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História TITÃS - Capítulo 17


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Notas do Autor


Hey safadinhos! Tudo bom com vocês? Espero que sim!

Algum de vocês assistiu a obra magnífica do Snyder's Cut? Se sim, me contem o que acharam! Adoraria debater sobre o filme!

Trouxe para vocês o presentinho que vem dentro do ovo de páscoa de 100 R$, afinal, a semana é santa, mas eu não!

O capítulo de hoje é o que muitos de vocês tanto esperaram: finalmente nossa princesinha demônio tem seu primeiro ato poderoso, ainda que não saiba muito sobre isso! Espero que se divirtam com a leitura e me contem o que estão achando da leitura até agora, quais suas expectativas/teorias!

Ah, eu ia quase me esquecendo! Leiam as notas finais, lá deixei um presentinho para vocês hehe S2

Capítulo 17 - 16. Quem quer uma bala?


Gotham City, 28 de Novembro

10:15 a.m.

Academia Gotham.

 

A noite não foi o que Leo tinha planejado. Até certo ponto, foi perfeito: ele e Alex deitados no sofá debaixo do cobertor, trocando carícias enquanto um filme qualquer passava na televisão, e então, por volta da meia noite e quinze, o transportador fez seu típico som de quando alguém estava chegando e eles se assustaram. Rapidamente vestiram as peças de roupa que já tinham tirado e então foram juntos e furtivamente até a sala de treinamento, onde encontraram com um Kaldur’ahm desolado, chorando como uma criança e precisando de colo. 

Quando Alexandra olhou para ele depois de abraçar o atlanti que ainda chorava copiosamente no chão, ele soube que deveria ir embora, e assim o fez depois de ajudar a princesa a arrumar o quarto do atlanti e dar um banho nele para que ele se acalmasse. Pelo menos a encontraria hoje na escola, no entanto, todas as aulas dele antes do intervalo eram sem ela, e agora ele a procurava, um pouco difícil em meio a confusão que era o intervalo somado com a neve do fim de novembro e a ventania costumeira de Gotham.

Anitta Hayes, por outro lado, estava muito feliz, apesar do clima. O intervalo era o momento em que encontrava com seu mais novo protegido, Jayme Reyes. É verdade, no início, ela achou que cuidar do menino fosse ser um fardo, mas conforme os dias foram se passando, Jaime se mostrou um rapaz muito engraçado e atencioso com ela, muito mais que seu namorado, Thimothy Eaton, que preferia passar o intervalo na companhia dos meninos do time de basquete da escola, se vangloriando por sei lá o que. A morena finalmente encontrou o texano sentado num dos bancos cobertos em frente a fonte que havia no meio do pátio da escola, lendo avidamente um livro com uma cara de quem não estava entendendo nada.

— Hey, Reyes — Disse ela se sentando ao lado dele com um belo sorriso.

— Hey, Hayes — Respondeu ele com o mesmo cumprimento, coisa que os dois já tinham combinado, a primeira piada interna dos dois. 

— O que está fazendo? — Perguntou Anitta. 

— Eu vou ter uma prova de literatura sobre O apanhador no campo de centeio depois do intervalo, só não estou entendendo nada e tentei ler de novo para ver se algo mudava, mas continua sendo grego pra mim — Respondeu o rapaz.

— Quem é seu professor de literatura?

— Sr. Linkon — Respondeu após um suspiro e Anitta soltou uma risada. 

— Só marque todas as letras A. 

— Como você…? — Perguntou o rapaz.

— Eu tive aula com ele no segundo ano, e ele só faz provas alternativas e respostas são sempre letra A. Confia em mim, Reyes, quando foi que te meti em problemas? — Perguntou a menina.

— Bem, nunca. — Respondeu sorrindo.

Do outro lado do pátio, Bárbara, Dick e Lexie se encontravam, esperando por Leo, enquanto isso, a menina explicava o que tinha acontecido com Kaldur’ahm e como foi difícil deixá-lo durante a manhã para ir para a escola, mas ela prometeu a ele que voltaria assim que possível. Dick e Bárbara ouviam com atenção, os dois muito surpresos. Kaldur era um cara muito tranquilo, dificilmente expressava suas dores, e agora, eles sabiam que ele carregara sozinho por muito tempo a suspeita - agora, certeza - do fratricídio da mãe, e agora, desabara. 

Leo rapidamente os encontrou e confirmou tudo o que a princesa dissera.

A alguns quarteirões de distância, um prédio em construção havia sido invadido minutos antes, e no 23° andar, um atirador de elite como nenhum outro estava posicionado, mirando em sua vítima. Ou pelo menos, a primeira delas.

— Eu juro! Não há guacamole melhor que o da minha mãe, não importa quantos restaurantes chiques você tenha frequentado, Hayes — Dizia Jaime quando um impulso que ele sabia vir do escaravelho fundido a sua coluna cervical o fez empurrar Anitta do banco e cair com ela. Um tiro ecoou, alto e claro, e por pouco não atingiu a menina na cabeça. 

Por alguns milésimos de segundo, Anitta ficou estática, olhando para a imensidão castanha que eram os olhos de Jaime e ele olhando para os verdes olhos dela, os corações de ambos batendo mais rápido que pudessem pensar, e então, Anitta empurrou o menino para o lado e gritou para que todos no pátio tivessem certeza.

— Atirador! — Gritou com todo o seu pulmão e então o pânico se instaurou. 

O quarteto a poucos metros de distância se entreolhou e logo começaram a conduzir, rapidamente, os alunos para dentro do prédio, principalmente os mais jovens. O atirador já tinha dado seu terceiro tiro, que iria atingir Leo, mas Alex, graças aos deuses, estava por perto e de braceletes, o que fez o tiro ricochetear. Por sorte, não atingiu ninguém. 

Todos os alunos corriam para dentro dos prédios e na confusão, Anitta e Jaime se separaram. A menina já estava do lado de dentro, mas o rapaz, perdido, ainda procurava por ela quando se chocou com a princesa de Themyscira. 

— Vá para dentro, Jaime! — Gritou Alex apontando para as portas que eram seguradas por Bárbara e Leo.

— Mas eu quero ajudar!

— Eu sei, mas acredite em mim, você é mais útil lá dentro, a salvo, que aqui com um alvo nas costas! — Exclamou a princesa enquanto desviava uma bala que estava prestes a atingir o ombro de Jaime - embora ele soubesse que se isso acontecesse, se recuperaria rápido graças ao escaravelho - e ela falou de uma maneira como se soubesse do segredo do rapaz, o que o fez assentir e correr para dentro, encontrando-se com sua amiga pouco tempo depois. 

