História Todo Seu (Yoonmin) - Capítulo 26


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Amor, Bangtan Boys (BTS), Gay, Hentai, Jimin, Lemon, Minsuga, Minyoongi, Romance, Yoonmin
Visualizações 77
Palavras 5.182
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oooi , Boa leitura!📖

Capítulo 26 - Não sou capaz de resistir a ele


🌻🌻🌻


Quando Megumi e eu entramos no elevador, apertei o botão do último andar.

-Se alguém perguntar, volto em cinco minutos, avisei quando ela entrou no hall da Waters Field & Leaman.

-Dá um beijo nele por mim, tá bom?, ela disse enquanto fingia se abanar

com as mãos. -Fico com calor só de pensar em como reagiria no seu lugar.

Consegui abrir um sorrisinho antes que as portas se fechassem e o elevador continuasse a subir. Quando chegou ao último andar, dei um passo à frente e me vi em um hall com uma decoração de muito bom gosto, inegavelmente masculina. Nas paredes de vidro opaco lia-se a inscrição INDÚSTRIAS PARK, uma visão amenizada pela presença de vasos de samambaias e lírios.

A recepcionista de Jimin, uma ruivinha que não costumava ser muito simpática comigo, liberou o acesso antes que eu chegasse à porta e deu um sorriso amarelo que me irritou ainda mais. Sempre tive a impressão de que ela não gostava de mim, então não acreditei na sinceridade daquele sorriso nem por um segundo. Ainda assim, acenei e disse “oi”. Afinal, eu não fazia o tipo barraqueiro— a não ser que tivesse um bom motivo para isso.

Entrei no longo corredor que levava ao escritório de Jimin, passando antes por uma segunda recepção, onde Mark, seu secretário, controlava o acesso à sua sala.

Ele ficou de pé quando cheguei. -Oi, Senhor, cumprimentou, já apanhando o telefone. -Vou avisar que está aqui.

A parede de vidro que separava o escritório de Jimin do restante do andar era transparente, mas ele podia torná-la opaca ao toque de um botão.

Naquele momento estava assim, o que fez crescer ainda mais minha inquietação. -Ele está sozinho?

-Sim, mas...

Parei de prestar atenção ao que ele dizia quando atravessei a porta de vidro e adentrei os domínios de Park. Era uma sala enorme, com três ambientes diferentes, cada um deles maior que o escritório inteiro do meu chefe. Ao contrário de seu apartamento, que tinha uma elegância aconchegante, seu escritório era decorado com uma paleta de cores frias — preto, cinza e branco —, quebrada apenas pela presença dos decanters de cristal colorido que decoravam a parede atrás do balcão do bar.

Pelas janelas que ocupavam três das quatro paredes, era possível ver os dois lados da cidade. A única parede sólida ficava atrás de sua enorme mesa, e era coberta de monitores sintonizados em canais de notícias do mundo inteiro.

Percorri a sala com os olhos e encontrei uma almofada caída no chão. Além disso, havia rugas no tapete, o que mostrava que o sofá havia sido deslocado de seu local de costume — na verdade, parecia ter sido arrastado aos solavancos.
Meu coração acelerou, e senti minhas mãos começarem a suar. A terrível ansiedade que vinha sentindo até então se intensificou.

Só percebi que a porta do banheiro estava aberta quando ele apareceu, deixando-me sem fôlego com a beleza de seu tronco nu. Seus cabelos estavam molhados, como se tivesse acabado de sair do chuveiro, e seu pescoço e seu peito estavam vermelhos, o que indicava que ele havia feito uma boa dose de esforço físico.

Jimin ficou paralisado quando me viu, e seu olhar perdeu o brilho por um instante enquanto assumia a expressão perfeita e implacável que costumava demonstrar em público.

-Não é uma boa hora, Yoongi, ele disse, vestindo a camisa que estava pendurada em uma banqueta do bar... uma camisa diferente daquela que tinha
vestido de manhã. -Estou atrasado pra uma reunião.

