História Time! - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.430
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - O Escritor das Minhas Palavras! (Especial)


Fanfic / Fanfiction Time! - Capítulo 16 - O Escritor das Minhas Palavras! (Especial)

Estou em São Francisco agora, já á algumas semanas. Pensando e pensando sobre o que eu faria de agora em diante. Enquanto o taxi me carrega pelas ruas da cidade, eu não posso deixar de notar como as coisas são. Tantas almas vazias caminhando de um lado para o outro, buscando alguma coisa que os preencha durante a noite. E agora olhando no retrovisor, eu vejo que eu não sou diferente deles.

      Eu saltei na parte alta da cidade. Agasalhado contra o frio e observando as cantorias vindas da praça. As pessoas paradas escutando a melodia, os sorrisos amarelados. E por um breve momento eu pude sentir aquele sentimento acolhedor que York me trazia. Eu estava com saudades de casa.

       Entrei no bar da esquina e a temperatura mudou aos poucos. O barulho estridente da guitarra e todo o conjunto que vinha, bagunçaram os meus sentidos já desnorteados. Esgueirei-me por alguns adolescentes e em seguida pela multidão até alcançar o balcão. Era uma boa vista no fim das contas, pessoas pulando e bebendo. Eles estavam vivendo

       - Duas tequilas, por favor – eu escutei o pedido ao meu lado e quando me virei, eu parecia ter voltado cinco anos atrás.

       - Não achei que viria – eu não pude encara-lo, não com tanta vergonha em meus olhos.

       - Eu precisava vê-lo para ter certeza. De que você ainda é o mesmo de antes – ele trouxe as lagrimas, mas, eu não deixei que as visse. Eu não estragaria isso agora.

       - Eu sinto muito Nick. Por tudo – eu virei a primeira dose e a dor que atravessava o meu corpo não chegou aos pés da dor que aquelas palavras me trouxeram.  

        - Você continua sendo o mesmo, sempre pedindo desculpas, sempre com esses olhos aflitos. Sempre sendo, o mais próximo de mim – ele não havia mudado também. Os seus cachos estavam soltos como antes, mesmo que maiores. E aqueles olhos. Aqueles olhos cheios de fogo e vida, o olhar que me fazia revirar noites ao lado dele, bebendo e se perdendo aos poucos. Aquele fogo ainda estava lá, aceso e queimando como sempre fez. Guiando o meu caminho.

       - Mais duas, por favor – ele pediu – É hora de acordar Vince. Você está perdendo tempo.

        E como sempre, ele tirou o melhor de mim. Após aquelas doses terem aquecido o meu corpo era hora de fazer o que fazíamos de melhor, festejar. Como nos velhos tempos, nós demos tudo que tínhamos. Pulamos ao som da musica e sorrimos ao fazê-lo, com os corações saltando em conjunto ás horas voaram sem percebemos. E em meio ás luzes os meus olhos viram algo, eles estavam aqui. Nick e eu estávamos aqui, com aqueles rostos de dezoito anos. Eles estavam bebendo ao canto, fumando o que tinham guardado durante o final de semana. Sobrevivendo a cada dia. Eu sentia falta daquilo, eu estive sentido á muito tempo. Por que estar ali com ele era o que fazia os meus dias valerem a pena, éramos tão iguais e ainda assim tão opostos.

         - Se lembra de quando fumávamos no canto de lugares como esses. Rindo das pessoas – ele gritou em meu ouvido.

          - Eu nunca vou esquecer aquilo – e ao olhar de novo eu notei que eles haviam sumido. Eles estariam orgulhosos de nós agora.

           E como sempre o álcool havia trazido o que havia de melhor em nós. Os gritos, os sorrisos, as palavras que esqueceríamos no dia seguinte. Imprudentes como sempre. O mundo girou ao meu redor e se escureceu perante os meus olhos.

           A luz vermelha me trouxe de volta, os meus olhos lutavam para se manterem abertos, mas, o efeito das drogas os fechava no instante seguinte. Ela estava ofegante, com os seus lábios macios e dormentes devido ao álcool. Eu podia sentir o breve gosto da vodka em sua língua. Os seus olhos azuis que me hipnotizaram por alguns instantes, ela era um pecado que me seduzia aos poucos e não me permitia me desvencilhar. Por que apesar de tudo, eu era um pecador.

