História ,to change, to choose, - Capítulo 11


Escrita por:

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Categorias Dear Evan Hansen
Personagens Alana Beck, Connor Murphy, Cynthia Murphy, Evan Hansen, Heidi Hansen, Jared Kleinman, Larry Murphy, Zoe Murphy
Tags Connor Murphy, Dear Evan Hansen, Deh, Evan Hansen, Tree Bros
Visualizações 50
Palavras 4.387
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - ;onze


Quando Connor entregou a prova e se preparou para sair, a professora sorriu para ele. Não era um sorriso de verdade.

“Espera,” ela disse. “Eu posso corrigir agora mesmo.”

Connor a xingou mentalmente. Tanto, e o tipo de xingamento muito pesado que faria Evan corar. Sério, Connor deveria ter ganhado um prêmio de criatividade pelos novos palavrões que inventou naquele momento. Foi tudo só na sua cabeça, porém, então ninguém ouviu e veio o parabenizar.

Ele ficou parado lá apertando sua mochila contra seu corpo e se remexendo desconfortavelmente. Não ousava olhar em direção a professora para ver todos os x’s vermelhos que ela deveria estar fazendo, mas ainda se encolhia toda vez que ouvia o som da caneta escrevendo no papel ou paginas sendo passadas.

Ah,” a professora soltou de repente e Connor se virou para o rosto chocado dela. Já tinha fechado a prova e, quando se virou para Connor, estava óbvio que ela suspeitava de algo. “Espera aqui,” disse.

Connor olhou para a mesa dela, tentando conseguir ver a nota em sua prova.

C.

Ele congelou. Ele ficou em pé do lado da mesa dela enquanto ela se ajoelhava do lado da carteira onde Connor tinha feito a prova e checava o lado de baixo com cuidado, e ele não conseguiu se mexer. As mãos dele se apertaram em punho, coladas contra seu corpo.

“Você só vai achar chiclete aí,” Connor disse, tentando se manter calmo, mas tremendo de raiva. Ela estava procurando por algum tipo de cola. Ela achava que ele tinha colado, porque ela não conseguia ver nenhum outro jeito de Connor ter ido moderadamente bem. Ele–

Ele nem tinha feito nada de errado dessa vez. Tinha conseguido aquela nota porque Alana e Evan estudaram com ele todos os dias, por horas. O problema era que, merda, nem o próprio Connor conseguia acreditar nisso. Até ele continuava encarando sua prova o tempo todo, esperando aquele C mudar para um F. Até ele sempre esperava o pior de si, então, realmente, como ele poderia esperar diferente de sua professora?

Como ele podia esperar diferente de seu pai?

Connor estava bravo. Furioso consigo mesmo, mas com os adultos ao seu redor também. Ele rangeu seu maxilar com tanta força que seus dentes começaram a doer. Lá estava, aquela raiva borbulhando em seu estômago e zumbindo através de todo seu corpo. Ele soltou ar pela boca.

“Acabou?” ele perguntou para professora.

Ela se virou para ele.

“Ahã,” disse, ainda parecendo não acreditar nele. “Sua nota realmente aumentou,” comentou, entregando a prova para ele.

Connor deu de ombros, muito tenso.

“Alana realmente faz milagres.”

Então ele saiu da sala rapidamente. A porta bateu atrás de si.

As aulas matinais já tinham acabado, mas ainda havia um número considerável de alunos na escola. Connor só podia imaginar como tanta gente conseguia ter energia para participar de grupos e atividades extracurriculares a tarde. Ele foi praticamente obrigado a vir fazer esse teste e já queria ir correndo para sua casa dormir. Só tinha ficado sentado.

Aí ele olhou de volta para a prova.

C, ele pensou. Tinha conseguido menos de 3 pontos na última vez que fez o teste, mas isso era um 6,5. Por pouco Connor não tinha conseguido ficar em cima da média, mas – isso era um montão para ele. Isso era tão melhor do que a maioria das notas que ele conseguia, nas provas que ele se importava em fazer, e Connor nunca iria pôr a escola como a coisa mais importante em sua vida, como Alana, mas era difícil não sentir nem um pouco de orgulho.

