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História This or That (knj) - Capítulo 10


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Notas do Autor


Capítulo não revisado.
Boa leitura 💛

Capítulo 10 - Chapitre Huit


Fanfic / Fanfiction This or That (knj) - Capítulo 10 - Chapitre Huit

HWASA PULOU sobressaltada, batendo a cabeça na luminária. Com os olhos proeminentes na face pálida, e a respiração acelerada, estudou o cômodo.

Havia esquecido a janela aberta e a luz do dia cinzento transpassava as cortinas, iluminando o quarto. A colcha branca permanecia forrada sobre a cama king size, os travesseiros continuavam no lugar.

Sentindo os batimentos cardíacos frenéticos, enterrou os dedos nos fios densos e ondulados antes de desligar o bip ensurdecedor do despertador. Náuseas revirou o estômago dela ao perceber que fora apenas um pesadelo.

Ainda estava em seu apartamento. Sozinha. Segura. No entanto a sensação angustiante que sentiu no sonho pareceu criar raízes em suas entranhas.

Foi um sonho diferente do que costumava ter, Hannah não apareceu para assombrá-la com a escolha feita por Peter no passado, mas sentia como se estivesse se afogando sem conseguir respirar.

Com um resmungo baixo Ahn esfregou as têmporas, só então notando o post-it amarelo grudado 8cm acima do supercílio esquerdo. Os papéis que imprimiu noite passada estavam espalhados pela escrivaninha, a marca das teclas do notebook havia ficado impressas na pele do rosto, do lado direito.

Apesar de ter cochilado sentia as forças drenadas, por isso espreguiçou-se, alongando os braços e o pescoço para afastar a névoa que engolfava o cérebro sonolento. Ter o cansaço do dia anterior somado ao cansaço causado pelo pesadelo era o suficiente, não podia se dar ao luxo de passar o dia com dor nas costas, ou torcicolo, por ter cochilado na escrivaninha.

Contendo um bocejo ela se dirigiu ao banheiro. Um turbilhão de pensamentos perambulava na mente dela. Precisava checar os registros de chamada no telefone para confirmar se havia realmente falado com o pai antes de cochilar. Também precisava avisar Mayumi que entregou o paletó pessoalmente a Kim Namjoon, já que seu date arranjado, por coincidência, acabou sendo seu mais novo colega de trabalho...

Pensar no moreno de olhos curvilíneos e intensos trouxe de volta as palavras que ele disse antes de ela deixar o apartamento dele.

"Quero beber esse vinho amanhã... com você. Sábado é nosso dia livre. Espero vê-la aqui às 20h."

O coração de Hwasa palpitou; a angústia foi substituída por uma ligeira titilação revolvendo o estômago.

Com os dedos trêmulos ligou o chuveiro.

Pensar em Kim Namjoon automaticamente a fez se recordar de como o rapaz a atendeu quando voltou com o presente de desculpas. As madeixas escuras e úmidas penteadas para trás, os pingos d'água escorrendo sobre a pele dourada, percorrendo os músculos magros e perdendo-se nas linhas que demarcavam os gominhos discretos em seu abdômen...

Ela mordeu o lábio ao vislumbrar nas próprias retinas o volume das partes íntimas do rapaz, marcado na toalha branca que ele tinha presa ao quadril.

Kim Namjoon tinha um físico de tirar o fôlego. Mayumi estava certa quanto a isso. Sem dúvida ele tinha um corpo que faria qualquer mulher com sorte "passar bem".

Pena ter sido a azarada que estragou uma chance dessas...

Ahn balançou a cabeça. No que diabos estava pensando? O convite de Namjoon é sua chance de criar um bom relacionamento profissional com o detetive, seria um encontro entre dois colegas de trabalho tentando desfazer a primeira impressão que obtiveram um do outro num encontro a qual foram forçados a ir.

Era óbvio que ele também pensava assim. Haviam começado com dois pés esquerdos.

Daria tudo certo desde que ela não confundisse a gentileza do rapaz com flerte. Desde que mantivesse o coração calmo e a mente longe dos pensamentos pecaminosos que arrepiava a pele dela mesmo com a água quente que caía sobre seu corpo.

Hwasa fechou os olhos e abriu o registro até o chuveiro ficar frio, na esperança de que a água gelada esfriasse seu corpo e levasse para o ralo os pensamentos impuros acerca do detetive de olhos amendoados e lábios carnudos.

