História To the pretty shark boy - Capítulo 1


Escrita por: e Joorin

Postado
Categorias Monsta X
Personagens Ki Hyun, Min Hyuk
Tags Kihyuk, Monsta X, Trans!kihyun, Xcollab
Visualizações 39
Palavras 1.295
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fluffy, LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Transsexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu tava tão animada com o tema desse mês, queria ter escrito outro plot, mas achei esse mais levinho e como eu não tinha capacidade nenhuma de escrever nada pesado depois de quase ter um surto por causa do fim do semestre, voltei pro fluffy de final aberto.
Um obrigada especial pra @hwallhistory pela capa lindinha e a @proud pela betagem <3

Capítulo 1 - I gave my heart


A primeira neve do inverno começara a cair em Seoul, fina e tímida, pouco incomodando as pessoas que transitavam pela rua. Kihyun ajeitou o cachecol no pescoço, escondendo a ponta dentro do casaco azul petróleo, antes de colocar a touca que ganhara de amigo secreto alguns meses atrás e sair de dentro do prédio dos dormitórios da faculdade. Depois de finalmente ter conseguido se transferir para o dormitório dos pós-graduandos, Kihyun ganhara um pouco de paz e privacidade, já que seu colega de quarto quase nunca dava as caras. Não precisava mais esperar que todos dormissem ou ser o primeiro a levantar para tomar banho, não precisava ter medo e vergonha de tirar a camisa dentro do próprio quarto, não precisava fingir que não recebia olhares curiosos e julgadores quando algum dos meninos do dormitório antigo percebia algo... diferente... O que ainda era fácil, de certa maneira, ignorar. O bullying, o desprezo, o nojo, a transfobia mascarada de dogma religioso não. E não estava nem um pouco preparado para ter aquilo de volta em sua vida. Era complicado conviver com o medo constante de ser motivo de chacota outra vez, de ser tratado como uma farsa ou uma aberração, de ouvir o nome que um dia fora seu, de ser rejeitado pela enésima vez por um cara que, a princípio, parecia legal porque, para ele, não era... de verdade.

O fato de ter demorado tanto tempo para sequer falar com Minhyuk, um dos mestrandos do Departamento de Biologia que vivia pelos laboratórios usados pelos estudantes de Bioquímica, pedindo ajuda a um amigo fazendo doutorado na área para realizar uma análise toxicológica de um composto encontrado em animais marinhos na costa sudeste do país. Kihyun, por fazer mestrado em Bioquímica e Biologia Molecular, o via com certa frequência e desenvolvera um pequeno crush pelo homem de cabelo cor de mel, sorriso fácil e afeto para dar aos baldes.

Depois de algum tempo apenas tendo conversas curtas, criara coragem para convidá-lo para sair. Só não esperava que ele fosse aceitar tão prontamente e que o convidaria para sair mais vezes depois. Era como achar um oásis depois de uma eternidade vagando no deserto escaldante, mas tinha medo de tudo não passar de uma miragem assim que contasse, ou Minhyuk descobrisse por terceiros, que não era aquilo que a sociedade tinha por homem, mesmo que gritasse aos quatro ventos, mostrasse seus documentos ou o que quer que fosse. Como seu irmão mais velho não se cansava de repetir, era como jogar xadrez com um pombo, que não faz nada além de bagunçar as peças e defecar no tabuleiro.

O coração parecia sair pela boca todas as vezes em que se arrumava para encontrar Minhyuk e mesmo estando ridiculamente frio naquele dia, suas mãos suavam dentro dos bolsos do casaco durante todo o curto percurso até o aquário do COEX, um dos lugares que mais desejava visitar desde que havia retornado ao país natal, depois de passar alguns anos morando no Japão com a família.

Quando finalmente o avistara parado logo na entrada sentiu um frio no estômago, que apenas piorou quando Minhyuk o viu em meio a multidão, abrindo um enorme sorriso, acenando com a mão avermelhada pelo frio. Era desconcertante ter toda a atenção dele voltada para si, assim como aquele sorriso tão radiante, como se tivesse pendurado as estrelas e a lua no céu. Naquele dia em específico, porém, Kihyun notou o mesmo olhar voltado aos animais nos aquários, o entusiasmo presente na voz de Minhyuk ao explicar coisas sobre eles, em especial as baleias, que devido ao porte do aquário, apareciam apenas em painéis e fotos na área do maior tanque do lugar.

