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História This is (not) a dream. - Capítulo 4


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Capítulo 4 - ... Ou um conto de terror?


Cheguei à conclusão que muita coisa pode dar errado em um desfile.

Primeiro de tudo, a carruagem. Ela não tinha um teto, era aberta e bem espaçosa, cabia tanto eu quanto Suyeon e Jihoon. Minghao e Seungkwan tiveram que ficar, mas eles decidiram voltar à sua forma original e nos seguir de perto. Suyeon quase desmaiou ao ver as asas de Seungkwan, e foi neste momento que descobrimos que ele era uma fada das flores, já que sua roupinha era feita de pétalas coloridas.

— Seokmin. — Jihoon chamou o guarda bonito com uma pinta na bochecha — Não saia de perto da carruagem, sim? Dê instruções para os outros também.

— Alteza, eu não sou o chefe da guarda real. — Seokmin sorriu doce para o duque, que, por sua vez, piscou rapidamente, envergonhado. Que bonitinho, ver Jihoon daquele jeito quase me fez esquecer que eu tinha medo dele.

— Oh, verdade. Hm, chame Seungcheol, então.

— Sim, senhor.

Ajudei Suyeon a subir na carruagem, tentei ajudar Jihoon também, mas ele me ignorou e pulou para dentro do veículo. Suspirei e fiz menção para entrar, porém, uma voz grave me parou.

— Deixe-me ajudá-lo, majestade. — O garoto sorriu e esticou a mão na minha direção, ele tinha um sorriso bonito e olhos castanhos claros que me fizeram perder o balanço por um momento.

— C-Claro. — Murmurei e segurei sua mão, usando-a de apoio para entrar dentro da carruagem — Obrigado.

O garoto sorriu, corado, e se reverenciou, indo em direção aos cavalos em seguida. Pensei ter ficado maluco ao ver Jisoo indo atrás do garoto levando outro cavalo consigo. E levei um susto ao ver Jun parado no lugar em que o menino bonito estava, ele me julgava com o olhar e balançava a cabeça. Atrás dele, Soonyoung apareceu e acenou na minha direção com um sorriso enorme no rosto.

— Por que está olhando aqueles empregados? — Jihoon disse de repente, me assustando. 

— Eles trabalham aqui? — Perguntei sem pensar.

— Sim, eles cuidam dos estábulos. — Jihoon ergueu uma sobrancelha — Está tudo bem, majestade?

— Tudo ótimo. — Tentei sorrir de modo que o assegurasse da minha resposta, mas devo ter feito uma careta de dor, pois, ele riu.

— Certo.

— O que devemos fazer? — Suyeon perguntou.

— Acenar e sorrir. — Jihoon olhou as unhas — Temos que mostrar a todos que sua majestade está aqui, para que assim as notícias se espalhem para outros reinos.

— É necessário esse tanto de gente saber que eu estou aqui? — Perguntei, um pouco nervoso.

— Sim, majestade. — O duque trincou a mandíbula — Já faz anos que o esperamos.

— Oh, certo.

— Alteza. — A voz de Seungcheol soou ao lado da carruagem — Estamos prontos.

— Então vamos! — Jihoon fingiu animação e os cavalos começaram a andar.

Enquanto saíamos dos portões do castelo, eu comecei a observar a paisagem. Era muito bonita, cheia de verde e árvores grandes, mas tinha pouquíssimas flores e isso me incomodou. Comecei a ficar perturbado quando o verde foi sumindo aos poucos, quanto mais nos afastávamos no castelo, mais a paisagem bonita e viva dava lugar à árvores tortas, escuras e secas, e gramas amareladas. Aquilo me doeu o peito. Seria essa a consequência da maldição?

E então, chegamos no povoado. Tirando o aspecto sujo e morto, até que era um lugar bonito, mas as pessoas eram muito magras, pálidas, pareciam doentes. Fechei os olhos e me encolhi no assento da carruagem, de repente, o peso real de tudo que estava acontecendo caiu em meus ombros e eu me senti sufocando. Esse povo precisa de mim, mas o que eu tenho para oferecer?

— Chegamos à praça central. — Jihoon murmurou e a carruagem parou — Espere aqui.

Assenti com a cabeça e o observei descer do veículo com a ajuda de Seokmin. Respirei fundo novamente e senti a mão de Suyeon apertar a minha.

