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História Todo Seu (Yoonmin) - Capítulo 39


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Notas do Autor


ooi , Boa leitura !📖

Capítulo 39 - A verdade


🌻🌻🌻


Quando cheguei à minha mesa, havia uma mensagem de voz de Christopher. Fiquei em dúvida por um momento se continuava ou não minha investigação particular. Afinal, ele não era uma pessoa que eu queria que fizesse parte da minha vida.

Por outro lado, estava abalado pelo olhar que vira no rosto de Jimin quando me contara sobre seu passado, e o tom de sua voz, embargada pela vergonha e pelo sofrimento.

Senti sua dor como se fosse minha.
Na verdade, eu não tinha escolha. Liguei para Christopher e o convidei para almoçar.

-Almoçar com um lindo rapaz?
A satisfação era perceptível em sua voz.

-Com certeza.

-Qualquer dia da semana pra mim está ótimo.

-Que tal hoje mesmo?
Ele sugeriu. -Vira e mexe sinto vontade de voltar àquela delicatéssen onde você me levou daquela vez.

-Por mim tudo bem. Pode ser ao meio-dia?

Eu tinha acabado de desligar quando Bob apareceu na minha baia. Ele fez cara de cachorro sem dono e disse:
-Me ajuda.
Abri um sorriso. -Claro.

As duas horas seguintes passaram voando. Quando deu meio-dia, desci e encontrei Christopher à minha espera no saguão. Seus cabelos castanhos estavam propositalmente bagunçados e seus olhos verdes brilhavam. Com sua calça preta e uma camisa branca com as mangas dobradas, era um homem confiante e atraente. Ele me cumprimentou com seu sorriso de menino, e foi então que me dei conta: eu não poderia questioná-lo sobre o que tinha dito para sua mãe tanto tempo atrás. Era só uma criança, e ainda por cima criada em um lar disfuncional.

-Fiquei feliz por você ter me ligado.
Ele comentou. -Mas tenho que admitir que estou curioso pra saber o motivo. Será que tem alguma coisa a ver com
Jimin ter reatado com Corinne?”

Aquilo me magoou. Tive que respirar fundo e soltar minha tensão com um suspiro. Eu sabia da verdade. Não tinha nenhuma dúvida. Mas também queria poder afirmar isso publicamente. Queria poder tomar posse dele, fazer com que todo mundo soubesse que ele era meu.

-Por que você odeia tanto Jimin?
Perguntei, abrindo caminho na frente dele pela porta giratória. Um trovão retumbou à distância, mas a chuva quente e constante havia passado, deixando as ruas da cidade banhadas em água suja.

Ele se juntou a mim na calçada e pôs a mão sobre a base da minha coluna.

Senti um calafrio de repulsa. -Por quê? Você quer falar disso?

-Claro. Por que não?

Ao final do almoço, eu já tinha uma boa ideia do que alimentava o ódio de Christopher. Seu verdadeiro problema era com o homem que ele via no espelho. Jimin era mais bonito, mais rico, mais poderoso, mais confiante... mais tudo. E Christopher obviamente se remoía de inveja. Suas lembranças eram permeadas pela ideia de que seu meio-irmão monopolizava a atenção de todos quando eram crianças. O que poderia até ser verdade, considerando como Jimin era problemático. E, para piorar, a rivalidade fraternal invadiu o terreno profissional quando as Indústrias Park's assumiram o controle da Vidal Records. Eu precisava perguntar para Jimin por que havia feito aquilo.

Paramos na frente da empresa para nos despedir. Um táxi passou acelerado por cima de uma poça enorme e lançou um jato d’água diretamente na minha direção. Xingando baixinho, eu me esquivei para não me molhar e quase tropecei em Christopher.

-Gostaria de encontrar você outra vez, Yoongi. Te levar pra jantar algum dia, quem sabe.

-A gente vai se falando.
Despistei. -Meu colega de apartamento está bem doente e precisa de mim por perto o máximo possível.

-Bom, você tem meu telefone.
Ele sorriu e beijou minha mão, um gesto que certamente considerava um charme. -E eu tenho o seu.

Passei pela porta giratória do prédio e me dirigi para as catracas.

Um dos seguranças de terno preto me deteve. -Senhor Min.
Ele sorriu. 'Poderia me acompanhar, por gentileza?

