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História This dangerous city - Capítulo 10


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Notas do Autor


Voltei!
Mais uma vez, desculpa a demora em atualizar.
Enfim, eu escrevi esse capítulo ouvindo a música I'll Be Good do James Young. O capítulo eu achei ele tenso, mas morno ao mesmo tempo... Eu fiz mais pra dar mais profundidade para as coisas que a Sakura está passando no momento.
Bom, eu espero que gostem e boa leitura.

Capítulo 10 - Por amor


Ao abrir meus olhos eu pensei que estava morta, mas então eu lembrei que mortos não pensam, até onde eu sei. No entanto, assim que a luz mórbida e gélida da lâmpada fluorescente acima de mim me atingiu, a dor em meu ombro também se fez presente, como se eu houvesse acabado de ser baleada, e aquilo também me lembrou que eu estava viva. Eu gemi enquanto tentava me levantar do chão frio, sentindo todo o meu corpo doer. Olhando ao redor eu ainda estava no porão, onde tudo havia acontecido, e então as memórias me atingiram em cheio.

Automaticamente eu olhei para trás, apenas para ver o corpo inerte e frio de Itachi sentado ao lado da cama, com a cabeça pensa para o lado. Uma angústia e um tremor atingiram meu peito, mas eu não chorei. Eu me ergui indo a passos lentos e dolorosos em sua direção, e me ajoelhei ao seu lado. Havia uma poça enorme de sangue parcialmente seco ao seu redor, e um buraco de bala em seu peito. Seus olhos estavam abertos, mas vazios, encarando sem vida algum ponto qualquer do chão. Passei a mão levemente por eles, controlando um choro no fundo da minha garganta.

A arma ainda estava ao seu lado, então eu a peguei e andei de volta ao armário de remédios, buscando por utensílios estéreis para fechar meu ferimento. Eu não era nenhuma médica, e todas as coisas que eu sabia sobre medicina era aquilo que eu tinha visto nos filmes, porém eu tinha que tentar de qualquer forma, afinal não poderia ficar sangrando por muito mais tempo. Eu já estava me sentindo um pouco tonta e fraca, o que possivelmente era um resultado do sangue que eu havia perdido no tempo em que estive inconsciente.

Nas gavetas brancas acinzentadas, aonde os remédios se encontravam, eu achei agulha e linha, assim como algumas gazes e remédios. Felizmente a bala havia atravessado, então eu não precisaria me dar a dor e o trabalho de retirar ela da minha carne, apenas costurar o buraco pelo qual ela havia passado. Com ajuda do meu braço bom e da minha boca, eu prendi a linha na agulha de sutura, deixando-a em cima de uma bandeja de prata estéril enquanto eu respirava fundo e jogava um pouco de antisséptico na ferida, gemendo de dor à medida que eu sentia arder a carne exposta. Com a mão tremendo eu coloquei o frasco de antisséptico de volta na bancada. Respirando fundo mais uma vez antes de pegar a agulha em mãos e leva-la em direção ao buraco em meu ombro.

Demorei aproximadamente uns cinco minutos antes de ter coragem o suficiente para tal, mas finalmente, eu enfiei a agulha com uma força desnecessária em minha carne. Dessa vez eu não segurei o grito, assim como algumas lágrimas que caíram dos meus olhos, enquanto eu costurava lentamente minha pele. Ao chegar ao final do processo, eu percebi que teria de fazer a mesma coisa com a parte de trás do meu ombro, por onde a bala havia saído. Não sabia como deveria fazer aquilo, mas fiz, tomando o cuidado para não estourar os pontos que eu tinha acabado de fazer. A dor foi ainda maior, mas após alguns minutos ela havia diminuído. Ainda estava lá, lancinante, mas melhor do que no começo.

Quando terminei de me “consertar”, eu levantei o olhar e encarei meu reflexo no espelho do armário. Debaixo dos meus havia apenas olheiras profundas e escuras, na ponta dos meus cabelos, em meu rosto e pescoço, havia sangue seco. E meu rosto, no geral, estava cinza. Eu havia mudado tanto desde dessa manhã, quando acordei ao lado de Sasuke, sentindo seu perfume e seu calor me envolvendo. Agora a morte me envolvia, tão perto e tão familiar que eu quase fui completamente abraçada por ela.