✛✛


O detetive girou na cadeira esfregando os braços. Apesar de cinzento, o clima estava abafado, e devido a isso Hoseok ligou o ar condicionado no máximo ─ o ar gélido eriçava os pelos nos braços de Kim.

Ele observou o quadro preenchido pela doutora enquanto ela explicava a razão de o ter arrastado até ali, entre a mesa que compartilhavam e a janela de persianas. A moça inconscientemente levou a caneta a boca, a ponta azul pressionando os lábios grossos e atraentes. Suas irises castanhas encontraram as dele, que sustentou o olhar dela enquanto ela falava.

As bochechas de Hwasa enrubesceram rapidamente e por uma breve fração de segundo ele teve a impressão de ver as pálpebras curtas tremelicarem antes de ela virar de costas.

Ele tentou não reparar nas curvas acentuadas pela saia lápis azul marinho que a moça vestia, mas era impossível. A saia em contraste com a camisa de botões amarela realçava a pele bronzeada, deixando-a ainda mais sexy.

Namjoon limpou a garganta e desviou os olhos prudentemente para o quadro. Não parecia certo encarar o corpo de um mulher dessa maneira. Hoseok o provocaria se percebesse, e temia que a colega interpretasse errado seu convite para se encontrarem no apartamento dele após o trabalho, por isso focou nas fotos coladas no quadro.

Aquelas fotos eram das últimas pessoas a verem a primeira família vítima do assassino quando ainda estavam vivos. A caligrafia alinhada em tinta vermelha, nos espaços em branco entre as fotos, relatava os fatos levantados durante a investigação policial e algumas perguntas que Hwasa havia feito a si mesma.

─ Tá, mas por que a minha foto também está aí? ─ Objetou Hoseok cruzando os braços; o semblante sombrio. ─ Suspeita de mim, Dra. Ahn? Ainda que eu tenha dado meu testemunho por livre e espontânea vontade, e possua um álibi, além de ser um detetive, acredita que me encaixo na lista de suspeitos?

Hwasa suspirou, jogando as madeixas sobre os ombros ao virar-se na direção de Jung. Os olhos castanhos perscrutando-o discretamente. Apesar de não ter uma lista de suspeitos em mente, o detetive (que a advertia com uma das sobrancelhas ligeiramente arqueada) poderia ser considerado um suspeito dos casos se não possuísse álibi sobre a noite do crime, uma vez que seus atributos físicos se assemelhavam aos descritos por Tsui Amoto em seu testemunho.

Todavia não era esse o caso. Não fora por essa razão que ela prendeu a foto dele no quadro junto dos outros oito rostos que jaziam ali ─ rostos de homens e mulheres que estavam na imobiliária naquele dia.

─ Essas pessoas foram às últimas a verem a família Harrison viva ─ disse o óbvio. ─ É por isso que sua foto está aqui.

─ E todos estão limpos ─ Kim salientou ─ Eu mesmo os verifiquei.

─ Não me levem a mal. Eu não tenho o poder de apontar exatamente quem é o culpado, isso é papel da perícia e de vocês dois ─ apontou com a caneta para Hoseok e depois para o outro detetive. ─ Mas para que vocês possam empenhar seus respectivos papéis, precisamos encontrar um suspeito. E é aí que eu entro.

“Estou tentando traçar um perfil certeiro para encontrar possíveis suspeitos; só assim poderemos buscar provas precisas. Já verificamos as características em comum entre os crimes e sabemos que o assassino tem fixação por alguns detalhes encontrados nas cenas, como vendar, amarrar, e pregar ratos mortos com a carne exposta sobre a cabeça das vítimas; ambos detalhes que nunca mudam.”

Namjoon apoiou os cotovelos no braço da cadeira, os dedos compridos se entrelaçando ao cerrar as pálpebras para observar melhor o quadro.

─ Ele também usa o poema para indicar a escolha que a vítima deverá fazer ─ continuou a doutora. ─ Ele é detalhista e metódico, o que significa que os crimes são premeditados e não ao acaso. Ele toma muito cuidado para não deixar rastros que possam conectá-lo aos assassinatos... ao menos não de imediato. Porém, ficou doze anos em silêncio...

