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História This is Us - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi gente, tudo bem? 💓

Eu estava com essa história escrita há meses, mas a insegurança não me deixava publicar.
Enfim, espero que gostem, se flopar eu apago e finjo que nada aconteceu ✌🏽

Capítulo 1 - Parte I


Fanfic / Fanfiction This is Us - Capítulo 1 - Parte I

São Paulo, Brasil

 

Casa dos Kampmann

 

— Será que ela foi embora? — A voz de Tia Su sussurrou do lado de fora enquanto o cheiro de cigarro entrou pelos buracos da parede — Ela parecia tão… Devastada lá fora, toda encolhida encarando o caixão do avô…

Um pigarro alto soou em resposta à minha tia seguido do som de mascar de tabaco.

— Mandy sempre foi mais apegada ao velho Kampmann. — Foi a vez do Tio Pet falar — Tenho certeza de que os outros irmãos estão ansiosos para essa droga de velório acabar para poderem voltar à suas vidinhas de merda de classe alta.

— Petrus! — Tia Su o recriminou, e eu podia imaginar o choque em seu rosto enrugado — Não fale assim! É o enterro do seu irmão!

Titio resmungou alguma coisa e cobri a boca quando mais fumaça entrou pelos buracos da parede inundando o meu rosto.

— Leo Kampmann estaria mais feliz se fosse velado em seu país natal, banhado de cerveja, assim como veio ao mundo. — A voz dele se atenuou, um suspiro cansado escapando da sua boca — Nossa mãe estava tão bêbada quando meu irmão nasceu que nem percebeu que estava dando a luz.

— Isso é horrível, Petrus!

O velho apenas resmungou baixo e alguns segundos depois o pátio ficou vazio.

Suspirei aliviada e empurrei a pequena porta de madeira com os pés, engatinhando para fora do cômodo pequeno em que eu usava para me esconder.

— Eu sabia que estava aí, Little Mandy.

Meu irmão estava encostado à parede com um cigarro na boca e um outro enterrado no espaço da orelha, apagado. Os cabelos loiros estavam mais sebosos do que nunca e a única roupa preta que ele tinha para usar no velório estava amarrotada. Aaron era o meu irmão preferido. Foi o primeiro a sair de casa e não ligava para palavras como dinheiro, trabalho e compromissos. Seu rosto sempre estava manchado de tinta e a ponta dos dedos sujas de algo colorido que ele usava para pintar seus quadros. Aaron se intitulava um artista nato, e a única arte que eu conseguia enxergar nele era a de atrair mulheres casadas e confusão.

— Como sabia que eu estava aqui? — Puxei a barra do meu tubinho Chanel e fiquei na ponta do pé para roubar o cigarro atrás de sua orelha.

Ele se inclinou esticando seu cigarro aceso para ajudar a acender o meu e acenei agradecendo.

— Você sempre se escondia aqui quando alguma coisa te incomodava. Desde pequena. — Ele abriu um dos sorrisos raros encantadores e estendeu a mão para bagunçar meu cabelo — Nossos pais sempre souberam que você estava aqui, mas gostavam de fingir que estavam preocupados.

— Aaron…. — O repreendi, mas ele deu de ombros.

— Agora que o vovô morreu, Mandy, as coisas vão ficar piores pra você. O velho Leo era o único que acreditava em você e te incentivava a não desistir dos seus sonhos.

Forcei uma risadinha, mas o som acabou parecendo o de um ganso estrangulado.

— É estranho, não é? — Traguei o cigarro, engolindo a fumaça para ela se esvair pelo nariz — Estamos velando um caixão vazio. — Ri melancolicamente — As cinzas do vovô estão presas em uma droga de obra de arte e estamos fingindo que é ele quem vai descer à terra e não um caixão vazio.

Aaron me puxou pelo ombro no abraço desajeitado dele, e por cima de seu ombro eu vi meus outros irmãos. Éramos em cinco. Aaron e Cibele eram os mais velhos, enquanto Nadia, Theo e eu éramos trigêmeos. Eu sempre quis saber o motivo pelo qual não conseguia me conectar com meus gêmeos, e mesmo sendo fisicamente idêntica aos dois, eu era completamente diferente na personalidade.

Talvez seja por isso que o vovô Leo sempre dizia que eu era a neta preferida dele.

— Lá vem eles — Murmurei impaciente, jogando a guimba de cigarro no chão e usando minha bota para apagar.

