História Toda Sua -Ruggarol - Capítulo 8


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Delfina, Karol Sevilla, Miguel, Monica, Pedro, Personagens Originais, Rey, Ruggero Pasquarelli, Simón
Tags Karol Sevilla, Ruggarol, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Visualizações 670
Palavras 3.668
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Capítulo 8


Ruggero passou a mão pelos cabelos e bufou. “Não acho que você queira isso.”

De repente eu me senti cansada, exaurida de tanto lutar contra mim mesma por causa dele. “Quero, sim, de verdade. Foi... um erro.”

Ele cerrou os dentes. “Não foi. A maneira como me comportei depois é que foi um erro.”

Olhei bem para ele, surpresa com sua capacidade feroz de negação. “Eu não estava falando de sexo, Ruggero. Estava me referindo ao fato de concordar com o tipo de relação que se estabeleceu entre nós. Estava na cara que ia dar errado desde o começo. Eu deveria ter seguido meus instintos.”

“Você não me quer mais?”

“Não é isso. É que...”

“Não como eu disse no bar. De verdade.”

Meu coração disparou. “Do que você está falando?”

“De tudo.” Ele chegou mais perto. “Eu quero ser seu.”

“Não foi isso que pareceu no sábado.” Apertei ainda mais os braços.

“Eu estava... inseguro.”

“E daí? Eu também.”

Ele pôs as mãos na cintura. Depois cruzou os braços como eu. “Por favor, Karol.”

Vi que ele estava remoendo alguma coisa e senti um fio de esperança. “Se é isso que você tem a dizer, estamos conversados.”

“Não estamos, não.”

“Se você vai entrar em parafuso toda vez que a gente transar, não temos nem por que começar.”

Ele estava visivelmente escolhendo as palavras. “Estou acostumado a ficar no controle. Eu preciso disso. E você mandou essa ideia para o espaço na limusine. Eu não soube como lidar com isso.”

“Jura?”

“Karol.” Ele chegou mais perto. “Nunca fiz isso antes. Pensei que nem fosse capaz. Agora que aconteceu... não posso abrir mão. Não posso abrir mão de você.”

“É muito simples, Ruggero. Por mais que o sexo seja bom, uma relação puramente sexual pode mexer seriamente com sua cabeça se o convívio com a outra pessoa não fizer bem pra você.”

“Nada disso. Admito que pisei na bola. Não posso mudar o que aconteceu, mas tenho o direito de ficar puto se você não quiser mais sair comigo por causa disso. Você impôs as regras e eu concordei, mas você não abriu mão de nada pra se adaptar a mim. Precisamos encontrar um meio-termo.” Seu rosto estava carregado de frustração. “Você precisa ceder pelo menos um pouco.”

Olhei bem pra ele, tentando entender o que estava acontecendo e aonde aquilo ia chegar. “O que você quer, Ruggero?”, perguntei calmamente.

Ele me abraçou e segurou meu queixo com uma das mãos. “Quero continuar me sentindo como me sinto quando estou com você. Só me diga o que preciso fazer. E não se comporte assim quando eu fizer bobagem. É tudo novidade pra mim. Um aprendizado.”

Pus a minha mão sobre seu coração e senti que estava disparado. Ele parecia ansioso e apaixonado, e isso me levou ao limite. O que eu deveria responder? Deveria  seguir meus instintos ou usar o bom senso? “O que exatamente é uma novidade pra você?”

“O que for preciso pra passar o maior tempo possível com você. Na cama e fora dela.”

A onda de satisfação que me arrebatou naquele momento foi absurdamente poderosa. “Você é capaz de imaginar como vai ser complicada a nossa relação, Ruggero?Ela mal começou e eu já estou exausta. Além disso, tenho umas coisas para resolver comigo mesma, além do emprego novo... da minha mãe maluca...” Meus dedos cobriram sua boca antes que ele a abrisse. “Mas acho que vale o esforço, e quero muito você. Então não tenho escolha, não é?”

