História There is no 'us' - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Chen, Xiumin
Tags Angst, Xiuchen
Visualizações 16
Palavras 2.429
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Antes de tudo, quero agradecer por quem estiver lendo essa fanfic, ela é um das minhas favoritas já escritas. Ela é em formato de carta, então não esperem diálogos ou algo assim, apenas recordações e memórias. Não se sintam obrigados a favoritar ou comentar, quero apenas que vocês leiam e gostem do que eu escrevi. Muito obrigado.

Capítulo 1 - Still


Jongdae,

O relógio acaba de tocar, avisando que são cinco da manhã. Aqui estou eu, escrevendo em cima do que você costumava chamar de "mesa de trabalho" — você deve me achar um idiota por ainda manter seus objetos em minha casa. Eu terei de acordar daqui a uma hora, mas há dias eu não consigo dormir direito. Pensamentos e perguntas crescendo em minha mente não me deixam repousar em paz. Estou fazendo o que sempre faço nessas últimas quatro semanas.

Escrevendo.

Essa deve ser a décima carta que eu estou reescrevendo. O papel sempre acaba encharcado devido ao excesso de minhas lágrimas que caem insistentemente. Não queria chorar tanto, mas parece ser uma luta perdida tentar segurá-las.

Apesar de ter escrito diversas cartas, eu ainda não consigo expressar corretamente todos os sentimentos que estão coabitando dentro de mim. Estou bravo, angustiado e ao mesmo tempo, catastroficamente devastado. Não consigo acreditar que você simplesmente se foi. Foi-se como uma miragem, algo criado por minha mente ilusória.

Talvez, seja melhor começar pelo momento em que você me deixou. Quando você se foi, para despejar todo seu amor em uma nova pessoa. Amor esse que eu pensei que fosse o dono, como eu estava errado. Não o culpo, afinal, eu era o único que estava me enganando achando que seu amor era exclusivo a mim. O seu amor era singelo e passageiro, porém, posso lhe afirmar que a dor que sinto, não é.

Você se foi em uma segunda-feira, pela manhã. Suas roupas já não estavam mais em nosso armário, misturadas entre as minhas. Seus sapatos não estavam mais jogados pelo quarto. Seu lado da cama, vazio e solitário. Era como se você nunca tivesse habitado aquele comodo. Seu despertador não havia tocado, me fazendo acordar acidentalmente como costumava acontecer. Você não estava na cozinha, fazendo barulho e uma enorme bagunça enquanto tentava fazer nosso café da manhã.

Foi como se você nunca tivesse existido.

Acordei às onze, e quando vi seu lado da cama vazio e o silêncio pairando sobre a casa, eu já sabia. Já sabia que você havia partido. Eu tinha conhecimento de que algum dia você iria embora, eu só gostaria de ter tido mais tempo para me preparar.

Sua frieza e descontentamento parecia frequentes nesse novo momento do nosso relacionamento. Esse um ano e meio dos nossos dois anos e meio de relacionamento pareciam como uma faca de dois gumes, não importasse o lado que segurássemos, sempre acabaríamos machucados. Seus relacionamentos com outras pessoas não eram segredos para mim, mesmo quando você discordava e dizia que eu estava ficando paranoico. Talvez eu estivesse.

Você me deixou um bilhete. Poucas palavras, escrito a pressa em sua caligrafia esplêndida. Dizia que você havia se cansado, não estava mais dando certo e queria algo novo em sua vida. Precisava seguir em frente, sem mim; você pediu para que eu seguisse em frente também. Eu fiquei zangado ao ler, acabei jogando todas as cobertas pelo chão e derrubei a prateleira com seus livros de poesia. Pensei em queimar todos, mas eles continuam sendo uma das únicas coisas que me fazem recordar que você foi real em minha vida.

Após meu surto de raiva, eu cogitei tomar um banho, pensar um pouco e relevar os motivos para você ter partido. Mas, não havia nenhum motivo concreto. Eu sempre fiz tudo o que você queria; sempre atendi aos seus pedidos e caprichos. Sempre ia junto com você ao parque nas noites de inverno, porque você gostava de fazer bonecos e anjos de neve justamente neste horário. Sempre comprava seu frappuccino todas as manhãs, sem exceções, como você desejava. Meu erro talvez tenha sido atender demais a você.

Então, eu te pergunto Jongdae, o que fez você se afastar aos poucos? Nosso relacionamento era monótono demais? Eu não era o bastante para atender a sua personalidade dominante? Eu era ciumento demais? Eu não era bom o bastante, em todos os sentidos? Será que nunca houve "nós" todos esse anos?

A parte do ciúmes eu até aprendi a controlar. Lembro da vez em que briguei com seu amigo Baekhyun, ele olhava e conversava demais com você; sempre próximo demais, como uma barreira que me impedia de chegar até você. Naquele dia, você ficou bravo comigo. Disse que eu era imprudente por sair brigando com Baekhyun sem motivo algum. Mesmo com todos os sermões ditos, você continuou ali, cuidando dos meus ferimentos e beijando meus lábios toda vez que eu soltava algum gemido de dor. Logo depois, você me fez um chá para que a dor passasse mais rápido. Passamos a noite juntos, você mexendo em meus cabelos e beijando o topo de minha cabeça.