Curioso, eu o segui até a sala de segurança onde tinha pegado meu crachá de funcionário quando fora contratado. Ele abriu a porta para mim e Jimin estava lá dentro à minha espera.

Encostado na escrivaninha com os braços cruzados, ele estava lindo, gostoso e deliciosamente divertido. A porta se fechou atrás de mim e ele suspirou, sacudindo a cabeça.

-Quantas pessoas você ainda vai interrogar por minha causa?.
Perguntou.

-Você está me espionando de novo?

-A expressão certa é ‘tomando precauções’.

Ergui uma das sobrancelhas. -Como você sabe se eu o interroguei ou não?

Seu sorriso se abriu ainda mais. -Eu simplesmente sei.

-Bom, não foi esse o caso. De verdade. Não mesmo.
Afirmei diante de seu olhar de descrença. -Eu ia fazer isso, mas mudei de ideia. E por que a gente está nesta sala?

-Você está envolvido em algum tipo de cruzada, meu anjo?

Estávamos tendo uma conversa cheia de dedos, e eu não sabia muito bem por quê. Nem me importava com isso, pois logo algo muito mais relevante chamou minha atenção.
-Você percebeu que sua reação ao meu almoço com Christopher foi bem tranquila? Assim como minha reação às suas saídas com Corinne? Estamos agindo de uma maneira bem diferente de um mês atrás.

Ele estava diferente. Jimin sorriu, e aquele gesto denotava algo bem peculiar. -Confiamos um no outro, Baby. E isso é bom, não é?

-Mas a confiança não significa que eu esteja menos perplexo com o que está acontecendo entre nós. Por que estamos escondidos nesta sala?

-Para todos os efeitos, não estamos aqui.
Jimin levantou e foi até mim. Pegando meu rosto entre as mãos, levantou minha cabeça e me beijou de levinho. -Eu te amo.

-Você está ficando bom nisso.

Ele passou os dedos pelos meus cabelos recém-cortados.
-Lembra aquela noite em que você teve o pesadelo? Você quis saber onde eu estava.

-E ainda quero.

-Eu estava no hotel, desocupando aquele quarto. Meu matadouro, como você diz. Contar isso enquanto você vomitava até virar o estômago do avesso não me pareceu uma boa ideia.

Quase perdi o fôlego. Foi um alívio saber onde ele estava. E um alívio ainda maior saber que o matadouro não existia mais.
Ele me olhou com uma expressão de ternura no rosto. -Eu tinha esquecido completamente aquele quarto, até aquele dia no doutor Petersen. Nós dois sabemos que eu nunca mais vou precisar dele. Meu garoto não gosta muito de camas, prefere transar em veículos em movimento.

Ele sorriu e saiu da sala. Fiquei ali parado, vendo-o se afastar.

O segurança apareceu na porta, e eu deixei meus pensamentos de lado para voltar a eles mais tarde, quando tivesse tempo de compreender aonde Jimin estava querendo chegar.

No caminho para casa, comprei uma garrafa de sidra sem álcool para celebrar como se fosse champanhe. Vi o Bentley de Jimin aqui e ali, seguindo-me, sempre pronto para estacionar e me oferecer uma carona. Aquilo costumava me irritar, pois transmitia uma sensação ambígua e confusa em relação a meu rompimento com Jimin. Mas, naquele momento, só era capaz de me fazer sorrir.

O dr. Petersen estava certo. A abstinência e a separação serviram para desanuviar minha cabeça. Por algum motivo, a distância entre mim e Jimin nos fortaleceu, ensinou-nos a dar mais valor um ao outro e fez com que percebêssemos como seria nossa vida se não estivéssemos juntos. Eu o amava mais do que nunca e me sentia assim em uma noite em que pretendia ficar em casa com Hoseok, sem saber onde Park estaria. Isso não importava. Eu sabia que estaria em seus pensamentos, em seu coração.

Meu celular tocou e o tirei do bolso. Vi o nome da minha mãe na tela e fui logo dizendo: -Oi, mãe!

-Não entendo o que eles querem!
Ela reclamou, parecendo estar furiosa e beirando as lágrimas. - Eles não me deixam em paz! Foram até na empresa do meu ficante hoje e tiraram cópias de todas as fitas do sistema de segurança.

-Os detetives?

-Sim. Eles não dão um sossego. O que estão querendo?

