História Thieves of Dario - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga)
Visualizações 414
Palavras 3.128
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus anjos! Tudo bom?

Eu não tava planejando postar essa oneshot tão cedo, mas ontem foi meu aniversário e queria fazer algo especial por aqui. Thieves of Dario marca o meu retorno ao site!
Espero que gostem do que lhes trago. Ela foi importante pra me fazer voltar pra escrita depois de tanto tempo parada. Ainda to no processo de conexão com as histórias, por isso nenhum capítulo de continuidade foi postado. Mas logo logo tudo volta ao normal como há oito meses.
Não desistam e também não pensem que abandonei.

Eu tive essa ideia de plot enquanto eu conversava com a @Sarah-A no Twitter. Queria deixar o momento registrado aqui, hehe. Obrigada pela luz que me deu e que me tirou do bloqueio criativo, miga! (To esperando sua versão Yoonkook, hehe)

É isso!

Divirtam-se!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Há uma pequena neblina sobre a esquina da Rua Rockfeller com a Avenida Hercule Poirot. E talvez seja pela frente fria chegando à cidade ou talvez seja só para caracterizar todo um cenário furreba de um suspense hollywoodiano meia boca. Até porque também há possas entre o meio fio e o asfalto, vapor saindo dos bueiros e um cheiro ruim característico do centro da cidade.

E eu até falaria de como as ruas parecem estranhamente desertas hoje, mas logo me lembro de que o relógio marca três horas da manhã e uns quebrados minutos cretinos.

E é terça-feira.

Ou quinta?

Enfim, isso não é lá muito importante...

O importante é que os vidros da loja estão intactos, os alarmes desligados e não há sinal algum de polícia à vista. Também pudera, devo mesmo ter gastado todos os meus restantes neurônios em hackear todo o sistema de segurança dessa loja cretina. Quem iria adivinhar que um comerciozinho meia boca de instrumentos musicais poderia ter três sistemas diferentes? Com IPs diferentes?

Eu que não. Até porque já entrei em lugares muito mais valiosos por menos.

Bem menos.

Essa merda de piano precisa mesmo ser importante pra ele.

Confisco a tela do celular mais uma vez. Mas não existe nada por ali. O que faz com que eu pense que, dessa vez, Yoongi deve mesmo estar chateado. Não é por menos, afinal. Foram sete dias desaparecida. E eu até mandaria uma mensagem ou arriscaria fazer uma ligação, mas eu estava ocupada demais recebendo choques no meu cérebro ou trepando em árvores para me esconder quando fugi daquela gangue maldita.

Não estava nos meus planos ficar tanto tempo fora, obviamente. Mas o lance todo com o decodificador deu errado e o alarme soou forte pela residência inteira. E, bem, se existem dias em que as coisas não podem dar errado, esse era um deles. Até porque era mesmo a casa do chefe do tráfico do sul da cidade. E, levando em consideração sete dias sumida, nenhum esforço foi poupado em tentativas de arrancar alguma informação útil de mim.

Não que tenha valido de algo, mas as tentativas foram boas, preciso admitir.

Volta e meia eu ainda sinto meu cérebro sofrer espasmos...

Respiro fundo e cruzo os braços, impaciente. Tenho-me apoiada contra o prédio histórico, minhas costas na parede fria e suja. E se fosse em outros tempos – e se não fosse Yoongi -, eu já teria dado o fora daqui. Mas nem preciso dizer que ele tem certa vantagem e que mereço essa espera vagabunda nessa esquina molambenta. Até porque foi uma semana inteira. Tanto sei do fato que ainda estou aqui. Que planejei por dois dias invadir a sua loja de instrumentos musicais favorita. Que hackeei a merda do sistema de segurança só por causa de um piano branco que ele namora já tem meses da vitrine.

Ok. Eu sei. Sei bem que eu poderia ter feito algo mais profundo e sentimental. Que poderia mesmo ter roubado o piano e entregue em sua casa. Mas vamos por partes. Yoongi mora em um apartamento tão pequeno que a cama é também sua mesa de jantar. E se esse não fosse o problema, me diga como eu levaria um piano de vinte mil toneladas pro seu apartamento? Um piano roubado?

Eu sou ladra, sou uma ótima hacker e tenho certeza que ninguém me bate no lance de arrombar portas de primeira. Mas eu ainda não consegui desvendar o mistério por detrás do teletransporte.