Eu sinto falta daquela noite.

Assim como sinto falta de todas as noites em que passei com você ao meu lado — até mesmo aquelas em que você não se importava com minha existência.

Ás vezes, eu deito em sua parte da cama e fico lembrando as inúmeras noites em que deitamos sobre ela, especialmente durante o inverno. Felicidade preenche-me quando lembro de ambos tentando aquecer o corpo um do outro, nos abraçando o mais forte que conseguíamos. A distância entre nossos corpos era nula. Tão diferente de agora, que a distância se torna grande ao ponto de me sufocar. Pode parecer ridículo, mas a minha vida parece estar ligada a sua. Eu acabei por descobrir que existe uma lenda japonesa para isso. Se chama Akai Ito, ela diz que duas pessoas nascem ligadas uma a outra por um fio vermelho do destino. Mas, eu sei que você não está ligado a mim. É como se eu não soubesse viver sem que você esteja ao meu lado. Isso é errado? Provavelmente, já que você nunca voltará para mim.

Escrever as palavras "você" e "nunca" na mesma frase fazem meu coração doer, ao ponto de parecer um ataque cardíaco. A falta da sua presença me faz sentir dores inimagináveis. Você não deve estar sentindo o mesmo que eu. Deve estar feliz, afinal você está apaixonado por essa nova pessoa. Espero que não esteja sentindo a mesma dor que eu, isso acabaria me quebrando ainda mais.

Lembra-se do nosso primeiro encontro? Acredito que não. Você nunca foi de lembrar coisas "tão insignificantes como essa" — era o que você costumava me dizer. Mas eu me lembro, de cada mísero detalhe. De como eu estava ansioso para isso; de como passei semanas esperando para fazer uma reserva no melhor restaurante da cidade; de como passei quase três horas escolhendo uma roupa que demonstrasse que eu era a pessoa certa para você. Lembro-me de todos os detalhes de você naquele encontro. Desde como seu cabelo castanho escuro estava levemente bagunçado, ao modo como você colocava o garfo calmamente em sua boca e saboreava aquele pétit gateau de chocolate amargo. Nunca entendi seu fascínio por chocolate amargo, já que eu considerava um dos piores sabores de chocolate. Mesmo assim, todos os dias, eu compro uma barra de chocolate amargo e como enquanto assisto a um programa qualquer sobre música que estiver passando na televisão.

Isso me recorda das diversas vezes em que você se sentava no sofá e assistia a programa sobre música, seus olhos não desviavam da televisão em nenhum momento. Sua mão sobre meus cabelos, mexendo neles enquanto eu me encontrava deitado no sofá com minha cabeça sobre suas pernas fechadas. Sinto falta daquela forma simples e ao mesmo tempo aconchegante de carinho que você me dava. Você estava sempre tão distante, mesmo estando tão próximo a mim. Você nem deve imaginar o quão doloroso era para mim vê-lo ali, mas sua mente estar em outro lugar. Eu fingia não acreditar na verdade que estava embaixo do meu nariz; fingia que você estava ali, de corpo e alma, todo para mim. Mentir para mim mesmo era menos doloroso do que aguentar a verdade.

A que seu amor por mim havia chegado ao seu término.

Lembra-se do nosso primeiro beijo? Eu estava tão nervoso que minhas mãos não paravam de tremer. Não sei se você estava tão ansioso e nervoso como eu, mas você aparentava já estar aguardando por aquilo. Você estava? Naquele tempo, você sentia algo por mim? Essas perguntas e diversas outras me perseguem todos os dias. Eu sei que nunca terei uma resposta, você não está aqui para me responder. 

Posso dizer, que o modo como nos beijamos aquele dia, dava todas as respostas as minhas dúvidas perante o seu amor por mim. Aquele beijo, havia sido diferente de todos os que eu já havia sentido. Era tímido, cheio de expectativas e vontade. Pelo menos, eu senti isso enquanto seus lábios macios estavam sobre os meus. Fosse talvez, pelo fato de que naquele tempo, eu já estava perdidamente, incondicionalmente e completamente apaixonado por você; e isso fez com que tudo parecesse mais especial que o normal. Foi especial para você também?

Você deve estar cansado de tantas perguntas, certo? Me perdoe por fazer tantas, elas saem automaticamente. São tantas as perguntas que eu gostaria de lhe fazer, frente a frente. Algo me diz que você não teria as respostas para nem um terço delas. Minha mente continua se enchendo delas, e eu sei que você não poderá cessá-las.

