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História This is (not) a dream. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Parece um conto de fadas...


Adivinhem. Eu não acordei no conforto da minha casa.

Porém devo dizer que esse lugar era muito mais bonito e aconchegante do que a casa de Wonwoo. Me levantei lentamente, sentindo minha nuca latejar um pouco, e olhei ao redor. As paredes e o teto pareciam de mármore branco, a cama em que eu estava era tão confortável que eu me sentia numa nuvem fofinha. Havia uma enorme janela ao meu lado com detalhes em tons pastéis de amarelo; mais à frente havia um enorme guarda-roupa branco e uma penteadeira da mesma cor. Todo o quarto tinha cheiro de lavanda e eu quase voltei a dormir se não fosse pelo garoto no canto me encarando atentamente.

Levei um susto tão grande que quase saí voando pela janela. Ele parecia mais jovem do que eu e vestia roupas verdes que mais pareciam pedaços grandes de folhas costurados, seus cabelos pretos realçavam seu rosto branco.

— Olá, Mingyu.

— Quem é você? — Engoli em seco e me encolhi na cama.

— Eu tenho vários nomes, mas gosto quando me chamam de Chan. — Ele sorriu e se aproximou de mim lentamente — Você está bem longe de casa, hein, garoto.

— C-Como sabe meu nome? — Murmurei enquanto encarava seu rosto. Ele pareceu velho naquele momento, jeito que ele me chamou de "garoto" me deixou confuso, mas ao mesmo tempo suas feições me lembravam as de um menino de 19 anos.

— Você acha que não é o rei da profecia, mas você é, Mingyu. — Chan ignorou minha pergunta e passou os dedos pelo batente da janela, respirando fundo quando uma brisa bateu em seu rosto.

— Eu não tenho poderes mágicos. — Neguei com a cabeça — Eu só sou uma pessoa comum. Eu nem sei como vim parar aqui!

— Todos temos poderes, só precisamos descobrir como usá-los. — Chan disse, ainda olhando pela janela — Você vai descobrir como usar os seus.

— O quê? — Pisquei rapidamente, surpreso — Eu tenho poderes?

— A magia está nos olhos daqueles que acreditam. — Chan fechou os olhos e sorriu — Você não precisa de um cajado, ou asas, para ser considerado uma criatura mágica.

Sinceramente, eu não estou entendendo absolutamente nada do que esse doido está falando. Por que esse pessoal não pode falar tudo de uma vez, sem criar mistério ou charadas? Eu não tenho cabeça para ficar decifrando essas coisas toda hora, não. Antes que eu falasse mais alguma coisa, Chan ofegou, me assustando.

— A floresta... — Ele disse, abrindo os olhos, quase soltei um berro ao vê-los completamente negros — Ela está morrendo.

E então, de repente, a porta do meu quarto se abriu e eu soltei um grito.

— Ah! Majestade! — Um garoto sorriu nervoso ao me ver, ele tinha cabelos pretos e bochechinhas adoráveis — Me perdoe o susto, mas estou feliz em vê-lo acordado! Precisa de alguma coisa?

— E-Eu... — Me virei para encarar Chan, mas percebi que ele havia sumido — O-Onde ele...

— Majestade? — O garoto disse, agora do meu lado. Soltei outro grito e ele deu um pulinho de susto — O que aconteceu?

— E-Eu... N-Nós... — Engoli em seco e respirei fundo. Não é hora de desespero, Kim Mingyu, levanta a cabeça e encara os problemas. Você é incrível e não há ninguém como você — Eu preciso de um banho.

— Oh! — O garoto riu e bateu palminhas — Sem problemas, vou preparar sua banheira. A propósito, meu nome é Seungkwan.

Após Seungkwan abrir uma porta ao lado da penteadeira, que até então era inexistente para mim, decidi me levantar. Respirei fundo e me espreguicei, tentando assimilar o que estava acontecendo. Pelo visto eu era um rei de alguma profecia e precisava salvar esse tal reino chamado Siena. E, aparentemente, todo mundo nessa porcaria de lugar tem cabelo preto, ou seja, só eu tenho o cabelo de fósforo. Criaturas mágicas, e a magia em si, são reais aqui, e pelo visto eu também tenho magia.

Ok, cheguei a conclusão de que nada faz sentido. Eu quero voltar para casa, não aguento mais. Mamãe, onde está você?

