História Thirteen Reasons Why - Capítulo 11


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Categorias André Schürrle, Bastian Schweinsteiger, Benedikt Höwedes, Erik Durm, Joshua Kimmich, Julian Weigl, Lukas Podolski, Marco Reus, Mario Götze, Mats Hummels, Philipp Lahm, Robert Lewandowski
Personagens André Schürrle, Bastian Schweinsteiger, Benedikt Höwedes, Erik Durm, Joshua Kimmich, Lukas Podolski, Marco Reus, Mario Götze, Mats Hummels, Personagens Originais, Philipp Lahm, Robert Lewandowski
Tags 13 Reasons Why, Gotzeus
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Palavras 3.986
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Fita 6 lado A


Fanfic / Fanfiction Thirteen Reasons Why - Capítulo 11 - Fita 6 lado A

– O que foi? – Respondo, meio zonzo ainda pela queda.

– Marco, não se mexe. – Robert ainda segurava uma gaze na altura do meu supercílio. 

– Por que? – Tento me levantar. – Eu estou bem.

– Marco, foi uma queda feia. – Bene empurra os meus ombros até eu estar completamente deitado. – Fica quieto por favor.

– Mas.. Mario? – Vejo o moreno segurar minha mão enquanto ele me olhava preocupado. – Você agora tá jogando futebol? Você me disse que era péssimo.

Ele não me respondia e eu estava ficando irritado por isso.

– Mario, diz pra eles que eu estou bem. – Bene olha para mim confuso. – Eu quero ir jogar.

– Isso não para de sangrar. – Robert xinga baixo e continua tentando estancar o ferimento.

– Gente me deixa. – Me apoio nos meus cotovelos e tento olhar para o campo, mas no único espaço que eu consegui enxergar alguma coisa, a única coisa que eu estava conseguindo ver eram dois jogadores discutindo e se empurrando. Em uma questão de segundos os dois estavam trocando socos. 

– Droga Hummels. – Bene olha para onde eu estava olhando.

– Vai lá. Eu cuido dele. – Robert percebe a preocupação do loiro.

A torcida estava gritando, Robert tentava conversar comigo, mas eu não conseguia escutar mais nada, e foi aí que eu perdi os sentidos.

X

Recobrei a consciência vagamente, enquanto abria os olhos e via que estava em um quarto branco. Ótimo. Só faltava eu ter morrido.

Olho para as minhas pernas e uma delas estava sem chuteira e sem meião. O meu tornozelo esquerdo estava totalmente roxo e inchado, eu estava tentando pensar o que tinha acontecido, mas eu não sabia explicar direito o quê.

– Ah Marco, finalmente você acordou. – Robert abre a porta do quarto bem devagar para não fazer tanto barulho. – Cara, você está bem?

– O que aconteceu? – Pergunto de imediato. – Como assim acordei?

– Você tomou uma falta duríssima. – Ele se senta no pequeno espaço vago que havia na minha cama. – Tocaram a bola para você, mas você estava olhando a torcida e um jogador estava seco para pegar a bola e ele te deu um carrinho assassino. Nós tentamos te avisar, mas você não olhava para nós nem nada. Depois da falta você ficou inconsciente. O Hummels brigou com o jogador e bateu nele no meio do campo. Nós tentamos separá–los e os dois foram expulsos.

– Eu desmaiei?

– É, na hora nem tanto. Você estava meio lúcido e estava falando coisas sem sentido. Mas depois você apagou.

– Como eu cheguei aqui?

– Te trouxeram de maca para a enfermaria do colégio. Mas como você não acordava decidimos te levar ao hospital para ver se não aconteceu nada mais grave. 

– Eu... Eu vi o Mario na arquibancada. Eu sei que você vai me achar louco, mas eu vi. Ele me avisou. – Coloco a mão na cabeça e bato no curativo em minha testa. – Ai.

– Cuidado. – Robert coloca minha mão de volta ao lugar. – Eu acredito em você. Já que você que estava falando dele quando eu estava tentando estancar seu machucado. Agora você precisa descansar. Seus pais estão lá fora.

– Quanto tempo eu vou ficar sem jogar?

– Segundo o médico, alguns meses. Você vai precisar fazer uma cirurgia. Mas seu tornozelo ainda está muito inchado para isso.

– Certo. Eu.. Entendi. – Fechei os olhos, sentindo minha cabeça latejar.