Hidan podia ter me finalizado, como ele garantiu com Itachi. Ele sabia que ele morreria mesmo se ele não tivesse atirado em seu coração, mas ele atirou mesmo assim. Ele queria ter certeza. Mas, ele me deixou viva por algum motivo, quando podia ter tido a mesma certeza comigo. Hidan ainda se deu ao trabalho de dizer aquelas palavras para mim, “Caso você sobreviva, saia da cidade. Aqui não é o seu lugar.”. Mas, por quê? Por que ele tinha me deixado viva? Por que ele não me matou?

Eles estavam certos. Aqueles que me disseram que aquilo não era sobre mim, mas sobre algo além, que não me dizia respeito. Eu fui apenas por acaso inserida no meio desse caos. Eu fui o estopim. Suspirei, deixando que uma lágrima solitária caísse, mas não pude me dar ao luxo de chorar ainda mais, pois barulhos de passos vindos do andar de cima atraíram minha atenção.

Peguei a arma com força em meu punho, sentindo metal frio arder devido a força com a qual eu a segurava. Segui os passos olhando para cima, percebendo que eles se aproximavam da escada. Andei em direção a ela, escorando-me na parede ao lado e esperando quem quer que fosse descê-las. Mirei em direção a entrada, controlando minha mão que tremia. Quando a pessoa, escondida um pouco pelas sombras passou, eu encostei o cano da arma em sua nuca. Pude perceber que se tratava de uma mulher, um pouco mais alta do que eu, mas quando eu me retirei das sombras e olhei por outro ângulo, eu vi quem era. Tsunade.

ꟷ Meu Deus! – exclamei, dando um grande suspiro enquanto abaixava a arma. ꟷ Eu podia ter te matado!

ꟷ E ainda bem que não o fez! – falou a mulher, virando-se para mim e tomando a arma das minhas mãos. ꟷ Senhor, o que aconteceu com você criança...

Mas assim que ela terminou sua fala, sua visão percorreu o cômodo, para finalmente encontrar o corpo de Itachi. Tsunade não disse nada, ela apenas andou em direção a ele, agachando-se em sua frente. Atrás dela eu pude ver Asuma, o homem que havia me lavado da rodoviária a universidade em minha primeira noite. Asuma trajava um sobretudo preto, que escondia todas as suas roupas por baixo, mas não o revolver que ele levava nas mãos.

ꟷ Itachi... – ela chamou por seu nome, tocando com os dedos em seu pescoço e então virando-se para mim. ꟷ O que aconteceu com ele?

ꟷ Hidan... Quando eu cheguei aqui ele já estava bem ferido, mas então Hidan chegou e ele... Matou Itachi – falei, olhando para o chão, encarando meus próprios pés. ꟷ E-Ele também levou Izumi com ele.

Então, dando-se conta de que uma pessoa estava faltando, Tsunade ergueu seus olhos para a cama vazia. Ela então se levantou, andando em minha direção e olhando a ferida em meu ombro.

ꟷ Por que veio até aqui? – perguntei, vendo enquanto ela analisava de perto o meu ombro.

ꟷ Sasuke me pediu para procurar você. Ele me ligou dizendo que haviam sido atacados pela Akatsuki, e disse que você talvez estivesse correndo perigo – ela disse, agora andando de um lado para o outro enquanto passava a mãos pelos cabelos em parar. ꟷ       Eu fui até o shopping onde ele disse que a havia deixado e assim que cheguei lá, advinha? Pessoas assustadas com uma garota de cabelos rosas que ameaçou um grupo de garotas com uma arma e fez refém um velho num carro.

ꟷ Eu não quis fazer nada daquilo – disse, olhando de Tsunade para Asuma em busca de consolo, talvez? ꟷ Mas... eu tive.