Ser exposto a seu corpo me fez lembrar do tamanho do meu desejo por ele. Eu o amava enlouquecidamente, precisava da sua companhia como precisava respirar... o que tornava mais fácil entender como Magdalene e Corinne se sentiam, e perceber que fariam qualquer coisa para tirá-lo de mim. -Por que você não está vestido?

Não havia como evitar aquela pergunta. Meu corpo reagia instintivamente à visão, o que tornava ainda mais difícil conter minhas emoções. Sua camisa aberta e bem passada revelava a pele leitosa que revestia seu abdome musculoso e seu peitoral perfeitamente definido. Os uma fina gotícula de água deslisava, indicando o caminho para seu pau, que naquele momento estava escondido debaixo da calça e da cueca boxer. Só de pensar nele dentro de mim, fiquei louco de vontade.

-Sujei a camisa. Jimin começou a se recompor, e vi seu abdome se flexionar enquanto ele se inclinava sobre o balcão do bar, onde estavam suas abotoaduras.
-Preciso ir. Se precisar de alguma coisa, fale com Mark que ele resolve. Ou então espere até eu voltar. Não devo demorar mais de duas horas.

-Por que você está atrasado?

Ele não olhou para mim para responder: -Tive que marcar uma reunião de última hora.

Como assim? -Você tomou banho de manhã. Depois de fazer amor comigo durante uma hora. Por que precisou tomar outro?

-Por que o interrogatório?, ele reagiu.

Eu precisava de respostas, então fui até o banheiro. A umidade lá dentro era opressiva. Ignorando a voz na minha cabeça dizendo para não buscar problemas com os quais não seria capaz de lidar, procurei sua camisa no cesto de roupas sujas... e vi o batom vermelho estampado como uma mancha de sangue em um dos punhos. Senti uma dor opressiva no peito.

Larguei a camisa no chão, dei meia-volta e saí. Precisava ficar o mais longe possível dele. Antes que eu vomitasse ou começasse a chorar.

-Yoon!, ele gritou quando passei por ele. -O que foi que deu em você?

-Vai se foder, seu filho da puta.

-Como é?

Minha mão já estava na maçaneta da porta quando ele me alcançou e me puxou pelo cotovelo. Eu me virei e dei um soco na cara dele com força suficiente para virar sua cabeça e deixar a palma da minha mão ardendo.

-Puta que o pariu, ele grunhiu antes de me agarrar pelos braços e começar a me sacudir. -Nunca mais faça isso!

-Tira a mão de mim! A sensação do toque de suas mãos na minha pele era mais do que eu podia suportar.

Ele deu alguns passos para trás e se afastou. -Que porra é essa?

-Eu vi que ela estava aqui, Jimin.

-Quem estava aqui?

-Corinne!

Ele franziu a testa. -Do que você está falando?

Saquei meu celular e esfreguei a foto na cara dele.
-Tenho provas.

Os olhos de Jimin se estreitaram quando ele viu o que estava na tela, e sua testa voltou ao normal. -Provas de que, exatamente?, ele perguntou com calma até demais.

-Ah, vai à merda. Eu me virei para a porta e joguei o telefone dentro do bolso. -Não vou te dar essa satisfação.

Ele espalmou a mão contra o vidro, mantendo a porta fechada, cercou-me com o corpo e se inclinou para murmurar no meu ouvido. -Vai, sim. Você vai me dizer exatamente o que está acontecendo.

Fechei os olhos e me dei conta de que aquela posição me lembrava da primeira vez em que estivera ali. Ele me encurralara daquela mesma maneira, seduzindo-me com maestria, o que nos levara a uma sessão de beijos apaixonados naquele mesmo sofá que estava fora de sua posição habitual.

-Uma imagem não vale mais do que mil palavras?, eu disse entre os dentes.

-Então quer dizer que Corinne andou beijando alguém. O que isso tem a ver comigo?

-Você está de brincadeira? Me deixa sair.

-Não estou achando a menor graça nisso. Na verdade, nunca fiquei tão puto com alguém antes. Você chega aqui fazendo um monte de acusações sem pé nem cabeça, sem a menor razão...

-Com toda a razão!Eu me virei e me agachei para passar debaixo do braço dele, estabelecendo uma distância entre nós. Ficar perto dele era doloroso demais. -Eu nunca trairia você! Se quisesse trepar com outras pessoas, terminaria primeiro!