Ela virou o rosto para as fotos no quadro mordendo o lábio inferior inconscientemente ao tocar o queixo com o indicador e o polegar.

─ Preciso descobrir a razão pela qual ele voltou à ativa e por que agora. Com essa informação poderei apontar indícios capazes de comprovar quem está por trás de todos estes assassinatos, ou ao menos suspeitos em potenciais, que poderão direcionar os dois até as provas cruciais. E a resposta para a incógnita que procuro está bem aqui.

Hwasa bateu com a tampa da caneta na foto no centro do quadro, em preto e branco, extraída das câmeras da imobiliária onde a família Harrison fora vista com vida pela última vez. ­

─ Foi naquela imobiliária, naquela manhã, que tudo começou.

─ Você parece ter certeza disso ─ Hoseok entonou pondo os ombros para trás.

A morena ignorou o rastro de cinismo na voz do detetive ao respondê-lo:

─ Existe uma razão para os Harrison terem sido a primeira vítima.

─ E que razão seria essa?

─ É o pretendo descobrir conversando com você a respeito daquele dia.

─ Eu fui o responsável por interrogá-lo e confirmar seu depoimento. ­─ Namjoon se levantou, cravando as irises nos orbes curvilíneos da colega. Ele se inclinou sobre ela; apenas dois passos os separavam naquele pequeno espaço entre a mesa e o quadro as costas da morena.

A tensão que irradiava de ambos eletrificou o ar. Um misto de emoções perpassou os olhos marrom café do detetive, no entanto Hwasa não conseguiu decifrá-las.

─ Acha que não fiz meu trabalho direito, Dra. Ahn? ─ Namjoon sussurrou, a respiração soprando alguns fios do cabelo dela.

Hwasa cruzou as mãos atrás das costas. O coração errou algumas batidas quando o aroma de naftalina e menta, cravados na camisa branca de botões que ele vestia, e na pele bronzeada, impregnou as narinas dela.

Ela parecia pequena diante dos 1,81 cm de altura do detetive e saber que Jung Hoseok também a encarava, irritadiço, a fazia sentir-se ainda mais nervosa. Todavia correspondeu o olhar profundo de Kim com o queixo levemente inclinado para cima.

─ Eu não disse isso, detetive Kim, mas às vezes é necessário olhar a mesma situação de ângulos diferentes. Você interrogou todas essas pessoas como possíveis suspeitos, eu quero apenas conversar com elas. Todas elas. Não apenas com seu parceiro. ─ Enfatizou, a voz firme apesar dos batimentos controversos ─ Farei perguntas com âmbitos diferentes das que foram feitas anteriormente pois meu intuito é encontrar o que despertou o instinto assassino do culpado. Afinal, sou psicóloga não detetive.

Kim enfiou as mãos nos bolsos e uniu os lábios carnudos. Uma covinha fofa surgiu na bochecha esquerda quando o esboço de um sorriso içou as laterais da boca dele.

─ Parece que os dois deram sorte. Ganharam uma profiler bonita e inteligente. ─ Namjoon girou sobre os calcanhares, afastando-se de Ahn assim que ouviu a voz divertida, e familiar, do recém-chegado.

Ela deixou escapar o ar que estava prendendo nos pulmões, discretamente, quando os dois detetives fixaram as vistas no homem trajando uma camisa social branca e sapatos marrom polidos, combinando com o óculos de aro de tartaruga no rosto anguloso.

Ruguinhas formaram-se nos cantos dos olhos e dos lábios do homem ao sorrir.

─ Lembra de mim, Srta. Ahn? Namjoonie te salvou dos meus dons desastrosos.

─ Eu não posso falar muito quanto a isso, Dr. Go. Também tenho a minha cota de desastres ─ Ela sorriu olhando Kim de esguelha antes de apertar a mão que o homem estendeu ─ É um prazer revê-lo, mas devo ressaltar que não sou uma profiler...

─ Parece ser inteligente o suficiente para se tornar uma das melhores, uh? ─ Lançou a ela uma piscadela perspicaz. ─ Não estou certo, Joon?

Dae-young cutucou-o com o cotovelo. Apesar do homem ser cinco anos mais velho que o detetive, era quase oito centímetros mais baixo. E não parecia se intimidar com o porte visivelmente atlético de Kim, que girou os olhos para o comentário ─ o médico havia proferido exatamente o que ele havia pensado sobre Ahn ao ouvi-la contra argumentar.