ꟷ Sim, você teve. Assim como vai ter que fazer muitas coisas que não gosta, Sakura – Tsunade chegou mais perto, ficando a pouco centímetros de mim e encarando-me com seriedade. ꟷ Eu posso aliviar sua barra agora e ser a entregadora de más notícias para Sasuke, avisando que seu querido irmão mais velho foi morto, mas em troca você fará algo por mim, por todos nós. Uma escolha.

ꟷ Escolha? – perguntei relutante, não entendendo aonde ela queria chegar.

ꟷ Sim, uma escolha – ela repetiu, batendo com a ponta de seu dedo no meu ombro bom, me empurrando de leve para trás. ꟷ Está claro que você está no meio do muro. Não sabe se aceita essa loucura em que foi metida ou se foge, mas agora chegou a hora de escolher. Aqui nós arriscamos tudo pelos nossos, tudo. Isso que você está vendo, esse sangue no chão, se tornará algo habitual. Quando Sasuke descobrir que Itachi foi morto por Hidan e levou Izumi com ele, os portões do inferno irão se abrir. Algo muito pior do que você viu até agora irá acontecer, e você precisa estar pronta. Você tem que aceitar isso ou ir embora, a escolha é sua.

Engoli em seco, olhando estaticamente para Tsunade. Meus olhos marejaram e eu me xinguei mentalmente por estar sendo fraca novamente, mas Tsunade levou sua mão quente até minha bochecha, passando seus dedos com leveza pelo meu rosto e limpando uma lágrima que caia.

ꟷ Sua vida nunca será normal depois disso tudo, mesmo que você se vire e vá embora. Você nunca será uma estudante de música, como você desejava que fosse. Você tem que ser forte. Chega de lágrimas – ela falou, fazendo-me automaticamente puxar meu choro para dentro. ꟷ Agora, temos que ir.

Tsunade passou por mim e seguiu em direção as escadas, mas ela esperou por mim, assim como Asuma. Na verdade, o homem se encarregava de colocar um pano sobre o rosto de Itachi e pegar seu corpo com cuidado. Subi a escada junto de Tsunade na frente, enquanto Asuma trazia Itachi em seus braços.

Porém, quando estávamos quase saindo do pub, eu me senti obrigada a puxar Tsunade pela manga do seu casaco verde água. A mulher parou, olhando para mim e esperando que eu prosseguisse.

ꟷ Onde está Sasuke e os outros? Eles estão bem? – perguntei, esperando pelo pior.

ꟷ Eu não sei como ele está. Mas alguns estão com Sasuke e Naruto em uma cabana das montanhas, que pertence ao tio de Naruto, Jiraiya – falou a mulher, puxando um maço de cigarro do bolso do casaco e acendendo um. ꟷ Outros acabaram se separando e indo para lugares diferentes após o ataque. Estamos indo buscar Hinata e Temari. Elas estão na casa de Karin, mas não é um lugar seguro. Agora não é o melhor momento para eu te dizer tudo. Aqui também não é seguro e precisamos sair daqui o mais rápido possível.

Então saímos do lugar. A claridade do lado de fora incomodou meus olhos, fazendo com que eu piscasse repetidas vezes com a ardência que a luz proporcionava. Logo, eu me habituei novamente ao ambiente externo, mas não pude deixar de pensar o quão assustador era aquilo. Não fazia muito tempo que eu estava no porão, mas ainda assim, parecia que eu estive presa ali embaixo durante anos.

A breve caminhada até o carro de Tsunade, um grande carro vermelho cuja marca eu não conhecia, era interminável. Em câmera lenta eu a vi abrindo a porta do porta malas e ajudando Asuma a colocar o corpo de Itachi ali, então abrindo a porta de trás para que eu entrasse. Diferente da minha primeira noite, Asuma não veio ao meu lado no banco de trás enquanto me explicava como a universidade funcionava, na verdade, ele foi no banco da frente dirigindo, e Tsunade veio ao meu lado, fumando silenciosamente seu cigarro.

