1. Spirit Fanfics >
  2. The Worst Best Choice - Bughead >
  3. Betting Man

História The Worst Best Choice - Bughead - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Capítulo dedicado à dropssofjupiter ♥

Capítulo 3 - Betting Man


De frente para o espelho, amarro os meus cabelos em um apertado rabo de cavalo e por algum tempo depois disso encaro meu reflexo. É estranho como nada realmente mudou depois de ontem à noite. Esperava que a atmosfera se tornasse outra ao meu redor ou coisa parecida. Não posso negar que fui tomada de sentimentos incongruentes que foram libertados enquanto eu cantava no palco. Mas agora não parece nada demais.

Mesmo quando Sweet Pea pôs minha jaqueta de couro com uma Serpente bordada nas  costas, não me pareceu emblemático. E quero pensar que isso tudo se deve ao fato de que ele não esteve lá desde o começo, porque faria muito mais sentido se estivesse. E agora ele precisa passar o fim de semana todo com os pais, aproveitando do momento para contar sobre nós, porque mesmo depois de seis meses de relacionamento, eles nem sabem que existo. 

Bufo exasperada. A ideia era estar feliz e animada com o novo caminho que tomei para minha vida, mas em vez disso me sinto aborrecida e magoada. E, pior, por coisas que não dependem de mim.

O toque de notificação do meu celular em cima da cama então chama minha atenção e deixo o meu reflexo de lado — e todos os meus devaneios. Me jogo na colcha e apanho o aparelho em mãos. Meus olhos saltam ao ver o nome de Veronica no visor e ainda mais com a mensagem que vem em seguida:

"Vem me receber na porta, estou te esperando. E sim, eu já estou na cidade!"

Com um gritinho animado, pulo da cama e corro do quarto. Saiu do apartamento como um foguete. Uma camisa e calça de ceda e pantufas do pato Donald nos pés é tudo o que visto. Vinte e dois anos, mas pareço uma criança pelos corredores do hotel. E quando chego no saguão, percebo olhos sobre mim, mas não dou importância. Há algo muito mais relevante e ela me espera nas escadarias da porta de entrada.

Através do vidro, vejo uma Veronica sorridente enquanto me aproximo e empurro a velha porta por duas vezes para que possa abrir. Seus cabelos negros estão mais cumpridos do que a última vez em que a vi e suas roupas parecem mais elegantes do que um dia já as considerei. Nova York era exatamente o tipo de cidade que Veronica viveria e por suas roupas coloridas se percebe o quanto ela difere dos tons escuros do pequeno e velho hotel que chamo de casa.

— O que trouxe Veronica Lodge de volta a Riverdale? — Pergunto, finalmente abrindo a porta.

Ela faz uma pose toda fofa, salta as sobrancelhas e seu sorriso parece se iluminar mais ainda quando aponta para mim e diz:

— Você, é claro.

Solto da porta e Veronica sobe as escadas correndo para me encontrar no último degrau e me abraçar tão forte que se possível poderia entrar em meu corpo e nos tornaríamos um só. E isso se chama meses de saudade acumulada. Desde que fora embora da cidade para estudar design de moda em Nova York, tivemos que nos conter com e-mails, cartas e presentes enviados. Com aulas e trabalho, mal havia tempo para aproveitar de feriados juntas, porque dias livres significavam estudar para manter o bom desempenho.

Mas estamos quase no fim do ano, o que é sinônimo de festa, Pembroke e amigos. Todo ano, os Lodges se juntam em seu castelo para comemorar as festas de fim de ano. Eu e Veronica ficamos responsáveis pela decoração e tudo mais. O que é uma forma também de voltarmos aos tempos de escola, quando ela me ajudava a organizar os bailes. Me surpreende apenas que ela tenha chegado tão cedo. Estamos em setembro e ela costuma aparecer em novembro.

— Aconteceu alguma coisa? Onde está Archie? — Pergunto, levemente preocupada.

— Adiantei algumas matérias do curso e resolvi dá uma pausa logo em seguida — ela diz e respira fundo, deixando os ombros caírem quando me solta. — Estou tão cansada, B! Você não sabe como é trabalhar para a própria Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada. E Archie está ocupado como professor de futebol em uma escola, mas em novembro estará aqui para nossa festa.

