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História (Tobidei) Love is'nt a choice - Capítulo 1


Escrita por: MagicadeOz

Notas do Autor


Carta aberta da Ana ao leitor:

Oii, como vão as coisas? Eu espero muito que esteja tudo bem com você, que sua saúde física e mental esteja estável nesse momento.

Chegamos ao mês do orgulho LGBTQIA+ e eu decidi trazer você uma história na qual o objetivo é dar representatividade para (quase) todas as sexualidades e identidades de gênero.

Sei que o site contém milhares outras fanfics de casais homoafetivos. Porém são pouquíssimas que retratam a realidade cotidiana dos integrantes da comunidade. Grande maioria disfarçando a existência da homofobia, transfobia e todo o tipo de preconceito que enfrentamos por simplesmente sermos quem somos.

Pois, convenhamos que vivemos no país que mais mata LGBTs no mundo e a única "representatividade" que temos nesse mês sao as marcas colocando arco-íris em tudo.

Espero conseguir retratar situações cotidianas que os membros da comunidade se identifiquem e assim sintam -se representados de maneira positiva.

Então, caso você seja da comunidade, sabia que eu dedico essa fanfic à você.

E também exclusivamente para os dois seres que eu mais amo nesse universo inteiro (depois da minha filha e da minha mulher né kkk)
Meu irmãozinho caçula que se assumiu recentemente e eu estou tendo o prazer de acompanhá -lo no processo da transição, e meu melhor amigo que acabou de noivar com um homem incrível, os dois são à minha principal inspiração pra essa história💜

Capítulo 1 - Namikaze Matsuyuri


Tenho a persistente sensação de que devo esconder minha verdadeira identidade para ser aceito nos ambientes que tenho que conviver, pouco me importa se estou reprimindo a mim mesmo.


Não escolhi ser um garoto transexual, muito pelo contrário, eu estaria muito melhor se me identificasse como uma garota.


Cinco meses haviam se passado desde que meus pais me expulsaram pra fora de casa ao saberem que eu não me via como a menina que eles haviam criado. Minhas únicas esperanças foram meu namorado e minha melhor amiga, que também foram os únicos a me ajudarem nos momentos que mais precisei. Mas apesar deles quererem muito me ajudar, eu também precisava cooperar para que isso acontecesse.


Sasori era simplesmente tudo pra mim e eu não sei o que seria de mim sem esse homem. Além de meu namorado, melhor amigo, professor particular, ele sempre faria o possível (e talvez impossível) para me ver bem. Contudo, quando tive de sair de casa já sabia que ele não poderia me acolher ou me sustentar enquanto eu não me estabelecesse financeiramente.  

Éramos sim apaixonados um pelo outro, porém eu não era a maior prioridade dele, e eu perdia esse cargo para sua avó, que estava extremamente doente e se tratando em um hospital caríssimo. Eles só tinham um ao outro, e por isso tive que vê-lo trancar sua faculdade para que tivesse tempo para trabalhar em dois empregos e conseguir conciliar as contas com o preço do tratamento.


Por isso, recorri à minha melhor, e única amiga. Kurotsuchi sempre foi uma influência positiva para mim, não é à toa que meus pais sempre gostaram dela justamente por ela ser uma mulher "exemplar". 


Quando éramos crianças prometemos ser melhores amigos para sempre e que um sempre poderia contar com o outro. Bem, acho que cumprimos isso até hoje, pois ela continuou ao meu lado após eu ter me assumido e também me acolheu quando eu não tive pra onde ir.


Nossas condições não eram as melhores, mas conseguíamos viver de maneira digna. Obviamente que eu não poderia morar de favor, comendo e bebendo às custas dela para sempre.


Tive sorte que Kuro foi compreensiva o suficiente para entender minha situação, me aconselhou a terminar meus estudos e me motivou a procurar por um emprego e posteriormente uma faculdade. 


Me vejo como um artista desde que me entendo por gente. Sonhava com o dia em que minhas telas estariam expostas em galerias e exposições famosas onde as pessoas me reconheceriam por tal.


Mas nem tudo é como queremos.


Antes de realizar meu sonho eu tinha outras necessidades, como conseguir um emprego para não depender dos meus amigos, por exemplo.


E era isso que eu estava fazendo naquele momento, lutando em prol da minha independência para sobreviver, nem que pra isso eu precisasse fingir ser quem não sou e fazer o que jamais faria.


Havia conseguido uma bolsa de estudos para o curso que mais banalizei durante toda a minha vida, farmácia. E lá estava eu, me preparando para minha primeira entrevista de emprego como estagiáriA.


