História Toda sua - Capítulo 32


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Swanqueen
Visualizações 537
Palavras 2.184
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 32 - Família Swan Vidal


Fanfic / Fanfiction Toda sua - Capítulo 32 - Família Swan Vidal

A dor que eu tinha sentido nos primeiros dias havia se transformado em um mal-estar constante, parecido com uma gripe. Todas as partes do meu corpo estavam doloridas, como se eu estivesse numa crise de abstinência, e minha garganta doía por causa das lágrimas contidas.

“Está muito ansiosa?”, perguntou Killian.

Olhei para ele. “Não muito. Emma não vai estar lá.”

“Tem certeza?”

“Sim, ou eu nem viria. Também tenho meu orgulho, você sabe.” Vi que ele batucava com os dedos sobre o apoio para os braços do assento, que estava entre nós.

Apesar de todas as lojas que percorremos no dia anterior, ele fez apenas uma aquisição: uma gravata preta de couro. Zombei dele sem a menor piedade por isso: uma pessoa com um senso de estilo tão apurado usando uma coisa como aquela.

Ele me pegou olhando para ela. “Que foi? Ainda não se conforma com minha gravata? Acho que combina com meu jeans emo e meu paletó estampado.”

“Killian”, abri um sorriso, “você pode usar qualquer coisa.”

Era verdade. Ele ficaria bem de qualquer jeito, graças a seu corpo esguio e bem definido e a seu rosto lindo de morrer.

Cobri seus dedos inquietos com minha mão. “E você, está ansioso?”

“Trey não ligou ontem à noite”, murmurou. “Ele tinha prometido.”

Apertei sua mão em sinal de apoio. “É só um pequeno descuido, Killian. Tenho certeza de que não significa nada de mais.”

“Ele poderia ter ligado hoje de manhã. Trey não é largado que nem os outros caras que namorei. Ele não esqueceria uma coisa dessas, então quer dizer que não ligou porque não quis.”

“Babaca. Vou fazer questão de tirar um monte de fotos de você se divertindo pra valer com esse visual sexy, classudo e descolado, pra acabar com a segunda-feira dele.”

Ele riu. “Ah, a crueldade da mente feminina. Pena que Swan não vai ver você hoje. Acho que ela ficaria de pau duro só de ver você sair do quarto com esse vestido.”

“Pare!” Bati no ombro dele e fingi que estava brava quando ele riu.

Vimos que o vestido era perfeito assim que pusemos os olhos nele. Ideal para uma festa ao ar livre — a parte de cima bem justa e uma saia folgada até o joelho. Era champagnat com bordados perolados. Mas o estilo chá-com-biscoitos acabava por aí. O toque de ousadia vinha da barra desenhada em várias meia-luas que cobriam até pouco acima dos joelhos, bem delineado ao corpo. Na parte superior, mangas em estilo camiseta com um belo decote em V que enaltecia os seios. Killian havia escolhido os sapatos de salto alto e brincos com pingentes de rubi para dar o toque final. Decidimos deixar meus cabelos soltos, para o caso de ser necessário usar chapéu. Resumindo, eu estava me sentindo bonita e confiante.

Cruzamos os portões imponentes com iniciais em ferro fundido e seguimos por uma alameda circular até onde estavam os manobristas. Killian e eu entramos por ali, e ele me amparou pelo braço quando meus saltos insistiram em se enterrar no caminho de cascalho até a porta da casa.

Ao entrar na luxuosa mansão em estilo Tudor (dinastia de monarcas) dos Vidal, fomos recebidos efusivamente pelos membros da família de Emma, todos alinhados à espera dos convidados — sua mãe, seu padrasto, Neal e sua irmã.

Apreciei a cena, imaginando que a perfeição da família Vidal seria ainda maior se Emma estivesse presente. Sua mãe e sua irmã eram simpáticas, ambas com cabelos castanhos brilhantes e olhos azuis com cílios bem compridos. As duas eram lindas e elegantérrimas.

“Regina!” A mãe de Emma me puxou para junto dela e beijou minhas duas bochechas sem tocá-las. “Estou tão feliz por finalmente conhecer você. Que moça mais linda você é! E adorei seu vestido.”

“Obrigada.”

Ela passou as mãos por meus cabelos, meu rosto, e depois meus braços. Era algo difícil de suportar, já que ser tocada por estranhos às vezes desencadeava uma reação de ansiedade em mim. “E seu cabelo, essa é a cor natural dele?”

“Sim”, respondi, surpresa e confusa com o questionamento. Quem perguntaria isso logo de cara a alguém que nem conhece?

“Que interessante. Seja bem-vinda. Espero que se divirta bastante. Estamos muito felizes com sua presença.”

Sentindo-me estranhamente desconfortável, dei graças a Deus quando o foco de sua atenção se voltou para Killian.