— O estágio está tão ruim assim?

Ela faz cara de choro e assente, frustrada. Enquanto rio de sua reação, seus olhos me analisam da cabeça aos pés e em seguida franzi o cenho.

— Te acordei? — Ele pergunta e aponta para minhas vestes.

— A ideia era ficar na cama até o horário em que marquei de ir fazer uma tatuagem. Você me pegou desprevenida. Poderia me mandar uma mensagem mais cedo, eu teria ido pegar você no aeroporto.

Veronica arregala os olhos e fica boquiaberta.

— Que história é essa de tatuagem? — Ela quase grita e um casal de velhinhos que passa por nós nos olha com estranheza antes de descer as escadas.

— É melhor a gente subir — sussurro —, preciso atualizar você do que andou acontecendo comigo nos últimos dias.

Quando voltamos para o meu apartamento e ficamos devidamente acomodadas em meu sofá cor turquesa, conto tudo o que tenho vivido com Sweet Pea nas últimas semanas do que não mencionei em nossas trocas de e-mails. De como as coisas ficaram mais intensas, de modo que ele tem deixado roupas no meu apartamento e há fins de semanas em que praticamente vivemos como casados.

Veronica sempre soube da minha paixão desenfreada por um membro de gangue, mas a minha decisão em fazer parte dela era algo íntimo demais para que eu a dissesse por uma simples mensagem. Iria esperar até novembro para contar, mesmo sabendo que até lá talvez nem aguentaria.

Recapitulo tudo até a noite passada e não deixo faltar um detalhe. Exceto o garoto que me encarou no meio da performance, porque julgo não ser necessário, apesar de estranho. E a medida em que falo, o rosto de Veronica se toma de indignação gradualmente.

— Honestamente, não sei porque seus pais não te apoiam nisso. É importante pra você. — Ela resmunga. — Eles deviam levar em conta que as coisas pesadas foram deixadas para trás.

Demora um tempo para que eu entenda ao que está se referindo e vendo a confusão que se instalou em meu rosto, Veronica ajeita a postura no sofá e me encara séria.

— Meu pai me contou que antes eles faziam serviços pesados. Do tipo esconder corpos ou coisa pior. Que tudo pelo qual sua mãe os acusa no Registro, um dia foi real.

Pasma, encaro os olhos negros e ternos de Veronica sem acreditar no que me diz.

— Pea não comentou sobre isso comigo...

— Parece que com a mudança de líder eles resolveram parar. Deixaram tudo para trás e estão tentando “limpar a imagem” — ela faz aspas com os indicadores no ar. — Mas você sabe como as pessoas são, a primeira impressão é a que fica.

Perco o foco em seus olhos para encarar qualquer ponto, só para pensar. Não consigo imaginar que toda demonização que ocorre contra a gangue no noticiário seja real. E me pergunto em qual parte um dia fora real. Os roubos? O corpo encontrado na semana passada no trilho de trem, talvez? O grande esquema de drogas que corre pela cidade e ninguém consegue resolver? Me pergunto também se toda a história que me foi contada não fora enfeitada. Obstruindo todos os erros e deixando o que me emocionasse e me instigasse a querer fazer parte.

— Você viu tudo de perto, pelo que me contou em seus e-mails e acredito em você. Acho que eles realmente mudaram e estão buscando fazer coisas boas. — Veronica comenta e volto minha atenção a ela para ver adquirir uma feição levemente incomodada enquanto olha sob minha cabeça. — É injusto seus pais fazerem isso com você. Eles já viram o hotel em que você está morando?

Olho para os lados, para as paredes de cor creme, os móveis antiquados e mal postos, que diferem do meu sofá que parece um ponto feliz e perdido na imensidão de cores mortas. Contemplo o pequeno espaço de minha sala com o qual já me acostumei e dou de ombros.

— Me sinto bem aqui, apesar de apertado. Quer dizer, poderia ser pior. — Digo e como não consigo evitar o que de fato me importuna agora, pergunto: — Como seu pai sabe de tudo isso?

