História Toda Sua - Capítulo 11


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex, Oitnb, Piper, Vauseman
Visualizações 169
Palavras 4.695
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cheguei!!!

Capítulo 11 - Capítulo 11


 

Cliquei nos outros links da mensagem e encontrei a mesma foto, acompanhada de legendas e artigos parecidos. Assustada, recostei—me no assento e refleti sobre o significado de tudo aquilo. Se um beijo já causava tanto rebuliço, que chance teríamos de tentar construir um relacionamento?

Minhas mãos estavam trêmulas quando fechei as abas do navegador. Eu não tinha levado em conta a repercussão na imprensa, mas deveria. — Droga.

O anonimato era meu aliado. Protegia—me do passado. Protegia minha família do constrangimento, assim como Alex. Eu não tinha nem perfis em redes sociais para que pessoas que não tivessem acesso a mim no dia a dia não conseguissem me encontrar.

Essa parede invisível entre mim e a exposição pública havia sido demolida.

— Que inferno, suspirei ao me ver em uma situação indesejável que poderia ter sido evitada caso minha mente se preocupasse com alguma coisa além de Alex.

E eu ainda tinha que levar em conta a reação dela a essa situação toda... Eu me remoí por dentro só de pensar nisso. E tinha também minha mãe. Não demoraria muito para ela me ligar e fazer o maior estardalhaço...

— Merda. Lembrei que ela ainda não tinha meu celular novo, e liguei para o serviço de mensagens de voz do número antigo para saber se ela tinha tentado falar comigo. Estremeci quando ouvi que minha caixa postal estava cheia.

Desliguei o telefone, peguei a bolsa e saí para o almoço, com a certeza de que Larry me ajudaria a pôr as coisas em seus devidos lugares. Eu estava tão perturbada quando cheguei ao saguão do edifício que saí do elevador com a cabeça concentrada unicamente em encontrar meu amigo. Quando o vi, parti diretamente em sua direção sem pensar em mais nada, pelo menos até Alex parar bem na minha frente e bloquear o caminho.

— Piper. Ela me olhou franzindo a testa. Agarrou meu cotovelo e me puxou para o lado. Foi quando percebi as duas mulheres e o homem que estavam fora do meu campo de vista até então.

Precisei de certo esforço para conseguir sorrir para eles. — Olá.

Alex me apresentou a seus companheiros de almoço de negócios, depois pediu licença e me puxou até um canto. — O que aconteceu? Você está chateada.

— Está em toda parte, sussurrei. — Uma foto de nós duas juntas.

Ela concordou com a cabeça. — Eu vi.

Olhei bem para ela, piscando várias vezes, perplexa com sua tranquilidade. — E você nem liga?

— Por que deveria? Pela primeira vez, estão dizendo a verdade.

Uma desconfiança sorrateira despertou dentro de mim. — Você planejou tudo. Isso é coisa sua.

— Não exatamente, ela respondeu, sem se alterar. — O fotógrafo estava lá por acaso. Eu só proporcionei a ele uma imagem que valia a pena divulgar, e falei pra assessoria de imprensa deixar bem claro que você é minha.

— Por quê? Por que alguém faria isso?

— Você tem sua maneira de lidar com o ciúme, e eu tenho a minha. Nós duas estamos comprometidas, e agora todo mundo sabe disso. Por que isso seria um problema?

— Eu estava preocupada com sua reação, mas não é só isso... Existem coisas que você não sabe, e eu... Respirei bem fundo, sentindo meu corpo tremer. — Nossa relação não pode ser assim, Alex. Não pode vir a público. Eu não quero... droga. Vou virar motivo de constrangimento pra você.

— Não vai, não. Isso é impossível. Com uma das mãos, ela afastou uma mecha de cabelo que tinha caído sobre meu rosto. — Podemos conversar sobre isso mais tarde? A não ser que você precise de mim...

— Não, tudo bem. Pode ir.

Larry veio até nós. Estava com uma calça cargo preta bem larga e uma camiseta branca de gola V, mas ainda assim parecia elegante e sofisticado. — Está tudo bem?

— Oi, Larry. Está tudo bem. Alex apertou minha mão. — Aproveite bem seu almoço e não se preocupe.

