1. Spirit Fanfics >
  2. Todas as Flores que Dedico a Você >
  3. Janelas pingadas e floriculturas lotadas

História Todas as Flores que Dedico a Você - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Janelas pingadas e floriculturas lotadas


Primavera. Uma chuva mediana caía por uma grande parte das ruas de Chiyoda, e muitas pessoas eram vistas entrando em bistrôs luxuosos ou andando rapidamente para suas casas. E, em meio aos carros, uma garota de óculos e com um buquê dentro de sua bolsa, via se nenhuma flor havia caído dali, enquanto esperava o sinal abrir.

O celular tocou umas 2 vezes antes de parar, e a jovem sabia que era o alarme para chegar em casa, então apenas o ignorou. O sinal abriu e voltou a conduzir a bicicleta, afinal, não poderia perder tempo. Precisava entregar as flores para a dona.

Passou ao lado de arranha-céus com as janelas pingadas, para então seguir até uma parte afastada, onde havia as casas de moradores comuns.

Parou a bicicleta numa árvore de cerejeira florida e bateu na porta, onde tirou os sapatos.

­— Gilda! Finalmente você chegou, aonde você estava? – Perguntou Emma, uma garota de cabelos alaranjados.

­— Eu fui comprar flores, toma aqui. – deu o buquê branco para a namorada e deu um beijo em seu rosto – Eu queria te dar as suas favoritas, então fui numa floricultura de Chiyoda comprar a grinalda de noiva.

— Gilda, você ficou 46 minutos na chuva, só por causa de um buquê? – olhou com uma falsa expressão de raiva, que se suavizou quando enxergou o sorriso envergonhado da de cabelos esverdeados – Eu te conheço, então sei que sempre faz isso. Afinal, todo dia você traz flores aqui, então não posso dizer que eu fiquei surpresa.

— Até eu ficaria surpresa se você ficasse surpresa. – Riu, enquanto saía da cozinha e ia para o quarto para se trocar.

— E, por que só flores? E, também, por que todos os dias? – Continuou com o assunto, enquanto ia atrás da namorada.

—Bom... Eu gosto de flores, e gosto de você. É como unir o útil ao agradável, sabe? – Tirou o casaco e começou a desabotoar a blusa – E, o porquê de eu trazer elas todos os dias, é simples: o nosso namoro é como as flores. Se não for uma situação muito ruim, eu sempre pensarei em você, independente se estiver chovendo ou não.

Por um único momento, passou pelos olhos de Emma um terror inimaginável, mas foi apenas por um instante, depois sorriu e fechou os olhos.

— Agora, dá licença que eu vou me trocar.

— Sabe que eu já vi bastante coisa por debaixo dessa blusa, não é?

— Sei, e por isso quero que você saia, para que não veja de novo. – E fechou a porta.

Logo, Gilda apareceu na cozinha usando um quimono branco e azul, já com os cabelos secos.

— Eu ainda tenho que terminar algumas atividades da faculdade, e você? Vai fazer mais alguma coisa que não seja da faculdade?

— Uh, eu tenho tanta coisa que eu não sei se vou dormir hoje. Não é de surpreender que você sempre consiga ter tempo de sair no fim de semana.

— Eu te ajudo a terminar. Afinal, eu só tenho algumas coisas para eu fazer.

— Gilda, você sabe o tanto de coisas que eu tenho que fazer? Eu realmente não quero te meter em todo aquele papo chato de economia.

— Eu literalmente estudo toda essa língua, todas as palavras que deveriam estar mortas junto com os imperadores e você quer falar que economia é chato?

— Ah, quer saber? Por que a gente vai discutir? Vai, senta que a gyoza já ficou pronta.

A de óculos se sentou no chão, com as mãos apoiadas nos joelhos. E então, foi servida pela outra, que se sentou em sua frente.

— Obrigada. – As duas agradeceram em uníssono e começaram a comer, em silêncio.

Gilda se levantou, recolheu os pratos e os lavou na pia, colocando eles para secar depois. Se retirou da cozinha e se deitou em sua cama, procurando pelas atividades restantes da faculdade. Emma permaneceu na cozinha, olhando para o nada, enquanto a mente vagava pelo mesmo lugar.

Com os fones de ouvido e com a caneta na mão, a de cabelos esverdeados ligou sua playlist de Yellow Magic Orchestra e pôs-se a estudar. A caneta deslizava pelo papel, escrevendo redações, conclusões e outras coisas.

Quando finalmente terminou, era 20 horas. Se levantou da cama e foi procurar a namorada, que estava na mesa ainda, mas com toda a papelada espalhada.

— Você realmente quer que eu não te ajude?

— Eu realmente quero, mas eu não posso. O professor vai comer o meu pâncreas se souber que eu pedi ajuda para estudar.

— Acho que o Yuugo não seria tão mal a esse ponto.

— Pode apostar que ele é mal a esse ponto. Se ele souber que o trabalho não é 100% meu, ele vai gritar comigo como se eu fosse uma aluna do 5° ano que não escreveu nada no caderno.