— Ele esbarrou com o novo líder em Nova York, quando foi me visitar. Meu pai e ele ficaram por algum tempo de papo e como uma boa questionadora que sou, perguntei de quem se tratava e ele me contou tudo. Eles estudaram juntos. Não eram tão amigos, mas se falam por puro respeito.

— FP? Em Nova York?

Veronica assente veemente.

— O que ele estava fazendo lá? — Indago.

— Visitando o filho que estuda direito.

— Jughead?

Ela salta os olhos.

— Sim, é ele. Você o conhece?

— Conheci ontem. Ele voltou para Riverdale.

Não menciono que ele será minha companhia para a tatuagem porque novamente não vejo necessidade.

— Você sabia que ele e Archie são melhores amigos desde o berço?

Essa história não poderia ficar melhor.

— Não?!

— Fred e FP são velhos amigos de infância. Archie e Jughead praticamente cresceram juntos, mas com o tempo se distanciaram e, bem, depois Jughead foi morar com a mãe. — Veronica comenta e vaga seus olhos pela sala, pensativa. — Archie disse que ele estudou conosco, mas não lembro de tê-lo visto nos corredores.

— Vocês se conheceram?

— Sim, Archie o convidou para uma pequena comemoração do nosso novo apartamento. Ele é um cara legal. Nos ajudou com a mudança e tudo.

Levo uma mão ao queixo e assim como aposto que Veronica está fazendo, vasculho em minhas memórias algo que me faça lembrar de Jughead antes de vê-lo na noite passada. Porque apesar de parecer que fora a primeira vez em que o vi, o sentimento familiar que senti em nossa troca de olhares me fez pensar que em algum momento já nos esbarramos por aí.

— Acho que isso explica a forma estranha em que ele ficou me encarando — digo, baixinho, mais para organizar os meus pensamentos do que informar Veronica. — Provavelmente estava tentando lembrar de mim, assim como eu tentei fazer depois, antes dele sumir.

— Que história é essa de “encarar de forma estranha”?

O toque de chamada de um telefone toca dentro da bolsa de Veronica e ela levanta o indicador no ar em sinal para que eu espere, antes que prossiga com a história. Sua testa franzi e ela torce os lábios ao olhar para o visor do objeto e rapidamente atende a chamada.

— Mãe? Não sabia que seu voo sairia tão cedo. Não, eu pedi que Smithers fosse as compras. Tudo bem, estou indo buscar você.

Levantando do sofá, ela guarda o celular na bolsa e me olha tristonha.

— Preciso buscar minha mãe no aeroporto. Podemos marcar uma saída depois?

— Claro.

— Você ainda trabalha no cinema? — Assinto e ela sorri entusiasmada. — Bem que podia arranjar alguns ingressos pra gente. Precisamos de uma noite das garotas.

— É uma ótima ideia!

Com um abraço apertado nos despedimos no saguão e fico como uma boba vendo os cabelos negros de Veronica saltarem enquanto ela anda até a porta de saída. É bom tê-la por perto mais cedo, porque significa que poderemos aproveitar a mais do tempo que temos nesse fim de ano.

Olho para o relógio fino de pedras de safira branca em volta do meu pulso — presente de Sweet Pea —, para checar a hora e meus olhos quase saltam das órbitas quando vejo que estou a vinte minutos atrasada de me encontrar com Jughead. Volto correndo para o apartamento e troco o mais rápido possível minhas roupas. Quando passo na frente do espelho, me olho para ter certeza de que estou bem e me incomoda os cabelos presos. Penso em soltá-los, mas penso também que não há porque me arrumar para encontrar alguém que só irá me acompanhar enquanto faço pela primeira vez uma tatuagem.

Analiso o meu reflexo dos pés à cabeça. Uma bota baixa, shorts, uma camisa de botões e a jaqueta da gangue componham meu figurino. Os shorts me incomodam, porque está frio lá fora, mas preciso deixar minhas coxas livres para a tatuagem. Dou uma última olhada e decido que devo soltar os cabelos. Ótimo. Bem melhor do que o conjunto de ceda e as pantufas.

No estacionamento, pego meu velho fusca azul e me sinto sortuda por não enfrentar um trânsito congestionado até o caminho para o sul. Em poucos minutos chego no Whyte Wyrm, o bar conhecido como ponto principal para encontro dos Serpentes. Uma música calma e baixinha preenche o local e, conforme entro, vejo que diferente da noite anterior, as mesas estão vazias. Exceto por uma ao fundo que contém um número considerável de senhores que estão empolgados em algo e não percebem minha presença.

