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História Through the Eyes of The Witcher. - Capítulo 1


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Notas do Autor


História nova, meu povo! ᕕ(ᐛ)ᕗ

Capítulo 1 - O mal menor.


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 - Ele é Quirkless.

As palavras do Dr. Tsubasa ecoaram pelo consultório. Após alguns instantes de silêncio, pode-se ouvir uma pequena batida no chão. Um boneco do Herói Nº 1, All Might, despenca das mãos de um garotinho de cabelos esverdeados, junto com todas as suas esperanças.

 - T-tem certeza, Doutor? - A voz da mulher parecia em choque.

 - Infelizmente sim, Srta. Midoriya. - O Médico permaneceu imóvel. - Eu sei que não é uma notícia muito animadora para você…

Minutos depois, a consulta se finalizou. A mulher se retirou a passos rápidos, puxando a criança pelos braços. O menor parecia se incomodar com a dor, provavelmente não estava acostumado com o novo tratamento. 

Passando pela rua, algumas pessoas abordavam a mulher, pedindo fotos e autógrafos, mas ela as ignorava, aumentando cada vez mais o ritmo dos seus passos, até chegar no seu carro.

Abriu a porta de trás, e o menino entrou. Ela se acomodou no assento do motorista, ligou o carro e foi embora.

Aquela mulher era Inko Midoriya, ninguém menos que a Heroína Nº 4, Cynetic. Seu filho, Izuku, seu filho, chorava em silêncio no banco de trás, enquanto encarava o vazio. 

O trajeto foi bem menos animado que o habitual. O menino havia pegado no sono, antes mesmo do carro dar a partida. A tristeza esgotou suas forças. Sua mãe o observava ocasionalmente pelo retrovisor, com os olhos vazios.

Em poucos minutos, os dois chegaram ao seu destino. Inko estacionou perto de um pequeno parque, havia prometido ao filho que iriam lá após a consulta.

A mulher abriu a porta traseira do carro, revelando o pequeno adormecido e com os olhos inchados.

 - Acorde, Izuku. - Ela fingiu animação. - Chegamos no parque. Eu prometi, não foi?

O pequeno despertou lentamente, esfregando os olhinhos. Observou ao redor, logo avistando seus dois melhores amigos em frente ao pátio de areia.

Ele desceu em um impulso, para logo depois sair correndo em direção aos dois.

Exibindo alguns truques com uma bola de futebol, estava um loiro de cabelos espetados e olhos de rubi. 

 - Viu? Eu te disse que mandava bem.

Ao lado dele, havia uma garotinha de cabelos castanhos e bochechas levemente rosadas. 

Katsuki Bakugou e Ochaco Uraraka, os dois melhores amigos do esverdeado, praticamente desde o nascimento. Ochaco e Izuku, mesmo crianças, nutriam sentimentos mútuos, tanto que prometeram em segredo - nem mesmo Katsuki sabia disso - que um dia se casariam.

 - Ei, Izuku! - O loiro acenou para o pequeno.

O esverdeado parou em frente aos dois, apoiando suas mãos em seus joelhos enquanto recuperava o fôlego da corrida.

 - Agora que você chegou, podemos brincar de herói! - A castanha dava pequenos pulinhos.

 - Espera um pouco, Cara-Redonda. - A castanha inflou as bochechas, não gostava do apelido que o loiro havia lhe dado. - Você veio do médico, não é? E aí, descobriu qual a sua Quirk?

Os dois olhavam para o esverdeado com expectativa. Afinal, sua mãe era uma heroína muito forte.

Mas o rosto do esverdeado escureceu, e o pequeno abaixou a cabeça, envergonhado.

 - Eu… - Soluçou. - Eu sou… um Quirkless.

No mesmo instante, o rosto dos dois - até então - amigos foi consumido por uma expressão de ódio. Era como se o esverdeado tivesse algo contagioso.

 - Não chegue mais perto de mim, inútil. - A castanha virou as costas.

 - Não brinque mais com a gente.  - O loiro a acompanhou.

 - Por… - O esverdeado chorava. - Por favor!! Não façam isso com-

Num ato de desespero, o esverdeado tenta tocar em Katsuki, mas o mesmo revida com uma explosão no ombro do pequeno.

 - Sai de perto, seu inútil! 

 - Isso mesmo. Deku, o inútil. - Ochaco riu. - Você nunca vai ser um herói.