“Karol. Você é terrível.” Ruggero me levantou do chão, posicionando um dos braços abaixo do meu traseiro para fazer com que minhas pernas enlaçassem sua cintura. Ele me beijou com força e esfregou o rosto contra o meu. “Nós vamos dar um jeito.”

“Até parece que vai ser fácil.” Eu sabia que era uma pessoa difícil de lidar, e ele estava se mostrando tão difícil quanto.

“O que é fácil não tem graça.” Ele me carregou até o bar e me sentou em um banquinho. Tirou a tampa do meu prato e revelou um enorme cheesebúrguer com fritas. Ainda estava quente, graças à pedra aquecida sob a bandeja.

“Humm”, murmurei, percebendo como estava com fome. Depois daquela conversa, meu apetite voltou com toda a força.

Ele abriu meu guardanapo com um movimento brusco e o estendeu sobre meu colo, aproveitando para apertar meu joelho. Depois se sentou ao meu lado. “E então, essa coisa, como funciona?”

“Você pega com a mão e come com a boca.”

Ele me lançou um olhar de falsa censura que me fez rir. Era bom poder sorrir. Era bom estar com ele. Pelo menos por um tempinho. Dei uma mordida no meu sanduíche, soltando um gemido quando senti todo o sabor. Era um cheesebúrguer tradicional, mas delicioso.

“Bom, né?”

“Muito bom. Na verdade, acho que não me incomodo de ficar com um cara capaz de oferecer sanduíches tão bons.” Limpei a boca e as mãos. “Você faz questão de exclusividade?”

Quando ele pôs o lanche de volta no prato, ficou absolutamente imóvel. Não saberia nem por onde começar a adivinhar no que estava pensando. “Pensei que isso fosse parte do acordo. Mas vou deixar bem claro, pra que não reste dúvida: não existe mais nenhum homem na sua vida, Karol.”

O caráter imperativo de seu tom de voz e a frieza de seu olhar me fizeram estremecer. Eu sabia que ele tinha um lado cruel; havia aprendido a identificar e evitar homens com esse aspecto sombrio no olhar. Mas os alarmes não soaram para Ruggero como deveriam. “Mulheres tudo bem?”, perguntei para amenizar a conversa.

Ele ergueu as sobrancelhas. “Eu já sabia que seu colega de apartamento era bissexual. Você também?”

“Seria um incômodo pra você?”

“Dividir você com qualquer um seria um incômodo. Está fora de cogitação. Seu corpo é meu, Karol.”

“E o seu é meu? Exclusivamente?”

Seus olhos brilharam. “Sim, e espero que você faça proveito dele com frequência e em excesso.”

Ora, então... “Mas você já me viu nua”, provoquei, baixando o tom de voz. “Já sabe o que vai ter em troca. Eu não. Adorei o que vi de você até agora, mas não foi muita coisa.”

“Podemos resolver isso já.”

A ideia de vê-lo tirando a roupa pra mim fez com que eu me inquietasse no assento. Ele percebeu e abriu um sorriso perverso.

“Melhor não”, eu disse, já lamentando. “Já cheguei atrasada do almoço na sexta.”

“Hoje à noite, então.”

Engoli em seco. “Com certeza.”

“Vou terminar tudo até as cinco.” Ele voltou a comer, completamente à vontade com o fato de ter acrescentado uma sessão de sexo de virar a cabeça aos nossos compromissos para o dia.

“Não precisa.” Abri o pequeno vidro de ketchup que havia na bandeja. “Preciso ir à academia depois do trabalho.”

“Podemos ir juntos.”

“Sério?” Virei o vidro de cabeça para baixo e dei um tapinha no fundo.

Ele o tirou de mim e usou sua faca para tirar o ketchup e pôr no meu prato. “Acho até melhor gastar um pouco de energia antes de arrancar sua roupa. Assim você vai conseguir andar amanhã.”