— Gyu? — Ela me olhou preocupada.

— Eu... Eu não consigo, Suyeon. — Murmurei, ofegando desesperado.

— Ei. — A voz de Minghao soou do lado do meu ouvido, virei o rosto e pude vê-lo sentado em meu ombro — Você consegue sim. Você é o rei, Mingyu.

— Eu não sou, eu não tenho poderes mágicos, eu sou um ninguém!

— Mingyu. — Seungkwan apareceu por entre as madeixas escuras de Suyeon — Às vezes tudo o que um povo precisa é de um pouco de esperança.

Pisquei rapidamente, absorvendo as palavras de Seungkwan, e, antes que eu falasse alguma coisa, Jihoon chamou meu nome.

— Kim Mingyu!

Me levantei e desci na carruagem, ficando ao lado do duque. Praticamente o povoado inteiro se reuniu na praça e, ao me ver, todos ofegaram em conjunto.

— É ele! — Ouvi uma voz no meio daquele mãe de rostos — É o rei!

— Ele vai nos salvar! — Uma voz feminina gritou.

Eu comecei a ficar sem ar, mas, ao correr os olhos pela multidão, eu parei ao encontrar um rosto conhecido. Chan me encarava com uma expressão suave, e sua boca estava repuxada num sorriso doce. Ele mexeu os lábios e eu estreitei os olhos para conseguir entendê-lo.

"Você é o rei".

Eu sou o rei, não é? Eu tenho cabelos flamejantes, eu posso salvar o reino. Não é?

Entretanto, antes que eu reagisse, tudo explodiu. O barulho foi tão alto que meus dentes bateram um no outro com força e eu senti um zumbido em meus ouvidos. Cambaleei, meio tonto e meio assustado, e caí no chão, observando o povo correr desesperadamente para longe da explosão. Os cavalos relincharam e os guardas berraram algo que não consegui decifrar. Minha cabeça girava e meu coração retumbava em meu peito, o que estava acontecendo?

E então, de dentro das chamas, o monstro saiu. Ele era tão horrendo quanto na gravura do livro de Wonwoo, e fedia que só a peste. Seus cascos se arrastavam pela rua de pedra e ele rosnava como se estivesse bastante furioso com alguma coisa. Entretanto, ao julgar pelo modo em que seus olhos totalmente negros estavam cravados em mim, essa "coisa" deveria ser eu.

Tentei me afastar, mas não conseguia me mover, o cheiro dele me dava ânsia e fez meus músculos virarem geleia. Pelo canto do olho, pude ver Suyeon sendo segurada por dois guardas enquanto ela gritava na minha direção. Quando voltei a encarar o bicho, quase berrei de susto ao vê-lo bem na minha frente. Sua mão gigantesca com garras tão grandes quanto, agarrou meu rosto com força, me fazendo gemer de dor, ele me olhava com aqueles olhos vazios e senti como se ele enxergasse a minha própria alma.

— Tudo irá perecer. — Ele disse, sua voz era o pior som que eu já ouvira na minha vida, toda distorcida e arrastada, como se ele fizesse força para falar — E você será o primeiro.

E então ele abriu a boca, quase morri mesmo com o cheiro de defunto que saiu dali, misericórdia. Porém, ao perceber que ele poderia arrancar minha cabeça com uma mordida só, comecei a me desesperar e sentir meus olhos marejarem. Gente, não era pra isso que eu concordei em ser rei. Pelo amor de Deus, eu acabei de chegar nessa merda e já vou morrer? Tudo culpa daquela bruxa idiota. Ah, que saco.

Fechei os olhos, esperando a morte iminente, só que ela nunca veio. Levei um susto ao ouvir o uivo agonizante daquela criatura, e abri os olhos, vendo uma espada enfiada em seu crânio. Seokmin se afastou, cambaleante, e encarou o monstro de olhos arregalados. Tentei berrar para que ele se afastasse, mas nada saía da minha boca. Jihoon, no entanto, fez esse trabalho por mim.

— Seokmin! — Ele berrou, se apoiando na carruagem — Saia daí!