Ainda.

Sem contar que não quero enfiar meu namorado nesse mundo imundo. Até porque ele realmente acredita que presto assistência a novos franqueados. Cafés. Lojas de café. Trabalho com elas. Ele acredita nisso desde a primeira vez que nos encontramos.

A primeira vez que nos encontramos. Hm.

Eu estava prestes a seguir um gerente de banco quando Yoongi se atravessou na minha frente. Veio com um papo meio esquisito de que respeitava mulheres. Quis mandar ele se foder, mas logo depois eu entendi que ele tentava me ajudar. Meu vestido tinha se prendido na calcinha e boa parte da minha bunda estava à mostra. Foi um fiasco e resolvi pagar um café pra ele em agradecimento só pra eu me sentir um pouquinho melhor.

Só que deu que rolou alguma coisa bizarra em mim e eu quis seguir em mais um encontro. Eu nunca faço dessas. Mas engatei um outro. E depois em outro. Depois uma transinha casual no banco detrás do táxi. Sua casa minúscula. Uns cinemas. Um eu te amo.

Completamos sete meses.

E estamos aqui.

E é até meio esquisito essa coisa toda, mas eu me sinto mesmo bem por ele achar que sou uma pessoa íntegra e de um belo caráter. Quero que continue assim. É por isso que não roubei piano nenhum. Tudo que dei pra Yoongi foi comprado. Com dinheiro roubado, mas mesmo assim. Eu comprei, não foi? Não dá pra exigir muito de mim, está bem?

E, ok, que eu invadi mesmo uma loja de instrumentos musicais só para ele finalmente tocar àquele piano. Mas essa foi uma exceção, é sério. E não estou fazendo nada de ruim por aqui. Só desvendei uns códigos e abri umas portinhas.

Prometo que seu próximo presente vai ser mais honesto. Não completamente, você sabe. Porque ainda vou roubar o dinheiro... Mas me arrumarei bem bonitinha para comprar um teclado digital - porque o piano ainda é muito grande -, farei um seguro e tudo mais. Ele vai ser entregue na porta da sua casa em alguma terça-feira esquisita.

Ou quinta.

Enfim, isso não é lá muito importante...

Saco meu celular do bolso outra vez. A tela ainda é negra, sem vida nenhuma. Pondero então por mais quanto tempo devo esperar. A loja abre às 9h, mas o dono sempre aparece uma hora antes pra organizar o caixa e polir o bendito piano. Daria pra eu ficar aqui até, o quê? Sete da manhã? Respiro fundo e faço uma contagem rápida nos dedos. Três horas e um tanto esperando. Acho que seria uma boa vingança, não é?

Mas antes que eu complete o pensamento sobre rancores e vinganças, a tão conhecida figura magra e encolhida de Min Yoongi aparece do outro lado da rua. Os cabelos louros apontando para todos os lados e seu torço coberto por camisa e suéter. E senti sua falta. Senti falta do seu nariz pequenino e dos seus olhos caídos. Senti falta da curvatura de seu pescoço, um cheirinho de talco inconfundível. Senti falta de sua boca rosada e de como ele me olha. Senti tanta falta que se minha mãe não estivesse presa e meu pai desaparecido, eu faria uma jura envolvendo um jantar bonito para apresentações formais.

– Se perdeu no caminho? – Grito debochada, vendo-o atravessar a rua. Ele cruza os braços em desprezo. – Quase congelei aqui.

– Não tá tão frio. – Fala rancoroso, ainda está longe. – Você já me fez esperar bem mais.

Auch, essa doeu.

– E não é minha culpa também que você gosta de trabalhar até tarde e me vem com esses encontros malucos de madrugada! – Ele finalmente termina de atravessar a rua. Mas sua voz ainda é alta, cheia de amargor. – Eu tenho aula no outro dia, você esquece?

Claro que não esqueço. Inclusive sei sua grade acadêmica de cor e salteado. Sei os horários e tudo. Curso de Música. Licenciatura. Eu sei das coisas, Yoongi. Sei até das suas notas antes mesmo delas serem lançadas no sistema. Não esqueço nenhum detalhe que seja seu.

