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História Thunderlord - Capítulo 1


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Capítulo 1 - PRÓLOGO - ESCAPANDO DE SETEALÉM, OU QUASE


Sua mente gostaria de tremer as pernas por conta do tal nervosismo, que o acompanhava naquela escuridão gelada, porém, era seu coração que tomava conta de tudo, e seria por ele que sua decisão se tomaria, tão quente como brasa, pois ele, Raoni, gostaria de reaver um brilho perdido que uma vez tivera por entre os olhos, um brilho que só teria quando visse o semblante iluminado pela palidez daquela que uma vez chamou de amor. 

O dia dali era tão escuro quanto o breu da rainha Noite, que só era iluminada por outra rainha, a Lua. Ali, satélite natural jamais existia, porém, mas havia uma réplica — um desenho gigante no céu de tintura, daquele universo paralelo entre a Terra, cuja única saída estaria selada por aquele que guarda um gigantesco poço. Aquele que caísse por aquele lugar, no entanto, seria enviado exatamente para onde deveria de estar. Aquele portal era famosa por surpreender. Cair nele era como cair na realidade. 

Raoni, grande lutador e guerreiro, amoroso era, mas não tinha sorte no que se dizia amor. Desconfiava de sua irrealidade imposta pela sua mente em dúvidas traiçoeiras e, caminhando por aquela escadaria das ruas jazidas mortas de uma Tóquio reconstruída precisamente para o mundo fantasmagórico, ele já não sabia, em seu coração humilde e nobre, se seus sonhos não seriam a realidade e a que se dizia real seria a inexistência nula de uma era de doces devaneios. Ou seja, não sabia se aquela por quem nutria amor, ele já nem sabia se ela era real.... 

O pobre doce Raoni vivera mais de quinhentos anos com a tal e, mesmo assim, não se sujeitava à dedução de que tal beldade fosse existir, pois era doce-amarga demasiada para aqueles mundos. O amargor do pobre agridoce destino não o deixava desistir, contudo, e, mesmo se deixava, ele não ia de fazê-lo. O rapaz lutaria pela sua doce donzela, até ao momento em que deixasse de existir. 

Passou-se às ruas, relativamente desertas, as pessoas o encaravam como se quisessem arrancar sua pele e expor sua cabeça em praça pública. Aquele olhar existia, e Raoni o conhecia muito bem. 

— Ele voltou! — murmurou um. 

— Temos ordens da Dama Morta para não o matar! — exclamou um.  

— Mas ele está no nosso caminho, não está? — perguntou um dos três que jaziam em pé ao lado de um poste. 

Os três tinham aparência mórbida, e um não tinha sequer uma cabeça. 

— É óbvio que estou no seu caminho — disse Raoni —, não me vê por passar? 

Voltando a cminahr, ele parou, pôs o capuz negro que cobria toda a sua roupa, que podia se dizer que eram um sobretudo preto e, por baixo, uma camisa cinza escura e o resto do traje era tanto social quanto os citados, mas eram tão incomuns ali quanto no plano primordial. 

— Um homem sem amor.... É como um mundo sem um sol — riu o mesmo que se pronunciou anteriormente e que havia dirigido sua fala ao Raoni. Sua risada e seus dizeres suavam empaticamente e estranhamente alinhados com a melancolia esperançosa daquela mundo. 

Raoni os olhou de relance. 

— O que um morto entende de amor? — suspirou o ar frio e gélido daquelas ruas estreitas e fitou, em seguida, os prédios gigantes que cortavam aquele céu estrelado de pintura. 

— O mesmo que o vivo entende de morrer. Diga-me, por que não para e ouve minha história? Não tem misericórdia com um homem morto? — perguntou o morto, ao lado do sem cabeça, que sentou e, ironicamente, pegou uma garrafa de vinho do chão. 

Cabelos brancos balançavam quando virara para a eles, a olhar.  

Raoni tirou o capuz e mostrou seus olhos vermelhos a eles. 

Já havia sido muitas pessoas. Sempre parecia ficar no lado que perdia. 

Desta vez, era um sul-coreano com cabelos curtos e brancos. Aquela, sem dúvida, era uma das melhores aparências que havia obtido. Transparecia medo e terror, amargura e rancor, postura e força. E, de quebra, ainda era bem afeiçoado. 

— Sua história, você me diz? — ousou Raoni, a perguntar. — Talvez eu já saiba dela, talvez eu veja seu coração. Não preciso parar e ver o que já conheço desde antes de nascer.... Certo, Martel? 

— Ele sabe seu nome... — murmurou o sem a cabeça ao que teve uma conversa curta com o de cabelos brancos. 