Virei a esquina e cheguei à rua de casa. -Pegar um assassino. Devem querer saber quando Nathan apareceu por lá a sua procura. Pra fazer uma cronologia ou coisa do tipo.

-Isso não tem o menor cabimento!

-Na verdade é só um palpite. Mas não se preocupe. Eles não vão encontrar nada, porque você é inocente. Vai ficar tudo bem.

-Eu estou sendo exemplar nessa situação, filho.
Ela disse baixinho.

Suspirei ao notar em seu tom de voz que ela estava querendo se justificar para mim. -Eu sei, mãe. Entendo. E papai também. Seu lugar é ao lado dele.Ninguém está julgando você. Está tudo certo.

Ela só se acalmou quando eu já estava na porta do meu apartamento. Enquanto isso tentei imaginar o que os detetives encontrariam caso copiassem as fitas do sistema de segurança da empresa . A história do meu relacionamento com Jimin podia ser rastreada a partir do número de vezes em que estive com ele no hall de entrada da sede das Indústrias Park's . A primeira vez que ele deu em cima de mim foi ali, deixando bem claro seu desejo. Foi ali também que me prensou contra a parede, logo depois que concordei em não sair com mais ninguém além dele. E, quando ele rejeitou meu toque e deu início ao nosso terrível período de separação, também estávamos lá. Os detetives encontrariam todos esses momentos íntimos e pessoais naquelas fitas se as examinassem com o devido cuidado.

-Me ligue se precisar de alguma coisa.
Eu disse enquanto largava minhas coisas e a mala no balcão. -Vou ficar em casa hoje à noite.

Desliguei e vi uma capa de chuva que não conhecia sobre um dos banquinhos. Dei um grito para Hoseok: -Querido, cheguei!

Pus a garrafa de sidra na geladeira e fui até meu quarto tomar um banho. Estava quase lá quando a porta do quarto de Hobi se abriu e Tatiana saiu. Meus olhos se arregalaram quando vi sua fantasia de enfermeira, cheia de rendas e material transparente.

-Oi, querido.
Ela disse, toda arrogante. Parecia altíssima em cima dos saltos, olhando-me de cima a baixo. Tatiana Cherlin era uma modelo de sucesso, com um rosto e um corpo de parar o trânsito. -Cuide dele por mim.

Ainda surpreso, observei aquela loira de pernas compridas desaparecer na sala. Pouco depois ouvi a porta da frente sendo fechada.

Hoseok apareceu na porta do quarto, todo vermelho e descabelado, usando apenas uma cueca boxer. Ele se apoiou no batente e abriu um sorriso preguiçoso e satisfeito. -Oi.

-Oi. Pelo jeito você teve um dia bem produtivo.

-E como.

Sua resposta me fez sorrir. -Sem querer me meter muito, mas pensei que você e Tatiana tinham terminado.

-Não sabia nem que tínhamos começado.
Ele passou uma das mãos pelos cabelos para arrumá-los.
-Aí ela apareceu hoje toda preocupada, pedindo mil desculpas. Estava em Praga e só ficou sabendo de tudo hoje. Apareceu vestida daquele jeito, como se tivesse lido meus pensamentos pervertidos.

Apoiei-me no batente da porta também. -Pelo jeito ela te conhece muito bem.

-Acho que sim.
Ele encolheu os ombros. -Vamos ver no que vai dar. Ela sabe do meu envolvimento com Namjoon e não tem nada contra. Já ele... Sei que não vai gostar nada disso.

Lamentei pelos dois. Se quisessem ter um relacionamento saudável, teriam muito trabalho pela frente. -Que tal esquecer nossos respectivos e encarar uma maratona de filmes de ação? Trouxe sidra sem álcool pra gente beber.

Ele ergueu as sobrancelhas. -E que graça tem isso?

-Como se você não soubesse que não pode beber por causa dos remédios.

Comentei com ironia.

-E sua aula de krav maga?

-Amanhã eu vou. Estou a fim de ficar aqui com você hoje. Deitar no sofá, comer pizza com pauzinhos e comida chinesa com as mãos.

-Você é um rebelde mesmo, gato.
Ele sorriu. -E já tem programa pra hoje à noite.


*

Jungkook caiu no tatame soltando um gemido, e eu gritei de empolgação por minha tentativa bem-sucedida.

-Isso!