Você só precisa tentar mais, Dr. Parker sempre o dizia. Você pode não ser o melhor, mas ao menos você vai ter feito algo.

Aquilo era um monte de merda super cliché terapêutica, mas Connor tinha conseguido uma boa nota em matemática. Ele sabia que conseguiria mais, se tentasse fazer as provas de Literatura. Já tinha lido o livro que eles estavam vendo em classe mais de uma vez, mas vinha planejando em simplesmente não aparecer no dia ou deixar tudo em branco, só porque fazer testes sempre o deixava enjoado e com enxaqueca.

Agora que ele pensava no rosto da professora, com sua raiva esquecida – ele se sentia divertido. Tão estranhamente extasiado por ter conseguido a provar errada. Ele sorriu como um idiota para o nada, e apertou a prova em sua mão.

Quando ele andou pelos corredores, havia um tipo de leveza em suas costas.

Connor sempre foi bom em surpreender as pessoas, querendo ele ou não, mas desde o acidente com a impressora, isso sempre tinha tido uma conotação ruim. Os amigos dele esperavam que ele sempre fosse o mais quieto do grupo, Connor começou a usar drogas e sair com os meninos mais velhos. A mãe dele esperava que ele fosse o menino de ouro, ele começou a se meter em brigas. O pai dele esperava que ele fosse o filho másculo perfeito, ele deixou o cabelo crescer e colocou piercings. Os dois esperavam que ele tivesse uma boa educação, Connor parou de ir as aulas.

Havia um tempão que as pessoas tinham colocado em suas cabeças que Connor sempre seria menos do que medíocre em tudo e ele nunca tinha feito nada para mudar isso.

Havia um tempão que Connor tinha se acostumado, e até gostado, de trazer decepção para as pessoas ao seu redor. Agora, bem – ele tinha adorado poder ver o rosto da professora caindo. Adorado tanto mesmo. Só que, dessa vez, ele nem precisou fazer nada de errado, nem precisou lidar com nenhuma consequência ou grito. Só a surpresa.

Aquilo era bom. É. E estranho. Connor ainda não estava muito acostumado a se sentir feliz. Seu cérebro ainda não estava muito acostumado a receber dopamina, mas era para isso que ele tomava todos aqueles remédios, não é?

Tão estranho.

Ele tinha saído antes do que esperava, então sua mãe ainda não estava lá e, até hoje, ela não o deixava andar sozinho. Connor tentou fazer si mesmo acreditar que ele estava ok esperando por ela ali, mas Ed tinha treino de luta naquela mesma hora e Connor realmente não queria dar de cara com ele. A única coisa que ele realmente podia fazer foi ficar o mais distante possível da quadra.

As pessoas que passavam pelo corredor davam umas olhadas em direção a ele e ele não tinha entrado em nenhuma briga fazia um tempão, mas ele podia ver um pouco de pressa em qualquer aluno que chegasse muito perto de si. Connor revirou os olhos. Ele apoiou suas costas contra alguns armários e ficou olhando para sua prova.

C.

Evan tinha tirado um C também, ele se lembrou. Evan tinha conseguido de primeira e sem ajuda de Alana, mas não é como se eles não soubessem que Evan era o mais inteligente entre os dois. Ainda assim. Evan.

Connor tirou seu celular da bolsa e esperou ele ligar, antes de tirar uma foto da sua nota. Ele hesitou um pouco, no final, antes de a enviar para Evan. Poderia o mostrar amanhã, é claro, e isso não envolveria incomodar o menino, mas ele estava animado, agora. Não conseguia se segurar. Acabou mandando.

Cinco minutos depois, ele recebeu sua resposta.

 

EvanHansen

Isso é ótimo Connor!

Eu sabia que você ia conseguir :)

 

Então, Connor sorriu ainda mais. Isso não significava nada, ok?

 

c o n n o r

valeu

oq vc tá fazendo?