O monstro parou e observou Seokmin por um tempo, e, eu juro para vocês, o bicho sorriu, foi o sorriso mais horrendo que eu já vi. Antes que eu tivesse alguma reação, houve mais uma explosão. O monstro uivou de dor novamente e saiu de cima de mim, ofeguei, aliviado, e tentei me arrastar dali. Seokmin pareceu sair de um transe e correu até mim, me ajudando a me afastar. No meio da fumaça, reconheci o rosto de Wonwoo.

— Wonwoo! — Gritei, mas ele não me ouviu.

— Logo não terá mais magia nenhuma para te proteger, mago. — O monstro rosnou — Não terá mais nada.

E sumiu numa fumaça escura e fedorenta. Ofeguei mais um pouco e, adivinhem, isso aí, desmaiei. Ô vida boa.

#

Abri os olhos e respirei fundo, eu estava em meu quarto no castelo, coberto de lençóis e com um curativo na bochecha.

Me sentei e senti minha cabeça doer, olhei ao redor e vi que estava anoitecendo. Quase tive um aneurisma quando lembrei dos acontecimentos de hoje mais cedo. O monstro quase me matou, e ele era horrível, nunca tinha visto nada parecido, meu coração pesou em meu peito só de lembrar. Eu deveria matar aquela coisa? Eu desmaiei de medo apenas por ele baforar na minha cara, como eu conseguiria arranjar coragem para enfiar uma espada na cabeça dele? Seokmin era um guerreiro, literalmente.

— Mingyu. — Uma voz ao meu lado me fez pular de susto, virei meu rosto e vi Wonwoo se aproximando da minha cama — Você acordou, graças aos deuses.

— Você está bem? — Perguntei, me lembrando do seu ataque ao monstro.

— Eu que deveria lhe perguntar isso. — Ele balançou a cabeça e se sentou ao meu lado, meu coração pesou novamente em meu peito, mas posso garantir que não foi de medo — Por pouco você... — Sua voz falhou e sua mão se ergueu até o curativo em meu rosto, seus dedos receosos em me tocar.

— Eu sei. — Suspirei e observei seus olhos se tornarem cinzas — Mas nada aconteceu, eu devo ter uma sorte do caramba.

— É. — Ele riu e, novamente, esqueci todos os problemas em meus ombros por um momento. O sorriso de Wonwoo é muito fofinho.

— Seus olhos estão cinza. — Murmurei e Wonwoo suspirou, se afastando um pouco.

— Eu estou preocupado. O monstro nunca apareceu durante o dia, e nunca falou também.

— Ah, que bom que eu o curei de sua mudez.

— Mingyu. — Ele balançou a cabeça, franzindo a testa — É sério, isso com certeza significa coisa ruim.

— Que ótimo. — Bufei, irônico, e caí nos travesseiros, observando o teto.

Tive um pequeno susto quando senti os dedos de Wonwoo correrem por entre meus cabelos. Seus olhos mudaram de cor para um rosa clarinho, minha boca ficou seca e me senti hipnotizado por eles.

— Tome cuidado para ninguém descobrir que você não tem cabelos vermelhos de verdade. — Ele murmurou e afagou minha cabeça — Não quero que morra tão cedo.

— Vou fazer meu possível. — Lancei a ele um sorriso pequeno — O que significa quando seus olhos ficam rosa claro?

Wonwoo se enrijeceu e tirou a mão de meus cabelos de uma vez, quase arrancando alguns fios no processo. Levei um susto quando ele se levantou da minha cama bruscamente e piscou várias vezes, seus olhos voltando ao castanho de sempre.

— Não significa nada.

— Ué, mas...

— Mingyu! — Ouvi a voz de Suyeon e dei um pulo ao vê-la correndo até mim, olhei para o lado e Wonwoo tinha sumido. Ofeguei de dor quando a garota se jogou em cima de mim — Você está bem! Ah, graças a Deus, eu pensei...

— Você vai me sufocar. — Soltei uma risada e afaguei os cabelos da minha amiga — Eu tô bem, Yeonie.

— Eu pensei que você tinha morrido de vez. — Minghao se aproximou e sorriu, foi a primeira vez que o vi dar um sorriso daquele — Você tá desmaiando muito desde que chegou aqui.

— O corte na bochecha está doendo? Eu fiz um anestésico com algumas flores, mas não sei se foi muito eficaz. — Seungkwan mordeu o dedo, me analisando.