Eu disse com o punho cerrado. Derrubar um cara pesado como ele não era coisa pouca. Devo ter demorado mais tempo que o necessário para encontrar a posição ideal para fazer a alavanca, por causa da minha dificuldade de concentração nas últimas semanas.

Não havia equilíbrio na minha vida quando meu relacionamento com Jimin estava abalado.

Aos risos, Kook estendeu a mão para que eu o ajudasse a levantar. Agarrei seu antebraço e o puxei para ficar de pé.

-Bom. Muito bom.
Ele elogiou. -Hoje você está com tudo.

-Obrigado. Vamos tentar de novo.

-Tire uns dez minutinhos pra descansar e se hidratar.
Ele recomendou. -Preciso falar com Jackson antes que ele vá embora.

Jackson era um dos instrutores que trabalhavam com Jungkook , um sujeito enorme que os alunos precisavam escalar antes de tentar derrubar. Eu não imaginava que seria capaz de lidar com um agressor do tamanho dele, mas já tinha visto algumas mulheres bem baixinhas na turma dele.

Peguei minha toalha e minha água e fui em direção à arquibancada de alumínio junto à parede. Senti minhas pernas fraquejaram ao dar de cara com uma visita nada agradável que tinha recebido pouco tempo antes no meu apartamento. Mas a detetive Graves não parecia estar a trabalho. Usava uma camiseta esportiva, calça de ginástica e tênis de corrida, e seus cabelos escuros e encaracolados estavam presos em um rabo de cavalo.

Como ela tinha acabado de entrar e a porta ficava bem perto da arquibancada, eu andava na direção dela. Fiz de tudo para parecer à vontade, mas estava bem longe disso.

-Senhor Min .
Ela cumprimentou. -Quem diria que eu ia encontrar você aqui! Faz aula com Jeon há muito tempo?

-Mais ou menos um mês. Legal encontrar você aqui, detetive.

-Até parece.
Ela deu um sorriso irônico. - Mas talvez você mude de ideia depois de uma conversinha.

Franzi a testa, confuso com aquele tom misterioso. Mas de uma coisa eu sabia: - Não posso falar com você sem a presença do meu advogado.

Ela abriu os braços. -Estou de folga. E, de qualquer forma, você não precisa dizer nada, só ouvir.

Graves apontou para a arquibancada, e eu hesitei um pouco antes de me sentar. Tinha razões de sobra para estar desconfiado.

-Que tal subir mais um pouco?

Ela foi até o último degrau, e eu me levantei e fui atrás.

Quando nos instalamos lá em cima, a detetive apoiou os antebraços sobre os joelhos e olhou para os alunos lá embaixo. -Isto aqui é bem diferente à noite. Geralmente faço aula de dia. Tinha decidido comigo mesma que, se algum dia encontrasse você quando estivesse fora de serviço, teríamos uma conversa. As chances de isso acontecer eram mínimas, mas, veja só, aqui estamos nós. Deve ser um sinal.

Aquela conversa toda não estava colando. -Você não parece ser do tipo que acredita em sinais.

- Isso é verdade, mas vou abrir uma exceção neste caso. Ela contorceu os lábios por um instante, como se estivesse escolhendo as palavras. Depois olhou para mim. -Acho que foi seu namorado que matou Nathan Barker.

Fiquei paralisado, visivelmente sem fôlego.

-Mas nunca vou conseguir provar isso.
Ela completou, bem séria. -Ele foi muito cauteloso. Muito metódico. A coisa toda foi cuidadosamente premeditada. A partir do momento em que decidiu matar Nathan Barker, Park Jimin passou a encenar friamente cada um dos seus passos.

Eu não sabia se ficava ou se saía correndo — nem quais seriam as consequências de uma ou outra decisão. Enquanto eu não tomava uma atitude, ela continuou a falar.
-Acho que tudo começou na segunda após a agressão sofrida por seu amigo. Quando vasculhamos o quarto de hotel em que o corpo de Barker foi descoberto, encontramos várias fotografias. Muitas eram de você, mas também havia fotos de seu amigo.

-De Hoseok?

-Se fosse encaminhar o caso à promotoria, diria que Nathan Barker atacou Jung Hoseok para intimidar e ameaçar Park Jimin. Meu palpite é que Park não estava cedendo à chantagem dele.

Torci a toalha em minhas mãos. Não conseguia suportar a ideia de que Hobi tinha sofrido tudo aquilo por minha causa.