EvanHansen

Minha mãe tá tentando fazer pão

Mas ela não tem a receita então...

Ela provavelmente vai pôr fogo na casa

c o n n o r

ela sabe q pode só pesquisar no google né?

EvanHansen

É culpa do Google que a gente está aqui para começo de conversa

Ela achou um artigo no Facebook com “20 atividades interessantes para aproximar mães de seus filhos adolescentes”

Cozinhar sem receita era a número um

c o n n o r

eu tenho certeza q uma boa e velha diarreia compartilhada seria um ótimo jeito de ficar mais próximo de alguém

EvanHansen

Connor!

c o n n o r

vc sabe q eu estou certo

EvanHansen

Provavelmente

Visualmente, as coisas não parecem estar indo muito bem

O que vc tá fazendo?

c o n n o r

eu tô esperando a minha mãe aq na escola

ela não quer q eu vá para casa sozinho

provavelmente acha q eu iria parar no meio do caminho para me drogar num beco vazio ou sei lá oq

 

A resposta de Evan demorou um pouco mais agora do que tinha antes. Connor observou um grupo de meninas do teatro passando na sua frente. Elas o observaram de volta. Gente do teatro sempre eram menos discretos com suas encaradas.

 

EvanHansen

Mas vc não iria

c o n n o r

nah

eu nem falo mais com meu traficante direito, então, tipo, antes de qualquer coisa eu iria ter que ir atrás de um novo, o que iria ser super complicado para fazer agora

 

Connor roeu sua unha, relendo o que tinha mandado para Evan.

 

c o n n o r

isso foi uma piada, aliás

eu realmente não iria

EvanHansen

Eu sei

Eu acredito em você.

 

E, talvez, Connor tenha corado, mas, de novo, isso não significava nada e, de verdade, isso não importava. Ele só não estava acostumado a ouvir – ou ler – aquelas palavras. Nada a ver com Evan em específico.

 

EvanHansen

Ei

Vc ainda tá na escola?

c o n n o r

ahã

EvanHansen

Alana tá aí na sala de informática

Vc deveria mostrar a prova para ela

Eu tenho certeza que ela ficaria tão orgulhosa quanto eu

 

Connor não tinha pensado nisso, mas agora que Evan falou, aquilo parecia algo que Connor já deveria ter feito. Afinal de contas, foi Alana quem o fez tirar aquela nota. Ele mandou um ‘boa ideia’ rápido para Evan antes de ir em direção a informática.

Alana estava de frente para um computador digitando um relatório, provavelmente. Estava de costas para porta por onde Connor entrou. Ele sorriu. Quando Connor estava feliz daquele jeito, ele sempre se sentia brincalhão. Não era algo que a maioria das pessoas sabia, porque Connor dificilmente estava daquele jeito.

Ele se aproximar pelas costas dela. Se sentiu bem idiota sussurrando “buu” no ouvido de Alana, mas o jeito que ela pulou o fez rir. Muito. Ela se virou para ele, uma mão apertada contra o peito, o rosto uma mistura de chocado e indignado, e era uma imagem tão engraçada que ele só riu ainda mais.

“Connor!” ela exclamou, batendo no ombro dele. “Sério mesmo?”

“Desculpa,” ele disse, ainda rindo enquanto se apoiava na mesa do lado dela. Então, um pouco hesitante porque ele de repente tinha se lembrando que Alana só tirava A+, Connor a mostrou sua prova.

Na mesma hora, o rosto dela se iluminou.

“Connor!” Alana repetiu, mas dessa vez sorrindo, mostrando os dentes e tudo. Os olhos dela brilharam. Connor realmente não estava acostumado com aquele tipo de expressão sendo direcionado a ele.

Alana o abraçou. Foi um pouco estranho, porque a última vez que alguém abraçou Connor, foi a mãe dele, e Connor estava deitado numa maca de hospital enquanto Cynthia o apertava desesperadamente, murmurando sobre como o quão feliz ela estava que ele estava vivo. Antes disso – ele não se lembra de ser abraçado por uns cinco anos antes disso. É. Estranho. Desajeitado. Mas não ruim. Foi rápido e ela não o apertou com muita força. Ele gostou disso.

