1. Spirit Fanfics >
  2. There Is A Light That Never Goes Out >
  3. Driving In Your Car

História There Is A Light That Never Goes Out - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Driving In Your Car


Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one anymore

 

Mark dormia. Ainda eram duas da manhã quando Donghyuck ligou desesperado para casa do amigo. A primeira chamada não foi ouvida uma vez que todos os Lee apreciavam de um sono profundo. Mas, para a sorte de Hyuck, o quarto de Mark ficava ao lado da estante onde o telefone fixo dos Lee se encontrava.

“Alô? ” Mark atendeu e foi surpreendido por um silêncio assustador. Ele repetiu já pronto para desligar o telefone e voltar a dormir. “Alô? ”.

“Oi, Mark, sou eu, Donghyuck.”. O mais novo finalmente se pronunciou, baixinho, com voz carregada de choro. Mark percebeu.

“ Oi, Hyuck, meu deus, tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? Por que você tá ligando essa hora? ”.

“Péssimas notícias, Mark Lee. Fodeu tudo. ” E suspirou. Dessa vez Donghyuck tentou parecer menos desesperado.

“Como assim, Donghyuck? Você tá me deixando preocupado. Você tá em casa?” Agora Mark já tinha puxado o telefone para dentro do quarto, se sentando no chão, ao lado da porta encostada. Começava a tremer. Conhecia bem demais o melhor amigo para saber que algo estava muito errado só pelo tom de sua voz ao telefone.

“Eles descobriram tudo. Meus pais descobriram tudo. Eu tô ligando do telefone público em frente a saída da escola. ” Donghyuck começava a se apressar ao falar. Estava de pijama, na rua, segurando duas mochilas velhas cheias de tralha e só queria seu melhor amigo ao seu lado agora. “ Tem como você vir me encontrar? Pega o carro do seu pai emprestado essa noite, por favor, prometo que amanhã cedo eu te devolvo intacto. Chegando aqui eu te explico tudo melhor. Eu não consigo falar pelo telefone agora. ”

E Mark foi. Pegou dois casacos dentro de seu armário, vestiu meias quentinhas e nas pontas dos pés, roubou as chaves do carro. Mark ainda não tinha carteira mas sabia dirigir bem, pois seu pai o ensinou desde pequeno. Ele não estava nem preocupado de seus pais descobrirem sua fuga ou de ser parado por algum guarda de transito. Estava tarde e tudo o que ele pensava era sobre Donghyuck. Mark nunca dirigiu tão aflito em toda a sua vida.

 

Seoul sempre foi uma cidade meio fria. Era isso que Donghyuck pensava. Ele já sentia o vento daquele começo de outono gelar sua espinha, quando Mark virou a esquina no carro do pai e estacionou em frente ao menor, que abraçava suas mochilas. Mark abriu a porta do carro e fez sinal para que o outro entrasse. E assim que Hyuck se sentou, começou a chorar. Mark se desfez do cinto de segurança e correu para abraçar o amigo. Ele tinha tantas dúvidas, mas não conseguiu perguntar nada de imediato. Os dois ficaram por alguns minutos assim, abraçados em meio as lágrimas do mais novo, até que Donghyuck se afastou e tomou coragem para começar a falar. Ele, mais do que queria, sabia que devia se explicar para Mark. Nunca tinha feito uma chamada de emergência como aquela antes. Os dois tinham medo estampado na cara, mas Mark tentava parecer o mais calmo possível, odiava ver o amigo naquele estado, muito mais sem saber direito o que tinha acontecido.

“Desculpa ligar essa hora, é que... acho que fui expulso de casa.” Donghyuck nunca foi muito de enrolar na hora de falar e gostava de ser o mais direto possível, mas dessa vez ele repensou sobre esse seu jeito, quando sentiu o aperto forte que Mark deu em seu braço. Ele continuou. “Meu pai mexeu nas minhas coisas quando eu tava lá na sua casa, ele encontrou meu maço de cigarros e-” Mark o interrompeu.

“Não acredito que ele te bateu porque você fuma.” Donghyuck antes achava que Mark não tinha percebido seus machucados pelo rosto e corpo, mas agora ele tinha certeza que Mark notou tudo. “Você tá me dizendo que aquele desgraçado te expulsou de casa porque você fuma??” Mark já praticamente gritava.

“Não Mark, calma. Ele também leu minhas coisas. Ele sabe que eu sou gay, essa é a porra do problema. ”

O mais velho entrou em choque. Era o único que sabia completamente sobre a sexualidade do melhor amigo. Donghyuck sempre escondeu tão bem.