Ando até o balcão de bebidas, onde o barman limpa alguns copos. Seus olhos levantam em minha direção e antes que me aproxime o suficiente, ele grita sob um ombro:

— Jones, ela está aqui.

Surgindo abruptamente entre portas vai e vem, estilo velho oeste, Jughead para na passagem atrás do barman. Seus cabelos apontam para todos os lados, o que me leva a pensar que ele acabara de acordar. Ele usa um jeans escuro e uma regata branca, revelando os músculos de seus braços. Seus olhos, que agora consigo ver com clareza que são verdes, me encaram incrédulos. Ele se movimenta até o balcão, tira uma nota de dinheiro do bolso do jeans e entrega pro barman.

— Eu disse que ela viria — o barman se gaba e guarda a nota no pequeno bolso que há em sua camisa, na região do peito.

Jughead suspira exasperado e tira sua jaqueta em algum lugar do balcão para vesti-la.

— Apostou que eu não viria? — Pergunto, intrigada.

— Você está atrasada — ele diz calmamente, ignorando meu questionamento.

Em um movimento rápido, apoia as mãos no balcão e pula sobre ele. Exatamente como fez na noite passada. Seus coturnos vibram contra o piso de madeira, fazendo soar um barulho. Percebo o quão alto ele é quando me olha e em seguida sorri, mas o sorriso não é direcionado para mim. Ele levanta uma mão no ar e desvia seus olhos para além dos meus.

— Ei, Jughead! — Um dos senhores na mesa dos fundos grita. — Junte-se a nós.

— Aproveita e traz a loirinha junto — um outro incrementa.

Jughead torce um nariz e me agarra o braço com uma mão.

— Estamos meio ocupados agora. Vamos deixar para a próxima. — Ele diz e força um sorriso, enquanto me puxa discretamente para andar.

Movimento meu braço em recusa ao seu gesto, porque parece que estou sendo carregada a força para fora e Jughead se afasta, me deixando ir na frente.

— Você apostou que eu não viria? — Insisto, quando chegamos lá fora.

— Sim — ele sinceramente responde e olha com estranheza para o meu carro estacionado no acostamento. — Belo carro.

Apesar da risadinha irônica que vem em seguida, agradeço:

— Obrigada. Agora pode me dizer porque apostou que eu não viria?

— Porque você é do Norte e já vi esse lance acontecer — ele diz com certo desdém e passa por mim.

— Que lance? — Sou ignorada e Jughead continua a andar. — Não vamos no meu carro?

Um dedo indicador balançando no ar em negativa é tudo o que tenho como resposta. Jughead vira a esquina para o estacionamento e some. Fico parada por algum tempo esperando até decidir segui-lo.

Já montado em uma Harley preta, Jughead ajeita um capacete na cabeça e pega outro em seguida na garupa. Enquanto me aproximo, percebo o quanto ele parece legal agora em suas vestes, a Harley e a parede atrás inteiramente pichada. Arrisco até em admitir que é bonito. Ele me espera paciente e descaradamente me dá uma boa olhada.

— Por que não tira uma foto? Vai durar muito mais — provoco.

Ele sorri de boca fechada e baixa os olhos, o que acho até charmoso. Me estende o capacete e o tomo, mas com pesar olho para trás por deixar meu carro.

— Relaxa, ninguém vai querer roubar aquilo.

Decido que Jughead não é legal. Nem bonito. E muito menos charmoso.

— Sobe — ele ordena.

Hesito, mas acabo por fazê-lo. Se for logo, tudo terminará rápido e eu me livrarei desta companhia da qual não estou gostando. Percebo que não há apoio traseiro para que eu possa me segurar e tateio com os dedos nas bordas da garupa, procurando algo em que possa me agarrar e não cair durante o caminho.

— Segura em mim — Jughead diz.

Não quero me segurar nele e muito menos estar nesse veículo. De má vontade me seguro em seus ombros e o ouço estalar com a língua no céu da boca. Impaciente, suas mãos tiram as minhas dali para envolver em sua cintura.