Park se apoiou na porta e cruzou os braços. Sua camisa estava para fora da calça, aberta no colarinho. O visual era tentador, o que só me deixou ainda mais irado.

-Você está achando que eu te traí?, ele perguntou num tom de voz duro e implacável.

Respirei profundamente para conseguir suportar o sofrimento que senti ao imaginar Corinne naquele sofá. -O que ela estava fazendo no Crossfire pra sair naquele estado? E por que seu escritório está nesse estado? E por que você está nesse estado?

Ele olhou para o sofá, para a almofada no chão e depois para mim. -Não sei por que Corinne estava aqui, nem por que saiu naquele estado. Não falo com ela desde ontem à noite, quando você estava comigo.

Aquela noite parecia distante na minha memória. Queria que tudo aquilo nunca tivesse acontecido.
-Mas você não estava comigo, argumentei. -Ela fez um charminho e disse que queria te apresentar para alguém, e você me largou lá sozinho.

-Ai, meu Deus. Os olhos dele faiscavam. -Vai começar tudo de novo.Enxuguei com raiva uma lágrima que deslizou por meu rosto.

Ele bufou. -Você acha que fui com ela porque sou incapaz de resistir e estava morrendo de vontade de me livrar de você?

-Não sei, Jimin. Foi você que me deu as costas. Você é que precisa dizer.

-Você me deu as costas primeiro.

Fiquei boquiaberto. -Eu não!

-Não o cacete. Assim que a gente chegou, você sumiu. Tive que ficar te procurando feito um idiota. Quando encontrei, você estava dançando com aquele imbecil.

-Ele é sobrinho do Meu pai! Meu primo!

-Nem que ele fosse um padre. Ele quer comer você.

-Ai, meu Deus. Que absurdo! Pode parar de mudar de assunto. Você estava falando de negócios com seus sócios. Eu estava totalmente perdido ali.

-Perdido ou não, seu lugar é do meu lado.

Joguei a cabeça para o lado como se ele tivesse me batido. -Como é que é?

-Como você se sentiria se no meio de um evento da Waters Field & Leaman eu desaparecesse só porque o tema da conversa era uma campanha publicitária? E, quando me encontrasse, eu estivesse dançando agarradinho com Magdalene?”

-Eu... Hummm... Eu não tinha pensado daquela forma.

Jimin parecia tranquilo e inabalável com seu corpo imponente encostado à porta, mas dava para sentir a raiva pulsando sob aquela superfície impassível. Ele estava sempre inquieto, e ainda mais quando fervilhava de paixão. -Meu lugar é ao seu lado, apoiando você, e às vezes só servindo de enfeite mesmo. É um direito, um dever e um privilégio, Min Yoongi, e o mesmo vale pra você.

-Pensei que estava fazendo um favor deixando você sozinho.

Ele se limitou a arquear sarcasticamente as sobrancelhas em resposta.
Cruzei os braços. -É por isso que você saiu de braço dado com Corinne?Pra me castigar?

-Se eu quisesse castigar você, anjo, daria uns bons tapas na sua bunda.
Estreitei os olhos. Nem pensar.

-Sei o que você está pensando, ele disse, curto e grosso. -Não queria que você ficasse com ciúmes de Corinne antes que pudesse me explicar. Precisava ter certeza de que ela soubesse que a coisa entre nós é séria, e que eu gostaria muito que você tivesse uma noite agradável. Só por isso fui falar com ela.

-Você pediu pra ela não dizer nada sobre a história de vocês, né? Pra não demonstrar nenhuma intimidade. Pena que Magdalene estragou tudo.

Talvez tenha sido justamente isso que Corinne e Magdalene tinham planejado. Corinne conhecia Jimin bem o suficiente para antecipar suas reações; não teria sido muito difícil prever como ele se comportaria ao vê-la aparecer inesperadamente em Seul.

Isso lançou uma nova luz sobre o que Magdalene havia dito ao telefone pouco antes. Ela e Corinne estavam conversando no Waldorf quando Jimin e eu as vimos. Duas mulheres que queriam um homem que estava com uma terceira. Nada poderia acontecer enquanto eu estivesse na jogada, e por isso não dava para descartar a hipótese de que estivessem trabalhando juntas.

