História Times Of Genocide - Capítulo 20


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Categorias Guns N' Roses, Mötley Crüe
Personagens Axl Rose, Duff Mckagan, Izzy Stradlin, Nikki Sixx, Slash, Steven Adler
Visualizações 26
Palavras 3.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção Adolescente, Hentai, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Enfim, não sei explicar o que que eu arrumei com esse capítulo. Não entendi foi nada.

Capítulo 20 - Nikki Sixx.


Fanfic / Fanfiction Times Of Genocide - Capítulo 20 - Nikki Sixx.

Foi exatamente no dia que se seguiu. O céu em Naples amanhecera pintado de azul, implorando para que eu desse uma saída do hotel. Posso jurar que ouvi o vento sussurrar no meu ouvido quando fui até o parapeito da janela, balbuciando cada palavra, calmamente “saia com Nikki Sixx”. 

A natureza pedia, não eu. Sem chances de recusar. 

Mas a natureza não levou em conta um fator de risco: Nikki Sixx, posso dizer pelo meu conhecimento de meia hora de conversa de bar, quando a bebida já subia pela cabeça, não parecia ser do tipo de homem sério. É desconcertante pensar sobre isso, porque não era sobre querer algo sério. E soaria pretensioso considerar que aquele homem tinha outros interesses em mim, que não, como imagino que William diria me comer" ou me traçar.

A insegurança era sobre não ter as melhores imagens ao me imaginar esperando por um homem numa esquina de rua. E também por não querer ter a experiência de ser deixada de mão, esperando feito um cachorrinho.

Em contraponto, ele me despertou algo. Longe de ser a labareda que certo alguém de Lafayette fazia flamejar em mim, de dentro pra fora. Creio que fosse uma faísca, uma pequena fagulha.

Talvez fosse o suficiente para arriscar sair com ele.

—Saímos em meia hora, Angie. Você vem? — meu pai abriu a porta do quarto sem mesmo bater, rompendo uma perfeita linha de pensamento sobre ter um ótimo dia com Nikki Sixx ou não. 

Meus pais tinham planejado ir até o museu de artes da cidade vizinha, Sarasota, a uns vinte quilômetros dali. Até poderia me inserir no programa deles, mas no fim do dia o tédio me mataria após ouvir incansáveis explicações para todos os detalhes de todas as obras.

Contexto. Tudo para eles era sobre contexto.

Fitei a figura de meu pai sem precisar raciocinar muito — Podem ir, vou até a praia. Ouvi dizer que vão ter ondas enormes hoje. 

Eu não dava a mínima para as ondas.

—Se você diz… —pousou o olhar protegido pelos óculos de lentes grossas em mim, sem parecer nada convencido, mas meu pai preferia evitar a fadiga de começar um sermão— A noite estaremos de volta. Se cuide. E cuidado com as ondas.

Ele fechou a porta. E eu já tinha tomado uma decisão. 

***

O ponteiro do relógio apontou meio-dia e o sol incidiu três vezes mais forte. Achava que fosse derreter na porta daquele bar, mesmo usando uma blusa que mal cobria o umbigo e uma saia curta o suficiente para que qualquer movimento mais brusco mostrasse minha calcinha. Ema me doutrinava muito bem.

Até então, estava fingindo. Fingindo que não estava esperando Nikki Sixx. Fingindo que não estava fingindo estar fingindo. 

As solas dos meus pés iniciaram uma dança impaciente. Ele viria ou não?

Viria.

A figura de um homem de quase 1 e 90m de altura se materializou ao longe e foi se tornando mais real a cada passada. 

Inacreditável

Nikki estava desapossado da jaqueta de couro do dia anterior, deixando a mostra algumas tatuagens, assim como parte de seu peitoril. Usava a camiseta mais fina, quase um pedaço de pano recortado. 

Quase irresistível.

—Não acredito nisso —murmurou enquanto levantava os óculos escuros, mostrando seus olhos céticos de surpresa.  

—Algum problema? —sorri cintilante, aliviada por ter passado pelo primeiro obstáculo: ser deixada só, a bel prazer.

—Nada, além da sua loucura de sair comigo. É extremamente sexy ter uma mulher esperando por mim — ele sorriu largamente, maliciando.

Ele se achegava, imponente, mas não me deixei intimidar. 

—Eu entendi seu convite como uma provocação, e bem… eu não aceito provocações —o olhei convencida e de peito estufado. Talvez, bem remotamente, bem no fundo, estivesse flertando.