Olhei bem para ele, perplexa por ter dito aquilo sem a menor cerimônia e com uma expressão no rosto que demonstrava que não era apenas uma brincadeira. Senti meu sexo latejar de ansiedade. Não seria nada difícil ficar absolutamente viciada em Ruggero Pasquarelli.

Comi algumas batatas fritas, imaginando se não havia ninguém mais viciada em Ruggero. “Magdalene pode ser um problema.”

Ele engoliu um pedaço do sanduíche e depois deu um gole em sua água mineral.

“Ela me disse que falou com você e que a conversa não foi nada boa.”

Admirei mentalmente a trama dela e sua tentativa de me jogar para escanteio. Eu teria que tomar muito cuidado com ela, e Ruggero precisaria fazer alguma coisa a respeito —como tirá-la do caminho, e ponto final.

“Não, não foi nada boa”, confirmei. “Não gostei nem um pouco de saber que você não respeita as mulheres com quem trepa e que, assim que você enfiou seu pau em mim, estava tudo acabado.” 

Ruggero ficou paralisado. “Ela disse isso?”

“Exatamente isso. E também que está mantendo você em banho-maria até estar pronto pra sossegar.”

“Ah, é mesmo?” Ele baixou o tom de voz até se tornar quase sinistro.

Senti um nó no estômago. Sabia que a partir dali as coisas poderiam dar muito certo ou muito errado. Tudo dependia do que Ruggero diria a seguir. “Você não acredita em mim?”

“Claro que acredito.”

“Ela pode ser um problema pra mim”, repeti. Não queria deixar o assunto morrer.

“Ela não vai ser um problema. Vou falar com ela.”

Detestei a ideia de que ele falasse com ela, porque me deixou morta de ciúmes. Achei melhor deixar isso bem claro logo de início. “Ruggero...”

“Sim?” Ele já havia terminado o sanduíche e estava comendo as batatas.

“Sou muito ciumenta. Isso me tira do sério.” Remexi minhas batatas. “Talvez você queira pensar a respeito. Está mesmo disposto a lidar com uma pessoa com problemas de autoestima como eu? Foi uma das coisas que me fez pensar duas vezes antes de ficar com você. Eu sabia que ficaria maluca vendo a mulherada babando por você, sem poder fazer nada a respeito.”

“Agora você tem o direito de fazer algo a respeito.”

“Você não está me levando a sério.” Balancei a cabeça e dei outra mordida no sanduíche.

“Nunca falei tão sério na minha vida.” Inclinando-se para a frente, Ruggero passou a

ponta do dedo no canto da minha boca, depois lambeu o restinho de molho que tirou de lá.

“Você não é a única possessiva aqui. Eu também vigio bem de perto o que é meu.”

Disso eu não duvidei nem por um segundo.

Dei outra mordida e comecei a pensar na noite que teria pela frente. Estava ansiosa. Absurdamente. Estava louca para ver Ruggero sem roupa. Louca para passar minha boca pelo corpo inteiro dele. Louca para ter outra chance de fazê-lo perder a cabeça. Eu estava quase desesperada para senti-lo em cima de mim, avançando contra mim, entrando bem fundo dentro de mim...

“Continue pensando nisso”, ele disse asperamente, “e vai se atrasar de novo.”

Olhei para ele com uma expressão de surpresa. “Como você sabe o que estou pensando?”

“Você fica com essa cara quando está com tesão. Quero ver você assim sempre que possível.” Ruggero pôs a tampa sobre sua bandeja e se levantou, sacando do bolso um cartão de visitas e colocando na minha frente. Dava para ver que tinha o número do celular e da casa dele escritos à mão. “É uma coisa meio banal pra se dizer depois do que acabamos de conversar, mas preciso do número do seu celular.”

“Ah.” Meus pensamentos foram arrancados das imediações da cama. “Preciso comprar um primeiro. Está na minha lista.”

“O que aconteceu com o que você estava usando na semana passada?”

Franzi o rosto. “Minha mãe estava usando para rastrear minha movimentação pela cidade. Ela é do tipo... superprotetora.”

