História Through the Madness - Capítulo 21


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Categorias F(x)
Personagens Amber Liu, Krystal Jung, Luna Parker, Personagens Originais, Sulli Choi, Victoria Song
Tags Amber, Kpop, Krystal Jung, Originais, Suspense, Terror
Visualizações 2
Palavras 3.621
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


UHUL AMIGES! mais um capítulo sai do do forninho que deu uma quebrada nessa semana e parou de funcionar. Mas aqui estamos com ele concertado e pronto pra mais capítulos lindos e cheirosos como esse. 😎

Espero que estejam gostando, e que estejam se focando nos estudos hein 🙄 quem sou eu pra encher o saco de vocês com esse papo, né? Mas, de verdade, garantam uns pontinhos bons pra passarem de ano e sigam a vida de vocês com o que lhe faça se sentir feliz.

Esse capítulo está bemmm grandinho e com MUITOS detalhes explicados sobre a Amber e as mudanças dela. Prestem atenção ok?

LEIAM AS NOTAS FINAIS PORQUE A TIA MOCHI ESTÁ NECESSITADA DE AJUDA HEHE.

Boa leitura amores!

Capítulo 21 - Stay away from your own craziness


" I prayed under a bloodshot sky
(I believe)


That it’s all a dream when I wake up


It didn’t come true." 




Tendo sonhos cada vez mais intensos e sem explicações, Amber já havia perdido as contas de todas as vezes que acordara no meio da madrugada, suada, para trocar de blusa ou até mesmo tomar um banho para se acalmar. Perseguida, continuamente nesse um mês que se passou, pelo fantasma de um homem e uma mulher, a médica estava com seu rendimento afetado pela falta de descanso. Amber consultava normalmente Gordon e Helena, mas sempre se via esquecida das visitas de checagem. 

E naquela noite não foi diferente. Com o coração acelerado, Amber acordou com uma sensação de peso em seus ombros, como se alguém estivesse a empurrado cada vez mais fundo em seu colchão. Pensou em se levantar para tomar um pouco de água, porém o medo e a insegurança falaram mais alto e ela acabou deitando com a respiração descompassada. Esperava ansiosamente que seu despertador tocasse logo e que o sol não demorasse muito a nascer. Espiou pela janela e pode notar uma leve chama alaranjada fraca que cortava o céu. Já estava amanhecendo. 

"Ainda bem.", pensou ao encostar novamente a cabeça no travesseiro fofo. 

Enquanto o silêncio ainda reinava em seu quarto, com muita convicção, Amber tentava juntar todas as partes de seus recentes sonhos. Tudo havia começado na noite em que ela chegara no asilo. Como de costume, por dormir em um lugar estranho pela primeira vez, ela se sentiu fraca e com medo sem a presença reconfortante e segura de sua mãe. Além disso, a presença de um fanstasma amigável e suspeito de mortes não a ajudava a pegar no sono. Embora tenha conseguido dormir, a médica teve um pesadelo do qual não conseguia se lembrar até noites atrás, em que sentiu a estranha sensação de ter um dejá-vu ao se ver novamente por entre as cordas daqueles sonho perturbador que formava um enorme tapete de pesadelos em sua mente. 

Ao presenciar novamente o momento sangrento e conflituoso, Amber passou a se lembrar de seu segundo sonho, do terceiro, do quarto e assim por diante. Ela sabia que alguma mensagem estava sendo transmitida para ela através daqueles sonhos. Apesar de suas inúmeras dúvidas, a garota sabia que alguém queria pedir algo à ela. Só não sabia quem, nem o quê, e muito menos o porquê. Se dando conta de que nada adiantava sofrer, uma vez que não conseguia juntar ou entender suas teorias, frustrada, Amber se levantou, mas com um pouco de medo, e tomou um longo banho para começar a sua busca por respostas. 

Ao sair do banho, se arrumou, pegou as coisas que provavelmente precisaria agora nas primeiras horas da manhã, e saiu rumo à biblioteca. 