-Eu queria que você ouvisse tudo da minha boca, ele disse, resoluto.

Resolvi deixar esse assunto de lado e me concentrar no que estava acontecendo no momento. -Acabei de ver Corinne entrar no seu carro, Jimin. Pouco antes de subir aqui.

Ele fez uma expressão de surpresa. -É mesmo?

-É. Você pode me explicar isso?

-Não, não posso.

A mágoa e a raiva tomaram conta de mim. Não suportava mais olhar para ele. -Então sai da minha frente. Preciso voltar ao trabalho.

Ele não se moveu. -Queria esclarecer uma coisa antes: você acha mesmo que eu trepei com ela?

Ouvi-lo dizer aquilo me deixou arrepiado. -Não sei no que acreditar. As provas mostram que...

-Não interessa se as supostas provas incluírem uma imagem de nós dois pelados na cama.- Ele desencostou da porta e foi chegando mais perto com tamanha naturalidade que dei um passo atrás, surpreso.
-Quero saber se você acha que trepei com ela. Se acha que eu faria isso. Que eu seria capaz. Você acha?

Comecei a bater o pé no chão, mas não recuei nem mais um passo. -Explique por que sua camisa está manchada de batom, Park."

Ele cerrou os dentes. -Não.

-Quê?Aquela recusa tão convicta me deixou sem reação. -Responda minha pergunta.

Observei bem seu rosto e o que vi foi a máscara à qual ele recorria quando estava em público, mas que até então nunca havia usado comigo. Jimin estendeu a mão como se fosse acariciar meu queixo com os dedos, mas desistiu no último momento. Naquele exato instante ouvi seus dentes rangerem, como se ele estivesse fazendo um grande esforço para não me tocar. Sofrendo como eu estava, fiquei aliviado por isso.

-Preciso que você me explique, sussurrei, enquanto me perguntava se tinha visto mesmo uma expressão de desespero aparecer em seu rosto. Às vezes eu fazia tanta força para acreditar em algo que acabava me agarrando a qualquer coisa para ignorar a dolorosa realidade.

-Nunca dei motivo pra você duvidar de mim.

-Está dando agora, Jimin. Soltei o ar com força, desanimado. Derrotado. Ele estava bem na minha frente, mas era como se estivéssemos a quilômetros de distância. -Entendo que você precise de um tempo pra conseguir se abrir completamente comigo e abordar coisas que são dolorosas. Também já me senti assim, sabendo que precisava contar o que havia acontecido comigo, mas sem me sentir pronto. É por isso que tento não apressar nada e nem arrancar nada de você. Mas o problema é que seu segredo está me magoando, e isso muda tudo. Você não entende?

Soltando um palavrão bem baixinho, ele segurou meu rosto com as mãos frias. -Faço de tudo pra que você não tenha motivos pra ter ciúmes, mas gosto quando isso acontece. Gosto que lute por mim. Gosto que se importe comigo a esse ponto. Quero que seja louco por mim. Mas possessividade sem confiança é sinônimo de inferno. Se não confia em mim, não temos por que ficar juntos.

-A confiança não é uma via de mão única, Jimin.

Ele respirou fundo. -Não me olhe assim.

-Estou tentando descobrir quem você é. Onde está aquele homem que disse sem mais nem menos que queria me comer? O homem que não hesitou em dizer que não desistiria de mim quando as coisas ficaram ruins entre nós? Pensei que você fosse sempre assim sincero. Estava contando com isso. Agora...
O nó na minha garganta não permitiu que eu dissesse mais nada.

Ele estreitou os lábios, mas ficou em silêncio.
Agarrei seus punhos e tirei suas mãos de cima de mim. Eu estava desmoronando por dentro. -Não vou fugir desta vez, não precisa vir atrás de mim. Acho que você precisa pensar um pouco.”

Saí da sala. Jimin não me impediu.

