História Toda sua - Capítulo 30


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Swanqueen
Visualizações 507
Palavras 1.867
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Conflitos internos


Fanfic / Fanfiction Toda sua - Capítulo 30 - Conflitos internos

Uma sutil e educada dispensa. Só podia ser. Caso contrário, ela me devolveria as chaves depois do trabalho, quando fôssemos à academia.

Um zumbido invadiu meus ouvidos. Fiquei tonta. Desorientada. Estava com medo. Sofrendo. Furiosa. Mas também estava trabalhando.

Fechando os olhos e cerrando os pulsos, tentei me recompor e lutar contra a vontade de subir e dizer para Emma que ela era uma covarde. Ela provavelmente me via como uma ameaça, uma invasora de seu mundinho em perfeita ordem. Alguém que queria mais do que seu corpo sensual e sua conta bancária recheada.

Escondi meus sentimentos no fundo da mente, de forma a ainda ter consciência deles, mas sem deixar que me atrapalhassem mais durante o expediente. Quando saí do escritório e desci, ainda não tinha recebido sinal de vida dela. Estava emocionalmente em frangalhos, e senti uma enorme pontada de desespero quando saí do SCrossfire.

Consegui ir até a academia. Desliguei meu cérebro e corri para valer na esteira, adiando a angústia que mais cedo ou mais tarde me atingiria. Corri até sentir o suor escorrer em bicas pelo rosto e pelo corpo, e até minhas pernas não aguentarem mais.

Sentindo-me arrebentada e exausta, fui para o chuveiro. Depois liguei para minha mãe e pedi que ela mandasse Phillip me pegar na academia e me levar para nossa consulta com o dr. Petersen. Quando me vesti, precisei me esforçar para reunir energia para cumprir minha última tarefa antes de ir para casa e me afogar em lágrimas na cama.

Esperei pelo carro no meio-fio, sentindo-me alheia e distante da cidade que zunia ao meu redor. Quando Phillip estacionou e desceu para abrir a porta para mim, tomei um susto ao ver que minha mãe já estava lá. Ainda era cedo. Eu achava que seria levada ao apartamento em que ela morava com Spencer e precisaria esperar uns bons vinte minutos. Era assim que as coisas funcionavam com ela.

“Oi, mãe”, eu disse, cansada, acomodando-me no assento ao lado dela.

“Como você pôde, Regina?” Ela estava chorando atrás de um lenço bordado com suas iniciais, o que não perturbava a beleza de seu rosto. “Por quê?”

Retirada subitamente de meu sofrimento solitário, franzi a testa e perguntei: “O que foi que eu fiz agora?”.

O fato de eu ter um celular novo, independentemente de como ela pudesse ter descoberto, não seria um gatilho para tamanho drama. E ainda era cedo demais para ela saber que eu tinha brigado com Emma.

“Você contou para Swan sobre... sobre o que aconteceu.” Seu lábio inferior começou a tremer.

Aquilo foi um tremendo choque para mim. Como é que ela sabia? Meu Deus... Será que ela tinha grampeado minha casa? Minha bolsa...? “Quê?”

“Não se faça de boba!”

“Como é que você sabe?” Minha voz saiu em um sussurro. “Conversamos sobre isso ontem à noite.”

“Ela foi falar a respeito com George.”

Tentei imaginar a cara de Spencer durante uma conversa como essa. Era impossível acreditar que meu padrasto tenha digerido bem a informação. “Por que ela faria isso?”

“Ela queria saber o que foi feito para evitar que a história vazasse. E queria saber por onde anda Nathan...” Ela soluçou. “Queria saber de tudo.”

Bufei por entre os dentes. Não estava certa de quais eram as motivações de Emma, mas a possibilidade de ela ter terminado comigo por causa de Nathan e agora estar fazendo de tudo para se poupar de um escândalo me magoava mais do que qualquer outra coisa.

Contorci-me de dor, dobrando a coluna para longe do encosto do assento. Pensei que o passado dela tinha criado um atrito entre nós, mas fazia mais sentido imaginar que tudo aquilo havia sido causado pelo meu.

