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História Time Disorder - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Uma nova visão


Fanfic / Fanfiction Time Disorder - Capítulo 4 - Uma nova visão

Minhas memórias estavam confusas e minha cabeça latejava insistentemente em resposta

Quando tornei a abrir os olhos ainda meio zonzo pelo que julgava ser um desmaio, paredes feitas de metal me cercavam por todos os lados, o sol refletido no lugar dificultava a minha visão e não pude ver muita coisa: ao lado dois ventiladores rodavam ruidosamente suas hélices entre uma janela de grade. 

Eu estava deitado em um sofá de couro marrom velho e poído com as costas doloridas, só então me dei conta de que aquilo se tratava de um galpão. 

 Espera, onde estou exatamente?

Assim que a claridade começou a perder seus efeitos me dei conta de que não estava sozinho, a alguns metros a frente se erguia uma figura totalmente de preto, desde o chapéu e máscara que cobriam seu rosto até as botas que se firmavam no chão. Me levantei apreensivo e engoli em seco, mas antes que eu tivesse a chance de formular qualquer pergunta ele deu alguns passos diminuindo a distância que nos cercava.

Erguendo o braço lentamente a figura de preto estendeu uma ampulheta de vidro envolta por uma estrutura de metal dourado, a fina areia branca que descansava no fundo sinalizava que seu tempo havia chegado ao fim 

"Quem é você - finalmente perguntei"

Tentei erguer os olhos para ver sua face mas o sol ainda me atrapalhava

"Quem de fato é você? Deveria se perguntar isso... sou o verdadeiro eu ou aquilo que desejo ser?"

Isso ficava mais estranho a cada segundo que se passava

"O que quer dizer com isso?"

"Você faz muitas perguntas e não me dá nenhuma resposta"

"Talvez se respondesse pelo menos uma delas eu seria capaz de te entender"

"Muito bem - ele pareceu pensativo por um momento - se é isso que você quer então eu lhe darei com uma condição"

"E qual seria?"

Por mais que sua boca estivesse coberta tive a leve impressão de que ele sorria por detrás da máscara

"Você deverá seguir as minhas ordens sem questiona-las"

'Por que eu faria isso?"

"Não sei, existem muitas dimensões no mundo, talvez devesse confiar no destino"

Acordei assustado e confuso

Já era noite, as paredes de metal agora estavam geladas e enviavam um vento frio por todo o meu corpo, tentei me convencer de que esse era o motivo para os meus calafrios mas a ampulheta diante dos meus olhos dizia o contrário. Me aproximei da mesa improvisada e a observei com curiosidade

De repente a areia branca se retrocedeu subindo ao contrário, como isso era possível?

A medida que a areia subia o cenário ao meu redor mudou lentamente para uma antiga loja de televisores antigos, cada tela mostrava a imagem de uma pessoa diferente, como um filme, um mundo inalcançável dividido por um cristal transparente. Se tratavam de memórias.

Então segui na escuridão até encontrar novamente a porta de entrada do galpão, que por sinal não era tão vazio quanto parecia, alguns móveis e tralhas se espalhavam por todos os lados. 

"Como posso sair daqui?"

Eu estava perdido... cercado por um lugar estranho onde nada fazia sentido... meus sonhos, minha família, meus amigos

Será que vou reencontra-los um dia?

E mais uma vez a ampulheta impôs sua sentença fazendo com que o tempo retrocedesse a medida que os grãos de areia caiam

"Por que não olha por onde anda?"

Várias pessoas se amontoavam em um pátio e gritavam sem parar: briga... briga... 

Eu podia simplesmente sair dali e ignorar aquela cena deplorável mas algo me prendia e eu não consegui tirar os olhos de cima deles. Uma estranha sensação percorreu meu corpo e o sentimento de deja vu assolou a minha mente.

Será mesmo? Posso estar imaginando coisas

Adentrei a multidão eufórica que ainda se perdia em gritos. Cotoveladas e chutes me acertavam a medida que eu avançava, bando de loucos, arrumando confusão em pleno dia

As vozes estavam longe mas uma delas se elevava cada vez mais, provavelmente ela pertencia a quem começou a confusão

"Você tropeçou em mim primeiro babaca, quero que peça desculpas"

"Escutem, vamos nos acalmar e pedirmos desculpas como pessoas civilizadas"

Afastei mais algumas pessoas para chegar até a frente onde dois garotos discutiam, um deles estava de costas para mim, a pesar disso pude ver que ele era alguns centímetros mais alto e mais forte do que eu ou que a maioria daqueles ali presentes. Seus cabelos agora desgrenhados pelo empurrão se destacavam com o branco do uniforme lisos até a nuca, a meu ver o baderneiro que cuspia palavras enfurecido não tinha a menor chance, mas ele não parecida querer revidar

"Me acalmar? Você sabe quem eu sou? Um simples pedido de desculpas não vai resolver a sua situação"

Não sei o que deu em mim para intervir na situação daquele jeito, só não suportava ter que assistir aquilo sem fazer nada

"Ei, não sei que ar de superioridade é esse que você tem mas ele já te pediu desculpas e isso não passa de um mau entendido. Deixe-o em paz"

"Não precisa fazer isso - escutei o garoto as minhas costas dizer - irá se encrencar sem motivo"

"Deveria ouvir seu amigo, não meta o nariz onde não é chamado"

"Ou vai fazer o que? Chamar ajuda? Porque com esse seu físico não derruba nem uma garotinha... talvez seja por isso que um simples empurrão te lançou longe"

Senti a dor estalar na mandíbula assim que o punho foi de encontro ao meu rosto, o choque desequilibrou  minhas pernas que caíram no chão sem força. Com a visão embaçada observei a multidão ir embora e o baderneiro sair com um sorriso presunçoso de vitória no rosto, droga, provavelmente esse hematoma demoraria semanas para se curar

"Acho que te devo um pedido de desculpas e eu agradecimento"

Esfreguei a face dolorida e aceitei a mão estendida que me ofereciam

"Não precisa disso, a culpa não foi sua a final"

Minha mente finalmente clareou assim como meus olhos que não acreditavam no havia a sua frente

Ou melhor, em quem havia em sua frente

"Seonghwa?"

O garoto ergueu as sobrancelhas 

"Você me conhece?"

 

 

 

 

 

 



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