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História Todos Caminhos me Levam a Você - Capítulo 18


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Capítulo 18 - Capítulo 18


No dia seguinte, Adrien chega a Los Angeles com Mary Anne e Charlotte, assim como havia pedido à Guinevere. Não foi surpresa para sua família, pois ele já tinha explicado toda a situação por telefone. Depois de apresentá-la para seus pais e irmãos, Adrien decide encontrar com Hei antes de descansar. Charlotte pede para ir junto então ele a leva, assim já poderia apresentar sua noiva para o irmão. Geralmente Mary Anne quem dirige o carro para ele, mas como haviam viajado por quase doze horas, Adrien preferiu que Javier os levasse.

Os três entram no carro, Mary Anne vai na frente com Javier e Adrien atrás com Charlotte. Durante todo o trajeto os dois conversavam em francês e tanto Javier como Mary Anne não entendiam uma palavra sequer, mas o motorista sorriu ao ver a expressão feliz e animada no rosto de seu patrão. Já Mary Anne estava cada vez mais incomodada com a presença de Charlotte e a interferência que ela causava em seus planos de reconquistar Adrien.

Desde o dia que Scarlet foi seguida, Hei não tem voltado para casa. Como ele estava envolvido diretamente nas mortes e chacinas pela cidade, preferiu não voltar para casa e correr o risco de ser seguido pela polícia. Mas desde então, está muito atento ao se locomover, sempre observando se tem alguém o seguindo e até mesmo tomando medidas de precaução adiantadas. Ele tem ficado em um dos apartamentos vagos no condomínio que Hannah mora com seus subordinados, pois era o local mais próximo ao barracão.

Adrien havia ligado antes de sair de casa para combinarem um local de encontro, também não podia ser visto entrando no barracão, ainda mais com o carro da família. Javier entra no condomínio, deixa o carro estacionado e aguarda no térreo enquanto Adrien, Charlotte e Mary Anne sobem para o encontro. Hei aguarda com os cinco amigos no apartamento de Hannah, por ser na cobertura e ser o maior. Adrien apresenta Charlotte para todos, Alysson mata um pouco da saudade que estava de Mary Anne, Hei deixa Adrien a par de algumas novidades.

-Ei Adrien, tudo tranquilo falar essas coisas na frente da tua noiva? -James pergunta um pouco receoso.

-Sim. Não tem problema, ela está do meu lado.

Charlotte entendia inglês perfeitamente e mesmo que James tentasse ser o mais sutil possível, conseguiu ouvir claramente o conteúdo da conversa. Como Adrien assegurou confiar na garota, todos ficam mais relaxados com a presença dela. Hei já havia informado Adrien sobre o ocorrido com Scarlet.

-Eu não confirmei se era a polícia ou não, mas somente ela foi seguida até o momento. Não vejo quem mais teria motivos para segui-la.

-Você está certo. Também acredito que seja a polícia, eu esperava por isso depois daquele incidente. Não despistá-los foi a melhor escolha. Agora que voltei, eu cuido da polícia. Você continua aqui por mais um tempo até eu resolver esse problema.

Hei concorda acenando com a cabeça. Depois dos assuntos sérios e de trabalho, os amigos colocam o papo em dia, Adrien entrega todos os presentes que comprou para cada um deles.

-Que inveja de você Mary Anne, ir pra Paris. Da próxima vez eu que vou ser a secretária. -Hannah brinca.

-Como que é lá? É tão incrível e romântico que nem nos filmes? -Alysson pergunta para a irmã toda entusiasmada e sonhadora.

-Um dia eu levo todos vocês para conhecer. -Adrien diz antes que Mary Anne possa responder.

-Leva pra trabalhar. Eu quero ir passear e conhecer os castelos, a torre Eiffel. -Hannah diz.

-Ah é? E vai levar quando? -Alysson pergunta debochando junto com Hannah.

-No dia do meu casamento. -Adrien responde de forma natural com um sorriso.

Charlotte olha surpresa para ele, não esperava que Adrien tratasse esse casamento forçado de forma tão espontânea agora que não estavam mais na França, na frente de Guinevere e sob o olhar de tanta gente. Alysson abaixa a cabeça se sentindo culpada por ter feito Adrien dizer aquilo, pois sabia como sua irmã se sentia em relação a ele.