Enquanto seus ex-amigos se afastavam e riam, tudo o que restava ao pequeno era voltar ao seu silencioso choro. O pequeno tentou se levantar, e com muito esforço conseguiu. A passos lentos e dolorosos, chegou até sua mãe. A mesma havia testemunhado tudo, com frieza nos olhos.

 - Quero ir pra casa. - O menor balbuciou.

A mulher se levantou, e Izuku percebeu que ela cambaleava um pouco. Antes de entrar no carro, avistou sua mãe colocar algo embaixo do banco da frente, antes de entrar no veículo e dar a partida.

Durante o trajeto, Izuku não dormiu. Além da tristeza por perder seus amigos, havia algo diferente. Ele podia sentir. Sua mãe resmungava algo constantemente, e o tom de voz da mulher estava diferente. Izuku estava com medo. De alguma forma, sentia que aquela no volante não era mais sua mãe.

A mulher pisou no freio bruscamente, fazendo com que as leis da física empurrassem o menino para a frente. 

Foi então que Izuku sentiu algo batendo em seus pés. Ao olhar para baixo, se deparou com uma garrafa de uísque.

A porta ao seu lado abriu com violência, mostrando uma mulher se esforçando ao máximo para ficar de pé.

 - Tira o cinto. - A mulher parecia arrotar essas palavras.

Com receio, o pequeno obedeceu.

 - Desce. - Ela disse com raiva. - ANDA, PORRA!

Assustado, o menino agarrou com força seu bonequinho do All Might. Lentamente, empurrou seu corpo para a ponta do banco, apenas para ser puxado pelo braço e cair de joelhos no chão.

 - VAZA! - Sua mãe gritou. - Eu devia ter te abortado…

O pequeno queria se aproximar, mas as palavras da mulher o feriram. Suas pernas tremiam, mas estavam fixas no chão, enquanto o menor observava a mulher que um dia chamou de mãe entrar no carro e partir em alta velocidade.

Tomado pela tristeza, o pequeno Izuku se senta perto de uma parede próxima, abraçando seus joelhos e volta a chorar.

Já estava escuro, e não demorou muito para que a fome chegasse. O pequeno vagou por alguns minutos, até encontrar o que parecia ser a saída de serviço de um restaurante. O dono estava terminando de colocar o lixo para fora, e Izuku viu que não haveria opção para ele. 

Era aquilo ou morrer de fome.

Por sorte, o dono se distraiu. Uma moto estacionada por perto chamou sua atenção.

 - Uoooouu… - O velho coçou o nariz, enquanto alisava a moto. - Seja quem for o dono, é um filho da puta sortudo…

O esverdeado aproveitou a oportunidade, e começou a vasculhar as lixeiras o mais rápido que podia. Qualquer pedaço de carne já era uma esperança para o pequeno. 

De repente, o garoto sentiu uma dor aguda em sua cabeça.

 - Ora, se não temos um ladrãozinho bem aqui… - O velho rosnou, enquanto segurava o esverdeado pelos cabelos.

Izuku sentiu um impacto nas costas, e logo foi colocado frente a frente com o velhote, sendo agarrado pelo pescoço.

 - Por... favor… - O menino se esforçava, em meio ao sufocamento.

O velho o arremessou com tudo, fazendo-o cair em frente a moto. O esverdeado tentou se levantar e fugir, mas o velho o agarrou pela gola da camisa.

 - Vou te mostrar o que se faz com delinquentes que nem você. - Disse, já preparando um soco.

Izuku fechou os olhos, esperando por um soco que nunca veio.

Tomando coragem, se permitiu abrir os olhos. O punho do velho permanecia fechado, mas alguém havia segurado seu pulso.

O homem em questão era alto e musculoso. Seus cabelos pretos eram medianos e raspados em um undercut. Usava botas militares, calça jeans, jaqueta militar pesada e carregava uma dogtag em seu pescoço. Possuía uma cicatriz na lateral direita da sua cabeça, que dava um toque diferente ao corte de cabelo.

Mas o que mais surpreendia no homem eram seus olhos. Eram verdes, e pareciam brilhar na escuridão da noite. 

 - O que foi? - O velho bufou.

O homem não disse nada. Ainda segurando o braço do velho, usou sua outra mão para fazer um gesto no ar.

 - Solte o moleque. - Ordenou.