— Majestade, sua banheira está pronta. — Seungkwan sorriu, me encarando.

Passei a mão em meus ombros e percebi que estava sem camisa. Tossi sem graça e caminhei até a porta que ele abriu. Devo admitir que fiquei impressionado, aquele banheiro era enorme e maravilhoso, tudo parecia de mármore e um cheirinho de canela adentrou minhas narinas. Levei um susto quando senti as mãos de Seungkwan na minha cintura.

— Hã, o que você está fazendo?

— Tirando sua roupa, majestade.

— Eu posso fazer isso sozinho, fique tranquilo. — Soltei uma risada nervosa, o afastando, e segurei o cós da calça, franzi a testa ao perceber que Seungkwan me encarava atentamente — Você... Não vai sair?

— Quem vai lhe dar banho, majestade? — Ele piscou inocentemente.

— Eu mesmo. — Limpei minha garganta e sorri, sem graça — Pode ir.

— Mas, meu senhor, eu insisto.

— Não, eu insisto. — Ergui as mãos e soltei outra risada nervosa — Saia e feche a porta, por favor.

Seungkwan estou a língua e se reverenciou, saindo do banheiro em seguida. Santo Deus, que situação.

Me despi rapidamente e entrei na banheira com água quente e cheirinho de canela. Fechei os olhos e afundei meu rosto até a metade. Preciso encontrar Suyeon, ela deve estar aqui, eu sinto isso. Comecei a esfregar meu corpo e a me lavar, porque com certeza eu devo estar num fedor que só a peste. Após me limpar, submergi na água totalmente e fiquei por lá. Entretanto, me lembrei da tinta no meu cabelo e me ergui rapidamente, com medo que ela saísse na água. Suspirei aliviado ao perceber que nada acontecera.

— Mingyu.

Soltei um grito de susto e bati minhas costas na parede da banheira. Me virei e encarei Wonwoo no canto, com seu cajado em mãos.

— Majestade? — Seungkwan bateu na porta — Está tudo bem?

— Está sim! Não se preocupe! Entrou sabão no meu olho! — Respondi prontamente, e então encarei Wonwoo — O que faz aqui? — Perguntei baixinho, ainda eufórico.

— Eu não posso deixá-lo sozinho nesse palácio! — Ele respondeu e se aproximou de mim — É perigoso! Além do mais, você mentiu pra mim!

— Menti porcaria nenhuma! Você que veio apontando o dedo pra mim, me chamando de rei. — Reclamei e passei a mão em meus cabelos, tirando o excesso de água — Nem consegui me explicar.

— Hm... Que seja. — Ele correu os olhos pelo meu rosto — Mas você precisa de mim mais do que nunca agora. Se descobrirem que você não é o verdadeiro rei da profecia, eles vão te enforcar!

— E as coisas só melhoram. — Resmunguei e afundei metade do rosto na banheira novamente.

— Tenho que admitir, o que você tem de idiota, tem de bonito. — Ouvi a voz de Minghao ao meu lado e engasguei com a água, ele estava sentado na quina da banheira, me observando — Que corpão.

— Minghao. — Wonwoo franziu a testa e seu cajado voltou a ser um anel — Ande logo, mude de tamanho.

— Sim, senhor. — O duende pulou no chão e, num piscar de olhos, sua altura se modificou para a de um humano normal, porém, pude ver suas orelhas pontudas por entre seus fios negros — Tchans! Ah, poxa, ainda sou mais baixo que vocês dois.

— O que significa isso? — Perguntei Wonwoo.

— Preciso de olhos e ouvidos nesse palácio, já que não sou bem-vindo aqui. — Ele balançou a mão e uma muda de roupas apareceu nos pés de Minghao — Se vista.

— Que furdúncio é esse? — A voz de Seungkwan foi-se ouvida.

Nós três viramos o rosto de uma vez e encontramos o garoto nos encarando de olhos arregalados. Ao meu lado, Minghao espirrou.

— Ah, maldita alergia.

Franzi a testa e observei o chão, pontos dourados e brilhantes estavam espalhados por ele. Como não percebi isso antes?

— Você é uma fada! — Apontei para Seungkwan e ele estalou a língua.

— Meleca. Por isso que eu odeio duendes, não sabem ser discretos.

