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História Tintas, câmera e amor - Capítulo 19


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Capítulo 19 - Os fantasmas não gostam de festas


Dor. Foi a primeira palavra que Ace pensou ao abrir seus olhos. Uma dor de cabeça estupidamente dolorosa, além de sua garganta seca como se não bebesse uma gota de água há décadas. O moreno fechou os olhos tentando voltar a dormir para que assim a dor sumisse, mas não aconteceu, sua cabeça continuava martelando pela ressaca, sentiu-se irritado por ter bebido tanto a ponto de sentir-se ressaqueado no dia seguinte.

Ace resmungou e se revirou na cama, sentindo o corpo grande e quente ressonando tranquilamente ao seu lado. O moreno piscou algumas vezes até que seus olhos sonolentos e confusos pela dor de cabeça se focassem no homem loiro e bonito totalmente sem roupa ali do seu lado. As lembranças da noite anterior voltando à sua mente tão rápido quanto um foguete, o moreno sentiu a vergonha o dominar ao lembrar de como se deixara levar pela provocação de Zoro desde o primeiro instante que o esverdeado lhe dirigira a palavra, a forma como agiu motivado pelo àlcool em seu sangue, o moreno desejou poder voltar no tempo e desfazer todas as vergonhas que havia passado na festa.

O moreno engoliu em seco ao lembrar da forma que provocara o loiro durante a dança, dos olhares maliciosos, do jeito afoito em que buscou o mais velho assim que a música terminou, dos beijos e amassos no corredor e dos barulhos altos e obscenos que fizeram durante toda a noite, as lembranças eram tão constrangedoras naquele momento de sobriedade.

Ace choramingou e levou as mãos ao rosto sentindo suas bochechas cada vez mais quentes, quanto mais ele pensava naquilo mais vergonha sentia.

-Ace, você acordou? - a voz sonolenta e lenta de Marco pronunciou, os olhos azuis se abrindo vagarosamente.

-Marco, desculpa, eu te acordei? - Ace tirou as mãos do rosto e virou o corpo para ficar de frente para o loiro.

-Uhum, mas não tem problema, estar acordado ao seu lado é muito melhor do que dormir - comentou o loiro acariciando as bochechas coradas do moreno e observando a expressão constrangida e arrependida - está pensando no que?

-Desculpa por ontem, eu não deveria ter agido daquela forma - desculpou-se o moreno enfiando o rosto no peitoral do loiro, pelo constrangimento não queria olhar para os olhos do loiro - eu fui tão promiscuo, eu, me desculpe, não deveria ter agido como uma vadia... - Ace travou ao ouvir a palavra morrer em seus lábios, um gosto amargo dominando sua boca por completo e preenchendo sua mente com sensações ruins e devastadoras.

Conseguia ouvir a voz grave ecooando por traz daquela palavra que ouvira tantas e tantas vezes, sempre acompanhada de um olhar severo e decepcionado, podia ouvir as broncas e gritos no carro, a dor em seus pulsos e braços por ter sido arrastado para fora do local com certa violência. Ace sentiu os olhos marejarem, não queria decepcionar Marco também, mostrando aquele seu lado problemático de um jovem imprudente sem muitas perspectivas, além de aproveitar cada segundo.

O som alto preenchia o enorme local, o cheiro de álcool impregnado no ar. Ace dançava animadamente ao lado de Bonney e Kid, os três aproveitavam a festa como sempre faziam desde que haviam atingido a maioridade: com muitas bebidas e dançando até os pés doerem.

Bonney riu alto quando seu melhor amigo de sardas virou a bunda para si e rebolou de forma desengonçada, a rosada deu um leve tapa na região ouvindo o moreno gargalhar, ambos se conheciam há tanto tempo e passaram por tantas coisas que aquelas brincadeiras se tornaram comuns e sem intenções de passar disso.

Kid ofereceu o copo de vodka para o moreno que aceitou sem questionar sentindo o líquido queimar e aquecer seu interior, o alegrando e entorpecendo mais ainda, era tão bom aquela sensação de alegria plena, se divertindo como sempre fizera com seus dois melhores amigos, não havia nada naquele momento que pudesse estragar aquela felicidade. Os três dançavam animados ao som ritmado e sensual da música, estavam entretidos naquilo, se divertindo como bons amigos em uma festa.

O moreno sentiu mãos em sua cintura o puxando contra o corpo de outra pessoa e lábios molhados tocando seu pescoço, Ace se assustou pelo contato úmido em sua pele, se afastou cambaleante virando o corpo na direção em que estava a pessoa e acabou batendo contra Kid que o segurou pelos ombros, amparando o moreno para que não caisse.