— Tá ótimo, Seungkwan, obrigado. — Sorri em sua direção e a fada riu sem graça, achei adorável quando pequenas rosas brancas surgiram em seus cabelos escuros.

— Psiu.

Nós quatro nós viramos para a janela e encontramos Jisoo, Jun e Soonyoung no parapeito, em suas formas originais, nos olhando. Soonyoung deu um gritinho e pulou em mim, abraçando meu pescoço.

— Que bom que está vivo, majestade!

— Vê se toma mais cuidado da próxima vez, cabeção. — Jun revirou os olhos e voou até mim.

— Você está bem, Mingyu? — Jisoo perguntou, se sentando ao meu lado.

— Estou sim, Jisoo, não se preocupe. — Sorri e balancei a cabeça.

— Mais fadas, que lindinho. — Suyeon comentou, encarando Jun e Jisoo.

— Essa aí é insuportável. — Minghao sorriu ladino, apontando para Jun, mas soltou um gritinho de dor quando o mesmo queimou, de leve, seu ombro — Você é maluco?

— Cale a boca, orelhudo.

— Ora, seu... — Minghao tentou agarrar Jun, mas a fada logo se transformou em humano, rindo baixinho da expressão que o outro fez.

— Eu sou maior que você. — Ele disse e eu fiquei um pouco zonzo, Jun ficara mil vezes mais bonito daquele tamanho.

— Não enche. — Minghao franziu o nariz e se virou para mim.

— Jihoon falou alguma coisa? — Perguntei, tentando mudar o assunto. Pude perceber pelo canto do olho que Jisoo e Soonyoung também assumiram sua forma humana.

— Ele se preocupou mais com aquele guarda dele lá do que contigo. — Suyeon estalou a língua e se sentou ao meu lado — Pelo menos ele deixou que jantasse aqui no quarto para que não precisasse fazer muito esforço.

— Mas eu estou bem. — Falei, torcendo a boca.

— Vai por mim, apenas aceite. — Seungkwan murmurou, tirando as florzinhas do cabelo — Jantar com aquele homem é horrível.

Depois de um tempo, algumas camareiras trouxeram enormes bandejas cheias de comida. Desmaiar demais dá fome, fonte: eu mesmo. Não percebi o quão faminto estava até ver aqueles pratos lindos e apetitosos. Suyeon, Seungkwan, Minghao, Jisoo, Jun e Soonyoung comeram comigo, foi legal, eu não me senti sozinho e quase esqueci que estava em outra época carregando uma profecia nas costas.

— Quem era aquele garoto que te ajudou a subir na carruagem, Mingyu? — Seungkwan perguntou, comendo vários tomatinhos cereja de uma vez.

— Não sei, mas ele era bem bonito. — Murmurei e observei os pratos dos meus amigos — Só eu e Suyeon estamos comendo carne?

— Nós somos, literalmente, amigos dos animais. — Jun deu de ombros e Soonyoung assentiu, suas bochechas estavam cheias — Não acho que seria ético comer nossos amigos.

— Pobrezinhos. — Jisoo disse, mastigando seu morango furiosamente — Não merecem esse destino cruel. Vocês não tem compaixão nenhuma!

— Hm... — Pisquei rapidamente e encarei o pedaço de frango em meu prato — Desculpa, franguinho.

Jisoo bateu em meu ombro, resmungando xingamentos direcionados a mim, enquanto todo resto ria de nós dois.

— Bom que sobra mais pra gente. — Suyeon sorriu e pegou mais um pedaço de carne, ignorando os protestos de Jisoo.

— Queria ver o menino da carruagem de novo. — Seungkwan murmurou, tristemente, enquanto mastigava uma folha de alface.

Mais tarde, após eu e Suyeon tomarmos um banho, todo mundo se juntou para dormir. Jisoo, Jun e Soonyoung tiveram que, relutantemente, voltar para os estábulos antes que alguém desse falta deles. Suyeon se deitou ao meu lado e Minghao, na sua forma de duende, se aconchegou entre os cabelos dela, dormindo logo em seguida; Seungkwan desligou a luz e voou até meu travesseiro, se encolhendo e virando um pequeno botão de rosa.

— Ei, Mingyu. — Suyeon me chamou, virei meu rosto até ela e vi que seu olhar estava preocupado — Você está bem mesmo?