— Não sabia que um morto era capaz de se arrepiar — disse Raoni. — Parabéns, você provou que minha teoria estava certa. Pois, tem tanto sentimento quanto eu... — murmurou ele, e, por um momento, seu olhar pareceu profundo, triste e distante. Por fim, sorriu, pois pensava que se um morto qualquer se arrepiava, talvez a Dama Morta fosse se arrepiar, alguma vez em vida, sob seu domínio, beijo e olhar. 

Sabia que abalava a qualquer um. E a única que não pôde abalar, a que abalava, era a quem amava. Era a quem encontraria.  

Anne, porém, já havia dito a ele que aquilo era loucura. Claro, uma informante demoníaca não era nada confiável, mas, naquilo ela tinha razão, pensou Raoni, contudo, não sabia que ela tinha razão em muitas coisas. Pois, ele...: 

Desistiu de sua onisciência para viver um amor e se perdeu em sentimentos tão humanos quanto o divino; 

Desistiu do infinito por um brilho em um canto escuro de uma terra perdida em que sempre o breu se rastejava para que luz alguma fosse vista;  

E desistiu de pensar direito. E ah, o amor era tão confuso e lhe dava raiva para morrer. Por isso, não conseguia desistir e, embora desejasse aquilo, ansiava por algo que ninguém provou que existe. A felicidade simultânea de se reaver como um só com outrem.  

Alguém que desistiu daquelas cousas, pensou Raoni, como poderia ter razão sobre aquela que não caiu do céu, mas viveu um inferno? Como conseguiria ter razão sobre Anne, isto é, a demoníaca informante? 

Como é que teria certeza de qualquer coisa em geral?  

— Meu nome..., sim, este é meu nome. Martel, como um martelar maldito que está me lembrando algo.... Um dia falaremos sobre amor, Raoni — disse Martel e, antes que falasse algo, foi pego por outro arrepiar.  

— Memórias confusas de escuridão me dizem que não será nesta vida. Talvez em outra.  

Foi-se embora, após o curto conversar, porque viu uma sombra negra de um capuz menor de uma garota brincando. Uma garotinha perversamente igual a todos os outros, e diferente, entretanto, pois havia de ter um cintilante trovejar de uma esperança que viria pela chuva. Raoni pensou, como a chuva? Para trazer um dilúvio de desgraças ou me afogar em um mar de mel? 

Desesperado, com lembranças caindo e vindo, transformando-se, em sua mente, e transfigurando-se uma após outra, ele correu. Tinha que correr.  

Passou por um parque, vazio e morto. Correu atrás, com seus cabelos espetados lhe caindo ao olho, tentando evitar de destapá-los. Talvez, tinha medo de ver, ouvir e viver, aquelas cenas que viriam quando encontrou a garotinha, tentando brincar em um balanço de arames. Mas, logo ela desapareceu e riu. Ele a seguiu pela cidade grande, entrando em ruas pequenas e em um abismo de memórias. 

Aquela cidade vazia com tantas lembranças havia de ser vida em seu coração, mesmo com tantos fantasmas, monstros e morte nos arredores longínquos daquele caminho que outrora não era livre.  Sentia raiva de ter que segui-la, porém, animava-se vagarosamente. 

Oh, parece que fazem séculos, pensou ele. E, lembrou-se, então, momentos de um reencontro rumo ao destino surgiam em sua amarga morada de pensar.  

Quando chegaram lá pela primeira vez, viram o céu estrelado de pinturas de estrelas, e uma notificação entre elas.  

Escrito estava, em tintura branca como as estrelas: “Boas-vindas seres doutra dimensão.” 

Jazia, nas mãos de sua amada, naquele momento, uma rosa avermelhada que lhe dera há muito e que, conforme absorvia a atmosfera daquele mundo, escurecia-se, porém, com uma cintilação poética e viva. Simbolizava, entretanto, a união da vida com a morte.  

Olharam em volta àquele mundo, com Raoni questionando: 

— O que é este lugar?  

— Creio que uma confluência de nosso próprio destino, caro amado — respondeu, aquela vez, Violeta.  

— Oh... É real — disse, maravilhado e em tom de deboche: — Setealém é real!!  

— O quê? — riu ela. — Aqui não é Setealém, bobo. Este é o nosso lar, agora. Nosso lugar para voltar.  

Encaminharam-se aos templos sombrios, então.  

Naquele tempo, desde que tivesse ela ao seu lado, Raoni não tinha medo de nada.  

