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História Timidez - Capítulo 2


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Notas do Autor


ATENÇÃO: os dois protagonistas dessa fanfic tem seus 18 anos completados nesse extra, portanto, está dentro das regras estabelecidas no site.

E aqui estou eu, com 50 fanfics na fila de espera implorando minha atenção, dando extra pra fanfic velha. Pro pessoal que leu essa fic nos anos anteriores, espero que não se importem do extra ter bem mais palavras que a fic original em si é que hoje em dia eu sou EMOCIONADA não consigo fazer nada com menos de 5K. E... também meio que aconteceu de eu não ter feito tão fluffy assim e,,,, cHEGA NÃO VOU DAR SPOILER VOCÊS QUE LUTEM SE NÃO GOSTAR A COMMENT SECTION TÁ AI PRA ISSO E SEm mais delongas, vejo vocês nas notas finais. Boa leitura <3

Capítulo 2 - Agora e para sempre, tímidos.


Domingo, finzinho de tarde; O quarto estaria totalmente engolido em breu, se não fosse pela luz que adentrava as frestas da cortina. Por precaução — já que não havia ninguém além deles em casa —, a porta estava muito bem trancada. Só de pensar na possibilidade de Yoora ou os pais do Park vê-los naquela situação, Baekhyun sentia as bochechas corarem e o corpo retrair em vergonha. Já era o suficiente, por uma vida inteira, terem pegado eles de chameguinho na ação de graças passada, na varanda da parte de trás da casa onde Chanyeol jurava de pés juntos que ninguém iria vê-los. Teve que suportar Jongin, o menininho de nove anos mais curioso que conhecera, gritando aos sete ventos o que estavam fazendo sozinhos. Nunca, em toda sua vida, odiou tanto uma criança assim.

 

Faz dois anos desde a cartinha amarela de Baekhyun foi entregue a Chanyeol e, consequentemente, dois anos desde que estavam juntos. Superaram a bendita da timidez do início do relacionamento e, por longos meses, a vida foi como um conto de fadas. Se viam todos os dias na escola, e mesmo que não tivessem coragem para trocar mais do que alguns selares aqui e ali dentro do colégio, quando ninguém estava olhando, era o suficiente. Saíam a tarde para passear com Toben, o cachorrinho endiabrado dos Park, e nas quintas e sextas-feiras à noite faziam uma sessão de filmes acompanhados de Yoora.

 

Foi em uma dessas noites, já pela metade do fim do terceiro filme onde a mulher que supervisionava-os estava dormindo profundamente, que tudo mudou. De repente, beijar Chanyeol de língua no sofá, como já haviam feito diversas vezes, não pareceu algo lá muito certo a se fazer. Tentou se convencer de que era porque estavam debaixo dos cobertores. Muitas coisas sérias acontecem com casais de baixo dos cobertores, principalmente para os adultos, mas teve a certeza de que não era esse o motivo quando sentiu a mão do mais novo pousar em sua intimidade, fazendo-o gemer em um misto de surpresa e prazer.

 

Foi assim que Baekhyun descobriu: não só de beijinhos e chamegos vivem os namorados, por mais que tenham acabado de fazer dezoito anos e não tenham, necessariamente, a experiência para fazer o que desejam. Era tudo uma questão de querer, e isso tinha que ficar explícito, se não tudo começava a dar errado. Se quisesse que Chanyeol colocasse seu membro para fora da calça e — céus, tinha vergonha só de pensar — batesse uma para ele, tinha que pedir, ainda que só conseguisse fazer isso com o rosto enterrado no pescoço dele.

 

Desde aquela infeliz noite era constantemente bombardeado por pensamentos assim. Chanyeol, de olhos semicerrados enquanto envolvia o pênis dele com a mão, Olhando-o, como se fosse a coisa mais importante do mundo enquanto gemia. A boca tão doce quanto mel, virando-o do avesso e o deixando desse jeito por horas. E, como se não bastasse, o desgraçado ainda conseguia ser carinhoso e atencioso em cada um desses momentos. Sempre perguntava se estava gostando, se queria que fizesse algo diferente, se queria fazer algo a mais. Sussurrava, incontáveis vezes no pé do ouvido, o quanto o amava, e o quanto tudo aquilo que estavam vivendo era perfeito. Era demais para o pobre coração de Baekhyun aguentar.

 

— Você é tão lindo. — O tom usado por Chanyeol transbordava desejo, assim como seus olhos, que mantinham-se firmes nos de Baekhyun. — Tipo, o cara mais lindo desse mundo inteirinho.