– Eu vou te deixar descansar. Nos falamos depois. – Robert me deixa e fecha a porta.

Tentei me mexer e me estiquei para pegar a minha bolsa, chequei as horas no relógio e vi todas as mensagens que várias pessoas tinham me mandado.

Acabei sendo liberado pela noite, meus pais me levaram para casa e meu tornozelo estava um pouco menos inchado.

– Como se sente filho? – Meu pai me ajuda a sentar.

– Está tudo bem. – Me sento na cama e apoio a perna numa pequena pilha de travesseiros.

– Você precisa de alguma coisa?

– Não pai, boa noite. – Espero ele sair e pego minha mochila, logo pego o walkman.

Coloco os fones e aperto o play. Aquele pesadelo estava acabando.

Play.

O amor as vezes é uma coisa louca. É engraçado. É bonito. As vezes cura e as vezes machuca.

E eu percebi isso nesses dois anos que estou morando aqui. Eu conheci muitas coisas e pessoas, e é claro, conheci pessoas especiais.

Uma delas era o Marco, meu ex-namorado.

– Mario? – Marco se senta à minha frente. Eu não queria falar com ninguém.

– Me deixa em paz. – Me levanto, mas ele segura meu braço. – Me deixa!

– Mario, o que tá acontecendo?! Você está estranho de novo. – Me viro e vejo Mats segurando meu braço. Me solto brutalmente e saio andando.

– Me deixa em paz por favor eu não fiz nada. – Murmuro.

Eu comecei a ter crise de ansiedade e a passar mal. Eu estava a ponto de desmaiar ou ter um ataque na frente dele. E eu não queria fazer nenhuma dessas duas coisas.

– Mario Götze! – Marco me puxa pelo braço. – Você não vai me deixar falando sozinho.

Minhas pernas vacilam e institivamente me apoio em Marco. Eu estava tonto e não sabia quanto tempo iria aguentar aquilo tudo.

Marco me segura antes de eu desmaiar, minha cabeça estava me enganando e eu estava ficando maluco.

– Eu vou te levar para casa e depois vamos conversar. – Ele me ajuda a me levantar. – Vem.

– Não precisa.. – Marco me leva para casa.

Eu já tinha tomado os meus remédios e já me sentia melhor, estar dentro da minha casa e debaixo das cobertas era a melhor coisa do mundo.

– Agora você pode por favor me dizer o que tanto te incomoda? – Marco se senta na cadeira ao lado da minha cama.

– Não é nada. São só efeitos dos remédios ok? Eu estou bem.

– Mario, essa é a maior mentira que você já me contou. – Ele segura minha mão. – Qualquer coisa que eu faça com você do nada você me afasta e quer ir embora. A gente não fez mais nada íntimo depois que eu voltei para cá, você virou outra pessoa depois daquela festa. O que aconteceu lá que eu ainda não sei?

Mais uma vez aquela pergunta havia me pego de surpresa. E mais uma vez eu não sabia responder. Então só neguei, como sempre havia feito.

Eu não sei muito bem como começamos a falar rápido demais um com o outro, na verdade não sei como começamos a discutir.

– Se você não confia em mim, pra que a gente vai continuar esse namoro Mario? 

– Marco, você vai fazer isso comigo?

– Vou. Acabou. – Marco se levantou e se dirigiu até a porta. – Me liga quando estiver melhor. – Ele saiu do meu quarto e fechou a porta.

Depois daquela briga e ele ter me largado quando eu precisei mais dele, acho que.... Uma, duas semanas depois ele começou a namorar uma garota do colégio.

O nome dela? Scarlett Gartmann. A líder de torcida que todos queriam comer.

Eu sempre soube que a notícia iria correr rápido até mim, mas ele mesmo fez questão de me contar postando uma foto no Instagram.

Em primeira estância, eu não liguei. Eu não estava nem aí. 

Marco estava namorando de novo, ok. O que eu ia fazer?

Eu sei, vocês queriam que eu tivesse feito um escândalo. Não é?

Eu deveria ter xingado ele de tantos nomes que eu mal poderia lembrar no dia seguinte, mas eu não sou infantil. 

Eu não sei lidar direito com perdas, mas eu tento.

Caso eu não tenha dito, eu não sou nem um pouco mimado. Provavelmente você aí que deve estar escutando deve falar: “puta merda, esse garoto é um porre! Não superou um namoro de colégio com um cara super gato e agora está falando mal dele pelos cotovelos!” É, já ouvi isso.