Já fazia mais de uma hora que eu estava preso naquele banheiro, tentando arrumar meu cabelo de um jeito que eu não me sinta tão "feminina". 


Não que isso vá adiantar, eles vão me ver como uma mulher, eu serei chamado pelo nome de uma.


-- Matsu? Você vai se atrasar aí garoto!


-- Relaxa, Kuro, só tenho que sair até às 7:30


-- Mas já são 7:49 Matsu!!


-- E VOCÊ NÃO ME AVISOU KUROTSUCHI??


--  Matsuyuri você tá aí há mais de uma, acordou com dor de barriga foi?


Abri a porta para que ela entrasse e permitisse que ela visse o meu estado.


-- Eu não sei o que fazer no meu cabelo e eu me sinto horrível nessas roupas Kuro!!


-- Vem aqui, deixa eu te ajudar.


Começou a arrumar a gola da minha camisa e ajeitou os botões que eu havia abotoado errado, esticou minha saia e pediu pra que eu virasse de costas. Me virou de costas e dividiu meu cabelo em três partes, iniciando uma trança lateral.


-- A empresa dos Uchihas é bem rígida e com diversas regras que valem até para os superiores, para eles a primeira impressão é a que fica. Eu espero muito que a Izumi seja a entrevistadora porque ela é a menos  ríspida. Mas de qualquer jeito, o seu currículo é bem completo, acho que você vai se destacar em meio à concorrência… E não precisa ficar nervoso, ok?


-- Eu não consigo não ficar… Tenho medo de me referir a mim mesmo no masculino na frente de alguém e desconfiarem..


-- Eles provavelmente nem vão notar isso, amiga.


-- AMIGO! Ah, e falando nisso, depois da entrevista eu vou pra casa do Hidan com o Sasori.


-- Me desculpa, eu tô tentando me adaptar, mas nunca faço isso pra te ofender, você sabe. E o que vocês vão fazer ?


-- Escolher um nome pra mim!! Não aguento mais ser chamado Matsuyuri, o que eu não acho que vai ser difícil já que meu pai quer me deserdar. E depois eu vou pra aula.


- Pronto, terminei. Seu currículo tá em cima da mesa, boa sorte mocinho!


-- hm, obrigado.


Sai correndo para fora de casa e corri até a estação, entro no primeiro vagão  e olho no relógio; 08:00 

E eu preciso chegar até às 08:15, mas de metrô o trajeto demoraria mais de meia hora, mas que merda!


Esta é minha primeira entrevista de emprego, não sei como me portar, o que devo ou não fazer e isso me deixa inquieto.


Vou apostar unicamente no meu currículo, e espero que isso seja suficiente. Aliás eu tenho tudo que exigem, estar cursando o meu curso, falar mais de dois idiomas e mais alguns outros requisitos básicos. 

Entretanto existem diversos empecilhos que eu não posso permitir me atrapalharam; meus problema com atrasos, minha timidez, uma dicção péssima e claro, minha identidade de gênero.


Desembarco do vagão e corro pela estação para chegar logo na empresa, porém sem me esforçar tanto para que eu não suasse.


Assim que chego em frente ao prédio para observar aquela enorme estrutura. Um enorme arranha céus com janelas de vidro espelhado com o símbolo do Clã Uchiha na lateral, eu espero sinceramente não precisar ser desse clã para trabalhar nesse lugar.


A recepção era maior do que minha casa inteira, tão bem decorada e iluminada.. Nunca estive em um ambiente tão nobre como este antes, o que só aumenta meu nervosismo.


Pelo visto até a recepcionista tinha que ser bonita para que tudo ali fosse chamativo, fui atendida por uma mulher de cabelos azuis e seus olhos tinham uma tonalidade alaranjada que eu nunca tinha visto antes, o que evidenciava que ela não era uma Uchiha.

-- Bom dia, como posso ajudá-la?


-- Hã.. Oi… Bom dia… Bem, eu vim pra entrevista de emprego pra vaga de estagiária no setor de soldagem e distribuição.


-- Sinto muito mas o horário reservado para entrevistas estava reservado apenas para às 07:00 até às 08:30, e já são mais de nove horas!


-- Por favor, você não tem como remarcar ou então ver se outra pessoa pode me entrevistar! 


-- Senhorita, quando abrimos vagas para estágio elaboramos um processo seletivo rigoroso para contratarmos apenas estudantes capacitados para trabalharem aqui e você deixou de--


Por alguma razão ela parou de falar para prestar atenção na mulher que caminhava em nossa direção carregando consigo uma prancheta com algumas folhas penduradas. Bonita. Pensei ao reparar, ela tinha os cabelos castanhos cortados em um perfeito chanel, trajada com um blazer cinza e uma calça branca que combinava com seus saltos que eram da mesma cor, em seu rosto haviam duas fitas roxas marcando suas bochechas.