 

Baekhyun sentia as bochechas pegarem fogo, como sempre acontecia. Estava tentando não estragar tudo sendo tímido, mais uma vez, só que não é como se pudesse evitar. Estava trêmulo e ofegante, sentado no colo de Chanyeol enquanto sentia as mãos grandes percorrendo o corpo, por debaixo da camisa branca e cheias de fome por algo a mais, que andavam tentando a um tempo consideravelmente grande. Suspirou pesadamente quando os dedos do namorado encontraram os mamilos. Uau; Não tinha ideia de que aquele lugar tão improvável seria assim, tão sensível.

 

— Não fala assim enquanto a gente tá… Você sabe — murmurou manhosamente rente ao ouvido alheio. As mãos apertavam os ombros dele com tanta força que não se surpreenderia caso os visse vermelhos mais tarde, não seria a primeira vez que deixaria marcas pelo nervosismo. — Não quero ter que parar agora.

 

As mãos atrevidas de Chanyeol desceram e, sem que o outro esperasse, espalmou as duas mãos na bunda farta, apertando as bandas com certa força. Baekhyun fechou os olhos e a boca bonita abriu-se, para que pudesse soltar um longo e sôfrego gemido. Inconscientemente, mexeu os quadris contra os do namorado, e fora tão bom que tivera que fazer de novo, e de novo, e de novo…

 

Até que, quando se deu conta, estava rebolando no pênis do namorado sem pudor algum. Demorou alguns segundos até que percebesse e, quando a ficha caiu, abriu os olhos abruptamente, e tinha a intenção de cessar aquele contato quanto antes. Mas era Chanyeol ali, com um vinco entre as sobrancelhas, o encarando cheio de tesão e com a boca aberta, ofegante. E ele estava tão duro, por causa de Baekhyun. Os olhos marejaram e, mesmo com o corpo pelando de vergonha, continuou com os movimentos, que em certo momento foram intensificados pelo mais novo, que simulou uma penetração com os quadris ao abraçar o namorado.

 

Com a mente nublada de prazer, Baekhyun não conseguia mais controlar as reações que o corpo tinha a aqueles toques. Eram beijos afoitos na boca e no pescoço, o aperto gostoso na bunda e a ondulação dos quadris, tudo junto. O corpo tremia e gemia sem pôr limites nas cordas vocais, e a vaga ideia de que talvez alguém já tivesse chegado em casa passou pela mente. Ainda que desejasse parar para checar o corredor, não era como se conseguisse, não quando Chanyeol parecia gostar tanto.

 

O orgasmo cresceu rápido na boca do estômago. Não teve tempo de avisar, muito menos de colocar o pênis para fora das calças. As costas arquearam e o corpo tremeu por inteiro, enquanto abraçava Chanyeol e rebolava como se não houvesse um amanhã. Gozou tão forte que se sentiu momentaneamente tonto, entorpecido, mais sensível que nunca.

 

— Você… — “Gozou?” Teve a vontade de perguntar, mas a última palavra ficou presa na garganta, tímida. Ainda que fizessem essas coisas com uma boa frequência, Baekhyun não tinha coragem suficiente para colocá-las em palavras, não mais do que achava necessário.

 

— Sim — respondeu, ainda arfante. Sorriu quando os olhares voltaram a se encontrar, deixando um breve selar sob os lábios bonitos que, mesmo depois de dois anos, continuava sendo o maior dos motivos para suas noites de insônia. — Eu não sabia que você sabia fazer isso, sabe. Desse jeito.

 

— Eu só fiz o que senti vontade. — Baekhyun retrucou no mesmo minuto, com uma preocupação e nervosismo quase palpável. — Você disse, daquela vez, não lembra? Que eu devia fazer o que achava ser certo.

 

— Não tô reclamando, Baek. — Tornou a juntar as testas e, ao se inclinar mais um pouco, esfregou o nariz ao dele em um beijinho de esquimó. O namorado riu e o beijou mais algumas vezes, como sabia que faria. Beijinhos de esquimó eram uma de suas armas secretas para fazer Baekhyun se derreter todinho de amores. — Foi incrível. Quer dizer, sempre é incrível, mas dessa vez foi mais… Intenso. Gostei de te sentir assim.

 

Sentiu o peito esquentar e sorriu, pensando se algum dia chegaria a ficar mais apaixonado por Chanyeol do que já estava. Se isso acontecesse, era provável que o pobre coração não aguentasse e, de fato, explodisse de amor.