Mas o foco dessa fita não é falar dele, é dela.

Agora eu me perdi na história. Droga.

Sorri involuntariamente imaginando Mario se atropelando com os fatos contados por ele e ele estar confuso por causa disso.

Lembrei. Eu continuei minha vida aos poucos, meu tratamento estava indo bem, eu havia conseguido voltar a estudar, estava tudo bem, não estava?

Não estava. Nunca esteve.

Para resumir e eu não fazer você dormir ouvindo isso, mesmo depois que nós viramos ex-namorados, Marco e eu ainda tínhamos uma ligação muito forte, nós continuamos a nos falar normalmente como os melhores amigos que sempre fomos. Mas com a diferença que eu não ficava mais até tarde esperando ele nos treinos fechados e ele não me levava mais para casa.

Tirando isso, tudo estava quase como sempre foi. 

Até que um dia, tivemos que fazer um trabalho em dupla. 

Marco fez com a Scarlett.

Fizemos prova, Marco fez com a Scarlett.

Qualquer coisa que tínhamos no colégio depois daquela semana, Marco fazia com a Scarlett. 

Simplesmente o melhor amigo de Marco Reus não tinha mais vez.

Götzeus poderia ainda existir na minha vida. Mas não existia mais na vida dele.

Percebi que depois de um tempo, não éramos nem melhores amigos.

– Marco? – Me aproximo do loiro que estava mexendo em seu celular encostado no seu armário.

– Mario! Oi, como vai? – Ele imediatamente guardou seu celular para me dar pelo menos um minuto da atenção dele. 

– Ah, estou bem. Olha, você... – Estendo o papel que Marco havia esquecido na sala de aula.

– Amorzinho! – Scarlett segura o braço de Marco e o puxa para algum lugar, me deixando falar sozinho.

– ...esqueceu o seu boletim na sua carteira. – Apenas completo o que havia dito.

É claro que doeu. Nós dois passamos tantas coisas juntos para Marco pegar tudo o que vivemos, amassar e jogar no lixo. 

Mas foi isso mesmo que ele fez.

E ele agora está vivendo com a vaca loira da Scarlett.

É claro que eu estou com raiva, eu não tinha mais amigos direito.

Era somente Mario e Mario Götze. Marco simplesmente me largou por aquela garota!

Passei a observar tudo de longe. Comecei a viver como fantasma. Talvez era isso que eu era. Um fantasma.

Não Mario, você não era. Eu sempre olhava Mario de longe. Ele parecia deprimido.  Na verdade, mais deprimido do que já estava. 

Ele estava muito mais calado que o normal, e a única vez que eu ouvia sua voz no dia inteiro era quando ele dizia um mísero “presente” na hora da chamada ou quando ele apenas murmurava um “não obrigado” quando eu o chamava para se juntar a nós. 

É claro que eu fui tentar perguntar para ele se estava tudo bem em casa ou com ele, mas toda hora que eu tentava falar com ele, a Scarlett não deixava e me puxava para algum outro canto.

Eu deveria ter achado isso estranho logo de cara. Mas achei que era coisa normal de namorada.

Minha consciência sempre dizia que eu devia acabar tudo isso. Acabar no décimo primeiro motivo. Para que eu estenderia esse maldito sofrimento?

Mesmo sendo ignorado por ele, resolvi pedir ajuda à Marco, mas não foi ele que eu encontrei naquele dia.

– Scarlett, oi. – Arrumo minha mochila nos ombros. – Você viu o Marco? Eu estava precisando falar com ele.

– Vi sim. Ele está no treino fechado. Está ocupado agora. – Ela me respondeu seca enquanto olhava as unhas. 

Scarlett simplesmente me odiava. E eu sabia o porquê disso. Quando eu e Marco começamos a conversar, ela sempre dava algumas investidas em Marco para conseguir alguma coisa, mas eu era o problema dele não querer nada com ela. 

– Ah claro, é mesmo. Que cabeça a minha. Desculpa incomodar. Mas quando ele sair, só diz para ele me ligar por favor, eu realmente preciso conversar com ele.

– Tá Götze, eu aviso. Agora tchau. – Ela se vira e eu apenas sorrio fraco, seguindo meu caminho.

