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História Thin Ice - Capítulo 9


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Capítulo 9 - A origem do amor


Fanfic / Fanfiction Thin Ice - Capítulo 9 - A origem do amor

 

“Quando a Terra ainda era plana
E as nuvens eram feitas de fogo
E as montanhas iam até o céu
Às vezes além
Povos vagavam a Terra como grandes barris rolantes
Eles tinham dois pares de braços
Eles tinham dois pares de pernas
Eles tinham dois rostos saindo
De uma cabeça gigante
Para que pudessem ver tudo em volta deles
Enquanto falavam; enquanto liam
E eles não sabiam nada do amor
Isso foi antes da origem do amor
A origem do amor

E havia três sexos então
Um que parecia com dois homens
Grudados pelas costas
Chamados de Filhos do Sol
E similares em forma e circunferência
Havia os Filhos da Terra
Eles pareciam duas garotas enroladas em uma
E os Filhos da Lua
Eram como um garfo em uma colher
Eles eram parte Sol, parte Terra, parte filha, parte filho

Quando os deuses ficaram um pouco assustados
Com nossa força e intimidação
E Thor disse: Eu vou matar todos com meu martelo
Como matei os gigantes
Mas Zeus disse: Não
É melhor deixar-me usar meus raios como tesouras
Como quando cortei as pernas das baleias
E transformei dinossauros em lagartos
Então ele pegou alguns relâmpagos
E deixou escapar uma risada
Disse: Eu os dividirei bem ao meio
Vou cortá-los bem na metade
E nuvens de tempestade se juntaram lá em cima
Como grandes bolas de fogo

E então fogo caiu do céu em raios
Como lâminas brilhantes de facas
E rasgaram direto a carne
Dos Filhos do Sol e da Lua
E da Terra
E algum Deus hindu costurou o ferimento
E transformou-o num buraco
Colocou-o em nossas barrigas
Para lembrar-nos do preço que pagamos
E Osiris e os deuses do Nilo
Fizeram uma grande tempestade
Para soprar um furação
Para nos espalhar
Numa enchente de vento e chuva
Num oceano de maremotos
Para nos levar para longe
E se não nos comportarmos
Eles vão nos cortar de novo
Nós estaremos pulando sobre um pé
E olhando por um olho“

 

-E você acredita nisso? Parece uma longa e intensa viagem de LSD – Axl mencionou, rindo, passando os dedos pelos fios de cabelo de Willow, enquanto o rosto da garota repousava em seu peito, fitando a neve acumulada na varanda do ruivo – aonde você viu isso?

-Eu ouvi numa música, mas é real ok? – arqueou a cabeça, o fitando nos olhos – não acredita em mim?

-Parece loucura, só to falando isso – arqueou os braços em brincadeira, como se estivesse na defensiva.

-eu era apaixonada por mitologia quando era adolescente, me respeita.

-Você também fumava muita maconha quando era mais nova?

-EI! – O cutucou, fazendo Axl gargalhar – me respeita garoto, só as vezes.

-Então você já usou drogas, meu deus estou impressionado.

-Por que? Não acha que eu posso ser rebelde? – se sentou.

-Rebelde sim, mas zé droguinha?

-Tá bom aspirador de pó – Axl a puxou de volta.

-Quieta o cu, Will!

-Tá falando consigo mesmo? – implicou, se aconchegando novamente em seu peito – e ok, talvez você esteja certo, eu não era de fumar muito, faz mal pro pulmão e eu preciso deles pra patinar, INCLUSIVE.

-NÃO COMEÇAAAAA – resmungou a empurrando pro lado, mas ela engatinhou novamente até ele.

-Vai parar de fumar quando?

-Eu? Fumar? Sei nem o que é isso – desviou o olhar.

-Ta bom o linguinha de nicotina.

-Ué prova de novo pra ver se eu fumo mesmo, duvido – abriu um sorriso sacana, recebendo em retorno a pequena mão de Willow sendo esfregada em seu rosto.

-Abestado.

-Eu amo seus xingamentos, eles são tão bons quanto de uma criança de 10 anos.

-Você tem cara de quem já roubava carro com 10 anos – ela provocou, esfregando a perna na dele.

-Isso é mais coisa do Duff.