Quando ela o soltou, ainda estava sorrindo.

“Eu te disse,” ela falou, porque essas talvez fossem as palavras favoritas de Alana. “Eu sabia que você ia se dar bem!”

“Bem,” disse Connor, “isso é uma surpresa, já que nem eu achava que eu ia ir bem.”

“É claro que você iria.” Alana revirou os olhos. “Eu te ensinei tudo que você sabe. Eu sou uma ótima professora, Connor.”

Connor encolheu os ombros.

“Hã,” ele soltou, mais de brincadeira do que qualquer coisa, “mais ou menos.”

Alana empurrou o ombro dele, rindo.

Depois disso, ela o mostrou o que estava escrevendo – o trabalho de literatura. Alana deixou ele ler o que ela já tinha feito e revisar sua gramática, dizendo que ela ia fazer o mesmo quando ele acabasse o seu. Connor achou melhor nem a dizer que ele não estava planejando começar a o escrever.

Quem sabe.

Talvez ele pudesse mudar de ideia, depois daquele C.

Talvez ele já tivesse.

 

 

Alana estava apontando para a tela animadamente, explicando sua linha de raciocínio, quando Cynthia mandou uma mensagem para Connor dizendo que tinha chegado. Ele deu tchau para Alana e foi em direção ao estacionamento antes que Cynthia pudesse ir atrás dele.

A mãe dele ficava toda estranha sempre que estava perto de Alana. Connor tinha quase certeza que Cynthia achava que eles estavam namorando escondidos, o que era super estranho, porque ele mal estava acostumado com o fato de Alana o considerar um amigo, e os dois não eram nem um pouco atraídos um pelo outro. Tipo, nem um pouco.

Alana era lésbica, de qualquer jeito.

Cynthia tentou conversar com Connor no caminho para casa. Ele estava de bom humor, então ele respondeu todas as perguntas dela sem nem resmungar. Connor achava aquilo um grande avanço. Ela sorriu quando viu a nota dele, mas, apesar de tentar esconder, Cynthia não parecia achar um C tão incrível quanto Connor achava. Que choque.

Quando Connor chegou em casa, a primeira coisa que ele fez foi correr escada acima. Estava pronto para ir dormir, e indo para seu quarto já, quando passou em frente à porta aberta de Zoe. Depois de uns segundos de hesitação, ele entrou.

Fazia anos desde que Connor entrava no quarto dela. Havia um monte de fotos de polaroid espalhas pelo chão. Cordas de violão quebradas. Roupas. Pratos sujos. É um caos tão grande quanto o quarto de Connor. Eles tinham coisas em comum. De vez em quando, Connor se esquecia disso.

Zoe estava sentada no chão, pintando as unhas do pé com esmalte azul. O cabelo dela estava preso num coque, seu rosto todo retorcido enquanto ela tomava muito cuidado para não sujar nada. Parecia estar bem concentrada.

Connor enfiou sua prova na cara dela.

“Olha,” ele disse.

“Ei!” ela chiou em surpresa, empurrando o braço dele para longe. Zoe pôs o esmalte no chão com cuidado, antes de arrancar a prova da mão dele. “Ah, um C é bom, Connor. Talvez você não seja um caso completamente perdido.”

“Cala a boca.”

Mas Zoe estava sorrindo para ele, a voz cheia de sarcasmo, então Connor sorriu também. Era bom, ele pensou, que Zoe se sentisse confortável brincando perto dele. Realmente bom. O enchia de alívio.

“Você tem que pôr menos força na sua mão,” comentou Connor, já se preparando para sair com seu teste. “Vai borrar o esmalte assim, Zoe.”

“Sabe,” Zoe revirou os olhos, “se você é tão melhor assim, porque não vem me ajudar?”