-Você está bem? - perguntou o ruivo se aproximando da orelha de Ace para que o moreno o escutasse no meio do som e do barulho da balada.

-Estou - respondeu o moreno, seus olhos observando o homem que tocara em si se afastar ao ver que o de sardas estava acompanhado.

Poucos minutos depois, a situação havia sido apagada da mente do moreno e ele dançava animado entre os amigos, a mente envolvida pelas sensações boas que estar ali naquele momento lhe causavam. Ace rebolava de forma engraçada fazendo os amigos rirem quando sentiu um aperto em seu braço, forte e doloroso, o moreno ergueu o olhar encontrando Akainu ali parado, Ace sentiu um arrepio percorrer seu corpo com o olhar gélido e duro sobre si. Seu corpo foi puxado para longe dos dois amigos que tentaram trazê-lo de volta, mas a multidão se movendo de um lado para o outro os prendeu no meio do caminho.

-O que pensa que está fazendo, Ace? - perguntou o mais velho após praticamente jogar Ace no banco do passageiro que pelo choque da situação se manteve em silêncio tentando compreender o que acontecia - vamos, me responda.

-E-eu - Ace engoliu em seco levando sua mão até a região em que Akainu o segurara sentindo a dor em sua pele, sentindo o medo desabrochar em seu peito ao ver e ouvir aquele homem que amava o tratar tão bruscamente.

-Que merda, Ace, você sabe o que teria acontecido se eu não chegasse para te salvar? - a pergunta foi praticamente cuspida contra o moreno que encolheu o próprio corpo contra o banco abaixando o rosto.

-Você não precisa me salvar, eu estava bem lá - comentou o moreno em um tom baixo e submisso se odiando por estar agindo de forma tão fraca, mas não tinha forças o suficiente para agir de outra forma, estava assustado, com medo, com receio e desesperado, tentando se agarrar ao máximo para não jogar aquele relacionamento que tanto quis fora.

-Estava bem? Não me faça rir, Ace, ou por acaso é disso que você gosta? Ficar rebolando como uma vadia para seus "amigos" para conseguir foder com eles?

-Do que está falando? Eu não fiz isso, eu não... - a voz embargada do moreno começou a falhar, os olhos ardendo pelas lágrimas e o coração doendo apertado em seu peito.

-Não minta pra mim, Ace, você acha que eu sou cego? Que eu sou estúpido? Acha que eu não sei que você já se envolveu com aquela garota? E aquele ruivo, acha que eu não sei que você já fodeu com ele? Porra, Ace, você não pode simplesmente parar com isso? - Ace viu o mais velho ligar o carro e dirigir pelas ruas pouco movimentadas - sabe, Ace, eu só quero o seu bem, quero te proteger daquelas pessoas que só querem se aproveitar de você, que querem te deixar bêbado para fazerem o que bem entendem com o seu corpo, você precisa abrir seus olhos e aceitar a realidade.

-Ace, Ace, fala comigo - chamou Marco passando a mão em frente ao rosto de Ace que estava olhando sem realmente ver o que estava em sua frente.

O moreno sentiu as lágrimas escorrerem por seus olhos e abraçou os próprios braços encolhendo o corpo de forma protetora. Marco sentiu seu coração apertar ao ver a forma como Ace parecia assustado, triste e com dor, era tão doloroso ver o rapaz animado e extrovertido da noite anterior naquele estado completamente oposto. O loiro envolveu o moreno em seus braços o puxando para si deixando que o moreno chorasse contra seu corpo até se cansar e expurgar tudo que sentia.

Aos poucos o moreno foi se acalmando sentindo o calor reconfortante do copo alheio, deixou seus braços relaxarem e passarem pela cintura do maior se aninhando contra o outro, sentindo seu cheiro que parecia ter um efeito calmante no moreno.

-Você está melhor? - a voz calma e tranquila do mais velho trouxe Ace totalmente para a realidade e o moreno ergueu o olhar vendo os olhos azulados emanando preocupação e carinho.

-Estou, me desculpe por isso e por ontem, por agir daquela forma, não queria te decepcionar ou te deixar bravo ou...

-Ace, pare com isso, não quero que se desculpe por se divertir com seus amigos ou por qualquer outra coisa que tenha te feito achar que eu ficaria decepcionado ou bravo com você - Marco afagou gentilmente a bochecha alheia com o polegar secando uma última lágrima teimosa que escorrera pelo rosto do mais novo - vem cá, por que não me conta o que te fez pensar isso? - falou o loiro se sentando na cama e abrindo os braços para que o moreno se encaixasse ali.

