História Time After Time - Supercorp - Capítulo 1


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Categorias Supergirl
Personagens Alex Danvers, Alura Zor-El, Andrea Rojas, Eliza Danvers, Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor, Samantha Arias (Reign)
Tags Alex Danvers, Fanfic, Kara Danvers, Lena Luthor, Lgbt, Lgbtq, Supercorp, Supergirl
Visualizações 226
Palavras 4.971
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


time after time - boyce avenue (versão)

Capítulo 1 - Capítulo Um.


Fanfic / Fanfiction Time After Time - Supercorp - Capítulo 1 - Capítulo Um.


                                                                     Caught up in circles... Confusion is nothing new. 
 

 

— Supergirl! — Lena andou na direção da super-heroína, incrivelmente feliz e aliviada em vê-la. O que era uma grande ironia já que não estavam se falando desde que tinha descoberto quem Kara era; nada mais nada menos que Supergirl e tinha lhe mentido todo o tempo de amizade. Mas estava feliz com ela ali, precisava conseguir outro voo e talvez Kara conseguisse ajudar. — Você pode averiguar o que está acontecendo? — Perguntou ansiosa olhando para os lados. — Tivemos uma turbulência e...

Kara não a deixou terminar, sua ex melhor amiga a tomou nos braços em um abraço e... Angustiado? Oh Deus ela estava chorando? Kara estava chorando?

— Kara? O que está acontecendo? — Perguntou confusa e em tom baixo para que apenas Kara ouvisse.

A repórter não respondeu e os soluços aumentaram.

Lena olhou por cima do ombro de Kara e todos as estavam olhando de forma curiosa e ligeiramente espantadas, como se tivessem vendo um fantasma. Bom logico que estavam.

Uma super abraçando uma Luthor? Não era algo que se via sempre.

— Kara, você está me assustando. — Disse preocupada tentando arrancar qualquer reação, mas Kara seguia chorando com desespero.

Nunca a viu assim antes, nem como Kara e muito menos como Supergirl. Kara costumava ter uma postura imponente como Supergirl, tão diferente da garota doce que era como Kara.

Talvez por isso nunca tivesse notado ou talvez não quisesse ver.

A super-heroína se afastou um pouco, só um pouco mesmo, seguia muito próximas de Lena.

Ignorando o frio na barriga que começou a sentir ao senti-la tão perto, Lena a olhou fixamente buscando alguma explicação para o comportamento fora do padrão e tudo que viu nos olhos azuis foi um misto de alívio, incredulidade e dor.

Por quê? Essa era sua pergunta, por que Kara estava assim? A briga entre elas havia sido feia e ainda doía como se tivessem acabado de discutir, bom, para ser honesta ela discutiu, Kara apenas ficou lá ouvindo seu pranto e sua raiva e quando falou foi apenas para se desculpar.

Na noite em que estava disposta a contar a ela que a queria, que a queria mais do que como amiga, foi o dia em que descobriu sobre supergirl. Nunca se sentiu tão traída como naquele dia, se afastou de Kara e todos que sabiam sobre seu segredo.

Bom não todos, Alex permaneceu em sua vida.

Primeiro não queria, mas a ruiva insistiu tanto que não teve opção. E não podia mentir, gostava muito de Alex e culpa-la por omitir um segredo que não cabia a ela contar teria sido injusto.

Afastando as lembranças voltou a concentrar a atenção na figura poderosa a sua frente.

— Você está viva! — Kara murmurou como prece as palavras. — Está realmente viva.

Logico que estava viva, da onde Kara tinha tirado aquilo? Uma turbulência anormal sim, mas o avião decolou e ela estava ali, bem.

— Até a última vez que chequei, meu coração estava batendo normalmente. — Respondeu sem disfarçar a impaciência diante de uma pergunta tão sem sentido.

Olhou para trás apertando os dedos na pasta que carregava, precisa sair logo dali e pegar outro voo.

Franziu a testa olhando ao redor, por que tinham tantos policias e imprensa lá fora? Teria algum evento no aeroporto?

