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História Toda Sua - Jensoo - Capítulo 4


Escrita por: bellbas_blink_

Capítulo 4 - Capítulo 4


Kai e eu trabalhamos duro a quinta-feira inteira, a fim de nos preparar para a

reunião das quatro da tarde com o pessoal da Kingsman. Tivemos um almoço muito

produtivo com dois funcionários da área de criação, que iam participar da campanha caso

conseguíssemos a conta; mais tarde analisamos os dados sobre o posicionamento da

empresa na internet e sua penetração nas mídias sociais.

 Fiquei meio tensa quando vi que eram três horas, porque sabia que o trânsito

poderia estar complicado, mas Kai continuou trabalhando normalmente mesmo depois de

eu dizer que horas eram. Faltavam vinte para as quatro quando ele saiu da sua sala com um

sorriso no rosto, ainda terminando de vestir o paletó.

 - “Vamos lá, Jennie.”

 Lancei um olhar de surpresa para ele da minha mesa. - “Sério?”

- “Ei, você deu um duro danado me ajudando a preparar tudo. Não quer ver como as

coisas funcionam?”

- “Claro que sim.” Fiquei de pé em um pulo. Sabendo que minha aparência contaria pontos para meu chefe, alisei a saia preta com a mão e ajeitei as mangas longas da minha blusa de seda. Por um acaso do destino, a blusa era vermelha, combinando perfeitamente

com a gravata de Kai. - “Obrigada.”

 Entramos no elevador e levei um pequeno susto quando senti que ele subia ao invés

de descer. Ao chegarmos ao último andar, vi que o hall de entrada era consideravelmente

maior e mais luxuoso que o do vigésimo. Vasos suspensos de samambaias e lírios

preenchiam o ar com uma fragrância suave, e em uma porta de vidro opaco lia-se

INDÚSTRIAS CROSS em letras grossas e masculinas.

 A porta foi aberta para nós, e pediram que aguardássemos um momento. Ambos

recusamos a água e o cafezinho e, menos de cinco minutos depois, fomos conduzidos até

uma sala de reunião com a porta fechada.

 Kai olhou para mim com um brilho nos olhos quando a recepcionista pôs a mão

na maçaneta da porta.

- “Está pronta?”

 Eu sorri. - “Estou.”

 A porta se abriu, e eu fui a primeira a ser conduzida para dentro. Fiz questão de

abrir um enorme sorriso ao entrar... um sorriso que se congelou no meu rosto ao ver a

Mulher que estava diante de mim logo na entrada da sala.

 Minha parada repentina bloqueou a passagem, e Kai acabou trombando nas

minhas costas, arremessando-me para a frente aos tropeções. A Morena Perigosa me

apanhou pela cintura, tirando meus pés do chão e me obrigando a me amparar em seu peito.

O ar foi arrancado de dentro de mim com o impacto, assim como o restante de bom senso

que eu ainda possuía. Mesmo com as diversas camadas de tecido que havia entre nós, pude

sentir que seus bíceps endureceram como pedra sob o contato das minhas mãos, e que sua

barriga contra a minha era uma massa compacta de músculos. Quando ela respirou perto de

mim, meus mamilos endureceram, estimulados pela expansão do peito dela.

Ah, não. Eu só poderia estar sob uma maldição. Uma rápida sequência de imagens

passou pela minha mente, mostrando as mil e uma maneiras como eu poderia tropeçar, cair,

escorregar ou me esborrachar na frente daquela deusa do sexo ao longo dos próximos dias,

semanas ou até meses.

- “Olá de novo”, ela murmurou, e a vibração de sua voz fez meu corpo todo se

enrijecer. - “É sempre um prazer topar com você, Jennie.”

 Fiquei vermelha de vergonha e de desejo, incapaz de tomar a atitude de me afastar,

apesar da presença de outras duas pessoas na sala. O fato de a atenção dela estar toda

voltada para mim também não ajudava — seu corpo firme irradiava uma impressão

irresistível de um desejo poderoso.

- “Senhorita Jisoo”, disse Kai atrás de mim. “Desculpe a entrada meio abrupta.”

 - “Não precisa se desculpar. Foi uma entrada memorável.”