Eu sabia a hora que ele sairia do treino, afinal, nós já namoramos. Então eu esperei. 

Eu esperei ele me ligar para pelo menos me dizer que estava pouco se lixando para mim. Mas ele não me disse nada.

A decisão que eu queria tomar era muito drástica, então antes de fazer qualquer coisa eu enviei meia dúzia de mensagens para ele. Talvez ele só tenha ido jantar em casa e depois nós nos falaríamos como sempre. 

Naquele dia ele não me respondeu.

Mario: Oi Marco, você já chegou em casa? 

Mario: Preciso conversar com você.

Mario: Prometo que não vai demorar. Você pode vir aqui em casa? Ou tanto faz, eu posso dar um pulo aí.

Mario: Por favor. Eu preciso de ajuda. 

Mario: Ok, você está me ignorando até por WhatsApp. Desculpa te incomodar. 

Mario: Eu não sei quando você vai ver isso. Mas já quero me despedir. Adeus Woody.

Era isso. 

– Scarlett! – Aceno para ela enquanto eu me despedia dos meus companheiros de time.

– Amor! – Ela me abraça e trocamos um selinho breve. 

– Vamos para casa? 

– Podemos ir para a minha? Os meus pais não vão estar lá.

– Claro, tudo bem. – Seguro em sua mão e nos dirigimos para a casa dela.

X

– Alguma mensagem? – Procuro alguma roupa para vestir. – Achei que meu celular tinha tocado.

– Não amor, foi o meu. – Scarlett coloca meu celular embaixo da coxa.

– Estranho, achei que era o toque do Mario. – Me vesti. – O que está escondendo?

– Nada. – Scarlett me beija e me senta no sofá. 

Algo estava me incomodando, por alguma força maior eu precisava ver meu celular.

– Scarlett... Calma meu amor. – Tento pegar meu celular, mas ela não deixa. Colocando minha mão em seu corpo. – Scarlett... – Eu já estava agoniado. – Sai de cima, que droga! – A empurro.

– É assim que você me trata agora seu idiota? 

– Eu só estou tentando pegar meu celular mas parece que você está escondendo alguma coisa. – Pego meu celular e leio as mensagens de Mario.

Sunny: Oi Marco, você já chegou em casa? 

Sunny: Preciso conversar com você.

Sunny: Prometo que não vai demorar. Você pode vir aqui em casa? Ou tanto faz, eu posso dar um pulo aí.

Sunny: Por favor. Eu preciso de ajuda. 

Sunny: Ok, você está me ignorando até por WhatsApp. Desculpa te incomodar. 

Sunny: Eu não sei quando você vai ver isso. Mas já quero me despedir. Adeus Woody.

– Meu deus! – Me levanto. – Como você não me avisa que ele precisava de mim?!

– Qual é Marco?! –– Ela me empurra. – Desde quando você liga pro depressivo?

– Desde quando eu descobri que o amava. – Pego um casaco e pego meu celular.

Acabou.

Cheguei em casa exausto, minha cabeça estava cheia de coisas inúteis. Eu queria logo descansar em paz.

Tomei um banho longo e vesti um pijama cinza velho que estava guardado no meu armário. Peguei a minha querida lâmina e decidi que iria até o fim dessa vez. 

Afinal, eu não tinha nada o que perder.

Vi os meus pulsos se abrirem lentamente enquanto me forçava a ir logo com aquilo.

Estranhamente eu não estava mais sentindo toda aquela dor e desespero que qualquer pessoa que está tentando se matar sente. Eu só estava esperando aquilo tudo acabar.

Naquela hora, um filme se passou na minha cabeça. Como tudo aquilo havia acontecido para acabar desse jeito.

Meu coração estava apertado. Eu estava dirigindo o mais rápido que eu podia, algo estava errado.

Aquele adeus estava ecoando na minha cabeça. Estacionei e subi um pouco desesperado demais. Mario não poderia ter feito uma besteira.

– Oi Marco. – Felix me cumprimenta.

– Oi Felix. Seu irmão está?

– Sim, no quarto dele.

– Obrigado, eu vou subir para ver ele. – Subi as escadas e bato na porta.

Minha camisa cinza estava mais escura por estar molhada de lágrimas.  Eu não sabia o porquê de estar chorando. Eu não estava deprimido. 

Na verdade, eu nem sabia o que estava sentindo.