Passei o resto da tarde concentrado no trabalho. Taehyung adorava verbalizar suas ideias, o que para mim era uma ótima forma de aprendizado, e a maneira confiante e amigável como ele lidava com seus clientes era inspiradora. Eu o acompanhei em duas reuniões, nas quais ele conseguiu se impor de uma maneira absolutamente natural e nem um pouco ameaçadora.

Pouco depois das quatro, o telefone da minha mesa tocou. Atendi sem demora e senti meu coração disparar ao ouvir a voz de Jimin.

-A gente precisa sair às cinco em ponto, ele disse,
-pra chegar ao consultório do doutor Petersen na hora marcada.

-Ah, é.Eu tinha esquecido que nossas sessões de terapia de casal eram às quintas, às seis da tarde. Aquela seria a primeira.

Eu me perguntei se não seria também a última.
-Passo aí, ele continuou em um tom bem seco, -quando chegar a hora.

Suspirei. Estava cansado. Já bastava todo o desgaste da nossa briga. -Desculpe ter batido em você. Eu não devia ter feito aquilo. Sinto muito.

-Meu anjo... bufou. -A única pergunta que interessa você não fez.

Fechei os olhos. O fato de ele sempre saber o que se passava na minha cabeça era bem irritante. -Enfim, isso não muda o fato de você estar guardando segredos.-Com segredos a gente consegue lidar; com traição, não.

Esfreguei a testa, sentindo uma dor de cabeça repentina.

-Isso é verdade.Você é o único pra mim, bebê . Sua voz parecia firme e resoluta.

Senti um tremor pelo corpo ao notar a fúria latente em suas palavras. Ele ainda estava furioso por ter sua fidelidade questionada. Mas eu também estava furioso. -Espero você às cinco.

Ele foi pontual, como sempre. Enquanto punha meu computador em modo de espera e pegava minhas coisas, Jimin conversava com Tae a respeito da campanha publicitária da Kingsman. Eu o espiava de vez em quando. Jimin tinha uma postura imponente, com seu terno escuro e uma silhueta magra e musculosa, e projetava uma imagem de tranquilidade imperturbável, apesar de eu já tê-lo visto em momentos de muita vulnerabilidade.

O homem por quem eu estava apaixonadao era aquele, carinhoso e profundamente emotivo. O que eu detestava era aquela fachada, suas tentativas de se esconder de mim.

Ele se virou e viu que eu o estava observando. Consegui encontrar vestígios do meu amado Park em seus olhos , que por um momento transmitiram um apelo de desejo incontrolável. Em um instante, porém, sua máscara de frieza reapareceu. -Está pronto?

Era mais do que óbvio que ele estava escondendo alguma coisa, e o fato de haver tamanha distância entre nós era insuportável. Em determinados pontos, ele não confiava em mim.

Quando passamos pela recepção, Megumi apoiou o queixo na mão e soltou um suspiro dramático.

-Ela está gamadinha em você, Park, murmurei enquanto saíamos e ele chamava o elevador.

-Até parece, ele esnobou. -O que ela sabe sobre mim?

-Fiquei fazendo essa pergunta a mim mesmo hoje o dia todo, respondi em voz baixa.

Dessa vez, tive certeza de que ele sentiu o golpe.
O dr. Lyle Petersen era um homem alto, com cabelos grisalhos bem cortados e olhos azuis ao mesmo tempo amistosos e incisivos. Seu consultório era decorado com muito bom gosto, em tons neutros, e a mobília era extremamente confortável, algo que eu fazia questão de notar toda vez que ia até lá. Ainda não estava acostumado com a ideia de que ele era meu terapeuta. Meu contato com ele se dava apenas através da minha mãe, que era sua paciente fazia uns dois anos.

O dr. Petersen se instalou em sua poltrona de costas altas diante do sofá em que Jimin e eu nos sentamos. Seu olhar afiado se alternou entre nós dois, certamente notando que estávamos mantendo certa distância e adotando uma postura defensiva. No trajeto de carro até lá havíamos nos comportado da mesma maneira.

Ele abriu a capa protetora de seu tablet, apanhou a caneta e perguntou:
-Vamos começar falando da causa dessa tensão entre vocês?