“Entendo.” Ele acariciou meu rosto com as costas da mão. “Era disso que você estava falando quando disse que sua mãe vivia te espionando.”

“Infelizmente.”

“Muito bem, então. Cuidamos da questão do telefone antes de ir à academia. É importante para sua segurança. E eu quero poder ligar pra você sempre que quiser.”  

Deixei de lado a parte do sanduíche que não conseguiria comer e limpei as mãos e a boca. “Estava uma delícia. Obrigada.”

“O prazer foi todo meu.” Ele se inclinou e me deu um beijo de leve. “Vai precisar usar o banheiro?”

“Vou. Preciso da minha escova de dentes, que está na bolsa.”

Poucos minutos depois, eu estava em um lavabo escondido atrás de uma porta que se incorporava perfeitamente ao revestimento de mogno que havia na parede atrás dos monitores de tela plana. Escovamos os dentes lado a lado diante da pia dupla, olhando nos olhos um do outro pelo espelho. Era uma coisa absolutamente corriqueira, normal, e ainda assim parecíamos felicíssimos.

“Desço com você até lá”, ele disse ao cruzar o escritório até o cabide. Eu o segui, mas parei ao passar por sua mesa. Fui até ela e apontei para o espaço vazio diante da cadeira. “É aqui que você passa a maior parte do dia?”

“É.” Ele vestiu o paletó. Estava tão elegante que dava vontade de morder. Em vez disso, pulei em cima da mesa. De acordo com o relógio, eu ainda tinha cinco minutos. Era o tempo de voltar à minha mesa, mas ainda assim... Não resisti à tentação de exercitar meus direitos recém-adquiridos. Apontei para a cadeira. “Sente-se aí.”

Ele pareceu surpreso, mas obedeceu sem discutir e se instalou tranquilamente no assento.

Eu abri as pernas. “Mais perto.”

Ele veio deslizando com a cadeira, preenchendo o espaço entre as minhas coxas, lançou os braços em torno dos meus quadris e olhou para mim. “Muito em breve, Karol, vou comer você bem aqui.”

“Agora eu só quero um beijo”, murmurei, inclinando-me para alcançar sua boca.

Apoiando as mãos nos ombros dele para me equilibrar, passei a língua pelos seus lábios abertos; depois a pus para dentro e o provoquei bem de levinho.

Gemendo, ele me deu um beijo profundo, devorando minha boca de uma maneira que me deixou toda molhada.

“Muito em breve”, repeti com a boca colada à dele, “vou me agachar aqui e chupar você bem gostoso. Talvez até quando você estiver no telefone, brincando de ganhar dinheiro que nem no Banco Imobiliário. E você, senhor Pasquarelli, vai passar pelo início e ganhar duzentas pratas.”

Ele sorriu, com a boca encostada na minha. “Já sei aonde está querendo chegar. Você vai me fazer perder a cabeça em tudo quanto é lugar com esse seu corpo todo durinho e sexy.”

“Está reclamando?”

“Meu anjo, eu estou é com água na boca.”

Eu ri daquele tratamento carinhoso, apesar de ter achado fofo. “Meu anjo?”

Ele concordou baixinho com um gemido e me beijou. Mal podia acreditar na diferença que aquela hora a sós tinha feito. Deixei o escritório de Ruggero em um estado muito diferente daquele em que tinha entrado. O toque de sua mão na parte inferior das minhas costas fez meu corpo tinir de excitação na saída, algo bem diferente do sofrimento da minha chegada até ali.

Acenei para Scott e sorri alegremente para a recepcionista de cara fechada.

“Acho que ela não gosta de mim”, falei para Ruggero enquanto esperávamos o elevador.

“Quem?”

“Sua recepcionista.”

Ele se virou para lá, e a ruivinha abriu um sorriso radiante para ele.

“Olha só”, murmurei. “De você ela gosta.”

“Eu pago o salário dela.”