À medida que Asuma dirigia calmamente pelas ruas silenciosas da cidade, eu olhava para fora pensando. Eu não podia mais pensar sobre o passado e sobre as coisas que eu deveria ter feito diferente, apenas para não estar aqui nessa situação. Eu estava pensando sobre o futuro, e sobre a escolha que eu deveria fazer. Achei que seria simples por conta de tudo que eu sentia por Sasuke, mas não era.

Eu faria o que Tsunade me dissera. Eu iria pensar na minha escolha. Mas dessa vez sem lágrimas. Chega de lágrimas.

 

 

Nós dirigimos por alguns minutos até que finalmente chegamos em uma região do subúrbio, onde as casas eram todas iguais, até mesmo na sua cor pastel magenta, azul e amarelo. Asuma parou em frente a uma dessas casas, que apenas se diferenciava das demais devido a um grande apanhador de sonhos vermelho que ficava pendurado na varanda, com o vento batendo nelas, fazendo mover as penas avermelhadas nas pontas.

ꟷ Nós entramos e chamamos elas. Asuma você fica de olho no lugar – disse Tsunade, recebendo apenas um aceno de cabeça do homem.

Uma sensação ruim tomou conta do meu coração quando ficamos ambas de pé, encarando a porta de madeira branca, esperando que alguém atendesse a porta. Alguns minutos depois, Karin abriu ela. Ela estava com uma camisa branca de manga longa e uma calça jeans preta. Seus cabelos vermelhos desciam como cascatas pelo seu corpo. Ela olhava para nós com uma sobrancelha arqueada enquanto mascava um chiclete, porém ela não disse nada, apenas abriu mais a porta e deu espaço para que entrássemos.

ꟷ Boa sorte – ela disse com um sorriso sarcástico no rosto, assim que entramos, logo batendo a porta com tudo atrás de nós.

Olhei para Tsunade confusa, enquanto via pelo canto dos olhos a ruiva se distanciar. Um barulho vindo do andar de cima chamou nossa atenção e automaticamente nós duas começamos a subir as escadas, com os saltos de Tsunade batendo com força na madeira abaixo de nossos pés. Assim que chegamos ao topo da escada, vimos Temari, a namorada de Shikamaru, encostada em uma porta e com a mão na maçaneta, falando com quem quer que estivesse do outro lado.

ꟷ Temari – chamou Tsunade, a mulher olhou para nós duas, com marcas cinzas de sujeira em seu rosto.

ꟷ Tsunade – ela disse com alívio, escorregando para o chão. ꟷ Eu não sei mais o que fazer. Hinata ela...

ꟷ Acalme-se, menina – falou a reitora, passando a mãos por seus cabelos. ꟷ Hinata está aí dentro?

ꟷ Sim, desde que chegamos. Ela entrou em pânico! Depois que tudo aconteceu no pub... Eu não sei como acalma-la. Nós tentamos de tudo, mas ela apenas se trancou aí dentro e se recusa a sair – falou Temari, passando a mãos por seus cabelos sujos.

ꟷ Tudo bem, tudo bem. Vá se acalmar, tomar uma água, qualquer coisa. Nós iremos dar um jeito em Hinata – Tsunade disse, ajudando Temari a se levantar.

Quando Temari já descia as escadas eu me voltei para Tsunade, vendo que ela já estava pronta para bater na porta.

ꟷ Tsunade... Deixe isso comigo. Deixe que eu fale com ela – eu disse, apenas vendo o olhar relutante da loira. ꟷ Por favor.

ꟷ Tudo bem. Se você acha que consegue – ela disse, já andando em direção as escadas. ꟷ Estou na cozinha. Me chame se precisar.

Tsunade logo desapareceu da minha visão. Eu olhei para a porta bege, tentando escutar qualquer coisa que viesse do lado de dentro, mas não havia nenhum som. Dei leves batidas na porta, esperando que Hinata me respondesse por meio de um milagre, mas nada.