Voltou o olhar para Kara, ela estava muito pálida e a encarava como se tivesse visto um fantasma e aparentemente ela era esse fantasma.

Não conseguia entender, mas não tinha tempo tão pouco.

Pigarreou botando de lado o orgulho.   

— Sei que não estamos nos falando, mas você poderia, por favor, conseguir me liberar daqui? Não entendo por que não posso pegar outro voo, tenho uma reunião em Paris muito importante e...

— Lena. — Kara a cortou e segurou seu braço. — É melhor você se sentar um pouco.

Disparou um olhar impaciente na direção da ex melhor amiga e desvencilhou o toque.

— Não quero me sentar, não tenho tempo para isso. — Disse mais uma vez usando seu tom mais impaciente, Kara não entendia que não tinha tempo para nada e muito menos para se sentar? Apontando para a sala de embarque. — O que preciso é de um novo voo para Paris, se não puder me ajudar ao menos saia da minha frente.

Kara não se moveu quando tentou passar.

— Lena, estamos em 2024.  

Piscou algumas vezes e lançou um olhar confuso a Kara, que diabos? Segurou a bolsa pegando o celular, que tipo de loucura era aquela? Lá marcava 2019 sobre o que Kara estava falando afinal? Mostrou a data e ela negou chamando um dos policias.

— O senhor pode informar a senhorita Luthor o ano que estamos?

— 2024. 

— Obrigada! — Kara agradeceu.

O que? Eles só podiam está loucos, não fazia três horas que tinha saído daquele mesmo aeroporto.

— Não é hora para brincadeiras. — Disse usando seu tom mais sério.

— Não mentiria para você, Lena. — Notando seu olhar incrédulo, já que não fazia muito tempo que ela fez justamente isso, mentir. Kara corou notando o rumo de seus pensamentos e logo acrescentou. — Não mais, eu prometi que nunca mais mentiria Lena.

Abriu a boca, mas fechou respirando fundo, não queria, mas algo dentro de si, por mais que negasse, confiava naquele olhar.

 — Como? Isso não é possível K... — Se calou. Quase disse o nome da melhor amiga em alto e bom som. Agitou as mãos olhando ao redor com expressão de pura desculpa. — Desculpe. — Botou em palavras o que devia, novamente seu orgulho caia por terra.

Por isso que a mantinha afastada, Kara se aproximava e toda sua convicção morria, já não se se sentia tão determinada a odiá-la e afasta-la de sua vida. Por isso queria ir para longe, por isso aquele voo era importante, seus planos era refazer a vida longe dali. Mas aparentemente o destino brincava com sua vida a levando de volta para onde Kara estava, como se não pudesse se afasta nunca dela. 

Kara colocou as mãos sobre seus ombros, provavelmente em uma tentativa de acalma-la, mas logo tirou, como se sua pele a tivesse queimado. 

— Eles sabem quem eu sou, a cidade inteira sabe. 

Um “Oh!” desacreditado saiu dos lábios de Lena.

Como? Supostamente a identidade secreta de Supergirl era para proteger quem Kara amava, pelo menos foi àquela desculpa que ela tinha dado por mentir. Por que contaria a todos?

Questionaria isso em outra hora, no momento queria apenas saber o que diabos estava acontecendo.

— Cinco anos? — Perguntou e Kara confirmou tocando seu braço com suavidade.

— Vou buscar suas coisas e a levarei para casa, ok?

Assentiu em modo automático com sua cabeça rodando e não sabia se pela distração do toque de Kara ou por toda informação que foi jogada em seu rosto, para ser honesta as duas opções pareciam ter o mesmo efeito naquele momento.

Ficou no canto da sala de desembarque, e Kara ordenou que os policiais não deixassem ninguém se aproximar, principalmente a imprensa.

Tentou não se impressionar com o gesto, Kara protegia, era algo que ela faria por qualquer um, não era especial para ela como um dia acreditou ser.

— É realmente 2024? — Perguntou ao oficial ao seu lado, e para sua aflição o homem confirmou.