Esperei um pouco para dar a Jimin a chance de falar primeiro, mas não me surpreendi ao constatar que ele não tomaria a iniciativa. -Bom, nas últimas vinte e quatro horas conheci a noiva que nem sabia que Jimin tinha...

-Ex-noiva, ele rugiu.

-... descobri que ele só namorava morenas por causa dela...

-Não era namoro.

-... e a vi saindo do escritório dele nesse estado..., completei, sacando o celular.

-Ela estava saindo do prédio, Jimin fez questão de dizer, -não do meu escritório.

Abri a fotografia que tinha tirado e entreguei o telefone para o dr.Petersen. -E entrando no seu carro, JIMIN!”

-Angus disse no caminho pra cá que ofereceu uma carona pra ela por educação.

-Como se ele fosse dizer outra coisa!, rebati. -Ele é seu motorista desde que você era criança. Claro que ia te acobertar.

-Ah, então a coisa agora virou uma conspiração?O que ele estava fazendo lá, então?, eu o desafiei.

-Era horário de almoço.

-E onde você foi almoçar? Posso conferir se você estava lá e ela não, e a gente resolve de vez esse assunto.

Gideon cerrou os dentes. -Eu já disse. Apareceu um compromisso de última hora. Acabei não indo almoçar.

-Esse compromisso era com quem?

-Não era com Corinne.

-Isso não é resposta! Eu me virei para o dr. Petersen, que devolveu meu telefone com toda a tranquilidade do mundo. -Subi até o escritório dele pra perguntar o que estava acontecendo e o encontrei saindo do chuveiro, quase sem roupa, com o sofá fora do lugar e almofadas jogadas no chão...

-Era só uma almofada!

-E havia uma mancha de batom vermelho na camisa dele.

-O edifício Park's é sede de mais de vinte empresas, Jimin disse com frieza. -Ela pode ter ido visitar qualquer uma delas.

-Ah, sim, respondi num tom carregado de sarcasmo.
-Claro.

-Não teria sido mais fácil levá-la ao hotel?

Respirei fundo, sentindo-me tonto. -Você ainda não desocupou aquele quarto?

A máscara caiu de seu rosto, revelando sinais de pânico. A confirmação de que ele ainda tinha seu matadouro — um quarto de hotel usado exclusivamente para trepar, um lugar ao qual eu jamais voltaria — me atingiu como um soco no estômago, fazendo uma pontada de dor se espalhar pelo meu peito. Deixei escapar um gemido e fechei os olhos.

-Vamos com calma, interveio o dr. Petersen, fazendo algumas anotações rápidas. -Precisamos voltar para o começo. Senhor Park, por que você não contou para ele sobre Corinne?

-Minha intenção era contar, ele respondeu, resoluto.

-Ele nunca me conta nada, eu disse baixinho.
Por que ele ainda mantinha aquele quarto? A única explicação era que pretendia usá-lo com alguém que não fosse eu.

-Sobre o que vocês costumam conversar?, questionou o dr. Petersen, dirigindo-se a nós dois.

-A maior parte do tempo eu estou me desculpando, resmungou Jimin. O dr. Petersen o encarou. -Por quê?

-Por tudo. Ele passou a mão pelos cabelos.

-Você acha que Yoongi exige demais de você?

Senti que Jimin estava virado para mim. -Não. Ele nunca me pede nada.

-A não ser a verdade, corrigi, virando-me para ele.

Os olhos dele brilhavam, fazendo minha pulsação acelerar. -Nunca menti pra você.

-Você quer que ele peça alguma coisa, Jimin?, perguntou o dr. Petersen.

Park franziu a testa.

-Pense nisso. Depois voltamos a esse assunto. O dr. Petersen voltou sua atenção para mim. -Essa fotografia me deixou intrigado, Yoongi. Você se deparou com uma circunstância que a maioria das pessoas considera profundamente desgastante...

-Não houve circunstância nenhuma, Jimin reafirmou sem se alterar.

-Houve a percepção de uma circunstância, especificou o dr. Petersen.

-Uma percepção claramente ridícula, considerando nossa relação.

-Certo. Vamos falar sobre isso, então. Quantas vezes por semana vocês fazem sexo? Em média.

