História Toda Sua -Ruggarol - Capítulo 10


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Delfina, Karol Sevilla, Miguel, Monica, Pedro, Personagens Originais, Rey, Ruggero Pasquarelli, Simón
Tags Karol Sevilla, Ruggarol, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Visualizações 757
Palavras 3.990
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Capítulo 10


Mantive a cabeça baixa ao passar pela recepção e saí do hotel por uma porta lateral. Fiquei vermelha de vergonha ao me lembrar do gerente que cumprimentou Ruggero no elevador. Era capaz de imaginar o que ele pensava de mim. Ele devia saber para que servia aquele quarto. Eu não conseguia suportar a ideia de ser apenas mais uma de uma longa lista, mas foi exatamente isso o que me tornei quando pus os pés naquele hotel.

Teria dado muito trabalho parar na recepção e pedir um quarto que seria só nosso?

Saí andando sem direção e sem destino definido. Já havia escurecido, e a cidade ganhava uma nova vida e se reenergizava depois de mais um dia de trabalho. Barraquinhas fumegantes de comida dominavam as calçadas, junto com vendedores ambulantes oferecendo quadros, camisetas ou até roteiros de filmes e episódios de seriados de TV.

A cada passo que eu dava, a adrenalina da fuga baixava um pouco mais. A imaginação maliciosamente excitada pela visão de Ruggero saindo do banheiro para encontrar o quarto vazio e a cama repleta de parafernálias sexuais foi perdendo o efeito.

Comecei a me acalmar... e a refletir seriamente sobre o que tinha acontecido.

Teria sido uma coincidência Ruggero me convidar para ir a uma academia tão convenientemente próxima de seu abatedouro sexual?

Lembrei da conversa que tivemos no escritório na hora do almoço, e a dificuldade que ele sentiu para expressar seu desejo de ficar comigo. Ele estava tão confuso e dividido quanto eu, e nessa situação o mais natural seria mesmo recorrer aos hábitos rotineiros.

Afinal de contas, eu mesma não tinha acabado de fazer isso, apesar de ter investido tantos anos em terapia para aprender a não me fechar e fugir quando estivesse magoada?

Angustiada, parei em uma cantina e me sentei a uma mesa. Pedi um cálice de syrah e uma pizza margherita, esperando que o vinho e a comida acalmassem minha ansiedade para que eu pudesse voltar a pensar direito.

Quando o garçom voltou com meu vinho, virei metade da taça de uma vez sem nem sentir o gosto. Já estava com saudade de Ruggero, do bom humor que ele demonstrou antes de eu ir embora. Seu cheiro estava impregnado em mim — junto com o do sexo inacreditável que fizemos. Senti meus olhos arderem, e deixei algumas lágrimas caírem, apesar de estar em público, em um restaurante cheio de gente. A pizza chegou e eu provei um pedaço. Tinha gosto de papelão, e isso não tinha nada a ver com a qualidade dos ingredientes, do cozinheiro ou do lugar.

Puxei a cadeira em que havia deixado minha bolsa e peguei o celular novo, com a intenção de ligar para o dr. Travis e deixar um recado. Ele tinha proposto que continuássemos com as sessões à distância até que eu encontrasse um terapeuta em Nova York, e decidi aceitar a oferta. Foi quando vi as vinte e uma ligações perdidas de Ruggero e uma mensagem de texto: Estraguei tudo de novo. Não me abandone. Fale comigo. Por favor.

As lágrimas voltaram a rolar. Apertei o telefone contra o peito, sentindo-me perdida. Não conseguia afastar da cabeça a imagem de Ruggero com outras mulheres. Não conseguia deixar de imaginá-lo trepando feito louco com outra mulher naquela mesma cama, usando aqueles brinquedinhos nela, levando-a à loucura, extraindo prazer do corpo dela...Era um pensamento irracional e sem sentido, que fazia com que eu me sentisse mesquinha e patética, e se manifestava em uma dor física.

Levei um susto quando o telefone começou a vibrar, e quase o derrubei. Dominada pelo sofrimento, pensei em deixar tocar até cair na caixa postal, porque estava escrito na tela que era Ruggero — a única pessoa que tinha aquele número —, mas não fui capaz de ignorar, porque ele estava claramente histérico. Por mais que eu quisesse magoá-lo antes, naquele momento essa ideia era insuportável.