Tão logo esse pensamento margeou-se na minha mente, tratei de o desfazer. Não estava em Lafayette, ninguém poderia me julgar.

Nikki disse que iríamos a um lugar ótimo, tudo em nome de aprender a arte do punk. Pusemos-nos a andar pelas ruas da cidade, até ele parar do nada e me encarar confuso. 

Ele não sabia meu nome. Logo o nome. 

—Eu não posso come… ensinar o que é o punk pra uma mulher que não sei o nome. É contra meus princípios— apoiava as mãos sobre o próprio peito, produzindo um gesto fingidamente cortês. 

Ri por dentro. Ambos sabíamos que não, ele não se importava. 

—Angela. Angela Campbell, se preferir —disse por fim, dando de ombros porque não era nada demais. 

“Angela Campbell". Repeti mentalmente. Não é um nome engraçado, certo? Então por que Sixx debochava feito um panaca?

—É troco por eu ter debochado do seu? 

—Não— Nikki chegou a gargalhar, tomando um ar para me responder —É que parece muito um daqueles nomes idiotas de quem vai pra Havard, pra Yale, pra essas universidades de burguês idiota.

Meus lábios se abriram para dizer “mas eu vou para Yale!”, mas repercutiria sem sentido e mesquinho para alguém que só queria reproduzir a palavra de Sid Vicious.

Ele continuou debochando. Idiota.

Continuamos andando até avistarmos o azul intenso do mar e uma longa faixa de areia. A praia. Era por isso que tinha trocado o museu? Por algo que passei visitando nos últimos 7 dias?

—A praia? A praia é seu lugar especial? —indaguei indignada. 

—Calma, deixa de ser precoce —Nikki pôs um dedo em riste, olhando-me cheio de si e sem parar de andar. 

O acompanhei até o cais, com a língua estalando para enchê-lo de perguntas. Haviam vários barcos amarrados. Paramos na frente de um branco antigo, quase amarelado, e Nikki fez sinal para que entrássemos. 

—Como assim você tem um barco? —soltei, surpresa, ao que ele deu de ombros. 

Sixx me deu um par de remos e tomou o outro para si, e remamos em silêncio até não haver mais terra. Tinha certo medo de estar em alto mar, na verdade, porque imaginava que a qualquer momento iria virar barco abaixo e morrer comida pelos peixes.

Apesar disso, a paisagem era idílica: um azul intenso que remetia ao paraíso, enquanto os pássaros gorgejavam magistralmente, preenchendo a sensação de estarmos totalmente sós.

Às vezes encarava Nikki, de óculos grudados na camiseta, achando fascinante o fato de seus olhos tomarem um azul tão intenso que refletia o mar.

—Você me encara de um jeito desconfortante— comentou, sem parecer sério— Já está pronta para pedir para me beijar? Ou quer pedir algo mais?

Repuxei os lábios, o encarando com divertimento. Talvez quisesse.

—Me trouxe aqui sem intenção alguma de falar de punk algum, não é?

Nikki mordia os lábios, se divertindo como um garoto que é pego em uma brincadeira travessa.

—Sabe, o punk pode ser sobre qualquer coisa. É um jeito, é o jeito como se faz as coisas. É sobre como se leva a vida... É acima de tudo sobre sexo —falou sexo tão sussurrado que senti-me ruborizar por inteiro —Podemos começar por esse ponto, se quiser.

Refleti sobre sua fala por dois segundos.

—Ainda não conseguiu me fazer pedir um beijo seu… como pretende me fazer implorar por sexo?

Sorriu malicioso —se você pudesse se enxergar enquanto me encara, saberia do que estou falando. 

Revirei os olhos, bem cética em relação a dar na cara que ele me fascinava.

Ele moveu suas mãos suavemente, até as pontas de seus dedos tocarem meu joelhos e os acariciarem. Meu corpo formigou com seu contato inesperado, havia algo pulsante dentro de mim. Desejo.

—Viu? —afastou as mãos de mim de repente, com olhos presunçosos — Você deveria se ver, Angela. Tem um dia inteiro que está flertando comigo, como pode negar isso? Eu sou o que precisa se fazer de difícil aqui.

Nada em Nikki Sixx fazia-me raciocinar. Então, ao invés de surtar por um estranho ser audacioso o suficiente para tentar me provocar, senti as faíscas dentro de mim formarem quase uma fogueira. 