Seis tiros, um intervalo de 30 segundos entre cada um, nenhum fatal. Dois tiros provavelmente presos em paredes de pedra, três ricocheteados pelos braceletes da princesa, um atingiu de raspão um aluno do primeiro ano, mas nada grave. Lexie olhou em volta, primeiro no pátio, nenhum aluno parecia estar lá fora, até que se virou e viu Dick de pé no meio de uma área de campo aberto.

— Está tentando levar um tiro, Dick? — Perguntou enquanto corria até ele na esperança de removê-lo de lá antes que o atirador resolvesse tentar mais uma vez.

— Exatamente — Sussurrou o rapaz Grayson enquanto olhava para os prédios à sua volta, tentando encontrar o tal atirador. 

O último tiro ecoou quando, felizmente, Lexie estava perto o suficiente de Dick para fazer o mesmo ricochetear. Infelizmente, o menino prodígio era teimoso feito uma mula e conseguiu o que queria. Lexie já podia ouvir o som das sirenes de polícia e ambulância. Contou mais trinta segundos enquanto arrastava Dick para longe do campo aberto. Nada. O atirador tinha ido embora. 

 

Traverse City, 29 de Novembro

06:23 a.m. 

Casa de Angela Roth.

 

“... o herdeiro das empresas Wayne, Richard John Grayson-Wayne teve alta do hospital essa manhã e foi visto saindo acompanhado de seu pai, Bruce Wayne, o mordomo da família, Alfred, e sua grande amiga, a princesa Alexandra Prince, que estava presente no local quando o rapaz foi atingido. Para aqueles que ligaram suas televisões agora, vamos recapitular. Ontem, dia 28-11-2020, a Academia Gotham, escola conhecida por sua excelência e capacidade de formar gênios, foi vítima de um violento atentado a tiros, mas que não deixou nenhuma vítima fatal…”

— Rachel! — Angela gritou por sua filha do andar de baixo da casa e pode ouvir os passos dela descendo a escada apressadamente.

— Eu tô quase pronta, mãe, só preciso escovar os dentes, mas não precisa me levar pra escola se não der tempo. Eu pego o ônibus — Disse a mais nova entrando na cozinha e separando seu lanche.

— Não mesmo. Você não vai pra escola. Não hoje — Disse a mãe. 

Rachel a olhou com estranheza até ouvir a repórter na televisão anunciar “... Felizmente, todos os alunos passam bem e hoje a noite, a princesa de Themyscira e o príncipe de Gotham irão comparecer ao programa para conversar conosco sobre essa terrível experiência…”.

— Mãe, isso foi em Gotham. Nós estamos em Traverse City — Começou Rachel se aproximando de sua mãe — Quem em Traverse City iria invadir uma escola e atirar contra um monte de adolescentes idiotas? — Perguntou a mais nova envolvendo sua mãe em um abraço — Lá eles têm um hospício para onde mandam os doidos que fazem esse tipo de coisa. Aqui nós mandamos para o hospício da cidade vizinha. Eu estou segura, pode ficar tranquila — Claro que a menina também estava com medo. Por mais que esse tipo de incidente fosse recorrente nos Estados Unidos, era sempre um choque acompanhado da pergunta “será que algum dia isso vai acontecer na minha escola?”, mas naquele momento ela precisava ser forte por Angela — Mas se vai te fazer se sentir melhor, eu fico em casa hoje. 

Sua mãe sorriu e beijou a palma de sua mão — Obrigada, filha.

 

Gotham City, 29 de Novembro

13:01 p.m.

Alojamento de intercambistas da Academia Gotham.

 

Jaime Reyes estava de pé ao lado do telefone, ouvindo sua mãe chorar do outro lado da linha, dizendo como se arrependia de tê-lo mandado para Gotham e que queria que ele voltasse para El Paso para que ela cuidasse dele. O rapaz, por sua vez, tranquilizava a mãe dizendo que ele tinha ficado o tempo todo dentro do prédio e que ficar em Gotham era uma ótima oportunidade, que ele gostava da escola, que amava e também sentia falta da família, e que nada de mau aconteceria com ele.

Mantén la calma, mami. Estaré bien. Envía mi amor a papá y Millie. Te quiero — O rapaz se despediu depois de avisar a mãe que outros alunos precisavam ligar para os pais e que ele iria até a mansão Wayne para agradecer Lexie e ver como Dick estava. Claro que ele não planejava fazer só isso.

Pegou seu casaco e o cachecol que tinha ganhado de presente de Anitta - não que estivesse muito frio do lado de fora, mas para um Texano, estava parecendo um freezer - e começou a sair da casa, quando abriu a porta e deu de cara com sua amiga prestes a bater na porta. 

— Jaime! — Disse Anitta e pulou nele, o abraçando. A menina vestia um sobretudo e um lenço na cabeça, como sempre fazia quando ia visitá-lo para não ser identificada, mas o lenço descobriu sua cabeça ao fazer o movimento súbito, e Jaime, sabendo como discrição era importante para ela, arrumou o lenço na cabeça da mesma antes de retribuir calorosamente o abraço — Ainda bem que você está bem! Eu tentei falar com você ontem o dia todo, mas meus pais fizeram questão de me levar para o hospital, mesmo que eu não estivesse ferida. 

— Está tudo bem, Hayes. Quer entrar? — Perguntou o menino e a morena assentiu. Caminharam para o quarto dele, onde seu colega de quarto, Taú Nkosi, um intercambista sul-africano muito bem humorado e com um talento sem igual para linguagens e literatura, lia um livro de poesias deitado em sua cama — Hm… Taú, você poderia nos deixar a sós por alguns minutos?

Taú levantou os olhos escuros para Jaime com um sorriso malicioso na face depois de ver que ele estava, como quase sempre quando estavam na escola, acompanhado de Anitta Hayes, a morena mais bonita da turma do último ano. Os dois eram de turmas diferentes, mas tinham se tornado bons amigos, então, após fechar seu livro, Taú se levantou e cumprimentou Anitta antes de se encaminhar para a porta do quarto.

— Claro. Afinal, “Quando a boca não consegue dizer o que o coração sente, melhor deixar a boca sentir o que o coração diz” — Pontuou Taú piscando para Jaime — Shakespeare disse coisas lindas, não é!? — Perguntou após um suspiro inspirado, muito embora não esperasse uma resposta. 

— Claro, cara — Respondeu Jaime envergonhado, coçando a nuca. Anitta, distraída, olhava as fotos que ele tinha pregado na parede.

Taú sorriu e então deixou o quarto e fechou a porta atrás de si.

— Sua família? — Perguntou Anitta virando-se para Jaime, tirando o lenço de cima dos cabelos castanhos ondulados depois que o rapaz fechou a cortina e acendeu a luz.