Ela falou isso porque não sabia de nada.

E, se soubesse, eu tinha sérias dúvidas se ainda ia querer alguma coisa comigo.

Larry olhou bem para mim quando Alex se afastou. — Não se preocupe com o quê? Tem alguma coisa errada?

— Tudo. Suspirei. — Vamos sair logo daqui, a gente conversa melhor durante o almoço.

— Ora, murmurou Larry, olhando para o link que eu encaminhei do meu celular para o dele.

— Isso é que é beijo. Ela ter pegado você nos braços desse jeito foi uma grande sacada. Não tem como parecer mais apaixonada que isso.

— O problema é justamente esse. Dei mais um gole na minha água. — Foi tudo encenação.

Ele guardou o telefone no bolso. — Na semana passada você reclamava dela porque só queria sexo. Esta semana ela anuncia pro mundo todo que está comprometida, que vocês duas têm uma relação amorosa, e você continua insatisfeita. Estou começando a sentir pena dela. Ela não consegue dar uma dentro.

Esse comentário doeu nos meus ouvidos. — Os jornalistas vão começar a pesquisar, Larry, e vão achar muita sujeira. E, como é uma sujeira apetitosa, vão espalhar por toda parte e mais um pouco, e isso vai expor Alex a um constrangimento terrível.

— Gata. Ele pôs sua mão sobre a minha. — Stanton já deu um jeito de colocar uma pedra sobre tudo isso.

Stanton. Eu me ajeitei na cadeira. Não tinha nem me lembrado do meu padrasto. Ele previu que uma hora a coisa viria à tona e abafou tudo, pois sabia o que isso causaria à minha mãe.

Ainda assim... — Vou precisar conversar com Alex sobre isso. Ela tem o direito de saber.

Só a ideia de ter uma conversa como essa já me deixou em frangalhos.

Larry sabia como minha cabeça funcionava. — Se você acha que ela vai se assustar e fugir, está muito enganada. Alex olha pra você como se não existisse mais ninguém no mundo.

Revirei minha salada de atum com folhas verdes. — Ela também tem seus fantasmas. Pesadelos. Acho que ela se fechou para o mundo porque alguma coisa o corrói por dentro.

— Mas ela se abriu pra você.

— E já deu mostras do quanto pode ser possessiva. Não censurei porque é um defeito que eu também tenho, mas ainda assim...

— Você está errando feio na análise, Piper, interrompeu Larry. — Está achando que o sentimento dela por você deve ser uma espécie de acaso ou engano. Qual é o problema, alguém como ela não se apaixonaria por alguém como você, é isso?

— Minha autoestima não é tão ruim assim, protestei.

Ela deu um gole em seu champanhe. — Ah, não? Então me diga alguma coisa de que ela gosta em você que não tenha a ver com sexo.

Pensei a respeito e não consegui encontrar nada para dizer, o que me deixou irritada.

— Então, ele continuou. — Se Vause for tão paranoica quanto você, está pensando a mesma coisa, só que ao contrário, imaginando o que uma gata como você viu alguém como ela. Você tem grana, então o que ela pode ter de atraente além de ser uma cafajeste que vive fazendo merda?

Eu me recostei na cadeira e tentei absorver tudo o que ele disse. — Larry, eu te amo de paixão.

Ele sorriu. — Eu também, linda. Quer um conselho? Terapia de casal. Quero fazer isso quando encontrar alguém e quiser sossegar. E tente se divertir com ele. Vocês precisam aprender a equilibrar os altos e baixos, caso contrário a relação fica sofrida e trabalhosa demais.

Eu me inclinei para a frente e apertei sua mão. — Obrigada.

— Por quê? Ele desdenhou da minha gratidão com um aceno de mão. — Não existe coisa mais fácil que resolver o problema dos outros. O duro é enfrentar nossos próprios traumas, e isso eu jamais conseguiria sem você.

— Mas agora você já superou tudo, assinalei, mudando o foco da conversa. — Você está prestes a estrelar um anúncio gigante na Times Square. Não vou mais ser a única a poder admirar sua beleza. Vamos deixar a pizza de lado e fazer um jantar comemorativo? Que tal abrir aquela caixa de Cristal que Stanton deu?