— Tá fumando, Amanda? — Theo ergueu a sobrancelha em desagrado. Ele era o engomadinho dos irmãos. Acabara de ser aceito em uma Ivy League e mamãe faltava colocá-lo em um pedestal por aquilo — Você sempre é a dramática, não é? Até parece que é a única a sofrer com a perda do vovô.

Ergui o dedo do meio e mostrei a língua, não me importando que aquilo parecesse muito infantil.

— Como se você não estivesse pouco se fodendo para a morte do vovô. — Ralhei mau  humorada.

— Eei, olha a boca, garota! — Foi a vez de Nadia reclamar. Ela era a filha perfeita dos meus pais. Namorava sério com o filhinho do prefeito e ganhou as pérolas da finada primeira dama, fazendo a minha mãe chorar de orgulho da gracinha que era a filha. Mal sabia a minha mãe que Nadia transou com toda a turma do debate da escola e que sua calcinha foi parar “acidentalmente” no bolso do cunhado no jantar da semana passada — É melhor a gente ir. Assim que o velório acabar e o vovô — Nadia fez o gesto da cruz e Aaron e eu rimos com escárnio — Que Deus o tenha, ser enterrado, Tio Petrus vai ler o testamento.

— Hhmm, a melhor parte desse dia mórbido hein, maninha. — Murmurei enquanto os seguia, ignorando quando ela revirou os olhos pra mim.

— Eu tô te falando, Little Mandy — Aaron falou baixo para os “gêmeos perfeição” não ouvirem — Sai logo dessa casa maluca antes que fique como eles. Ou antes que perca toda a sua essência, querida.

 

[...]

 

Tio Petrus leu o testamento com o mesmo ânimo que um colegial tinha para fazer lição de casa. Sem contar o fato de que estava trêbado e trocando as palavras por nomes de cachaças.

Meu pai ficou com a casa do lago, Cibele ficou com uma pequena parte do dinheiro que vovô guardava no banco e Aaron ficou com o conjunto de casinhas de tijolo que vovô amava. Fiquei feliz por eles. Os dois eram ótimos irmãos e eu os admirava por terem conseguido sair de casa e viverem suas próprias vidas.

— Agora vou ler o que os trigêmeos herdaram, cof, cof… Alguém me traga um gole de uísque, por Deus! Minha garganta está seca de tanto ler.

Cibele, que estava sentada ao meu lado se curvou para rir e afagou minha mão.

— Cibele? — Sussurrei enquanto Tio Petrus esperava pela bebida, de pé em frente ao púlpito do escritório do papai. Meus pais e Tia Su estavam nas cadeiras da frente, os gêmeos ao lados deles, enquanto Cibele, Aaron e eu sentamos no fundo. — Quando voltar para a Alemanha, pode me levar junto?

Ela franziu o lábio e esticou a mão para afagar a minha bochecha.

— Eu prometo que vou trabalhar e não vou atrapalhar a sua vida.

— Conversamos depois da leitura do testamento, ok?

Assenti, nervosa, voltando a encarar Tio Petrus, que se atrapalhava com os papéis..

— É o quê? — Ele se curvou diante das folhas do testamento — Bom, é isso, então. Cof, cof. “Para Theo e Nadia eu deixo meu velho Fusca. Relíquia de família.” — Meus irmãos se encararam com descrença, mas logo se ajeitaram nas cadeiras, olhando de volta para o Tio Petrus. Com certeza eles tinham herdado mais do que um carro velho e estavam aguardando o restante da leitura. “E para minha doce Amanda, deixo a minha livraria em Dortmund, Alemanha” — Nadia olhou para mim com deboche, mas o sorrisinho dela morreu no rosto ao ouvir o restante — “E todo o restante da minha fortuna acumulada no banco. Da última vez que contei, somavam dez milhões de euros, mas agora os juros devem ter triplicado. Deixo também minha coleção de livros antigos, meus objetos pessoais e meu apartamento em Dortmund. Sem mais a acrescentar, a não ser que o restante de abutres não aborreçam a Little Mandy nunca mais em  sua vida, desejo descansar em paz. Com amor, Leo Hofmann Kampmann.”

Os rostos de todos os presentes viraram-se estupefatos para mim. O único som dentro daquele escritório após a leitura do testamento vinha dos arrotos de Tio Petrus, que embebia mais um pouco de uísque.

Logo depois uma risada rica e espalhafatosa tomou conta do ambiente. Era Aaron, com o rosto vermelho de tanto rir, apontando para a cara de todo mundo que me olhava espantado.

 

Heilige Scheiße! Eu estava rica!


Notas Finais


Obrigada por ler 💕


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