 

Apesar das bochechas pegarem fogo em constrangimento, amava os momentos de transparência excessiva do mais alto. Sabia, melhor que ninguém, que aquela sinceridade espontânea fazia parte do conjunto peculiar e único da personalidade do namorado. Ele falava sem pensar muito, mas não de um jeito atrapalhado, como Baekhyun fazia quando estava nervoso. Chanyeol parecia ter sempre as palavras certas para deixá-lo derretido como mel.

 

— Mesmo que a gente não tenha ido até o final? — questionou, um pouco inseguro quanto a resposta.

 

Digamos que esse tenha sido um dilema bastante recorrente na mente do Byun e, que talvez, o tenha dado mais inseguranças do que poderia carregar. Já era um baita de um medroso sem aquelas dúvidas sem cabimento, e agora então, depois delas, era como se não pudesse ter um momento de sossego enquanto não transasse.

 

— Uma hora ou outra vai acontecer. — Chanyeol diz, deixando um beijinho na ponta do nariz do namorado. — Não tem porque ter pressa.

 

— Não tô com pressa, não é isso. — Se ajeitou sobre as coxas dele, começando a ficar um tanto incomodado com a sujeira que haviam feito nas próprias calças. Teve que se concentrar para que, por ora, ignorasse aquele detalhe que estava o tirando dos nervos. Afinal, era uma conversa importante. — É que nós já estamos tentando fazer algum tempo e… Poxa, com as outras pessoas isso costuma a acontecer bem mais rápido.

 

— E daí? — perguntou, não vendo o problema que, para o outro, parecia ser tão evidente e alarmante. — Eu amo você, Baek. Não pelo sexo, nem por essa esfregação toda e também nem pelos boquetes e-

 

— Entendi, entendi. Chega logo na parte final, por favor.

 

— Amei você a primeira vista, e depois, quando te conheci, amei mais ainda. — Chanyeol sussurrou, segurando o rosto de Baekhyun com ambas as mãos, prevendo que o mesmo deixaria de olhá-lo por se sentir acanhado com tudo o que diria. Tinha vezes, vezes como estas, que simplesmente sabia que o melhor a se fazer era forçar aquelas barreiras do mais velho, mostrar para ele que estava tudo bem ser vulnerável, quando estão sozinhos. — Amo quando fala pelos cotovelos e amo quando faz comida italiana pra mim. Amo quando me chama de tesoro mio, e deixa essa timidez toda de lado pra ficar assim, nos meus braços, deixando eu cuidar de você.

 

Para quem se declarou pela primeira vez dizendo que gostava mais de Baekhyun do que de química, aquela havia sido uma bela de uma evolução.

 

— Eu também te amo, Chanyeol. Mais do que consigo colocar em palavras — murmurou, tão fascinado nos olhinhos brilhantes do namorado que surpreendeu-se ao ser beijado outra vez.

 

— Então deve ser muito mesmo, porque você realmente fala à beça.

 

Chanyeol gargalhou, achando graça do bico que Baekhyun tinha nos lábios. Assim, o início de noite daquele domingo se seguiu, com beijos apaixonados e inocentes e outros mais intensos, mãos bobas e mais alguns gemidos que ambos não foram capazes de conter. Não era segredo para ninguém que perdiam a noção do tempo e do espaço, enquanto estavam juntos, mas tudo bem. Não era nada que Jongin, com sua curiosidade infantil, não pudesse consertar ao escancarar a porta do quarto que, em algum momento da noite, fora aberta por um dos dois.




 

(...)

 

Baekhyun esperava Chanyeol sentado na mesa quadrada no canto do refeitório, onde conversaram pela primeira vez. Tinha certeza que o cabelo estava desgrenhado, pois, passava os dedos entre os fios diversas vezes pelo nervosismo, sem fazer questão de os pôr de volta no lugar. Balançava a perna e, mesmo que tivesse abandonado o hábito a algum tempo, roia as unhas. Estava tão ansioso que considerava levantar dali e ir buscar o namorado na fila do lanche, que parecia estar mais longa do que de costume pelas turmas terem sido liberadas todas ao mesmo tempo.

