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História Toda Sua - Jensoo - Capítulo 13


Escrita por: bellbas_blink_

Capítulo 13 - Capítulo 13


- “Oi, pai. Encontrei você!” Ajustei melhor a posição do telefone e puxei um

banquinho ao lado do bar. Eu estava com saudade. Durante os quatro anos anteriores,

moramos perto o bastante para que eu o visse toda semana. Agora que eu tinha mudado, a

casa dele em Oceanside ficava do outro lado do país. - “Tudo bem?”

 Ele abaixou o volume da televisão. - “Melhor agora que você ligou. Como foi a primeira semana de trabalho?”

 Fiz um relatório completo de segunda até sexta, deixando de fora apenas as partes

referentes a Jisoo. - “Adorei meu chefe, Kai”, concluí. - “E o ambiente da agência é bem animado, até meio maluco. Adoro levantar para ir trabalhar, fico até triste quando chega a hora de ir embora.”

- “Tomara que continue assim. Mas você precisa saber a hora de relaxar também. Sair, fazer coisas de jovem, se divertir. Só não precisa se divertir demais.”

- “Pois é, eu exagerei um pouco ontem à noite. Fui pra balada com Chae e acordei com uma tremenda ressaca.”

- “Porra, nem me fale uma coisa dessas”, ele resmungou. - “Umas noites atrás acordei suando frio, imaginando você em Nova York. Consegui me acalmar dizendo pra mim mesmo que você é inteligente demais pra fazer bobagem, que tem dois pais com as regras básicas de segurança inscritas no DNA.”

- “Isso é verdade”, concordei, dando risada. - “Por falar nisso... vou começar a treinar krav maga.”

- “Sério mesmo?” Ele parou um pouco para pensar. - “Lá na corporação tem uma garota  que é craque nisso. Acho que vou experimentar também, assim podemos comparar nosso progresso quando eu for visitar você.”

- “Você vai vir a Nova York?” Não consegui esconder a empolgação. - “Ah, pai, eu adoraria se você viesse. Por mais que sinta falta do sul da Califórnia, Manhattan é o máximo. Acho que você vai adorar.”

- “Eu ia gostar de qualquer lugar do mundo em que você estivesse.” Meu pai esperou um pouco antes de perguntar: - “Como vai sua mãe?”.

- “Bem... como sempre. Bonita, charmosa e obsessivo-compulsiva.”

 Meu peito começou a doer, obrigando-me a massageá-lo. Parecia que meu pai ainda

era apaixonado por ela. Ele nunca se casou. Essa foi uma das razões por que nunca contei a

ele o que aconteceu comigo. Como policial, faria questão de abrir inquérito, e o escândalo

teria destruído minha mãe. Também imaginei que ele fosse perder o respeito por ela ou até

mesmo culpá-la pelo que aconteceu, apesar de não ter sido culpa dela. Assim que descobriu

o que o enteado dela vinha fazendo comigo, ela deixou o marido, com quem vivia muito

bem, e pediu o divórcio.

 Continuei falando e acenei para Chae quando ela entrou com uma sacola pequena da 

Tiffany. - “Passamos o dia no spa hoje. Foi uma boa forma de encerrar a semana.”

 Notei que sua voz se tornou um pouco mais leve quando ele disse: - “Fico feliz que vocês estejam passando algum tempo juntas. Quais são seus planos para o restante do fim de semana?”.

 Evitei tocar no assunto do evento de caridade, pois sabia que essa história de tapete

vermelho e jantares a preços exorbitantes só ia enfatizar a diferença entre os estilos de vida

dos meus pais.  - “Chae e eu vamos sair pra jantar, e amanhã quero ficar em casa. Dormir até tarde, passar o dia de pijama, talvez ver um filme e pedir alguma coisa pra comer. Vegetar um pouco antes de mais uma semana de trabalho.”

- “Pra mim, parece o paraíso. Eu aviso quando for tirar folga de novo.”

Dei uma olhada no relógio e vi que já passava das seis. - “Preciso ir me arrumar agora. Tome cuidado no trabalho, hein? Eu também me preocupo com você.”

- “Vou tomar. Tchau, filha.”

 Aquela despedida tão familiar fez com que eu sentisse uma pontada de saudade que

fez minha garganta doer. - “Ah, espera! Vou comprar outro celular. Mando o número novo pra você assim que tiver.”

- “De novo? Pensei que você tinha comprado um novo quando se mudou.”

- “É uma longa e cansativa história.”

- “Humm... Mas não fique sem celular. É uma coisa importante pra sua segurança, não serve só pra jogar Angry Birds.”

- “Eu já parei com esse jogo!” Caí na risada e senti um calor se espalhar pelo meu corpo quando ouvi que ele também estava rindo. - “Ligo de novo daqui a alguns dias. Comporte-se.”

- “Essa fala é minha.”

 Desligamos. Fiquei alguns minutos curtindo o silêncio, sentindo que meu mundo

estava entrando nos eixos, uma sensação que nunca durava muito. Apeguei-me a esse

sentimento enquanto ele durou; depois Chae ligou o som no quarto, tocando Hinder, e isso me pôs de novo em movimento.

 Corri até o quarto para me preparar para uma noite com Jisoo.

 *

- “Com colar ou sem colar?”, perguntei para Chae quando ela apareceu no meu quarto, linda de morrer. Com seu blazer novinho, ela parecia ao mesmo tempo uma cavalheira e uma aventureira, e estava segura de que atrairia muita atenção.

- “Humm.” Chae inclinou a cabeça e analisou meu visual. - “Me deixe ver de novo.”

