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História This ain't a love song - Capítulo 8


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Notas do Autor


Seguimos no POV do Josuke!

Boa leitura!

Capítulo 8 - Capítulo 7


"Chegamos... Vou estacionar, cadê o controle?"

"Não tem. Obrigado por me trazer."

Ele ia descer do carro, e tudo acabaria naquele instante, mas não pude resistir. Segurei seu braço esguio e encarei aqueles olhos verdes expressivos, que pareciam desesperados para me ver longe dali.

"Sensei... não quer que eu te leve até lá em cima? Pelo menos me deixe te colocar pra dentro de casa, você está pálido e..."

Rohan-sensei sorriu, mas aquilo não era felicidade. Era algo mais cínico, como se ele tivesse perdido a capacidade de acreditar na bondade genuína das pessoas.

"Você é como todos os outros. Não se importa com o que eu sou, mas, sim, com o que eu tenho a oferecer... Diga, Josuke Higashikata... Você... me deseja?"

Acordei com o barulho do despertador me trazendo de volta à realidade e me espantei ao constatar que tinha acabado de sonhar com a noite anterior. Mas... havia algo diferente ali.

Rohan-sensei não trocara mais nenhuma palavra comigo depois que lhe entreguei sua chave. Não vou negar que eu não queria que a noite tivesse acabado ali e talvez tenha sido esse o motivo pelo qual minha mente criou um desfecho para aquele "encontro".

Afinal, eu não estava entendendo por que aquele homem que eu nunca tinha visto mexera tanto comigo.

Era a primeira vez que eu me interessava por alguém a ponto de sonhar com a pessoa. Eu tive alguns relacionamentos quando estava no colegial, mas nada muito sério para nenhuma das duas partes. Só que aquilo...

Rohan-sensei tinha entrado no meu coração sem que eu tivesse tempo de erguer uma defesa sequer.

E eu não tinha certeza de que seria capaz de chegar ao coração dele.

XxX

Depois de passar um tempão me olhando no espelho até ter certeza de que não havia nenhum fio de cabelo fora do lugar, me senti satisfeito. Meu penteado era algo de que eu nunca consegui abrir mão.

Eu ficava muito puto quando alguém zombava dele, ainda mais porque não era só uma questão de estilo. Aquilo era uma lembrança importante da minha infância.

Quando eu tinha uns sete anos de idade, meu pai me deu um cachorrinho de presente depois de eu ter passado o dia chorando por causa de um daqueles encontros desagradáveis da família Joestar.

Lembro que o bichinho tinha os pelos acinzentados e as patas pretas, o tamanho delas dando a entender que ele ficaria enorme. Caesar oji-chan amarrou em seu pescoço um laço meio rosado, dizendo que combinava com sua pelagem e eu concordei, achando que nunca tinha visto um cachorro tão lindo.

Dei-lhe o nome de Diamond porque era a única parte do título de uma das canções favoritas do meu pai que me veio à mente naquele momento, já que era muito comprido pra uma criança como eu decorar. Ele logo atendeu quando o chamei dessa forma e não demorou muito para nos entendermos, como se nos conhecêssemos de outras vidas.

Pode-se dizer que nós dois crescemos juntos. Ele ficou enorme e me recebia com alegria, pulando em cima de mim toda vez que eu chegava da escola e parecia me entender apenas com o olhar. Ele não saía do meu lado quando eu ficava doente e lambia meu rosto toda vez que percebia que eu estava aborrecido com alguma coisa.

Ele era meu maior companheiro.

Um dia, numa das muitas férias de verão que passei na casa de meu pai, eu estava passeando com meu fiel companheiro na rua e um bando de moleques me abordou, querendo comprar briga. Para me defender, Diamond avançou nos garotos e um deles acabou atirando uma pedra nele para fazê-lo soltar seus amigos.