- Devo estar ficando louca de vez, mas vamos tentar junto tudo iss e ver no que dá... - suspirou pesadamente ao fechar a porta de seu apartamento. 

Amber fez um pequeno e simplificado mapa mental do que procurar, ou pelo menos, de por onde ela deveria começar a sua busca. A médica mal sabia da história desse asilo mas ele já parecia saber de sua história passada, presente e futura, o que dava à garota uma sensação de impotência e agonia. 

Seguiu as placas indicando as direções para se certificar de que estaria indo pelo lugar certo. Como não havia entrado na biblioteca nesses 4 primeiros meses de trabalho, Amber estava ansiosa para se mergulhar no mar de livros e conhecimento que a biblioteca era. Levando consigo uma energia curiosa e cansada, ela chamava a atenção de alguns pacientes já acordados que caminhavam pelo jardim acompanhados de familiares e enfermeiros. 

- Identificação, por favor. - uma voz ríspida soou quando Amber adentrou ao prédio enorme da biblioteca. 

Uma senhora velhinha a encarava curiosa. Amber deixou de olhar para o teto repleto de pinturas e fixou-se na idosa atendente. 

Um pouco atrapalhada, Amber pegou sua carteirinha de estudante e a entregou junto de seu crachá de identificação do asilo. Ela ainda estava pegando o jeito do lugar. 

- Você é nova por aqui, menina. - Amber, ao perceber que o comentário fora uma afirmação e não uma pergunta, ela apenas acenou com a cabeça. 

- Sim, estou trabalhando aqui há 4 meses. 

- Você me lembra de minha pequena nora... bonita e inegavelmente inteligente. - disse a senhora ao fixar o olhar na foto digital de Amber após ter o crachá lido pelo visor. 

- Ah, obrigada... Como ela é? - tentando puxar assunti com a secretária, Amber sorria de leve enquanto apoiava as mãos no balcão de madeira escura.

- Era, minha menina, era... infelizmente a faleceu há muito tempo. Mas era linda, educada, gentil e curiosa. - divagou a senhora enquanto fazia alguma coisa no computador que Amber não pode ver. 

- Sinto muito... - disse sem expressão. Amber mal conhecia a moça, mas deveria ser educada com a situação da senhora a sua frente.

- Nem tudo que cruza nosso caminho é eterno... aqui, menina. - tirando Amber dos devaneios ao ouvir e processar a fala da mais velha, a garota pegou sua identificação sorrindo de leve. Ao tocar a mão da senhora, Amber notou que era quente, viva e acolhedora. Mas também parecia enrugada e cheia de mistérios.

Amber percebeu ao lançar um olhar prlo jaleco branco da senhora, que a mesma trabalhava no asilo. 

- Obrigada. - disse antes de ir em direção às mesas do enorme primeiro andar da biblioteca. 

Suspirando por enfim começar sua jornada, Amber se levantou e foi em direção às prateleiras de madeira escura e grossa que abrigavam os livros. Ela pegou, curiosa, um livro que falava sobre a história da medicina em Nova Orleans. Pegou outro que era uma biografia de Marcus escrita por una historiadora e médica natural de Nova Orleans. Também, se dedicou a um livro exclusivo do Asilo Saint Marcus. 

Sentada, Amber lia sobre a vida de Marcus. Ele era um filho de um médico mulato e uma mulher branca camponesa, seu nascimento foi bem recebido pela família de ambos os pais, porém, como Amber se deu conta, a história do filho mais velho, o Irmão mais velho falecido de Marcus, era verdadeira. O rapaz continuava a ver o fantasma do menino morto, e isso acabava com a sanidade de sua, esta tendo que se proteger e negar as acusações de bruxaria que sofria constantemente por fazer chás estranhos para o menininho dormir tranquilo sem ficar vendo coisas. 