ꟷ Hinata? Sou eu, Sakura – falei, torcendo para que ela se alegrasse ao ouvir minha voz e me respondesse, mas ainda não foi suficiente. ꟷ Você está bem? Tsunade e eu viemos buscar vocês. Ela te disse que Sasuke e os outros estão na cabana do tio do Naruto? Nós vamos para lá ficar com eles e você vai poder ficar com Naruto.

Ainda nada. Virei-me de costas para porta, escorregando até que ficasse sentada apenas encarando a luz do entardecer que saia de uma janela alta. Olhei para minhas mãos enquanto pensava em uma forma de convencê-la a falar comigo, vendo que ao redor das minhas unhas e embaixo delas, havia sangue seco impregnado. Eu não sabia como fazer aquilo, realmente não sabia como fazer nada do que era obrigada a fazer para sobreviver. Eu apenas fazia e torcia para dar certo, como sempre.

ꟷ Desculpa não ter ido para o pub essa tarde. Sasuke me disse que você fez um bolo pra’ mim. Eu adoraria ter estado lá para provar ele, sabe? – falei, abraçando minhas pernas e apoiando minha cabeça nos joelhos. ꟷ Mas eu fui burra, como sempre. Eu confiei em alguém que não deveria, uma amiga, mas que me atraiu. Na verdade, eu não sei se posso confiar em mais ninguém, nem em mim mesma. Mas, se eu simplesmente deixar de confiar em todos, eu não terei mais ninguém, não é? Acho que no fim das contas eu não lido bem com a solidão. Não da forma como eu achei que lidava. Quando eu cheguei eu pensei que Izumi seria minha primeira grande amiga, mas então tudo desmoronou como um castelo de cartas. E, no fim das contas, eu fui uma péssima “amiga” para ela. Depois que tudo aquilo aconteceu com ela, eu não a visitei, não perguntei como ela estava... Eu me esqueci dela, mesmo que ela assombrasse meus pensamentos todos os dias. Bom, pelo menos aquela noite me assombra. Acho que eu estou me esquecendo de quase todas as partes boas da minha vida, pelo menos as poucas partes boas que eu vivi. Minha vida com Chiyo, a mulher que cuidou de mim, Izumi e a sua personalidade excêntrica e viva, você... Parando para pensar os dias que eu passei aqui com você, Sasuke e Naruto foram os melhores dias. Meu Deus, creio que eu estou até me esquecendo de Itachi e Naruto e como os dois me fizeram sentir bem aqui. A questão é Hinata, que mesmo que eu esteja me esquecendo das coisas boas, eu não quero me esquecer mais. Eu quero me lembrar delas e mantê-las vivas nas minhas memórias para sempre.

Eu falei, disse tudo que estava dentro de mim para Hinata, coisas que nem eu mesma sabia que precisava dizer, mas disse. De repente parecia que uma pedra gigantesca tinha saído de dentro de mim, tornando-me mais leve. Eu não sabia se as palavras faziam sentido no momento que deixavam minha boca, mas para mim faziam sentido e eu me senti bem em dizê-las.

ꟷ Lembra do dia em que eu fiz minha tatuagem? Você estava lá comigo, segurando minha mão para que eu não sentisse medo da dor – continuei, estendi minhas pernas e observei a noite cair pela janela. ꟷ Com você ao meu lado eu nem mesmo vi o tempo passar. Você me contou sobre Naruto e você, sobre como ele queria ter uma família com você. E você me disse que talvez eu estivesse aqui por um motivo maior, que nem eu ou você éramos capazes de compreender ainda. Eu ainda não sou capaz de compreender, mas eu sei que preciso de você ao meu lado para me ajudar a fazer isso. E sabe, você pode achar que eu me esqueci, mas ainda temos que fazer aquele nosso dueto.

Então acabou. Com certeza eu tinha mais coisas para dizer sobre tudo aquilo, mas eu não achei as palavras corretas para me expressar, e eu não queria forçar falsos dizeres. Mas, como em um passe de mágica a porta se abriu, e eu pendi minha cabeça levemente para trás, vendo Hinata parada na porta, olhando para frente com um sorriso e algumas lágrimas descendo pelo rosto.