Ace se sentou também e se aninhou no colo do loiro, sua cabeça latejando mais dolorosamente pela ressaca misturada as lembranças dolorosas e seus sentimentos conturbados em seu peito. O moreno falou sobre tudo, contou sobre como conhecera aquele homem, como se apaixonou e o amou tão intensamente, como aos poucos as coisas tomaram outros rumos, as brigas, os ciúmes, a forma como ele o fez se afastar lentamente de seus amigos e ficar totalmente dependente dele, de como tudo se tornava culpa do moreno por agir de determinada maneira, e como ele fazia tudo parecer que o fazia por amor, para protegê-lo e cuidá-lo, a forma como tudo só era resolvido após o moreno praticamente implorar por perdão, até fazer e agir conforme ele queria até o momento em que não mais conseguia se reconhecer como Ace ao se olhar no espelho, como aquele um ano e meio de relacionamento o corroeu a ponto de ser apenas um quebra-cabeça mal montado e com peças faltando.

Marco ouviu tudo em silêncio, apenas mantendo alguns carinhos e incentivando o moreno a continuar quando via a dúvida, a incerteza e o receio transparecerem em seu rosto. Deixou que o moreno chorasse contra seu peito novamente o amparando e acolhendo em seu abraço.

Ace deixou seu corpo se apoiar exausto no peitoral alheio, estava cansado e dolorido, a ressaca se misturada com as memórias dolorosas fazia sua cabeça pulsar e latejar na mais pura dor.

-Ace, eu sinto muito por tudo o que você passou - disse o loiro depois de alguns minutos em silêncio - eu sei que você sabe disso, mas seu ex era um completo manipulador abusivo e tudo o que ele disse sobre você, sobre o que sentia, saiba que ele estava totalmente errado, ele não te amava como você o amava, ele não te via como uma pessoa com sentimentos e vontades, você sabe disso, não sabe? Eu sei que em algum momento você percebeu que ele te tratava como se fosse seu dono, como se você fosse um pertence que ele podia mandar e desmandar, e sei que mesmo que você diga e aja muitas vezes como se tivesse superado ainda há coisas que vão voltar a sua mente, seja por algo que aconteceu parecido, ou contextos semelhantes, um relacionamento desses deixa marcas profundas que nem sempre são curadas com o tempo, cicatrizes que sempre vão estar lá para te lembrar do que aconteceu e não tem problema se lembrar delas, é um processo natural para aceitar e conviver com o passado, você não precisa esquecer seu eu do passado, nem culpá-lo ou se culpar, você só tem que aceitar que aquele Ace também faz parte do Ace de agora e que não há problema nenhum nisso, não há culpa nenhuma em ser quem você é, você pode ser uma pessoa festeira, sair e beber com seus amigos, ser forte ou frágil, você pode ser o que você quiser, as pessoas que te amam, que se importam com você, vão te aceitar do jeito que você é sem querer te mudar ou mandar no que você deve ou não fazer.

Ace assentiu, a voz séria e profunda do loiro invadindo e percorrendo todo seu corpo tocando e acariciando cada ferida deixada, cada cicatriz. O moreno soltou lentamente o ar que nem ao menos havia reparado quando o prendera e se deixou ser amparado e cuidado pelo loiro.

-Não quero que pense que eu serei igual, Ace, apesar de ser mais velho que você assim como ele era, eu não quero nunca te fazer se sentir assim, quero te fazer sentir bem comigo e consigo mesmo, eu estou disposto a te provar que pode confiar em mim, que eu não vou te machucar, nem querer te dominar - Marco apertou um pouco mais o abraço e beijou suavemente o topo da cabeça do moreno - Ace, eu agradeço por ter confiado em mim a ponto de se abrir e contar sobre seus traumas e suas feridas. Eu gostaria de te pedir um favor.

Ace engoliu em seco, o receio e o medo dominando seu corpo, sua mente lhe envolvendo em pensamentos ruins sobre o pedido que o loiro queria lhe fazer, estava com medo de ter que se afastar, de ser deixado, mas no fim assentiu para que Marco continuasse.

-Deixe-me cuidar de você, cuidar de suas feridas e te mostrar como você merece ser amado, Ace, como a pedra mais preciosa e valiosa do mundo todo - Marco entrelaçou seus dedos aos do moreno puxando a mão alheia até tocar seus lábios em um beijo gentil.

-Marco... Você não... Mesmo depois de saber sobre mim e Bonney, sobre Kid, você ainda quer estar ao meu lado?