 

Em todos os três anos que passou no ensino médio, Baekhyun nunca se importou com coisas tão triviais quanto eventos escolares. Ele sempre estava preocupado demais em equilibrar os estudos com sua paixonite que, futuramente, virou seu namoro, além de que sempre convencia a si mesmo que era perda de tempo. Só que agora estava no fim do semestre, nos seus últimos dias naquele colégio. Sua média escolar impecável e com certeza traria bons resultados, quando resolvesse prestar vestibular para as universidades de Nova Iorque. Ele tinha tempo — mais do que gostava de admitir — para pensar sobre o baile de formatura.

 

Muito tempo vago, para uma cabecinha tendenciosa a auto sabotagem como a do Byun, não era lá algo muito bom. Ainda mais quando via, quase que diariamente, os outros estudantes chamando uns aos outros para ir ao baile, em pedidos emocionantes que quase sempre envolviam buquês de flores e vários aplausos. Não desejava o mesmo, é claro. Odiava atrair mais atenção do que necessário, ainda mais depois de terem assumido o namoro e serem o único casal gay do colégio. Só que ainda assim, existia essa parcela do cérebro de Baekhyun, que talvez tenha visto filmes demais sobre high school americano com protagonistas loiras, que desejava, pelo menos, um pedido formal e bonitinho. Com direito a beijinhos e, quem sabe, uma caixa com chocolates.

 

As indiretas que lançava, toda vez que via os pedidos públicos na companhia de Chanyeol, pareciam não surtir efeito algum. Ele ficava lá, parado, como uma estátua grega que ganhou vida, e depois desviava sua atenção para outra coisa, por mais que insistisse em dizer o quanto havia sido fofo o que acabara de ver. Tudo o que recebia em resposta, quando não era um aceno de cabeça, era uma careta. Considerando que o relacionamento deles foram apenas flores do início até o atual momento, uma careta podia parecer bem mais desesperadora do que realmente era.

 

— Hoje não tinha sanduíche de atum. — Chanyeol diz, colocando a bandeja com o café da manhã deles na mesa, sentando-se logo em seguida. — Sei que não gosta muito do presunto da escola, então pode ficar com o de peito de peru.

 

— Não, obrigado — recusou, apoiando o rosto na mão e olhando para o lado. Um garoto do time de basquete se preparava para chamar uma animadora para o baile e uma concentração de pessoas estava se formando ao redor dele. Suspirou, tão chateado que não pode evitar a expressão descontente. — Não tô com fome.

 

Chanyeol levantou o olhar de seu sanduíche. Já tinha o desembrulhado do plástico e iria começar a comê-lo, pois estava com a barriga roncando desde o primeiro tempo da aula de história. Mas não podia, simplesmente, começar a comer como se o namorado não estivesse todo jururu na sua frente. Nem ao menos sabia o motivo para tanta frustração. Esticou a mão na mesa, agarrando a de Baekhyun e fazendo carinho nos dedos bonitos. Sabia que ele ficava tímido quando decidia demonstrar seu afeto em público, mas decidiu ignorar esse fato, por ora. Seu objetivo, agora, era acabar com a tristeza dele, seja qual for o motivo para ela.

 

— Baek, você tá sempre com fome. — Soltou o riso em um sopro enquanto brincava com os dedos da mão alheia, sem realmente prestar atenção no que fazia.

 

— Só que hoje não estou. O que é, não tenho mais esse direito? — Finalmente, olhou-o diretamente. Os olhos pequenos fitando-o com um sentimento que Chanyeol nunca havia visto, não neles.

 

Franziu o cenho, confuso por aquela acidez que nunca havia recebido. Baekhyun não era grosso. Ele era tagarela, isso não era nem pauta de discussão, mas não significava, de maneira alguma, que era rude. Ele era gentil. Preocupava-se mais com o bem-estar de Chanyeol do que com o próprio, muitas das vezes. Quase nunca tinha as palavras certas para se expressar, entretanto, mal precisava delas, pois seus olhos diziam tudo. Sentiu uma pontada no peito, só que diferente das outras vezes, em que sentia o canto dos lábios repuxar em um sorriso quente, aquilo doeu. 

 

— Você não comeu antes de sair de casa, achei que estivesse com fome. — Tentou se expressar racionalmente, ignorando aquele desconforto no peito.

 

— Mas não estou — disse, tão ríspido quanto anteriormente. Soltou a mão das dele, trazendo-a para o próprio colo. Não deveria sentir-se arrependido por isso, mas sentiu, porque viu o quanto ele pareceu perdido após seu gesto. Bendito seja o momento em que se apaixonou perdidamente por Park Chanyeol e seus cachinhos castanhos.

 

— O que tem de errado com você? — questionou, sinceramente magoado.