Ela parou no balcão e tirou todos aqueles papéis de sua prancheta e começou a rasgá-los, um por  um, e depois os entregou à recepcionista.

-- A-algum problema Sr. Uchiha?


-- Ah se fosse só um, Konan! Pode mandar o Obito abrir mais um processo seletivo no site e com mais requisitos pra eu não perder meu tempo entrevistando um bando de incompetentes!

-- Sim! Precisa de mais alguma coisa, senhora?

-- Preciso saber quem é essa garota com você tá jogando conversa fora enquanto devia estar fazendo seu trabalho! -- Perguntou com um tom se voz impaciente e ríspido, me sinto tão nervosa a ponto de ter um pequeno medo dela e do espirito autoritário que ela transmite. 

-- Ela veio pra fazer a entrevista mas chegou no horário que você já tinha encerrado, mas ela ainda assim persistiu.

Assim que a recepcionista terminou de falar ela começou a me fitar de cima à baixo, e por fim me encarando.

-- Como se chama?

-- Mats.. Matsuyuri Namikaze, senhora.

-- Trouxe seu currículo?

-- Sim! -- Respondi entregando minha pasta com meu currículo para ela, o qual foi brevemente lido pela mesma.

-- Konan, o Izuna chegou a confirmar a reunião das nove?

-- Ele  cancelou, senhora.

-- E eu tenho algum outro compromisso marcado pra antes do almoço?

-- Também não, Izumi já terminou todas as suas pendências para que a senhora pudesse ser dispensada quando o Obito voltasse com o Moegi.

-- Certo...  Você! Vai pra àquele corredor da direita e pode entrar na terceira sala e me esperar lá.


(...)


- Muito bem, senhorita Namikaze. Acho que seu currículo é o mais adepto pra vaga, deixe-me ver... Você está no segundo período de farmácia e posteriormente você também tem alguns cursos preparatórios. Mas vamos ao que interessa; como ficou sabendo da vaga?

-- Bom.. Eu pedi para os meus professores algumas recomendações sobre quais áreas eu poderia estagiar enquanto acadêmica, e logo me indicaram procurar se estavam contratando aqui.. E bem.. eu pesquisei muito e vi que são uma indústria de grande porte que fabrica quase toda a medicação consumida aqui  nos Estados Unidos e em outros países como o Japão, China..

-- Sim, você está certa. Tudo começou no Japão e agora estamos aqui. Mas agora, me fale sobre o seu curso e pôr que você acha que ele combina com a vaga.

-- Hm, honestamente? Esse não era o curso que eu pretendia fazer durante o ensino médio, mas era o que estava dentro do meu orçamento. E felizmente eu me adaptei muito bem e me admiro cada vez à farmacologia e pela biomedicina. A parte prática é a que mais me instiga à aprender mais. E bem... Acho que isso se aplica perfeitamente ao cargo que pretendo ocupar aqui, já que eu poderia diretamente com a manipulação química das drogas, desde a extração da matéria até a distribuição para os hospitais e farmácia.


-- Excelente, Matsuyuri! E no seu currículo está escrito que você é fluente em espanhol e francês. Sabendo que somos uma multinacional, frequentemente exportamos para outros países, porém faltam funcionários bilíngues para a hora da negociação.. Você se vê apta para o diálogo com clientes estrangeiros?

-- Eu já fiz um intercâmbio integrado no México, onde trabalhei como vendedor de cursos preparatórios em uma escola politécnica, e a maioria dos interessados também eram estrangeiros, e eu era muito bem elogiada e conseguia várias comissões durante o mês, mas não encontrei minha carta de recomendação que meu gerente havia escrito na época.

-- Isso já garante uma ocupação como terceira.. Resta apenas uma única "prova" para decidir sua contratação. Mas antes disso, você tem alguma dúvida ou gostaria de fazer alguma pergunta?

-- O que seria ter uma ocupação como terceira?

-- Nós funcionamos com um sistema hierárquico. No começo tem os terceiros, que prestam apenas os serviços básicos da produção. Depois vêm os filiados, que gerenciam a produção e monitoram à qualidade de armazenamento antes que haja a distribuição, pois quem é responsável pela venda, negociação e exportação são os afilhados. Antes do topo estão os patriarcas, que eu não entendo porquê são chamados assim... Enfim, a função deles é controlar tudo em cada filial e procurar sempre por clientes para que sejam fundadas novas unidades, e no topo, os herdeiros.. Acho que isso eu não preciso explicar.

-- Ah, compreendo. E como vai ser essa prova?