— Uhum — Disse se aproximando com as mãos nos bolsos — Minha mãe, Bianca, meu pai, Alberto e minha irmãzinha, Millie — Explicou apontando para cada um na foto.

— Sua mãe… ela é linda — Pontuou Anitta. Jaime olhou melhor para a foto. Tinha sido tirada em um natal, num ano em que seu pai conseguiu ganhar um dinheiro a mais e comprar algumas roupas legais para sua mãe. Bianca era uma mulher trabalhadora e quase nunca tinha a oportunidade de se arrumar realmente, tinha uma beleza muito natural. Anitta estava certa, a mãe de Jaime era uma mulher linda, ele não se lembrava de tê-la visto mais bela que naquele dia — E sua irmã se parece com você. 

— Deus a livre — Riu Jaime baixinho, afastando-se um pouco de Anitta, que o olhou confusa — Millie vai ser uma moça bonita quando crescer, não como eu.

— Mas você é um rapaz bonito — Disse Anitta olhando-o confusa. Jaime pressionou um lábio contra o outro, envergonhado. Ela fazer esse tipo de coisa quando eles estavam sozinhos não ajudava em nada a situação ficar menos constrangedora para ele.

— Bem, o que importa é que ela é mais inteligente que eu — Disse ele, tentando disfarçar o leve rubor em suas bochechas — Vai ter um bom futuro.

— Tenho certeza disso — Pontuou Anitta, voltando a olhar para o sorriso banguela da menininha na foto. Virou-se para Jaime novamente — Você ia sair?

— Ah… sim, na verdade. Eu ia na mansão Wayne — Disse balançando os pés nervosamente — Ontem a Lexie me salvou de um tiro… eu queria agradecer, e também, ver como o Dick está. Minha irmã é fã dele, quer receber notícias de primeira mão. 

— Desculpa… devo estar te atrasando.

— Não, não — Respondeu rápido até demais — Não está não.

— Bem, eu tenho certeza que a princesa vai dizer que não foi nada e que você não deveria se preocupar, já o Grayson provavelmente vai fazer um draminha e então dizer que não precisa se preocupar, que ele está bem. Tem que estar mesmo, com todos os procedimentos caros que o pai dele paga — Disse Anitta sentando-se na cama de Jaime. Ele riu, acompanhando-a, e balançou a cabeça. Anitta sempre sabia o que as pessoas iam fazer. — Jaime… eu queria te fazer uma pergunta — Começou em um tom de voz diferente, um pouco mais preocupado, o que alertou Jaime — Uma pergunta séria.

— Pode perguntar, qualquer coisa — Respondeu o rapaz. Anitta deu dois tapinhas ao lado dela na cama, e nervoso, Jaime sentou-se ao lado dela. Anitta segurou suas mãos.

— Você… ontem, você me protegeu do primeiro tiro — Começou a menina, encarando-o, ele perdido nos olhos verdes dela — Como você sabia?

— C-como como… como eu sabia? Eu… eu-eu… — Começou. Não podia dizer “O escaravelho alienígena que eu tenho fincado na minha medula controlou os meus impulsos para proteger você”, precisava de uma boa mentira, mas era difícil mentir para ela com aquela imensidão verde olhando no fundo de sua alma — Eu não sabia. Deus me disse para empurrar você e pular no chão, e foi o que eu fiz. 

— Jaime, deus não existe — Respondeu Anitta com as sobrancelhas franzidas. 

— É claro que existe. 

— Eu não sabia que você era religioso… — Disse ela, soltando as mãos dele, um pouco constrangida pela surpresa nos olhos do rapaz — Entenda… meus bisavós vieram do México para os Estados Unidos sem nada, e esse Deus que você fala nunca os ajudou. Tudo o que eles conseguiram construir, construíram sozinhos. Minha família é ateia desde então. Eu não fui criada em tradições religiosas… me desculpe, não quis ofender. 

— Não ofendeu não — Disse o menino, segurando a mão dela novamente — Pessoas têm crenças diferentes… 

— Jaime, eu não tenho crença nenhuma — Respondeu um pouco triste — Fui ensinada que só eu posso me salvar, que a minha vida depende inteiramente de mim e que nenhuma força mística vai me ajudar.

— Não tem problema não acreditar em nada… as coisas funcionam de maneiras diferentes para pessoas que acreditam e pessoas que não acreditam. Não tem problema. De verdade — Disse o rapaz a abraçando quando viu que ela estava prestes a chorar. 

— E você ainda gosta de mim? Mesmo sabendo que eu não acredito em Deus? Em nenhum deus? — Perguntou Anitta secando as lágrimas.

— Isso não faz diferença para mim — Disse Jaime com um pequeno sorriso no rosto — Não muda quem você é, e acredite em mim, Anitta, você é uma menina incrível, a mais engraçada, gentil e companheira que eu conheço, e te ter como minha melhor amiga é a melhor coisa que Deus me fez. Mesmo que você não acredite nisso.

Anitta o olhou com os olhos úmidos, a boca rosada e carnuda entreaberta.

— Ninguém nunca falou de mim assim — Disse ela — Nem o Timothy… nem a Amélia.

— Eles não te conhecem como eu conheço — Pontuou arrumando uma mecha de cabelo de Anitta. A menina o encarou por dois segundos antes de segurar-lhe o rosto entre as mãos e beijar-lhe a boca ferozmente. Ela não entendia como Jaime ainda não tinha uma namorada, não quando era tão doce, e estava feliz de ser a primeira menina de Gotham que ele beijava.

Jaime, primeiro, ficou estático. Em El Paso, nunca uma menina mais velha e tão bonita quanto Anitta daria uma chance para ele, mas ele não estava mais em El Paso e, de fato, ele sabia que sentia alguma coisa por ela, mesmo que lá no fundo. Ele sabia também que, provavelmente, ela só estava vivendo o calor do momento e agindo dessa maneira porque no dia anterior, se ele não estivesse por perto, uma bala teria explodido seus miolos, e meninas como Anitta amam um herói. Hesitantemente, tocou a cintura dela e Anitta o puxou mais pra perto, queria ter mais contato e não estava nem aí para o fato de que Jaime provavelmente, com seus 16 anos recém completados, não teria tanta experiência em estar perto assim de uma menina.

Quando finalmente entraram em sintonia total, soaram três batidas na porta e eles se afastaram subitamente enquanto ela se abria.

— Senhorita Hayes, temos que ir ou vai se atrasar para o aniversário de sua avó — Disse o chofer, sem olhar para eles. Em anos sendo o motorista de Anitta, aprendeu a não perguntar ou prestar atenção no que ela estava fazendo, muito embora o menino com quem ela estava trocando saliva fosse, pela primeira vez, diferente do namorado dela.