— Aí, sim.

— E o filme? Quer ver algum em particular?

— O que você quiser. Não quero interferir no seu gosto por filmes bobos de ação.

Sorri, sentindo—me melhor como sabia que me sentiria depois de passar uma hora com Larry.

— Só me avise se eu não perceber quando você e Trey quiserem ficar sozinhos.

— Rá! Pode deixar. Sua vida amorosa agitada está fazendo com que eu me sinta acomodado e tedioso. O que eu mais quero é uma trepada quente e suada com meu próprio garanhão.

— Você transou dentro de um armário poucos dias atrás!

Ele suspirou. — Tinha até esquecido. Que coisa mais triste...

— Não é bem isso que seus olhos estão dizendo.

Eu tinha acabado de voltar para minha mesa quando vi no celular uma mensagem de Alex dizendo que teria um tempinho livre para conversar às quinze para as três. Tentei esconder minha ansiedade durante os noventa minutos seguintes, já que havia me decidido a seguir o conselho do Larry e me divertir um pouco. Não demoraria muito para que eu e Alex tivéssemos que encarar meu passado tenebroso, mas, enquanto isso não acontecia, era melhor curtir enquanto ainda era tempo.

Respondi para ela pouco antes de subir, avisando que já estava a caminho. Como o tempo era curto, não poderíamos perder nem um minuto. Alex devia achar o mesmo, pois encontrei Scott me esperando assim que cheguei ao hall de entrada das Indústrias Vause. Ela me acompanhou até a recepção e liberou minha entrada.

— Está tendo um bom dia?, perguntei.

Ela sorriu. — Um ótimo dia. E você?

Retribuí o sorriso. — Já tive piores.

Alex estava ao telefone quando entrei no escritório. Seu tom de voz era de pressa e impaciência, e ela dizia à pessoa no outro lado da linha que ela deveria ser capaz de fazer seu trabalho sem que fosse preciso supervisioná—la o tempo todo.

Ela ergueu um dedo para mim, dizendo que ainda levaria um minuto. Respondi estourando uma bola bem grande do chiclete que estava mascando.

Alex ergueu as sobrancelhas de imediato, e acionou os respectivos botões para trancar a porta e tornar as paredes de vidro opacas.

Sorrindo, saltitei até sua mesa e pulei em cima dela, passando os dedos pelos lábios e balançando as pernas. Com um golpe ágil, ela estourou a outra bola de chiclete que fiz. Fiz um biquinho charmoso.

— Dê um jeito nisso, ela disse com autoridade para a pessoa do outro lado da linha. — Só vou poder ir até aí na semana que vem, e ficar me esperando sem fazer nada só vai atrapalhar. Agora pare de falar. Tenho um assunto urgente na minha mesa pra resolver e você está me atrapalhando. Pode ter certeza que estender essa conversa só vai servir pra me irritar. Faça o que precisa ser feito e amanhã conversamos de novo.

Ela pôs o telefone de volta no gancho em um gesto de violência reprimida. — Piper...

Ergui uma das mãos para mantê—la à distância e embrulhei meu chiclete em uma folha do bloquinho de papel que havia em cima da mesa. — Antes que brigue comigo, senhora Vause, gostaria de dizer que, quando chegamos a um impasse nas discussões sobre a fusão ontem no hotel, eu não deveria ter ido embora. Isso não ajudou em nada. E eu não reagi muito bem à divulgação da foto pela assessoria de imprensa. Mas ainda assim... Mesmo não tendo sido uma boa secretária, acho que mereço outra chance de me destacar.

Ela estreitou os olhos e me observou com cuidado, avaliando e reavaliando a situação conforme se desenrolava. — Eu pedi sua opinião sobre que atitude tomar a esse respeito, senhorita Chapman?

Sacudi a cabeça e o olhei de baixo para cima. Dava para perceber que a irritação causada pelo telefonema já se dissipava, substituída por uma excitação e um interesse cada vez maior no que estávamos fazendo.

Desci da mesa, fui até perto dela e alisei sua gravata impecável com as duas mãos. — O que posso fazer para corrigir isso? Tenho outras habilidades muito convenientes.