-Por que você disse isso? -Charlotte pergunta em francês.

-Uh? Disse o que? -Adrien responde desentendido.

-Nós não estamos mais na França, você não precisa mais fingir. Essas pessoas não são seus amigos?

-Fingir? Eu não estou fingindo. Nós vamos casar, não é mesmo?

-Mas... Você não precisa fingir que gosta disso.

-Novamente, eu não estou fingindo. Na verdade, até que estou gostando dessa ideia de casamento. Você não? -Ele pergunta com um sorriso.

Charlotte se surpreende mais uma vez. Todos os dias que passaram juntos, desde o jantar, ele a tem tratado de forma amigável, gentil e atencioso. Ela acreditou que era uma farsa para enganar Guinevere e a família, mas agora parece que esteve errada esse tempo todo.  

-Bem... Então esse lance de casamento é pra valer? -Hannah pergunta.

-Sim. Por que todos acham que eu estou brincando ou com segundas intenções? -Ele ri.

-Porque você é... Você! -Hannah responde.

Adrien reflete sobre aquilo, realmente não pode negar que seu comportamento e estilo de vida não condizem com sua rápida aceitação pelo casamento. De certa forma, nem ele podia compreender porque estava tão confortável em casar-se com Charlotte.

-Então vamos comemorar! Não é sempre que nosso amigão aqui entra num relacionamento, certo? -James diz abraçando Adrien.

Hannah indica onde estão guardadas as bebidas em sua casa e James vai buscar um champanhe. Mary Anne levanta e vai até o banheiro, sem dizer nada. Alysson vai atrás da irmã.

-Ei Adrien, vamos fumar um cigarro na sacada? -Hannah diz.

Ele olha para Charlotte, que assente, então se levanta e acompanha Hannah. Hei compreende que Adrien se preocupa em deixá-la sozinha, então se aproxima e começa a conversar com sua futura cunhada. 

-Desde quando você voltou a fumar? -Adrien questiona quando ambos chegam à sacada.

-Só me deu vontade esses dias atrás. -Hannah tira um cigarro da carteira e acende. Depois passa para Adrien.

Ele pega a carteira e ri.

-Mesma marca do Hei? Não me diga que ele tem alguma coisa a ver com isso?

-Não vamos falar de mim. Eu quero saber de você, esse lance de casamento é sério?

-Sim. Na verdade eu não tenho como fugir. Digamos que ela e eu temos interesses em comum. A Charlotte também está em desavença com o clã dela. -Adrien explica.

-Entendo. E quanto a Mary Anne?

-O que tem ela?

-Você sabe! Adrien, você era completamente apaixonado por ela e um dia de repente anunciou que haviam terminado e a internou na reabilitação. Você nunca explicou o que aconteceu entre vocês. Qual é?! Você não sente mais nada por ela? -Hannah questiona seu amigo seriamente.

-Você melhor do que ninguém devia saber que têm assuntos dos quais uma pessoa não gosta de falar. -Adrien diz seco.

Hannah é surpreendida pelo tom usado, mas sente as palavras que ele profere. Sim! Ela entende melhor do que qualquer um, porém isso só a faz acreditar que o que houve entre Adrien e Mary Anne foi algo realmente grave.

-Fazia tanto tempo que eu não fumava, tinha me esquecido como é bom. -Adrien diz se debruçando na sacada.

-Eu sei como é ter algo que não se quer falar. E também sei com é carregar esse fardo. Eu só fico com pena da Mary Anne porque ela ainda gosta de você. E a Charlotte também está entrando nessa roubada sem saber de nada, você não acha que isso é injusto com ela?

-Você tem pena da Mary Anne? -Adrien ri com sarcasmo. -Não tenha pena dela. E quanto a Charlotte, isso não é da sua conta.

Adrien estava irritado e Hannah pôde perceber pelo tom de voz que ele se dirige a ela.

-Você devia cuidar mais dos seus problemas. Por que não começa falando sobre o que aconteceu pra te fazer fumar? -Adrien questiona duramente.