 Levantei a gargantilha de ouro até o pescoço. O vestido que minha mãe havia

mandado era de um vermelho bem vivo, e parecia ter sido desenhado para ser usado por

uma deusa grega. Era de ombro único, com um decote diagonal, justo até o quadril e com

uma abertura que começava no alto da coxa. Nas costas não havia nada além de um cordão

de pedraria ligando um lado a outro para impedir que o vestido caísse. Em outras palavras,

minhas costas estavam nuas desde a base da coluna, em um enorme decote V.

- “Esqueça o colar”, ela disse. - “Eu estava pensando em brincos de ouro com pingentes, mas agora acho melhor argolas de diamantes. As maiores que você tiver.”

- “Quê? Sério?” Enruguei a testa diante do nosso reflexo no espelho, atenta a seus movimentos enquanto ela ia até o porta-joias e começava a procurar algo lá dentro.

- “Estas aqui.” Ela levou os brincos até mim, as argolas de mais de cinco centímetros

que minha mãe me deu quando fiz dezoito anos. - “Confie em mim, Jennie. Experimente.”

 Ela estava certa. Os brincos produziam um efeito bem diferente da gargantilha de

ouro — menos glamour e mais sensualidade. Além disso, combinavam com a tornozeleira

de diamantes da minha perna direita, que eu nunca mais veria da mesma forma depois do

comentário de Jisoo. Com meus cabelos caindo sobre o rosto como e deliberadamente caóticos, parecia que eu tinha acabado de transar, uma

impressão que só era reforçada pela maquiagem esfumaçada dos olhos e os lábios

brilhantes.

- “O que seria de mim sem você, Park Chaeyoung?”

- “Gata” — ela pôs a mão sobre meus ombros e apertou seu rosto contra o meu —

- “isso você nunca vai saber.”

- “Você está linda, aliás.”

- “Não estou?” Ela piscou para mim e deu um passo atrás, exibindo-se.

 À sua maneira, Chae era uma dura concorrente para Jisoo... em termos de aparência, é claro. Chae tinha feições mais delicadas em comparação à

beleza bruta de Jisoo, mas ambas eram mulheres maravilhosas, que faziam você querer

olhar duas vezes, e depois continuar olhando por puro deleite.

 Chae não estava tão bem assim quando nos conhecemos. Estava muito magra e 

acabada por causa das drogas, seus olhos verdes pareciam opacos e perdidos. Mesmo assim

me senti atraída por ela, fiz de tudo para me sentar a seu lado na terapia de grupo. Depois

de um tempo, Chae simplesmente perguntou, do nada, se eu queria ir para a cama com ela,

acostumada como estava a só receber atenção das pessoas em troca de sexo. Foi quando

recusei, de maneira firme e irrevogável, que nos tornamos grandes amigas. Ela era a irmã 

que nunca tive.

 O interfone tocou e levantei em um pulo, o que me fez perceber como estava

nervosa. Olhei para Chae. - “Esqueci de avisar na portaria que ela ia voltar.”

- “Eu cuido disso.”

- “Tudo bem pra você ir sozinha com Stanton e minha mãe?”

- “Está brincando? Eles me adoram.” Seu sorriso se desfez. - “Está arrependida de ter aceitado ir com Jisoo?”

 Respirei fundo, lembrando-me de onde estava pouco tempo antes — deitada, tendo

orgasmos múltiplos. - “Na verdade, não. É que as coisas estão acontecendo rápido demais e indo bem melhor do que eu imaginava... ou previa... ou queria...”

- “Você está procurando o lado ruim da coisa.” Ela chegou mais perto e mexeu na 

ponta do meu nariz com um dos dedos. - “Ela é o lado bom e o lado ruim da coisa, Jennie. E você conseguiu domar a garota. Agora, divirta-se.”

- “Estou tentando.” Fiquei agradecida por saber que Chae me entendia, sabia como minha cabeça funcionava. Era muito bom poder conviver com ela, saber que podia contar

com sua compreensão mesmo quando não conseguia explicar o que estava sentindo.

- “Fiz uma puta pesquisa sobre ela hoje de manhã e imprimi as coisas mais recentes e interessantes. Está na sua mesa, se você quiser dar uma olhada.”

 Lembrei que ela estava mesmo imprimindo algumas coisas antes de irmos ao spa.

Ficando na ponta dos pés, dei um beijo em sua bochecha. - “Você é o máximo. Eu te amo.”

- “Eu também, gata.” Ela saiu. - “Vou até a portaria buscá-la. Fique à vontade. Ela chegou dez minutos adiantada.”

 Com um sorriso no rosto, vi Chae sair para o corredor. A porta já havia se fechado

atrás dela quando cheguei ao pequeno escritório anexo ao meu quarto. Na escrivaninha nem

um pouco prática que minha mãe havia escolhido para mim, encontrei uma pasta lotada de

artigos e imagens impressas. Eu me recostei na cadeira e me deixei levar pela história de Kim Jisoo.

 Quando descobri que ela era filha de Geoffrey Cross, ex-presidente de um fundo de

investimentos que mais tarde se revelou um enorme esquema de pirâmide, foi como se eu

tivesse sido atropelada por um trem. Jisoo tinha apenas cinco anos de idade quando seu

pai se matou com um tiro na cabeça para não ser preso.

Ah, Jisoo... Tentei imaginá-la naquela idade, e pensei em uma menininha bonita de 

cabelos pretos e lindos olhos carregados de perplexidade e tristeza. Essa imagem

partiu meu coração. O suicídio de seu pai — e as circunstâncias que o cercaram — deve ter

sido devastador, tanto para ela como para sua mãe. Todo o desgaste e o sofrimento de um

acontecimento trágico como esse devem ter sido um fardo terrível para uma criança 

daquele tamanho.



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