Encantaram suas lâminas com um selo em kanjis que ali jaziam de um mago morto que ali chegara, há muito, muito tempo. Apenas copiaram a escrita “Lar dos Mortos”, foi dito e feito, assim como diziam os dizeres dos bilhetes deixados em cima dos cadáveres esvaídos pelo tempo.  

“Encantai teus objetos afiados com a tinta daquele que reconstitui o céu estrelado”, dizia um bilhete.  

Noutro, doutro mago, que a noite servia: 

“Tornai tão breu quanto a noite, este lugar escurecido como a da morte a própria foice”.  

“Chegai aqui, caso chegai, irmãos”, dizia o do mago do dia, “tornai deste lugar uma honra.” 

Noutro, uma terceira opção era viável, entretanto opcional.  

“Contudo, além de tudo”, nele dizia, “amai um ao outro, como uma vez amamos.” 

— Parece que o amor os levou à morte.  

Violeta não ousou responder o intrigante questionar de Raoni sobre aonde o amor os levaria...  

Concordou, porém, com a cabeça e disse.  

— Como preto é minha favorita cor — brincou ela —, escolho o encantamento negro.  

Raoni lembrava, com o ar que respirava, calejado e cansado em seu emocional, que, embora todos os conflitos, tinham de ficar juntos. Era por isso que, naquele tempo atual, subia o prédio para uma única última conversa de tentativa de reconciliação. Seguiu a garota, correndo por uma escada dentro de um prédio, que era tão morto quanto tudo. Os vidros negros, lindos, porém, davam-lhe um tom de beleza. 

As escadas, por elas, ele seguia. 

Até que, por fim, chegou. Pronto para viver mais daquelas sensações más. 

Abriu a porta do último andar, a porta que levava ao teto daquele prédio, por onde a garotinha entrara, e por onde desapareceria.  

A visão da garotinha pequena se aproximava de sua dona. Uma versão crescida da própria sombra que Raoni seguira. 

Lá estava Violeta. Seu único e verdadeiro amor. Crescida, como uma visão encantadora. 

Olhava, ela, à paisagem, enquanto em pé diante da beirada. Quando sentiu, por entre a pele morta, pálida e distante, um fio de vida de um toque que ferveu seu coração, embora fosse na bochecha. Foram os dedos de seu amado, que voltavam a lhe intrigar e dividir sua mente entre o real e o ideal, que ela jamais saberia diferenciar....  

A moça de cabelos avermelhados se deixou ter um abraço, sem que fitasse seu amado. Raoni, por trás, com sua aceleração cardíaca, fê-la sentir um pouco de vida, ouvindo aquele coração faminto por amor, por bater em suas costas.  

Violeta, porém, com seu vestido negro e um capuz igualmente escuro quanto seu coração, dominado por um amargor e por uma maldição, sentenciaria ele à morte.  

— Eu... — murmurou ela.  

— O que foi, amada minha? — questionou Raoni à cerca daquele murmuro.  

— Mereço ser amada? — perguntou, com seus olhos se virando, junto a cabeça, levemente àquele rapaz.  

— Não há merecedor de amor neste mundo, Violeta. Há muito ódio nele. No entanto, alguns são amados — e suspirou —, e você é uma delas. — Mas se eu... Sonho que, na verdade, sou um cervo branco gigante e com mais de trinta galhos na cabeça, e este mesmo cervo adormece quando eu acordo, quem não julgaria que ele seria real e que eu, na verdade, é que fosse seu sonho? 

O questionamento de Raoni era o mesmo que de Violeta. Ideal e real, mas com uma pitada de irrealidade.  

— A ironia é que a própria vida não saiba discernir a realidade do nulo, mas, caro amado, no fundo sabe o que é real. Embora pense que seja mais feliz por caminhar em uma neve branca, tão pálida quanto à pele de sua amada, do que amando uma pessoa que já se foi. Diga-me, talvez o caos seja necessário, mas.... Amar-me-ia mesmo se eu não pertencesse à realidade? 

— Se você fosse irreal, preferia eu não existir e lhe amar, de algum jeito, mesmo assim. Sobre o caos... É uma ordem natural, mas... Esqueceu-se que o nosso propósito era ir contra tudo, e não ser nada?  

— Mas talvez eu já esteja dominada pela maldição.... Mesmo assim, tenho o amor da própria vida — e houve um beijo enquanto estavam de lado —, mas — e se parou o suave movimento —, como foi mesmo, que o próprio mal lhe chamou, Raoni? Diga-me.... Mais uma vez.  

— Nhanderuvuçu....  

— Eu teria uma discussão aqui, sobre tudo, porém, muito bem sabe que o que já passou por minha mente já passou pela sua.  