— Era só me dizer onde queria que eu me segurasse — resmungo.

— Ficaria estranho se te pedisse que me agarrasse.

— Há outras formas de dizer isso, Jughead.

— Claro que há — ele liga o motor e antes que arranque com a Harley para nosso destino, acrescenta: — Mas eu prefiro as constrangedoras.

Rolo os olhos. Onde está a postura acanhada de ontem à noite? Não preciso chegar a uma próxima interação com este cara para ter certeza de que ele não é tão legal quanto Sweet Pea e Toni o fizeram parecer. Já imagino esse tempo juntos que teremos terminando com facas voando para todos os lados.

Ele toma a estrada e por algum tempo mantém uma velocidade razoável. Mas quando passamos pela ponte do rio Sweetwater, ele corre contra o vento. Aperto meus braços em volta de sua cintura, na intenção de não sair voando a qualquer momento, e ouço sua risada abafada soar. Quero perguntar o que achou de tão engraçado, mas mentalmente decido que só falarei com ele quando me for conveniente.

O que não demora muito, porque minha capacidade de ser tagarela grita quando vejo que estamos na rua onde o meu apartamento se localiza e como uma criança, aponto para o prédio.

— Eu moro ali — digo, esperando ser alto o suficiente para que ele possa me ouvir.

Jughead olha rapidamente sob um ombro. Apesar da velocidade, ao menos ele parece concentrado na pista.

— Centerville?

Não consigo decifrar o tom de sua voz, mas me pareceu surpreso.

— Sim — Inocentemente respondo.

Ele não comenta nada em seguida e nem durante o resto do caminho. Fico calada também, porque apesar de curiosa por sua reação, chega de trair minhas internas decisões.

Quando paramos em frente a uma loja com a fachada inteiramente pichada, assim como a parede do estacionamento do Whyte Wyrm, pulo da Harley rapidamente e espero na calçada até que Jughead a estacione. Ele aponta para as portas de vidro do estabelecimento, anda até ela e a segura, indicando com um balanço de cabeça para que eu vá na frente.

Cheiro de cigarro e canela atravessam minhas narinas quando entro. E apesar de escuro, o cômodo parece perfeitamente limpo. Quadros indígenas se espalham entre as paredes e esculturas também. Há poltronas de bambu próximo da porta, formando um círculo em volta de um grande narguilé. Mais à frente, protegido por um balcão de madeira, um homem barbudo sustenta pequenos óculos na ponta do nariz, enquanto parece lê uma revista.

— Josh, esta é a Betty — Jughead grita, lhe chamando a atenção. — Betty, esse é o Josh.

Josh ergue a cabeça para me olhar através dos pequenos óculos. Jughead passa por mim e entra em uma das portas que há atrás do balcão. Levemente perdida — e abandonada —, me aproximo de Josh e estendo uma mão.

— Prazer em conhece-lo.

Ele não se move. Continua me encarando, até que baixa os óculos, solta a revista no balcão e respira fundo, deixando os ombros caírem, no que parece levemente frustrado.

— Você não é o que eu imaginava Betty — ele diz e estende a mão para corresponder ao meu gesto. — Quando Jughead me disse que traria uma garota do norte, imaginei você como um...

— Estereótipo? — Tento adivinhar.

Ele assente.

— Bom, não há nenhum chihuahua pendurado no meu braço, então sinto em desapontá-lo. Aliás, ele apostou com você também que eu não viria? — Ele assente mais uma vez e sussurro: — Ele é sempre babaca assim ou faz parte da inicialização?

Josh sorri. E é um sorriso largo e prazeroso, que logo se torna uma risada gradual que enche o cômodo.

— Ei, Jughead — ele grita, se recompondo.

Jughead aparece na passagem da porta em que entrou, com um semblante indecifrável.

— Eu gostei dela — Josh diz.

— Claro que gostou — Jughead debocha.

— Então você também gosta de mim? — Provoco.

Seus olhos me encaram divertidos. Ele parece prestes a dizer algo, conforme aperta os lábios para conter um sorriso que inevitavelmente esboça logo em seguida. Mas por fim apenas balança a cabeça em negativa e fecha a porta. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...