— Claro, Frederic. Pode ir ligar o carro, eu só vou me despedir aqui e já vou — Explicou a menina virando-se de costas para ele e pegando seu lenço de cabelo, olhando-se no espelho e arrumando-o sobre suas ondas de chocolate. Frederic assentiu e fechou a porta. Jaime, estático e com o rosto manchado pelo batom rosado da menina, encarava o chão.

— Porque você fez isso? — Perguntou o rapaz enquanto Anitta retocava a maquiagem rapidamente. 

— Porque você é um amor, Jaime — Começou ela — E eu queria me sentir amada por alguns instantes — Explicou, logo soltando um triste suspiro — Me desculpe, não deveria usar você para isso.

— Eu… eu não me incomodo de ser usado não. Pode me usar quando quiser — Respondeu rapidamente, se levantando e caminhando em direção a ela. Anitta sorriu para ele com gentileza nos olhos, arrumou a gola do sobretudo dele e disse:

— Um dia, Jaime Reyes, você vai encontrar uma garota muito legal, e ela não vai merecer você. Ninguém jamais vai merecer você, mas vocês vão ser felizes juntos. Uma boa menina. — Começou, olhando-o no fundo dos olhos — Infelizmente, essa menina não sou eu — Puxou-o para um selinho rápido e depois o abraçou — Você também é o meu melhor amigo. 

Começou a andar com seus saltos altos em direção a porta, ele a olhando, a frustração evidente. Assim que a mão dela tocou a maçaneta, ela virou-se para ele.

— Eu… ficaria imensamente agradecida se você não contasse sobre isso para ninguém — Começou ela, olhando para a ponta de seus sapatos, envergonhada — Eu adoraria sair dizendo por aí que beijei o menino mais legal e mais sensível de Gotham, mas eu tenho namorado.

— Eu não vou contar para ninguém. Pode deixar — Disse ele, triste, balançando a cabeça.

— Me desculpe, Reyes — Disse novamente e então deixou o quarto. 

Jaime olhou para o chão, a frustração tomou seu corpo tão profundamente que quando foi finalmente perceber que estava parado no quarto olhando para a porta, já era tarde demais para ir até a mansão, e mesmo se fosse até lá, as pessoas com quem ele queria falar já não estariam mais por lá.

Sete horas da noite, era praticamente o horário em que a entrevista começaria. Limpou sua face e então se dirigiu até a sala comunitária dos intercambistas, onde todos já se aglomeravam para ver a tão importante entrevista. 

 

Washington D.C., 29 de novembro

18:56 p.m.

Estúdio do Ferris Broderick's Show.

 

Lexie tinha perdido a paciência com os maquiadores, querendo o tempo todo passar alguma coisa na cara dela ou mexer em seu cabelo, e eles tinham perdido a paciência com ela também, não a toa, deixaram que ela se arrumasse sozinha, esperando que a princesa fizesse a maior lambança, mas Lexie apenas se dirigiu até o banheiro, lavou o rosto retirando toda a maquiagem e arrumou os cabelos da mesma maneira que fazia para ir à escola: jogou o cabelo para trás e pegou uma tiara com a qual prendeu os cachos mais curtos, impedindo que eles caíssem em seu rosto, depois, voltou até a mesa de maquiagem e escolheu um batom de um tom rosadinho que Bárbara tinha um igual e, lembrando-se de como a ruiva fazia, espalhou-o cuidadosamente por cima de seus lábios.

Os figurinistas tinham sido um pouco mais de seu agrado, escolhendo um simples vestido que batia na altura da metade de sua coxa, azul para combinar com a cor de seus olhos e um casaquinho branco transparente de mangas um pouco largas com aplicações de renda, além de sapatilhas pretas simples. Não era uma roupa que lhe desagradava, mas não estava acostumada com vestidos, principalmente com vestidos curtos e um pouco mais ajustados. Lembrava-se de todas as ocasiões que os usava, e até hoje não tinham sido mais de dez - excetuando-se os eventos oficiais de Themyscira, mas aí eram togas, não vestidos - mas talvez essa mudança não fosse ruim. 

Cruzou o set de gravações e então encontrou-se com Dick conversando, ou melhor, flertando, com uma maquiadora. 

— E eu juro, eu nunca tinha visto um cavalo tão grande em toda a minha vida! — Exclamou bem humorado, causando uma risadinha na moça, Lexie revirou os olhos com um sorriso enquanto balançava a cabeça negativamente — Princesa! Uau! Com certeza não foi você quem escolheu a sua roupa, foi?

Lexie sorriu implicante para ele e sentou-se na cadeira do lado.

— Ela gosta de usar moletom o dia inteiro — Dick disse para a maquiadora, que de repente, não estava mais tão feliz. 

— Não, Richard. Não fui eu, mas eu até que gostei. Me disseram que o azul é para combinar com os meus olhos — Disse a menina, a maquiadora apressou-se em terminar seu trabalho e retirou-se. Lexie começou a analisar seu amigo. 

Dick vestia uma calça jeans preta, bem escura, e uma camiseta branca por baixo de uma camisa azul de botão, mas ele só tinha fechado um botão, mais ou menos no meio da camisa, como se fosse um blazer. Os sapatos eram tênis também escuros e os cabelos, como sempre, estavam bagunçados.

— Eu acho — Começou o rapaz, se levantando com cuidado para não tirar a tipóia do lugar — Que escolheram a cor do seu vestido para combinar comigo. Se quisessem combinar com seus olhos, seria uma cor mais clara, talvez um pouco esverdeada. 

— Bem, isso não importa agora, temos que ir para aquele sofá mágico — Disse a menina se levantando, ficando de pé na frente dele, que franziu as sobrancelhas — Foram os figurinistas que me disseram isso. 

— É um modo de dizer, princesa — Disse e ela começou a andar. Dick ainda parado, perguntou — Você não vai ajudar este rapaz debilitado não?

— Você levou um tiro no braço. Consegue andar tranquilamente — Disse ela rindo, mas quando Dick fez beicinho, ela revirou os olhos e caminhou até ele, passando o braço bom do rapaz em volta de seu pescoço e seu braço em volta da cintura dele, para dar-lhe o tal apoio. Foi estranho, para ela, andar assim com ele, afinal, andava assim apenas com Kaldur. Suspirou no meio do caminho. Sentia muita falta dele. Sentou Dick no sofá e sentou-se do lado do braço ruim, mas ele pigarreou — O que foi?

— Pode sentar do outro lado, por favor? — Pediu e foi a vez de Lexie de franzir as sobrancelhas — Fica estranho esticar meu braço bom no apoio do sofá se não tiver ninguém sentado na frente.