 Cambaleei sobre os saltos quando ela me pôs de volta no chão, com os joelhos

trêmulos em virtude do intenso contato corporal. Ela estava mais uma vez de preto, com

uma camisa e uma gravata em um tom claro de cinza. Como sempre, estava linda de

morrer.

 Como deve ser ter essa aparência? Com certeza, em todo lugar por onde passava ela

causava uma comoção.

 Chegando até mim, Kai me amparou e me ajudou a retomar o equilíbrio com toda

a gentileza.

 O olhar de Jisoo se concentrou na mão de Kai no meu cotovelo até que ele me

soltasse.

- “Muito bem. Vamos lá, então.” Kai retomou sua postura. - “Esta é minha assistente, Jennie Kim.”

- “Nós já nos conhecemos.” Jisoo puxou uma cadeira ali perto. “Jennie.”

 Olhei para Kai em busca de orientação, ainda tentando me recuperar dos

momentos em que havia ficado a milímetros daquela supercondutora sexual escondida sob

um terno Fioravanti.

Jisoo se aproximou em silêncio e ordenou: “Sente-se, Jennie”.

 Kai acenou com a cabeça, mas eu já estava me soltando sobre a cadeira ao

comando de Jisoo. Meu corpo obedeceu instintivamente antes que minha mente

compreendesse a situação e fizesse alguma objeção.

 Fiz de tudo para passar despercebida a hora seguinte, durante a qual Kai foi

duramente questionado por Jisoo e as diretoras da Kingsman, duas morenas bonitas,

vestidas com terninhos elegantes. A de lilás fazia questão de chamar a atenção de Jisoo o

tempo todo, enquanto a de terninho creme se concentrava no meu chefe. Todos pareciam

bastante impressionados com a capacidade de Kai de explicar como o trabalho da agência

— e seu modo de trabalhar com o cliente — agregaria valor à marca.

 O fato de Kai permanecer tão tranquilo sob pressão me deixou admirada — ainda

mais sob uma pressão exercida por Jisoo, que comandava o andamento da reunião sem

fazer o menor esforço.

- “Muito bom, senhor Kai”, Jisoo elogiou casualmente quando as conversas se

encerraram. - “Estou ansiosa para ver sua resposta à solicitação de proposta quando for a

hora. O que levaria você a se sentir tentada a experimentar a Kingsman, Jennie?”

 Com o susto, comecei a piscar sem parar. “Como?”

 A intensidade de seus olhos era avassaladora. Senti que toda a sua atenção estava

voltada para mim, o que só me fez admirar ainda mais a tranquilidade de Kai, que foi

obrigado a argumentar sob o peso daquele olhar por uma hora.

 A cadeira de Jisoo estava voltada para mim, fazendo com que ela me olhasse bem

de frente. Seu braço direito repousava sobre a superfície lisa da mesa, com seus longos e

elegantes dedos tamborilando sobre o tampo do móvel. Dei uma olhada furtiva em seu

pulso por baixo do paletó e, por alguma estranha razão, a visão daquela pequena parcela de

pele dourada coberta fez meu clitóris implorar por atenção. Ela era tão...

máscula.

 Ela refez a pergunta: - “Qual dos conceitos sugeridos por Kai você prefere?”.

- “Acho que são todos brilhantes.”

 Seu lindo rosto permaneceu impassível enquanto ela dizia: “Posso mandar todo 

mundo sair da sala para ter uma opinião sincera, se é isso que você quer”.

 Meus dedos se enrodilhavam pelas extremidades dos apoios de braço da minha

cadeira. - “Acabei de dar uma opinião sincera, senhora Kim, mas, se faz questão de saber,

acho que luxúria lasciva a um preço acessível terá mais apelo entre o público em geral. Mas não sei se...”

- “Eu concordo.” Jisoo se levantou e abotoou o paletó. “Aí está seu ponto de partida,

senhor Kai. Retomamos o assunto na semana que vem.”

 Fiquei ali sentada por um momento, aturdida com o rumo que as coisas haviam

tomado. Então olhei para Kai, que parecia oscilar entre o espanto e o encantamento.