“Alô.” Estranhei minha própria voz, abafada pelas lágrimas e pela tristeza que sentia.

“Karol! Graças a Deus.” Ruggero parecia ansiosíssimo. “Onde você está?”

Olhei ao redor e não encontrei nada que me dissesse o nome do restaurante. “Não sei. Eu... sinto muito, Ruggero.”

“Não, Karol. A culpa foi minha. Preciso encontrar você. Pode descrever o lugar onde está? Você foi andando?”

“Sim, vim andando.”

“Eu sei qual foi a saída que você usou. Pra que lado você foi?” Ele estava ofegante, e eu conseguia ouvir o barulho do trânsito e das buzinas ao redor.

“Pra esquerda.”

“Você virou alguma esquina depois disso?”

“Acho que não. Não sei.” Olhei em volta à procura de um garçom. “Estou em um restaurante. Italiano. Com lugares na calçada... e uma cerquinha de ferro. Portas vazadas...Pelo amor de Deus, Ruggero, eu...”

Ele apareceu, a princípio como um vulto na porta de entrada segurando um telefone contra a orelha. Eu o reconheci imediatamente, observei sua reação de paralisia quando me viu sentada junto da parede dos fundos. Ele enfiou o telefone no bolso da calça jeans que mantinha no hotel e passou direto pela hostess que o abordou antes de chegar até mim. Mal tive tempo de me levantar e ele avançou contra mim e me abraçou bem forte.

“Pelo amor de Deus.” Ele estremeceu de leve e enterrou a cabeça no meu pescoço. “Karol.”

Retribuí o abraço. Ele cheirava como alguém recém-saído do chuveiro, o que me fez lembrar que estava precisando demais de um banho.

“Eu não poderia estar aqui”, ele disse asperamente, recuando um pouco para envolver meu rosto com suas mãos. “Não posso aparecer em público assim. Podemos ir para minha casa?”

Alguma coisa no meu rosto deve ter denunciado minha preocupação, porque ele me deu um beijo na testa e sussurrou: “Não vai ser como no hotel, eu prometo. A única mulher que já esteve na minha casa foi minha mãe, além da governanta e das empregadas”.

“Isso é idiotice”, murmurei. “Estou sendo idiota.”

“Não.” Ele afastou os cabelos do meu rosto e se inclinou para cochichar na minha orelha. “Se você tivesse me levado a um lugar reservado para trepar com outros homens, eu teria perdido a cabeça.”

O garçom apareceu, e nós nos afastamos. “O senhor quer um cardápio?”

“Não, obrigado.” Ruggero sacou a carteira do bolso e estendeu a mão com o cartão de crédito. “Já estamos de saída.”

Pegamos um táxi até a casa de Ruggero, que ficou segurando minha mão durante todo o trajeto. Fiquei mais nervosa do que deveria ao pegar o elevador privativo para a cobertura na Quinta Avenida. O pé-direito alto e a arquitetura no estilo anterior à Segunda Guerra Mundial não eram novidade para mim e, para ser sincera, era meio que o esperado quando se namora alguém que é dono de quase todos os lugares que frequenta. E quanto à vista para o Central Park... bom, era até óbvia.

Mas o nervosismo de Ruggero era nítido, o que me fez perceber que aquela visita era muito importante para ele. Quando a porta do elevador se abriu diretamente no hall de entrada com revestimento de mármore, ele apertou ainda mais minha mão antes de me soltar. Destrancou a porta dupla da entrada e permitiu meu acesso à sua privacidade. Sua ansiedade era visível enquanto observava minha reação.

O apartamento era lindo como ele. No entanto, era bem diferente de seu escritório, que era ousado e moderno. Sua casa era aconchegante e suntuosa, repleta de antiguidades e obras de arte, com magníficos tapetes Aubusson revestindo pisos reluzentes de madeira nobre.

“É... incrível”, eu disse baixinho, sentindo-me privilegiada por estar ali. Era um vislumbre de um lado de Ruggero que eu ansiava por conhecer, e era belíssimo.

“Entre.” Ele me puxou para dentro. “Quero que você durma aqui hoje.”

“Não trouxe roupas nem nada...”