Que loucura estava acontecendo? Como era possível ter passado cinco anos desaparecida/dada como morta quando para ela, não passou de algumas horas?

Como seria sua vida? Suas coisas, sua empresa, seus poucos amigos como tudo estaria cinco anos depois?

Olhou para o lado e Kara estava voltando.

Focou mais a vista para vê-la melhor; o uniforme era novo e Kara não parecia ter envelhecido, mas tinha uma essência mais madura e triste nela.

Depois de falar algo com um dos agentes da DEO, o olhar de Kara atravessou a sala cruzando com o seu.

Estremeceu como sempre acontecia quando Kara a olhava. Ela teria notado alguma vez como se sentia sobre ela?  

Engoliu em seco e por seu corpo atravessou outro tremor.

Mesmo ainda muito magoada pelas mentiras contadas, não podia negar que o que sentia por Kara sempre tinha sido maior que qualquer outro sentimento que já havia sentido por qualquer outra pessoa em sua vida. Gostando ou não, era maior que sua magoa e que sua dor também.

Endireitou a postura assim que ela se aproximou, guardando novamente os sentimentos que a desestabilizavam diante de Kara.

— Eles permitiram que venha comigo, mas vai ter que prestar depoimento.

A sobrancelha se ergueu e sua expressão era de pura confusão.

— E por que permitiram? Preciso de permissão para sair daqui? Eu não fiz nada. — Sorriu quando o amargor cobriu se estomago. — Por que estou perguntando? Sou sempre a culpada aos olhos de vocês.

Kara sentiu suas palavras a mudança de expressão suave para tensa indicava que tinha acertado o alvo, devia se sentir bem não é? Magoa-la? Mas não era assim, não podia se sentir melhor diante da dor de Kara.

— Por que vou ter que prestar depoimento? — Tentou amenizar o clima alterando o tom de voz.

— Eu sei, mas você compreende que não é todo dia que alguém reaparece 5 anos depois. — Kara ressaltou tentando parecer serena e controlada, mas as mãos fechadas em punhos indicavam que a heroína da cidade não estava tão bem assim. — Todos acreditavam que você estava... — Kara se calou apertando a mandíbula.  

Lena ouviu o tremor tanto na voz como nas mãos fechadas grudadas ao lado do belo corpo, as mãos se abriram e Kara segurou seus ombros como se checasse que realmente estava ali.

Ela parecia tão vulnerável e triste, Lena não sabia como lidar com tudo aquilo. 

— Entendi. — Desviou o olhar para o lado. — Responderei o que eles perguntarem, mas não acredito ser de muita ajuda. Não faço ideia sobre desaparecer durante todo esse temo, como disse foram apenas algumas horas para mim.

Os olhos azuis a encararam por longos minutos enquanto se enchiam de lagrimas.

Lena mordeu o lábio, não sabia como agir, não sabia o que fazer.

Devia toca-la? Abraça-la? Dizer que estava tudo bem? Podia fazer isso? Podia dar esse passo com ela depois de tudo?

Antes que pudesse decidir Kara desviou o olhar e com cuidado a mão dela se posicionou em suas costas de forma suave e protetora a guiando em silencio para fora do aeroporto.

Repórteres as cercaram por toda parte assim que a porta foi aberta.

— Como você se sente voltando da morte? — Foi à primeira pergunta.  

— Você fingiu sua morte para fugir de algum crime?

Lena olhou com desprezo para o jornalista e estava prestes a responder quando os braços fortes de Kara a envolveram.

— Segure firme. — Com isso dito ela a ergueu nos braços rasgando o céu claro de national city.

Por reflexo envolveu os braços ao redor do pescoço de Kara e afundou o rosto naquela zona acolhedora, o cheiro de Kara a invadiu. Com os olhos fechados se permitiu por alguns minutos esquecer toda magoa e se concentrar apenas no confortável cheiro familiar de flores que Kara sempre exalava. Sua garganta apertou assim como seu coração.

Seu cheiro favorito, o cheiro dela. 