 Eu me levantei e fui a primeira a tomar o caminho da porta. Minha atenção estava

toda voltada para Jisoo, posicionada atrás de mim. A maneira como ela se movia, com uma

elegância natural e uma economia de gestos absurda, era um atrativo excepcional. Eu não

conseguia imaginá-la na cama como outra coisa além de dominante e agressiva, deixando

qualquer mulher louca de desejo de fazer tudo o que ela mandasse.

 Jisoo não saiu de perto de mim até chegarmos aos elevadores. Ela e Kai 

conversaram brevemente sobre os últimos eventos esportivos, mas, ao que parece, eu estava

concentrada demais no efeito que ela causava sobre mim para me preocupar com conversas

sem importância. Quando o elevador chegou, soltei um suspiro de alívio ao embarcar

sozinha com Kai.

- “Só um momento, Jennie”, Jisoo disse suavemente, puxando-me de volta pelo

cotovelo. - “Daqui a pouco ela desce”, ela informou para Kai quando a porta do elevador se

fechou diante de seu rosto atônito.

 Jisoo não disse nada enquanto o elevador ainda estava por perto; depois acionou

novamente o botão e em seguida perguntou: - “Você está dormindo com alguém?”.

 A pergunta foi feita de maneira tão casual que eu demorei um pouco para registrar o

que ela havia dito.

 Inspirei profundamente. - “Por que está me perguntando isso?”

 Vi no seu olhar a mesma coisa que havia notado da primeira vez em que nos

encontramos — uma energia absurda e um controle absoluto sobre mim. O que me fez dar

um passo para trás involuntariamente. De novo. Pelo menos dessa vez eu não caí; já era

alguma coisa.

- “Porque eu quero comer você, Jennie. Então preciso saber se existe alguém atrapalhando meus planos.”

 A compressão súbita que senti entre minhas coxas me obrigou a procurar apoio na

parede para manter o equilíbrio. Ela chegou mais perto e me escorou, mas eu a mantive à

distância com uma das mãos. - “Talvez eu não esteja interessada, senhora Jisoo.”

 Um esboço de sorriso transpareceu em seus lábios e fez o que parecia impossível:

deixou-a ainda mais bonita. Minha nossa...

 A campainha assinalando a aproximação do elevador me causou um sobressalto, de

tão tensa que eu estava. Eu nunca tinha me sentido tão excitada na minha vida. Nunca tinha

me sentido tão implacavelmente atraída por outro ser humano. Nunca tinha me sentido tão

ofendida por alguém que me atraía.

 Entrei no elevador e me virei para ela.

 Jisoo sorriu. “Até a próxima, Jennie.”

 As portas se fecharam e eu desmoronei sobre o corrimão de bronze, tentando me

recompor. Mal havia me endireitado novamente quando a porta se abriu e eu vi Kai

andando de um lado para o outro no hall de entrada do nosso andar.

- “Meu Deus, Jennie”, Kai murmurou, interrompendo-se de repente. “O que foi aquilo?”

- “Não faço a menor ideia”, fui logo dizendo, louca para compartilhar a conversa

confusa e ultrajante que havia tido com Jisoo, mas sabendo que meu chefe não era a pessoa

mais indicada para isso. - “Mas que diferença faz? Você já sabe que a conta é nossa.”

 Ele abriu um sorriso. “Acho que é mesmo.”

- “Como diz meu amigo, você devia comemorar. Quer que eu faça uma reserva em

um restaurante para você e Steven?”

- “Por que não? No Pure Food and Wine às sete, se conseguir. Se não der certo, nos surpreenda.”

 Mal havíamos voltado ao escritório de Kai quando ele foi interceptado pelos

executivos — Michael Waters, CEO e presidente, além de Christine Field e Walter

Leaman, a diretora-executiva e o vice-presidente do conselho, respectivamente.

 Passei pelos quatro com a maior discrição possível e me recolhi à minha mesa.

 Liguei para o Pure Food and Wine e implorei por uma mesa para dois. Depois de

infinitas súplicas, a hostess enfim cedeu.

 Deixei uma mensagem no correio de voz de Kai: “Hoje é mesmo seu dia de sorte. Seu jantar está confirmado para as sete. Divirta-se!”.