 

— O que tem de errado comigo? — Baekhyun repetiu, deixando o desespero tomar conta de si. Era tão óbvio, droga, ele estava dando as pistas o tempo inteiro! — O que tem de errado com você, Park Chanyeol! Faltam duas semanas para o baile de formatura e eu ainda não recebi nenhum convite!

 

Por alguns segundos, Chanyeol ficou verdadeiramente assustado. A mente vagou em milhares de respostas que poderia dar, uma que não tivesse a ver com o que realmente sentia. Descobriria, momentos mais tarde, que sua decisão foi um erro.

 

— Baek, somos namorados — disse o óbvio, e o mais baixo limitou-se a rolar os olhos. — Não tem o porquê de te convidar.

 

Baekhyun sabia muito bem disso. Dizia para si mesmo, desde que toda essa história começou como um pequeno murmúrio na mente, que seria infantil de sua parte exigir algo assim. O relacionamento que tinham era perfeito em todos os aspectos. Não lhe faltava reciprocidade, muito menos carinho. Se completavam de um jeito que, mesmo que só tivesse dezoito anos e estivesse em seu primeiro namoro, tinha consciência de que não acontecia com frequência. Eles, realmente, se amavam.

 

E agora, por sua culpa, estavam brigando. Sentiu-se tão estúpido que acatou ao desespero dentro de si, levantando-se da cadeira. Também teria ido embora, porém, ainda olhava para Chanyeol. Ele parecia tão atônito, e saber que isso era sua culpa… Acabou trazendo lágrimas de frustração à tona.

 

— Você é o pior namorado de todos. — A infantilidade dentro de si falou mais alto e, com isso, deixou o refeitório.




 

(...)




 

Sempre disseram à Chanyeol que o amor era uma coisa complicada. Que trazia mais dores do que sorrisos, que requer esforço e dedicação. Em parte, ele concordava, pois, se dedicava todos os dias a fazer Baekhyun o cara mais feliz do mundo inteirinho. Mas dor? Não, o amor que conhecia nunca lhe trouxe tal sentimento.

 

O amor era suave, como o vinho do primeiro aniversário que passou ao lado do namorado. Capaz de te deixar com a cabeça nas nuvens, mas com os pés bem fixos no chão. É para ser sensível às palavras, aos toques. É para deixar seu coração acelerado, porém, quentinho, como uma xícara de chocolate quente no meio de dezembro. É sobre beijos e sobre mãos que te afagam antes de te agarrar. É, principalmente, sobre ser vulnerável. Se deixar cair na felicidade, no aconchego, na segurança.

 

O aperto no peito que sentiu anteriormente acabou transbordando para fora de si, em forma de lágrimas. Foi inevitável, pois à medida que subia as escadas para chegar até o quarto, lembrou da decepção no rosto sério de Baekhyun, de como ele estava triste. Quando bateu a porta, virando a chave duas vezes para não ser importunado pelo restante da noite, um soluço escapou dos lábios.

 

“Você é o pior namorado de todos”. 

 

Pobre Chanyeol, que passou a noite inteira acordado e chorando por não ter recebido uma mísera mensagem de texto do namorado. Pela manhã, estava tão acabado que ninguém ousou perguntar em como andava as coisas no paraíso, como era de costume, já que era de conhecimento público que o relacionamento nunca havia passado por nenhuma turbulência ainda.

 

Baekhyun não estava muito diferente, por mais que tentasse esconder. Os olhos pequenos estavam menores que o normal, inchados de tantas horas que passou chorando, pensando em como foi capaz de arruinar o principal motivo de seus dias monótonos serem mais coloridos e especiais. Mantinha a cabeça abaixada, apoiada nos próprios braços. Não queria que ninguém — além das pessoas que já haviam notado — reparasse no quanto estava abalado. Esforço inútil, por assim dizer, pois, foi a primeira coisa que Chanyeol percebeu quando adentrou a sala de aula.

 

— Tá fazendo o que aqui? — Baekhyun murmurou, a voz quebradiça denunciando sua melancolia patética. Fungou, levantando a cabeça para olhá-lo diretamente. Foi uma péssima decisão. Os olhos dele estavam avermelhados, assim como a pontinha do nariz. Provavelmente, acabaria chorando se ele falasse algo sobre o dia anterior.