Tentou abrir os olhos, mas fechou novamente com medo das lagrimas que estava retendo caírem.  

— Pode abrir os olhos, Lena. — O sussurro suave contra sua orelha teve efeito imediato em seu corpo. Sentiu vontade manter os olhos fechados e ficar ali, apenas sentindo o calor de Kara o toque a proteção dela e esquecer toda a magoa toda tristeza e os danos que as mentiras dela causaram na grande amizade que tinham.

Engoliu um pouco de ar agitando os pensamentos e aos poucos retirou os braços do pescoço de Kara, talvez por instinto ou por pura necessidade, seus dedos acariciaram a pele do pescoço dela enquanto desciam para se afastar.

Tão suave.

Um suspiro pesado saiu entre seus lábios e finalmente tomou distancia.

Tentando conter o formigamento no pé da barriga, olhou envolta e logo franziu a testa.

— Onde estamos? 

— Minha casa. — Kara respondeu tão afetada quanto Lena pela contato recente.

Lena negou. Não estavam não.

Conhecia o apartamento de Kara e aquilo não se parecia em nada com ele.

— Me mudei tem três anos. — Kara disse lendo seus pensamentos.  

Ela tirou as chaves de dentro de um dos vasos de planta o qual Lena apreciou a pintura, parecia que uma criança tinha feito, olhou a as flores...

Oh.

Não era qualquer flor, era sua flor favorita.

Por que Kara as tinha ali? Ela preferia girassóis, quantas vezes não tinha enviado flores para Kara? Mais do que qualquer melhor amiga, mais uma vez se perguntava se Kara teria notado seus gestos, no fundo sabia que sim. Ambas sabiam, só nunca mencionaram.  

— Precisava de um lugar mais afastado, busquei muito até encontrar está casa. — Kara seguia explicando. — É um bom lugar, tem muito espaço e uma área verde incrível.

Assim que entraram na casa um cheiro doce e acolhedor as recebeu, olhou envolta, sim aquilo se parecia com o tipo de casa que Kara compraria.

Era bastante acolhedora, familiar e agradável.

Se cinco anos realmente haviam passado, Kara teria sua própria família? Seu olhar caiu sobre ela e um aperto massacrou seu coração.

Teria ela construído uma família? Amava alguém? Esse alguém morava ali? Oh, Deus.

Precisou se apoiar para não cair.

Como lidaria se tivesse que ver Kara apaixonada por alguém? Nada, era a resposta cruel, o que poderia exigir se nem sequer tinha se declarado a ela?

Balançou a cabeça.

— Por que me trouxe aqui? — Perguntou de forma defensiva junto com um tom frio, que não pretendia, mas usou seu sistema de defesa falava mais alto quando se sentia acuada. — Há algum problema com meu apartamento?

Kara pegou suas coisas e a fez segui-la até o quarto sem dizer uma só palavra. O que a irritou, Kara a estava ouvindo? Claro que sim a super-audição não era enfeite.

O quarto ficava no segundo andar, Lena a seguiu ainda querendo respostas, acreditava ser o quarto de hospedes.

— A cobertura está no mesmo lugar — Kara a estava ouvindo afinal. — Eu mesma cuido, mas como disse: faz cinco anos Lena. E não estive lá no último mês, você precisa de um lugar acolhedor para ficar. — Ela finalmente virou olhando fixamente em seus olhos. — Com toda essa agitação da imprensa sobre você, seu apartamento vai ser muito visado, é melhor que fique aqui. — Kara caminhou por todo o quarto deixando a mala em um canto para ir abrir as janelas deixando a luz entrar. — Minha casa não está no mapa é mais seguro e confortável aqui.

Franziu a testa um pouco confusa.
— Como assim?

— Brainy, lembra?

Revirou os olhos com irritação e cruzou os braços.

— Kara, eu preciso lembrar a você que para mim não se passou cinco anos? Para mim foram apenas algumas horas, minha cabeça segue em 2019. Sim, claro que me lembro de Brainy.

Corando Kara murmurou uma desculpa abaixando os olhos buscando algo para fazer com as mãos.

