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História Todas as suas imperfeições - Fillie - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo oito


Capítulo oito

Antes

Tem sido difícil esquecer Joseph. Perder o relacionamento foi pior que perder Joseph. Quando você se conecta a uma pessoa por tanto tempo, é difícil ficar sozinha outra vez. Levou alguns meses antes que eu finalmente apagasse cada vestígio dele do apartamento. Eu me livrei do vestido de noiva, das fotos, dos presentes que ele me deu ao longo dos anos, das roupas que me faziam lembrar dele. Até comprei uma cama nova, embora isso tenha mais a ver com o fato de querer uma nova do que com as memórias de Joseph.

Já faz seis meses, e a única razão para eu estar em um segundo encontro com esse tal de Jason é porque o primeiro não foi um completo desastre. E Ava me convenceu.

Por mais que minha mãe amasse Joseph e ainda deseje que eu o perdoe, acredito que vá gostar ainda mais de Jason. O que deveria ser um ponto positivo, só que não é. Minha mãe e eu temos gostos bem diferentes. Estou torcendo para que Jason diga ou faça algo que minha mãe não aprovaria, e assim eu possa me sentir um pouco mais atraída por ele.

Ele já repetiu várias perguntas que me fez na última sexta-feira. Perguntou quantos anos eu tinha, e eu respondi que tinha 25, a mesma idade que na sexta passada. Me perguntou quando fazia aniversário, e eu disse que ainda no dia 26 de julho.

Eu me esforço para não ser uma vaca, mas ele não está ajudando. É bem óbvio que não prestou a menor atenção em nada do que eu disse semana passada.

— Então você é de Leão? — pergunta ele.

Assinto com a cabeça.

— Sou Escorpião.

Não faço ideia do que isso diz a seu respeito. Astrologia nunca foi meu forte. Além do mais, é difícil me concentrar em Jason porque há algo muito mais interessante atrás dele. A duas mesas, sorrindo em minha direção, está Finn. Assim que o reconheço, logo baixo meu olhar para o prato.

Jason diz algo sobre a compatibilidade entre escorpianos e leoninos, e eu o encaro, torcendo para que não note o caos que sinto no momento. Mas minha resolução esmorece porque agora Finn está de pé. Não posso evitar, então olho por cima do ombro de Jason e observo Finn pedir licença a sua acompanhante. Ele olha em meus olhos e vem em nossa direção.

Aperto o guardanapo em meu colo, me perguntando por que, de repente, estou mais nervosa com a visão de Finn do que jamais estive na companhia de Jason. Faço contato visual com Finn logo antes de ele alcançar minha mesa. Mas, tão logo eu o encaro, ele desvia o olhar. Assente com a cabeça uma vez, na direção em que caminha, e passa por nossa mesa, a mão mal roçando meu cotovelo. Um resvalar fugaz de seu dedo em minha pele. Eu ofego.

— Você tem irmãos?

Pouso o guardanapo na mesa.

— Ainda só uma. — Arrasto a cadeira. — Já volto. Preciso ir ao banheiro.

Jason se afasta da mesa, meio levantado enquanto coloco minha cadeira no lugar. Sorrio para ele e sigo para o banheiro. Para Finn.

Por que estou tão nervosa?

Os banheiros ficam nos fundos do restaurante. É preciso entrar em uma divisória para encontrar o corredor. Finn já dobrou a esquina, então hesito antes de fazer a curva. Levo a mão ao peito, esperando que, de alguma forma, o gesto acalme o que se passa ali dentro. E então exalo e entro na passagem.

Finn está casualmente encostado à parede, a mão no bolso do terno. A visão tanto me excita quanto conforta, mas também me sinto mal por nunca ter ligado.

Finn abre seu meio-sorriso preguiçoso.

— Olá, Millie.

Seus olhos ainda franzem um pouco quando sorri, e fico feliz em presenciar aquilo. Não sei por quê. Gosto de como ele sempre parece travar uma eterna batalha secreta.

— Oi. — Paro, constrangida, a alguns passos dele.

— Finn — diz ele, tocando o próprio peito. — Caso tenha esquecido.

Balanço a cabeça.

— Não esqueci. É difícil esquecer qualquer detalhe do pior dia de minha vida.

Meu comentário o faz sorrir. Ele se afasta da parede e dá um passo em minha direção.

— Você nunca ligou.

Dou de ombros, como se não tivesse dedicado a seu telefone a devida atenção. Mas, na verdade, eu olhava para o Post-it todo dia. Ainda está na parede, onde ele o deixou.

— Você disse para eu ligar depois que tivesse um casinho pós-término. E só agora estou entrando em um.

— É o cara que está com você hoje?

Assinto com a cabeça. Ele se aproxima mais um passo, ficando a apenas dois de mim. Mas é como se estivesse me sufocando.

— E você? — pergunto. — A garota de hoje é seu caso pós-término?

— Meu caso pós-término foi duas garotas atrás.

Odeio aquela resposta. Eu a odeio o bastante para acabar com a conversa.