Ela me agarrou pelos quadris. — Essa foi uma das razões por que você foi a única mulher que levei em consideração para o cargo.

Essas palavras fizeram uma onda de calor invadir meu corpo. Agarrando seu pau com uma das mãos, comecei a acariciá—la por cima da saia lapis. — Que tal eu retomar meus afazeres?

Posso fazer uma demonstração de que sou a pessoa mais qualificada para ser sua assistente.

— Bela iniciativa, senhorita Chapman. Mas minha próxima reunião é daqui dez minutos. Além disso, não estou acostumada a expandir os horizontes profissionais dos meus funcionários no meu escritório.

Com a boca colada em seu queixo, sussurrei: — Se está pensando que existe algum lugar em que eu não vou fazer você gozar, é melhor refazer seu planejamento

— Piper, ela suspirou, cheia de tesão e carinho nos olhos, depois agarrou minha garganta, roçando meu queixo com os polegares. — Você está me deixando perturbada. Sabia disso? Está fazendo de propósito?

Enfiei a mão dentro da saia dela masturbando-a, oferecendo os lábios para serem beijados. Foi o que ela fez, atacando minha boca com uma ferocidade que me deixou sem fôlego.

— Quero você agora, ela gemeu.

Ajoelhei no piso acarpetado, subindo sua saia e abaixando sua peça intima para obter a margem de manobra da qual precisava.

Ela expirou com força. — Piper, o que você está...

Meus lábios foram de encontro ao seu sexo. Ela agarrou a beirada da mesa, fazendo suas juntas ficarem pálidas com o esforço. Eu chupei bem de leve. A maciez de sua pele e seu cheiro irresistível me fizeram gemer. Senti uma onda de excitação percorrer seu corpo e ouvi um som áspero ressoar em seu peito.

Alex pôs a mão no meu queixo. — Lambe.

Excitada por aquela voz de comando, percorri com a língua toda a extensão, e estremeci de tesão quando ela emitiu um jorro quente de líquido pré—ejaculatório.

Queria ter mais tempo, para fazer aquele momento durar mais. Deixá—la louca...

Ela soltou um gemido temperado pela mais doce agonia. — Essa sua boca. Continua chupando. Assim... Com força.

Fiquei com tanto tesão por dar prazer a ela que me contorci inteira. Suas mãos se enterraram nos meus cabelos presos, puxando—os pela raiz. Eu adorava o modo como ela começava as coisas suavemente e depois ia ficando mais bruta à medida que o desejo que sentia por mim a fazia perder a cabeça.

Essa leve pontada de dor me deixou ainda mais ávida e sedenta. Minha cabeça subia e descia sobre ela, masturbando—a com uma das mãos enquanto chupava e lambia. Percorri com a língua sem medo. Meus joelhos estavam doendo, mas isso não importava; meus olhos estavam grudados em Alex, que jogava a cabeça para trás e tentava não perder o fôlego.

— Piper, você chupa tão gostoso. Ela segurou minha cabeça, levantou—se e assumiu o controle. Começou a mexer os quadris.

Apertei ainda mais seus quadris, mexendo os lábios e a língua freneticamente, desesperada para fazê—la chegar ao clímax.

— Ah, Piper. Seu tom de voz era rouco e gutural. Ela puxou com mais força meus cabelos. — Você vai me fazer gozar.

Seus gemidos e murmúrios foram o som mais gratificante que já ouvi na vida.

Eu a lambi até que estivesse limpo. Ela ainda era capaz de me comer intensamente, e estava mais do que disposta a isso, eu tinha certeza. Mas não tínhamos mais tempo, e eu não me incomodaria de parar por ali. Era o que eu queria fazer para ela. Para nós. Para mim, na verdade, porque precisava saber se era capaz de desfrutar de um ato sexual de caráter altruísta, em que eu não fosse o centro das atenções.

— Preciso ir, murmurei, levantando—me e beijando sua boca. — Espero que o restante do seu dia seja sensacional, e seu jantar de negócios também.

Afastei—me para sair, mas ela me agarrou pelo pulso, de olho no relógio do mostrador do seu telefone. Foi quando percebi que minha fotografia estava lá, ao alcance de seus olhos o dia todo.