— Ei! — Minghao rosnou.

— Você realmente não deveria estar aqui. — Seungkwan apontou para Wonwoo — O duque vai matá-lo se te descobrir.

— Eu já vou embora, eu só precisava saber se Mingyu estava bem. — Wonwoo suspirou — E precisava deixar uns dos meus.

— Quem mais está aqui? — Perguntei.

— Todo mundo. — Minghao respondeu, ele já estava vestido com as mesmas roupas de Seungkwan e se aproximava do dito cujo.

— Não me atrapalhe, tá me ouvindo? — Seungkwan resmungou e encarou Minghao furiosamente — Estou numa missão muito importante e não vou tolerar um duende maluco arruiná-la.

— Ah, me poupe, eu só vou ficar de olho nesse bobão aqui. Não me importo com suas maracutaias de fada. — Minghao revirou os olhos e espirrou — Odeio esse brilho ridículo.

— Podem nos dar licença? — Wonwoo pediu, me encarando. De repente, me senti exposto a ele, e, tecnicamente, eu estava mesmo, então me encolhi na banheira — Eu preciso falar a sós com Mingyu.

Minghao e Seungkwan se entreolharam e saíram do banheiro silenciosamente. Wonwoo se aproximou se sentou ao meu lado, abracei minhas pernas e ergui o olhar até ele.

— Como está a coxa? — Perguntei, me lembrando do corte que um dos guardas fez nele.

— Está bem, não está sangrando mais. — Ele suspirou e continuou me olhando — De onde você é?

— De um lugar bem longe daqui, talvez até de outra época. — Respondi, incerto, me senti um pouco hipnotizado observando suas íris se tornarem lilases — Seus olhos mudam de cor.

— Uma pequena maldição com qual eu nasci. — Ele piscou rapidamente e desviou o olhar — As cores remetem aos meus sentimentos.

— E o que lilás significa?

— Receio, eu acho. — Wonwoo murmurou — Porque não sei se devo ou não confiar em você, ou acreditar no que está dizendo.

— Não vejo motivo em mentir, eu estou desesperado, não sei o que fazer nem o que pensar. — Mordi o lábio inferior e me aproximei dele, ainda encolhido — Por favor, Wonwoo, eu preciso de você.

Wonwoo me olhou, seus olhos ainda estavam lilases.

— Até o verdadeiro rei aparecer, eu, e toda Siena, também precisa de você, Mingyu. Tome cuidado, esse palácio é perigoso.

Ele se levantou e seu anel se transformou em seu cajado, porém, antes que Wonwoo sumisse, eu puxei seu manto.

— Eu vou vê-lo de novo? — Perguntei, observando seus olhos voltarem ao castanho costumeiro.

— Não sei. — Ele disse e tirou o manto de minhas mãos — Adeus, Mingyu.

E desapareceu, deixando para trás uma pequena fumaça azul.

#

Quando abri a porta do banheiro, Minghao e Seungkwan quase caíram em cima de mim. Decidi não me importar com a curiosidade absurda daqueles dois, e pedi a Seungkwan que me arrumasse alguma roupa decente para vestir. Ele me arranjou uma calça de couro e uma camisa de seda confortável, ganhei até botas novas. Me senti renovado e pronto para qualquer desafio.

Bom, isso antes do homem de armadura entrar no meu quarto.

— O duque deseja vê-lo, majestade. — Ele disse, seus cabelos negros eram lisos e havia uma pintinha em sua bochecha. Ele era bonito.

— Claro. — Limpei a garganta e encarei Minghao e Seungkwan — Eles podem vir comigo? São meus... Hã...

— Servos pessoais. — Seungkwan sorriu doce, enquanto Minghao fazia uma careta.

— Mas nem a pau que eu vou ser servo desse imbec- Ai! — Ele parou de falar quando Seungkwan pisou em seu pé com força, ainda com aquele sorriso amigável no rosto.

— Certo. — O homem ergueu uma sobrancelha — Eles podem vir também.

Os corredores daquele palácio pareciam labirintos feitos de ouro. As paredes eram belíssimas, mas a chance de você se perder entre elas era enorme. Logo chegamos numa sala ampla e brilhante, haviam várias janelas lá e algumas estavam cobertas por grandes cortinas amarelas. Bem lá no fundo, perto da parede, três cadeiras estavam posicionadas lado a lado: uma grande e feita, eu acho, de ouro, encrustada de joias de todas as cores; uma menor, mas com a mesma decoração; e uma muito menor do que as outras duas, feita de madeira com desenhos cravados nela.