“Você só vai precisar da sua escova de dente e da bolsa. Podemos passar na sua casa amanhã de manhã e pegar o resto. Prometo que você não vai se atrasar para o trabalho.” Ele me abraçou e apoiou o queixo no topo da minha cabeça. “Quero muito que você fique, Karol. Não culpo você por ter saído correndo daquele quarto, mas seu sumiço me deixou desesperado. Preciso de mais um tempinho na sua companhia.”

“Preciso de um abraço.” Enfiei as mãos sob a camiseta dele para sentir a maciez suave de suas costas musculosas. “E um banho também me faria bem.”

Ele inspirou profundamente, com o nariz bem próximo dos meus cabelos. “Adoro sentir meu cheiro em você.”

Mesmo assim, ele me conduziu por um corredor até seu quarto.

“Uau”, suspirei quando ele acendeu a luz. Uma enorme cama de casal dominava o centro do quarto, feita de madeira escura — que parecia ser a de sua preferência — e coberta com uma roupa de cama creme. O restante da mobília combinava com a cama, e os detalhes eram adornados com tons de dourado. Era um cômodo acolhedor e masculino, sem nenhuma obra de arte nas paredes que concorresse com a vista serena do Central Park e dos imponentes prédios residenciais do outro lado do parque. Do meu lado de Manhattan.

“O banheiro é aqui.”

Enquanto eu me dirigia ao gabinete de pia, que parecia construído a partir de alguma escrivaninha antiga com pés em forma de garra, ele retirou toalhas de um armário e as deixou ali para mim, movendo-se com a sensualidade e confiança que eu tanto admirava.

Vê-lo em sua casa, vestido tão casualmente, foi comovente. E saber que eu era a primeira mulher a entrar ali me emocionou ainda mais. Foi como se, mais do que nunca, ele tivesse se despido para mim. “Obrigada.”

Ele me olhou e pareceu entender que eu não estava falando só das toalhas. Seu olhar fez com que uma onda de calor se espalhasse pelo meu corpo. “É muito bom ter você aqui.”

“Não faço ideia de como vim parar aqui com você.” Mas estava gostando muito.

Muito mesmo.

“E isso importa?” Ruggero veio até mim, levantou meu queixo e deu um beijo na ponta do meu nariz. “Vou deixar uma camiseta na cama. Caviar e vodca está bom pra você?”

“Ora... é um belo avanço em relação à pizza que comi.”

Ele sorriu. “Caviar tipo ossetra da Petrossian.”

Retribuí o sorriso. “Preciso me corrigir. É um tremendo avanço.”

Tomei um banho e vesti a camiseta tamanho grande das Indústrias Pasquarelli que ele havia separado para mim; depois liguei para Michael para avisar que passaria a noite fora e contar meio por alto o que tinha acontecido no hotel.

Ele soltou um assovio. “Não sei nem o que dizer sobre isso.”

Michael Ronda não saber o que dizer significava muita coisa.

Encontrei Ruggero na sala, e sentamos no chão para comer o badalado caviar com torradinhas e crème fraîche enquanto assistíamos a uma reprise de um seriado policial de TV que tinha uma cena filmada em frente ao Pasquarellifire.

“Acho que seria legal ver um prédio meu numa TV como essa”, comentei.

“Até que não é ruim, mas eles fecharam a rua durante horas para as filmagens.”

Atingi o ombro dele com o meu. “Quanta negatividade.”

Fomos para a cama às dez e meia e assistimos ao restante do programa deitados juntinhos. A tensão sexual entre nós era palpável, mas ele não tomou nenhuma iniciativa, então fiquei na minha. Desconfiei que ele queria compensar o incidente ocorrido no hotel.

Ele estava tentando provar que gostaria de passar um tempo comigo quando “poderíamos estar trepando”.

Funcionou. Por mais que eu estivesse a fim, era muito bom ficar ali sem fazer nada.

Ele dormia sem roupa, o que tornava o contato ainda melhor. Joguei uma das pernas por cima dele, abracei sua cintura e apoiei meu rosto sobre seu coração. Nem me lembro do fim do programa, devo ter dormido antes.

Quando acordei o quarto ainda estava escuro, e rolei para o lado da cama. Sentei para consegui olhar para o relógio digital no criado-mudo e vi que ainda eram três da manhã. Eu costumava dormir a noite toda, o que me fez concluir que era o ambiente desconhecido que estava atrapalhando meu sono. Apenas quando Ruggero gemeu e começou a se mexer, inquieto, que descobri o que me havia feito despertar. Seu gemido era de dor, seguido por um sussurro atormentado.  

