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História Time of our life - Capítulo 1


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Notas do Autor


( 事 ) ・ ・ꜜ Olá meus consagrados quem é vivo sempre aparece e depois de meses de preparação e procrastinação retorno com meu xodó mais do que amado; deem as boas vindas a Time of our life, minha primeira interativa aqui no spirit - e provavelmente não a última kk.

( 事 ) ・ ・ꜜ Antes de mais nada eu gostaria de agradecer - e pedir mil desculpas - a senhorita @hypados, a responsável por essa belezura de capa e banner, a capista da minha vida e a dona do site todinho, muito obrigada por dar vida a essa fic você não imagina a emoção que estou sentindo por finalmente utilizar essa arte que você fez com tanto carinho <3

( 事 ) ・ ・ꜜ Para complementar a parte de agradecimentos não poderia faltar a responsável pelos meus hypes pessoais, minha esposinha @thinkzo. Muito obrigada por não desistir de mim e ficar na minha cola pra eu não surtar já no primeiro capítulo. Também quero agradecer a minha lollypop @guchi, que me enche de memes no discord e tá sempre disposta a me ajudar a qualquer hora do dia, amo vocês. Agradecer também a Mel @milkminho, por que o meio neurônio dela é precioso, te adoro.

( 事 ) ・ ・ꜜ Agradecimento especial a Nina @pesherman por betar esse capítulo e consertar meus crimes kkk obrigada minha frô.

Capítulo 1 - Prólogo: lágrimas do final de outono.


Fanfic / Fanfiction Time of our life - Capítulo 1 - Prólogo: lágrimas do final de outono.

 

Mas assim que tudo passar, 

o calor que encontraremos

será o mais doce de todos.

DAY6 - Even of Day

Jongno-gu - Seul | 20 de setembro, 6:40 p.m

 

A singela chegada do entardecer na capital coreana marcava o final do outono asiático. Cobrindo os capôs e retrovisores dos veículos estacionados no terreno particular, a neve chegava ao seu ápice, enquanto ao longe, entre as finas frestas da persiana, os raios de sol davam seu último adeus ao rapaz.


O cômodo espaçoso do Peace Palace abriu suas portas às exatas sete da noite com o tilintar do sino prateado, preso ao extenso portal que dividia o jardim e o salão de recepção onde o corpo de Jaehyung se encontrava. Com as marcas das botas Armani sobre a neve fofa do solo esbranquiçado e o balançar dos tecidos grossos de sobretudos Channel, senhora Park sorriu debilmente. O cheiro forte do incenso recém acesso na entrada ainda a fazia se sentir levemente enjoada, assim como o vento frio, que traiçoeiro subia por debaixo do hanbok negro que usava para a cerimônia. Precisou respirar fundo para não capotar ali mesmo nos degraus, segurando a respiração algumas vezes em uma contagem mental da quantidade de visitantes que se aproximavam no momento. Organizando a postura como a bem sucedida psiquiatra da faculdade nacional, a matriarca reverenciou os presentes ali - aceitando os abraços alheios e os discretos envelopes recheados com quantidades notáveis de notas de 50 mil wones.

 

Entre os convidados, uma em especial atraía a atenção; as roupas chamativas entregavam a verdadeira intenção da mais nova no recinto e sem dúvida uma longa noite aguardava a família Park, que sem muita enrolação se reuniu para os devidos cumprimentos:

 

— Meus sinceros sentimentos, noona. Ainda estou tentando acreditar no que aconteceu — o abraço quente entre as duas colegas de trabalho parecia amigável aos olhos dos que observavam a cena. 

 

Porém, os que conheciam a pequena rixa entre as duas mulheres prendiam a respiração esperando o pior cenário acontecer, e que provavelmente aconteceria caso Park Hee Young continuasse a sentir aquele odor repugnante da colônia do ex-marido nas roupas da vadia.