ꟷ Você foi burra mesmo. O bolo estava delicioso. Era de morando com creme. Sasuke disse que você ama morangos – falou, procurando por mim com suas mãos.

Eu me levantei sorrindo e peguei suas mãos nas minhas, colocando-as no meu rosto. Hinata tateou minha face e então ela veio com tudo em minha direção, abraçando-me. Eu ainda tinha sangue no meu rosto e não queria que ela se sujasse, até que percebi que ela também estava suja de sangue. Eu a abracei também e ficamos daquele jeito por alguns minutos, até que ela finalmente se separou de mim.

ꟷ Eu não sei como ele sabe que eu amo morangos – eu disse, e nós duas rimos.

ꟷ Obrigada, Sakura – ela disse, olhando diretamente para os meus olhos, como se pudesse ver através de mim. ꟷ Você é uma boa amiga sim.

Eu não pude dizer nada, estava envergonhada, mas ao mesmo tempo feliz por aquilo. Ajudei Hinata a descer com cuidado as escadas, no entanto, ela poderia fazer aquilo muito facilmente sem a ajuda de ninguém. Assim que descemos o último degrau eu avistei Tsunade, Karin e Temari na cozinha, conversando apoiadas no balcão. Temari já tinha um visual um pouco melhor do que de mais cedo quando chegamos. Suas roupas ainda estavam sujas, mas seu rosto e cabelo pareciam estar mais limpos, assim como sua feição estava mais viva.

ꟷ Você é um anjo – disse Temari, quando viu Hinata e eu chegar na cozinha. ꟷ Que mágica você usou para tira-la de lá?

ꟷ Palavras – eu respondi simplesmente, pois não havia melhor resposta.

ꟷ Ótimo! – exclamou Tsunade, batendo as mãos no balcão e olhando para todas nós. ꟷ Acho que ainda temos um pouco de tempo antes de sairmos. A viagem até as montanhas vai durar algumas boas horas, então eu recomendo que peguem tudo que for necessário para a viagem e se arrumem. Karin, você se importa que as meninas se arrumem aqui?

ꟷ Não, não quero viajar sentindo o cheiro de sangue – respondeu a ruiva, rolando os olhos e explodindo o chiclete que mascava em uma bolha, enquanto colocava para si mesma uma dose de vodca.

ꟷ Obrigada – falei, vendo seu olhar cortante passar por mim.

Não podia me esquecer que no fim das contas eu havia matado alguém que ela amava. Estava surpresa que ela ainda não tinha tentado me matar por isso, mas cá estava eu em sua casa. Ainda não tinha me convencido de que Suigetsu tinha merecido o que eu fiz com ele. Talvez ele não merecesse, pelo menos, não pelas minhas mãos. Mas aquele não era o momento. Sem pensar no passado, Sakura.

ꟷ Dispo-

O barulho da porta da frente se abrindo com força fez Karin pausar sua fala no meio, e todas nós olhamos para a porta assustadas. Arregalei os olhos quando vi de quem se tratava, não acreditando que ela estava ali. Konan estava parada na entrada da cozinha, apontando uma arma para nós. Suor escorria de sua testa, assim como sangue escorria de seu nariz, onde um corte atravessava ele.

ꟷ Konan... – chamei, vendo que ela respirava profundamente, enquanto passava os olhos por todo o cômodo.

ꟷ Como você entrou aqui? – perguntou Tsunade, provavelmente pensando em Asuma, assim como eu estava.

ꟷ Seu guarda costas não é lá aquelas coisas. Ele apenas parece durão – ela respondeu, dando alguns passos em nossa direção. ꟷ Não se preocupem. Eu não fiz nada com ele, apenas desmaiei ele. Eu não quero machucar ninguém, eu nunca quis. Então, por favor, não me obriguem. Tsunade, eu sei que você tem uma arma com você, então coloque ela no chão e chute para mim. Sem gracinhas.