        A musica abafada pela porta aumentava aos poucos, conforme ela gritava de prazer. E finalmente eu estava livre daquelas correntes que me puxavam de volta para ela, de volta para aquela estação aonde tudo acabou. Aquelas correntes que puxavam de volta para a Naomi. E as paredes seguraram os nossos atos sujos. Todos eles, até o fim. Quando acabou, quando a garota havia ido embora, novamente as correntes me acharam desprevenido e se aproveitaram.

         Nick veio em seguida, com aqueles olhares pretensiosos e aquele sorriso que apenas ele sabia mostrar. Nos sentamos sobre a pia e acendemos aquele velho cigarro. Estávamos cheios de lembranças naquele instante, havíamos terminado tantas noites dessa maneira. Eu, ele e o nosso cigarro. Dessa vez ele foi o primeiro a puxar, rindo como um bobo.

          - Você foi bom. Eu escutei os gemidos de lá de fora – ele disse

          - Ela era boa. Muito boa.

          - Elas sempre são. Eu acho que ela gostou de você – eu agarrei o cigarro e fiz a minha parte, adotando o sabor da nicotina em minha boca.

          - Nós sabemos como isso funciona Nick. É apenas por uma noite - a troca de olhares que dávamos dizia as palavras que não nos permitimos falar – Parece que não mudamos, nem um pouco.

           - De algumas maneiras sim. De algumas maneiras não. Vamos, você pode passar a noite na minha casa.

           Então partimos, deixamos o nosso refugio e voltamos a vida normal. O céu estralado, as luzes dos prédios acesas. Nada havia mudado. Nada mudaria. E eu estava tão certo disso, que eu não conseguiria voltar a ser como eu costumava ser. E ele havia sentido isso. Desde que ele havia entrado naquele bar e escutado aquelas palavras ele havia sentido. Que eu ainda era aquele tolo de antes. Por que ele me conhecia tão bem, que eu jamais conseguiria convencê-lo do contrário.

            - Chegamos – ele estacionou o carro em frente a casa e desceu em seguida.

            - É uma bela casa – eu disse

       - Eu aposto que o seu apartamento em Nova Iorque era melhor do que isso – nós rimos enquanto caminhávamos até a porta.

        Quando entramos eu pude ver o quanto Nick havia crescido, o quanto ele havia se tornado melhor, eu pude ver o quanto estava errado. As coisas haviam mudado afinal. E ele conseguiu o que merecia. Assim que entramos uma bela moça nos recebeu, ela o beijou em seguida e então me encarou no final.

          - Esse é um velho amigo meu. Vince Richards – aquele olhar. Eu não havia percebido antes, mas, agora eu podia ver com clareza. Aqueles olhos cheios de fome e de desejo, eles haviam sumido. Ele finalmente havia encontrado a mulher em quem ele se afogaria. A mulher que ele sempre quis.

           - É um prazer finalmente te conhecer Vince. O Nick me contou tanto sobre você. Pode me chamar de Sarah – eu havia gostado dela, ela era gentil e bondosa. Ela era perfeita para ele – Vou estar te esperando lá em cima.

            - Foi um prazer Sarah – então ela se foi – Seu pequeno bastardo, quando iria me contar?

             - Eu queria ver a sua cara. Foi ótima inclusive – nos acomodamos sobre o sofá e então tudo voltou a ser como antes. O silêncio que nos dividia.

              - Você merece – eu disse.

              - E enquanto a você Vince? Já fazem cinco anos. E você continua amando a pessoa que te deixou – aquelas palavras me sufocaram aos poucos, tirando as lagrimas que insistiam em se segurar – Ela não vai voltar e você sabe disso.

               - Você não sabe disso Nick – eu não conseguia o olhar a essa altura.

               - Eu sei e você também sabe. Então por quê? Por quê você ainda a ama?

               - Por quê ela foi o grande amor da minha vida – eu gritei e a dor saiu por aquelas palavras – E em algum lugar teimoso dentro de mim, ela sempre vai ser.

                - Então por quê você ainda ta aqui? Vá encontra-la. O tempo está passando Vince. A vida está passando. É hora de começar a correr.

       Ele havia feito de novo. As palavras de Nick corriam pelo pais inteiro através de seus livros. E mesmo que eu tenho lido a grande parte deles, aquelas ultimas palavras que ele havia me dito, elas jamais seriam esquecidas. Por que elas me provariam que eu estava errado novamente. Por que elas mudariam as coisas. E para sempre ele seria o autor daquele momento, um que ele havia orquestrado com tanta maestria, o seu melhor verso. O escritor das minhas palavras.



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