— Sei — murmurou —, mas sei também que a entropia não se reverte, só que sempre haverá vida. Mesmo que eu esteja morrendo, isto é — e engoliu a seco —, mesmo que vá morrer, você sempre existirá em meu coração — disse Raoni, olhando os olhos dela.  

Deu-lhe a rosa, Violeta, como uma vez Raoni fizera e, então, sentenciou-lhe à morte, isto é, se voltasse a ir àquele mundo. Se voltasse a ir atrás dela.... 

No entanto, fez-lhe um pedido — ou uma ordem —, no final: 

— Mas carregue está rosa até os confins deste lugar. Leve-a à Terra, faça-a viver ou, então, a morte há de lhe matar....  

Abraçou-a, por fim. Pela última vez.... 

Então, abriu caminho na ponta do prédio e pulou de lá. Por metros e metros de altura, Raoni caía, já se aprontando para sua queda. A decadência de Raoni era mostrada em suas ações, suas palavras e seus respectivos significados, que refletiam sua vida. Também caíam, lágrimas verdadeiras de um amor que se perdera. 

Violeta, vendo-o pousar, deixou que sua respiração fizesse um último suspiro antes de ser totalmente possuída pelo espírito da morte. 

“Há algum último desejo em seu coração?”, sussurrou uma voz em sua mente. 

Fitou o local inteiro, maravilhada, e, com uma chuva passageira se aproximando, isto é, uma chuva de gotas de tintura negra, Violeta abriu as mãos delicadamente. Depois, respondeu à pergunta: 

— Eu desejo sentir o amor dele, mesmo tomada totalmente por sua maldição, querida Cavaleira. 

Uma lágrima caiu. E ela sorriu. 

Enquanto sentia e via a chuva, lá embaixo, Raoni derrotava respectivos homens mortos, de todos os tipos de lendas possíveis, Violeta, sentou-se naquela ponta. 

“Pois bem. Seu desejo será concedido”. 

Raoni, caminhando com uma espada que havia pegado do chão, empunhando-a, e tentando não morrer, pegou um pouco da areia preta que constituía àquele chão morto, jogou-a em um inimigo, e lhe cortou a cabeça com um golpe, depois de cegá-lo. A dança daquela lâmina derrotou cem homens mortos que viam um por vez, de todos os lados. 

Enquanto corria para não ser morto, com uma rosa negra enrolada em sua mão, cuja espada segurava, que, por mais de vezes, ajudou a tirar mais sangue dele do que qualquer outro inimigo, Violeta recitava um poema em forma de cantoria e observava friamente ao seu amante de outras datas. 

Ele, entretanto, lembrava de seus doces sonhos percorrendo a neve como um cervo branco. Resgatava da memória, também, um corvo negro que sempre lhe vinha. Era o espírito de sua amada, a quem nunca falara, porém, mas que ciente se encontrava de um possível final feliz. 

Relembrando àquilo, sussurrou: 

— Adeus.... Adeus, meu doce e mórbido Setealém. 

— Não tão cedo, não tão tarde. Vejo que caminhas ao deserto, decerto não viria aqui se sonho tu não tiveste sobre um futuro à sua frente — disse-lhe a voz —, e eu, eu sou João Pestana. 

Era um velho à sua frente. Trajava roupas velhas, e segurava uma grande bengala de madeira, que mais parecia um porrete tortuoso. 

— Eu sei quem é. Fará com que eu sonhe, até morrer. 

— Não — respondeu ele ao Raoni —, tampouco. Mas, se desejar ter morrido, não me culpe — disse, por fim. 

— Daria, a mim, sonhos proféticos? — perguntou o que trajava face coreana. 

— Continua uma criança, Raoni. Mesmo que tenha mais idade que qualquer outro, porém, só te mostrarei.... Apenas — murmurou —, abrace sua amada, em sonhos, mais uma vez. 

As areias negras daquele deserto em que se encontrava foram aos seus olhos, penetraram-lhe e lhe deram uma noite de sonhos doces. Para ele, durou horas em sua noite favorita com Violeta. Para o mundo, durou-se apenas um segundo. 

Até que as areias saíram de seus olhos. O sonho do Pestana cessou, e ele também. 

Raoni olhava para cima, enquanto saía do transe. 

“O Senhor da Areia lhe trouxe um sonho”, jazia escrito no céu de escrita, com fontes e cores mórbidas, que mudavam freneticamente. 

Deu-se conta, então, que em sua frente tinha um guardião do poço, Cérbero, o cão infernal de três cabeças. 