Tsunade engoliu em seco, mas eu pude ver pelo canto dos olhos que ela fervia de raiva. A reitora fez exatamente o que Konan pedira. Ela se agachou lentamente até o chão e colocou a arma no piso, chutando-a em direção a mulher que a parou com pé e a colocou na mesinha ao lado, sem nunca tirar a mira e o olhar de nós.

ꟷ O que você faz aqui, Konan? – perguntei, com as mãos levantadas na altura da minha cabeça, dando um pequeno passo em sua direção.

ꟷ Parada! – ela exclamou, mais assustada do que irritada. ꟷ Acho que nós duas sabemos o que acontece quando você chega perto demais. Sakura, eu vim apenas para te manter segura. Eu sei que eu traí sua confiança, mas eu não quero perder você. Eu fiz o que fiz porque Hidan era a única coisa que eu tinha, até você aparecer. Você foi a única coisa que me tirou dessa droga de guerra, que me fez esquecer todas essas merdas me sufocando. Eu sei que você não me ama, mas eu só quero te manter segura e se possível, seu perdão.

ꟷ Eu estou segura, Konan – falei, dando um sorriso triste. ꟷ Quando você me disse tudo aquilo de uma vez, me contou a verdade, eu fiquei realmente brava. Mas, você foi minha amiga, eu sei que você não mentiu sobre isso. Konan, eu...

Mas antes que eu pudesse continuar, o barulho de um tiro me impediu, fazendo eu me calar pelo repentino susto. O tiro parecia abafado, como um silenciador tivesse amenizado o som, mas ainda assim o barulho preencheu o lugar e alguns cachorro começaram a latir na rua. Konan soltou a arma de suas mãos que caiu no chão, assim como ela caiu no chão alguns segundos depois, apertando sua garganta que sangrava com ambas as mãos, enquanto cuspia sangue de sua boca.

Olhei para trás sem saber o que tinha acontecido, vendo Karin com uma arma com silenciador nas mãos, tomando sua vodca como se não houvesse feito nada demais e uma expressão pacífica no rosto.

ꟷ Me poupe – disse ela, estalando a língua e repousando a arma no balcão.

Fui em direção a Konan, ajoelhando-me ao seu lado e puxando sua cabeça para as minhas coxas, vendo que ela lutava para respirar. Konan me olhava com lágrimas rolando de seus olhos. Tentei pressionar a ferida para impedir o sangramento junto a ela, mas não adiantava. Muito sangue jorrava dali. Embora eu realmente tenha ficado brava com ela após tudo o que ela me disse, eu não desejava sua morte. Parecia que mais uma vez eu estava perdendo alguém.

ꟷ Eu te perdoo – falei rapidamente, com medo de ser tarde demais. ꟷ E eu te amo.

ꟷ M-Me-Mesmo? – ela perguntou, fazendo sair ainda mais sangue de sua boca.

ꟷ Sim... Mesmo – disse, mesmo sendo uma mentira, mas não importava, se ela acreditasse em seus momentos finais em algo bom, então tudo bem.

Eu estava mentindo, assim como ela fizera comigo, mas assim como eu a perdoei por suas mentiras, ela teria que me perdoar pelas minhas.

ꟷ Co-Costas... Mi-Minhas cos-costas – Konan falou, e eu confusa tateei com cuidado suas costas, notando que havia algo preso na parte de trás de sua calça.

Retirei o objeto dali, notando que era o caderno com a música que Konan havia composto para mim. Eu soltei uma breve risada, vendo um sorriso se formar no rosto dela. Então eu me inclinei sem sua direção, deixando um singelo selinho em seus lábios. Eu fiz aquilo, por amor. Um amor de amiga.

ꟷ Obrigada – falei, sorrindo, deixando o caderno de lado e passando suavemente a mão por seus cabelos. ꟷ Obrigada.

Konan não disse nada, ela não conseguia mais falar. Ela buscou ar para poder me responder, mas ela também não conseguia respirar. Aos poucos o sorriso em seu rosto morreu, e seus olhos que antes ainda tinham um pouco de vida, tornaram-se vazios. Naquele momento eu me lembrei de Itachi e de como ele também tinha morrido de olhos abertos. E assim como eu fiz com ele, eu passei minhas mãos lentamente pelos olhos de Konan, fechando-os.