— Como ele vai saber que você teve ajuda? Você não conta e ele não vai saber, simples.

— Ah, quer saber? Por favor, me ajuda a fazer isso. Só desta vez.

— Sabe que não precisa ser só desta vez.

— Eu sei, mas as pessoas precisam ter responsabilidades, não é?

As duas jovens não falaram mais nada. A de olhos escuros apenas se aproximou da outra, pegou os papéis e começou a ajudar a de olhos claros. Ficaram lá por horas e horas, até que a ruiva acabou dormindo com a cabeça encostada no ombro da outra, que sorriu quando percebeu.

— Você é maravilhosa até dormindo. – riu – Mas não é de surpreender.

Com cuidado, pegou a adormecida nos braços, a levou até a cama, e a colocou delicadamente sobre o colchão. Se deitou de lado, passando o braço esquerdo sobre o peito da outra, que subia e descia levemente à medida que respirava.

— Boa noite, Emma querida. – Desejou, antes de tirar os óculos, fechar os olhos e deixar sua mente vagar por algum lugar desconhecido.

Abriu os olhos devagar, e viu o rosto da amada com os olhos fechados. Passou as pontas dos dedos pelos cachos meio alaranjados, meio loiros, delicadamente, como se fosse algum delicado objeto de vidro que pudesse quebrar a qualquer momento.

— Bom dia, camélia vermelha. – Deu um breve beijo em sua testa e se levantou da cama, tentando não fazer barulho. Foi até a cozinha e começou a preparar o café. Aqueceu a água na chaleira, colocou um coador com ervas dentro de uma xícara amarela, e despejou a água fervente, esperando um tempo para então tomar o chá. Se encostou na bancada da pia e tomou ali mesmo, pois estava apressada. O pé direito batendo contra o chão repetida e rapidamente, tentando organizar todas as coisas que tinha que fazer numa lista mental. O indicador da mão direita acompanhava, sendo batido contra a superfície de porcelana, sem causar dano algum.

— Bom dia, amor. – Emma surgiu na cozinha, sorrindo cansada. Ou como quem acabou de acordar, talvez os dois de uma vez.

— Já acordou? A gente dormiu tarde ontem, e você normalmente acorda mais tarde.

— O meu celular tocou, aí eu acabei acordando.

— Você diminuiu o toque do seu celular?

— Err... Sim, por quê?

—O toque dele é tão alto que cinco vizinhanças inteiras acordam ouvindo. Ontem mesmo o seu telefone tocou alto o suficiente para a minha sala inteira ouvir. Eu não sei se você esqueceu, mas a minha sala é do lado da sua. – Deu uma risada baixa. Tomou mais um gole do chá, que já havia esfriado um pouco.

— O que você vai fazer hoje?

— Hum – tomou outro gole – Talvez eu vá visitar a Anna, e depois, definitivamente, eu vou em outra floricultura. E você?

— Eu vou estudar. Terminar os trabalhos da faculdade, e tudo o mais... Toda aquela burocracia insuportável.

— Eu te ajudo quando voltar.

— Não. Você já me ajudou muito ontem, e eu agradeço por isso. Mas, eu tenho que estudar sozinha. Sai, respira, e todo o resto que você quer fazer hoje.

— Vai passar o fim de semana fazendo os trabalhos da faculdade? Você também precisa sair, quanto tempo faz que você não vê o Ray e o Norman? 2 semanas? 1 mês?

— Faz só umas 3 semanas, nem faz tanto tempo assim.

— Claro que faz tempo. Eu sei que os trabalhos estão acumulando, e o final do quadrimestre está perto, mas você tem que viver também. Essa é uma das poucas coisas que você pode fazer ao mesmo tempo.

A de olhos claros se rendeu. Foi até o quarto para se trocar, e quando voltou, trazia nos braços uma muda de roupa.

— Você me convenceu. Se veste. – Entregou a muda e foi se sentar no sofá. Olhava para a luz no teto, enquanto mexia nos fiapos da blusa de frio.

Viu um vulto passar em sua frente e seguir até o quarto e fechar a porta. Sorriu e fechou os olhos, como se fosse um alívio poder sair depois de tanto tempo, e o pior é que era mesmo.

— A gente já pode ir? – Perguntou a de óculos, oferecendo sua mão esquerda para a de cabelos alaranjados, que sorriu e aceitou.

As duas saíram pela porta da frente, de mãos dadas. Soltaram as mãos e pararam debaixo do telhado.

— Moto ou bicicleta? – Emma perguntou, sorrindo.

— Pode ser de moto. Nunca é de mais esbanjar o fato de ter uma moto.

Andaram até a garagem mínima que tinham, e a ruiva subiu, deu partida e pegou os dois capacetes no colo.

A esverdeada também subiu e colocou o capacete, antes de enrolar os braços na cintura da namorada.

