidas, viagens, até novos homens. Mas cada beijo que eu recebia me fazia lembrar do quanto os dele são melhores.

Cheguei à conclusão de que preciso dele. Sei que talvez me rejeite de novo. E sei que isso doerá insuportavelmente. Mas pode ser que ele ainda me queira. E nunca vou saber, se não correr o risco.

Por fim, engulo meu resto de orgulho, e ignorando a este fio de insegurança, giro a chave.

— Boa tarde, madame. Procurando algo em especial? — Um funcionário pergunta, assim que ponho os pés na loja.

— O Sr. Wonka já chegou?

— Não sei dizer, acabei de chegar para o meu turno.

— Tudo bem, então eu... — Antes que eu conclua a frase, dizendo ao rapaz que perguntarei a outro, Willy passa por nós, distraído com um papel em suas mãos, sobe para o escritório e fecha a porta.

Peço licença ao jovem e me dirijo às escadas. Dou uma última olhada no espelho que trouxe na bolsa, e entro sem bater na porta, a fecho, e apoio minhas costas nela.

Ele, que estava retirando um livro de contabilidade da estante, vira-se na minha direção ao ouvir o som da fechadura.

— Bette? — Ele pergunta, surpreso ao me ver. Eu dou um passo a frente.

— A primeira e única. — Ele dá um sorriso torto.

— Veio para me matar? — Pergunta, bem humorado. Eu me aproximo dele e ponho os braços sobre seus ombros.

— Vim recuperar o que é meu. — Ele me encara calado. Eu deslizo a mão de seu peito a seu ombro, daí para o pescoço e o rosto. Acaricio a pele macia de sua face e roço o polegar em seus lábios suavemente. Eu o abraço, encosto a cabeça em seu peito e ouço as batidas de seu coração. — Quero que volte para mim. — Digo, e depois de alguns segundos volto a olhar para ele. Nos fitamos calados até que eu ponho a mão atrás de sua cabeça e o puxo para um beijo. — Volta? — Ele balança a cabeça positivamente. Eu sorrio largamente.

— Bem, eu... venho pensando em me divorciar de Rita há meses, e agora você me deu um bom motivo para isso. Pedirei hoje mesmo.

— Faça isso. E volte a viver comigo, enquanto espera a conclusão do processo de divórcio. Não vai querer ficar na mesma casa que ela.

— É uma boa ideia. Mas terei de levar duas crianças.

— Há espaço para todos. E seus filhos são uns doces.

— Está bem, então irei.

— Esperarei ansiosa. — Beijo-o novamente. — Eu te amo, meu chocolateiro. — Ele sorri e acaricia meu rosto.

— Eu senti sua falta, quarentona. — Eu sorrio ao ouvir esse apelido novamente, e ele me dá um beijo na testa. — Tenho que ir agora, tá?

— Tá. Até amanhã?

— Até amanhã. — Ele me dá um beijo no rosto. — Vem, eu te acompanho até a porta.

Ele abre a porta e espera que eu saia. Nós descemos de mãos dadas.

— Tchau. — ele diz, baixinho, com seu jeitinho meio tímido que eu tanto adoro.

Eu me aproximo dele, me ponho nas pontas dos pés, coloco um braço atrás de seu pescoço e o puxo para um beijo demorado, perante todos os seus funcionários.

— Até amanhã. — Eu digo, num tom alto o bastante para que eles ouçam. O forte rubor que esta frase causa em seu lindo rosto pálido me faz sorrir.

— Até amanhã.

Mr. Wonka

Depois de voltar para casa e fazer o bolo que Debbie me pediu — o que me levou até minha loja hoje, porque precisei buscar dois ingredientes que faltavam —, eu trato de resolver a pendência que surgiu no momento em que me casei com Rita: pedir o divórcio.

Eu a procuro pela casa, e a encontro na biblioteca, provavelmente lendo mais um daqueles romances diabéticos dos quais ela tanto gosta.

— Rita...

— Sim, querido? — Ela responde com um sorriso doce, tirando os olhos do livro.

— Rita, por favor, tire esse sorriso do rosto. — O sorriso lentamente deixa o rosto dela, até que ela mostre uma expressão séria, e um tanto apreensiva.

— O que você tem a dizer é tão grave assim? — Eu demoro um pouco a responder, penso em fazer uma introdução delicada, mas decido que será melhor ir direto ao ponto.

— Eu quero o divórcio. — eu vejo seus olhos se encherem, e uma lágrima escapa.

— Por quê? O que foi que eu lhe fiz?

— Porque... ah, Rita... eu não conseguiria te explicar. Apenas não posso continuar casado com você. Não me peça para explicar, Rita. — Ela abaixa a cabeça, e diz com a voz trêmula:

— Tudo bem, Willy. Eu lhe darei o divórcio. Agora... me deixe só.

— Eu vou embora amanhã, ok?

— Ok. Só me deixe sozinha.



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