Em um dia, no espaço de poucas horas, eu havia fechado os olhos de duas pessoas que morreram nos meus braços. Porém, quando eu fechei os de Konan, eu não chorei. Eu me apeguei as palavras de Tsunade, “chega de lágrimas”.

ꟷ Por que fez isso? – perguntei neutra, sem raiva ou irritação em minha voz, apenas confusão. ꟷ Por que matou ela?

Karin não me respondeu, até o momento que ela passou por mim, deixando o recinto.

ꟷ Estamos quites agora – ela falou, antes de desaparecer.

Senti uma mão sobre meu ombro e ao olhar vi ser a de Tsunade.

ꟷ Vou ver como Asuma está. Infelizmente, terei que pedir que você e Temari deem um jeito no corpo – ela disse, saindo pela porta da frente.

Olhei de Temari para Hinata, que tinha uma expressão de medo no rosto. Dar um jeito no corpo... Me livrar dele? Não podia fazer isso com Konan, mesmo que ela fosse membro de um clã inimigo, mesmo que ela tivesse mentido para mim. Eu acreditava nas palavras finais dela. Konan me amava, pela mesma forma que Sasuke me amava. Konan queria me manter segura, da mesma forma que Sasuke queria me manter segura. Como eu poderia apenas me livrar dela? Não poderia.

Temari me ajudou a enrolar o corpo em um largo tapete que Karin tinha. Eu havia decido que daríamos um enterro digno para Konan, assim como daríamos para Itachi. Tsunade e Temari tentaram me convencer que seria menos trabalhoso se simplesmente deixássemos o corpo em algum lugar, afinal elas não se importavam com Konan. Eu não as culpo. É difícil se importar com alguém que você não conhecesse ou simpatiza, mas ainda assim, eu as fiz entender meu lado. Quando Asuma acordou ele me ajudou a colocar o corpo de Konan no porta malas do carro de Karin, que também usaríamos para ir até as montanhas.

Asuma estava bem. Ele se sentia um pouco tonto e envergonhado por ter sido nocauteado com tanta facilidade, e havia pedido um milhão de desculpas para Tsunade. Naquele momento eu dei uma pequena risada para mim mesma, pensando que talvez ele sentisse algo por ela, mas que claramente não era correspondido pela loira. Então, eu abaixei meus olhos dos dois que discutiam, analisando minhas mãos novamente. Agora o sangue seco meu e de Itachi, estava coberto pelo sangue fresco de Konan.

Então a visão das minhas mãos foi apagada, por um pano molhado que foi colocado em cima delas. Ao erguer meus olhos eu vi Karin, olhando para mim não com um rosto feliz, macabro, sarcástico ou malicioso, mas sim com uma expressão normal, e de certa forma eu senti que ela me entendia. Claro que ela me entendia, eu havia tirado alguém que ela amava dela, mas ainda assim ela estava me demonstrando... Compaixão.

Ela não disse nada, mas ela não precisou. Eu não me ressentia por ela ter matado Konan, assim como talvez ela não se ressentisse mais por eu ter matado Suigetsu.

Talvez tudo isso tenha sido por amor.


Notas Finais


Então, o que acharam?
Apenas para contextualizar algumas coisas. A Sakura não sentia nada além de amizade pela Konan, ela apenas disse aquilo e beijou ela porque ela queria suavizar aqueles momentos finais da Konan, que amava ela. Então, de certa forma ela fez por um amor de amiga. Ela também não ficou brava com a Karin porque ela entendeu os sentimentos dela e do motivo pelo qual ela matou Konan.
Eu adorei fazer esse capítulo, mais pela parte em que a Sakura fala todas aquelas coisas para a Hinata, do que o resto rsrsrsrs
Agora, como Hidan vai lidar sabendo que irmã foi morta? E como Sasuke vai lidar sabendo que Itachi foi morto?
Enfim, eu espero que tenham gostado e até a próxima.


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