 

— Último seminário — respondeu, sentando-se na cadeira ao lado. Era frustrante ficar assim com Baekhyun. Queria lhe dar um beijinho de bom dia no rosto, um abraço, ou só um breve, mas significativo, segurar de mãos. Porém, considerando o tratamento que tivera ontem, era arriscado demais tentar algo, por mais que o corpo praticamente implorasse pela atenção alheia. — O seu foi na semana passada.

 

Baekhyun assentiu, descruzando os braços e deixando as mãos paradas sobre a mesa. Viu as grandes de Chanyeol ao lado, tamborilando os dedos longos casualmente. Pensar em envolvê-los aos seus, de repente, lhe pareceu uma boa ideia. Não queria continuar daquele jeito, com um nó preso na garganta e sem os carinhos que havia se acostumado a receber. Chegou até a arrastar o pulso pela mesa, vagarosamente, tímido pela vergonha que o acometeu.

 

Infelizmente, havia sido devagar demais. No meio do percurso, quando estava prestes a inclinar os dedos em direção aos dele, pronto para olhá-lo com o mais profundo e verdadeiro arrependimento, Chanyeol se levanta. O professor havia entrado na sala de aula e, para variar — ou não, considerando que o Park é o aluno preferido de mais da metade dos docentes —, pede para que o grupo dele apresente primeiro.

 

Vê-lo ali na frente fez Baekhyun sentir uma certa nostalgia. Lembrou-se, quase que de imediato, da época desesperadora e cheia de adrenalina que fora o primeiro ano. Diferente do que muitas pessoas acham, seu coração não bateu forte de imediato por Chanyeol. Antes, ele era só mais um nome na lista de alunos destaques — Um nome bastante irritante, se quer saber a opinião do Byun de quinze anos, pois sempre estava lá, em segundo lugar, na frente do dele.

 

A primeira vez em que o viu, tendo consciência de que tratava-se do famoso segundo lugar de média impecável 9.9, Park Chanyeol, foi durante um seminário. Estava lendo o resumo que fizera algumas semanas atrás — incrivelmente grande e detalhado demais para um resumo, mas que os colegas de classe não tiveram a coragem de dizê-lo —, totalmente imerso no seu mundo da citologia, quando escutou o professor dizer o nome dele. Lembra de ter erguido os olhos, assustado, passando-os por todos os outros estudantes até chegar a ele, que levantava uma das mãos timidamente. E então o catastrófico — e quase sonoro — boom aconteceu dentro do peito.

 

Desde então, sempre inventou uma desculpa para poder ver os seminários da sala ao lado. Os professores sempre o recebiam com sorriso, afinal, tratava-se de um dos alunos que manteve o nome na lista de destaque por meses consecutivos. Não muito tempo mais tarde, descobriu que seu nome havia subido para segundo lugar porque um certo alguém encontrava dificuldades em se concentrar quando estava por perto.

 

E agora a cena se repetia mais uma vez. Talvez, até pela última vez. Seria uma história bonita e uma memória feliz, se não tivesse feito a besteira de falar sobre o baile de formatura.

 

— Bom dia, eu… — Chanyeol começou, mas sua fala e seu olhar logo se perderam, inevitavelmente indo em direção de Baekhyun.

 

Só de pensar que poderia perdê-lo por não ter tido atitude o suficiente trazia uma umidez familiar aos olhos. Francamente, sentia-se um pouco estúpido. Em seu âmago, bem sabia que estava fugindo daquele assunto por também desejar fazer um pedido formal para o baile de formatura, com direito a todo o clichê que esse tipo de ocasião costuma exigir.

 

E por que não havia o feito, então? Bem… Chanyeol é tímido, mas de uma maneira um pouco diferente, uma que exige um cuidado especial e constante.

 

Após muito esforço, ele aprendeu a guardar parte dos sintomas que costumavam a atingi-lo quando mais novo. Conseguia controlar-se ao respirar fundo, contar até cem e mais outros macetes que aprendera com a psicóloga. Com o tempo, matou mais alguns demônios ao fazer coisas que, para si, eram impossíveis, como tirar dúvidas com os professores durante as aulas. Certamente, quem conhece Chanyeol como ele é hoje em dia, não imagina a batalha árdua que trava na própria cabeça todos os dias para, simplesmente, agir como um ser humano comum sem sentir-se invalidado pelos próprios questionamentos internos.

 

A chegada do fim do ano e de seu assunto principal, o baile de formatura, trouxe à tona todas as sensações ruins novamente. Agora, era como se nunca tivesse aprendido a contorná-las, e todos os sintomas psicológicos e físicos o acometiam de uma vez só, diariamente. A falta de ar, os batimentos cardíacos audíveis e os pensamentos ruins, que quase sempre o fazia chorar. Tudo isso e mais um pouco, em uma intensidade impossível de ignorar.