Desesperou-se, porém, quando percebeu que suas adagas do desaparecimento foram perdidas. Não se encontravam mais em suas mangas. Incrivelmente, elas reapareceriam magicamente no mesmo lugar, mas demoraria um tempo. 

A chuva de tinta branca de escrita caía do seu estrelado lentamente. 

Veio na direção de Raoni e, embora longínquo, cuspiu fogo pelas três cabeças que se transformaram em uma bola de fogo só. 

Os projéteis gigantes, conforme atirados, vieram. 

Olhou a fera com um olhar tão forte quanto o dela. Deu suas mãos ao chão e raízes de árvore, que saíram delas, formaram uma estrada de madeira pura para atravessar por ela em vez da areia.

A madeira ia tomando caminhos diferentes, como várias linhas de trem, e Raoni desviava rapidamente do fogo por elas. 

Ele se aproximava da besta. 

Conforme ela batia os pés no chão, Raoni cambaleava. Chegou a cair na areia uma vez e, desesperado, fez mais madeira de a ponta do sapato surgir rapidamente, para que o impulsionasse de volta aos seus gigantes cabos de madeira, que iam indo surgindo. 

Tudo aquilo acontecia ao mesmo tempo. 

Ele se desesperava, porque, olhando para trás, via todos os monstros, youkais, demônios, espíritos da tempestade, do fogo do inferno, do vento e etc. Vira todos os monstros que derrotara e mais ainda, um exército deles o perseguindo. Mesmo assim, continuava na direção do monstro. 

Deu cambalhotas e o seu destino ficava próximo. 

Quando chegou e encarou o monstro e ele bufaria fogo em sua cara, ele fez o sinal de arma com a mão e gritou: 

— Bang! — e a madeira saiu, tapando a boca da besta. 

A madeira que ele invocava, de árvores celestes, era mais forte que qualquer outro material e seguraria o fogo, contudo, invoca-las consumia muito de sua energia e, assim sendo, não havia outro jeito senão esperar com que as adagas voltassem às suas mãos.

O frenesi o fez sorrir. 

De repente um vento grandioso seguiu às suas costas. Eram os espíritos do vento. 

As partículas de areia o impediam de enxergar apropriadamente.

No mesmo momento em que a adaga voltou à sua mão livre, Raoni escorregou, apontando a sua mão, que fazia madeira para baixo, em um tipo de escorregador, e cortou a fera por baixo. 

Porém, ela o acertou com uma patada. 

— Não! 

Todo ser que fosse ferido ali, seria mandado de volta ao local inicial. 

Voltaria à morte literalmente e em vários sentidos, porém, enquanto a sua alma saia de seu corpo, ele pulou dentro do poço e caiu no local exato em que deveria estar.

Caminhando, com todos os tipos de monstros possíveis ao seu redor, a próprio morte, Violeta, chegara perto do corpo de Raoni, desalmado. 

Ela, com a ponta da lança de sua espada, acertou seu coração, pois sabia que ele, assim, sem alma, não morreria. 

— Pronto. Está morto — ironizou. 

O corpo dele reapareceu no topo de um prédio de Setealém. 

 

De repente, a alma de Raoni jazia em um prédio, no topo de uma cidade. 

Mas não era Tóquio, era uma cidade que ele conhecia melhor, que ele conhecia muito mais.... Era São Paulo. 

Infelizmente, só sua alma fugira de Setealém. 

Sua alma, e suas adagas que voltaram com a ajuda do vento, mas que não voltariam à manga de seu sobretudo em seu corpo, por dois motivos: porque o corpo dele estava noutra dimensão; e porque o corpo dele já não tinha mais uma alma. 

— Amada, que, agora, alcunha-se como morte.... Eu prometo ficar melhor, por você. Seu eu real não gostaria de me ver triste.... 

Conforme derramava lágrimas, do sentimento ali transmitido por elas, embora não tivesse corpo, nasciam raízes de trepadeiras pelo prédio todo. 

Estático, Raoni tentou, com sucesso, controlar o seu grito. 

— Nosso amor é como essa rosa negra em minha mão.... Vai se despedaçar quando encontrar o chão, e morrer. Para florescer em algum lugar, novamente — disse, com a rosa caindo com o vento e olhando para o chão que estava a muitos metros de altura. 

— Interessante, pois nunca vi alma alguma falar com tanta proeza sobre sentimentos — disse uma voz, atrás dele.

Virou-se, então, fitando um homem de jaleco e olhos extremamente verdes.

— Quem? — a face penosa de Raoni se virava conforme à sua dúvida. — Quem é você.... E como pode ver uma alma?



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