— O sistema que Lex desenvolveu para a mansão. — Kara voltou a explicar em um tom mais baixo, certamente envergonhada da chamada que recebeu.

Lena sentiu vontade de correr dali e se isolar novamente, Kara a confundia e magoar Kara a magoava em dobro.

— Pedir a Brainy que fizesse o mesmo com este lugar. Eu precisava de um espaço afastado depois que descobriram quem sou de verdade. — Ela fez uma leve careta. — Se tornou um pouco difícil ter privacidade.

— Então ninguém sabe que vive aqui? — Perguntou com uma pontada de ciúmes fincando seu coração. Se ela namorasse, ou fosse casada certamente a pessoa saberia onde ela vivia.

— Só os próximos como Alex, Sam enfim todos os amigos.

Assentiu tentando esconder o alivio pela falta de menção ao um parceiro ou parceira. Caminhou até a janela e a vista era agradável e bonita.

— Combina com você, é lindo. — Comentou só notando o que disse depois de dizer, a olhou para concertar a frase, mas encontrou aquele olhar incrédulo vidrados em sua direção.

Agitou os ombros sentindo um incomodo.

— Não sou um fantasma, Kara. — Seu tom não tinha grosso, havia soado tranquila, mas mesmo assim a atingiu outra vez.

Kara desviou o olhar dos seus e começou a mexer as mãos nervosamente.

— Desculpe. É só-só faz muito tempo para mim.

Não sabia como lidar com Kara, precisava se afastar para pensar um pouco.

Era tanta coisa para abstrair.

— Posso tomar um banho? — Perguntou de repente.

Kara assentiu algumas vezes parecendo também aliviada em ter um pouco de espaço ela caminhou em silêncio até a porta. 

— Fique à-vontade vou preparar algo para você comer.

Por que ela sempre tinha que ser tão gentil? Mordeu o lábio e a chamou:

— Kara? — Ela imediatamente olhou com aqueles olhos azuis tristonhos. — Obrigada por me trazer aqui.

Ela assentiu com leve gesto de cabeça e saiu fechando a porta atrás de si.

Com um suspiro cansado sentou na cama e deixou a cabeça cair sobre as mãos.

— Que loucura! — Murmurou ainda com dificuldade de acreditar em tudo que Kara tinha contado.

Como cinco anos de sua vida tinham desaparecido? Cinco anos, como era possível? Como a L.corp estaria? Seus projetos e suas fundações?

Sem alternativa levantou e entrou no banheiro.

Repousou as mãos sobre a bancada de mármore da pia e seus olhos encontraram com seu reflexo no espelho. Não tinha mudança alguma em suas feições, não tinha envelhecido nem um dia sequer.

Negou mais uma vez e começou a se despir, precisava de um bom banho e uma garrafa de whisky.

                                                                           ***

Assim que ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado Kara se deixou cair contra a parede da cozinha cobrindo o rosto com as mãos sentindo as lagrimas inundarem seu rosto e chorou como nos últimos cinco anos, só que dessa vez de alivio e incredulidade.

Lena estava em sua casa, tomando banho em um dos seus banheiros.

Viva, por Rao, Lena estava viva.

Nunca em sua vida tinha sentido um vazio tão grande como quando deram a noticia que tinham encerrado as buscas e deram Lena como morta. Não pode acreditar que a tinha perdido, não quando tinha tanto a dizer, não quando ainda tinha tanto que se desculpar. Á tinha perdido sem a chance de confessar seu amor, de ter uma chance de ama-la de trazê-la de volta a sua vida e de fazê-la feliz.  

Tampou a boca com a mão abafando um soluço, não queria que Lena escutasse, ela não entendia o que estava acontecendo e não queria ser um incomodo.

Seu celular começou a tocar, Alex.

— Kara, é ela? Lena está viva?  Realmente é ela? — Pela voz de Alex, ela não parecia muito diferente de seu estado.

— Sim, ela está aqui em casa. Alex... — Chorou mais ao ouvir o choro de Alex.