Eles fugiram correndo e Diamond caiu aos meus pés, os pelos ficando gradativamente vermelhos devido ao sangue que se espalhava. Comecei a chorar desesperado e, quando pensei que tudo estava perdido, um adolescente que parecia estar voltando da escola me estendeu a mão.

Ele usava um pompadour mil vezes mais estiloso do que o meu e um gakuran cheio de broches e adereços pregados. Percebendo que eu não tinha condições de falar, ele ergueu meu cachorro nos braços e fez um sinal com a cabeça, me conduzindo ao hospital veterinário que estava a poucos metros dali.

Até hoje, não sei quem era aquele adolescente porque não me dei ao trabalho de perguntar. Sentado ali, no banco da clínica, só me dei conta de que meu salvador tinha ido embora quando a recepcionista veio perguntar onde estava meu responsável e vi que não havia mais ninguém ao meu lado no banco.

Liguei para meu pai e ele chegou apressado, resolvendo toda a burocracia em instantes e me tranquilizando, dizendo que tudo ficaria bem. E realmente ficou, já que Diamond sobreviveu e viveu comigo ainda por muitos anos, até morrer naturalmente quando sua hora chegou.

Eu jamais esqueci esse ato de bondade de um estranho e, por isso, resolvi homenageá-lo tentando imitar seu penteado. E foi naquele dia também que o sonho de ser um veterinário começou a tomar conta de meu peito, pois assim eu poderia não só salvar os animais, como também os corações de seus donos.

E foi pensando no que Rohan-sensei diria se eu lhe contasse essa história que me dirigi à cozinha, movido pelo cheiro de pão caseiro que tomava conta de todo o corredor.

XxX

- O que foi, Josuke-kun? Que cara é essa?

Kakyoin-san me encarou com um olhar preocupado enquanto colocava uma caneca de chá quentinho diante de mim e um pratinho cheio de pães frescos e cheirosos.

- Ah... Não é nada. Obrigado pelo chá...

Me ocupei a passar manteiga nos pães, enquanto o ruivo me encarava com os lábios torcidos, claramente desconfiado de que eu estava mentindo. Depois de pegar uma caneca para si, pousou-a na mesa e sentou-se na cadeira à minha frente, me analisando enquanto alisava a borda do recipiente com seus dedos longos.

- Escute, Josuke-kun... Não precisa ir até o apartamento do Rohan se você não quiser. Eu sei que você está preocupado com ele e acredite, eu também estou, mas meu amigo pode ser um pouco difícil às vezes... e, apesar de eu ter me empolgado e te incentivado ontem à noite, talvez seja melhor dar um pouco de espaço a ele.

Ele tinha certa razão, mas... eu estava decidido.

- Ah, eu... Eu vou, Kakyoin-san. Não vou conseguir ficar em paz comigo mesmo se não der uma olhada nele. Só tenho atendimentos na parte da tarde, então vou dar uma olhada nele rapidinho antes de procurar um lugar para ficar...

Kakyoin-san estendeu a mão e deu um tapinha na minha, solidário.

- Tudo bem. Só não se esqueça de colocar a culpa em mim caso ele surte.

Assenti sorrindo e logo Jotaro-san se juntou a nós à mesa, pousando sua mão no ombro do ruivo e lhe dando um selinho discreto.

- Bom dia, Nori... Bom dia, Josuke. Como foi ontem?

- Ah...

O que eu podia dizer? Que achava que tinha me apaixonado por um cara que acabei de conhecer? Que tive um sonho enigmático que até agora eu não sabia o que exatamente queria dizer? E que achava estar ficando maluco por querer expressar meus sentimentos a ele, sendo que isso era completamente impossível no momento?

Meu primo apenas encheu sua caneca de café e a tomou de um gole. Ele parecia atrasado e Kakyoin-san suspirou fundo, como se aquilo fosse habitual.