Hannah abaixa a cabeça e fica em silêncio. Adrien percebe que ela está triste, pois a expressão no rosto dela revela sua infelicidade.

-Tem um cara de quem eu gosto, mas não posso ficar com ele. Talvez seja por isso que estou simpatizando com a Mary Anne, porque eu sei como é ver a pessoa que você gosta e não poder... estar com ele.

-Por que você não pode ficar com ele?

-Você sabe o porquê.

-Eu sei. Sinto muito por isso!

-Está tudo bem. Eu já devia estar acostumada com isso é só que... -Hannah se cala.

-Aconteceu alguma coisa? Alguém fez alguma coisa pra você? -Ele pergunta receoso.

-Não! Ninguém me fez nada. Eu que fiz uma merda das grandes e agora estou super arrependida.

Adrien apaga o cigarro e abraça Hannah. Apesar de usar um tom descontraído, ele percebe a tristeza que ela sente. Hannah não consegue conter suas lágrimas de escorrerem pelo rosto, ao ser consolada por Adrien.

-Me desculpe Adrien, eu não queria me meter nos seus assuntos. Você já fez tanto por mim e eu só queria fazer algo por você. Sei que não sou a pessoa mais indicada pra dizer isso, mas se algum dia quiser falar sobre o que aconteceu você pode me procurar.

-Você também. Se quiser falar, eu estou aqui. Eu nunca vou sair do seu lado, Hannah. Não importa o que aconteça, você sempre será minha melhor amiga no mundo todo.

Todos aguardavam na sala e os dois estavam demorando, então Hei foi chamá-los. Ele acaba ouvindo um pouco da conversa e os vê abraçados. Ele cerra os punhos e desiste de interrompê-los, depois volta para a sala e só avisa que os dois já estão voltando. Poucos minutos depois, Hannah e Adrien retornam. James trouxe uma garrafa de champanhe e uma de vinho branco, como Adrien havia instruído antes dele sair pegar as bebidas.

James abre o champanhe e serve as taças, Adrien serve uma com o vinho e passa para Charlotte. Todos brindam ao noivado de Adrien e as vitórias recentes da organização.

-Você está bem com isso? -Alysson pergunta para Mary Anne.

-Na verdade, estou sim. Não vou mentir, ainda amo o Adrien, mas só quero que ele seja feliz.

Alysson não sabe exatamente o que sentir com a resposta de sua irmã. Por um lado estava feliz que Mary Anne estava bem, mas por outro desconfiou se ela estava sendo honesta ou não. Desde que voltou da reabilitação, Mary Anne só falava em voltar com Adrien e agora estava tranquila e serena enquanto eles brindavam ao noivado do rapaz com outra mulher.

Algumas horas depois, Adrien, Charlotte e Mary Anne vão embora. Hannah estava um pouco agitada, queria falar com Hei a sós, mas não conseguia achar uma oportunidade. Dan percebeu e decidiu ajudá-la, chamando os amigos para ir embora.

-Eu vou ajudar a Hannah a arrumar essa bagunça, depois eu vou. -Alysson diz.

-Não precisa. Pode ir, eu me viro depois. -Hannah responde rapidamente.

-Capaz. Eu te ajudo.

Alysson insiste então Dan chega e sussurra no ouvido da amiga.

-Nós estamos atrapalhando. Vamos embora!

Alysson não entende bem a situação, mas decide fazer como Dan sugeriu. Vendo todos se preparando para partir, Hei também decide voltar para seu apartamento.

-Hei! -Hannah o chama. -Você pode ficar mais um pouco? Eu tenho algo pra falar com você.

James e Alex, que estavam junto com Hei, param e ficam esperando. Dan, vendo a total falta de noção de seus amigos, os puxa para fora deixando Hannah e Hei a sós no apartamento dela.

Hei aguarda, como ela pediu, mas não se sente capaz de encará-la nos olhos. Após vê-la nos braços de Adrien e de ter escutado parte da conversa privada entre a garota e seu irmão, Hei não estava nada feliz. Ao contrário disso, se sentia um tanto desolado.