Marcus foi uma criança honesta, sempre ajudava a todos mas ao mesmo tempo tinha um lado que era escondido a todos os custos pelos pais, ele era frio e insensível com pessoas machucadas e feridas. Muitas palavras pareciam descrever a personalidade do rapaz, mas Amber achou interessante como a autora da biografia de Marcus se posicionou. Marcus era um digno médico que sentia quase que prazer ao ver os pacientes machucados antes de, enfim, ajudá-los. 

Amber parecia não estar crendo no que acabara de ler. Suas dúvidas estavam se sanando aos poucos. E agora, ela sabia que não deveria descartar a hipótese de Marcus estar dando as agulhas usadas pra tratamento médico ao Senhores já que o próprio rapaz adoraria ver os velhinhos em agonia antes de ajudá-los e sair no final da história como um bom rapaz. 

Vendo que a tarde se aproximava, Amber decidiu pegar um ônibus até a cidade para, de uma vez, ir conhecer a loja de proteção espiritual que o taxista Cesar havia lhe dito. A garota guardou os livros em seus devidos lugares, agora, em seu caderno, muitas anotações estavam lá. Ela tinha medo de que tudo ali escrito fosse verdade. Amber tinha a hipótese de Marcus ser um desequilibrado mentalmente, como também tinha a ligação de seus sonhos, o fantasma da secretaria era quem aparecia nos sonhos, era ele quem estava pedindo à Amber por ajuda. Ele queria estar livre de tudo aquilo e queria que todos entendessem seu caso. Amber não fazia ideia ainda de qual caso ele se referia, mas estava contente por estar indo para o lado certo. Ela finalmente estava encontrando suas respostas. 

Amber tirou o jaleco e deixou-o em seu sofá, pegou a carteira, colocou em sua mochila, pegou o caderno com anotações e, decidida, fechou a porta de seu apartamento mais uma vez naquele dia. Caminhando até a recepção principal do asilo, onde lhe seria dada a saída para ir até o ponto de ônibus, ela notou Ryu conversando com Noah e Victoria. Todos ali sorriram e acenaram par Amber sem perguntar para onde estava indo. Agradecida, ela sorriu, acenou de volta e seguiu para a saída do asilo. 

Passando-se alguns breves minutos de espera, Amber já se via dentro do ônibus surpreendente cheio em direção à Nova Orleans e seu centro. Com os óculos escuros em seu rosto, ela se sentia mais confiante para olhar as pessoas ao seu redor. Muitas delas eram pessoas atarefadas e adultas indo para seu trabalho, mas também muitas crianças acompanhadas de seus familiares eram vistas falando animadamente sobre a escola e os amigos. 

Descendo junto de uma senhora e um adolescente mais novo que Amber porém mais alto do que ela, a médica jovem suspirou enquanto olhava mais uma vez em seu bilhete o endereço da loja. Como havia visto em um mapa digital no seu navegador, Amber já sabia qual caminho fazer. Ela atravessou a rua, cruzou a praça Louis Armstrong onde estivera há um mês com suas amigas, e seguiu duas ruas à frente, antes de dobrar a direita e seguir por uma rua cheia de períodos antigos que indicavam sua origem francesa através da milimétrica e detalhada arquitetura. Era uma rua comercial com uma biblioteca, salões de beleza, alguns escritórios de advocacia e dentistas, tinha também um mini mercado, duas padarias e três bares, como também algumas escolas e várias casas. Era uma ótima rua para se morar, concluiu Amber. Dobrando a esquerda, na esquina à sua frente, a médica viu a loja de proteção espiritual aberta. O local era bonito, tinha uma fachada vermelha clara, uma porta corrente de vidro e duas janelas ao lado da porta, as quais serviam de vitrines para os transeuntes da cidade. 

Olhando com segurança para os lados antes de atravessar a rua, Amber suspirou e entrou na loja. Por sua surpresa, havia várias pessoas ali dentro, como em uma loja de roupas famosa. Mas o ambiente era extremamente confortável e as pessoas caminhavam por entre as estantes junto de atendentes calmamente. Até mesmo magia se comercializa... Amber pensou julgando a capitalização que afetara até mesmo os amuletos daquela cidade mística. 