Respirei fundo enquanto minha temperatura corporal ia de 0 a 100 graus Celsius, em segundos.

Remamos novamente, até apontarmos numa outra praia, quase deserta. 

Nikki parou o barco e eu me joguei na areia. Finalmente, terra firme. 

—Quer? —perguntou, retirando um cigarro do bolso na calça enquanto acomodava-se na areia.

—Não fumo. 

—E quem disse que é cigarro? —acendeu, dando uma tragada profunda.

Lindo e maconheiro.

Realmente, dispensei todo meu julgamento moral.

Hesitei por alguns segundos, “é natural”, ouvi um eco de pessoas pró movimento hippie entoarem na minha cabeça. “É errado”, o rosto de Ema corporificou-se bem na minha frente, vociferando o quanto fumar maconha é errado e que vou virar uma viciada. 

—Passe isso pra cá —pedi, ignorando os delírios da minha mente— O que devo fazer?

Ele tentou me ensinar a puxar a fumaça dizendo “tente fazer como se estivesse chupando um pau”, o que não era muito útil. Ainda não tinha essa referência. 

—Tá, tá, tá, deixa eu tentar agora— o afastei e puxei. E quase morri. Nikki de divertia me vendo tossir desesperada e engasgar com a fumaça. Filho da puta.

—Não assim— tomou o cigarro de mim—Precisa de carinho, tem que umedecer os lábios primeiro. Por acaso você me chuparia de boca seca?

Reprimi uma risada, ele era muito presunçoso. 

—Observe e faça o mesmo— ele tragou despreocupadamente, como se só existisse ele e sua maconha no mundo. Meu ventre pinicava vendo o cigarro rolar sob aqueles lábios rosados. Ele fazia por querer, demorando-se longamente na tragada — Sua vez. 

Dessa vez traguei decidida a ficar chapada. E foi aí que a mágica aconteceu. 

—Incrível não é? —ria, e o acompanhei na risada. Queria muito rir, rir de tudo, porque o tempo desapareceu. Poderiam ser horas, minutos, segundos. Só existia Nikki Sixx e eu, numa praia deserta. —Você precisa tomar cuidado agora, não surte achando que aliens estão te abduzindo ou sei lá.

—Cale a boca e vamos apostar corrida— propus eufórica já me levantando— Quem alcançar aquela tartaruga vence. Agora!

—Ficou louca? Não tem tartaruga nenhuma!

O ignorei, jogando meus tênis de lado e começando a correr. Nada importava. As vezes olhava pra trás e via Nikki correndo também, sem ao menos parar de fumar. A cena era cômica.

Já fazia algum tempo que corria, difícil precisar, mas em certo ponto a areia foi ficando mais e mais pesada sob meus pés e meu diafragma de pessoa sedentária reclamou e precisei parar.

Nikki me alcançou finalmente e segurou meus pulsos, falando quase sem ar e mandando o cigarro longe —Eu sou fu-man-te mulher. Fumante. Pensa que consigo correr assim sem ter um ataque asmático? 

Apenas ri da cara dele em resposta. Ele se sentou na areia e me puxou junto, esperando o ar voltar totalmente para seus pulmões, dizendo algo do tipo “por que fui dar maconha a você?”. Meu braço foi suspenso por sua mão, porque segundo ele, sua caixa torácica não o deixaria me procurar quando eu saísse correndo pela praia de novo.

—Quero nadar —pedi. Observava o mar tão compenetrada que poderia dizer de todos os animais que viviam ali.

—Não vai dar, docinho.

—Por que não? —fiz um beicinho o implorando com o olhar.

—Um de nós dois precisa ser o maconheiro responsável aqui. E eu não posso ser preso por sua morte, então, —fez o gesto de mãos atadas— não vai rolar. 

—Na verdade, pra nadar, vou ter que tirar a roupa. —O fitei ingenuamente.

É claro que estava blefando, mas ele era um safado. 

Ele mordeu os lábios e fechou os olhos, tenho certeza que projetava a imagem na mente. 

—Se insiste tanto, tanto…

Eu não disse?

Ele me soltou e corri para a beirada do mar, deixando pra trás apenas minha blusa. Meu corpo inteiro se arrepiou com o toque gelado da água. 

Eu me sentia incrível. O sabor de liberdade finalmente tocava meu paladar e eu poderia me esbaldar nela. 