Se ele tivesse que chutar, a última vez que eles passaram um tempo sozinhos, Connor deveria ter uns doze anos e Zoe onze, e a mãe deles provavelmente os obrigou a ver algum desenho juntos na sala enquanto ela arrumava a casa. Eles costumavam se divertir, antes de tudo na vida de Connor ir para merda, mas isso fazia tanto tempo que ele nem conseguia se lembrar direito.

Connor se sentou na frente de Zoe.

“Azul?” ele perguntou, pegando o esmalte que ela tinha escolhido.

“É minha cor favorita.”

“Eu sei. Eu lembro quando você pintou seu cabelo.”

“Connor, shhh.” Zoe pôs um dedo em frente aos seus lábios. “A gente não fala sobre aquela minha fase.”

“Tinha ficado legal.” Não era verdade, só que não era mentira também. As mechas azuis eram um desastre, mas o fato de Zoe ter as feito contra a vontade de Larry era legal para caramba. Connor se lembra de ter ficado orgulhoso. Ele se lembra de nunca ter falado nada para ela.

“Sei.” Zoe revirou os olhos. Ela apoiou o pé na perna dele, o chutando levemente. “Vai, me mostra o quão bom você é nisso.”

Connor tinha experiência pintando suas próprias unhas, não importa o quanto Larry era contra isso, e Zoe tinha cortado e tirado suas cutículas, então ele realmente ficou com a parte mais fácil. O verdadeiro problema de Zoe era que ele estava passando o esmalte com muita rapidez, mas ao menos com esse tipo de coisa Connor conseguia ser delicado.

Além do mais, ele estava animado.

Era um dia feliz.

Connor vinha se segurando a eles com tanta força.

Ele e Zoe, magicamente, não brigaram nenhuma vez. Eles tiveram discussões, e vezes em que Zoe tentou o chutar na cara, mas ele achava que isso era mais algo normal de irmãos do que de gente que se odiava.

“Seu pé é igual ao do Larry,” ele comentou uma hora, e Zoe se esticou toda para pegar um travesseiro em sua cama e bater em Connor.

Ele riu.

Em algum momento, ela colocou um vídeo no YouTube para eles verem juntos. Era divertido. Ele não se lembrava da última vez que se divertiu com Zoe, só os dois.

Também teve a hora em que Cynthia parou no corredor e ficou os observando com os olhos cheios cheios de lágrima e o maior sorrisão do mundo, mas nenhum dos dois falou nada sobre isso, nem quando Connor teve quase certeza que Cynthia estava tentando tirar uma foto escondida deles.

Connor já estava no segundo pé de Zoe quando seu celular tocou. Ele a deixou de lado só para checar, ignorando quando ela soltou um som irritado.

Era uma foto.

 

EvanHansen

Então

É assim que a massa está

E eu estou assustado

c o n n o r

vc deveria

oq são essas bolhas brancas??

e pq elas estão cheias de pó?!?

EvanHansen

Eu acho que é fermento q a gente não misturou direito?

c o n n o r

ah

eu não acredito em fermento

EvanHansen

Desculpa, o que?

 

Connor riu, podendo imaginar a confusão no rosto de Evan. Zoe, que estava procurando por algo na caixa cheia de esmaltes dela, levantou o rosto em sua direção.

“Falando com Evan?” ela perguntou.

“Ahã,” disse Connor, franzindo as sobrancelhas. “Como você sabia?”

Ela deu de ombros, brincando com uma acetona entre suas mãos. Não o respondeu.

“Eu não sabia que vocês mandavam mensagens um pro outro,” comentou depois de um tempo. Estava tentando manter um tom de voz de quem não queria nada, mas Connor podia sentir que havia algo por trás das palavras de Zoe.

“A gente manda.” Desde hoje, de qualquer maneira. “Por que?”

“Só curiosidade.” Ela coçou a garganta. O cabelo ainda estava num coque, mas ela conseguiu arranjar um fio solto para enfiar atrás de sua orelha, antes de lançar um olhar muito intenso para Connor. “Você – toma cuidado, ok? Com os sentimentos de Evan.”