— Piper... Droga. Espere um pouco.

Franzi a testa ao ouvir seu tom de voz, que parecia carregado de ansiedade. Frustração.

Ela logo se recompôs, vestindo suas roupas. Era uma cena bonita de ver, Alex se arrumando, restaurando a fachada que exibia ao mundo, enquanto eu sabia que era a única que tinha acesso a mulher por trás dela.

Alex me puxou para perto e beijou minha testa. Suas mãos passaram pelos meus cabelos e ela soltou minha fivela. — Eu não fiz nada pra você.

— Não precisa. Eu adorava sentir suas mãos na minha cabeça. — Foi maravilhoso assim mesmo.

Ela estava concentrada demais arrumando meu cabelo, com as bochechas vermelhas depois do orgasmo. — Sei que você precisa empatar o placar, ela argumentou de uma forma um tanto grosseira. — Não posso deixar você ir embora se sentindo usada por mim.

Fiquei emocionada com essa demonstração de consideração, apesar de um tanto bruta. Ela me ouvia. Importava—se comigo.

Envolvi seu rosto com minhas mãos. — Você me usou, sim, mas com minha permissão, e foi uma delícia. Eu queria fazer isso pra você, Alex. Lembra? Eu avisei. Queria que você tivesse algo para se lembrar de mim.

Ela arregalou os olhos, alarmada. — Por que preciso de lembranças se tenho você? Piper, se você está falando sobre a foto...

— Fique quietinha aí e aproveite o momento. Não tínhamos tempo suficiente para conversar sobre aquilo, e eu também não estava a fim. — Mesmo se tivéssemos uma hora, eu não ia querer que você me fizesse gozar. Não estou disputando quem faz o outro gozar mais vezes. Agora preciso ir. E você também tem um compromisso.

Eu me afastei de novo para sair, mas ela me agarrou mais uma vez.

A voz de Scott ressoou pelo alto—falante. — Com licença, senhora Vause. O pessoal da reunião das três horas já chegou.

 

— Está tudo bem, Alex, garanti. — Você vai passar lá em casa hoje à noite, certo?

— Isso eu posso garantir.

Fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha. — Mais tarde conversamos.

 

*

 

Depois do trabalho, desci até o térreo de escada para me sentir menos culpada por faltar à academia, mas me arrependi amargamente ao chegar ao saguão. A falta de sono da noite anterior estava cobrando seu preço. Considerei pegar o metrô em vez de ir andando para casa quando vi o Bentley de Alex parada na calçada. Quando o motorista desceu do carro e me cumprimentou pelo nome, levei um susto e parei de repente no meio da calçada, surpresa.

— A senhora Vause me pediu para levá—la para casa, ele informou, muito bem educado com seu terno preto e quepe de chofer. Era um senhor de certa idade, com cabelos ruivos já um tanto grisalhos, olhos azuis de um tom claro e o jeito de falar de uma pessoa bem instruída.

Pelo tanto que minhas pernas doíam, aquela oferta era mais que bem—vinda. — Obrigada... Desculpe, esqueci seu nome.

— Angus, senhorita Chapman.

Como pude esquecer? Era um nome superlegal, que me fez abrir um sorriso. — Obrigada, Angus.

Ele bateu no quepe com os dedos. — O prazer é todo meu.

Quando me acomodei no banco traseiro depois de ele abrir a porta para mim, pude ver de relance a pistola que carregava em um coldre de ombro sob o paletó. Pelo jeito Angus, assim como Clancy, era guarda—costas além de motorista.

O carro se pôs em movimento, e eu logo perguntei: — Faz muito tempo que você trabalha para a senhora Vause, Angus?.

— Já faz oito anos.

— É um bom tempo.

— Eu a conheço desde muito antes, ele se dispôs a falar, olhando—me pelo retrovisor. — Eu a levava para a escola quando era criança. Quando ficou mais velha, ela me tirou do senhor Vidal.

Mais uma vez, tentei imaginar Alex quando criança. Ela já devia ser bonita e carismática naquela época.

Será que ela havia tido experiências sexuais — normais na adolescência? Não é possível que a mulherada não se jogasse em cima dela desde então. Considerando a criatura inatamente sexual que ela era, eu só conseguia imaginá—la como uma adolescente das mais taradas.