─ Já está na hora do almoço? ─ O moreno desconversou, checando a hora no relógio preso ao pulso.

Era quase 14h. Ele tinha se esquecido de que combinou de almoçar com o médico legista noite passada, no bar.

─ Vocês combinaram de almoçar juntos? ─ Hoseok crispou as pálpebras e dividiu o olhar entre Kim e Go, as mãos na cintura.

─ Você estava ocupado tentando flertar, por isso não nos deu atenção ─ os cantos da boca de Dae-young tremeram com um sorriso.

Hoseok soltou um longo suspiro, uma das mãos continuou na cintura enquanto a outra percorreu os fios castanhos e sedosos em sua cabeça.

─ De qualquer modo, meu almoço já foi. E agora parece que estou encrencado com a Dra. Ahn.

─ Encrencado? ─ Dae-young observou Hwasa com as sobrancelhas erguidas.

─ Você não está encrencado, Hoseok. ─ Ralhou contrariada. ─ Teremos apenas uma conversa sobre o dia em que viu a família Harrison na imobiliária. E eu gostaria de conversar com você também, Dr. Go.

Os olhos pequenos examinaram o quadro as costas dela, o cenho franzido.

─ Ah, só agora vi minha foto aí ─ ele coçou a cabeça. ─ Voltamos para a lista de suspeitos? Farão um novo interrogatório com todos?

─ Ela acredita que pode encontrar algo que deixei passar. ─ Respondeu Namjoon. ─ Talvez tenha olhos de lince.

─ Talvez seja o cérebro que é tão afiado quanto olhos de lince, ou não? ─ Hobi redarguiu, cruzando os braços ao encarar o parceiro.

─ É impressão minha ou estão zombando de mim?

─ Obviamente é impressão.

Hwasa arqueou uma sobrancelha e Kim coçou o nariz para esconder o sorriso que adornava os cantinhos da boca dele.

─ De qualquer modo, Dr. Go, não é um interrogatório. Não vou sondá-lo para descobrir algo sobre você. Não exatamente ─ acrescentou quando o homem a olhou visivelmente confuso.

Ela precisava descobrir algo que, hipoteticamente, aquelas pessoas ouviram a respeito da família Harrison. Tudo o que tinha eram hipóteses e suspeitas, contudo não podia verbalizá-las antes de ter certeza. Havia lacunas que ainda precisavam ser preenchidas.

─ Certo... não vejo por que não. Precisamos fazer isso hoje? Meu tempo está um pouco apertado. A despeito de Hwangshu ser uma cidade pequena, tenho um bocado de autópsias para realizar.

─ Claro, apareça por aqui quando estiver livre.

Dae-young assentiu com um sorriso singelo antes de se virar na direção de Kim, passando o braço sobre os ombros do detetive.

─ Vamos? Meu estômago está prestes a se rebelar. Estou morto de fome!

✛✛


A temperatura parecia ainda mais baixa na única sala de interrogatório da delegacia. As paredes pintadas de branco, com uma faixa azul ciano na parte inferior, faziam-na pensar num frigorífico com as luzes apagadas.

Ahn Hwasa se sentou na mesa larga de metal de costas para a abertura de vidro escuro e retangular ─ se fosse um interrogatório outros detetives da delegacia, talvez até o capitão, estariam ali, observando-os. Os pelos do braço dela eriçaram-se quando esbarrou no tampo gelado assim que colocou a agenda que carregava sobre a mesa.

O relógio preso à parede a sua esquerda ciciava quase imperceptivelmente, como numa sessão de hipnose. Ela apertou um dos botões que havia debaixo da mesa (como Hoseok instruíra ao entrarem ali), acendendo a luminária que jazia pendurada sobre o centro da superfície de metal.

Jung sentou-se na cadeira reclinável defronte a ela, os ombros encostados no respaldo; os músculos faciais pareciam mais relaxados desde que ela dissera ao Dr. Go que também gostaria de vê-lo ali, sentado na sala de investigação para o suposto bate-papo.

Ouvi-la "intimando-o" de modo simples pareceu aliviá-lo ─ como se um peso deixasse seus ombros.