— Eu e Sam estamos indo para ir, meu Deus Kara, Lena está viva!

— Ela não sabe em que ano estamos Alex. Algo aconteceu com o avião que Lena estava. — Contou preocupada, como aquilo havia acontecido?

— Recebi um relatório explicando; o piloto também acredita está em 2019 e segundo a família, ele não envelheceu um dia sequer nesses cinco anos.

— Lena também não, ela é a mesma de cinco anos atrás, nada mudou. — Ficou em silencio por uns segundos e quando voltou a falar, confessou seus medos a Alex. — Eu quis tanto tê-la e agora que a tenho, não sei o que fazer ou como agir.

— Haja com o coração Kara, você faz isso como ninguém logo eu e Sam estaremos aí.

Enxugou os olhos e deixou o celular sobre a mesa, e foi até a sala tomando o porta retrato de Lori nas mãos.

— Sua mãe está aqui, anjo.  — Disse acariciando a tela de vidro que protegia o rosto sorridente da pessoa que vinha mantendo sua sanidade nos últimos anos.

Deixou o objeto sobre a estante, voltou a enxugar as lagrimas, precisou respirar fundo diversas vezes.

Não era um sonho, Lena estava ali.

                                                                     ***

Depois do longo banho Lena saiu do quarto seguindo o som de Kara e sem dificuldade a encontrou na cozinha. 

— O cheiro está bom. — Disse tentando amenizar o clima, depois do banho sua mente deu uma leve clareada, não sobre o passar dos anos isso ainda era muito, mas sobre como devia tratar aquela mulher a sua frente.

Kara levantou o olhar e Lena notou a vermelhidão nos preciosos olhos azuis, sabia que era o motivo. 

— Sente-se, Alex e Sam estão á caminho. — Ela disse com tamanha gentileza que quase a fez sorrir. Logo uma sombra de preocupação cobriu olhos azuis a deixando agitada de repente. — Se quiser posso pedir para virem outro dia.

Franziu a testa.

— E por que eu pediria isso?

— Você ficou desconfortável co... comigo no aeroporto. Talvez não queira ninguém chorando, talvez não esteja pronta para lidar com isso ainda.

— Eu não fiquei desconfortável com você chorando Kara, fiquei confusa, é diferente. — Ressaltou. Kara não disse nada apenas a olhou. Decidiu continuar. — É tudo muito confuso para mim, todos vocês tem cinco anos a minha frente, eu não sei o que estão sentindo, para mim não passou um dia sequer que vi Sam pela última vez. Então se eu agir “friamente” é porque na minha cabeça não passou tempo algum.

— Desculpe, eu não quis...

Agitou a mão.

— Não precisa se desculpar, só preciso que tenha paciência comigo e com as minhas reações.

Kara deixou a faca sobre a pia e deu alguns passos em sua direção. Seu coração logo entrou em uma corrida de batidas desenfreadas com a antecipação de senti-la próxima.

Mas ela parou.

— Esperei cinco anos para ter você de volta em minha vida, conte com minha paciência e com o que mais precisar Lena.

As palavras foram ditas com tanta emoção que quase, por muito pouco mesmo, não se jogou nos braços de Kara e a abraçou.

Kara conseguia mexer com seus sentimentos como ninguém, seu coração pertencia a ela. Decepcionada ou não, essa era a verdade. Amava essa mulher e nada no mundo poderia mudar isso, por mais que tentasse, e tinha tentando tanto arranca-la de seu peito, mas tudo em vão.

O barulho da campainha quebrou o transe que se formou entre elas enquanto se olhavam.

— Devem ser as meninas, está pronta? — Kara perguntou recuperando a firmeza na voz.

Lena apenas assentiu não muito certa se abrisse a boca conseguiria dizer algo.

Kara saiu e não demorou muito Sam cruzou a cozinha e Alex veio logo atrás.

— É você. — Ambas estavam com os olhos repletos de lágrimas e tudo que pode fazer foi abrir os braços as recebendo com todo conforto que podia.