Penso em retrucar, em sair devassa, maliciosa. Mas antes mesmo que ele me alcance, vejo seus olhos crescerem em pavor. E congelo, me desencostando da parede rapidamente. Todo o possível rancor voando para longe, fugindo ao contornar a esquina do outro lado da rua. Sua voz vem em peso:

– O que aconteceu no seu rosto?

Quero soltar um grunhido sofrido e frustrado. Eu esqueci completamente da surra que levei no início da semana. Um supercílio rasgado e uma maçã do rosto roxa. Há também um corte nas costelas e um joelho deslocado, mas enquanto estiverem fora do alcance dos olhos densos de Min Yoongi, não me são problemas.

– Foi o boxe. – Minto. Revivendo àquela mentira escrota de quando apareci sem um dente. – Subi de nível e... Você sabe.

– Subiu de nível? – Franze o cenho, inconformado. Suas mãos não se demorando em aninhar meu rosto com cuidado. – Você aparece quebrada quase sempre e te subiram de nível?

– Não apareço quebrada. – Falo ofendida, girando os olhos. Ele me analisa meticulosamente. – Eu sou boa, por isso me subiram.

– Isso é idiota.

Fala, passando o polegar levemente pela minha maçã do roxo. É tanto zelo...

– Já estão cicatrizando, não precisa se preocupar.

Ele solta o ar forte pela boca rosada. E quero sorrir, porque seu rosto inteiro é uma cantiga agradável de ninar. É familiar, confortável e gostosinho de olhar. Yoongi é toda a paz que encontro no meio de um caos escroto e sem cabimento. Todo o cuidado que tem comigo, toda a calma que tem ao deslizar os dedos longos pelas minhas curvas. Ele é como uma gota d’água em meio a minha seca.

– Por que sumiu? – Pergunta, de repente se afastando. O rancor não contorna a esquina para voltar aos seus olhos, mas consigo ver uma pontinha de chateação ali. – Mandei mensagem todos os dias, liguei, mas você não atendeu. Por onde andou?

– Precisei viajar a trabalho. – Verbalizo minha mentira deslavada. – Susy foi junto.

Acrescento para dar credibilidade. 

– Podia ter mandado mensagem.

– Eu sei. – Ergo os ombros, arrependida. – Mas meu celular deu problema. Precisei comprar um novo.

E de fato precisei. Até porque troco de aparelho toda a semana. E de sim card também. O único que ainda não descartei é o que leva o número de Yoongi e somente o número de Yoongi.

Respira fundo, os olhos buscando nada em nossa volta. Só para que ele não precise me encarar.

– Susy não ficaria fora por uma semana inteira. – Ele devolve, magoado. – E os cachorros dela?

Fico o encarando por um tempo, tentando pensar em mais alguma mentira estúpida. Mas não me vem nada. Até porque Susy não existe, pra começo de conversa. Ela foi uma invenção maluca no meio de um desespero cruel para tentar arranjar uma boa desculpa para Yoongi. Não lembro como me surgiu e não me lembro em que momento exatamente. Mas ela ganhou vida. E sua existência é tão consistente, tão verdadeira, que ele acredita fielmente na integridade de Susy. No caráter e na paixão que minha amiga de trabalho tem por seus cachorros também inventados. Mesmo nunca tendo visto uma foto sequer da desgraçada.

Mas, em sua defesa, se Susy existisse, seria mesmo uma bela de uma amiga e pessoa. Companheira, muito fiel. Já teria me acobertado em dezenas de noites em que não apareci, mas que deveria ter aparecido. O nosso aniversário de namoro de quatro meses é um bom exemplo disso. Ficamos presas em um engarrafamento na estrada que reparte a cidade. Não porque eu tinha ficado trancada na porcaria do cofre de um banqueiro imbecil...

– Yoongi, era trabalho. – Explico finalmente. – Ela precisou deixar com os pais.

– Foi muito tempo. Tava mesmo trabalhando?

Quase acho graça.

– Tava. Até porque trabalho é a única coisa que me impede de me algemar na sua cama.

Vejo um sorriso lhe pegar o canto da boca e ele gira o rosto rápido para a rua. Mas isso já me basta. Ele nunca consegue ficar bravo comigo por muito tempo mesmo...

– Enfim, isso não importa agora. – Falo, o puxando pelo suéter. Ele cambaleia em minha direção, o cheirinho de talco tocando meu nariz em um detalhe. – Te chamei pra outra coisa.