Eu tentei seguir minha vida, como você me pediu naquele bilhete — que eu ainda guardo na gaveta junto com a minha foto favorita de nós dois juntos. Aquela foto que tiramos no natal do ano passado, em que eu estava com um nariz vermelho e você com orelhas de rena. Tiramos essa foto enquanto estávamos abaixo de um visco. Eu agradeço todos os dias a quem tirou aquela foto para nós — provavelmente foi Sehun, não me recordo tão bem —, pois ela é de grande importância para mim. Será que se eu soubesse que doeria tanto agora, eu teria desistido de você antes? Provavelmente não. Acredito que eu nunca desistiria de você.

Meu amor por você parecer aumentar a cada dia passado, por mais irreal que pareça. É como se a distância tivesse feito com que meus sentimentos por você alastrassem por todo meu corpo, e não anular, como eu gostaria que acontecesse. Porém, eu não me arrependo de estar, a cada dia passado, mais apaixonado por alguém que já não é — e não pode ser — meu.

Não vou mentir para você Jongdae, eu realmente tentei seguir em frente, e não estou falando isso por falar; não é algo da boca para fora. Todas as pessoas com quem eu saía, não pareciam saciar meu apetite. Eu precisava do seu amor, e não do amor dos garotos no bar com quem fiquei. Eu precisava dos seus beijos, do seu corpo. Mas, você não estava por perto, e eu tentei aprender a me contentar com o que eu tinha. Procurei prazer em várias pessoas diferentes, aos fins de semana. Atualmente, não é difícil achar prazer, você o encontra em diversos bares ou boates. Porém, ao término, eu nunca parecia estar satisfeito. Todas as pessoas que eu levava para a cama, nunca pareciam me satisfazer. Não mentirei, me enchiam de puro êxtase, ao ponto de fazer meus olhos se fecharem com o prazer, mas continuava sendo algo passageiro. Passei três semanas tentando entender o motivo de nunca estar saciado. Achei a resposta, finalmente, enquanto lia as cartas que você costumava me mandar quando passei alguns meses no Japão. Eu nunca estava saciado, porque não era você que estava ali. Não era você que estava me dando prazer.

Lembra-se do primeiro ano novo que passamos juntos? Naquele tempo, você estava começando a ficar frio, e eu, finalmente, tomei o tanto de coragem necessária para lhe dizer tudo o que estava preso dentro de mim desde antes do nosso relacionamento. Você sorriu, como em nosso primeiro encontro. E sabe, ver você sorrindo era a melhor imagem que existia para mim. Sinto falta dos seus sorrisos, Jongdae. Eu não os vejo a um bom tempo.

Com aquele simples sorriso, eu entendi que nossa relação estivesse se estabilizando novamente. E naquele dia, você me beijou com tanto amor que eu poderia até me sufocar. Naquela noite, você marcou e beijou todo meu corpo, enquanto escutava meus pedidos baixos e manhosos, implorando por mais. Aquela noite, eu posso dizer que foi uma das melhores da minha vida. Não só pelo sexo, mas porque você finalmente havia se aberto para mim. Você, finalmente, havia se entregado a mim. Ao ponto de dizer todo o seu amor, e jurar que ele era tão grande que duraria a eternidade. Você estava mentindo?

Quando a dor se torna insuportável, eu sento em sua poltrona, e penso nas diversas vezes que ficávamos pela sala. Você sentado em sua poltrona, e eu no sofá. Sempre pronto para caso você pedisse algo, preparado para atender a todas as suas manhas e caprichos. Tudo que eu sempre quis, foi te satisfazer em todos os sentidos.

Lembro do modo como você mexia em seus cabelos e recitava poesias que você sabia de cor e de trás para frente. Sempre que lhe via desse jeito, meu amor por você parecia aumentar. Eu estava constantemente me alimentando de uma falsa esperança.

A esperança de ter você para mim por toda eternidade.

Eu sempre costumava fazer algum comentário ou piada com as poesias que você recitava, e você sempre acabava irritado. Seu maior amor era as poesias — acredito que você as amava mais do que a mim. Seus lábios se fechavam e você ficava em silêncio. Observar seus lábios era como ver uma obra de arte. Seus lábios eram minha fissura. Seu corpo era minha obsessão.

Seu ser era minha vida.

Eu não sei corretamente se essa carta chegará até você. Espero que o endereço que Chanyeol me deu seja o certo. E se por acaso, essa carta realmente chegar em suas mãos, eu não espero uma resposta. Sei que uma resposta nunca chegará a mim, você deve estar bastante ocupado. Desta carta, eu espero que arranque um ou dois sorrisos seus — talvez, uma ou duas lágrimas. Eu só gostaria de alguma reação vinda de você, mesmo que eu não esteja pessoalmente para vê-lo.

Como estamos no inverno, não fique saindo de casa sem motivos. E se tiver que sair, lembre-se de colocar roupas quentes e confortáveis. Eu não quero que você pegue uma gripe ou algo assim. Espero que esteja bem e saudável. Estou saudável, e provavelmente ficarei bem num futuro longínquo, portanto, não se preocupe.

Eu continuarei te amando, mesmo que seu amor seja de uma pessoa que não sou eu.

Você sempre me terá, nunca se esqueça.

Seu, agora e sempre.

Kim Minseok.



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