As duas murmuram o quanto sentiram sua falta e que a vida tinha sido difícil sem ela ali.

Tudo era tão estranho de ouvir. 

Buscou o olhar de Kara por cima do ombro de Sam, mas ela não estava olhando, estava afastada, recostada próxima a janela chorando, silenciosa.

Mordeu o lábio com força, não queria vê-la triste.

— Como isso é possível? — Sam perguntou quando se afastaram um pouco. — Você não envelheceu um dia sequer.

— Acho que isso é bom não é? — Respondeu tentando elevar um pouco o clima do ambiente.

— Kara sempre acreditou que você estava viva. — Alex disse.

 Voltou a buscar por Kara com o olhar, dessa vez ela estava mais próxima e a olhando fixamente.

— Ela passou...

Kara tocou o ombro da irmã a silenciando.

— Lena está absorvendo muita coisa para um dia, deixe os detalhes para outra hora.
Alex assentiu e Kara voltou a se concentrar na comida.

O que Alex ia dizer? Olhou intrigada de uma para outra, mas o toque de Sam em seu braço a distraiu.

— Sentir tanto a sua falta, Lena. Foi tão difícil sem você. — Sam confessou chorando.

Esticou a mão e acariciou o rosto da amiga, murmurou palavras tranquilas, afirmando que já tinha passado e que estava ali.

Por que era tão difícil fazer o mesmo por Kara?

— Ruby vai ficar tão feliz, Oh Lena tem tantas coisas que você precisa saber.

Olhou para os dedos de Sam vendo a aliança, olhou para a de Alex e ela também tinha uma.

— Parece que sim, vocês?

Ambas assentiram sorrindo e se olhando com carinho.

As abraçou parabenizando pelo casamento, ambas mereciam e pareciam felizes.

Olhou para Kara pelo canto do olho enquanto ouvia as meninas resumirem cinco anos em minutos.

— James está noivo, Lucy e ele se acertaram de vez. — Sam contou buscando sua atenção. — Isso a incomoda?

Negou. Há quanto tempo nem sequer pensava em James?

— De forma alguma eu e James rompemos há meses... — Mordeu o lábio e se corrigiu. — Desculpem minha cabeça ainda está um pouco confusa. Cair de paraquedas aqui.

Alex tocou seu braço de forma suave.

— Você vai se acostumar rápido, tem alguns avanços científicos que ficará animada em descobrir.

Seus olhos brilharam.

— Oh, estou ansiosa por isso.

Olhou para as duas e segurou suas mãos.

— É como uma viagem no tempo, só que este tempo não parece meu ainda. Vou precisar da paciência de vocês.

Elas assentiram e exclamaram que não precisava se incomodar.

Kara se aproximou da mesa e trouxe com ela uma bela lasanha de berinjela, ergueu o olhar com estranheza.

— Desde quando você come comida saudável? — A pergunta escapou de seu lábios.

Kara se virou a olhando com um ensaio de um sorriso.

— Faz alguns anos que decidir adquirir um habito alimentar melhor.

— Uma ótima decisão. — Foi tudo que disse e as duas se entreolharam por um tempo até a conversa voltar a girar entorno das meninas. 

O jantar ocorreu cercado de emoções e lembranças de uma vida que Lena perdeu, era prazeroso ouvir Alex contar sobre sua relação com Sam e a mesma interromper diversas vezes para dar algum detalhe constrangedor.

— Alex não podia viver sem mim, me pediu em casamento, completamente bêbada, ao som de mariachis.

— Mariachis? — Lena repetiu desacreditada.

Sam assentiu e Lena jogou a cabeça para trás gargalhando, sua barriga estava doendo de tanto rir há quanto tempo não se divertia tanto? Desde sua briga com Kara tudo tinha sido tão cinza em sua vida que era bom estar rindo outra vez.

— Com licença. — Kara levantou da mesa.

O sorriso de Lena sumiu enquanto observava Kara se retirar e subir as escadas quase correndo e logo o barulho de porta sendo batida com força.

— Algo errado? — Perguntou confusa, elas pareciam bem, Kara parecia bem a minutos atrás.