“Não encoste em mim”, ele disparou asperamente. “Tire essas mãos de cima de mim!”

Fiquei paralisada, com o coração disparado. Suas palavras atravessavam a escuridão e o silêncio da noite, carregadas de fúria.

“Você não vale nada.” Ele se sentou, chutando as cobertas. Suas pernas se encolheram e ele soltou um gemido que me pareceu perversamente erótico. “Não. Ai... Está doendo.”

Ele se enrijeceu, contorcendo o corpo inteiro. Eu não aguentava mais ver aquilo.

“Ruggero.” Como Michael tinha pesadelos de tempos em tempos, eu sabia que não deveria tocar em um homem nessa situação. Em vez disso, ajoelhei-me na cama e disse seu nome em voz alta. “Ruggero, acorde.”

Despertando de repente, ele desabou para trás, tenso e defensivo. Seu peito oscilava com a respiração ofegante. Ele estava tendo uma ereção.

Falei num tom de voz firme, apesar de estar com o coração partido. “Ruggero. Você está sonhando. Acorde e fique comigo.”

Ele se soltou sobre o colchão. “Karol...?”

“Estou aqui.” Saí do caminho da luz do luar que entrava pela janela, mas não vi nenhum sinal de que seus olhos estavam abertos. “Você está acordado?”

Sua respiração ficou mais lenta, mas ele não disse nada. Seus punhos estavam fechados sobre o lençol. Arranquei a camiseta que estava usando e a deixei em cima da cama. Cheguei mais perto e passei a mão pelo seu braço. Ele não teve reação, e eu o acariciei, passando as pontas dos dedos sobre seu bíceps.

“Ruggero?”

Ele teve um sobressalto. “Quê? O que foi?”

Sentei sobre os calcanhares com as mãos nas coxas. Vi quando ele piscou para mim, e depois passou as mãos pelos cabelos. Pude sentir quando tomou consciência do pesadelo, pela rigidez que dominou seu corpo.

“O que foi?”, ele perguntou bruscamente, apoiando-se em um dos cotovelos. “Está tudo bem?”

“Quero você.” Eu me deitei ao lado de Ruggero, estendendo meu corpo nu junto ao seu. Pressionando meu rosto contra seu pescoço úmido, lambi suavemente sua pele salgada.

Pela minha experiência com pesadelos, eu sabia que abraços e um pouco de amor poderiam fazer os fantasmas voltarem para o armário por uns tempos.

Ele me envolveu em seus braços, percorrendo com a mão a curvatura da minha coluna. Senti quando ele se esqueceu do sonho soltando um suspiro longo e profundo.

Deitei-o de costas, montei sobre ele e beijei sua boca. Sua ereção encontrou meus lábios vaginais, o que me fez querer abrir caminho para ela. A sensação da mão dele nos meus cabelos, agarrando-me para assumir o controle do beijo, logo me deixou molhada e pronta para recebê-lo. Minha pele estava quase em chamas. Esfreguei meu clitóris contra seu membro duro e grosso, usando-o para me masturbar até que ele emitiu um som áspero de desejo e rolou para cima de mim, invertendo a posição.

“Não tenho camisinha aqui em casa”, ele murmurou antes de envolver um dos meus mamilos com os lábios e sugá-lo suavemente.

Adorei o fato de ele estar desprevenido. Ali não era um simples abatedouro; era a casa dele, e eu era a primeira a estar ali. “Sei que você falou em apresentar exames quando falamos sobre a pílula e que isso é o mais certo a fazer, mas...”

“Eu confio em você.” Ele ergueu a cabeça e me olhou sob a luz pálida da lua. Abriu minhas pernas com os joelhos e me penetrou sem proteção pela primeira vez. Pude sentir todo o seu calor e toda a sua maciez.

“Karol”, ele suspirou, apertando-me contra si. “Eu nunca... Meu Deus, como você é gostosa. Estou muito feliz por você estar aqui.”

Puxei seus lábios para perto de mim e o beijei. “Eu também.”

Acordei da mesma forma que tinha dormido, com Ruggero sobre mim, dentro de mim. Seu olhar estava carregado de prazer quando despertei com aquele momento delicioso. Com os cabelos caídos sobre o rosto, ele parecia ainda mais sexy por estar despenteado. Mas, o melhor de tudo, não havia nada de obscuro em seus lindos olhos, nem uma sombra da ameaça que tinha pairado sobre seus sonhos.