Lexie balançou a cabeça negativamente, mas o fez. Enquanto isso, seu entrevistador, Ferris Broderick, o astro de um dos maiores talk-shows de Washington, chegava e sentava-se em sua cadeira com pressa. As câmeras já iriam se ligar. 

— Boa noite, Washington D.C.! — Disse ele animadamente olhando para uma das câmeras. Lexie sentiu-se subitamente nervosa, e Dick sentiu isso, então, sentou-se mais próximo dela e tocou o ombro da menina com a mão que estava estendida por trás dela no sofá. Ela o olhou rapidamente e ele assentiu para ela. O rapaz já tinha estado em diversos programas como esse, não se sentia incomodado ou nervoso, mas para a menina, era a primeira vez, era normal se sentir nervosa. Lexie levou a mão ao próprio ombro, tocando na mão de Dick e sorrindo para ele — Esta noite, temos dois convidados ilustres — A câmera apontou para os dois jovens, que ainda se olhavam, mas então encararam a câmera rapidamente e acenaram. O set se inundou de aplausos. Dick com um sorriso descolado e despreocupado e Lexie um pouquinho nervosa, mas já menos ansiosa graças ao rapaz — O príncipe de Gotham, Dick Grayson, que já é de casa. Literalmente! Esse menino frequenta esse programa desde os nove anos de idade!

Dick riu e então disse — E é sempre um prazer quando recebo um convite para voltar aqui, Ferris.

— E ele não veio sozinho. Dessa vez, trouxe com ele a estonteantemente bela e genial menina de ouro da américa, a princesa de Themyscira, Alexandra Prince, a filha da mulher maravilha! — Lexie teve de se concentrar para manter o sorriso. Não era como ela gostaria de ser apresentada, mas aparentemente, enquanto não assumisse o manto de Moça Maravilha a luz do dia para todo mundo ver, ser filha da Mulher Maravilha seria seu maior título. Ela acenou para as câmeras — E devo acrescentar, é um prazer ser o primeiro apresentador de Talk Show a recebê-la em um estúdio, ainda que o motivo seja muito triste, quero que saiba que sempre será bem vinda a voltar aqui no estúdio sempre que estiver em Washington.

— O prazer é meu, Senhor Broderick — Respondeu com um sorriso e logo o estúdio se encheu de risadas e Ferris disse que não precisava de formalidades e que poderia chamá-lo pelo primeiro nome.

— Bem — Ferris voltou a dizer — Aqueles que acompanham os jornais já sabem, mas eu vou repetir: O país inteiro está em choque com o atentado que ocorreu ontem, dia 28 na Academia Gotham, senhoras e senhores. Um atentado armado, infelizmente, muito recorrente aqui nos Estados Unidos. No entanto, não houve vítimas fatais, apenas dois baleados, um deles presente aqui nesse estúdio — Disse Ferris olhando para Dick, que apesar da seriedade, se permitiu rir suavemente enquanto balançava a cabeça olhando para baixo, simulando vergonha — E graças a outra pessoa que está aqui nesse estúdio — Dessa vez, olhou para Lexie — não houve mais. Como vocês se sentem sendo duas das principais testemunhas desse hediondo acontecimento?

— Eu nunca tinha levado um tiro antes, Ferris — Começou Dick, mentindo tão descaradamente que Lexie teve que se segurar para não rir. Ela mesma tinha visto as marcas de buracos de bala quando teve de dar banho nele — Não é uma experiência agradável.

A plateia se encheu de risadas.

— Mas acho que funcionou para me ensinar uma boa lição — Voltou a dizer.

— Que seria? — Perguntou Ferris.

— Não tente bancar o herói quando você não tem habilidade para ser o herói — Respondeu e mais uma vez, todos riram, incluindo Lexie. Dick Grayson era a pura habilidade pra o heroísmo no corpo de um trapezista de 17 anos. — Falando sério. Morando em Gotham eu aprendi muita coisa nos últimos onze anos, ainda mais vendo toda essa loucura de Batman e Robin. Às vezes, algumas pessoas se vestem como eles e tentam fazer o que eles fazem… quando eu era mais novo, essas coisas apareciam direto na televisão. Não façam isso. Eu tentei ser um herói e levei um tiro no braço, mas se a princesa não tivesse me empurrado, só Deus sabe onde teria me atingido. Sério, não tentem fazer isso, salvar o mundo também inclui ser uma boa pessoa, não roubar, matar ou qualquer outra coisa do tipo que a Liga da Justiça luta contra. Quando a noite chegar… fiquem em casa, bebam água. Não coloquem fantasias ridículas e saiam por aí tentando transformar bandidos em latas de sardinha.

— E depois desse desabafo, eu pergunto a você, princesa. Como se sente quanto a isso?

— Bem… eu cresci com os heróis por perto. A maior parte deles me conhece desde que eu era pequena, e eu tenho uma admiração imensa pelo trabalho deles — Começou Lexie, imitando os trejeitos de Dick ao falar — Mas concordo com o Dick. Não façam nada que coloque em risco suas vidas. Muitas vezes, os civis ajudam mais não fazendo nada. 

— Mas você parou as balas! — Gritou uma voz na plateia.

— Eu não sou civil — Respondeu, procurando pelo dono da voz, mas as luzes apontadas para o sofá a cegavam — Tenho mais de dez anos de treinamento militar com as melhores guerreiras amazonas. Eu só fiz o que fiz porque sabia que conseguia fazer sem prejudicar ninguém. 

— Então você poderia se juntar a sua mãe na luta contra o mal, princesa? — Perguntou Ferris. 

— Há outras maneiras de lutar contra o mal, maneiras que não envolvem violência — Pontuou. Sempre faziam essa pergunta. Aparentemente, a perspectiva de uma heroína que vivia como uma adolescente "normal" - entre aspas porque, bem, eles queriam conhecê-la, queriam se sentir parte do heroísmo e para isso, precisaria ir a programas e dar entrevistas, coisas que os outros heróis não fazem - era extremamente excitante. Ela era exatamente isso, mas precisava interpretar a filhinha sem-sal da Mulher Maravilha, pelo menos até que não pudesse mais esconder seu segredo. Claro que seria muito estranho chegar para trabalhar na segunda-feira e Dante perguntar-lhe "Como foi aquela luta com a Giganta ontem?" e ela teria que responder com a maior naturalidade do mundo "Tranquila, mas acho que machuquei o ombro. Pode apertar o botão do elevador para mim?"  — Mas se algum dia fosse extremamente necessário que eu me juntasse, eu o faria até o momento em que não precisassem mais de mim.