- Yare, yare... Escute, Josuke. Kishibe não é má pessoa, ele só tem lá seus momentos. Não é fácil juntar os pedaços depois que uma relação termina. Se está mesmo interessado nele, dê tempo ao tempo. - Kakyoin-san ficou vermelho e imaginei que Jotaro-san estivesse se referindo a si mesmo, já que demorou certo tempo até que ele cedesse aos encantos do ruivo - Agora eu tenho que ir, esse último ensaio que inventaram está me deixando maluco. Já mostramos um monte de modelos que se encaixariam no tema das fotos e aquela chata da Tsuji não concorda com nada...

- Nossa, mas por quê? É algo tão específico assim?

- Não, mas você sabe como ela é, aquela lá implica com tudo. Se Tsuji empatar a sessão de fotos hoje de novo, ela que vá procurar um modelo na rua. Tanta coisa pra fazer...

Kakyoin-san ergueu a sobrancelha, provavelmente sabendo que meu primo voltaria aborrecido para casa.

- Bom, tente não se estressar com isso. Acho que até entendo Tsuji-san, nem sempre a inspiração vem de imediato... Talvez o melhor seja adiar o ensaio por alguns dias...

- É... Você tem razão, amor... Vou sugerir isso a eles, assim podemos pensar com mais calma. - Meu primo beijou a testa do ruivo, arrancando um sorriso de seus lábios - Você é mesmo um gênio, Nori...

- Eu sei... Bom trabalho, Jojo...

- Pra você também. Até mais tarde.

Jotaro-san saiu, nos deixando a sós na cozinha. Kakyoin-san ainda segurava a caneca de chá quase cheia nas mãos e seu olhar parecia estar longe dali, talvez pensando que seu companheiro saíra sem comer nada. De repente, se deu conta de que eu estava ali e sorriu triste, confirmando minha teoria.

- Ah... Bom, não tem muito o que fazer... Não tenho coragem de acordá-lo mais cedo, ele tem chegado tão cansado... Espero que ele coma direito pelo menos lá na editora...

- Não se preocupe, Kakyoin-san... Jotaro-san sabe se cuidar. Acho que já vou sair também, a casa do sensei é meio longe daqui... E diabos, ainda preciso me trocar...

Kakyoin-san se levantou e saiu por alguns instantes, voltando com uma chave de carro e estendendo-a em minha direção.

- Pode usar meu carro se quiser, não vou precisar dele hoje. E não se esqueça, nada de azul.

Aceitei a chave de bom grado, mas a questão do azul seria difícil, já que era uma das minhas cores favoritas.

- Hmm... Rohan-sensei tem algum problema com a cor roxa?

- Não que eu saiba...

- E ele tem algo contra o Prince?

- Nunca me disse nada a respeito.

- Então já sei o que vou usar. - Comi os pãezinhos que Kakyoin-san me ofertara e tomei o chá num só gole, torcendo para que meu plano desse certo - Obrigado pelo café da manhã, Kakyoin-san. Estava uma delícia.

Ele sorriu e se levantou, começando a tirar a mesa. Fiz menção de ajudá-lo, mas ele me dispensou com um gesto, como se dissesse que não havia problema.

- Anda, Josuke-kun. Seu dia vai ser cheio hoje.

Assenti e corri para o quarto, revirando a mala que eu nem havia desfeito ainda. Encontrei uma de minhas camisetas de que eu mais gostava, a do meu álbum favorito do Prince, Purple Rain. Vesti-a mais que depressa e depois de colocar a calça jeans e dar um último tapa no penteado, peguei meu jaleco, os apetrechos que eu precisaria levar para a clínica e a chave do carro, saindo então apressado, ouvindo apenas um "boa sorte" por parte do meu anfitrião.

Sentei no banco do motorista e dei a partida no carro, ligando o rádio em seguida. Ouvi o locutor empolgado ao assinalar o primeiro lugar da parada daquele dia e sorri.