Um homem estava sentado nessa última cadeira. Ele tinha os olhos frios e cortantes, e uma expressão de dar medo. Ele me olhava como se eu fosse uma pedra no seu sapato e aquilo acabou com minha autoconfiança todinha.

— Então você é o grande rei da profecia? — O homem disse, sua voz reverberou por toda sala. O cavaleiro se afastou de mim e ficou ao lado dele prontamente.

— Hã, é, né. — Soltei uma risada sem graça.

— Diga-me teu nome.

— Kim Mingyu.

Ele se ergueu e desceu as escadas que davam para as cadeiras, se aproximando de mim. Devo dizer que fiquei um pouco menos intimidado depois que descobri que ele era muito mais baixo que eu. Suspirei aliviado enquanto ele me avaliava.

— Meu nome é Lee Jihoon. Eu sou o duque do castelo, majestade. — Pude perceber seus dentes se trincarem de ódio ao pronunciar aquela palavra — Primeiramente, queria me desculpar por Seungcheol, meu guarda, pelo baque na nuca.

— Ah, tudo bem, já estou acostumado. — Balancei a cabeça, rindo nervoso. De repente, memórias dos coices de cavalo e de vaca que já havia levado ao longo da vida inundaram minha mente. Acho que a dor foi parecida.

— Devemos avisar ao povo da sua chegada, creio que ficarão muito felizes, majestade.

— Certo. E como faremos isso?

— Um desfile! — Ele sorriu, não havia nada de amigável naquele sorriso — Mandarei as melhores vestimentas ao seu quarto e seu servos o vestirão. — Minghao resmungou alguma coisa atrás de mim, mas não dei muita importância — Sairemos daqui 20 minutos, se apresse, majestade.

— Alteza! — Um guarda correu até Jihoon e ofegou — A prisioneira foi pega fugindo outra vez.

— Traga essa bruxa até aqui. — Jihoon estalou a língua — Vamos decidir, definitivamente, o que fazer com ela.

— Sim, senhor. — Ele se balançou a cabeça e então se reverenciou a mim — Majestade, peço desculpas por hoje mais cedo.

— Sem problemas. — Respondi, então ele era Seungcheol? Quem seria o outro ali, parado ao lado do trono de madeira?

— Achamos ela ontem perambulando pelos jardins. — Jihoon me disse — Falando encantamentos e coisas de feiticeiros. Ah, eu odeio essa laia.

Não respondi. Desviei meu olhar até Minghao e Seungkwan, e percebi que eles estavam fuzilando o duque com os olhos. Me lembrei de Wonwoo e um sentimento ruim se instalou em meu estômago.

— Me soltem, suas latas de sardinhas fedorentas! — Ouvi uma voz feminina se aproximando — Eu vou descer a porrada em vocês dois, esperem só!

— Aí está. — Jihoon apontou para a garota sendo carregada por Seungcheol e outro guarda. Ela usava um vestido azul longo e seus fios negros, agora todos embaraçados, caíam por seus ombros.

— Suyeon? — Berrei, surpreso. Ela arregalou os olhos e se remexeu, tentando se soltar das mãos dos cavaleiros.

— Mingyu!

— Vocês... Se conhecem? — Jihoon estreitou os olhos.

— Sim! Ela não é bruxa coisa nenhuma! E-Ela é... — Engoli em seco e encarei Minghao e Seungkwan, em busca de ajuda, mas eles estavam tão perdidos quanto Jihoon — Ela é... Minha conselheira real!

— O quê? — Suyeon fez uma careta de confusão, porém, após Jihoon lançá-la um olhar frio, ela riu nervosa — Isso mesmo, conselheira real!

— Você aceita conselhos... De uma mulher? — Jihoon ergueu uma sobrancelha na minha direção.

— O que quer dizer com isso, seu imbecil? — Suyeon rosnou em sua direção.

— Mulheres são mais sensatas que muitos homens por aí, meu caro. — Soltei uma risada nervosa, tentando abafar o comentário da minha amiga, e olhei os guardas — Soltem ela.

