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História Toda Sua - Jensoo - Capítulo 16


Escrita por: bellbas_blink_

Capítulo 16 - Capítulo 16


Não me lembro bem do que aconteceu depois que chegamos. Os flashes dos fotógrafos espocaram ao nosso redor enquanto andávamos pela área de imprensa, mas eu mal me dei conta disso, estava sorrindo apenas por inércia. Na verdade, estava retraída e ansiosa para me livrar da tensão que Jisoo exalava na minha direção.

 No momento em que entramos, alguém chamou seu nome e ela se virou. Saí de fininho, olhando ao redor, para os outros convidados, que lotavam a entrada acarpetada do evento.

 Quando cheguei à recepção, apanhei duas taças de champanhe da bandeja de um garçom que passava e virei uma delas enquanto procurava por Chae. Quando a vi do outro lado do salão junto com minha mãe e Stanton, fui direto até lá, descartando a taça vazia sobre uma mesa no caminho.

- “Jennie!” A expressão da minha mãe se iluminou ao me ver. - “Esse vestido ficou maravilhoso em você!”

 Ela me cumprimentou beijando minhas bochechas sem tocá-las. Estava linda em um vestido longo e justo, azul e brilhante. Suas orelhas, seus pulsos e sua garganta estavam adornados de safiras, ressaltando a cor de seus olhos e o tom de sua pele.

- “Obrigada.” Dei um gole na segunda taça de champanhe, lembrando que havia planejado expressar minha gratidão pelo vestido. Enquanto agradecia pelo presente, não estava mais tão contente com sua conveniente abertura na perna.

 Chae tomou a frente, pegando-me pelo cotovelo. Só de olhar para meu rosto ela percebeu que eu estava chateada. Balancei a cabeça, mostrando que não queria falar sobre o assunto naquele momento.

- “Mais champanhe, então?”, ela perguntou, gentil.

- “Por favor.”

 Senti que Jisoo se aproximava antes mesmo de ver o rosto de minha mãe se iluminar como a Times Square em noite de Ano-Novo. Stanton também pareceu se ajeitar e se empertigar todo.

- “Jennie.” Jisoo apoiou a mão na parte inferior de minhas costas nuas, e uma onda de choque percorreu meu corpo. Com seus dedos grudados em mim, perguntei-me se ela sentia a mesma coisa. - “Você fugiu.”

 Fiquei gelada com o tom de reprovação que ouvi em sua voz. Eu a fuzilei com um olhar que dizia tudo aquilo que eu não podia falar em público. - “Richard, você conhece Kim Jisoo?”

- “Sim, é claro.” Os dois se cumprimentaram.

 Jisoo me puxou mais para perto. - “Temos a sorte de acompanhar as duas mulheres mais bonitas de Nova York.”

 Stanton concordou, abrindo um sorriso para minha mãe.

 Virei o restante do meu champanhe e troquei com gratidão a taça vazia pela que Chae havia me trazido. O álcool produzia uma leve queimação no meu estômago, e ajudava a desatar um pouco o nó que havia se formado lá dentro.

 Jisoo se inclinou na minha direção e cochichou em um tom áspero: - “Não se esqueça de que você está comigo”.

 A garota era maluca? Que conversa era aquela? Meus olhos se estreitaram de raiva.

- “Olha só quem fala.”

- “Aqui não, Jennie.” Ela acenou com a cabeça para todos e me levou dali. - “Agora não.”

- “Nem nunca”, murmurei, concordando em ir com ela só para poupar minha mãe daquela cena.

Virando taças de champanhe, eu me coloquei no piloto automático e passei a agir num modo de autopreservação ao qual não recorria havia muitos anos. Jisoo me apresentou a algumas pessoas, e acho que minha atuação foi boa — falando nos momentos certos e sorrindo quando necessário —, mas não estava prestando a mínima atenção. Eu estava mais preocupada com a parede de gelo que se ergueu entre nós, com minha raiva e minha mágoa. Caso eu ainda precisasse de alguma prova da determinação de Jisoo em evitar interações sociais com as mulheres com quem dormia, tinha acabado de obtê-la.

 Quando o jantar foi anunciado, fui com ela para a mesa e mal toquei na comida.

Bebi algumas taças de vinho tinto que serviram junto com a refeição e ouvi Jisoo conversar com as demais pessoas à mesa. Não prestei a menor atenção às palavras, apenas à cadência e o tom sedutor e equilibrado da sua voz. Felizmente, ela não tentou me integrar à conversa. Acho que eu não diria nada que prestasse.

 Só voltei a demonstrar interesse quando, em meio a uma salva de palmas, ela subiu até o palco. Eu me virei na cadeira e a observei enquanto caminhava em direção ao púlpito, incapaz de deixar de admirar sua elegância natural e sua beleza impressionante. A cada passo que dava ela impunha atenção e respeito, o que era uma proeza, considerando suas passadas tranquilas e sem pressa.

 Jisoo não lembrava nem um pouco aquela sujeita vulnerável depois da nossa foda desmedida na limusine. Na verdade, parecia outra pessoa. Ela havia voltado a ser a mulher que conheci no saguão do Crossfire, absolutamente controlada e naturalmente poderosa.