Um rapaz pouco mais novo que Amber estava mexendo no celular até ver a nova cliente. Ele deixou o balcão em que se escorava e foi até Amber. 

- Boa tarde. Posso ajudar? - perguntou com um tom de voz que indicava a robotização daquelas perguntas. Era automático cumprimentar um cliente assim. 

Amber olhou para o rapaz analisando-o por breves segundos antes de entregar o cartão que recebera do taxista há 4 meses. 

- Estou procurando por Anne Sant. Se eu puder falar com ela, eu agradeceria... - falou sorrindo antes de passar a mão por sua nuca arrancando alguns dos pequenos fios ali existentes. 

- Minha tia está um pouco ocupada agora... você tem hora marcada? - pergunteo o rapaz lançando um olhar incerto para a porta cheia de cordões compridos com contas coloridas atrás dele. 

Uma movimentação aconteceu brevemente e Amber mal vira a mulher sair da sala. 

- Amber finalmente veio me ver. Pequeno Mai, deixe ela entrar, é uma cliente especial. - disse uma mulher que aparentava ter uns 35 anos. Ela somente aparentava, pois na verdade, a dona daquela loja tinha mais de 40 anos nas costas. 

- Obrigada pelo tempo livre Kaylle, foi bom vê-la. - disse Anne Sant se despedindo da cliente que seguia porta a fora com os olhos vermelhos e algumas lágrimas escorrendo pelas bochechas. 

Amber achou estranho e arriscado o fato da mulher sair dessa maneira às ruas, ela estava desestabilizada e não deveria estar muito focada em seus passos agora. Como se lesse os pensamentos de Amber, Anne Sant tocou seu ombro levemente. 

- Ela voltará bem. Kaylle está feliz, e não triste. Não se preocupe. Vamos lá, Amber. Depois de tantos meses achei mesmo que você não viria me ver. Marcus até disse que você viria mais cedo ou mais tarde. Decidi confiar nele e, olha o que temos aqui, você. - Anne Sant disse antes de caminhar com Amber até o local de onde havia saído há alguns minutos. Mai, o rapaz que vira Amber entrar, entregou o cartão de visitas quando a médica passou por si. 

A maneira com que tudo ali se arrumava era incrível. Os amuletos e pesos de porta se dividiam por cores e texturas. Era uma explosão de cores a cada piscada que Amber dava. Seguindo a cortesã, ela entrou receosa na sala em que conversaria com Anne.

- Você conhece Marcus? Como? - perguntou a garota enquanto sentava na poltrona fofa em frente à uma mesa com cartas e pedras coloridas. Atrás desta, um balcão com copos coloridos e um bule de chá esperavam por seus clientes ansiosos, como também um incenso queimava constantemente, dando a sala um aroma de canela que Amber achou forte demais em um primeiro momento, mas acabou por gostar do mesmo. 

Anne se sentou com um gato no colo. O felino aparentava estar desacordado, mas os olhos amarelos e penetrantes se abriram e se ficaram em Amber, que achou ser possível estar tendo sua alma lida e analisada.

- Conheço muita gente do outro mundo, menina. Marcus é um dos meus mais velhos amigos, aliás, ele é meu avô de algumas gerações atrás, mas continua novinho em folha. - disse enquanto acariciava o pelo castanho e preto do gato em seu colo. 

- Certo... - disse Amber vacilante. Ela não sabia de fato o que fazer agora. Ela nunca tinha pensado estar nessa situação. 

- Sei que deve ter muitas dúvidas. Tente achar a mais impertinente delas e vamos ver como eu posso ajudar você. - aconselhou Anne. Amber estava gostando dela, a mulher tinha uma boa energia e parecia ser confiável. 