– Sim. Três horas da manhã. – Responde sentido. – Você precisa maneirar no trabalho. Não acho que contar estoque de madrugada te ajude em algo.

– Sempre ajuda.

Afirmo, dando um sorrisinho e o puxando. Seu corpo esbarra no meu e eu lhe roubo um beijo no canto dos lábios. Suas bochechas corando no topo e eu me sentindo transbordar.

Ok, – começa vencido. – O que viemos fazer aqui? Por que na frente dessa loja?

Sorrio grande, arrumando a gola de sua camisa e ajeitando uns fios de cabelo caídos em seus olhos.

– Ela é sua loja favorita, não é? – Pergunto, o puxando comigo até a porta de vidro. Porta intacta de vidro. É preciso ressaltar. – Consegui algo.

Seu cenho se franze, confuso. Arrasto-o para mais perto e abro espaço, a porta se abrindo com facilidade com o pequeno empurrão que dou. E lá está, a loja inteira ao nosso dispor coberta pela luz da lua e dos postes. E um Yoongi surpreso perdendo alguns segundos para entender.

– O que é isso?

– Vai entrar ou não?

Ele então se desvencilha dos meus braços e entra sem nem titubear. Seus olhos são duas luas gigantescas e sua boca é aberta em um pequeno o fofo. E quero entender o que se passa na sua cabeça agora. Queria o decodificar, queria que seus pensamentos fossem códigos. Binário, Morse. Seria mais fácil de desvendá-lo.

– Como você conseguiu a chave?

Sua voz vem fininha, quase inaudível. E quero rir. Mas não sei exatamente por qual motivo. Por ele ainda não ter descoberto a namorada vigarista que tem ou por todo o nervosismo que me pega o estômago por cogitar seu descobrimento.

– Conheço uns caras.

Dou de ombros, vendo-o se virar para mim. Os olhos me medindo em curiosidade.

– Conhece uns caras?

– É... A Susy tem uns parentes que tem uns amigos... Sabe como é... Tem também alguns franqueados de café no meio. É uma teia de relacionamentos gigantesca.

– Como descobriu?

Ele pergunta, mas não está prestando tanta atenção assim. Sua voz é aérea e seu rosto se vira para todos os lados, como se não quisesse perder nenhum detalhe. E devo dar o braço a torcer. A loja é mesmo bonita. Talvez eu entenda agora tantos sistemas de seguranças. Mas só talvez.

– Foi destino.

Falo qualquer coisa e ele assente entendido, os pés caminhando pela loja escura com cautela, como se fosse um segredo. O que realmente é. Há toda uma cautela, uma paixão envolvida em seus movimentos tão sutis.

– Podemos ligar as luzes?

– Não acho uma boa ideia. – Digo sincera, vendo-o se iluminar a cada detalhe que alcança. – Estamos sozinhos aqui, é perigoso.

Mas ele não parece se abalar, continua a caminhar e contornar coisas. Suas mãos tocando delicadamente os materiais que sempre quis tocar, mas que nunca teve coragem. E eu o sigo, distante, lhe dando espaço. É bonito de ver. Não só sua maneira infantil de receber meu presente tão simples, mas seu ser.

E aqui e agora me atrevo a dizer que se Min Yoongi fosse uma pintura a óleo enfiada em uma sala especial de algum museu importante do mundo, eu o roubaria. Poderia passar dias na tubulação de ar, trancafiada num cofre difícil de decodificar ou receber uma sequência grotesca de choques no cérebro. Eu o roubaria sem nem pensar duas vezes.

– Essa é sua loja favorita por alguma razão. – Jogo e, mesmo de longe, consigo ver seus olhos correrem em busca no piano de cauda branco. – É sua chance de tocar nele.

– Você me trouxe pra isso?

Ele arrisca um olhar rápido para mim, nervoso.

– Pra que mais seria?

– Eles não deixam ninguém encostar nele. – Ri sem humor. – Não sei se...

– Eles quem? – Cruzo os braços e ele me olha em expectativa. – Você vê alguém aqui além de mim?

Seu olhar se desvia novamente para o instrumento grande, robusto, bem ao centro da loja. É uma atração a parte. A personagem principal de um enredo bonito e nostálgico.

Yoongi vai e vem. Me olha e o olha. Hesita o que deve ser oito vezes. Nove. Onze. Aperta as mãos contra o tecido do casaco e ri incrédulo. Mas quando eu menos espero, suas pernas se movem decididas.