Connor fez uma careta.

“A gente já teve essa discussão, Zoe.” Eles tinham tido, no carro dela lá na primeira vez que ela o levou pro grupo de apoio. “E eu ainda não entendo porquê.”

Ele tinha se esquecido daquele momento, mas agora que se relembrava e pensava direito, aquilo tinha sido esquisito pra caramba. Zoe tinha estado tão assustadoramente certa de que Connor tinha que se distanciar de Evan. Por quê?

Ela pôs a acetona no chão. Tirou um esmalte preto de dentro da caixa. Ficou o encarando ao invés de encarar seu irmão.

“Ele é um doce,” ela finalmente disse. Isso era verdade. Evan tinha que ser a melhor pessoa que Connor já tinha conhecido. “E super inocente. Eu só não quero que ele acabe machucado.”

“Ele não vai.”

Connor estava tão certo disso.

Provavelmente era porque ele queria que isso fosse verdade.

Tanto.

Zoe concordou com a cabeça.

“Ótimo.”

Ela despausou o vídeo que eles estavam antes.

“E, ah, só para você saber.” Zoe sorriu, provavelmente tentando melhorar o clima. “Depois disso, eu vou fazer a sua unha.”

 

 

Mais à noite, Evan o mandou outra mensagem. Eles estavam jantando, mas Connor não se importou. Ele foi ler a notificação na mesma hora.

 

EvanHansen

Então

O pão tá pronto

Eu tô suspeito

E eu não confio nele

c o n n o r

vc deveria tentar

por mim

e pela sua mãe

a gente quer saber como ficou

EvanHansen

Ok

Mas só porque a minha mãe parece muito orgulhosa

E ansiosa

 

“Sem celular na mesa,” avisou Larry. Connor só revirou os olhos. “Connor...”

“O que?” Connor tentou não aumentar seu tom de voz. Zoe ainda o lançou um olhar de aviso.

“A gente está comendo em família,” disse Larry. “É o nosso momento para conversar entre nós, não para você ficar de olho nessa sua telinha.”

“Ninguém tá nem falando nada,” comentou Zoe.

“Bem,” começou Cynthia, sempre pronta para tentar apaziguar sua família. Estava tentando sorrir, “nós estamos agora.”

“Graças ao meu celular,” rebateu Connor. “Eu acho que vocês deveriam me agradecer.”

Larry estava o encarando, parecendo pronto para começar um argumento, mas o celular dele vibrou de novo. Connor abaixou seu rosto para olhar.

 

EvanHansen

Então

Ele está esponjoso

E meio molenga e esquisito

Eu ainda estou suspeitando de algo

Mas acho que é ok

Eu comeria até o final pela minha mãe

c o n n o r

esponjoso, molenga, esquisito e suspeito, mas ok

é assim que eu gosto

 

Larry ainda estava com uma cara de bunda pelo resto do jantar, mas Connor continuou sorrindo e mandando mensagem para Evan. Naquele ponto, era parcialmente só para o irritar mesmo.

Depois que eles acabaram de comer, ele e Zoe mandaram uma foto de suas unhas para Evan. Aquilo foi legal. Aquilo foi um ótimo, quase perfeito dia.

Esses eram os mais raros.

 

 

“Eu acho que vermelho é uma ótima cor para o seu tom de pele,” Alana o disse na próxima segunda, enquanto olhava para as unhas dele no lanche.

Hoje não era ótimo, mas era ok. A cabeça dele estava doendo um pouco, mas não tanto que ele não podia apreciar o elogio. Ele não estava irritado ou desconexo, mesmo que prestar atenção nas aulas estivesse sendo especialmente difícil.

“Valeu,” disse. “Só que da Zoe tão melhores.” Connor encolheu os ombros. “Eu sou mais talentoso pintando do que ela.”

“Haha,” Zoe soltou sarcasticamente. Ela estava sentada com eles hoje. Ninguém comentou sobre isso, apesar das amigas dela terem a encarado com um pouco de surpresa quando ela passou direto por elas. “Ao menos eu consigo manter meu esmalte por semanas inteiras. Você sempre rói o seu todo no mesmo dia.”