— Bem... parabéns. Ela é bonita. — Finn estreita os olhos como se tentasse decifrar tudo o que deixo de dizer. Dou um passo na direção do banheiro feminino e coloco a mão na porta. — Foi bom ver você, Finn.

Seus olhos continuam semicerrados, e ele inclina a cabeça de leve. Não sei mais o que dizer. Entro no banheiro e deixo a porta bater atrás de mim. Solto um longo suspiro. Aquilo foi intenso.

Por que foi tão intenso?

Vou até a pia e abro a torneira. Minhas mãos tremem, então as lavo com água quente e torço para que o sabonete de lavanda ajude a me acalmar. Seco as mãos, então as examino pelo reflexo no espelho, tentando me convencer de que não me deixei afetar por Finn. Mas fiquei afetada. Minhas mãos ainda estão tremendo.

Por seis meses quis ligar para ele, mas por seis meses me convenci do contrário. E agora, ao saber que ele seguiu com sua vida e que está com alguém, posso ter perdido minha chance. Não que quisesse uma. Continuo firme na crença de que ele me lembraria demais do que aconteceu. Se decidir me envolver, prefiro que seja com alguém novo em folha. Alguém sem qualquer relação com o pior dia de minha vida.

Alguém como Jason, talvez?

— Jason — murmuro. Melhor voltar para meu encontro.

Quando abro a porta, Finn ainda está no mesmo lugar. Ainda me observando com a cabeça inclinada. Paro de repente, e a porta acerta minhas costas quando se fecha, me empurrando para a frente.

Olho para o fim do corredor, em seguida encaro Finn.

— Não tínhamos terminado?

Ele inspira com calma enquanto dá um passo em minha direção. Dessa vez, fica bem próximo de mim e enfia as mãos nos bolsos.

— Como você está? — Sua voz é baixa, como se fosse difícil para ele pronunciar as palavras. Fica claro pelo modo como seus olhos buscam os meus que está se referindo a tudo o que tenho passado desde o término; o cancelamento do casamento.

Gosto da sinceridade da pergunta. Sinto o mesmo conforto que sua presença me trouxe há seis meses.

— Bem — respondo, com um pequeno aceno. — Fiquei com alguns problemas de confiança, mas, fora isso, não posso reclamar.— Jason — murmuro. Melhor voltar para meu encontro.

Quando abro a porta, Graham ainda está no mesmo lugar. Ainda me observando com a cabeça inclinada. Paro de repente, e a porta acerta minhas costas quando se fecha, me empurrando para a frente.

Olho para o fim do corredor, em seguida encaro Graham.

— Não tínhamos terminado?

Ele inspira com calma enquanto dá um passo em minha direção. Dessa vez, fica bem próximo de mim e enfia as mãos nos bolsos.

— Como você está? — Sua voz é baixa, como se fosse difícil para ele pronunciar as palavras. Fica claro pelo modo como seus olhos buscam os meus que está se referindo a tudo o que tenho passado desde o término; o cancelamento do casamento.

Gosto da sinceridade da pergunta. Sinto o mesmo conforto que sua presença me trouxe há seis meses.

— Bem — respondo, com um pequeno aceno. — Fiquei com alguns problemas de confiança, mas, fora isso, não posso reclamar.

Ele parece aliviado.

— Que bom.

— E você?

Ele me encara por um momento, mas não vejo o que esperava em seus olhos. Em vez disso, vejo arrependimento. Tristeza. Como se, talvez, ainda não tivesse se recuperado da perda de Ayla. Ele dá de ombros, mas não responde com palavras.

Tento não deixar minha compaixão transparecer, mas fracasso.

— Talvez essa nova garota seja melhor que Ayla. E você vá finalmente superar.

Finn ri brevemente.

— Já superei Ayla — diz ele, com convicção. — Certeza de que superei Ayla no momento que conheci você. — Ele me dá quase zero chance de absorver suas palavras antes de me atacar com outras. — Melhor a gente voltar para nossos encontros, Millie. — Ele dá meia-volta e segue pelo corredor.

Fico parada, atônita com suas palavras. “Certeza de que superei Ayla no momento que conheci você”.

Não acredito no que ele acabou de me dizer. Ele não pode simplesmente soltar uma bomba dessas e sair andando! Eu o sigo, mas ele já está a meio caminho da mesa. Encontro o olhar de Jason, e ele sorri ao me ver, se levantando. Tento me recompor, mas é difícil fazer isso quando Finn se inclina e dá um beijo rápido na têmpora de sua acompanhante antes de sentar a sua frente.

Ele está querendo me deixar com ciúmes? Se for o caso, não está funcionando. Não tenho tempo para homens frustrantes. Mal tenho tempo para homens tediosos, como Jason.

Jason deu a volta na mesa para puxar a cadeira para mim. Antes de me sentar, Finn busca meu olhar novamente. Juro que posso vê-lo sorrir com ironia. Não imagino por que desço a seu nível, mas me inclino e dou um beijo leve nos lábios de Jason.

Então me sento.

Tenho uma visão clara de Finn enquanto Jason volta a seu lugar. Finn não está mais sorrindo.

Mas eu sim.

— Estou pronta para sair daqui — digo.


Notas Finais


Uiui


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