-- Simples, você vai acompanhar um filial no monitoramento da produção e fazer um relatório sobre o que você entendeu do processo.

(...)

Fui guiado para o segundo andar do prédio, que era inteiramente composto por salas laboratoriais ou de fabricação. Minha entrevistadora me entregou uma prancheta com papel e caneta e me levou até um rapaz alto,  com um cabelo brevemente arrepiado, usando um jaleco de mangas curtas, na verdade, todos naquele andar usavam jaleco. Vi-a entregar meu currículo nas mãos do rapaz para que ele o visse.

-- Shisui, essa é a Matsuyuri, ela já passou pela primeira parte da entrevista para terceira, porém como também estamos com um cargo vago no filial ela vai fazer a última etapa com você, então, faça o favor.

Em todos os poucos momentos que a vi dando ordens ela agiu de maneira autoritária, um tanto quanto "empoderada" talvez? Não sei se esse seria o melhor termo, mas vamos descrevê-la assim.

-- Com todo o prazer, Sr. Uchiha 

Respondeu o moreno devolvendo-me o papel, em seguida a "Sr. Uchiha" nos deixou ali. Me pediu para que eu o seguisse, então passei a caminhar ao seu lado, com a caneta em uma mão e a prancheta na outra para elaborar minhas considerações.

Até o momento tudo parecia estar indo bem, consegui me manter confiante e ela pareceu me considerar capacitada, estou controlando meu nervosismo, mas não sei por quanto tempo, preciso me dar bem nessa última fase.

-- Matsuyuri, certo?

Apenas por enquanto, assim eu espero. Mas por hora, ainda preciso atender por esse maldito nome.

-- Certo! Como eu devo chamar você?

-- Apenas de Shisui. Vou direto ao ponto, você já está no segundo período, então tudo que precisa fazer é resumir tudo o que sabe sobre a manipulação de ilícitos para o tratamento de pseudomas. Sabendo explicar esse processo essa vaga já é a sua!

-- Perdão? Eu pensei que deveria acompanhar apenas o monitoramento da produção e...

-- Minha queridíssima, conhecendo bem a minha cunhada, sei que ela irá demorar muito para abrir um processo seletivo de novo. E ela como líder disso tudo tá pouco se lixando pra quem realmente vai prestar os serviços.

-- Então, eu só tenho que fazer um relatório como se fosse uma atividade?

-- Exato! Enquanto isso, eu te apresento o prédio e as pessoas daqui.

Assenti para e comecei a escrever o relatório com base naquilo que eu lembrava das aulas enquanto seguia o moreno, que se dirigiu até uma sala onde estava um casal fazendo análises toxicológicas de algum tipo ácido fólico.

-- Essas duas Rapunzeis se chamam Itachi e Izumi, os biomédicos mais insuportáveis que tem aqui.

-- Bom dia pra você também, Shisui. Já começou o dia traumatizando mais uma candidata?

Meus lábios tremiam toda vez que alguém se referia a mim com pronomes femininos,  minha língua tremia para corrigir quem me chamasse assim. Mas aquele não era o momento, precisava priorizar a ideia de ser contratado.

-- Ela já é a mais nova caloura por aqui. Mas eu não vim falar com vocês. Matsuyuri, é aqui que acontecem as análises da matéria prima antes de irem para produção direta. 

-- Aqui fazemos também a extração e as vezes reaproveitados do material que já fora inadequado para tal uso, mas que possa ser apto para outro.

Foi a vez da garota falar, parei minhas anotações por um momento para observá-la trabalhando. Consegui fazê-la sorrir ao perceber que eu a encarava.

-- O que você disse pra Rin pra ela querer um relatório seu na primeira entrevista?

Engoli a seco, sem ter resposta. Não devia me gabar sem nem ter sido contratada, eu sinceramente não tinha respostas naquele momento.

-- Diferente de vocês que só trabalham aqui por serem filhos dos patriarcas, ela parece ter tudo que nos falta.

-- Olha quem fala! -- Suplicou o outro garoto que agora também olhava para mim, retomei minhas anotações para que aquilo terminasse logo. 

-- Mas falando sério, se ela conseguiu convencer aquela demonia da Rin, acredito eu que o Obito também vá assinar a contratação dela.

-- Me desculpe perguntar, mas quem é Obito??

-- Ele e a Rin são os herdeiros, escolhem à dedo quem entra e sai daqui, eles não vão com a cara de ninguém. Eu diria que ele até é um cara legal, mas a Rin... ela é o demônio em forma de gente.. Mas sinceramente, garota, você tem tudo pra fazer com o que o Obito te dê o cargo que quiser.





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