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História Titanic - Capítulo 1


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Notas do Autor


Há muitos gatilhos. Nada relatado aqui é considerado real, a não ser que você acredite. As personalidades e histórias dos personagens me pertencem. Sim, rachas são ilegais e eu tenho consciência disso. Apenas entretenimento. Não incentivo a nenhum dos atos que serão citados. Obrigada por dar uma chance, vai valer a pena. Não se esqueça do ritual de iniciação: favoritar e comentar.

PLAYLIST, TRAILER E WATTPAD. Estão nas notas finais. <3

(Se passa em Seul e Busan, tomei a iniciativa de adicionar e retirar alguns espaços geográficos).

Aperte o cinto e bem vindo a Titanic.

Capítulo 1 - Das docas aos drifts.


Fanfic / Fanfiction Titanic - Capítulo 1 - Das docas aos drifts.

Busan 21:30. 


A noite era banhada por estrelas, tão brilhantes quanto vagalumes e tão quentes como o fogo. Um Koenigsegg Agera prata que refletia as luzes em sua lataria fina rasgou a avenida como uma faca bem afiada, a 220 km/h deixou apenas a fumaça, os pedestres aflitos e a polícia desesperada para trás. O Corredor escutava a sirene estridente em seus ouvidos, como gritos de criança, todavia não parou, aumentou o volume do som e focou seu olhar selvagem para a rua. Bons metros atrás o carro de polícia gemia e tentava alcançá-lo, mas era nítido que não iria conseguir. Não era a toa que eram chamados pejorativamente de Corredores. 

Naquela longa avenida havia uma pizzaria com drive thru, uma construção quadrada e vermelha, com uma pizza gigante feita de acrílico e mais ao fundo a rua estava congestionada, carros domésticos piscavam e buzinavam, era a caótica Busan como sempre fora. O Corredor pensou rápido e entrou na primeira rua à direita, uma onde um poste oscilava sua luz branca, o asfalto tinha buracos e desníveis. Uma residência com uma placa de "vende-se" possuía um quintal grande, com o mato crescendo e naquele momento deveria ter mais de trinta centímetros, foi ali mesmo onde escondeu o Koenigsegg Agera prata e brilhante como a lua. Tirou o pen drive e desligou todas as luzes, internas e externas, olhou no retrovisor esperando o carro da polícia ir de encontro ao congestionamento. O poste piscava irritantemente. Luz, escuridão. Luz, escuridão. O rapaz se olhou no espelho e abriu o porta-luvas e tirou de lá uma bandana vermelha com detalhes em branco, prendeu seus fios longos para trás como se fossem selvagens, contendo-os. Colocou o capuz preto do moletom onde um retângulo com a marca 'Supreme estava pintado. Ele saiu do carro de cabeça baixa, porém seu jeito de andar, inclinando o corpo como se estivesse com dor, era conhecido dos policiais. 

Na quadra seguinte, um Mustang 1999 azul escuro estava em ponto morto, ao lado da luz forte do drive thru da pizzaria Cheese. Dentro dele Bae tentava finalizar suas anotações, um livro grosso acadêmico, exemplar que emprestou da biblioteca na manhã daquele dia, com o indicador esquerdo seguia as linhas cheias de informação e com a mão direita transpassava-as para o caderno sobre o banco de couro do passageiro. Um cheiro de pinheiro inundava o carro, tão enjoativo que Bae sempre deixava as janelas abertas. Seu pai enviava o carro para lavagem duas vezes por mês, um exagero na opinião dela, mas sua opinião não importava. No rádio tocava alguma melodia lenta e baixinha, bem relaxante para estudar e de vez em quando buzinas soavam não muito longe, naquele cruzamento que sempre dava problema. 

Os cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo apressado e alguns fios mais curtos por causa do corte escapavam. 

— Bae Joo-Hyun? — o atendente da pizzaria chamou paciente, segurando a caixa grande na mão. Ele tinha olhos cansados mas o estabelecimento estava longe de fechar.

Bae voltou a realidade e fechou os livros, fez uma pilha e os colocou gentilmente no banco traseiro. Alguns outros livros, um casaco e uma almofada também repousavam ali. Se esticou pela janela e alcançou a pizza, com um sorriso pequeno e amigável, a garota entregou a nota para o atendente, ele se virou e calculou o troco. Bae deixou a pizza no banco do passageiro. Ele devolveu outras três notas, bagunçadas e amassadas. 

— Obrigada por pedir no Cheese, volte sempre! — o rapaz comentou mecânico e se virou fechando o vidro que o separava da noite amena. 

Foi nesse momento que tudo começou a virar de ponta cabeça na vida de Bae Joo-Hyun. Um homem encapuzado abriu a porta do passageiro, tirou a pizza e sentou-se. A garota travou no volante, seus olhos miraram o cara mas não sabia o que fazer. Seus pais e sua irmã esperavam-na em casa, já havia sido uma guerra para o pai deixá-la dirigir alguns quilômetros para comprar o jantar, ela não sabia como reagir. Parecia estar presa em um transe que durou alguns segundos mas demoraram para passar. 