— Bem, vamos mudar um pouquinho de assunto.... — Disse Ferris, sentindo o clima pesado que tinha dominado a sala — Nossa equipe recebeu em primeira mão as fotos do ensaio que vocês fizeram para a nova linha de roupas da Silver St.Cloud! 

Ao dizer isso, as fotos - que nem Dick e Lexie tinham visto ainda - apareceram num telão atrás deles, que antes de se virarem para vê-las, se entreolharam nervosos.  Lexie sentiu Dick segurar sua mão, nervoso. A sessão de fotos tinha sido no mesmo dia em que a viu dançar de calcinha no quarto dela, e apesar de ter certeza que ele tinha irritado-a antes, ela agiu como se não tivesse e a tarde foi muito prazerosa e divertida para os dois. As fotos tinham como principal objetivo mostrar as roupas, obviamente, mas o fotógrafo parecia não concordar muito com isso. Silver St.Cloud também não, já que aparentemente, as fotos que tinham sido enviadas eram as mais sugestivas possível. Na primeira, Dick estava sentado no chão de frente para a câmera e Lexie sentada virada para ele, as pernas por cima das dele, os rostos muito próximos um do outro. Na segunda, o rapaz estava sentado em uma cadeira e a menina estava de pé na frente dele, uma das pernas dobradas e apoiadas na cadeira, a mão dela repousada no pescoço dele, a mão dele repousada perigosamente perto do fim da lombar dela. Não prestaram muita atenção nas outras fotos, pois Dick sussurrou no ouvido de Lexie.

“É por esse tipo de coisa que eu não trabalho com Silver St.Cloud”

E a menina não pôde fazer outra coisa senão assentir.

 

Central city, 29 de Novembro

20:11 p.m.

Hospital Geral de Central City.

 

— Onde estão Wondergirl e Robin? — Perguntou Speedy, o último a chegar. Ele estava dormindo quando recebeu o chamado de emergência e o atendeu.

— Você não assiste televisão? — Perguntou Aqualad, que não estava em seu melhor humor.

— Não sou o maior fã — Respondeu o ruivo enquanto os três entravam pelas escadas de emergência do hospital.

— Eles estão presos naquele show idiota do Ferris Broderick — Respondeu KF que não tinha gostado nada de ver as fotos do tal ensaio fotográfico — E como não podem sair de lá sem criar suspeitas, somos só nós.

— E o que estamos fazendo aqui mesmo? — Perguntou Speedy enquanto os três corriam escadas a baixo, e então ele ouviu o primeiro tiro — Outro atirador?

— Suspeito que o mesmo — Disse o velocista.

— Porque seria o mesmo? — Perguntou Speedy confuso. 

— Kid tem uma teoria interessante de que ele é a intersecção entre o ataque na escola e no hospital — Começou Aqualad.

— E porque seria você? — Perguntou Speedy depois de dar uma risada junto a Kaldur’ahm.

Kid revirou os olhos — Foram sete tiros. Os três primeiros, por mais que tenham sido mirados em alguém, não iam realmente matar ninguém. Verifiquei os ângulos, mesmo sem a Lexie lá para ricochetear, não passaria de alguns tiros nos braços ou pernas. Os três últimos também. O quarto tiro, que era para ter me atingido, estava sendo mirado em minha têmpora.

— Mas e quanto ao hospital? — Questionou Speedy, por mais que houvesse muito nexo no que KF falava. 

— Eu sou o único aluno da Gotham Academy que mora em Central City. — Explicou 

— Isso não quer dizer nada — Disse Aqualad — Mas que atirador de elite você teria irritado a tal ponto de ir procurar você na escola? Quer dizer, sua identidade é um cara legal e que não perturba ninguém.

— Talvez eu tenha o feito enquanto Kid Flash — Disse o menino, que então parou subitamente num dos patamares. Os outros dois olharam para ele — Eu já sei quem é o atirador. Slade Wilson. O Exterminador, eu encontrei com ele algumas semanas atrás, no prédio da LexCorp. Só pode ser ele.

— Mas o que ele vai querer com esse hospital? — Perguntou Aqualad. 

“Paciente Í-íris West-Allen, apresente-se na recepção em qui-quinze minutos o-ou eu v-vou e-e-est-tourar os mi-miolos dessa mu-mulher que está lendo essa mensagem” Uma mulher lia a mensagem no microfone geral do hospital, a voz trêmula. Os rapazes olharam para KF, em especial, Kaldur, que sabia exatamente quem era Íris West-Allen e qual sua relação com Leo, que agora estava com o rosto completamente sem cor.

— Achamos nosso link — Disse Aqualad.

— Eu não preciso nem perguntar, já sei que essa mulher é, de alguma forma, importante para você — Disse Speedy quando eles voltaram a correr.

— E para piorar, ela é uma repórter teimosa e altruísta — Disse Kid Flash, que agora já estava a lances de escada abaixo deles — e eu sei que ela vai se entregar!

Speedy e Aqualad, sabendo que não iriam alcançar Kid por nada nessa vida, resolveram pular pelo vão entre as escadas até o térreo, a recepção. A mente de Kid estava a mil. O que Íris estava fazendo lá? Porque não tinha avisado nem a ele nem a Barry? E onde diabos estava Barry? Saiu na recepção e começou a correr em direção ao balcão de atendimento, onde as atendentes se escondiam, e nesse instante, soou outro tiro, um tiro que era para ter atingido o velocista se não fosse por uma grossa barreira de água que parou o projétil no meio do caminho. 

Aqualad, apesar de toda a confusão sentimental em que se afundava, percebeu antes de Kid que a mensagem foi anunciada no microfone geral para atrair ele até a recepção, e chegou bem a tempo de impedir que os miolos do velocista explodissem contra o balcão. 

— Vocês heróis e seus fracos por repórteres — Começou o Exterminador saindo das sombras, a arma ainda fumegando — Claro que o seu caso é um caso muito especial, Kid Flash. 

— O que você quer com ele, Exterminador? — Perguntou Aqualad enquanto Speedy ajudava os reféns a saírem pelos fundos.

— Ah, não quero nada não — Respondeu o homem da máscara preta e laranja — Só estou tentando cumprir um contrato. Porque não vai ajudar o seu amigo Speedy a tirar os civis do prédio e deixa que eu e o Kid Flash resolvamos nossos problemas sozinhos?