-MEU DEUS VOCÊ CITOU UM DELES SEM SER EM UM TOM PEJORATIVO! – Se sentou mais uma vez, batendo palmas – parabéns, William, seu progresso é notório – imitou um psicólogo.

-Eu vou te matar meu deus – gargalhou com a imitação da garota.

-Mas sério, é bom te ver falando deles sem ser “EU VOU MATAR ESSES FILHOS DA PUTA QUANDO EU SAIR DAQUI” – dessa vez imitou Axl, enquanto apontava o dedo em sua direção.

-Eu ainda vou matar eles – pegou o dedo da garota – e essa foi uma péssima imitação minha.

-Ah é? – cruzou os braços – tenho que fazer o que pra parecer mais contigo? Quebrar alguma coisa? Ou fazer a dancinha da cobrinha?

-Dancinha da cobrinha? – ele se sentou de frente para Willow, a sobrancelha arqueada e a expressão de pura confusão.

-É ué, igual naquele clipe lá, da música da selva – tombou a cabeça para o lado – qual é, você sabe de qual eu to falando.

-Welcome to the jungle? Você tem que aprender o nome das minhas músicas, ta ficando deplorável já, por mais adorável que seja – esticou uma das pernas para cima da garota – música da chuva, agora a música da selva.

-Tá bom Tarzan – pos as mãos na perna de Axl, a fitando. Passou a mão pelo moletom, até chegar aos pé descobertos do homem – seu pé parece pé de escultura grega.

-Isso é um elogio? – questionou, querendo rir.

-Qualquer pé que não é o meu eu já acho lindo – passou a mão na parte de cima do pé de Axl e em seguida tocou com a ponta de seu indicador, o topo de cada dedo dele.

-Por que isso? Tenho certeza que seu pé é perfeito – mexeu os dedos do pé, brincalhão.

-Tem dois tipos de pé que você nunca quer ver, pé de bailarina e pé de patinadora, é a coisa mais horrenda do mundo, vai te dar pesadelos.

-Duvido.

-Eu não vou te mostrar meu pé, ruivinho.

-Agora eu to curioso poxa – bufou , jogando a cabeça para trás – porque você acha que pé de patinadora é feio?

-Você já viu o que eu tenho que fazer pra patinar? – ela riu, sarcástica – eu tenho marcas eternas de fita e elástico no meu pé, sem contar que minhas unhas são roxas ou verdes, ou até os dois – Axl fitou os pés de Willow, cobertos por uma meia grossa – patinação fode com seus pés, tudo dói na verdade.

-Você tá com dor agora? – falou, um tanto preocupado.

-Eu tenho minhas dores que vão ficar comigo pra sempre, principalmente nas costas e na coxa, mas é algo que você aprende a lidar – deu de ombros – o pior são as unhas encravadas, mas eu aposto que você deve ter suas dores também, dores de cantor.

-Pior que eu tenho, jogou outra perna pra cima de Willow, a deixando entre suas coxas – minha garganta é a que mais sofre, eu tomo um monte de coisa pra ela ficar boa, enche o saco as vezes, toda gripe parece uma sentença de morte.

-Deve ser assustador – esfregou as mãos nas pernas da garota – quando eu sofri o acidente eu fiquei com medo de que nunca mais patinaria.

-Use da sua sorte então e volte a saltar, igual um coelhinho – se aproximou dela.

Willow se aproximou para um beijo, encostando a ponta de seu nariz na de Axl, mas ele recuou, a deixando profundamente confusa.

-O que foi? Já enjoou de mim?

-Não, é que antes quero ver você fazer a dancinha da cobra – sorriu, diabólico.

-Axl eu não sei dançar – empurrou o peito do garoto com o pé, o fazendo deitar na cama, gargalhando.

-Você dança, só que de patins!

-Querido sem patins e gelo embaixo de mim dançar comigo é igual dançar com uma vassoura, meus pés tem zero coordenação motora – arqueou as pernas, balançando seus pés no ar, seu jeans preto sequer se movendo.