Revirei minha bolsa, encontrei as chaves e me inclinei para deixá—las no assento do passageiro. — Você pode entregar isso a Alex? Ela vai passar lá em casa depois do compromisso que tem à noite e, dependendo da hora, posso não ouvir se ela bater.

— Claro.

Paul abriu a porta para mim quando chegamos e cumprimentou Angus pelo nome, o que me lembrou que Alex era dono do prédio. Acenei para os dois, avisei a portaria que ele iria aomeu apartamento mais tarde e subi. O susto que Larry tomou ao abrir a porta para mim me fez rir.

— Alex vai vir aqui mais tarde, expliquei, — mas estou tão cansada que acho que vou dormir cedo. Deixei minhas chaves pra ela. Você já pediu a comida?

— Já. E pus algumas garrafas de Cristal na adega.

— Você é o máximo. Deixei minha bolsa para ele guardar.

Tomei um banho e liguei para minha mãe no telefone do quarto, encolhendo—me toda ao ouvir seu tom de voz estridente. — Faz dias que estou tentando falar com você!

— Mãe, se for sobre Alex Vause...

— Ora, é claro que também é por causa dela! Minha nossa, Piper. Estão dizendo que você é a mulher mais importante da vida dela no momento. Como você pode achar que eu não vou querer falar sobre isso?

— Mãe...

— E tem também a consulta que você me pediu pra marcar com o doutor Petersen. O tom de divertimento complacente com que ela falou isso me fez rir. — Vamos vê—lo na quinta—feira às seis horas. Espero que você possa ir. Ele não gosta de marcar consultas depois do horário.

Eu me joguei para trás na cama com um suspiro. O trabalho e Alex estavam exigindo tanto de mim que tinha até me esquecido da consulta. — Quinta às seis está ótimo. Obrigada.

— Muito bem. Agora me fale sobre Vause...

Quando saí do quarto vestida com uma calça de brim e um moletom da San Diego State University, dei de cara com Trey sentado na sala com Larry. Os dois se levantaram, e Trey me abriu um sorriso largo e amigável.

— Desculpe meus trajes, eu disse envergonhada, passando os dedos pelos meus cabelos molhados. — Quase me acabei pegando as escadas hoje no trabalho.

— O elevador estava parado?, ele perguntou.

— Não. Meu cérebro estava. No que eu estava pensando? Passar a noite com Alex era malhação suficiente.

A campainha tocou, e Larry foi atender enquanto eu ia até a cozinha pegar o champanhe. Eu me juntei a ele no balcão enquanto assinava o recibo do cartão de crédito, e a expressão no seu rosto quando olhou para Trey me fez sorrir.

Houve muitas outras trocas de olhares como essas entre os dois no decorrer da noite. Fui obrigada a concordar com Larry que Trey era uma graça. Com seu jeans rasgado, colete combinando e uma camiseta de manga comprida, o aspirante a veterinário tinha um visual ao mesmo tempo casual e sofisticado. Em termos de personalidade, era muito diferente dos caras que Larry costumava namorar. Trey parecia mais centrado; não que fosse sério demais, mas claramente não era um cabeça—oca. Se a relação decolasse e durasse mais tempo, ele seria uma ótima influência para Larry.

Juntos, matamos duas garrafas de Cristal e duas pizzas, e resistimos a uma sessão na íntegra de O demolidor antes que eu enfim desse a noite por encerrada. Insisti para que Trey ficasse e assistisse a Alta velocidade para encerrar a minimaratona de Sylvester Stallone.

Depois fui para meu quarto e vesti um baby—doll sexy que tinha ganhado certa vez quando fui dama de honra — mas sem a calcinha que fazia parte do kit.

Deixei uma vela acesa para Alex se guiar na escuridão e caí no sono.

Acordei no escuro, com o cheiro da pele dela e as luzes e os ruídos da cidade abafados pelas janelas acústicas e as persianas grossas.

Alex deslizou para perto de mim, uma sombra em movimento, com sua pele nua ainda fria.