─ Ok, Ahn. Vou responder seu questionário... mas... ─ Hoseok se inclinou sobre a mesa com os braços sobre o metal; as pupilas fixas nas dela ─ Em troca poderia me explicar por que Jung Wheein parece me odiar?

Uma das sobrancelhas dela arquearam-se levemente.

─ Você realmente não se lembra?

Um vinco se formou entre as sobrancelhas do detetive.

─ Me lembrar? Já estamos falando sobre o dia em que estive na imobiliária? Não sei exatamente do que devo lembrar.

─ Estou falando sobre Wheein não ir com sua cara. ─ Ela recostou-se na cadeira, cruzando as pernas sob a mesa. ─ Vamos voltar alguns anos no tempo. Como você era no colegial, Sr. Jung?

─ Por que tenho a sensação de que estou conversando com meu psicólogo?

Hwasa sentiu vontade de rir. Era exatamente o que ela estava fazendo naquele momento ─ analisando-o como se fosse seu paciente. Por isso manteve o olhar fincado ao dele, esperando que respondesse à pergunta que havia feito, com seriedade.

Jung ponderou em silêncio. Apenas alguns minutos haviam se passado enquanto os dois se encaravam, no entanto sob o olhar penetrante da doutora sentia como se estivesse ali a horas, numa sessão tortuosa para fazê-lo confessar um crime.

Ele limpou a garganta sentindo uma gota gélida de suor escorrer pelas têmporas. Embora se sentisse intimidado pela sagacidade expressa por aquelas irises da cor de uísque, precisava admitir: as pálpebras curvilíneas e penetrantes davam a morena o ar sexy, independentemente da situação.

Mais uma vez se perguntou o que havia acontecido no encontro entre o parceiro e ela, para deixá-lo tão mal-humorado no primeiro dia dela, pois era difícil imaginar um encontro ruim com uma mulher como ela...

Se bem que Namjoon não parecia mais olhar para a colega com o mesmo humor de antes, talvez algo tivesse acontecido entre os dois na confraternização, algo que Hoseok pode ter deixado passar, como o almoço entre o parceiro e o Dr. Go.

─ Pode-se dizer que os tempos de colégio foram bons para mim. Sempre fui popular com as mulheres e é por isso que não entendo o que há de errado com Wheein. Será que ela gosta de caras como o Namjoon, alto, e com cara de santo? Aish ─ ele fez beicinho ─ eu devia ter crescido ao menos mais uns quatro centímetros!

Ahn não conseguiu segurar o riso. Ela não diria que olhar para Kim fazia as mulheres pensar que ele tinha cara de santo... a harmonia formada entre o rosto anguloso e belo, e o corpo escultural do homem, provocava o efeito contrário, na verdade...

Ela abriu a agenda, tirando a caneta da lateral ao sentir as bochechas ruborizando. Ugh, péssima hora para divagar com pensamentos impróprios. Foco Ahn. Foco, rumorejou baixinho para si mesma antes de voltar a mirar Hoseok.

─ Você tirava boas notas? ─ Sondou. Não podia abordar o assunto de forma direta, Wheein a mataria se jogasse naquela mesa que a mulher de madeixas azuis não gostava dele justamente porque gostava dele.

Ou, como Wheein preferia enganar a si mesma, porque um dia foi uma adolescente boba que gostou dele.

E por conhecer os sentimentos de Jung Wheein, Hwasa precisava ouvir a versão de Jung Hoseok sobre a história compartilhada entre os dois no passado.

Toda história possui dois lados, e por isso evitava julgar à primeira vista. Ou com base no que terceiros lhe diziam. Ahn sempre gostou de tirar as próprias conclusões.

─ Eu? Não. ─ Hoseok apoiou o cotovelo na mesa com um suspiro lamentoso. ─ Quase me ferrei. Se não fosse por uma garotinha generosa eu teria sido reprovado.

─ Era sua namorada?

─ A garota? Não, não. Acho que ela tinha pena de mim, ou me achava um panaca burro, por isso fazia minhas tarefas de casa.

─ Você a explorava? Fazia bullying?

─ Que? Por que eu faria isso com uma garota? E uma tão legal? Não, jamais! ─ Hoseok retorquiu ultrajado ─ Algumas pessoas zoavam ela por causa do peso, mas nunca achei isso legal. Aish, dei o fora em tanta garota por causa disso. Ela se ofereceu para me ajudar a não ser reprovado e eu aceitei.