Pela primeira vez na vida agradeci o fato de minha mãe ser tão egocêntrica. Foi isso que a impediu de ver que eu estava arrasada.

“Ela tinha o direito de saber”, consegui dizer com uma voz tão rouca que nem parecia a minha. “E ela tem o direito de tentar se proteger de eventuais respingos em sua imagem.”

“Você nunca contou nada para nenhum outro namorado.”

“Eu nunca tinha namorado ninguém que por qualquer motivo banal já aparece em todas as manchetes de jornal.” Olhei pela janela do carro, para o engarrafamento em que estávamos presas. “Emma e as Indústrias Swan's Media Company são conhecidos mundialmente, mãe. Ela está a anos-luz dos caras que namorei na faculdade.”

Ela ainda disse mais algumas coisas, mas não escutei. Fechei-me em mim mesma para me proteger, para me desligar de uma realidade que de uma hora para outra se tornara difícil demais de suportar.

O consultório do dr. Petersen era exatamente como eu me lembrava. Decorado com  cores neutras, era ao mesmo tempo profissional e aconchegante. Ele era assim também — um homem bonito com cabelos grisalhos e olhos azuis inteligentes e compreensivos.

O dr. Petersen nos deu as boas-vindas com um sorriso no rosto, comentando sobre a beleza de minha mãe e sobre como éramos parecidas. Disse que estava feliz em me ver de novo e que eu parecia estar muito bem, mas deu para perceber que só falou isso para agradar a minha mãe. Ele era um observador experiente demais para deixar de notar os sentimentos que eu estava reprimindo.

“Então”, o dr. Petersen começou, acomodando-se na poltrona diante do sofá em que eu e minha mãe tínhamos nos sentado. “O que traz vocês aqui hoje?”

Eu contei a ele que minha mãe vinha rastreando meus movimentos através do sinal do celular, e que isso fez com que eu me sentisse violada. Minha mãe falou do meu interesse por krav maga, e expressou que isso era um sinal de que eu não estava me sentindo segura. Contei que ela e Spencer haviam praticamente comprado a academia de Hood, o que fazia com que eu me sentisse sufocada e claustrofóbica. Ela falou que eu tinha traído sua confiança ao confiar assuntos personalíssimos a estranhos, o que a fez se sentir sem defesas e dolorosamente exposta.

Durante esse tempo todo, Petersen ouviu com atenção, tomou notas e falou bem pouco até que tivéssemos desabafado.

Quando ficamos em silêncio, ele perguntou: “Cora, por que não me falou nada sobre ter rastreado o telefone de Regina?”.

O ângulo de seu queixo se alterou, uma postura de defesa que eu conhecia muito bem. “Não vejo nada de errado nisso. Muitos outros pais rastreiam os filhos através do celular.”

“Filhos menores de idade”, rebati. “Sou adulta. A minha vida pessoal só diz respeito a mim.”

“Caso você se pusesse no lugar dela, Cora”, questionou o dr. Petersen, “é possível que se sentisse da mesma forma? E se você descobrisse que alguém anda monitorando seus passos sem seu conhecimento e sua permissão?”

“Se esse alguém fosse minha mãe e isso garantisse sua paz de espírito, eu não me importaria”, ela argumentou.

“E você já parou para pensar nos efeitos de suas atitudes sobre a paz de espírito da Regina?”, ele perguntou educadamente. “Sua vontade de proteger sua filha é compreensível, mas você deveria discutir abertamente com ela as medidas que vai tomar para isso. É importante ouvir o ponto de vista de Regina — e esperar cooperação apenas quando for vontade dela. É preciso respeitar sua prerrogativa de estabelecer limites que não são tão amplos como você gostaria.”

Minha mãe bufou, indignada.

“Regina precisa ter o espaço dela, Cora”, ele continuou, “e sentir que é ela quem controla sua própria vida. Tudo isso foi tirado dela por um bom tempo, e precisamos respeitar seu direito de se restabelecer da maneira como achar melhor.”