— Só acho triste ver eles confinados desse jeito — Minhyuk comentara algum tempo depois, quando estavam sentados em um café do shopping, alguns andares acima do aquário. — Principalmente os animais maiores... Não é nem um pouco saudável e eles acabam entrando em depressão.

— Por que você continua vindo? — perguntou, genuinamente confuso.

— Era parte do meu projeto de pesquisa da graduação, acabo voltando pra ver como eles estão e ver se colocaram novas espécies nos tanques.

— Então você me levou pra uma checagem? — Kihyun provocou, rindo.

— Você disse que gosta de tubarões, queria te levar pra ver alguns, já que não tenho como te levar pra ver na natureza mesmo. — um sorriso bobo tomou conta dos lábios de Kihyun ao ouvir aquilo, por Minhyuk se lembrar de uma informação pequena, que soltara no meio de tantas outras enquanto conversavam.

— Se eu visse meus tubarões na natureza, você teria que ver suas baleias também — disse, ao apoiar o braço sobre a mesa, empurrando as xícaras vazias para o outro lado dela.

— Pra isso a gente precisa de dinheiro e juntar dinheiro leva tempo — Minhyuk pontuou, dando uma risadinha e colocando uma das mãos sobre a coxa de Kihyun —, isso quer dizer que você pretende continuar aceitando meus convites?

— Se dependesse apenas de mim — murmurou, ficando tenso quando o polegar de Minhuyk começara a acariciar sua coxa. — Min...

— Se depender de mim — ele começou, com voz no tom mais neutro possível, tentando passar confiança —, eu gostaria muito que isso que a gente tem continuasse...

Kihyun mordeu os lábios, o medo dançando em seu peito se misturando a vontade de finalmente ter um relacionamento que desse certo, de poder se sentir especial e amado.

— Min, eu... não acho que sou a pessoa certa pra você...

— Ta brincando? Você me escuta falar sobre estômago de peixes sem reclamar, me ensinou a cozinhar, mesmo que seja só uma coisa ou outra pra não viver de comida pronta de mercado — Kihyun riu involuntariamente ao se lembrar das vezes em que Minhyuk transformara a cozinha do dormitório em um completo caos quando tentou ensiná-lo a cozinhar —, você gosta de mim apesar das minhas manias esquisitas, de eu demorar anos pra responder porque fico tão concentrado na pesquisa que esqueço do mundo.

— O problema não—

— Você não é um problema, Ki... — a mão de Minhyuk que se encontrava em sua coxa segurou a sua que estava apoiada no encosto da cadeira. — Você não ter... sabe, esse treco mole e feio não é um problema pra mim, não te faz diferente pra mim, você ainda é você, o cara que faz pesquisas incríveis que eu não entendo, que assiste animes toscos comigo, que não acha que comer besteira e jogar jogos de tabuleiro é um encontro ruim.

— Alguém te contou... — Kihyun tinha plena certeza que toda cor sumiu de seu rosto no momento em que ouvira aquelas palavras.

— Deixaram um comentário em uma das nossas fotos juntos uns dias atrás, não sei quem foi, o perfil não tinha foto e era trancado, eu só apaguei... Você ainda não tinha se sentido confortável pra me contar, então eu não disse nada, não achei certo te forçar a me contar por causa de um comentário estúpido.

— O que tinha no comentário? — perguntou quase em piloto automático, o medo e o desespero fazendo seus dedos formigarem.

— Nada que valesse a pena se importar.

— Minhyuk...

— Não, eu não vou te contar. — Minhyuk enlaçou seus dedos aos de Kihyun e um suspiro saiu de seus lábios. — Olha, desculpa por falar disso desse jeito, a gente pode voltar pra minha casa e conversar melhor se quiser, ou você pode jogar café em mim, não sei... — Kihyun riu, apoiando a bochecha no ombro de Minhyuk.

— Jogos de tabuleiro e vinho barato me parecem uma ótima ideia — disse, ainda rindo.

— Ok, jogos e vinho primeiro, conversa séria de gente grande depois. — Minhyuk checou o horário no celular e puxou Kihyun para se levantar consigo. — Só saiba que eu não vou embora.

— Vamos ver se isso continua assim depois que eu ganhar no scrabble de novo, dez vezes seguidas.


Notas Finais


Não sejam pessoas transfóbicas ou eu vou puxar o pé de vocês de madrugada com uma máscara feia.

Obrigada por ler e um muito obrigada adiantado caso tenha comentado ou favoritado <3


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