“Espero que não se incomode”, ele murmurou com um sorriso malicioso enquanto entrava e saía de mim. “Você estava quentinha e molhada. Não pude evitar.”

Abracei sua cabeça e arqueei as costas, pressionando meus seios contra seu peito.

Através das janelas encimadas por arcadas, vi a luz do amanhecer começar a preencher o céu. “Humm... Eu adoraria acordar todos os dias deste jeito.”

“Foi isso o que eu pensei às três da manhã.” Ele mexeu os quadris e entrou ainda mais profundamente em mim. “Pensei em retribuir o favor.”

Meu corpo inteiro renasceu, minha pulsação acelerou. “Sim, por favor.”

Michael não estava mais lá quando cheguei em casa; ele havia deixado um bilhete avisando que estava trabalhando, mas que voltaria a tempo para a pizza com Trey. Como minha experiência com pizza na noite anterior não tinha sido muito boa, eu estava disposta a tentar de novo, dessa vez em uma ocasião descontraída.

“Tenho um jantar de negócios hoje à noite”, disse Ruggero, lendo por cima do meu ombro. “Queria que você fosse, para tornar a coisa mais suportável.”

“Não posso dar o cano em Michael”, eu disse, já me desculpando antes de me virar para ele. “As amigas vêm em primeiro lugar, você sabe como é.”

Ele sorriu e me cercou pondo com as mãos no balcão. Estava usando o terno que eu havia escolhido, um Prada grafite levemente brilhante. A gravata era de um tom de azul que combinava com seus olhos e, deitada na cama observando enquanto ele se vestia, tive que lutar contra a vontade de arrancar tudo aquilo. “Michael não é uma amiga sua. Mas entendi o que você quis dizer. Quero ficar com você hoje à noite. Posso vir depois do jantar e dormir aqui?”

Senti uma onda de calor percorrer meu corpo. Passei minhas mãos pelo colete dele, sentindo-me como uma portadora de um segredo especial por saber exatamente como ele era por baixo das roupas. “Eu adoraria que você viesse.”

“Ótimo.” Ele acenou com a cabeça, satisfeito. “Vou fazer um café enquanto você se troca.”

“Os grãos estão no freezer, e o moedor, do lado da cafeteira. E eu gosto de bastante leite e só um pouquinho de adoçante.”

Vinte minutos depois, quando saí do quarto, Ruggero encheu duas canecas de café para viagem e descemos para o saguão. Paul nos escoltou da porta da frente do prédio à porta traseira do Bentley.

Enquanto o motorista arrancava com o carro, Ruggero me olhou dos pés à cabeça e falou: “Você está mesmo querendo me matar. Está usando cinta-liga de novo?”.

Puxei a barra da saia e mostrei as meias de seda preta presas à cinta-liga de renda preta.

Ele soltou um palavrão abafado que me fez rir. Eu havia escolhido uma blusa de seda de manga curta e gola rulê, combinada com uma saia vermelha razoavelmente curta, na medida do possível, e sapatos Mary Jane de salto alto. Como Michael não estava por lá para me fazer um penteado mais elaborado, prendi os cabelos em um rabo de cavalo. “Gostou?”

“Estou de pau duro.” Sua voz estava rouca, e ele se ajustou dentro da calça. “Como é que vou conseguir trabalhar pensando em você vestida desse jeito?”

“Temos sempre a hora do almoço”, sugeri, já fantasiando uma rapidinha no sofá do escritório dele.

“Tenho um almoço de negócios hoje. Eu poderia remarcar, se já não tivesse feito isso ontem.”

“Você remarcou um compromisso por minha causa? Que honra.”

Ele se inclinou e acariciou meu rosto com os dedos, um gesto de carinho que estava se tornando habitual e cada vez mais íntimo. Eu estava prestes a me tornar dependente desse tipo de toque.

Inclinei meu rosto sobre a palma da mão dele. “Você consegue reservar quinze minutos do seu dia pra mim?”

“Dou um jeito.”

“Ligue pra avisar quando puder.”