“Ah.” Minha mãe torceu o lenço entre os dedos. “Não tinha pensado nisso sob esse ponto de vista.”

Segurei a mão dela quando seu lábio inferior começou a tremer violentamente.

“Nada seria capaz de me convencer a não falar com Emma sobre meu passado. Mas eu poderia ter avisado você antes. Desculpe por não ter pensado nisso.”

“Você é muito mais forte do que eu”, ela disse, “mas não consigo deixar de me preocupar.”

“Minha sugestão”, aconselhou o dr. Petersen, “é que você reflita sobre quais tipos de eventos e situações mais lhe causam ansiedade, Cora. Depois disso, registre tudo por escrito.” Minha mãe concordou com a cabeça. “Quando tiver uma lista mais ou menos definida, não precisa ser nada muito detalhado, vocês podem sentar para conversar e encontrar soluções para essas preocupações — atitudes com as quais ambas concordem. Por exemplo, se ficar sem notícias da Regina por mais de um dia incomoda você, talvez uma mensagem de texto no celular ou um e-mail seja uma forma menos invasiva de lidar com isso.”

Certo.”

“Se vocês quiserem, podemos discutir a lista juntos.”

Essa interação entre os dois quase me fez surtar. Era praticamente um insulto. Eu não esperava que o dr. Petersen pusesse juízo à força na cabeça da minha mãe, mas esperava que ele fosse um pouquinho mais duro — alguém precisava fazer isso, alguém cuja autoridade ela respeitasse.

Quando a sessão terminou e estávamos de saída, pedi para minha mãe esperar um pouco para que eu pudesse fazer uma última pergunta ao dr. Petersen em particular.

“Sim, Regina?” Ele estava de pé na minha frente, aparentando sabedoria e paciência infinitas.

“Eu andei pensando sobre uma coisa...” Fiz uma pausa, engolindo em seco. “É possível que duas vítimas de abuso tenham uma relação romântica saudável?”

“Perfeitamente.” Sua resposta imediata e convicta permitiu que eu voltasse a respirar.

Apertei sua mão. “Obrigada.”

Quando cheguei em casa, abri a porta com as chaves que Emma tinha devolvido e fui direto para o quarto, cumprimentando Killian, que estava praticando ioga seguindo as instruções de um DVD, apenas com um breve aceno.

Tirei a roupa enquanto caminhava para a cama e entrei debaixo das cobertas frias só de lingerie. Abracei um travesseiro e fechei os olhos, tão exaurida que não conseguia pensar em mais nada.

A porta se abriu e um instante depois Killian estava sentado ao meu lado. Ele afastou os cabelos do meu rosto lavado de lágrimas. “O que aconteceu, gata?”

“Levei um pé na bunda hoje. E por uma porra de um bilhetinho.”

Ele suspirou. “Você sabe como as coisas funcionam, Regina. Ela vai querer manter você à distância, porque acha que vai ser mais uma decepção na vida dela.”

“E estou fazendo de tudo pra mostrar que ela está certa.” Consegui me enxergar perfeitamente na descrição de Killian. “Corri quando as coisas ficaram feias, porque tinha certeza de que tudo ia terminar mal. E a única atitude que tomei a respeito foi ir embora em vez de ser deixada pra trás.”

“Porque você precisa lutar pra manter sua própria reabilitação.” Ele deitou junto às minhas costas, passando um dos braços bem definidos sobre mim e me apertando contra ele.

Eu me aninhei naquele abraço de que nem sabia que precisava. “Ela deve ter me chutado por causa do meu passado, não do dela.”

“Se isso for verdade, ainda bem que terminou. Mas acho que no fim vocês vão acabar se entendendo. Pelo menos é o que eu queria que acontecesse.” Sua respiração roçava de leve meu pescoço. “Quero finais felizes pra todo mundo que já sofreu o diabo na vida. Mostre que é possível, Regina, querida. Me faça acreditar.”



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...