 

- Sabe, eu tive um pressentimento há alguns meses sobre Jaehyung, imaginei que você por ser uma grande profissional perceberia que seu filho não estava bem. É uma pena que tenha chegado a esse ponto... Ele era um garoto tão bom, poderia ter se tornado meu enteado - a pausa longa durou o suficiente para a Park agarrar a garota com uma das mãos; um milésimo de segundo que foi quebrado por uma simples paráfrase intrometida. 

- Antes morto do que no mesmo teto de uma filha da puta! - O comentário surgiu tão repentinamente por detrás da mulher que se não fosse pelas mãos firmes de Hee Young no colarinho da convidada, ela estaria caindo escadaria abaixo.

O sorriso cínico do garoto no último degrau não passou despercebido pelos engomadinhos do local, incitando uma confusão hierárquica entre famílias curiosas, conversa fiada e os questionamentos: “quem ele é para não ter um pingo de classe?”  e “por que não está sendo enxotado para fora daqui por um dos brutamontes que vigiam os portões?”. Senhora Park pela primeira vez naquela semana sorriu, um sorriso tão genuíno que poucos que realmente se importavam com sua saúde mental aliviaram-se, observando a mais velha guiar o rapaz para dentro do recinto em um agradecimento silencioso pela ajuda intrometida. Estava de fato prestes a fazer uma grande cena e havia sido salva por um garotinho de cabelos tingidos que sequer se recordava de já ter conhecido, provavelmente algum amigo que Jae nunca apresentou, ela não perguntaria.

 

A noite se estendeu tão rapidamente quanto as garrafas de soju dos caixotes da cozinha; o jantar foi servido antes da meia noite e poucos foram os que se mantiveram no local pelos dois longos dias que vieram posteriormente - deixando uma quantia razoável na mesa enquanto discretamente deixavam o recinto. Senhora Park sequer se importou com a falta de respeito dos investidores para com seu filho; detinha parte da culpa e não havia mais como se desculpar com o garoto. Havia perdido a chance de reconciliação no momento em que perdeu a ligação do herdeiro naquela noite... Havia assinado em letras cursivas o leito de morte de Park Jaehyung.

㍿㍿

A primeira oportunidade veio logo após o jantar da primeira noite de despedida para Jaehyung. Se desvencilhando do pequeno grupo de burgueses, que mesmo à contragosto chamava de família, o garoto mais velho apertou o passo. Pouca conversa foi necessária para conseguir as chaves da BMW preta do pai que estavam com o motorista - prometeu que assim que retornasse lhe pagaria umas boas doses e este aceitou sem pestanejar. 

 

Seguiu seu rumo sem sequer dar o trabalho de olhar para trás e ver o olhar de repreensão da mãe na entrada da escadaria de mármore; o sapato social afundando na neve à medida que seguia pelo gramado do estacionamento.

 

Segurava o paletó no braço esquerdo, as abotoaduras douradas com o brasão familiar que tanto incomodavam foram jogadas para dentro do bolso da calça slim. Precisou respirar fundo para não inundar a cadeira do motorista com as próprias lágrimas ao perceber onde sua mente o guiava. Puxou a maldita gravata já dando a partida no veículo, era a primeira vez que se via em um estado tão deplorável. Se os seus pais o imaginassem daquela forma provavelmente seriam enterrados em alguma daquelas covas logo em seguida, tendo como causa da morte na biópsia: puro desgosto. 

 

As ruas calmas daquele bairro exclusivo aos poucos se distanciaram; o acúmulo de pessoas, veículos e trânsito pouco a pouco atingiu as vistas do rapaz. Ainda era cedo, pouco mais de meia noite. Conhecia bem os hábitos sul coreanos, e dormir nunca foi uma prioridade para aquela gente - por isso Seul era tão valorizada economicamente. 

 

Por um momento agradeceu por isso; os ombros se aliviaram, a respiração voltou ao ponto de normalidade. Pressionou o touch do computador de bordo assim que percebeu a luz vermelha do sinaleiro, deitando-se sobre o banco macio de couro claro, e se permitiu preencher pela voz grave do radialista noturno que informava as horas exatas e o tempo estável.