- Bom... tem várias acontecendo ao mesmo tempo mas eu gostaria de saber sobre um fanstasma que eu ando vendo no asilo. Eu trabalho lá, aliás. E vejo ele há muito tempo, mas todos de lá ignoram ele como se ele não existisse. Você saberia de algo por acaso? - Amber direcionou seus pensamentos antes de falar.

Anne suspirou pesadamente. O felinou miou como se não gostasse de falar daquele assunto, ele se remexeu no colo da mulher mas continuou ali, quieto. 

- Essas perguntas ainda lhe causarão mal, Amber. Deixe que a história do Esquecido se torne clara para você com o tempo. 

Irritada, Amber perdeu as esperanças de que Anne pudesse ajudá-la com o caso do fanstasma da secretaria. Mas ainda assim, ela tinha mais um questionamento. 

- E aqueles senhores? Quem eles irão machucar e eu poderei parar eles? 

Anne se sentou ereta. Ela olhava Amber com os olhos azuis escuros. O fundo do oceano parecia estar ali dentro e se Amber se demorasse mais alguns segundos no olhar, ela poderia se perder naquela imensidão de possibilidades. 

- Eles irão machucar duas pessoas bem especiais para você. Há pouco tempo elas se tornaram parte de sua vida, mas já têm um lugar guardado nesse seu confuso coração. - Anne disse repleta de mistério. Seus cabelos morenos caíam pelos ombros. 

Amber mal sabia por onde começar a pensar, poucas pessoas mereceram entrar no coração de Amber nesses meses, mas mesmos assim, a busca se resumia a 6 pessoas e a médica não sabia como proteger as mesmas. 

- Por quê eles fazem isso? - perguntou olhando para o chão. Ela tinha medo de perder quem há pouco tempo passara a amar.

- Eles estão aqui para ter suas almas limpas, há séculos eles estão aguardando por alguém que esteja entendo o sofrimento pelo qual passaram. Você se tornou essa pessoa, caso queira saber. Você é quem irá limpar a alma daqueles senhores que passaram por um morte parecida com a de seu irmão mais velho. - Anne disse antes de Amber quase cair da cadeira. Como diabos ela iria salvar aqueles senhores se ela nem conseguia salvar quem eles iriam matar?

- Como? Como você sabe disso tudo? - perguntou Amber atônita. 

- A história está só se repetindo. A história sempre se repete. - disse Anne quando seu gato deixou seu colo e foi até um canto onde havia uma tigela com leite. 

- Amber, você é uma boa garota, e é a única capaz de acabar com isso, não porque você é especial ou tem poderes sobrenaturais, mas porque você é merecedora de ganhar essa luta, você tem potencial e um coração bom, mesmo que muitas vezes ele pareça não ser seu, não é? - continuou Anne. Ela estava pondo as cartas na mesa enquanto perguntava a Amber sobre o que vinha sentindo há alguns anos. O corpo de Amber era dominado por sua personalidade mais profunda e obscura. Seu coração quente se tornava gelado. Seu sorriso se tornava um pequeno almejo da felicidade que a outra Amber esperava. 

- Eu... eu simplesmente não entendo isso... - balbuciou perdida quando tentou se levantar para esticar as pernas. Ela se sentia pressionada por tudo aquilo estar sendo carregado em seus ombros há tanto tempo. 

- Você sabe do que eu estou falando. O que você sente, apesar de muitos dessa cidade denominarem esse transtorno como algo mítico, achando que você é portadora de duas almas diferentes em um único corpo, o seu transtorno pode ser investigado pela medicina moderna. Mas como suas crises eram raras, você não fazia ideia disso, estou certa? E muito menos os seus queridos pais, eles sempre acreditaram que sua pequena filha era tomada por picos de impulsividade por causa do que aconteceu com seu irmão, e é verdade, seu irmão influenciou a sua nova menina, aquela violenta e fria que dorme dentro de si. Ela foi criada após a morte de seu irmão, e ela vive aqui, bem aqui. - Anne apontou para a sua própria cabeça.