Respirando bem fundo, revirei minha bolsa e apanhei um presente que eu não sabia ao certo se ele ia gostar, mas o fato é que a lembrança daquele pesadelo não me saía da cabeça. Eu esperava que aquilo o fizesse lembrar do nosso sexo na madrugada, e o ajudasse a lidar com seu sonho traumático. “Eu trouxe uma coisa. Achei que...”

De repente, arrependi-me.

Ele franziu a testa. “O que foi?”

“Nada. É que...” Eu suspirei de tensão. “Então, eu trouxe uma coisa pra você, mas acabei de me dar conta que é o tipo de presente que... não é bem um presente. Agora estou pensando que talvez não tenha nada a ver e...”

Ele estendeu a mão. “Dê aqui.”

“Você não precisa ficar com ele se não quiser...”

“Pare de falar, Karol.” Ele fez um movimento com os dedos. “Dê aqui.”

Tirei o objeto da minha bolsa e entreguei na mão dele.

Ruggero olhou em silêncio para a fotografia emoldurada. Era um porta-retratos moderno com recortes de imagens relacionadas a formaturas, que incluía um relógio digital marcando três da manhã. A fotografia era minha, posando de biquíni em Coronado Beach com um chapelão de palha na cabeça — eu estava bronzeada, feliz, mandando um beijo para Michael, que estava se fingindo de fotógrafo de moda, passando-me instruções ridículas.

Arrasou, gata. Agora brilha. Mostra esse corpão. Agora quero ver a tigresa... rawr...

Envergonhada, eu me contorci no assento. “Como eu disse antes, você não precisa ficar com ela se...”

“Eu...” Ele limpou a garganta. “Obrigado, Karol.”

“Ah, tudo bem...” Fiquei feliz ao ver o Pasquarellifire pela janela. Saltei assim que o motorista estacionou e passei as mãos pela saia, envergonhada. “Se quiser, posso ficar com ela e entregar para você outra hora.”

Ruggero fechou a porta do Bentley e sacudiu a cabeça. “Ela é minha. Você não vai pegar de volta.”

Ele pegou minha mão, entrelaçando meus dedos com os dele, e me mostrou o caminho da porta giratória segurando o porta-retratos. Fiquei contente de ver que ele ia entrar no escritório com minha foto nas mãos.

Uma das coisas mais divertidas no mundo da publicidade é que um dia de trabalho nunca é igual ao anterior. Eu tive uma manhã corridíssima e, quando parei parei pensar no que ia fazer na hora do almoço, o telefone tocou. “Escritório de Gaston Vietto. Karol Sevilla falando.”

“Tenho uma novidade”, Michael disparou em vez de dizer alô.

“Qual?” Senti pela voz dele que a notícia era boa.

“Estou na campanha da Grey Isles.”

“Ai, meu Deus! Michael, isso é demais! Adoro os jeans deles.”

“O que você vai fazer na hora do almoço?”

Abri um sorriso. “Comemorar com você. Consegue chegar aqui ao meio-dia?”

“Já estou a caminho.”

Desliguei o telefone e me recostei na cadeira, tão empolgada por causa de Michael que senti vontade de sair dançando pelo prédio. Para matar o tempo durante os quinze minutos que faltavam para meu horário de almoço, abri o e-mail e vi o alerta do Google sobre novas entradas no mecanismo de busca com o nome de Ruggero. Mais de trinta novas citações ao seu nome em apenas um dia.

Abri o e-mail e surtei diante das várias manchetes fazendo menção a uma tal “mulher misteriosa”. Cliquei no primeiro link que apareceu e fui direcionada a um blog de fofoca.

Lá, em cores vivas, havia uma foto de Ruggero me beijando enlouquecidamente na calçada diante da academia. O artigo que acompanhava a imagem era breve e ia direto ao ponto: Ruggero Pasquarelli, o solteirão mais cobiçado de Nova York desde John Kennedy Jr., foi visto ontem em uma manifestação pública de afeto. Uma fonte de dentro das Indústrias Pasquarelli identificou a sortuda mulher misteriosa como sendo a socialite Karol Sevilla, filha do multimilionário Reynaldo Stanton e de sua esposa Monica. Quando questionada a respeito da natureza da relação entre Pasquarelli e Sevilla, a fonte confirmou que ela é a “mulher mais importante” da vida do magnata no momento. Somos capazes até de ouvir os coraçõezinhos se partindo por todo o país nesta manhã.

“Droga”, suspirei.



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