-Ace, seus relacionamentos passados não afetam nem um pouco minha visão sobre você, nem a confiança que eu sinto ao olhar pra você, se afetassem em algo não teria continuado com você depois do que seu irmão disse aquela vez - Marco deu um beijo na ponta do nariz do moreno antes de prosseguir - eles são seus amigos agora, e são pessoas importantes pra você, eu seria um completo idiota por não te querer pelo simples fato de que você tem pessoas que gostam e se importam com você ao seu lado.

Ace sentiu seu corpo inteiro se aquecer, o loiro parecia saber exatamente o que falar para acalmá-lo, para derretê-lo completamente e fazê-lo acreditar em cada palavra dita, em cada olhar e toque gentil, cada pequena demonstração de confiança faziam as pequenas peças mal colocadas em seu interior se encaixarem. A dor das lembranças sendo substituídas pela calorosa sensação de ser aceito e acolhido.

Os dois permaneceram ali sentados na cama do moreno trocando pequenos afagos e beijos até que a coragem de sair daquela bolha que os dois construiram durante a conversa chegasse e os fizesse sair do quarto.

Ace só se levantou quando a fome se fez presente e sua barriga roncou ruidosamente o fazendo rir constrangido, o que também fez o loiro rir, o moreno pegou as roupas espalhadas pelo quarto e se vestiu. Marco permaneceu um tempo sentado apenas observando o moreno andar pelado pelo quarto pegando as roupas pelo chão, só quando o moreno estava totalmente vestido se moveu para se vestir também.

Os dois desceram para a cozinha sentindo o cheiro delicioso do almoço. Sanji se assustou e deu um tapa na mão do moreno de sardas quando ele tentou sorrateiramente roubar um dos pedaços de carne.

-Logo fica pronto, vai para a sala esperar o almoço - resmungou o loiro apontando para a saída da cozinha - já não basta o Luffy também tem outro irmão ladrão.

Ace mostrou a língua para o loiro e rapidamente pegou um pedaço e saiu correndo para a sala, puxando Marco consigo e ouvindo os xingos e broncas do loiro cozinheiro.

O moreno chegou na sala onde alguns dos amigos ainda permaneciam conversando sentados no sofá e no chão. Ace cumprimentou a todos com um enorme sorriso e se juntou as conversas animadas.

-Law, já foi embora? - perguntou Marco ao notar que Luffy estava ali, mas Law não.

-Ele disse que não conseguiu dormir por causa de uns barulhos estranhos de madrugada e tá dormindo agora de manhã - comentou Luffy.

-Barulhos? - Ace sentiu as bochechas ficarem avermelhadas ao notar quais eram os barulhos que Law ouvira.

-Eu não ouvi nada - disse o moreno mais novo dando de ombros.

-É claro que não, você dorme que nem uma pedra, parece que morreu - comentou Nami contando algumas notas que Usopp passava para a ruiva.

-Que isso? Tá cheia da grana - falou Ace olhando para a ruiva que deu um sorriso presunçoso.

-Se quiser eu posso te emprestar com juros.

-Não, obrigado, prefiro ficar com o nome sujo no serasa do que dever pra você.

-Mas conta ai, Nami, como conseguiu essa grana da noite pro dia? - perguntou Kid.

-Venci umas apostas do Usopp, né Zoro?

-Quê? Que que eu tenho a ver com isso?

-Vou te dar uma parte já que você foi o responsável por me fazer ganhar - avisou a ruiva dando uma nota de 2 reais para o esverdeado.

-Quê? Só isso? Vai a merda, bruxa gananciosa.

-Olha ai, a gente tenta fazer a caridade e o bem ao próximo e sua boa ação é recebida dessa forma, pode devolver então - a ruiva pegou a nota de volta guardando no bolso.

-O que vocês apostaram? - questionou Ace levemente curioso.

-Você não gostaria de saber, mas para acalmar sua curiosidade tem a ver com os barulhos de ontem a noite.

Ace virou o rosto envergonhado para o lado, sentindo seu rosto queimar cada vez mais.

-O que eram os barulhos de ontem a noite? - perguntou Luffy curioso.

-E-era o Gasparzinho, ele não gosta de festa então ele ficou fazendo barulhos para acabar com a bagunça.

-Ah, entendi, achei que fantasmas gostassem de festas.

A resposta de Luffy fez todo mundo rir e recomeçar as conversas. Ace suspirou olhando de soslaio para Marco que retribuiu com um pequeno sorriso malicioso. O Gasparzinho talvez fizesse mais barulhos naquela noite.



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