Nesse mesmo instante, Íris apareceu saindo do elevador e o Exterminador apontou a arma para ela e atirou. Kid saiu correndo o mais rápido que pôde para tirá-la do caminho do projétil e Aqualad partiu para cima do atirador. Entraram primeiro numa luta corporal, e então após algum tempo, outro tiro. Aqualad olhou para baixo e viu o cano da arma muito próximo do próprio corpo, o sangue quente já empapava o tecido, mas a perda sanguínea não era o pior, mas sim a sensação que estava se espalhando por sua corrente sanguínea: a tontura assumindo onde antes estava o equilíbrio, náuseas, sensação abrupta de sede. O veneno do Arraia, mas como o Exterminador tinha conseguido uma dose? 

— Sua sorte, atlanti, é que eu recebi ordens para deixar o prédio assim que disparasse esse projétil. — Começou o mercenário e mesmo com a máscara, Kaldur sabia que ele sorria, mas ele não iria demonstrar fraqueza, não na frente de alguém como ele, ao menos não se conseguisse evitar — Boa sorte para sair vivo dessa. 

O mercenário começou a se afastar em direção às portas de entrada do hospital, por onde saiu tão naturalmente como um um paciente ou visitante qualquer. 

— Que diabos você está fazendo aqui, Íris!? — Perguntou KF enquanto levantava a mulher a sua frente, a qual ele tinha derrubado quando tropeçou em uma muleta enquanto corria para sair do caminho do projétil.

— Um exame, oras. O que se faz num hospital? — Respondeu a mais velha tirando o pó de sua roupa.

— E porque não avisou ninguém? — Perguntou nervoso.

— E por acaso eu devo satisfações para você ou para o seu mentor, Kid Flash? — Perguntou Íris com muito cuidado para não revelar identidades. 

— Não normalmente, mas quando tem um maluco como esse rondando sua casa, deve sim! — Exclamou o loiro que logo arregalou os olhos. Não deveria ter falado isso.

— Como assim rondando minha casa? — Perguntou com as sobrancelhas franzidas. A mãe e o filho se encararam por alguns instantes antes de Kid engolir em seco e então um tiro desviou a atenção deles. KF e Íris se entreolharam, decidindo deixar a discussão para mais tarde e correram em direção ao som para encontrar Aqualad caído no chão, sangrando e Speedy gritando com as enfermeiras pedindo por uma maca. 

“Droga” pensou KF, e então saiu correndo em busca de uma maca. Aqualad tinha salvado sua vida pouco tempo antes e ele nem pode agradecer. O mínimo que ele podia fazer agora, era garantir que o rapaz se mantivesse vivo.

 

Central City, 30 de Novembro

01:21 a.m.

Hospital Geral de Central City.

 

A anestesia inebriou os sentidos de Aqualad por várias horas, mas ele se lembrava da cirurgia, melhor que gostaria, na realidade. O projétil envenenado não tinha atingido nenhum órgão vital - nada surpreendente, eles tinham um assassino de aluguel muito experiente em sua cola - mas não foi necessário que atingisse para conseguir derrubar Aqualad tão profundamente que a dor causada pelo veneno fosse tanta que o fizesse desejar o fim imediato dele, nem que fosse por meio da morte. 

Ele se lembrava de alguns momentos enevoados de depois que foi posto no quarto de pós-cirurgia, mas estava muito drogado para responder ou interferir em algum deles. 

Os momentos de maior clareza eram os de Alex. Ele podia querer morrer, mas não sem ser capaz de se despedir dela. 

“Ele é meu irmão!” ela gritou com um dos seguranças que estava na porta do quarto, sua primeira memória dela depois da cirurgia. 

“Não parecem irmãos” disse o segurança olhando para ela, impedindo-a de entrar. Kaldur nem precisava ver para saber que ela estava com sangue e lágrimas nos olhos, e se não fosse pela dor excruciante, até teria soltado uma risadinha pela tolice do segurança.

“Cor de pele não é nada!” Exclamou a princesa com frustração evidente na voz.

“Sinto muito. Só família" Disse ele e Kaldur ouviu um som de um soco contra a parede “E nem pense que vai obter tratamento especial só por ser princesa de uma ilha mágica” acrescentou, gerando mais frustração ainda na menina.

“Ela pode entrar. É irmã dele” Disse uma voz que, por mais que não agradasse muito o jovem atlanti naquele momento, estava grato por ter liberado a entrada de Alexandra: seu tio, o rei Orin. Para os humanos, Arthur Cury.

“Obrigada, Arthur” Respondeu Alex que então correu para dentro da sala e sentou-se numa poltrona ao lado da maca de Kaldur, segurando suas mãos. Ele abriu um pouco os olhos para vê-la, os cabelos cacheados presos por uma tiara estavam um tanto bagunçados, certamente por desespero, e vestia um simples vestido azul e um casaco branco com alguns detalhes que não se focavam aos olhos de Jack, tinha os olhos um pouco inchados e vermelhos mas ela estava feliz de tê-lo ao seu lado. Kaldur abriu a boca para tentar falar com ela, mas a princesa apenas passou a mão por seus cabelos curtinhos e disse “Shhh… não fala nada. Apenas descanse, eu não vou sair daqui” e ele não discutiu, apenas fechou os olhos novamente e se permitiu mergulhar na inconsciência.

Algumas horas depois, ficou vagamente consciente novamente apenas para escutar uma discussão em baixo tom entre a princesa e o velocista, que agora não usava mais seu uniforme.

“Lexie, temos que falar sobre as fotos” pediu Leo com os braços cruzados.

“São só fotos. Não quero falar sobre isso agora” Disse Lexie verificando a temperatura de Jack mais uma vez “Tenho coisas mais importantes para lidar”.

“Ele está entupido de morfina, vai ficar bem. Agora, precisamos falar sobre aquelas fotos, Alexandra”

“Não precisamos não!” Exclamou em baixo tom para não perturbar Jack ou qualquer outro paciente “São só fotos, não é nada de mais! Eu não sei porque você está tão chato quanto a isso!” Respondeu e Kaldur viu a mágoa nos olhos de Leo.

“Eu acho que você não está entendendo como elas me fizeram parecer para todo mundo que nos conhece e sabe de nós” Começou ele, mantendo o tom calmo “Ou como elas me fizeram me sentir” Acrescentou e Kaldur podia sentir a eletricidade no ar. Ele estava muito magoado.

“Que 'nós', Leo?! Ah, pelos deuses! Não é como se eu tivesse beijado ele” Pontuou Lexie estressada.

“O que?” Perguntou Leo com as sobrancelhas franzidas, claramente ofendido.

“Eu disse que não é como se eu tivesse beijado o Dick”  Repetiu Lexie distraída com os monitores dos aparelhos “E mesmo se eu tivesse, você não é meu namorado”

Leo não falou nada por alguns segundos, então suspirou e secou uma lágrima silenciosa que escorreu por seu rosto sem a princesa ver. Ou ao menos ele achava que ela não tinha visto.