—Não vem? A água está maravilhosa—perguntei, fingindo que não tinha quase morrido com a temperatura daquilo.

Nikki simplesmente se despiu, quase por completo, deixando ficar só a cueca. Suas coxas branquelas ficaram a mostra e o moreno veio em minha direção provocativo, seguro do poder que tem. Mas tão logo seu corpo tocou a água sua expressão se contorceu numa careta enorme. 

—Filha da puta! —rosnou, socando a água e fazendo-a espirrar em mim.

Ri com sua reação. Ele conseguia ser desejável até sob essas circunstâncias.

Durante aquela tarde fizemos o mar de parque de diversões, jogávamos água um no outro feito duas crianças bobas até nossos dedos se enrugarem. O efeito da maconha já tinha passado e continuamos gargalhando feito idiotas. 

Nikki saiu pingando e jogou-se com peso na areia. Caminhei em sua direção e permiti meu corpo pender ao lado do seu, que descansava relaxadamente. 

Conversamos. Transpassando em coisas diferentes e sérias. Cada palavra que saia de sua boca me prendia a atenção. Nikki contou sobre sua vida na Califórnia, sobre o quanto queria ser parte de algo grande, de algo que fosse parte da vida das pessoas. Um discurso tão poético e apaixonado que beirava ao utópico, acabei sentindo faltava algo dessa utopia em mim.

—Então?

—Então o que? —minhas mãos seguravam meus maxilares.

—Agora me conhece melhor que muitas mulheres que tive. 

—Está me elogiando ou dizendo da sua volatilidade? 

Ergueu o canto dos lábios, negativando com a cabeça —Só estou pensando alto.

Estávamos relativamente próximos, mas nossa distância de tornou ainda menor quando seu ombro começou a roçar o meu. Observava o horizonte e o fechar da tarde, os tons de laranja assumindo o céu pouco a pouco. 

Fosse o pôr-do-sol desenhado, fosse aquele dia fora da curva, pressenti que Nikki repousava o olhar sobre mim de forma assídua. Quando girei o pescoço a fim de fitá-lo, seus olhos invadiram os meus tão desejosos que não pude controlar e precisei o beijar. 

A primeira colisão entre nossos lábios foi diferente

Nikki depositou uma mão firme atrás da minha nuca, explorando minha boca intensamente mas sem pressa alguma, me preparando pro seu abate. Sua língua dançava contra a minha, nossos fluidos tornaram-se um só e eu senti os efeitos diretamente entre minhas pernas. Com sua mão livre, tentou tatear o zíper da minha saia complementamente ensopada. 

Ele se zangou e adentrou a mão por baixo da minha saia, me obrigando a abrir levemente as pernas para que pudesse tocar meu sexo por cima da calcinha. Seus dedos deslizavam pra cima e pra baixo e depois faziam círculos que deixavam minha intimidade se contorcendo, implorando por um contato. Implorando para que não houvesse nenhuma roupa entre nós. Que nossas peles pudessem tornar-se uma só.

Parando de beijar minha boca, desceu beijos por todo meu pescoço, meu ombro, por cima dos meus seios, e depois retomou minha boca com mais desejo.

 Seu lábios, sua língua, seu toque, ensandeciam os desejos carnais mais latentes em mim.

Mas era isso. 

Só isso. 

Eu sabia. Eu sabia que aquele momento, aqueles minutos e aquele dia não passavam de uma ilusão. A ilusão de uma vida que não era a minha, uma vida que não gostaria de ter por três dias seguidos. 

Sabia também que não me permitiria transar com Sixx. Não que me importasse com as normas sociais. Não, não mais, não depois de William. E era exatamente esse o problema.

William tomou meus pensamentos. Era como se sua face tomasse a de Nikki de repente, e sua imagem ralhava contra mim, enfurecido, perguntando repetidas vezes “como você pôde?". 

Que merda fodida era aquela?

É loucura, mas aquela visão foi o suficiente para cair em mim. 

Não queria algo apenas carnal, queria paixão. Queria amor. Queria o calorzinho e o nervosismo que sentia quando beijava, o formigamento que partia desde o dedinho do meu pé, percorria minha espinha e me arrebatava por inteiro. Queria sentir meu coração desesperado e só se acalmando na presença dele. E não adiantava perambular por aí tentando fugir do que sentia, tentando fugir do amor. 