Eu sorri. “Sim, tenho certeza de que é só isso. Não tem nada a ver com o fato de você ser o homem mais sexy do planeta.”

“É isso que eu sou então?” Ele me prensou na parede e me fuzilou com um olhar de desejo.

Pus as mãos sobre seu abdome, lambendo seu lábio inferior para sentir seus músculos se enrijecerem ao meu toque. “Foi só uma observação.”

“Eu gosto de você.” Com as mãos espalmadas nas paredes de ambos os lados da minha cabeça, ele baixou a cabeça dele até a minha boca e me beijou com carinho.

“Eu também gosto de você. Aliás, você sabe que está no trabalho, não é?”

“Qual é a graça de ser o chefe se você não puder fazer o que quiser?”

“Humm.”

Quando o elevador chegou, agachei-me para passar sob seu braço e entrei. Ele partiu no meu encalço e me cercou como um predador, posicionando-se atrás de mim para me puxar para junto dele. Suas mãos me pegaram na altura dos bolsos da frente e se espalharam pelos ossos dos meus quadris, agarrando-me bem firme. O calor do seu toque, tão próximo de onde eu gostaria que ele estivesse, era uma espécie de tortura. Em retaliação, esfreguei minha bunda nele, e sorri quando ele ficou sem fôlego e de pau duro.

“Comporte-se”, ele advertiu. “Tenho uma reunião em quinze minutos.”

“Você vai pensar em mim quando estiver na sua mesa?”

“Com certeza. E você tem que pensar em mim quando estiver na sua. É uma ordem, senhorita Sevilla.”

Deitei a cabeça no peito dele. Estava adorando aquele tom autoritário. “Não poderia ser de outro jeito, senhor Pasquarelli, já que penso em você aonde quer que eu vá.”

Ele saiu junto comigo no vigésimo andar. “Obrigado pelo almoço.”

“Acho que eu é que deveria agradecer.” Eu me afastei. “Vejo você depois, Moreno Perigoso.”

Suas sobrancelhas se ergueram quando ouviu o apelido que inventei para ele. “Às cinco horas. Não me faça esperar.”

Um dos elevadores à esquerda chegou. Malena saltou e Ruggero subiu, com o olhar vidrado em mim até as portas se fecharem.

“Uau”, ela comentou. “Você se deu bem. Estou verde de inveja.”

Eu não tinha nada a dizer a respeito. Era muito recente, estava com medo de abrir a boca e azedar tudo. No fundo, eu sabia que essa alegria não poderia durar muito. Estava tudo indo bem demais.

“Karol.” Gaston estava parado na porta da sala dele. “Posso falar com você um minutinho?”

“Claro.” Peguei meu tablet, apesar de saber pela gravidade de sua expressão e seu tom de voz que aquilo não seria necessário. Quando ele fechou a porta atrás de mim, minha apreensão só cresceu. “Está tudo bem?”  

“Sim.” Ele esperou até que eu me sentasse e puxou a cadeira ao meu lado, e não a dele, do outro lado da mesa. “Não sei como dizer isso...”

“Pode dizer de uma vez. Eu vou entender.”

Ele me olhou com uma mistura de compaixão e vergonha. “Não é meu papel interferir. Sou seu chefe e tenho que respeitar certos limites, mas estou indo além deles porque gosto de você, Karol, e quero que continue trabalhando aqui por muito tempo.”

Senti um frio na barriga. “Que ótimo. Adoro meu trabalho.”

“Que bom, fico feliz.” Ele abriu um breve sorriso. “Só... tome cuidado com Pasquarelli, certo?”

Pisquei, surpresa, aturdida com o rumo que a conversa tomava. “Certo.”

“Ele é inteligente, rico, gostoso... Entendo muito bem a atração. Por mais que eu seja apaixonado por Sebastian, fico meio balançado quando chego perto de Pasquarelli. Ele tem uma coisa...” Gaston estava falando depressa, claramente envergonhado. “E está na cara que ele está interessado em você. Você é bonita, esperta, sincera, atenciosa... Eu poderia dizer muito mais, porque você é mesmo ótima.”