A moto saiu da garagem, em direção à rua vazia e molhada pela chuva.  As árvores na borda da estrada gotejavam, e muitas folhas estavam caídas no chão, amassadas e com marcas de sapatos. A beleza dos dias chuvosos. As garotas passaram na frente de arranha-céus, ainda com janelas pingadas, e por floriculturas lotadas de flores frescas, molhadas por terem ficado na chuva.

Pararam num sinal vermelho, e esperaram abrir.

— Onde você quer ir, Gilda?

— Eu queria ir no Museu de Tokyo, mas eu não sei se você quer...

— Onde você estiver eu vou, e eu também gosto de arte clássica, sabia?

— Eu sei, aliás, nós namoramos, por isso eu sei.

— Eu sei que você sabe disso. E eu lembro que nós namoramos, afinal, você mora na mesma casa que a minha, não é? Seria impossível eu não lembrar do nosso namoro.

O sinal abriu e a conversa parou. Depois de uns 15 minutos, as duas pararam em frente ao lago na frente do museu. Desceram da moto e entraram ali. Pagaram para um senhor 460 ienes (23,96 reais) e começaram a vagar pelo belo interior de lá. Os candelabros dourados imensos, os olhos delas ficaram maravilhados com a visão.

De repente, Gilda sentiu algo passando por sua calça. Um homem, que aparentava ter 40 anos tinha passado sua mão no final de suas costas. O tal homem continuava a olhar para si, e a jovem apenas sentia nojo.

— Emma, você pode esperar aqui?

— Por quê?

— Preciso resolver um assunto.

— Ah, tudo bem.

A de cabelos escuros se afastou, e chegou perto do homem. Ele estava com uma mulher e três crianças. Se perguntou como alguém com família poderia fazer aquilo, mas lembrou de que qualquer poderia fazer isso.

—Senhor.

— O que a senhorita deseja? – O homem perguntou, sorrindo de um jeito pervertido, o que enojou ainda mais a jovem mulher.

— Poderia me acompanhar, por favor?

O homem falou alguma coisa para a esposa, que assentiu. Saiu de perto da família e foi atrás de Gilda, ainda olhando para o corpo dela.

— Precisa de alguma coisa, garota bonita? – Perguntou, assim que se afastaram das outras pessoas.

— Claro que preciso. – E, depois disso, o homem foi recebido com um soco no rosto.

A jovem poderia parecer alguém que jamais bateria em alguém, mas, se mexessem com ela, que Deus tivesse piedade da pessoa, porque ela não tinha. Socou o rosto do homem até o nariz dele começar a sangrar.

— Gostou disso, não é? Vai, fala que gostou! Não gosta de apalpar garotas em museus?! Heim, fala que gosta! Grite até chegar na sua mulher! Afinal, por que não admite que não gosta dela?! Sinto pena dela por ter que ficar do lado de um marido de merda como você! – Algumas pessoas, incluindo a mulher do homem, ouviram os gritos e tinham ido ver o que estava acontecendo.

Emma correu para ver o que estava acontecendo, afinal, era a voz de sua namorada gritando. Enxergou a mão de sua namorada suja de sangue, e ela socando sem parar o rosto do homem.

Correu até a outra, e segurou ela pela cintura, para impedir ela de socar o homem. Ele ficou largado no chão, enquanto a pobre esposa ficava desesperada, por ouvir sobre a garota ter sido apalpada.

— Garota... Me desculpe pelo meu marido.

— Não se desculpe por ele não se contentar perto de garotas mais jovens. Aliás, se separe dele.

— O quê?!

— Você não pode ficar perto de um homem sujo desses, que fica apalpando mulheres jovens. Tem que denunciá-lo para a polícia. Um homem como ele não pode ficar solto por aí.

A mulher mais velha não falou mais nada, ficou apenas olhando para o homem deitado no chão, com o nariz sangrando e confuso.

—Você... Você! Sua prostituta! Não podia ter me socado!  

—Senhor, nós pedimos que se retire. Ou seremos obrigados a lhe tirar daqui.

O homem não falou mais nada, apenas saiu, levando a mulher e os filhos, que não entendiam nada.

—Senhora, peço que perdoe o transtorno.

—Uh. – suspirou, e com a mão limpa, passou a mão no cabelo – Eu só quero ir embora. Emma, você dirige?

—Claro.

E, as duas foram embora, sem falar nada.

Subiram na moto e colocaram os capacetes, e Gilda enlaçou a cintura de Emma forte, como se tivesse medo.

— Emma.

— O que foi?

— A gente pode passar numa floricultura antes de casa?

— Gilda. – riu – Você literalmente socou a cara de um homem há 5 minutos, e já fica pensando em flores para me dar de presente?

— Eu ainda tenho que te dedicar flores todos os dias, lembra?


Notas Finais


Motivo da Gilda ter chamado a Emma de camélia vermelha = Camélias vermelhas significam amor na linguagem das flores.

"AiN aNa, AgOrA tUdO vAi SeR rElAcIoNaDo CoM fLoReS?"

Exatamente. KKKKKK


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...