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História Ties - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 02


                     Meses Antes. 

 

Com ajuda de um machadinho, consegui arrancar a raiz de Bardana. Fiquei feliz de encontrar ela aqui, dificilmente a vejo, e é bastante importante para problemas de cunho digestivo e que afetam o sistema imunológico. 

 

A floresta ao redores da cidade de Pieta é ampla nos mais variados tipos de ervas medicinais. Quando me mudei para cá, sabia disso, mas não fazia ideia que encontraria absolutamente tudo aqui. É um fonte que não seca, perfeita para minha produção contínua de remédios. 

 

Coloquei a raiz dentro da cesta e me levantei respirando fundo. O ar era de purificar os pulmões. Às arvores eram altas o bastante para dar a impressão que chegavam nas nuvens. Silêncio e calmaria. Um lugar que eu poderia deitar e dormir. Até poderia fazer isso naquele dia, até o silêncio ser quebrado. 

 

Não sei dizer ao certo do que se tratava, mas foi um barulho seco e pesado, não muito longe de onde eu estava. Peguei a cesta e caminhei devagar, não tinha completa intenção de achar a causa daquilo, mas enquanto ia embora, resolvi ficar atenta. 

 

Eu observei por entre às árvores, desconfiada. Algo me parecia errado, difícil explicar. Mas então vi poças de alguma coisa na terra. Não conferi se era sangue, mas presumi que sim. Andei mais rápido, tentando ser sútil. Não sabia o que estava acontecendo, mas era mais inteligente e seguro sair dali por hora. 

 

Vi um vulto e rapidamente me escondi atrás de uma árvore. Minha pulsação já estava mais enérgica. Tinha alguém ali. Eu sabia. E após ter visto supostamente sangue, era certo, na minha cabeça, que corria perigo. Dei uma espiada, não vi mais ninguém, mas havia algo esticado no chão que não entendia como não tinha percebido antes:um corpo. Era uma mulher, decapitada. 

 

— O que faz aqui? — Por um segundo, meu ar foi cortado. Ela não fez som nenhum. Apareceu na frente dos meus olhos como um fantasma. 

 

Eu tentei, mas de imediato não pude responder. A espada dela estava a centímetros do meu pescoço e aqueles olhos prateados, perfurantes, me tiraram a fala. Era uma Claymore. 

 

Levantei a cesta que estava na minha mão a fim de que fosse o bastante para ela entender. Não se desviou de mim, mas não demorou muito para ela baixar a arma e sair da minha frente. 

 

— É uma humana. Por que fez isso? — indaguei, sem me mexer. 

 

— Olhe novamente. — Ela se afastou. 

 

Eu demorei um pouco para criar coragem de encarar a cena novamente, mas após conseguir, a mulher já não estava mais lá. O sangue estava escuro, a pele estava escura, o corpo havia crescido, tinha garras, dentes grandes, olhos arregalados e negros, sem pálpebras. Era um Yoma, nada ali lembrava mais um ser humano. Engoli em seco. Só tinha visto um tão de perto uma vez e tinha sido uma experiência traumática. 

 

Encarei a direção que Claymore havia ido e ela já tinha caminhado uma distância. Apertei o passo para acompanhar ela. Mesmo que fosse uma ideia absurda, se o Yoma ainda estivesse vivo, eu queria estar segura ao lado dela. 

 

— Você veio pelo o que tem acontecido em Pietà? — Acabei por perguntar. Ela não se incomodou de me ter cobrindo seus rastros.  Na realidade, com maestria, ela poderia simplesmente ignorar que eu estava ali. 

 

— Sim. 

 

— Acha que ele veio de lá? — questionei logo em seguida. — Da cidade. 

 

— Ele já me seguia há algum tempo. — ela respondeu, indiretamente. 

 

Eu não cheguei a ver nada, mas haviam relatos de mortes por Yoma na cidade há algumas semanas. Se o que atacou a Claymore já seguia ela antes de entrar em Pietà, provavelmente se tratava de outro. 

 

— Moro em Pietà. Talvez possa dar abrigo até que mate o Yoma. — falei e consegui atrair os olhos dela para mim. Ao certo, não sei o que vi. Para qualquer ser humano normal não seria possível decifrar aquele olhar. 

 

— Não há necessidade. 

 

— Bem, mas não me custa nada. Dessa forma, não vai precisar pagar para ficar em uma pousada. — Por mais estranho que pareça, ela não discutiu. 

 

Ao chegarmos na cidade, a claymore me deixou guiá-la até minha casa. Não havia nada demais para mim sobre estar na companhia dela, mas para todos que a viram comigo, aquilo foi uma coisa incomum, para se dizer o mínimo. 

 

 

 

 

 

 



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