— Acho que sim. Estou tentando não pensar demais no assunto, sabe? — Suspirei e encarei o teto — Quanto mais eu penso, mais desesperado eu fico.

— Você não pode ficar empurrando tudo com a barriga, Mingyu. Uma hora você vai ter que pensar e chegar numa conclusão.

— Não começa com esse seu papo de psicóloga, não. Meu dia foi cheio hoje.

Ela riu pelo nariz e ficou em silêncio por um tempo, e então virou de costas para mim, arrancando um resmungo de Minghao, que apenas se enfiou mais em seus cabelos.

— Boa noite, Gyu.

— Boa noite. — Murmurei e me virei também, tentando dormir.

Quando não consegui de jeito nenhum, me levantei da cama e saí do quarto. Surpreendentemente, não me perdi nos corredores, e ainda consegui achar o jardim. Não sei que horas eram, mas a lua brilhava lá em cima, então resolvi me sentar na grama e contemplá-la. Suyeon tinha razão, uma hora eu teria que tomar alguma atitude, mas eu não sabia como. Durante a minha vida toda, eu sempre tive meus pais me dizendo o que fazer, decidindo minha vida para mim, e tudo o que eu mais queria era ser dono do meu próprio nariz, mas agora que isso realmente aconteceu, eu travei.

Eu sou um besta.

— Amanhã começarão suas obrigações de rei. — Quase me enfiei na terra do susto que eu levei daquela voz avulsa, mas me acalmei um pouco ao perceber que era Chan sentado ao meu lado — Está ansioso? — Ele sorriu, me olhando com um brilho animado nos olhos.

— Eu nem sei o que é ser rei. — Fiz uma careta — E, depois do show de hoje, duvido que o povo do reino me ache um rei digno.

— Você os deu esperança, Mingyu. — Chan afagou meu ombro — Mesmo com aquela destruição, eles ainda acreditam em você. E esse é o maior poder que alguém, até mesmo um rei, pode ter.

Encarei seu rosto jovial por um tempo, ele parecia inofensivo, um garoto apenas, mas, ao olhá-lo nos olhos, percebi que havia muito mais dentro dele do que mostrava, senti que também havia um peso em suas costas, um peso grande e incomparável.

— Quem é você? — Perguntei num sopro de voz.

Chan sorriu e então desapareceu, comecei a sentir meus membros amolecerem e meus olhos se fecharem aos poucos. Me deitei sobre a grama e quando vi, já estava dormindo. Acordei com o menino bonito da carruagem me sacudindo.

— Majestade! — Ele parecia exasperado — O que faz deitado aqui? Oh, céus, o senhor está bem?

— Estou sim, não se preocupe. — Sorri nervoso e me levantei, limpando minha roupa — Saí para espairecer ontem e devo ter dormido sem perceber. — O garoto suspirou aliviado e eu o observei — Qual seu nome?

— H-Hansol, majestade. — Ele engoliu em seco, suas bochechas se pintando de vermelho.

— Hansol... — Murmurei e sorri — Sou Mingyu.

— E-Eu sei. — Ele riu, sem graça — Todos no castelo sabem.

Ele era adorável e seus cabelos pretos o deixavam bastante charmoso. Okay, será que tudo bem um rei dar uns beijinhos no garoto da carruagem? Seria muito clichê?

— Majestade! — Ouvi a voz de Seungkwan atrás de mim e me virei, ele corria na minha direção, exasperado — Graças aos céus, você está bem, eu pensei... Oh. — Ele engoliu em seco ao ver Hansol — Bom dia.

— Bom dia, senhor. — Ele sorriu e se reverenciou — Vou deixá-los a sós, com licença.

Seungkwan ficou o observando se afastar e eu cruzei os braços.

— Vai demorar?

— Ele é tão lindo e educado. — Seungkwan suspirou e pequenas flores vermelhas brotaram em seus cabelos, porém, sua expressão de apaixonado se transformou em uma expressão irritada e ele me deu um tapa — Aliás, onde você estava? Quando não te vi no quarto, quase desmaiei!

— Eu saí no meio da noite para respirar ar puro e acabei dormindo. — Sorri nervoso, afagando o braço em que ele tinha dado um tapa. Não mencionei Chan, talvez não devesse — Desculpe.

— Bom mesmo. — Seungkwan bufou e se virou — Vamos, você tem que se vestir, o duque quer tomar café com você.



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