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História Those we love never truly leave us - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Zero


O menino teve um dia que podia ser chamado de bom. Passou a tarde brincando com seus colegas da pequena cidade onde morava, fazendo coisas idiotas que garotos de treze anos fazem. Amava o lugar que vivia e adorava sair com seus amigos. Ele estava tranquilo, com uma sensação boa de paz, de risadas, de infância. É uma pena que aquilo tenha sido destruído em questão de segundos.

Ainda alguns metros distante da casa onde morava, viu um terrível clarão verde e imediatamente sentiu o perigo. Aquilo não era comum e definitivamente não era bom. Sabia que aquilo tinha acontecido no seu lar e ao mesmo tempo rezava para não ser. Por um segundo, fugir passou por sua cabeça e talvez fosse a melhor opção, mas ele não conseguiu segurar o impulso de correr o mais rápido que pode.

Atravessou correndo a cerca branca que delimitava o perímetro do terreno, pisou nas lindas flores que seus pais cultivavam com o maior cuidado e quando estava atravessando a porta principal, ouviu um grito horrível, agonizante. Era sua mãe. Correu escadas acima, seguindo a voz sofrida. Quanto mais se aproximava do fim do corredor mais alto ficava o barulho, a sensação de perigo aumentava.

Na frente do quarto de onde vinham os sons hesitou um pouco. Não sabia o que estava acontecendo, mas não conseguia sentir confusão. O único sentimento que seu cérebro e corpo projetaram desde que viu o clarão foi a urgência. E nesse mero segundo que parou de correr, o medo também estava presente. Temia o que iria encontrar. Mas não deu tempo de tomar uma decisão, ou coragem, a porta foi violentamente aberta e o garoto jogado para dentro.

No interior do cômodo, que por sinal era seu quarto, viu um homem que não conhecia. Ele estava inteiramente vestido de preto, tinha a varinha em mãos e parecia bem alerta, prestes a realizar um feitiço. A expressão do homem era de animação, como se tudo estivesse dando certo. Mas não demorou sua atenção nele porque encolhidas perto da parede estavam sua mãe e sua irmã. As duas tinham expressões de sofrimento e seu impulso foi imediatamente ficar do lado delas e buscar o abraço de sua mãe.

— Já estava achando que você não viria — O desconhecido falou se aproximando alguns passos. Sua mãe o agarrou bem forte em um instinto de proteção — Fico feliz que eu não precisei sair para te encontrar — A voz dele era calma, como se tratasse de uma conversa casual.

— Ele é só uma criança! — Sua irmã exclamou com raiva também se colocando protetoramente ao seu lado. — Deixa ele ir embora.

— Por favor. — Sua mãe chorou. — Ele não tem nada a ver com isso.

— Ninguém vai embora! — O estranho respondeu ainda mantendo a calma. — Ele também é da sua família não? Não acho justo deixar alguém de fora.

— Mãe. — O garoto chamou, tremendo de medo — O que está acontecendo? Quem é ele? Cadê meu pai?

— Eu sou um conhecido da sua família. — O homem respondeu com um sorriso que, para o menino, parecia ameaçador. — Minha família era próxima da sua.

— Mãe, cadê meu pai? — Insistiu na pergunta.

—Filho... — A mulher começou a chorar mais forte — Seu pai...

— Eu o matei. — Aquele sorriso não saia do rosto do homem. — E os próximos são vocês. Eu só estava te esperando.

O peso daquela frase não foi fácil de processar. O menino, que tinha passado o dia sorrindo e brincando, não conseguia sentir de imediato que todo seu mundo estava desmoronando.

— Por que? — Sua voz saiu trêmula e sentiu a garganta apertar. — Mãe, é mentira, não é?

— Meu bem... — Ela chorava tanto que tornava difícil de terminar uma frase. O coração do menino doía, a cabeça estava pesada e ele sentia as lágrimas se acumulando. Mas mesmo assim esperava por uma resposta, por uma negação. O aperto em torno de seu corpo aumentou. — Eu te amo tanto. E seu pai te amava também. Mais do que tudo.

— Por que você está falando no passado? Mãe, ele não morreu. Ele não pode ter morrido. — O que o consumia agora era o mais puro desespero, com as lágrimas finalmente escorrendo.

— Para de tornar isso mais difícil! — sua irmã parecia brava. — Esse desgraçado matou nosso pai. — O sorriso do homem finalmente sumiu. A expressão se tornou sombria, combinando com sua aura.

— Com as minhas razões. — Ele parecia querer que essa frase justificasse toda a situação. — Vocês não acham justo eu deixar a família dele viva, certo?

— Filha. — A mulher chamou. — Você sabe onde tem que ir. — E em seguida, rápido demais, empurrou o garoto para o colo da irmã e se jogou em cima do homem, que reagiu imediatamente proferindo a maldição.

Houve um clarão verde. O menino sentiu uma pressão no corpo todo e tudo ficou preto.



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