Axl, oportunista, agarrou os pés da morena e vendo o espanto nos olhos dela ao sentir as mãos do garoto na parte de seu corpo que mais desprezava e ainda em uma posição um tanto quanto...sexual, bem entre suas pernas, a parte traseira de suas coxas encostando na parte da frente das dele, uma ótima posição para foder, pensou por um segundo, sentindo seu coração disparar só de pensar na possibilidade de tê-lo dentro dela.

-Você dança ou eu vejo seu pé – ameaçou puxa a meia.

-VOCÊ É DIABOLICO – ela gritou, tentando sair daquela posição, mas Axl se mantinha firme, a fitando nos olhos – TÁ BOM EU FAÇO SUA DANCINHA, DEMONIO.

-Era só isso que eu queria ouvir – a empurrou pelo calcanhar.

-Tá, mas você canta então – se arrastou até a ponta da cama, finalmente se levantando.

O chão estava um pouco escorregadio devido a sua meia e por um segundo considerou tira-la, se arrependendo antes mesmo de tomar tal decisão.

-Tudo bem – deu de ombros, sentando na beirada da cama, as pernas aberta e as duas mãos apoiadas na cama, um pouco atrás de onde sentava – vai, dança pra mim.

-Merda, eu tinha certeza que  você ia dizer não – suspirou, ajeitando a blusa de moletom vermelho escuro.

-Vou começar a cantar ein – Axl sorria, se divertindo horrores com a situação enquanto Willow pensava em diversas maneiras de assassiná-lo.

-Tá pera, mas você vai cantar a guitarrinha ou só a letra?

-A guitarrinha? – gargalhou – eu não sei eu não pensei

-Começa com o tu nununum tu nununum – sacudiu os braços, apreensiva.

-Tá – riu ainda mais alto.

-PARA DE RIR SE NÃO EU DESISTO

-TÁ BOM COBRINHA, TU NUNUNUM TU NUNUNUM – Começou a canta a “guitarrinha” e Willow começou a se mover, um tanto contida balançando o corpo de um lado para o outro, mas ainda sem fazer a dancinha da cobra.

“Welcome to the jungle, we've got fun and games
We got everything you want honey, we know the names
We are the people that can find whatever you may need
If you got the money, honey we got your disease”

-Ok você dança meio assim – começou a balançar a cintura de um lado para o outro, com os braços para cima, tentando imitar o vocalista com sua famosa “dança da cobrinha” – também tem o masturbando o pedestal do microfone – o fez com um microfone imaginário – também tem os pulinhos de perna – a menina começou a pular e dublar o que Axl cantava, finalmente chegando ao ponto em que Axl não conseguia mais se manter sério e cantar, caindo em uma gargalhada tão gostosa que até Willow riu, se sentindo boba com toda a situação.

-Você sabe muito mais do que eu imaginava, será que é uma fã fingindo não ser pra me conquistar? – passou a mão nos cabelos.

-Olha se continuar rindo eu vou embora já me humilhei demais por hoje, a culpa não é minha se seu clipe passava em looping na MTV – fez drama, caminhando até a porta e ameaçando sair, mas Axl foi mais rápido a puxando pela cintura, para longe da porta e caindo para trás na cama, com Willow por cima.

-Foi lindo, simplesmente uma obra de arte ok – ela se jogou pro lado, se sentando novamente na cama, fitando o ruivo ainda deitado na cama, notou que Axl ficou pálido e parecia estar meio mal – desculpa, acho que minha pressão caiu.

-Que remédio você tá tomando? – se aproximou, ajudando Axl a se sentar.

-Ah, é só que eu não jantei, não é nada demais – passou a mão pelos cabelos, sentindo uma ânsia de vomito se abrigando em seu estomago.

-Qual remédio Will? – acariciou as costas do homem, que se manteve em silêncio, com a cabeça agachada – qual é? Eu te conto tudo, por que você não pode me falar o que tá tomando pra eu poder te ajudar?

-Willow, tá tudo bem – se levantou, um pouco zonzo – viu, to ótimo.

-Deus como você é teimoso – suspirou, o olhando um pouco decepcionada – se não quer minha ajuda tudo bem – se levantou, ajeitando seu moletom – você devia se deitar, vou ver se arrumo algo pra você comer.

-Willow, desculpa, não quero que você fique chateada é só que... – começou a falar, mas foi rapidamente interrompido pela morena.