 

Baekhyun, provavelmente, não tem ideia alguma sobre como Chanyeol anda se sentindo, pois, andava mencionando o assunto quase todos os dias. Ainda que isso tenha trago mais complicações do que era capaz de carregar, não sentia-se no direito de julgá-lo. Deveria ter sido corajoso e enfrentado ele, desde o início, explicado mais a fundo sobre o transtorno de ansiedade, e sobre as sensações que eventos assim despertam nele.

 

— Park? — O professor chamou-lhe a atenção, estranhando a demora que sucedeu aquela tentativa de apresentação. — Está tudo bem?

 

— Olha… Na verdade não. — Dirigiu o olhar até o chão, um reflexo imediato da pressão quase esmagadora que havia em cima do peito. Não tinha jeito, se não resolvesse aquelas questões quanto antes, seu sofrimento apenas se prolongaria. — Baekhyun, a gente precisa conversar.

 

Um silêncio mortal instalou-se na sala de aula e, segundos depois, estavam todos, incluindo o professor, virados para trás encarando o Byun. E ele? Retraiu os ombros, de olhos arregalados, mal acreditando que o namorado estava querendo ter uma DR no meio da apresentação. O calor subiu pelo pescoço e soube que estava corando. Piscou os olhos, tentando forçar-se a ter alguma reação, para não parecer tão idiota assim.

 

— Chanyeol, depois. — Foi a única coisa que se passou pela sua mente, depois. Não podiam se expor assim, em um colégio onde a grande massa era composta por pessoas heterossexuais. Seria loucura demais.

 

— Eu queria ter te chamado pro baile antes, juro que queria. — Ele prosseguiu, ignorando a súplica anterior. — Mas… Você nem notou o quanto todo esse assunto de baile de formatura tava me afetando e você é meu namorado, caralh- poxa, quis dizer, poxa. — Olhou brevemente, para o professor, que parecia mais interessado no desfecho da história do que importunado com o palavrão. — Têm sido o inferno pra mim, porque o que eu mais queria era te fazer esse pedido com direito a toda boiolagem desse mundo. Compraria girassóis, porque sei que gostou ainda mais dessas flores depois de termos visto o filme do Van Gogh, só que… Eu não consigo, você sabe. Vim com defeito de fábrica.

 

Chanyeol é dono do par de olhos mais singulares e expressivos do mundo inteirinho. Tudo o que vinha dele era indiscutivelmente honesto, cru, de certo modo. Existia um abismo de diferenças entre eles; com contrastes, no mínimo, interessantes; encontros e desencontros, uma verdadeira orquestra desorganizada que juntos, de alguma maneira, fazia algum sentido. 

 

Enquanto o mais alto era decidido e, por muitas das vezes, sincero em excesso, — quase sempre levado pelas emoções — Baekhyun era contido. As inseguranças, ele as enfiava goela abaixo, pouco importando-se nas consequências que aquelas repreendas causariam mais tarde, quando assumiam um tamanho grande o suficiente para não caber mais no peito.

 

Se antes estava triste pelo vislumbre abatido do namorado, agora que o produto final do trágico efeito borboleta estava às vistas, o chão abaixo dos pés desaparecera. Seu sempre tão doce, alegre e atencioso Chanyeol, pedia desculpas por algo que, claramente, se ausentava de culpa. Era até indecente, que ainda sentisse a vergonha queimar as bochechas e marejar os olhos. De todos os deslizes cometidos durante a relação, certamente, este fora o que deixou mais estragos. Baekhyun sabia, em seu mais profundo âmago, que não deveria ser perdoado com tanta facilidade.

 

— Meu amor. — Baekhyun acaba por dizer, esquecendo-se momentânea e propositalmente dos demais estudantes que os cercavam e da situação, que não era nada adequada para uma conversa tão delicada e íntima. — Se tem alguém que deve se desculpar, esse alguém sou eu. Você tem feito de mim o cara mais feliz do mundo e… Olha o que te dei em troca. — Tentou sorrir, mas a vista embaçou de lágrimas. Droga, acabaria chorando como um garotinho se não se controlasse. — Uma briga idiota por fins egoístas. Sei que não te mereço depois disso, mas… — Retirou os óculos e passou a palma das mãos pelas bochechas. Estava estilhaçando. — Eu amo você, mais que todos os girassóis de Van Gogh, mais do que Uma Noite Estrelada. Sei que o que nos levou até esse momento foi a droga desse baile, mas Chanyeol, você quer ir ao baile comigo?