Alex e Sam trocaram olhares.

— Por favor, me digam o que eu fiz, ela vem sendo muito paciente comigo, não quero chateá-la.

— Você não fez nada Lena. — Alex a tranquilizou. — Vem sendo difícil para ela desde que foi dada como morta Lena, ter você aqui está sendo uma emoção muito grande, Kara passou muito tempo desejando te ter de volta.

Antes de ir, Alex apertou sua mão carinhosamente.

 — Vou falar com ela e já volto. 

Quando Alex se afastou olhou para Sam.

— Estou tão confusa Sam. — Confessou com a voz embargada. — Cinco anos se passaram pra vocês, mas para mim não. Ainda estou magoada com Kara, mas ao mesmo tempo depois de saber que se passaram cinco anos, isso não faz sentido, faz?

Sam observou a amiga por um tempo, às emoções estavam à flor da pele para todos ali, era compressível tanto Kara quanto Lena estarem confusas e lidando com tanta emoção.

— Lena, eu vou lhe contar algo que talvez só Kara devesse contar, mas você precisa saber. — Esperava que Kara entendesse, mas Lena estava no escuro ali, precisava de uma luz para entender tudo que se passou. — Quando desapareceu, Kara ficou devastada, todas nós ficamos, mas ela sofreu mais que todos nós. Kara não acreditou quando deram as buscas por encerradas e declararam sua morte, ela não acreditou e buscou todos os dias nesses cinco anos por você. — Deixou Lena abstrair as primeiras informações. — Todos os dias Kara refazia a rota do seu avião e todos os dias ela voltava quebrada para casa, amiga ela não desistiu de você nem por um segundo.

Sam segurou a mão de Lena gentilmente, os olhos verdes da amiga se encheram de lágrimas e queixo tremeu.

— Eu sei, eu sei que você ficou/está chateada ainda — Sam continuou falando — Mas olhe quanto tempo se passou, olhe a chance que o destino está dando a vocês duas. Não deixe que uma coisa, um erro, apenas um erro dela, apague tudo de bom que Kara já lhe fez, e tudo de bom que ela ainda poder fazer Lena.

As lágrimas escorriam pelo rosto de Lena.

— Você estava disposta a se declarar para ela, eu lembro bem do seu nervosismo aquele dia. E se não fosse por ter descoberto tudo sobre a identidade secreta, teria dito que estava apaixonada para Kara. E você ainda está, porque não mudou nada para você não é? — Lena assentiu e Sam limpou as lágrimas em seu rosto. — Dói tanto porque você a ama mais que tudo no mundo não é? — Lena voltou a assentir fechando os olhos sentindo a dor atravessa-la.

Sam conhecia as probabilidades de Kara está escutando aquela conversa, mas não se importava.

— Ela te ama Lena, sempre amou. Talvez eu tenha demorado um pouco para notar, foi preciso você desaparecer para todos enxergarem o tanto de amor que Kara sempre sentiu por você. Se quiser levar essa magoa no peito, é um direito seu, mas pense em tudo que irar perder assim como pense em tudo que irar ganhar deixando o amor falar mais alto.

Talvez no fundo Lena também soubesse do amor de Kara, mas era difícil acreditar que alguém tão doce pudesse se apaixonar por alguém tão marcada como ela, e quando finalmente tomou coragem para confessar seus sentimentos acabou tendo uma grande decepção.

Disse a si mesma que a única explicação para toda dedicação de Kara com ela, era porque era uma Luthor e no final das contas precisava ser vigiada de perto e doeu tanto, doía tanto pensar nisso.

O único que consegue ferir seu coração profundamente é aquele que habita nele e Kara era moradora fixa no seu. 


Notas Finais


será que sou a doida de fanfic com passagem de tempo? 👀 rguhuguh meu plano é que seja uma fanfic curta, o empecilho sou eu... mas vou tentar urhfuhr

enfim me digam o que acharam, novos capítulos só quando eu finalizar o outro lado de mim... 😜 😘


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