- “Em nosso país”, ela começou, - “o abuso sexual na infância é uma realidade para uma a cada quatro mulheres e um a cada quatro homens. Dê uma boa olhada ao seu redor. Alguém da sua mesa pode ter sido uma vítima, ou então conhece uma. Essa é a inaceitável verdade.”

 Fiquei vidrada nela. Jisoo era uma grande oradora, e seu tom de barítono era hipnotizante. Mas era o tema de seu discurso, tão pessoal para mim, e sua maneira apaixonada e às vezes surpreendente de abordá-lo que me emocionou. Comecei a amolecer, sentindo minha fúria injuriada e minha autoconfiança ferida dando lugar ao deslumbramento. Minha visão sobre ela mudou quando me vi apenas como mais um membro de uma plateia atenta. Ela não era mais a mulher que tinha acabado de magoar meus sentimentos; era apenas uma palestrante habilidosa falando sobre uma questão mportantíssima para mim.

 Quando terminou, eu me levantei e aplaudi, surpreendendo tanto Jisoo como a mim mesma. No entanto, os demais logo se juntaram a mim naquela ovação, e comecei a ouvir as conversas que zuniam ao redor, desmanchando-se discretamente em merecidos elogios.

- “Você é uma menina de sorte.”

 Virei-me para ver de quem era a voz que havia dito aquilo, e me deparei com uma bela ruiva que parecia ter pouco mais de quarenta anos. - “Somos só... amigos.”

 Seu sorriso sereno fazia de tudo para me desmentir.

 As pessoas começaram a abandonar as mesas. Eu estava prestes a pegar minha bolsa e ir para casa quando um jovenzinho se aproximou para falar comigo. Seus cabelos castanhos rebeldes despertavam uma inveja imediata, e seus olhos de um tom de verde acinzentado eram gentis e amistosos. Bonito e ostentando um sorriso jovial, ele arrancou de mim o primeiro sorriso sincero desde que saí da limusine.

- “Olá.”

 Ele parecia me conhecer, o que me deixou na desconfortável posição de fingir que fazia alguma ideia de quem ele era. - “Olá.”

 Ele deu uma risada, despreocupada e charmosa. - “Meu nome é JungKook sou irmão de Jisoo.”

- “Ah, é claro.” Senti meu rosto esquentar. Eu não conseguia acreditar que estava tão mergulhada na autopiedade que não fui capaz de fazer essa associação de imediato.

- “Você ficou vermelha.”

- “Desculpe.” Ofereci a ele um sorriso envergonhado. - “Não sei muito bem como dizer que li uma reportagem sobre você sem que isso soe meio esquisito.”

 Ele riu. - “Fico feliz que tenha lembrado. Só não me diga que foi na coluna social.”

 - “Não”, eu me apressei em esclarecer. - “Na Rolling Stone, talvez?”

- “Isso eu consigo aceitar.” Ele estendeu o braço para mim. “Quer dançar?”

 Dei uma olhada para Jisoo, parada diante da escada que levava ao palco. Estava cercada de pessoas ansiosas para falar com ela, em sua maioria mulheres.

- “Como você pode ver, minha irmã vai demorar um pouco”, disse Kook, parecendo se divertir com a situação.

 - “Pois é.” Eu estava prestes a me virar quando reconheci a mulher ao lado de Jisoo.

— Seulgi

 Apanhei minha bolsa e me esforcei para sorrir para Kook. - “Eu adoraria dançar.”

 De braços dados, fomos até a pista. A banda começou a tocar uma valsa, e seguimos naturalmente o ritmo da música, com movimentos suaves. Ele era um dançarino habilidoso, ágil e seguro quanto à sua capacidade de conduzir.

- “Então você é amiga de Jisoo?”

- “Não exatamente.” Acenei com a cabeça para Chae quando ela surgiu ao meu lado com uma loira escultural. - “Trabalho no Crossfire, e nós nos encontramos nos corredores uma vez ou outra.”

- “Você trabalha para ela?”

- “Não. Trabalho como assistente na Waters Field & Leaman.”

- “Ah.” Ele sorriu. - “Publicidade.”

- “É.”

- “Jisoo deve estar muito a fim de você para passar dos encontros casuais nos corredores para um evento como este.”

 Praguejei em silêncio. Sabia que as pessoas iam tirar conclusões, mas não estava nem um pouco disposta a ser humilhada. - “Jisoo conhece minha mãe, que foi quem me convidou para vir, então era só uma questão de duas pessoas irem ao mesmo lugar no mesmo carro ou em carros separados.”

- “Então você está desacompanhada?”

 Respirei fundo, sentindo-me desconfortável, apesar da fluidez com que nos movíamos na dança. - “Bom, comprometida eu não estou.”

 Christopher abriu seu carismático sorriso de menino. - “Minha noite acabou de mudar pra melhor.”

 Ele preencheu o restante do tempo da dança com piadinhas divertidas sobre a indústria musical, que me fizeram rir e esquecer um pouco Jisoo.

 Quando a música terminou, Chae estava a postos para a próxima dança. Nós dançávamos bem, tínhamos feito aulas juntas. Relaxei em seus braços, agradecia por ter seu apoio moral.

- “Está se divertindo?”, perguntei.


Notas Finais


😘


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