William. Eu o odiava por ter me feito desistir de ter qualquer ato sexual com Nikki Sixx —e olha, foi difícil. Eu o odiava porque só ele poderia entregar-me o que precisava.

Já tinha me desestimulado, e nem me esforçava mais no beijo, era fato. Então não foi difícil separar nossos lábios e terminar com o clima de vez. Nikki parecia confuso, me fitando como um cachorrinho que caiu da mudança, mas dei graças a Deus por ele não insistir. 

—Quer ir embora? —perguntou quando caiu a ficha finalmente, mas mantendo a expressão de quem esperava outra resposta, talvez a de que eu fosse ficar e fôssemos transar ali na areia da praia.

Fiz um positivo com a cabeça. Minha mente pesava e vagava, e eu só queria ir pro hotel, ligar para William e ouvir sua voz o mais rápido possível.

***

Desembarcamos no cais, trocando pouquíssimas palavras. O clima tinha morrido, ou melhor, tinha sido assassinado por mim.

 O céu escurecia, estrelas já irrompiam e a praia se esvaziara.

—Ainda tem fôlego? —Nikki colocou as mãos na cintura, com olhar levemente preocupado e com dúvida— Porque vamos precisar correr.

—Por que a gente precisaria correr? 

—Bem, o barco não é meu,— apontou para um homem que vinha em nossa direção— e o dono vem logo ali e não parece nada feliz. 

Não tive tempo nem para gritar com ele e chutá-lo por ter feito isso comigo. Vi que corria desembestado e sai correndo atrás. Aquele homem corria tanto com medo de ser preso que poderia ganhar uma maratona. 

Quando a praia já estava para trás e não víamos nem resquício de areia, Nikki parou segurando o peito e arfando de cansaço.

—Quer me dizer, — falei entrecortado, sem fôlego para berrar como queria— que porra de ideia foi essa de roubar um barco? 

—Pegar emprestado, droga! Pegar emprestado. Já devolvi, então não foi roubo. Que ladrão devolve o que rouba?

—Você é um idiota— apontei para ele, sentindo-me explodir em raiva. O meu suicídio moral seria certo se  fosse presa por roubar um barco velho. Nikki Sixx não ficaria com um aspecto nada agradável quando o batesse tanto quanto queria.

—Dá pra você relaxar? —rolou os olhos, achando que roubar um barco idiota não era nada demais. 

Fui o xingando de todos os nomes que conhecia, e quando paramos na porta do meu hotel, xinguei mais um pouquinho. Ele debochou de tudo que eu disse a respeito dele ter um espírito cleptomaníaco, me remendando e quase ocasionando a implosão do meu cérebro. Odiava não ser levada a sério, sobretudo porque estava realmente puta. Poxa, eu confiei nele. Confiei num estranho, mas confiei.

Pareci desconcertada quando acabei o sermão e não soube mais o que dizer, não tinha o que dizer. Quando dissesse, seria a despedida. A despedida do surrealismo daquele dia.

—Então a gente se vê por aí— disse e franziu os lábios, tão deslocado quanto eu— A não ser que… você esteja disponível no resto da semana. Juro que sem roubos de barco dessa vez. 

Desfrutei daquilo e decidi jogar com ele.

—Esteja no mesmo lugar amanhã e você saberá— mordisquei minha boca, virando-me de costas e finalmente entrando no hotel, sem parar para perceber sua reação. 

Não saberia dizer se estaria lá amanhã para repetir tudo de novo ou não, porque minhas ações tinham se tornado imprevisíveis naquela cidade. Mas poderia garantir que não me permitiria cair nos devaneios do corpo mais uma vez.

Seria um ótimo final se simplesmente acabasse por aí. A vida é irônica. Repleta de reviravoltas. Ainda repensava sobre o dia extenso que tivera, já na cama, quando o telefone tocou. Não havia tocado em nenhum outro dia de estadia na Flórida. 

—Sim? —atendi numa falsa esperança de que fosse William, lembrando em seguida que ele sequer tinha aquele número. Seria ótimo falar com ele, mesmo que eu não soubesse o que dizer, como dizer, e nem saberia encara-lo depois de desejar friamente outro homem. 

Bom, não era ele, mas foi quase isso.

—Angie, preciso que venha para Lafayette. Preciso de sua ajuda, Angela,— a voz de Ema dizia aflita e descontrolada do outro lado da linha— porque Jeffrey e William foram presos.

 



 





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