-Tá tudo bem, só deita e descansa, acho que tenho um donut guardado no meu quarto, já volto.

E sem mais delongas, Willow saiu do quarto, demorando certa de 10 minutos para retornar, com uma expressão completamente diferente de antes, emanando desanimo. Axl estava sentado na cama, se sentindo fraco, quando viu a imagem da face da morena agachada a sua frente, ela o entregou o donut e o fitou nos olhos por algum momento, tentando ler as entrelinhas de suas pupilas, mas não conseguia ver nada direito, pois Axl mantinha o olhar fixado no chão.

Se sentou ao lado de Rose, passando a mão nas suas costas, de cima para baixo, enquanto fitava o armário do quarto do ruivo. Um turbilhão de pensamentos passou por sua mente enquanto o silêncio perpetuava e Axl mordiscava o donut.

A verdade é que Willow não tinha tido muitos relacionamentos românticos em sua vida e somente havia se apaixonado uma vez, muitos anos atrás, o que culminou em um coração quebrado e nunca 100% curado. Seu nome era Eric e haviam frequentado o ensino médio na mesma escola. Eric trabalhava em uma das poucas lanchonetes da cidade e era onde Willow passava a maior parte de seu tempo, quando não estava patinando. Acabou que seus horários não batiam e por mais que fosse completamente apaixonado pelo garoto a ponto de abrir mão de algumas horas de prática no gelo, ainda sim, sua verdadeira paixão estava no ringue e Eric não conseguia lidar bem com isso. Acabou que foram se afastando e no final das contas, terminaram em uma discussão um tanto quanto rude e intensa. Desde então nunca mais quis se apaixonar, muito menos namorar, seus dois anos de namoro com Eric haviam sido o que ela acreditava, o seu destino amoroso e somente isso, se contentando com alguns encontros e fodas sem sentimentos, sempre fugindo para o ringue e agora que não o tinha como antes, sentia um vazio no peito absurdo.

Tinha se acostumado a ser solitária, nunca foi de ter muitos amigos visto que enquanto os outros iam para festas e se divertiam, Willow estava ocupada demais destruindo seus pés em horas e horas de prática que culminavam em todos se afastarem, menos sua única amiga, que também era patinadora. Era comum os almoços sozinha, as festas de aniversário vazias, a falta de alguém para desabafar e a verdade é que não se incomodava mais tanto com isso, achando aconchego em músicas, livros e no gelo.

Não conseguia esconder, estava um pouco frustrada em ver Axl se fechando pior que uma ostra, quando tudo que ela queria era ajudar e por mais que houvesse usado o argumento de “eu me abro pra você” a verdade é que era como Axl, se fechava nas situações complicadas e preferia lidar com tudo sozinha, não que isso fosse saudável, sua psicóloga apontou seu comportamento de “lobo solitário” como algo extremamente complicado que dificultava qualquer relação, amorosa ou não.

E por um momento ficou com medo do que tinha começado sem sequer perceber, sim, gostava do flerte sem compromisso, das brincadeiras e a maneira aconchegante que tinha muitas vezes era lida erroneamente, mas com Axl era diferente, talvez tenha começado como uma simples brincadeira, mas quando percebeu que se sentia miserável quando não o via, percebeu que ali havia algo a mais.

Era estranho sentir tudo aquilo, pensou que amor era de uma maneira só, pensou que seria como foi com Eric, mas a verdade é que o amor tem várias faces e o que estava nascendo em seu peito era absurdamente mais avassalador do que havia sentido com Eric e isso a assustava e ao mesmo tempo, atiçava uma curiosidade que culminava na animação de descobrir o que vinha a seguir.

Não sabia como era namorar alguém famoso, viveu em uma cidade pequena por tanto tempo que não conhecia ninguém que não fosse do seu convívio, muito menos alguém tão famosos e desejado como Axl. Mas não o queria por ser Axl Rose, vocalista da famosa banda Guns n Roses, não o desejava por sua fama ou pelo dinheiro, pelo clamor de estar num convívio tão intimo de alguém tão grandioso, não poderia se importar menos com isso tudo, pois via em Axl uma pessoa que poucos conheciam, um homem complicado e atordoado pelos problemas de sua vida? Sim, mas muito além disso, um homem de coração grande, caloroso, que coloca quem ama em primeiro lugar, completamente apaixonado e dedicado a música, assim como ela era com a patinação, uma pessoa de ambição e uma confiança invejável, de uma personalidade cheia de entrelinhas e camadas infinitas, um ser interessante, cativante, que te fazia sentir importante, que te estimulava a ser o melhor de si e o mais importante, Axl era a segurança e o carinho que nunca teve, bem, não nunca, mas que não havia encontrado após a morte de seu pai.