Os homens a largaram prontamente. Suyeon arrumou o vestido no corpo e olhou feio para os guardas, correndo até mim em seguida. Ela me abraçou com força e eu devolvi o abraço, aliviado por tê-la ao meu lado novamente.

— Vocês têm uma relação íntima, pelo o que vejo. — Jihoon pigarreou.

— Enfim! — Seungkwan bateu as mãos e sorriu para Jihoon — Estaremos esperando as vestimentas do rei em seus aposentos. Até mais tarde, vossa alteza.

E me puxou com força para longe dali.

— Pode me dizer o que raios está acontecendo? — Suyeon gritou sussurrado enquanto voltávamos ao meu quarto — Que patifaria é essa de conselheira real?

— É uma história engraçada, não consigo acreditar até agora. — Comecei a rir de desespero — Mas conversaremos quando chegarmos no quarto.

Após Minghao trancar a porta, contei tudo para Suyeon, desde o momento em que cheguei até agora. No final, quando terminei meu monólogo, minha amiga me encarou por alguns segundos, e então me deu um tapa.

— Eu disse para você não pintar o cabelo!

— Você diz como se fosse minha culpa! De quem foi a ideia de entrar naquela barraca demoníaca, hein? — Devolvi o tapa e ela começou a esmurrar meu braço.

— Desgraçado, arrombado, você toma no cu e ainda me leva junto? Não é justo!

— Nunca vi uma moça falar tantas obscenidades numa mesma frase em toda minha vida. — Seungkwan tapou a boca, atônito.

— Gostei dela. — Minghao riu.

— Agora eu sou, o quê? Conselheira real? Não tinha um cargo melhor, não? — Ela bufou e cruzou os braços, parando de me espancar.

— Era isso ou noiva.

— Eca.

— Pois é.

— De onde vocês dois se conhecem? — Seungkwan perguntou, alternando o olhar entre mim e Suyeon.

— Viemos do mesmo lugar. — Tentei explicar, mas percebi que não conseguiria.

— Então ela também é uma fraude? — Minghao ergueu uma sobrancelha.

— Fraude? — Suyeon franziu a testa, ofendida — Quem você pensa que é, seu...

— Ela é, e sempre foi, humana, nenhuma profecia maluca caiu sobre ela, então, não. — A interrompi antes que falasse mais algum xingamento, e comecei a andar pelo quarto, um pouco nervoso — Como vai funcionar esse desfile?

— Você vai sair e acenar para o público. — Seungkwan murmurou, olhando pela janela — Se estiver com sorte, não precisará falar nada.

— Falar? — Engasguei, sentindo minhas pernas bambearem — Ah, meu senhor, eu vou desmaiar.

— Quem mandou pintar o cabelo?

— Cala a boca, Suyeon!

Depois de um tempo, duas garotas trouxeram quatro mudas de roupas. Seungkwan ajudou a me vestir enquanto Suyeon ia até o banheiro colocar seu vestido. Eu fiquei parecendo um príncipe com aquela roupa branca e dourada toda reluzente, confesso que minha autoestima aumentou um pouco.

— Que tanto de purpurina dourada é essa no chão? — Suyeon franziu a testa e bateu em seu vestido de seda azul bebê, tentando limpá-lo, ela estava bonita — Tá começando a pinicar.

— Alguém que me entende. — Minghao choramingou.

— Ora, mas eu não faço por querer. — Seungkwan fez um bico e cruzou os braços, pude ver pequenos brilhos salpicarem o chão ao seu redor.

— Você que tá soltando essas coisinhas? — Suyeon perguntou.

— Sim, fadas fazem isso quando estão na forma humana.

— Fadas? — Ela berrou e me olhou — Como é?

— Pergunta pra eles, cansei de explicar. — Dei de ombros e arrumei meu terno, sorrindo com meu reflexo no espelho.

— Majestade. — Uma voz soou do lado de fora do meu quarto, seguida de batidas na porta — Está na hora.

Respirei fundo e encarei meus amigos em busca de apoio, mas, ao ver Seungkwan se cascando de rir enquanto Suyeon cutucava as orelhas de Minghao, concluí que eles nem deveriam ter ouvido a voz do outro lado da porta.

Okay, vamos lá, vai dar tudo certo. O que de ruim pode acontecer num desfile?



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