“Eu vou estar na recepção com os outros. Qualquer notícia dele, nos avise, por favor” e deixou a sala antes que Lexie pudesse se desculpar ou dizer qualquer coisa. Ela suspirou e pegou a mão de Kaldur novamente.

“Eu sempre estrago as coisas, não é?” Perguntou rindo tristemente. Kaldur não estava em condições de responder, e ela também não esperava que o fizesse. Mais uma vez, a inconsciência tomou o corpo do atlanti. 

Quando a inconsciência resolveu deixar seu corpo completamente já haviam se passado horas e mais horas. Abriu os olhos e a primeira pessoa que viu foi Dick, encostado no batente da porta, pagando um enfermeiro para “fingir que eles não estavam ali”, e parando para pensar, Kaldur concluiu que ele deveria ter feito isso com todos que o identificaram no hospital. Moveu um pouco a cabeça e viu Leo sentado em uma poltrona com os braços cruzados, a face totalmente inexpressiva, mas o jovem atlanti sabia que o rapaz só estava tentando processar sua dor. Virou sua cabeça para o outro lado do quarto e viu Alexandra e Roy sentados no sofá, um do lado do outro, de braços dados, a cabeça dela apoiada no ombro dele, os olhos fechados, e a cabeça dele apoiada na dela, pensativo.

— Hey — Disse o ruivo abrindo um sorriso. Dick virou-se para ele e se aproximou Leo também, embora ainda parecesse muito distraído. Roy acordou Lexie e a menina pulou do sofá e andou em direção a ele rapidamente, um sorriso em seu rosto. Kaldur com a ajuda de Dick e Roy, sentou-se na cama. 

— Quanto tempo eu dormi? — Perguntou o mais velho já sentindo-se completamente revigorado. 

— Um dia inteiro e algumas horas — Disse Leo. Afinal, ele não estava tão distraído assim — Ei, obrigada. Você me salvou.

— Você teria feito o mesmo por mim, cara. Não foi nada — Disse Kaldur sorrindo — Mas eu acho que nós temos um sério problema com um certo mercenário.

— Como ele nos achou? — Questionou Roy, Dick e Leo se entreolharam, e apesar do clima ruim entre eles, assentiram.

— Nós podemos explicar tudo — Disse o menino prodígio com seus óculos escuros — Só não aqui. 

— Não é um problema — Comentou Kaldur segurando uma mão de Lexie — Às vezes é melhor deixar o assunto para depois.

Leo deu uma risada irônica. Claro que Kaldur iria defender sua melhor amiga. 

 

Traverse City,  02 de Dezembro

16:21 p.m.

Caminho até a casa de Angela Roth.

 

Para Rachel, o dia foi particularmente bom. Tinha acordado sem pesadelo algum, se arrumado e gostado da imagem que viu no espelho, despediu-se de sua mãe e pegou o ônibus para a escola, onde, impressionantemente, ninguém implicou com ela e ela teve a aula de história mais divertida de todos os tempos. 

Agora estava andando de volta para casa, completamente satisfeita com o dia. Viu que o carro de sua mãe já estava na garagem e sorriu. Era, definitivamente, o melhor dia desde que o ano letivo começou. Nem mesmo a neve estava sendo capaz de tirar sua felicidade . Andou um pouco mais e ouviu um suave crocitar. Sorriu e virou-se para trás, vendo o corvo viu em seus sonhos. 

Claro que poderia ser só um corvo comum, mas ela tinha certeza que era o dos seus sonhos. Caminhou até ele e acariciou sua cabeça gentilmente, removendo alguns flocos de neve que estavam sobre suas negras penas. 

— Está um pouco frio aqui fora, não acha? — Perguntou gentilmente e o corvo crocitou, o que ela levou como um “sim” — O que acha de vir para casa comigo? Tenho certeza que minha mãe vai entender, sinto que hoje é o meu dia de sorte.

Estendeu a mão para o animal e então ele subiu por seu braço. Rachel sorriu mais ainda. Não é que era um animal inteligente? Voltou a caminhar em direção a sua casa e algo em seu coração dizia que não era que o carro de sua mãe já estivesse em casa. Ele simplesmente não tinha saído do lugar. O corvo se aprumou melhor no ombro da menina, escondendo-se entre seus cabelos negros. Rachel abriu a porta de casa lentamente e sentiu frio, mesmo depois de fechar a porta. Estranho. Sua mãe sempre mantinha as janelas de casa fechadas quando estava nevando. Deixou sua mochila ao lado da porta e caminhou mais para dentro, totalmente focada em encontrar sua mãe que nem percebeu que o corvo tinha desaparecido em seus cabelos compridos. 

— Mãe? — Chamou. Nenhuma resposta. Seu nervosismo aumentou e então ela correu para o último lugar em que viu Angela: a cozinha. 

Primeiro, Rachel ficou paralizada com o corpo caído no chão com um tiro entre os olhos. Sem palavras para a horrível cena que via, começou a chorar copiosamente e correu até o corpo frio de sua mãe, sem se importar com os vários cacos de vidro perto de seu corpo, e ajoelhou-se ao seu lado, chorando muito e desejando que, como tinha salvado o corvo em seu sonho, pudesse salvar sua mãe. Um grito de dor ecoou pela casa, rasgando os pulmões de Rachel que amaldiçoava o céu e a terra.

Uma presença escura com uma arma e supressor em punho se aproximava, esgueirando-se pelo corredor até chegar a porta da cozinha e ver sua próxima vítima deitada sobre o cadáver de sua primeira vítima, indefesa como um cachorrinho. Apontou sua arma para ela, que parecia até agora não perceber sua presença. Posicionou o dedo no gatilho e no momento em que iria disparar, a menina soltou um grito gutural, assustador, selvagem, e dela saíram vários corvos feitos se sombras, que sem hesitar, atacaram o assassino com seus bicos tão afiados quanto navalhas. Agora não havia apenas um corpo, mas dois, e Rachel nem se deu conta do segundo, estava muito triste pela morte da única pessoa importante em sua vida para reparar que algo tinha despertado dentro de seu coração e esse algo tinha matado um homem.

 


Notas Finais


Finalmente o momento que todos esperávamos aconteceu! Quem diabos será esse homem e o que ele pretendia ao tentar assassinar nossa maravilhosa Rae? Bem, o importante é que se fudeu kskskskskksk

Me contem o que vocês acharam e o que esperam para os próximos capítulos!

E como eu prometi para vocês alguns capítulos atrás, aqui está: o link da playlist de TITÃS no Spotify - https://open.spotify.com/playlist/0Ayv8uh0CMMczR3B6I29Ae?si=a9b5fef06ba94af8


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