Fiquei vermelhao. Olhei para jimin, que retribuiu meu olhar com um sorrisinho malicioso.

-Humm...Contorci os lábios. -Muitas.

-Todos os dias?O dr. Petersen ergueu as sobrancelhas quando me viu descruzar e cruzar de novo as pernas, concordando com a cabeça. -Várias vezes por dia?

Jimin entrou na conversa: -Em média.

O dr. Petersen largou o tablet no colo e olhou para Gideon. -E esse nível de atividade sexual é seu padrão?

-Nada no meu relacionamento com yoongi está dentro dos meus padrões,doutor.

-Com que frequência você fazia sexo antes de se envolver com o Min?

Jimin cerrou os dentes e se virou para mim.

-Pode falar, incentivei, apesar de saber que não gostaria de responder a essa mesma pergunta na frente dele.

Ele estendeu a mão, diminuindo a distância entre nós. Pus minha mão sobre a dele e gostei de sentir seu aperto reconfortante. -Duas vezes por semana, ele disse com firmeza. -Em média.

Fiz uma conta rápida de cabeça para tentar determinar a quantidade de mulheres. A mão que estava no meu colo se fechou.
O dr. Petersen se recostou na poltrona. -Yoongi manifestou preocupações de infidelidade e falta de comunicação no seu relacionamento. O sexo costuma ser usado como uma forma de resolver os desentendimentos?

Jimin ergueu as sobrancelhas. -Antes que você venha me dizer que Min está sendo vítima da minha libido desmedida, saiba que ele toma a iniciativa tanto quanto eu. Se alguém aqui precisa se preocupar com a viabilidade de manter o ritmo, esse alguém sou eu, por causa das especificidades da anatomia masculina.

O dr. Petersen me olhou, à espera de uma confirmação.

-A maioria das interações entre nós termina em sexo, concordei, inclusive as brigas.

-Antes ou depois de o conflito ser considerado superado por ambas as partes?

Soltei um suspiro. -Antes.

Ele pegou a caneta e começou a escrever na tela sensível ao toque. Já havia material para um romance inteiro depois de tudo o que tinha sido dito ali.
-Seu relacionamento tem esse caráter altamente sexualizado desde o início?, ele perguntou.

Concordei com a cabeça, mesmo sabendo que ele não estava olhando.
-Sentimos uma atração muito forte um pelo outro.

-Claro. Ele tirou os olhos da tela e abriu um sorriso simpático. -Ainda assim, gostaria de discutir a possibilidade de abstinência enquanto...

-Fora de questão, interrompeu Jimin. -Se for assim, é melhor nem começar. Sugiro que a gente se concentre nas coisas que não estão dando certo, em vez de eliminar uma das poucas que estão.

-Não sei se está funcionando tão bem assim, Senhor, disse o dr. Petersen. -Não como deveria.

-Doutor... Jimin apoiou um dos tornozelos sobre o joelho e se recostou no assento em uma postura de quem estava irredutível. -O único jeito de me fazer resistir a ele é me matando. Tente encontrar outra maneira de fazer a gente dar certo.

-Essa coisa de terapia é uma novidade pra mim, Jimin disse mais tarde, a caminho de casa no Bentley. -Então não sei bem como avaliar, mas foi mesmo o desastre que pareceu ser?

-Poderia ter sido melhor, respondi, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. Eu estava exausto. Cansado demais até para pensar em fazer a aula de
krav maga das oito. -Só quero tomar um banho e ir pra minha cama.

-Tenho umas coisas pra resolver antes de encerrar meu dia.

-Tudo bem. Bocejei. -Por que você não faz o que precisa e a gente se fala amanhã?

Minha sugestão foi seguida de um silêncio absoluto. Pouco depois, o clima ficou tão tenso que eu não tive escolha a não ser abrir os olhos, erguer a cabeça e me virar para ele.
Jimin estava me encarando, com os lábios contorcidos de frustração.

-Você está me dispensando.

-Não, eu só...

-Não o cacete! Você já me julgou e me condenou, agora está me dando um pé na bunda.

-Estou morto de cansaço, Jimin! Tenho os meus limites. Preciso de uma noite de sono e...