 

Os olhos passeando pela calçada pareciam se perder cada vez mais na imensidão de uma Hongdae movimentada. Foi capaz de erguer os vidros no momento exato que a paisagem esbranquiçada sucumbiu pelas gotas discretas de uma chuva - essa que provavelmente não estava no roteiro do radialista. Suspirou pela última vez, um pouco mais satisfeito com todo o cenário desordenado que presenciava em seu caminho: o corre-corre, a busca eufórica por um abrigo quente, o aperto de um casal em um guarda chuva colorido. Tudo parecia canção, sua mente escrevia e dedilhava, inconsciente de seus desejos. Odiava tudo aquilo, mas ainda assim sorria como um idiota, até porque, era a primeira vez que não estava mais sozinho na madrugada.

 

Uma cidade inteira estava em caos com ele.

 

Distrito de Hongdae - Seul | 21 de setembro, 2:00 a.m

 

Andar pela calçada de Seongyu-dong às duas da manhã ainda era nostálgico para o casal recém-noivado. As mãos dadas e os olhares discretos sob o guarda chuva ainda era característico dos dois amigos, porém, a proximidade criada pelo cachecol verde musgo compartilhado era algo novo dos dois - algo que nunca tiveram coragem na época do colegial. 

 

Caminhavam a passos lentos, as botas de chuva de tons azul turquesa não pareciam chamar tanta atenção durante a noite com o reflexo das luzes néon, mas era óbvio para o rapaz que o som anasalado do choro da sua companheira atraía olhares curiosos — até mesmo ele, em alguns momentos, encontrava o próprio reflexo em alguns desses. Era impossível esconder o inchaço dos olhos e a vermelhidão do nariz; se considerava um Zé Mané chorão, e provavelmente era um, mas nunca declararia isso.

 

— Podemos parar aqui e comprar umas bebidas? Eu acho que preciso de um gole — em um puxão desajeitado, a menor se pronunciou, guiando o namorado para dentro da loja de conveniência 24 horas, com guarda chuva e tudo. — Vamos levar o suficiente para sete pessoas — tirando o cachecol do pescoço, a garota se enfiou no primeiro corredor, os olhos atentos em busca de alguns petiscos salgados.

— Você ainda acha que eles vão aparecer? Eu soube que aquele cara até se mudou da Coreia. Não acho que alguém voltaria da Europa por causa de um ex-amigo morto... — As palavras duras do garoto não passaram despercebidas e o olhar rancoroso da noiva provava isso; estaria fudido se não calasse a boca. — Eu só acredito vendo.

 

Com as sacolas em mãos, ela deu meia-volta, as orelhas fumegando em ódio e as pontinhas do cabelo ouriçadas. Um charme, ele pensou.

 

— Pague essa merda e vamos embora!

 

E assim ele fez, mesmo à contragosto. 

 

O casal nunca imaginou que dez lances de escada pudessem se tornar tão cansativos em apenas dois anos. Era estranho estar à beira daquela portinhola durante a madrugada, o banana monkey durante sua adolescência parecia muito mais caloroso; as luzes néon da porta de metal e as setas fluorescentes ligadas às paredes de tons stabilo já não possuíam os mesmos tons vibrantes daqueles dias. 

A escuridão que antes parecia proposital agora trazia certo receio. Os pés pisavam cuidadosos nos degraus ladrilhados, os olhos espremidos fixos no caminho luminoso passos a frente; um passo em falso e a queda seria certeira e provavelmente fatal.

 

— Cuidado onde pisa! — O rapaz alertava, ora segurando o corrimão, ora arrumando as sacolas nas mãos. — Eu disse que não teria ninguém. Se tivesse, eles teriam ligado pelo menos a porcaria das luzes!

 

Shiu! Quieto! — Ordenou, se aproximando do cômodo principal do karaokê. 


O fato de não haver música alguma ecoando das caixas de som era de longe algo inédito. Ao todo pouca informação podia ser captada pelos ouvidos aguçados da menina: o barulhinho usual da máquina de pinball; o tique-taque de um relógio de parede no formato do pokémon Dialga; uma descarga recém apertada; e sussurros vindos do corredor, algo que a fez dar pulinhos e morder os próprios lábios.