“E você deve ser Killian”, ela começou. “E eu aqui achando que meus filhos eram os mais bonitos do mundo. Vejo que estava enganada. Meu jovem, você é simplesmente divino.”

Killian abriu seu sorriso matador. “Ah, acho que estou apaixonado, senhora Vidal.”

Ela riu de peito aberto. “Por favor. Pode me chamar de Mary Margareth. Ou só Mary, se referir.”

Olhando para o outro lado, senti minha mão ser agarrada por James Vidal, o pai. Em muitos aspectos, ele lembrava muito o filho, Neal, com seus olhos esverdeados e sorriso de menino. Vestido de bermuda cáqui e um cardigã de caxemira e calçando mocassins, parecia mais um professor universitário que um executivo da indústria fonográfica.

“Senhorita Mills. Posso chamar você de Regina?”

“Por favor.”

“Entendi por que Emma está tão fascinada por você. Seus olhos são intensos e tempestuosos, mas também límpidos e diretos. São os mais lindos que já vi, excluindo os da minha mulher.”

Fiquei vermelha. “Obrigada.”

“Emma também vem?”

“Não que eu saiba.” Por que os pais deles estavam perguntando aquilo para mim?

Eles é que deveriam saber.

“Nunca perdemos a esperança.” Mary apontou um empregado que estava à nossa espera. “Por favor, podem ir para o jardim, e fiquem à vontade.”

Neal me cumprimentou com um abraço e um beijo na bochecha, enquanto a irmã de Emma, Anna, mediu-me com os olhos e com a expressão entediada de que só uma adolescente é capaz. “Você é morena”, ela disse.

Minha nossa. A preferência de Emma por loiras era alguma espécie de lei, por acaso? “E você é uma linda morena.” Afirmou

Killian me ofereceu seu braço e eu aceitei com toda a gratidão.

Enquanto nos afastávamos, ele perguntou em voz baixa: “Eles são como você esperava que fossem?”.

“A mãe, talvez. O padrasto, não.” Olhei para trás por cima dos ombros, dando uma boa olhada no vestido creme de contornos bem delineados que envolvia a figura esbelta de Mary Margareth Swan Vidal. Pensei em quão pouco sabia sobre a família de Emma. “Que tipo de criação recebeu uma menina que conseguiu se tornar "A" mulher de negócios tão implacável a ponto de comprar a empresa da própria família?”

“Swan tem participação na Vidal Records?”

“É a sócia majoritária.”

“Humm. Quem sabe não foi uma ajuda?”, ele especulou. “Uma mão amiga durante um período de transição da indústria fonográfica?”

“Por que não dar o dinheiro de uma vez, então?”, rebati.

“Por que ela é uma mulher de negócios que sabe o que faz?”

Com um suspiro profundo, deixei a pergunta para lá e tentei pôr as coisas no devido lugar. Eu estava naquela festa por causa de Killian, não de Emma, e ele, Killian, deveria ser o foco das minhas atenções.

Quando chegamos lá fora, encontramos uma tenda enorme e ricamente decorada no fundo do jardim. Apesar de o dia estar agradável o bastante para ficar ao sol, preferi me sentar a uma mesa circular coberta com uma toalha de renda branca do lado de dentro.

Killian bateu no meu ombro. “Fique aqui relaxando. Vou fazer contatos.”

“Vai fundo.”

Ele se afastou, imbuído de seus objetivos.

Fiquei bebendo champanhe e batendo papo com quem aparecesse e puxasse conversa. Havia muitos músicos famosos na festa, pessoas cujas canções eu conhecia, e fiquei olhando para eles de longe, um tanto intimidada. Apesar da elegância do ambiente e do número incontável de empregados, a atmosfera da festa era casual e relaxada.

Estava começando a me divertir quando alguém que eu esperava nunca mais ver saiu de dentro da casa: Lilith Page, linda de morrer com um vestido rosado de chiffon que parecia flutuar ao redor dos joelhos dela.

Senti uma mão pousar sobre meu ombro e apertá-lo, o que fez meu coração disparar, porque me lembrou da noite em que Killian e eu fomos à casa noturna de Emma.

Mas dessa vez quem apareceu para falar comigo foi Neal.

“Oi, Regina.” Ele sentou na cadeira ao lado e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, inclinando-se para mim. “Está se divertindo? Você não está circulando muito por aí.”

“Estou adorando a festa.” Pelo menos até aquele momento. “Obrigada por me convidar.”

“Obrigado por ter vindo. Meus pais ficaram muito contentes. E eu também, é claro.”

Seu sorriso me fez rir, assim como sua gravata, estampada com desenhos de discos de vinil.

“Está com fome? Os bolinhos de caranguejo estão uma delícia. Pegue um quando o garçom passar por aqui.”

“Vou pegar.”