Graves olhou para mim com seu olhar tranquilo e afiado. Olhos de policial. Assim como os do meu pai. -Nesse momento, acho que Park percebeu que você estava correndo sério perigo. E quer saber? Ele estava certo. Pelas provas que coletamos no quarto de Barker, fotos, anotações detalhadas sobre sua rotina, recortes de jornal... e até coisas tiradas do lixo da sua casa. Em geral, quando descobrimos esse tipo de coisa, já é tarde demais.

-Nathan estava me espionando?

Só de pensar senti um tremor violento pelo corpo.

-Ele estava cercando você. A chantagem contra sua mãe e contra Park foi só mais um passo nessa direção. Quando sentiu que Park estava se tornando íntimo demais de você, Barker se sentiu ameaçado. Acho que ele pensou que Park sumiria da sua vida quando descobrisse seu passado.

Pus a toalha na frente da boca, para o caso da minha ânsia de vômito se concretizar.

- O que acho que aconteceu foi o seguinte.

Graves entrelaçou os dedos e parecia estar com a atenção concentrada nas pessoas fazendo exercícios lá embaixo. - Park dispensou você e começou a sair com uma ex. Isso teve dois efeitos: acalmou Barker e eliminou a conexão de Park com o crime. Por que mataria alguém por causa de uma pessoa com quem não tinha mais uma relação? Ele armou tudo muito bem, não contou nem para você. E você reforçou a mentira com seu sofrimento genuíno.

Ela começou a batucar com os pés e com os dedos. Seu corpo esguio exalava energia nervosa. - Park não encomendou o serviço. Seria muita burrice. Ele não queria que o dinheiro fosse rastreado ou que o pistoleiro acabasse confessando tudo se fosse preso. Além disso, era uma questão pessoal. Envolvia você. Ele queria que a ameaça desaparecesse de uma vez por todas. Organizou um evento publicitário de última hora para uma marca de Moda dele. E assim conseguiu seu álibi. A imprensa estava lá e fotografou tudo. E ele sabia que você também teria um álibi incontestável.

Meus dedos se cravaram na toalha. Meu Deus...
As pancadas dos corpos contra o tatame, os gritos das instruções que eram dadas e os gritos de triunfo dos alunos se misturavam ao zumbido constante nos meus ouvidos. Havia um monte de coisas acontecendo diante de mim e meu cérebro não era capaz de processar nada. Parecia que eu estava sendo sugado para um túnel sem fim, e a realidade ia se encolhendo cada vez mais até se tornar apenas um pontinho preto bem distante.

Graves abriu a garrafa d’água e bebeu em grandes goles, depois limpou a boca com as costas da mão.

- Sou obrigada a admitir, o lance da festa me deu trabalho. Como desmontar um álibi como esse? Tive que voltar ao hotel três vezes antes de descobrir que havia acontecido um incêndio na cozinha naquela noite. Nada de grave, mas o hotel inteiro foi evacuado durante uma hora. Os convidados e os hóspedes ficaram esperando na calçada. Park ficou entrando e saindo do prédio, tomando as providências que um dono precisa tomar nessas circunstâncias. Falei com um monte de funcionários, e eles afirmaram que ele estava por perto, mas ninguém sabia precisar o horário. Todos disseram que a situação era caótica. Quem fica olhando no relógio no meio de uma confusão dessas?

Senti que estava sacudindo a cabeça, como se ela estivesse me fazendo uma pergunta.
Ela jogou os ombros para trás. -Cronometrei o tempo da entrada de serviço, onde Park foi visto conversando com os bombeiros, até o hotel onde Barker estava. Quinze minutos a pé. Meia hora no total. Barker foi morto com uma única facada no peito. Bem no coração. A coisa toda não deve ter demorado mais de um minuto. Não foi encontrado nenhum sinal de luta corporal, e o corpo estava bem diante da porta. Meu palpite? Ele abriu a porta para Park e não teve tempo nem de pensar. E adivinha só... O hotel é propriedade de uma subsidiária das Indústrias Park's. E o sistema de câmeras de segurança do edifício estava sendo trocado por um equipamento mais moderno, tinha sido desativado fazia meses.

-Que coincidência.

Comentei com a voz embargada. Meu coração estava a mil. No fundo da minha mente, eu registrava que havia pessoas por perto, cuidando da própria vida normalmente, sem nem desconfiar que alguém ali estava encarando uma situação catastrófica.