— Eu não tenho dinheiro, eu posso te dar o carro… — começou nervosa, os nós dos dedos estavam esbranquiçados pela força com que agarrava o volante. 

Se controlava para não chorar, o rapaz tirou o capuz e riu, olhando-a com muita diversão. 

— Não vou te assaltar, gata. — advertiu como se fosse óbvio e abriu um sorriso matador. 

Bae não conseguia entender. Era sorte ou azar? 

— Não é um ladrão? — apontou confusa, então o que ele estava fazendo ali? No carro dela? 

— Não. — assegurou e deixou a cabeça cair de lado, analisando-a. Os cabelos dele balançaram como se houvesse uma brisa forte. Um sorriso travesso consumiu seus lábios. — sou pior que isso, sou um Corredor e preciso da sua ajuda. — franziu as sobrancelhas em um pedido mudo. 

Bae soltou as mãos do volante como se a cola tivesse vencido e deixou-as caírem na coxa, olhou para seus dedos, sentindo-se estranha. Alguma coisa que comera não tinha feito bem e agora estava com dor de barriga. Nunca estivera com um Corredor, seu pai e a polícia os taxavam como monstros, abomináveis. Sempre achou que quando visse um na televisão sendo preso, iria ver em seu rosto, estaria escrito que era corredor e aquele garoto impaciente ao seu lado era jovem e bonito, passaria facilmente por um estudante de relações públicas. 

O rádio começou a tocar um tipo de música diferente, um rap americano, Bae não tinha certeza e então voltou a olhá-lo. O garoto encarava a gambiarra para pen drive que o pai fizera, parecia muito curioso. 

— Como fizeram isso? — perguntou e riu. Era só um garoto. Bae estava encantada com a normalidade dele. O riso fofo, os olhinhos pequenininhos, os lábios em formato de coração. Não era um goblin. — parece pronto para dar um choque. — comentou baixo e a olhou. O poste ali perto piscou novamente. 

Os dois se encararam e ele abriu um sorriso sem graça, de repente se tocando que entrara no carro de uma completa estranha e bonita. Bae mudou marcha e deu ré. O rapaz sorriu aliviado. Explicou o caminho para ela. A garota não estava realmente o escutando. Seus batimentos ecoavam nos ouvidos e a garganta estava seca. 

Estavam indo em direção às docas, que ficavam ao sul do templo de Jangansan, era uma vista linda. Ele batucava a música na caixa de pizza. 

— Também tenho um Mustang, mas ele é de 67. Eu conservei bastante, pintei a lataria de dourado e o capô de preto. — contou orgulhoso. Bae suspirou e forçou um sorriso. — não consegue dirigir mais rápido? 

— Por que você não dirige? — Ela soluçou e parou o carro abruptamente. Os dois foram jogados para frente.

O rapaz arregalou os olhos e a observou sair do veículo. Eles trocaram de lugar. Ele passou a mão pela capa de couro do volante, então pelo painel que parecia ter sido intocado. Bae colocou a caixa de pizza no banco de trás, já deveria ter resfriado. 

— Que cheiro horrível! — franziu as narinas e Bae riu anasalado. 

— Sempre falo isso. — sussurrou e colocou o cinto. O rapaz a encarou pelo canto do olho. 

O resto do caminho era praticamente uma reta, à esquerda o mar violento por causa das pedras e à direita a cidade violenta por causa de tantas pessoas. Quanto mais para o centro sul iam, mas entravam na parte suja, como Bae escutava o pai falar. As casas eram antigas e algumas de madeira, com quintais pequenos e a maioria com cercas pequenas e enferrujadas. O rapaz pisou no acelerador e o carro voou, chegou aos 100 km/h e a garota apertou as unhas no banco, o nervosismo bateu na garganta e seu estômago quis se revirar. O garoto colocou o braço para fora e acompanhou a melodia. Livre. Como um pássaro. Suave. Contra o mundo. Irreal. Bae o observou, os ombros soltos e livres, não cantava bem mas parecia tão seguro de si que se transformava em um cantor incrível. Estava tão ocupada em invejar sua liberdade que não percebeu quando estacionou em uma casa de garagem lateral e desceu, levando suas chaves. Bae abriu a boca mas não sabia como chamá-lo. 

O rapaz caminhou para a música e sorriu para as pessoas que estavam ali. Cervejas estavam dispostas em um balde cheio de gelo sobre uma mesa. As caixas de som estouravam o mesmo tipo de música que tinha no pen drive.