Imediatamente, o homem abriu sua mão, fazendo com que o esverdeado caísse com as costas no chão.

 - Não me pareceu nem um pouco delicado da sua parte. - O homem falou, seco. - Suma. E é bom que não tenha arranhado minha moto.

A passos largos, o velho voltou para dentro do restaurante, sem dizer uma palavra.

O homem respirou fundo, soltando um pouco de fumaça ao expirar, devido à noite fria.

Ele se abaixou, ficando na altura dos olhos do esverdeado e o encarando fixamente.

 - Qual o seu nome, garoto? - A voz do homem soava como um rosnado.

 - I-Izuku… 

O pequeno ergueu um pouco a cabeça, e se assustou ainda mais ao ver a dogtag mais de perto. 

Havia um símbolo gravado na mesma. 

Um lobo.

O homem misterioso seguiu o olhar do pequeno.

 - É, eu sou um bruxo. - Ele fingiu um sorriso fraco. - Me chamo Christopher.

 - E-eu ouvi… - O esverdeado começou a choramingar. - V-vocês… Minha mãe disse que vocês sequestram criancinhas…

O bruxo arqueou uma sobrancelha.

 - Ah é? E onde está a sua mãe agora?

Aquela pergunta foi o suficiente para que o medo no rosto do esverdeado desse lugar para a tristeza.

No entanto, o pequeno sentiu as mãos do bruxo o pegando no colo e o colocando na garupa da moto. O mesmo observava atentamente cada movimento do homem, que retirou algo de uma das bolsas da motocicleta. 

Os olhos do pequeno brilharam quando o mesmo percebeu que Christopher havia desembrulhado um cheeseburger.

 - Aqui. - E o entregou ao garoto.

Ainda tímido e um pouco desconfiado, o garoto aceitou. O bruxo se encostou na moto, observando atentamente o esverdeado que aproveitava cada mordida daquele lanche.

 - Você come bem devagar. - O homem comentou.

Izuku parou de comer e abaixou a cabeça.

 - Quero aproveitar cada mordida. Não sei quando eu vou conseguir comida novamente.

O bruxo respirou fundo.

 - Olha só, que ironia. - O bruxo forçou uma risada. - Sua mãe te assustava com histórias sobre bruxos… mas foi abandonado por ela, e está sendo ajudado justamente por um.

O esverdeado não pôde deixar de concordar.

 - Obrigado. - O pequeno sorriu fracamente.

 - Eu vou ligar para a polícia. - A fala de Christopher assustou o pequeno. - Tenho um amigo por lá, que me deve uns favores. Vou pedir para descobrirem o endereço da sua casa.

Um sorriso genuíno surgiu no rosto de Izuku.

E o bruxo assim o fez, e em alguns minutos recebeu o endereço da casa dos Midoriya. Ele ajeitou o pequenino na garupa da moto, deu a partida e foi embora.

Passados alguns minutos, lá estavam eles, em frente à casa do esverdeado. Christopher ajudou o garoto a descer da moto, e o esverdeado começou a caminhar a passos lentos em direção à sua casa. 

A luz da sala estava ligada, e as cortinas estavam fechadas. Havia som de coisas quebrando lá dentro. O que assustava Izuku, pois reconhecia sua mãe gritando lá dentro.

Na metade do caminho, Izuku parou. Se ajoelhou no chão e desabou em lágrimas, deixando que todo o seu sofrimento viesse à tona.

 - Garoto. - O bruxo chamou a atenção para si. - Você pode vir comigo, se quiser.

Aquilo despertou algo em Izuku. Havia medo, é claro, mas as palavras de Christopher davam segurança e esperança ao esverdeado.

 - Não posso te prometer uma infância perfeita e feliz. - Christopher encarava o esverdeado. - Mas posso te garantir que vai ficar vivo. E vai ver esse mundo como ele realmente é.

Por um breve momento, Izuku olhou para a porta de sua casa.

 - Você pode ficar aqui e sofrer, ou pode vir comigo e sofrer muito mais, mas se fortalecer com isso. Cabe a você escolher o mal menor.

O pequeno fechou os punhos com força e, engolindo as lágrimas, voltou para a motocicleta.

 - Eu não quero ser fraco.

Christopher o ajudou a subir na moto novamente, e então os dois desapareceram em meio à escuridão da noite.

 

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