Connor mostrou o dedo do meio para ela. Zoe devolveu.

“Eu acho que as suas estão ótimas mesmo,” Alana disse para ela. Zoe sorriu.

“Obrigada.”

Hoje, Alana e Zoe tinham obrigado Connor a comer uma maçã – frutas, eca – e Evan tinha o dado metade de seu sanduíche. Jared só tinha tirado sua comida de perto de Connor. Connor fez questão de pegar uma de suas cenouras só por causa disso.

Desse jeito, Connor iria virar uma pessoa moderadamente saudável.

Eca, de novo.

“Minha entrevista para Yale vai ser essa sexta,” Alana comentou com eles. “É mais pro fim da tarde, só que são umas sete horas de ônibus, então eu provavelmente vou ter que ir quinta a noite e ficar num hotel sozinha, o que é super chato...”

“Seu pai não vai te levar?” perguntou Zoe.

“Ele tem que trabalhar.” Alana deu uma colherada na sua gelatina. “Ele até queria pegar uma licença, mas eu não deixei. Eles precisam dele, e, de qualquer forma, eu posso ir sozinha.”

“É claro que não!” disse Zoe. “É longe.” Zoe olhou para Connor, as bochechas um pouco vermelhas. “Eu poderia te levar.”

“Sério?”

“Tá brincando?” Zoe sorriu. “A gente teria que matar aula sexta de manhã né? Para mim tá ótimo. Melhor desculpa do mundo. E eu adoro viagens de carro. A gente pode parar num monte de lugares na volta e só comer besteira. Seria maravilhoso.”

Alana parecia tão animada quanto a irmã dele, só que um pouco menos inconsequente. Alana gostava de ter seus planos feitos com muito cuidado.

“Seus pais deixariam?”

“Eles não precisam saber,” comentou Connor. “É só dizer que ela vai dormir na sua casa. Nossos pais estão tão preocupados pensando em mim como o filho perdido que eles nem iriam suspeitar de Zoe.”

Alana o encarou com as sobrancelhas franzidas, enquanto Zoe se virou para ele, praticamente pulando na cadeira.

“Você vai também?”

“Eu adoraria,” ele disse, já se odiando por deixar a oportunidade de matar aula passar, “mas sexta feira eu tenho segunda chamada. Perdi um monte de prova nos primeiros meses, lembra? Agora vou ter que fazer tudo, o que é… uma grande merda. A escola com certeza ligaria pros pais se eu não aparecesse, então não é como é eu tivesse muita opção.”

“Evan?” perguntou Zoe.

“Desculpa,” o menino disse, “mas minha mãe decidiu que sexta é dia de tacos agora. Tacos feito em casa.” Evan revirou os olhos, mas ele não parecia realmente irritado. Estava quase animado. “Vai ser um desastre, mas minha presença é obrigatória.”

“Legal.” Zoe parecia estar sendo sincera quando dizia isso. “E você Jared?”

Jared riu.

“Você já percebeu o quão hiperativo eu sou? Você realmente quer ficar num carro comigo por umas cinco horas? A gente teria que parar a cada trinta minutos para eu poder esticar minhas pernas. Não, essa é uma verdadeira ideia de merda, Murphy.”

Zoe estremeceu um pouquinho, antes de se voltar para Alana com um rosto muito brilhante.

“Então,” ela começou, “o que você diz? Só nós duas?”

“Seria ótimo. Obrigada mesmo, Zoe.”

Connor virou para Evan.

“Então, isso quer dizer que sexta vai ser só nós dois.”

“Ei!” exclamou Jared. “E eu não sou nada?”

“Eu queria que você não fosse,” resmungou Connor.

Evan sorriu para ele.

É, havia toda a coisa da dor de cabeça de Connor, mas hoje era um dia bom. Muito bom.

Ele só podia rezar para que sexta fosse também.



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