Sua boca cobriu a minha em um beijo lento e profundo, com um toque de menta misturado ao seu sabor todo particular. Minhas mãos percorreram suas costas, e eu abri as pernas para abrigá—la confortavelmente junto ao meu corpo. Seu peso contra mim fez meu coração palpitar e meu sangue ferver de desejo.

— Ora, olá pra você também, eu disse baixinho quando ela me deixou respirar.

— Da próxima vez você vai comigo, ela murmurou com sua voz sexy e grave, mordiscando meu pescoço.

— Ah, vou?, provoquei.

Ela agarrou minha bunda com uma das mãos, erguendo—me até que eu me encaixasse em seus quadris. — Vai. Eu senti sua falta, Piper.

Fiz um sinal de negativo com os dedos, na esperança de que ela pudesse ver. — Você não se acostumou comigo a ponto de sentir minha falta.

— Para você ver como não sabe de nada, desdenhou Alex, descendo por meu corpo e se posicionando entre meus seios.

Respirei fundo quando ela abocanhou e chupou um mamilo, sucções poderosas que reverberaram por todo o meu corpo contorcido. Ela passou para o outro seio, puxando com a mão a barra do meu baby—doll. Eu me inclinei em sua direção, entregue à magia de sua boca, que percorria todo o meu corpo. Sua língua entrou no meu umbigo, e depois começou a descer ainda mais.

— E você sentiu minha falta, ela gemeu de satisfação masculina, enfiando a pontinha do dedo do meio em mim. — Está toda aberta e molhada pra mim.

Alex apoiou minhas pernas sobre seus ombros e me lambeu no meio das pernas com toques provocativos e aveludados contra minha pele sensível. Minhas mãos agarraram os lençóis, e meu peito subia e descia enquanto ela circundava meu clitóris com a ponta da língua e depois começava a brincar com aquela terminação nervosa hipersensível. Gemi bem alto, remexendo incansavelmente os quadris na direção daquele tormento delicioso, sentindo meus músculos enrijecerem diante da necessidade incontornável de gozar.

O estímulo de sua língua estava me deixando maluca, fazendo minha excitação chegar às alturas, mas não era suficiente para me fazer gozar. — Alex, por favor.

— Ainda não.

Ela me torturou, levando meu corpo até a beira do orgasmo e depois deixando a excitação baixar. De novo e de novo. Até que o suor brotasse da minha pele e meu coração parecesse que ia explodir. Sua língua era incansável e diabólica, concentrando—se habilmente no meu clitóris até perceber que eu estava prestes a gozar, e então abrindo caminho para dentro mim.

Aquelas estocadas rasas e macias eram de enlouquecer. Seu estímulo contra meus tecidos aflorados me deixou desesperada a ponto de implorar sem a menor vergonha.

— Por favor, Alex... me deixe gozar... eu preciso gozar, por favor.

— Quietinha, meu anjo... Deixe que eu cuido de você.

Ela me fez chegar ao clímax com uma suavidade que fez com que o orgasmo me invadisse como o arrebentar de uma onda, elevando—se e ganhando corpo antes de se espalhar por mim como uma inundação morna de prazer.

Alex envolveu meus dedos com os dela quando me fez gozar mais uma vez, segurando meus braços. Nossos sexos se encontraram. Gemi, ajeitando a posição.

A respiração de Alex se tornava mais áspera e úmida contra meu pescoço, e seu corpo tremia à medida que ela se movimentava sobre meu corpo. —E minha, Piper. Você é minha.

Envolvi seus quadris com as pernas. Com nossas mãos entrelaçadas, ela beijou minha boca e começou a se mover num ritmo preciso e incansável, apesar de tranquilo e sem pressa.

Alex soltava palavras elogiosas e excitantes, dizendo—me o quanto eu era linda... o quanto era perfeita para ela... que ela não ia parar... não conseguia parar. Gozei com um grito agudo de alívio, sentindo meu corpo vibrar de êxtase, e ela também chegou ao clímax sussurrando meu nome.

Afundei no colchão me sentindo sem forças e suada.

Mordendo os lábios, lutei para reprimir os ruídos de prazer inenarrável que teriam perturbado o silêncio da noite... e esconder a extensão dos sentimentos temerários que eu estava começando a sentir por Alex Vause.



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