-Eu preciso de você, ele interrompeu. -O que mais tenho que fazer pra você acreditar em mim?

-Não acho que você tenha me traído. Tá bom? Por mais que a coisa pareça suspeita, não consigo acreditar que você faria isso. São os segredos que estão me incomodando. Estou me doando totalmente para as coisas darem certo, mas você...

-Acha que não estou?Ele se remexeu no assento, posicionando uma das pernas em cima do banco para ficar de frente para mim. -Nunca me esforcei
tanto pra uma coisa dar certo na minha vida como agora.

-Você não tem que fazer esse esforço por mim. Faça por você mesmo.

-Não me venha com esse papo furado! Eu não precisaria me esforçar tanto pra me relacionar com outra pessoa qualquer.

Soltando um gemido baixinho, recostei a cabeça no assento e fechei os olhos de novo. -Estou cansado de brigar, chim. Só quero um pouco de paz por uma noite. Estou meio fora do ar o dia todo.

-Você está doente?Ele chegou mais perto, agarrando com delicadeza minha nuca e beijando minha testa.
-Não parece estar com febre. É o estômago?

Respirei bem perto dele, absorvendo o cheiro delicioso de sua pele. A vontade de descansar meu rosto em seu pescoço era quase insuportável.
-Não.Foi quando me dei conta. Soltei um gemido.

-O que foi?Ele me puxou para seu colo, abraçando-me bem forte. -O que foi? Quer ir ao médico?

É mal estar, murmurei, sem querer que Angus ouvisse .Não é à toa que estou tão cansado e nervoso.

Ele ficou imóvel. Depois de alguns segundos, levantei a cabeça à procura de seu rosto.
Jimin tirou os fios de cabelos soltos sobre minha têmpora, deixando seus próprios cabelos caírem sobre o rosto. -Talvez, se eu tiver mais um pouco de sorte, amanhã você já vai estar melhor e vai voltar a gostar de mim.

Ai, meu Deus. Senti um aperto no coração. -Ainda gosto de você, Jimin.Só não gosto dos seus segredos. Vão acabar com a gente.

-Não deixe isso acontecer, ele murmurou, acariciando o contorno das minhas sobrancelhas com a ponta do dedo. -Confie em mim.

-Você vai ter que confiar em mim também.

Ele me abraçou e me beijou bem de leve na boca. -Quer saber de uma coisa, meu anjo?, ele sussurrou. -Não existe ninguém em quem eu confie mais.

Enfiei os braços por baixo de seu paletó e o abracei, sentindo o calor de seu corpo esguio e rígido. A preocupação com o fato de que estávamos começando a nos afastar um do outro era inevitável.

Jimin aproveitou a ocasião para enfiar a língua na minha boca, provocando a minha com suas lambidas aveludadas. Sem a menor pressa. Eu queria um contato ainda mais íntimo, precisava de mais. Muito mais. Lamentava o fato de que, em termos emocionais, tinha muito pouco acesso a ele.

Ele gemeu dentro da minha boca, um som erótico de prazer que reverberou dentro de mim. Virando a cabeça, colou seus lábios lindamente esculpidos aos meus. O beijo foi se tornando mais profundo, as línguas foram se encontrando, nossa respiração foi se acelerando.
A mão sobre a minha nuca me puxou mais para perto dele. A outra se enfiou por dentro da minha blusa, acariciando minha coluna com sua superfície morna. Seus dedos se flexionaram, mantendo um toque suave mesmo quando o beijo esquentou. Eu me arqueei em direção à sua carícia, sentindo a necessidade de seu toque contra a minha pele.

-Jimin...
Pela primeira vez, nossa proximidade física não era suficiente para aplacar o desejo desesperado que pulsava dentro de mim.

-Shh, ele me acalmou. -Estou aqui. Não vou a lugar nenhum.

Fechei os olhos e me aninhei no pescoço dele, perguntando a mim mesmo se seríamos teimosos a ponto de insistir quando tudo parecia dizer que era melhor deixar para lá.

🥀🥀🥀


Notas Finais


e ai gostaram? Desculpa demora.. e até a prox semana (ou talvez antes) bjos!!


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