Um passo de cada vez. Passos largos e sem arrependimentos.

Ainda parece deslumbrado quando se descobre tão perto do objeto de desejo por tanto tempo. Limpa as mãos na calça jeans, afobado. Desajeitado, se enfia entre o piano e o banco.

– Que música você quer ouvir? – Pergunta animado, se ajeitando melhor e apertando as mãos em entusiasmo. – Pense em uma com piano, vou tocar para você.

Fico um tempo pensando. E penso mesmo, mas não consigo chegar a nada muito profundo. Até porque meus conhecimentos musicais se resumem a playlists prontas no Spotify.

How to be a badass woman.

É a melhor delas, inclusive.

– Não dá. Só consigo pensar naquela de As Branquelas.

– A Thousand Miles? – Pergunta na lata e assinto. – Ah, qual é?

– É uma boa música! – Retruco. – Não vem com essa.

– Não disse que não era.  

E ficamos em silêncio por um tempo. Yoongi parecendo pensar e pensar.

– Já sei.

– Eu conheço? – Ajeito-me em um banco de bateria, buscando as baquetas sem muita emoção. – Deve ter alguma da Lady Gaga...

– É do seu filme favorito.

Ele me interrompe e eu franzo meu cenho consideravelmente, as baquetas quase batendo ao chão quando meus braços caem ao lado de meu corpo.

– Meu filme favorito?

Vejo-o assentir, cheio de certeza. O que é curioso, porque não me lembro de ter de fato um filme favorito. Até porque eu nunca passo dos primeiros 10 minutos...

Só que não retruco e o espero. Yoongi toca a primeira tecla e para. E o observo em curiosidade. Ele ainda se tem em um deslumbre ingênuo, levando certo tempo para dar continuidade à canção. Uma tecla, depois a outra. Talvez dois minutos para recobrar o ritmo e então percebo.

E entendo.

Ela é realmente familiar aos meus ouvidos, um flutuar nobre de notas musicais. E me lembro. É de Orgulho e Preconceito. E ele, de fato, não é meu filme favorito. Pouco sei do enredo, mas lembro da canção. Me lembro também de ter mostrado meu favoritismo só porque naquela noite Yoongi me abraçava apertado e meu rosto era enfiado em seu peito. Eu me sentia cuidada e um ser humano incrível depois dele ter me feito massagens nos pés e dito um eu te amo manhoso e arrastado.

Não era o filme que era meu favorito, era ele.

E sorrio no escuro, em segredo. Vendo Yoongi se afundar em teclas e sentimentos. As mãos correm para acertar o ritmo e os olhos são linhas finas concentradas. Todo o amor inocente que carrega explodindo para todos os lados nessa loja de esquina. Uma vida inteira contada por seus dedos e sua paixão.

E aqui e agora eu tenho certeza.

Todo o sufoco de hackear aquelas porcarias de IPs valeram a pena. Teria hackeado mais cinquenta se fosse preciso. E, me dando permissão para ser uma romântica inconsequente e um tanto extrema, me atrevo a dizer que se fosse preciso, levaria uma infinidade de sequências grotescas de choques no cérebro também.


Notas Finais


Tava com muita saudade daqui.
Parabéns pra mim!

Pra quem quiser ler mais histórias minhas:
- Acompanhante de Aluguel [Jungkook]: https://spiritfanfics.com/historia/acompanhante-de-aluguel-9533904
- Apartamento 303 [Yoongi]: https://www.spiritfanfiction.com/historia/apartamento-303-9235148
- Clair de Lune [Taehyung]: https://spiritfanfics.com/historia/clair-de-lune-6856003
- Era fim de outubro [Jimin]: https://spiritfanfics.com/historia/era-fim-de-outubro-6891725
- Jean-Michel Basquiat [Jimin]: https://spiritfanfics.com/historia/jean-michel-basquiat-10504516
- Tu volta na sexta, né? [Yoongi]: https://spiritfanfics.com/historia/tu-volta-na-sexta-ne-6981248

- JK Appa Meme [Tumblr de histórias]: https://www.jkappameme.tumblr.com

A gente se vê na próxima? Eu espero que sim.

(Acompanhante de Aluguel tá sendo escrita. Não tenho data de atualização ainda.)


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