“Obrigada”, eu disse baixinho, procurando não demonstrar o quanto estava chateada. Esse tipo de aviso de um amigo e o fato de saber que outros também me viam apenas como o brinquedinho da semana açoitavam implacavelmente minha insegurança.

“Não quero que você se magoe”, ele murmurou, percebendo minha tristeza. “E até admito que posso estar sendo um pouco egoísta. Não quero perder uma ótima assistente só porque ela não quer mais trabalhar no mesmo prédio que o ex.”

“Gaston, fico feliz com sua preocupação e de saber que estou sendo valorizada aqui. Mas você não precisa se preocupar comigo. Eu já sou crescidinha. Além disso, não existe nada capaz de me fazer querer sair daqui.”

Ele soltou um suspiro de alívio. “Muito bem. Vamos deixar esse assunto de lado e começar a trabalhar.”

Foi o que fizemos, mas eu me preparei para mais sessões de tortura criando um alerta diário do Google para buscas com o nome de Ruggero. Quando chegaram as cinco horas, minhas preocupações se projetavam sobre minha felicidade como uma sombra sinistra.

Ruggero estava a postos, conforme tinha avisado, e não pareceu notar minha disposição mais introspectiva enquanto descíamos no elevador. Mais de uma mulher ali dentro lançou olhares furtivos na direção dele, mas esse tipo de coisa não me incomodava.

Ele era lindo, seria estranho se ninguém olhasse.

Ele pegou minha mão quando passamos pelas catracas, entrelaçando seus dedos nos meus. Esse simples gesto de intimidade significou tanta coisa para mim que apertei ainda mais sua mão. Era o tipo de coisa com a qual eu teria de tomar cuidado. O momento em que eu me sentisse agradecida porque ele dedicava seu tempo a mim seria o princípio do fim. Até eu perderia o respeito por mim se isso acontecesse.

O Bentley estava parado no meio-fio, com o motorista a postos na porta traseira.

Ruggero olhou para mim. “Tenho umas roupas aqui comigo, caso você queira ir à sua academia. Equinox, certo? Ou podemos ir à minha.”

“Onde fica a sua?”

“A minha preferida é a PasquarelliTrainer, na rua 55.”

Minha curiosidade sobre como ele tinha descoberto o nome da minha academia se foi quando ouvi a palavra “Pasquarelli” no nome da dele. “Por acaso você é o dono dessa academia?”

Ele abriu um sorriso. “Dessa rede de academias. Em geral eu treino MMA com um treinador particular, mas uso a academia de vez em quando.”

“Da rede”, repeti. “Claro.”

“Você que sabe”, ele falou, com a maior boa vontade. “Vou aonde você quiser.”

“Vamos pra sua academia, literalmente.”

Ele abriu a porta traseira e eu entrei. Pus a bolsa e a mochila da academia no colo e olhei pela janela enquanto o carro começava a andar. O sedã ao lado estava tão próximo que quase não era preciso que eu me curvasse para tocá-lo. O horário de pico em Manhattan era algo a que eu não havia me acostumado. No sul da Califórnia também tinha trânsito, mas os carros conseguiam andar devagar. Em Nova York, a velocidade e o congestionamento se alternavam com tanta frequência que eu me via obrigada a fechar os olhos e rezar para sobreviver.

Era outro mundo. Uma cidade nova, um apartamento novo, um emprego novo e um homem novo. Coisa demais para digerir de uma vez só. Não era à toa que eu estava me sentindo tão perdida.

Olhei para Ruggero e o surpreendi me olhando com uma expressão indecifrável. Dentro de mim, tudo girava em uma confusão de luxúria e ansiedade. Não tinha a menor ideia do que estava fazendo com ele, só sabia que não era capaz de parar, nem mesmo se quisesse.


Notas Finais


Espero que tenham gostado ❤
Até o próximo capítulo


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