 

Felicidade? Ansiedade? Ela não soube dizer, mas andar por aquele extenso corredor lhe trazia as mais diversas lembranças. O rapaz ao seu lado, porém, não parecia tão satisfeito quanto ela; suas mãos suavam mais do que o normal e o lugar em si mais o assustava do que confortava - a ideia de ver Jaehyung ali piorava ainda mais a tensão. Segurou a mão da garota, faltava pouco para finalmente alcançarem a última sala do terceiro corredor, a única não utilizada no karaokê, aquela conhecida pelo mau agouro.

 

Estudantes odiavam a sala. Era apertada, possuía frestas duvidosas no teto e, às vezes, gotejava lá dentro. Contavam que pessoas já morreram ali e outras acabaram mortas tempo depois. Não duvidava mais das lendas, queria fugir dali o mais rápido possível! E tentou. Os dedos entrelaçados nos da garota lutaram para puxá-la para o lado contrário. Não conseguiria entrar ali, nunca!

— Vamos embora, por favor, eu não quero ir! — O desespero na voz do garoto chegaria a ser cômico se não assustasse tanto. — Esse lugar... nós vamos ser engolidos por ele, porra! Eu não quero morrer como o Jae! 

 

Ao sentir os joelhos fraquejarem, suas mãos procuraram apoio. O corredor não possuía muito mais do que mesinhas de canto, quadros de artistas e luzes de led multicoloridas. Cambaleou algumas vezes, o corpo sendo levado para trás à medida que o peso das sacolas o sobrecarregava. Fechou os olhos já à espera da queda - enquanto pedia silenciosamente que as jaquetas de inverno diminuíssem o impacto contra a cerâmica.

 

Abriu os olhos, a respiração entrecortada e os fios de cabelo em pé já não eram mais pelo medo; cada toque e olhar curioso aquecia parte do seu próprio corpo, as luzes do local já não pareciam tão escuras e até mesmo os sons chegavam a ganhar certo tom diferente. Odiava confessar - odiava ser um cagão do caralho -, mas quando seus olhos pousaram nos sete presentes ali, ele jurou que por um segundo, um milésimo de segundo, estavam em oito.

 

Viu Jae ao fundo, bem arrumado, os cabelos penteados para trás e o infame sorriso de covinhas profundas. Seus olhos fixos não passaram despercebidos pelos demais; sua expressão extasiada era mais do que óbvia. A boca entreaberta e as lágrimas que se formavam acabariam compartilhadas entre eles uma hora ou outra; e, de fato, a imagem quase ilusória do rapaz ao fundo do corredor, acenando, foi mais do que suficiente para isso.

 

Jaehyung parecia satisfeito, como se aquilo fosse suficiente para preencher seu fatídico fim. Não houveram palavras, até porque ninguém ali parecia estar realmente confiando no que seus olhos presenciavam no momento. Fantasmas não eram reais, assombrações muito menos, mas efeitos alucinógenos de bebidas alcoólicas poderiam ser...

 

Isso se eles tivessem tocado em alguma das garrafas de soju de dentro da sacola do medrosinho indiscreto.

 


Notas Finais


( 事 ) ・ ・ꜜE aqui iniciamos a jornada de TOOL, agradeço demais o seu apoio e caso tenha interesse em dar uma chance é só clicar no menu e conferir as infos:
https://www.spiritfanfiction.com/jornais/--time-of-our-life-19688347

( 事 ) ・ ・ꜜ Uma explicaçãozinha rápida sobre o prólogo. Descrevi certos personagens a partir do meu ponto de vista, decidi não citar nomes até por que ainda não tenho personagens, mas devido ao fato de vocês serem livres para criar relações decidi citar algumas coisinhas para talvez trazer idéias para vocês. Tudo pode sofrer modificações a partir do primeiro capítulo então não se prendam muito a isso e usem da criatividade de vocês!


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