- Uau, fazia muito tempo que ninguém votava nesse clássico, mas hoje o nosso primeiro lugar vai para a versão "radio edit" de "Shine on You Crazy Diamond"! É um dia memorável!

Aquilo só podia ser um sinal. Diamond devia estar me dando seu apoio de lá do paraíso dos cães.

XxX

Olhei para a caixa de doces sem graça no banco do passageiro e torci para não ter errado na escolha, já que eles me pareciam todos iguais.

Pedi à atendente que escolhesse os da cor verde porque bom... era a cor dos olhos dele e imaginei que isso seria uma forma de demonstrar que eu estava ali em missão de paz.

Quando finalmente cheguei ao condomínio, respirei fundo, torcendo para não ser enxotado. Saí do carro e me dirigi à guarita, tocando a campainha um tanto nervoso.

- Pois não?

- Err... Sou Josuke Higashikata, amigo de Kakyoin-san... Vim entregar algo para Rohan-Kishibe sensei, ele mora no...

- Ah, sim, sim. O mangaká de cabelo verde, ? Eu adoro o mangá dele. - O interfone ficou mudo por alguns instantes, então imaginei que ele estivesse anunciando minha chegada a Rohan, e fiquei ainda mais apreensivo. Quando ele voltou a falar comigo, meu coração pulou uma batida, já esperando a rejeição - Pode entrar, Kakyoin-san. Ele está esperando.

Hein?

- A-acho que você entendeu errado... Eu não...

Logo o portão se abriu à minha frente e fiquei um tempo ali parado, sem saber o que devia fazer. Insistir que ele ligasse de novo, dizendo quem realmente estava ali? Entrar? Fugir?

Morrendo de vergonha, escolhi a primeira opção e entrei, indo em direção ao elevador.

Com a caixa de doces segura em minhas mãos, apertei o botão correspondente ao andar em que ele morava e dei uma última conferida em meu visual no espelho, torcendo para que Kakyoin-san estivesse certo e Rohan-sensei não se lembrasse de que roxo era uma mistura de vermelho e... azul.

Cheguei ao seu andar e saí do elevador, suando de leve. Fui até a porta e toquei a campainha, a apreensão tomando conta de todo o meu ser. Não demorou muito para que eu ouvisse o barulho da chave girando na porta e logo aquele perfume que tinha cheiro de caro tomou conta de minhas narinas.

- Oeoeoe, Kak, o que foi agora...

- Err... Bom dia, Rohan-sensei... Kakyoin-san me mandou aqui e... - Num gesto desesperado, estendi a caixa para ele, que a olhou e me encarou em seguida, parecendo incrédulo - Aqui, eu trouxe wagashi...

Aqueles olhos verdes me analisaram de cima a baixo e então senti uma ponta de esperança. Talvez ele me convidasse para entrar.

- Sei... - Ele pegou a caixa de minhas mãos e pareceu um tanto indeciso, provavelmente ponderando se deveria ou não me expulsar - Entre. Eu fiz café.

- O... O quê? Não vai me expulsar?

Ele franziu a sobrancelha, confuso.

- Se é o que quer, então... Obrigado pelos doces.

Rohan-sensei ia fechando a porta e eu a segurei com o pé, me amaldiçoando por dentro por ter perdido completamente o rumo da minha vida.

- Não! Eu quero entrar!

Ele revirou os olhos e abriu a porta novamente, me dando espaço.

- Tire os sapatos. E... bela camiseta, Higashikata.

Sorri aliviado.

Pelo visto, ele não me odiava tanto assim.



Notas Finais


Bom, eu já atualizei nas notas do capítulo anterior, mas vou colocar aqui também. Wagashi são docinhos tradicionais japoneses, geralmente feitos com mochi, anko e frutas.

A inspiração para o Diamond foi o Bond, o cãozinho da Anya do mangá Spy X Family, uma obra pela qual também sou apaixonada!

Espero que vocês estejam curtindo!

Até a próxima atualização! ^^


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