“Se precisar de alguma coisa, avise. E reserve uma dança pra mim.” Ele deu uma piscadinha antes de se levantar e se afastar.

Anna se sentou por ali, ajeitando as roupas com a elegância calculada de uma garota perto da universidade. Seus cabelos chegavam até a cintura, e seus lindos olhos eram sinceros o bastante para me fazer gostar deles. Ela parecia muito mais experiente dos que os dezessete anos que calculei que tinha com base nas notícias de jornal que Killian tinha juntado para mim. “Oi.”

“Olá.”

“Onde está Emma?”

Encolhi os ombros diante da pergunta tão abrupta. “Na verdade, eu não sei.”

Ela concordou com a cabeça. “Ela sabe como manter as pessoas à distância.”

“Ela sempre foi assim?”

“Acho que sim. Eu era pequena quando ela saiu de casa. Você está apaixonada por ela?”

Prendi a respiração por um instante. Mas depois relaxei e respondi simplesmente: “Estou”.

“Foi o que pensei quando vi o vídeo de vocês dois no Bryant Park.” Ela mordeu o lábio inferior. “Ela é divertida? Sabe como é... pra sair e coisa e tal?”

“Ah, bom...” Minha nossa. Alguém ali conhecia Emma? “Eu não diria que é divertida, mas entediante não é.”

A banda começou a tocar “Come Fly with Me”, e Killian apareceu do nada ao meu lado. “É hora de fazer bonito, Cyd .”

“Prometo que vou tentar, Fred.” Sorri para Anna. “Com licença um minutinho.”

“Três minutos e dezenove segundos”, ela corrigiu, exibindo parte do conhecimento musical da família.

Killian me conduziu para a pista de dança vazia e puxou um passo bem ágil de foxtrote. Demorei um pouco para conseguir acompanhá-lo, porque estava dura e tensa fazia dias. Em pouco tempo a sinergia da velha parceria voltou e percorremos toda a pista com a maior naturalidade.

Quando a música terminou, estávamos sem fôlego. Fomos surpreendidos positivamente com uma salva de palmas. Killian fez uma mesura elegante e eu segurei sua mão para me equilibrar enquanto flexionava os joelhos.

Quando levantei a cabeça e me endireitei, dei de cara com Emma. Assustada, dei um passo trôpego para trás. Ela estava com uma roupa bem informal — jeans e camisa branca para fora da calça, com o colarinho aberto e as mangas dobradas —, mas estava tão linda que humilhava qualquer outro presente ali.

O desejo que se acendeu dentro de mim quando a vi foi arrebatador. Notei que Killian estava se afastando de mim, mas não conseguia deixar de me fixar em Emma, cujos olhos verdes brilhantes fuzilavam os meus.

“O que você está fazendo aqui?”, ele soltou, irritado.

Eu me enfureci diante de tamanha grosseria. “Como é?”

“Você não deveria estar aqui.” Ela me agarrou pelo cotovelo e começou a me arrastar para dentro da casa. “Eu não quero você aqui.”

Se ela cuspisse na minha cara, não teria me magoado tanto. Livrei meu braço de sua mão com um puxão e caminhei a passos largos na direção da casa com a cabeça erguida, torcendo para conseguir chegar até o carro e o olhar vigilante do Phillip antes que as lágrimas começassem a rolar.

Atrás de mim, ouvi uma voz feminina melosa chamar o nome de Emma, e torci para que essa mulher atraísse sua atenção, para que aquela cena não precisasse se prolongar.

Pensei que ia conseguir atingir meu objetivo ao atravessar o interior climatizado da casa.

“Regina, espere.”

Meus ombros se contraíram ao som da voz de Emma, e eu me recusei a olhar para ela. “Suma daqui. Já conheço o caminho da porta.”

“Ainda não terminei...”

“Eu já!” E me virei para encará-la. “Nunca mais fale comigo desse jeito. Quem você pensa que é? Acha que estou aqui por sua causa? Que pretendia encontrar você e me jogar aos seus pés como uma cachorrinha... em busca de qualquer migalha de atenção que você quisesse me dar? Que eu estivesse atrás de uma rapidinha num canto escuro pra tentar ganhar você de volta?”

“Fique quieta, Regina.” Seus olhos faiscavam e seus dentes estavam cerrados. “Escute o que tenho a dizer...”

“Só estou aqui porque me disseram que você não viria. Vim por causa de Killian, pra ajudar a carreira dele. Então você pode voltar pra festa e esquecer de novo que eu existo. Fique tranquila, quando eu sair por aquela porta, vou estar fora da sua vida de uma vez por todas.”


Notas Finais


Cyd Charisse & Fred Astaire realizam um desfile de passos no filme "The Band Wagon (1953)". Tom Balistreri e Franck Sinatra interpretam a canção Come Fly With Me embalada nas batidas do bom e velho foxtrote.

Spirit também é cultura.


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