– Mario? Eu acabei de ver sua mensagem e... Meu deus. – Marco se depara com a minha roupa lavada de sangue, assim como o tapete branco que ficava ao lado da minha cama.

Marco estava paralisado na porta, olhando o que eu havia feito. Eu tinha quase certeza que ele iria virar e ir embora ou fazer alguma coisa.

– Marco, me ajuda. – Suplico.

Ele continuou me olhando, mas logo me pegou no colo e me levou ao hospital, diretamente para a emergência. 

– Mario, o que você fez? – Ando rapidamente até ele e me abaixo. 

– Me ajuda por favor. – Mario desaba de tanto chorar. 

Fico nervoso por não saber o que fazer nessa situação, então só o abraço e tento passar alguma segurança para ele.

– Eu vou te ajudar. Mas primeiro tenho que fazer isso parar. – Tento fazer algo para seus pulsos pararem de sangrar.

Rasgo duas tiras da minha blusa e as amarro nos pulsos de Mario, o importante agora era mantê–lo acordado e com a maior quantidade de sangue possível em seu corpo, mas pela hora em que ele me mandou a mensagem e na hora que eu cheguei, ele havia perdido muito sangue e poderia morrer a qualquer minuto.

– Vamos. – O pego no colo. 

– Marco... – Mario tremia no meu colo e pelo o que eu tinha visto em alguns programas médicos isso poderia ser sinal que ele estava entrando em estado de choque.

Eu não ia conseguir deixá–lo sozinho no banco de trás e dirigir ao mesmo tempo.

– Fabian! – Tento chamar o irmão mais velho de Mario enquanto equilibro o moreno em meus braços. Ele precisava se sentir confortável naquele momento. – Calma, vai ficar tudo bem.

– O que foi Marco? – Fabian guarda os seus documentos em uma pasta. – Meu Deus o que ele fez?

– Precisamos ir ao hospital. Eu estou de carro. – Vou andando com pressa até a porta. – Pegue as minhas chaves. Eu não vou conseguir deixar ele sozinho.

– Certo. Vamos. – Andamos o mais rápido possível até o meu carro e levamos Mario até o hospital. 

Quando eu cheguei, minhas roupas estavam sujas de sangue. E quem estava entrando em estado de choque era eu.

– Alguém ajuda ele! Por favor! – As enfermeiras nos veem e levam Mario para a unidade de emergência.

Um adolescente com 10 quilos a menos que o normal, tremendo e sangrando até a morte era um caso crítico. 

Mas eu achei que era o certo. Eu estava tão desacreditado de tudo que eu pedi para me deixarem morrer naquela cama de hospital.

Mas Marco não deixou. 

– Me solta. – Murmuro. – Por favor me deixem morrer. Eu quero isso. É o único jeito de ficar em paz.

– Mario, você não vai me deixar. – Marco chorava apreensivo. – Salvem ele! Não deixem ele ir. Façam alguma coisa!

– Não... – Meu corpo estava desligando aos poucos. – Eu não quero... – Fechei os olhos.

A última coisa que eu lembro é que ele gritou com os médicos e enfermeiros, Marco estava desesperado e se lamentando. 

Eu não entendi no momento.

Mas depois eu descobri que a Scarlett havia pego o celular dele e visto as mensagens. Mas ela não o avisou e ele viu tarde demais.

Os dois brigaram enquanto eu estava internado e Marco terminou com ela. 

– É. – Marco sorriu e seu celular tocou. – Hm, é a Scarlett. Se importa de eu atender?

– Não. Fica à vontade. – Continuo cutucando os fios que estavam ligados em meu braço direito.

– Mario, cuidado. – Marco segura minha mão. – Alô? Ah, oi Scarlett. Estou no hospital. Não, eu estou bem. O Mario acabou tendo um acidente e eu estou fazendo companhia a ele. Claro que não. Scarlett, a gente não voltou.

Foi engraçado, ele começava a falar um monte de coisa sem sentido se você não ouvisse o outro lado da linha, mas eu estava tão entretido com o tubinho do soro que nem prestei atenção.

– Me escuta você! – Marco acabou falando alto demais e eu olhei para ele. – Quer saber? Chega! Você é uma imbecil que só pensa em si mesma. Eu  o jogador de merda? – Ele riu e continuou um tempo calado, apenas rindo do que ela dizia. Presumo que a Scarlett esteja bem ferrada da vida agora. – Se fosse para conseguir uma transa boa eu não teria terminado com o Mario. É, isso mesmo que você ouviu. Ele transa mil vezes melhor do que você. Aham Scarlett, tchau vai. – Ele desligou e provavelmente deve ter bloqueado o número dela para evitar eventuais ligações.