─ Por que acha que essa menina fazia isso? Por que acha que ela ajudava você?

─ Acho que queria me fazer gostar de estudar. Só que eu não tinha tempo livre depois das aulas, sabe como é, né ─ o detetive moveu o olho direito numa piscadela lasciva. — Eu era um cara ocupado então ela fazia minhas lições, e eu precisava agradecer de alguma forma, então lidei com as pessoas que praticavam bullying com ela. Discretamente, claro.

Não precisou completar a história para que Ahn soubesse o que era essa tal "ocupação" que tomava o tempo de Jung Hoseok após as aulas, Wheein já tinha contado a ela.

─ E você contou a ela, em algum momento, sobre a ajuda "discreta"?

─ Não... como eu disse, ela era uma boa garota. Ficaria chateada se soubesse que eu estava ameaçando as pessoas para pararem de intimidá-la.

Hwasa inclinou a cabeça para o lado e fitou-o profundamente. O rapaz engoliu em seco, puxando a gola da camisa, os orbes escuros movendo-se rapidamente lado a lado da sala tentando evitar cruzar com seu olhar outra vez.

Apesar disso Jung Hoseok parecia estar falando a verdade sobre o passado. Ao contrário do que Wheein pensava ele nunca viu a ajuda dela como um abuso de bondade ou como um meio de zombar da sua versão jovem por estar acima do peso.

Àquela altura a morena tinha certeza de que se dissesse que a Dra. Jung Wheein já foi apaixonada por ele, Hoseok cairia durinho no chão.

─ A primeira vez que Wheein te viu não foi no bar do Min.

─ Não?

─ Vocês estudaram juntos.

Mentira?!

─ Essa garota legal e boazinha que mencionou, a que te ajudou a não ser reprovado e sair para curtir seus namoricos... era a Wheein. Dra. Jung Wheein. E minha amiga tem uma versão diferente dessa história. Bem diferente ─ ressaltou.

─ O que?! ─ Os olhos do homem se esbugalharam tanto que pareciam prontos para saltarem sobre a superfície de metal. ─ Você não brincaria com isso, certo?

─ Não. Nunca associou o nome à pessoa?

─ Pra falar a verdade nunca soube o nome dela... todos a chamavam de gordinha e eu só sabia as iniciais que estavam no armário que ela usava. JW. ─ Hoseok correu os dedos compridos entre os fios, boquiaberto. ─ Eu a chamava de JW. Sabia que o J era de Jung só que tinha ao menos sete Jung no mesmo ano que eu naquela época!

─ Bom, eu não ia contar isso, mas, Wheein acredita que você a usou. E agora que sabe por que minha amiga só te dá gelo, podemos prosseguir com o caso dos Harrison?

─ Claro... claro... caramba... o que faço para esclarecer as coisas com ela? Me sinto mal por não a ter reconhecido logo de cara, tipo... um merda dos grandes. Wheein sempre foi bonita, mesmo que as pessoas não soubessem reconhecer isso naquela época, eu a achava bonita.

Ahn uniu as mãos exalando um longo suspiro. Queria ajudá-lo, mas não podia fazer mais do que isso, já havia se comprometido o bastante ao revelar tudo aquilo. E o tempo estava passando, precisava focar no trabalho que tinha de fazer.

─ Ok, detetive Jung. Preciso que foque em mim agora. Esqueça Wheein por enquanto, tenho certeza de que encontrará uma forma de abordar o assunto quando a encontrar novamente.

Ele respirou fundo, esfregando as mãos na testa. A expressão perplexa permaneceu em suas feições ao responder as perguntas feitas por Hwasa. O corpo dele estava ali, na pequena sala de interrogatório, entretanto a mente parecia flutuar até Wheein do passado e do presente.

E ao se dar conta de que não conseguiria nada de Jung, Ahn o dispensou e pegou o telefone do bolso da saia. Discou o número da psicóloga sem pensar duas vezes e quando a voz cansada de Wheein a saudou, fechou os olhos.

Talvez acabasse não tendo tempo para falar com Dr. Go após aquela ligação. Poderia ser o próximo corpo a ser tratado pelo médico no necrotério.



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