 

“Eu sempre soube o quão preconceituoso ele é. Mas acho que no fundo eu, sei lá, tinha um pouco de esperança, sabe.” Donghyuck suspirou fundo depois de voltar a falar. As lágrimas voltando a escorrer por todo seu rosto. Mark agora o abraçava de novo, queria chorar também, nunca imaginou isso acontecendo, não desse jeito. “Eu sou o filho dele, Mark, ele não podia reconsiderar? Ele me jogou na rua com essas mochilas dizendo que não queria nada que fosse meu na casa dele. Eu tentei desmentir tudo mas havia milhares de textos e diários e desenhos nas minhas coisas, é óbvio que ele não acreditou. ”

Mark quis xingar o pai do amigo até não poder mais. Quis correr até a casa do mais novo e revidar todas as ofensas e agressões que sabia que Donghyuck tinha sofrido. Estava triste, com raiva, puto da vida. Mas assim que levantou a cabeça, viu um Hyuck mais frágil do que nunca. Sabia que tinha que cuidar dele e essa seria sua prioridade.

“Eu sinto muito, Hyuck, sinto mesmo. Você quer ir lá pra casa? Você sabe que pode dormir lá quando quiser, não sabe? ”

Quando finalmente se acalmou de novo, Donghyuck ponderou a ideia. Se fosse para a casa de Mark, seria capaz de descansar no colo do melhor amigo. Mas ele não sentia que merecia descansar agora. Já eram pouco mais de três da manhã. O silêncio era o único a se fazer de fato presente. Mark pensava em como cuidar do melhor amigo que naquele momento parecia ser feito de vidro.

“Eu sei, obrigado. Mas acho que por agora, eu só quero fumar. ”

O mais velho não gostava muito desse hábito de Donghyuck, mas agora não era o momento de contrariar as vontades do amigo. Ele só concordou e abriu as janelas. Pela primeira vez na amizade dos dois, ninguém sabia muito o que falar.

Mark estava num misto de raiva e indignação. Cresceu num lar aberto o suficiente para não carregar esse tipo de preconceito. Lembrava de quando Hyuck se assumiu para ele, numa “sessão cinema” em sua casa. Assistiam a “O Matador” quando ele mesmo desligou o som e perguntou se o mais novo tinha algo a dizer. Eram melhores amigos e melhores amigos sabem quando algo perturba o outro. Donghyuck então falou baixinho que achava que não gostava de meninas. Mark se surpreendeu, mas não quis transparecer nada.

Lee Donghyuck sempre foi um menino direto e de opinião. Gostava de estudar sobre política e queria cursar Economia na faculdade. Raramente gaguejava e ia sempre direto ao assunto. Mark então explicou para o melhor amigo que estava tudo “mais do que bem”. Tirou o VHS da fita cassete e segurou as mãos do mais novo. Era estranho ver um Hyuck cabisbaixo. Tudo que Mark queria era demonstrar para o menor que a amizade dos dois era maior que qualquer outra coisa. Ele não fazia ideia do que se passava na cabeça do amigo naquele momento, mas sabia que não devia estar sendo muito fácil se assumir daquele jeito. Naquela noite Mark prometeu que sempre protegeria o outro, até ouvir um “para de boiolagem” vindo do mais novo. Eles sempre foram muito abertos e brincalhões um com o outro e isso jamais mudaria.

“Ei, Mark, daqui a pouco dão quatro da manhã, tudo bem se a gente fosse pra um lugar agora?” Donghyuck deu uma última tragada e depois jogou a bituca de cigarro na rua. Seus batimentos cardíacos tinham se normalizado pela primeira vez aquela noite. Ele só queria não pensar em nada. Sabia como o mais velho conseguia ser o mais ansioso dos dois e não gostava de enxergar toda aquela preocupação transbordando do Mark. Não cresceu num dos lares mais afetivos do mundo. Tinha um pai extremamente rigoroso e uma mãe que foi ensinada a vida toda a abaixar a cabeça em frente ao marido. Tudo que Donghyuck sabia fazer era sobre como incomodar e preocupar menos. Mas ao mesmo tempo, sentia que ao lado de Mark era o único lugar onde ele podia ser e sentir de verdade.

“Claro. Acho que o tanque tá praticamente cheio. ” Mark acataria a qualquer ideia do mais novo naquele momento. Apesar de que ele sempre foi assim. Mark era o mais certinho e menos corajoso dos dois. Sabia que cursaria direito na faculdade desde os 12 anos. Era o desejo dos pais, que tocavam uma loja de eletrodomésticos no centro de Seoul. Então a vida de Mark era focada em estudar e ter seus momentos de diversão rotinados com o amigo. Sempre que saia para alguma festa ou lugar diferente, era culpa de Donghyuck que puxava o amigo para ir junto em todas as suas aventuras.

Enquanto os lugares favoritos de Mark eram a loja de discos ao lado da loja dos pais e a biblioteca/lan house do bairro, os de Donghyuck eram Londres e o planetário da cidade (mesmo que nunca tivesse visitado nenhum dos dois). Mark gostava do conhecido e habitual, enquanto Hyuck cresceu num lar ameno o suficiente para torna-lo um adolescente que só queria desbravar o mundo e se jogar de cabeça.

Mark ligou o carro e mandou o mais novo procurar alguma fita cassete no porta-luvas. Sabia que dirigiria sem rumo, sem carteira e quase sem certeza nenhuma, se não fosse pelo amigo ao seu lado, quem Mark sabia, que protegeria, acima de qualquer coisa.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...