– Você terminou com ela? 

– Parece que sim. – Marco sorri e volta a segurar minha mão. – Espero que você não tenha mexido nos fios enquanto eu estava no telefone! – Ele me cutuca, me fazendo rir e me contorcer ao mesmo tempo.

Quando Marco finalmente dormiu encostado na cama, aproveitei para fazer carinho nele e pensei, caramba, Marco me salvou. Ele veio correndo para a minha casa e agora eu estava num hospital com ele.

Ficamos juntos em todo o procedimento. Tive que fazer duas pequenas cirurgias e o médico que estava cuidando do meu problema de metabolismo passou a lista dos remédios e das comidas que eu tinha que comer para ficar um pouco mais forte fisicamente.

Já que mentalmente eu já estava morrendo aos poucos.

Marco passou o resto da semana comigo. Ele era a única coisa que eu tinha. E se não fosse por ele, vocês já estariam livres de mim. Então, briguem com ele. 

Mario ri baixinho, me fazendo sorrir novamente.

Eu demorei muito tempo para conseguir alta, fui internado até conseguir engordar para ficar “saudável”.

No tempo em que eu estive lá, Marco me contou sobre Dortmund, sobre seu novo time provisório, a escola de lá e como tudo era diferente de Munique. Também o porquê dele não ter conversado comigo todo aquele tempo. 

Eu me senti idiota. Consegui voltar para casa depois de um bom tempo, e eu decidi dar uma nova chance à minha vida. Se alguém lá em cima me deu a chance de abrir os olhos novamente, por que não aproveitar?

Voltei ao psicólogo, mas o dr. Schweinsteiger não estava mais lá. 

Mas outra pessoa estava, e não fazia diferença nenhuma você ter trocado de médico repentinamente, a não ser que o seu novo psicólogo seja um retardado que não sabe ser um psicólogo.

E a próxima fita é sua Dr. Podolski.

Apertei o stop e virei a fita para o lado B. 

Minha cabeça estava latejando, meus olhos ardiam e as lembranças não me ajudavam em simplesmente nada.

Eu não sabia se estava pronto para continuar.

Tirei os fones e guardei o walkman. Eu precisava respirar. Precisava pensar alguma coisa boa.

Olhei para o meu tornozelo e lembrei que ia ficar um bom tempo sem jogar, logo agora que eu estava voltando.

Isso não era uma coisa boa, definitivamente.

Desbloqueei meu celular e no papel de parede estava a minha foto favorita Götzeus, a primeira foto que tiramos depois que tínhamos dormido juntos.

Mario estava ainda dormindo quando eu aproveitei para tirar uma selfie, mas no exato momento ele havia enlaçado meus braços em minha cintura. Me fazendo abraça–lo desajeitadamente para conseguir uma boa foto em preto e branco.

Eu percebi que eu era perdidamente apaixonado por ele, mas as merdas que eu fiz antes dele ir fez todos os nossos sonhos de nos casar, construir uma bela família e viver no interior irem embora e serem enterrados com Mario.

Uma lágrima solitária queria escorrer no canto do meu olho enquanto eu olhava para a pasta com nosso nome de casal, mas eu não tinha coragem para abri–la.

Senti que esse era o momento que eu mais precisava de Mario.

– Mario, se você estiver me olhando aí de cima, eu preciso do seu abraço agora. – Olho para a janela. – Por favor, sou eu que preciso de você agora. Eu sinto tanto a sua falta. 

Nada havia acontecido. É claro. Ele estava morto. 

Eu não teria alguém para me abraçar exatamente num momento como esse. Para me ajudar a cuidar do tornozelo, para me fazer rir. 

Isso machuca. Muito mais do que deveria.

Eu me sinto sozinho. Mesmo com muitas pessoas ao meu redor.

Era assim como Mario se sentia. Agora eu realmente entendo.

– Me desculpe por não entender como você se sentia quando você estava vivo. – Me lamento.

Desligo as luzes e tento me deitar tentando não tirar os travesseiros do lugar. Aquele dia definitivamente tinha acabado, finalmente.



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