-Claro. Por que não?
Graves deu de ombros, mas seus olhos diziam tudo. Ela sabia. Não tinha como provar nada, mas sabia.

-O que me leva à seguinte situação: posso continuar investigando e dedicando meu tempo a esse caso, deixando vários outros se acumularem na minha mesa. Mas por que faria isso? Park não representa perigo para a sociedade. Meu parceiro costuma dizer que nunca se deve fazer justiça com as próprias mãos. E, na maior parte dos casos, concordo com ele. Só que Nathan Barker ia matar você. Talvez não no próximo mês. Talvez não no próximo ano. Mas um dia, com certeza.

Ela levantou, ajeitou a calça, pegou a água e a toalha e ignorou o fato de eu estar chorando e soluçando incontrolavelmente.
Jimin... Escondi meu rosto com a toalha.

-Queimei todas as minhas anotações.
Ela continuou. -Meu parceiro também concorda que chegamos a um beco sem saída. Ninguém se deu ao trabalho de pedir justiça para Nathan Barker. O pai dele me disse que considerava o filho um homem morto fazia tempo.

Olhei para ela e pisquei para tirar a névoa de lágrimas da frente dos olhos.
-Não sei o que dizer.

-Você terminou tudo com ele no dia seguinte à nossa visita à sua casa, não foi?

Acenei a cabeça, e ela fez o mesmo. - Park estava na delegacia prestando depoimento. Ele saiu da sala, mas dava para vê-lo através da janela. Um sofrimento como aquele eu só costumo ver quando notifico os parentes de vítimas de assassinato. Sendo bem sincera, foi por isso que resolvi contar tudo isso agora...Para você poder voltar pra ele.

-Obrigado.

Foi o agradecimento mais sincero de toda a minha vida.

Ela acenou com a cabeça e começou a descer a arquibancada, mas de repente se deteve e virou para mim: -Não é a mim que você tem que agradecer.

*
De alguma forma, fui parar no apartamento de Jimin.

Não me lembro de ter saído da academia, nem de ter dito a Clancy para me levar até lá. Também não me recordo de ter me identificado na portaria ou de ter pego o elevador. Quando me vi no hall privativo diante da porta de seu apartamento, tive que parar por um momento para pensar em como havia saído da arquibancada e ido parar ali.
Toquei a campainha e esperei. Como ninguém atendeu, desabei no chão e me apoiei contra a porta.
Foi lá que Jimin me encontrou. A porta do elevador se abriu e ele apareceu, parando subitamente ao me ver. Estava usando suas roupas de ginástica, com os cabelos ainda molhados de suor. Nunca esteve tão lindo.

Jimin se limitou a me encarar, imóvel, então expliquei:
-Não tenho mais a chave daqui.

Não levantei porque sabia que minhas pernas fraquejariam.
Ele se agachou. - Anjo? O que aconteceu?

-Encontrei por acaso com a detetive Graves.
Engoli em seco, sentindo um nó na garganta. -Eles vão arquivar o caso.

Seu peito se expandiu em um suspiro profundo.

Ao ouvir aquilo, tive certeza.
O desolamento era visível nos lindos olhos de Jimin. Ele sabia que eu tinha descoberto tudo. A verdade pairava no ar entre nós de forma quase palpável.

Eu mataria por você. Abriria mão de tudo o que tenho... mas não desistiria de você. 


Jimin caiu de joelhos no chão gelado de mármore. Ele baixou a cabeça. Estava esperando que eu me pronunciasse.

Eu me ajoelhei diante dele e levantei seu queixo. Acariciei seu rosto com as mãos e a boca. Minha gratidão se fez sentir na sua pele: Obrigado... obrigado... obrigado...

Ele me abraçou com força e enterrou o rosto no meu pescoço. -E agora, vamos fazer o quê?

Eu o apertei junto a mim.

- O que for preciso pra ficarmos juntos.


🥀🥀🥀

Não é o fim. É  apenas o recomeço. 


Notas Finais


Joguei a bomba e sai correndo kkkkk.

Meninas que babado esse ultimo cap dessa temporada..

Proxima semana 3° Temporada amores.

Espero que tenham gostado e que eu tenha respondido as duvidas ai .
Bjos !! Quero comentários por favor me mimem.


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