 

Uma trilha sonora inteira de suspiros surpresos e ansiosos — majoritariamente femininos, pelos motivos mais óbvios — preencheu o ambiente. Lá na frente, apertando o último trabalho do semestre entre os dedos grandes, Chanyeol deixava algumas lágrimas solitárias caírem pelo canto dos olhos. Um sorrisinho nasceu, antes que ele deixasse o canto dos lábios esticarem em um dos sorrisos que Baekhyun costumava chamar de seu sol particular. E falando neste, ficou de pé, indo em direção do namorado ao mesmo tempo, em que ele também seguia o mesmo curso.

 

Nada nunca encaixaria tão perfeitamente quanto o abraço de Chanyeol. Se acreditasse, por ventura em algo tão fantasioso quanto o clichê das almas gêmeas, teria certeza de que já havia encontrado a sua. Nada mais podia explicar o conforto que sentia ali, nos braços dele.

 

— Quero sim. — Enfim, ele disse, beijando a bochecha de Baekhyun como estava desejando desde que o vira no início desta manhã.

 

— Sem querer interrompê-los, mas Byun, — O professor voltou a chamar atenção algum tempo depois, quando achou ser necessário apartar aquele abraço que parecia ser tão certo.  — O Park tem um seminário para nos apresentar agora.

 

Bastou isso para Baekhyun recobrar a consciência de que estavam em público. Com um sorriso nervoso e o rosto pálido em receio, sussurrou um pequeno e quase inaudível “boa sorte” e voltou tão rápido quanto podia para seu lugar. Se não tivesse abraçado Chanyeol, certamente estaria angustiado com alguns olhares nada agradáveis que recebia, vindo de alguns dos garotos. Contudo, o sentimento que irradiava de cada poro do corpo não tinha nenhuma conotação negativa. Estava tão feliz que não conseguia tirar o sorriso mínimo e bobo dos lábios, muito menos, desviar o olhar do namorado — que nesse momento, tentava se concentrar para dar início ao seminário.

 

Geralmente, ainda que não tivesse se preparado, Chanyeol saia-se bem em apresentações. Era confiante quando o assunto da vez era história, pois era a única matéria de humanas que conseguia assimilar com facilidade. Só que com Baekhyun ali, olhando-o de um jeito tão bonitinho, acabou por ficar desconcertado. Perdia-se em algumas passagens, gaguejando e tentando relembrar do que exatamente estava falando, quando sem querer deixava-se divagar em pensamentos como  “sou o cara mais sortudo desse mundo” ou “essa merda não acaba logo”, virava para os companheiros de grupo em busca das respostas, e recebia-as, claro, mas sempre atreladas a olhares fulminantes e revirar de olhos.

 

No fim, o professor achou justo que a apresentação recebesse um desastroso C menos. O conteúdo que foi mostrado era relevante, mas o desenvolvimento foi de dar dó. Chanyeol não se opôs, apenas balançou a cabeça em concordância, praticamente disparando o fundo da sala quando dissera que poderiam se sentar.

 

Dessa vez, Baekhyun não hesitou em segurar a mão de Chanyeol. Estava pouco se importando se aquele ato ofenderia a masculinidade alheia, ou se esquentaria os poucos corações que eram acometidos pela empatia. Queria só demonstrar, à maneira que conseguia naquele instante, o quanto o amava.


Notas Finais


Era uma vez uma ficwriter que começou a escrever lemon e nunca mais parou mil desculpas por isso pessoal do fluffy. Vocês podem culpar (ou agradecer) a @callmeloey que comentou um dia desses na fanfic. A fanfic dela me deu o insight que foi a principal motivação pra eu ter escrito esse neném aqui. Tô colocando esse trecho aqui no final pois aparentemente dona spir1t não deixa mais colocar agradecimentos nas notas iniciais???? tá bom né, enfim, muito obrigada a fada maravilhosa @suhomyeon por ter betado!

O que vocês acharam? Vi que gente nova dropou aqui (talvez por essa capa incrível da juniwinkle), se vocês se sentirem bem pra comentar eu adoraria saber a opinião de vocês!

a fanfic da callmeloey: https://www.spiritfanfiction.com/historia/bailes-beijos-e-byun-baekhyun-18187282
twt: shinobiddesu


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