Por isso o esperava após as consultas, por isso sentia a necessidade de cuidar dele e ajuda-lo na jornada que ela mesma tinha dificuldade, queria ser pra ele o que ele era pra ela, um companheiro em um caminho sinuoso e complicado, queria ajuda-lo a patinar o mais suavemente e delicadamente no gelo fino que é a recuperação e o crescimento pessoal naquele lugar, sem que piorasse sua situação e afundasse no lago frio a sua frente. Queria, no final das contas, que ele fosse feliz, queria passar para ele a felicidade que ele a passava, pois via que Axl merecia tudo de melhor que o mundo podia dar e doía nela vê-lo sofrer tanto por coisas do passado. Queria ajudar mais, conquanto, só se pode ajudar quem quer ser ajudado, não podemos forçar uma cura em alguém que ainda está aceitando que precisa de ajuda e por mais que soubesse disso, no final, trazia uma frustração que Willow estava tendo dificuldades de lidar.

Ficou tanto tempo perdida em seus pensamentos que Axl terminou o donut e a chamava. Com um breve sorriso no rosto, Willow o convenceu a se deitar e com as mãos passeando pelas madeixas ruivas do homem, esperou que ele adormecesse e por fim, retornou ao seu quarto, com cautela, para não ser notada.

Ainda com a cabeça a mil, Willow se despiu, fitando o espelho a sua frente, somente de calcinha. Não tinha o corpo perfeito, não era uma mulher de seios volumosos e uma grande bunda, era magra e para muitos podia ser vista como sem graça, uma magreza tão frágil que aparentava quebradiça, mas assim era vida de patinadoras no gelo, não se importavam com seios ou bundas, com curvas e sensualidade, pois estavam ocupadas demais em seguir a rigorosa dieta para dar os pulos, voando leve como penas, pousando com tanta graciosidade que parecia anormal. Perdeu a conta de quantas vezes sentia a fome devorar seu estomago e implorar por qualquer coisa que não fosse uma dose de carboidrato e uma parcela grande folhas. Conquanto, desde que havia chegado a Willow Valley, sua dieta melhorou de maneira significante, visto que para se manter nos remédios precisava comer mais, ter mais sustância, não podia ser como um palito de dente prestes a quebrar.

Também não se sentia a mais bonita, não era uma mulher de autoestima exacerbada, não se achava a mais feia, mas também não a mais bela, era comum, sem graça e sinceramente não conseguia entender o que Axl havia visto nela. Sim, era calorosa e tinha uma personalidade que poderia ser vista como atraente, mas somente isso, sem as aparências, não chegaria aos pés das mulheres que ele poderia ter, o que só a fazia ter mais certeza que ela não passava de um surto que William estava tendo e assim que saísse do retiro, nunca mais ouviria falar dele.

Se via como só uma fase e isso machucava, pois queria ser muito mais que algo passageiro.

Nunca diria isso a ele, nunca.

Suspirou com pesar, querendo que os remédios balanceassem seu humor, mas como todos lhe diziam, remédio não é cura, ele somente ajuda a nivelar as mudanças de humor e em seu caso, a impedia de ter episódios maníacos e depressivos, mas deus, como queria tomar uma pílula magica e simplesmente se curar.

Ligou o aquecedor e vestiu seu moletom de dormir, era branco e coberto por pequenos flocos de neves azuis, tinha as mangas longas. Em seus pés, um par de meias azuis. Se enfiou embaixo da coberta e repousou a cabeça no travesseiro, ficando acordada até o sol raiar, com a cabeça seguindo rumos que acarretariam em uma péssima noite e provavelmente um péssimo dia, dormindo junto com o raiar do sol.



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