— De quem é aquele carro? — um rapaz questionou curioso, olhando por cima do ombro dele. Não se dignou a responder apenas deu de ombros. — Achamos que tivesse sido pego JungKook! O Koenigsegg está bem? — perguntou de novo. 

— Relaxa… Está do jeito que Deus me deu. 

— Emprestou! — uma garota alta de cabelos loiros corrigiu e deu um tapa na testa dele. 

JungKook fez biquinho e alisou a testa.

No Mustang 1999 azul Bae Joo-Hyun tomava coragem para ir até ele e pedir as chaves do carro. Ao mesmo tempo não queria ir embora, o que diria para o pai? Por que se atrasou tanto Bae? 

Inspirou profundamente, ficando com raiva do garoto. Ele havia ferrado com ela, poderia ter entrado no carro de qualquer outra pessoa. Saiu do veículo e bateu os tênis até perto dele. Estava com medo, mas não sabia do que exatamente. Uma garota a viu e acenou com o queixo. JungKook olhou por cima do ombro e franziu as sobrancelhas confuso. A bandana começava a ficar frouxa e os cabelos estavam mais ferozes. 

— Não foi embora? — indagou.

Os lábios de Bae tremeram de nervosismo e uma ruguinha surgiu na testa. Apontou constrangida para as chaves. JungKook riu e revirou os olhos, zombando da própria burrice. Se aproximou cauteloso, ela pegou-as da mão dele e andou apressada para o carro. O garoto a seguiu e se debruçou na janela. 

— Vou te denunciar. — Bae murmurou, olhando fixa para o volante. JungKook riu anasalado e se aproximou mais, levando os lábios para perto do ouvido dela. 

— Não vai. Você quer me ver de novo. — avisou convencido e passou a mão esquerda pelos fios castanho escuros e encaracolados. 

Bae Joo-Hyun virou o rosto e os olhos se encontraram. Algum tipo de faísca passou como um choque, arrepiou o braço de Bae e subiu pelo pescoço. Ele arqueou uma sobrancelha em desafio e ela mordeu o canto da bochecha. Como eles poderiam ser tão normais? Eram Corredores, droga. Desviou o olhar e ligou o carro. 



Seul; 00:30. 


O racha estava quase no fim. A pista improvisada era maltratada pelos pneus. O céu estrelado servia como a luz para os motoristas. O Dodge Dart 1968 restaurado fez um longo drift em uma das últimas curvas, ultrapassando um jetta rebaixado e levantando poeira. Os vidros eram escuros e a lataria roxa metálica refletia as luzes coloridas. A plateia pequena, cerca de 20 pessoas gritaram, torcendo pela corredora. Lalisa Manoban não tirava os olhos castanhos determinados da pista e do retrovisor. A reta de off-road se aproximava. O escapamento rangeu quando pisou no acelerador e soltou fumaça e fogo. O gps indicava o adversário 10 metros a frente e a curva da chegada, Lalisa sorriu convencida e apertou o botão do nitro. O motor uivou e a inércia a fez grudar no banco, seus braços aguentaram o tranco da estrada. Não pensava nela, pensava em por que fazia aquilo e em como iria ganhar. O camaro preto ao seu lado esquerdo brigava loucamente contra si. A curva estava logo ali. Ela sabia o que fazer, fechou a curva impossibilitando o outro motorista de seguir e ele pisou no freio desesperado, Lisa não moveu um músculo fácil, jogou todo o volante para a direita em sentido horário e fez um drift debochado e passou a linha de chegada. Se tivesse colocado um nitro mais potente poderia ter feito melhor, contudo deixar as contas do hospital — quase — em dia era a prioridade no momento. Gritos soaram por todos os lados e Lalisa saiu do carro. Seu cabelo cinza recebeu todas as luzes néon em um banho de cores. 

Na Lamborghini em frente a linha de chegada, onde os patrocinadores e pessoas "importantes" estacionavam, Jackson Wang não tirou os olhos dela. 

— Quem é ela? — indagou sem desviar o olhar. O cabelo castanho avermelhado dele era cortado em estilo undercut. 

— A novata, Lalisa Manoban. — respondeu o homem ao seu lado e desbloqueou o tablet, pegando a ficha de corredora. — 26 anos. Tem alguns prêmios em Incheon. Uma passagem pela polícia. 

— Preciso do endereço dela. — disse e então encarou o passageiro que assentiu. 

Jackson fechou o moletom vermelho com detalhes dourados e colocou o boné. 

— Acha que ela serve, Wang? — questionou curioso e observou a garota magra e sorridente a alguns metros. 

— Era ela quem eu estava esperando. — concluiu e abriu a porta da Lamborghini. 




Notas Finais


Link do TRAILER: https://youtu.be/H0kDuXAMkcM

Link da PLAYLIST: http://www.deezer.com/playlist/6797522884

Link do WATTPAD: https://my.w.tt/BYrMzMLyX4

~destiny 🌆


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