 Depois disso fui embora, ansiosa para chegar logo em casa.

- “Ela disse o quê?” Chae estava sentada no canto oposto do sofá modulado branco,

balançando a cabeça negativamente.

- “Pois é!” Dei mais um gole no meu vinho. Era um sauvigon blanc gelado no ponto

certo, que eu havia comprado a caminho de casa. “Minha reação também foi essa. Até

agora não sei se essa conversa não foi uma alucinação causada por excesso de feromônios.”

- “E então?”

 Apoiei as pernas sobre o sofá e me recostei no canto. “E então o quê?”

 - “Você sabe o quê, Jennie.” Apanhando seu netbook de cima da mesa de centro, Chae o

posicionou sobre suas pernas cruzadas. “Vai deixar essa passar?”

- “Eu nem conheço a garota. Não sei nem o nome dela direito, e ela já me vem com uma proposta dessas.”

- “Ela sabe o seu.” Chae começou a digitar no teclado. “E essa história da vodca? De pedir uma reunião com seu chefe?”

 A mão que eu estava passando pelos cabelos ficou paralisada. “Kai é muito 

talentoso. Se Kim tiver algum bom senso para os negócios, vai saber aproveitar e explorar

isso muito bem.”

- “Da capacidade dela para os negócios eu não duvido.” Chae virou seu netbook e

mostrou o site das Indústrias Cross, que ostentava uma belíssima foto da Crossfire. “Esse 

prédio é dela, Jennie. Kim Jisoo é a dona do Crossfire.”

Droga. Meus olhos se fecharam. Kim Jisoo. O nome combinava com ela. Era

sexy, elegante e máscula..

- “Ela tem um departamento só para cuidar do marketing das subsidiárias. Um

departamento com dezenas de pessoas, talvez.”

- “Pare com isso, Chae.”

- “Ela é bonita, rica e quer ir pra cama com você. Qual é o problema?”

 Olhei bem para ela. “Vai ser muito esquisito esbarrar com ela o tempo todo. Quero 

ficar um bom tempo nesse emprego. Gosto muito do trabalho. Gosto muito de Kai. Ele 

me deixou fazer parte do processo, estou aprendendo muito com ele.”

- “Lembra o que o doutor Travis falou sobre riscos calculados? Quando seu analista

diz pra você correr riscos, você ganha esse direito. Quer dizer que você pode lidar com isso.

Você e Jisoo são duas pessoas adultas.” Ela voltou a atenção novamente para a busca que 

fazia na internet. “Uau. Sabia que ainda faltam  anos para ela fazer trinta? Imagine só a disposição...”

- “Imagine só a grosseria. Fiquei ofendida com o jeito como ela falou comigo. Detesto me sentir como uma vagina ambulante.”

 Chae parou e se virou para mim, seus olhos exalando compaixão. “Desculpe, gata.

Você é tão forte, tão mais forte do que eu. Duvido que cairia nas ciladas em que caio.”

- “Não acho que eu seja tão forte assim, pelo menos não o tempo todo.” Desviei o

olhar, porque não queria falar sobre tudo o que enfrentamos no passado. - “Não que eu

queira namorar ou coisa do tipo. Mas existem outras maneiras de dizer que você quer ir pra

cama com uma mulher.”

- “Você tem razão. Ela é bem arrogante e pretensiosa. Que fique morrendo de tesão

por você até subir pelas paredes. Vai ser um castigo merecido.”

 Isso me fez rir. Chae sempre conseguia me fazer rir. “Duvido que alguma vez ela 

tenha subido pelas paredes por causa de alguém, mas é uma fantasia divertida.”

 Ela fechou o netbook em uma atitude resoluta. “O que vamos fazer hoje à noite?”

- “Pensei em ir ver a aula de krav maga daquela sujeita do Brooklyn.” Eu tinha feito

uma pesquisa durante a semana, depois de conhecer a Manoban no treino na academia, e

a ideia de dispor de uma válvula de escape tão enérgica e brutal para o estresse me parecia

cada vez mais interessante.

 Eu sabia que não seria o mesmo que trepar loucamente com Kim Jisoo, mas

achava que seria bem menos perigoso para minha saúde.



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