Amber se sentia a ponto de desmaiar. Ela passou a juntar os pontos devagar. 

A briga que teve com seu irmão em que acabou batendo nele com um controle remoto, a loucura que fez Amber passar dois meses em casa com um olho roxo e um pé quebrado, as danças cheias de paixão, a recaída que teve antes de vir para o asilo, a coragem que teve quando lutou contra os Senhores. Tudo isso era fruto de uma outra pessoa que tornava a aparecer com o corpo de Amber. Era uma nova personalidade que aparecia de vez em quando em situações extremas. Amber passou a se lembrar das aulas de Transtornos Psicológicos que teve na faculdade e sua mente se focou em um transtorno em específico. Não poderia ser verdade... ela, a pequena Amber, não poderia imaginar estar sofrendo disso após a morte do irmão. E a médica não entendia mesmo como aquela mulher sabia de tudo isso. 

- Seu irmão é bem inteligente e perceptivo, Amber. Ele me avisou sobre isso. Ele espera que você compreenda que não tem culpa de nada, e que você pode procurar ajuda com seus amigos. Tome um pouco de chá, você está pálida. - Anne disse enquanto servia um copo de chá para Amber e a ajudava a se sentar. 

- Isso é muito surreal... - foi o que conseguiu dizer após alguns minutos em silêncio de compreensão. 

Anne suspirou e concordou com a cabeça. Ela indicou, ainda em silêncio, para as cartas em sua frente. 

- Quantas eu devo virar? 

- 3 menina, somente 3, vamos ver, assim, como sua sorte está. - Anne disse quando seu gato reapareceu em suas pernas. Como se suspendendo de algo, o gato olhava para Amber com seus olhos felinos amarelos os quais carregavam uma energia tão forte que faziam Amber se sentir pressionada a escolher as cartas para sair dali o mais rápido possível. 

Amber então decidiu que tocaria naquelas 3 cartas do canto esquerdo da mesa, em sequência. Virou uma, duas e a terceira fez a menina ter seu sangue congelado dentro de si, o plasma havia se tornado gelo. Ela leu para si o nome escrito em francês nas cartas, l'amoureux, le monde, la mortalité. Os enamorados; o mundo e a morte. 

Anne Sant tocou nas cartas de leve como se pelo simples ato de tocar em sua superfície, ela estivesse adquirido toda a energia que a carta transmitia. Suspirando, ela explicou o que acontecia na vida de Amber. Os enamorados, sendo uma carta neutra, indicava um aspecto bom que, ao mesmo tempo, podia ser negativo. Representava a dúvida perante a necessidade de fazer alguma escolha. O mundo, sendo uma carta boa, ou seja, afirmativa, representava a liberdade, plenitude que cercava Amber, a carta representava um momento de sucesso, de vitória. Já a morte, por ser uma carta negativa, causava medo em Amber. A carta representava a inexorávelei da vida, o fim de um ciclo e o certo começo de outro. Em seu aspecto negativo, a carta conduz a pessoa que, de certa forma, apresenta alguma resistência à mudanças para um novo começo de ciclo forçado. 

Amber saiu da loja naquele dia com a figura do esqueleto passando por cima de pessoas em sua mente. Conturbada, ela tentou esquecer de tudo em uma vã tentativa de se encontrar em um supermercado comprando café como uma médica normal. Como uma mulher normal que não é perseguida pelos fantasmas e passado. 




Notas Finais


Sinceramente, eu adorei escrever esse capítulo, ele foi tão real que acabei tendo que parar de escrever para encurtar o tamanho dele ☺

Espero que estejam curtindo de verdade!


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----> Aliás, alguém se prontifica em me indicar algum(a) capista porque eu simplesmente sou um zero à esquerda no quesito Capas. Fico agradecida desde já hehe. Por favorzinho :)

Obrigada amores e até amanhã!


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