-Vamos sentar. -Hannah diz sem jeito com o clima tenso que paira no ar.

Hei a segue e ambos sentam no sofá, lado a lado.

-Eu sei que já se passaram alguns dias, mas ainda assim preciso dizer: Eu sinto muito!

-Pelo o que? -Hei pergunta inexpressivo.

-Naquela noite, sobre o nosso refém... Eu não confiei em você. Te julguei mal e quase o abandonei.

-Mas não abandonou. Isso já basta para mim. A forma como me julgaram é indiferente para mim, vocês ficaram e é isso o que realmente importa.

Hei diz sério e inexpressivo.

-Se era isso, então...

-Não! Espere. -Hannah o impede de se levantar. -Sobre o que aconteceu depois, entre nós dois... Eu realmente sinto muito, não queria fazer aquilo. -Hannah diz constrangida.

-Você já disse isso.

-Eu sei mas... Será que você pode guardar isso só entre nós? Eu não quero que ninguém saiba, principalmente o Adrien. Ele é seu irmão e...

-Ah! -Hei a interrompe. -Você pode ficar despreocupara com isso, eu não sou o tipo de homem que sai contando para as pessoas o que fez ou não fez com uma mulher.

O tom de voz dele sai mais áspero do que o desejado, deixando Hannah cabisbaixa.

-Fique tranquila, eu não vou contar nada para ninguém. Vamos seguir em frente e fingir que nada daquilo aconteceu. Eu sou apenas o irmão do seu amigo. Você é apenas uma das amigas do meu irmão. Que bom que nada aconteceu, é melhor assim.

Hei termina de falar, se levanta e sai às pressas. Hannah fica sentada, chocada e sentindo a tristeza com as palavras que ouviu. Hei volta para seu apartamento e se joga no sofá, não consegue parar de pensar em tudo o que ocorrera até ali, não consegue parar de pensar em Hannah, no sorriso, no gosto dos lábios da garota, no calor da pele, na respiração dela próxima a sua... Apesar de tudo, apesar de desejá-la profundamente, não poderia tê-la e isso o arrasou. Pela segunda vez em sua vida, sentia amor por uma mulher e não poderia tê-la para si. Hei se sentia amaldiçoado. 

Depois desse dia, os dois passaram a agir de forma comum um com o outro. Hei a tratava da mesma forma que tratava aos outros quatro, mas de certa forma a mantinha mais distante. Além dos cumprimentos e gentilezas corriqueiras, ele só dirigia a palavra a ela quando fosse necessário, nada além do necessário e importante. Hannah não tentava uma aproximação, nunca mais teve coragem de puxar qualquer assunto aleatório com ele, mesmo quando se encontravam a sós, seja no barracão ou em algum trabalho. Ela se sentia grata por ele manter em segredo o que quase 'não' aconteceu entre eles, não se sentia no direito de querer mais.

Por mais que se esforçasse para manter sua postura e não revelar sua frustração, Hei não podia esconder sua irritabilidade. Ele fumava mais do que o habitual, sinal claro de suas emoções conturbadas. Sua paciência era mínima, quase que inexistente, e não podia ser testada. Mesmo assim, jamais descontou suas frustrações em ninguém de sua própria organização. Aqueles que sofriam o peso de toda sua fúria, eram os inimigos e membros das outras facções que eram raptados e torturados. Hei estava mais sombrio e implacável do que nunca e sempre que saiam para eliminar outras organizações, ele agia de forma muito inesperada e, algumas, inconsequente. Mesmo assim não se feria e nem colocava seus companheiros em risco.

Ninguém entendia o que estava havendo, exceto Dan. Naquela noite, ele viu Hannah e Hei aos beijos no corredor do depósito e da sala de interrogatório, mas optou manter para si mesmo o que flagrara. Como bom observador que era, também notou o drástica mudança na interação entre Hei e sua amiga. Apesar de tudo isso, ele não era próximo o bastante de Hei para questioná-lo. Tentou abordar Hannah sobre o assunto, mas tudo o que ela dissera foi que não havia nada entre os dois, que foi só uma pegação momentânea e que voltaram ao que eram antes.

Dan não acreditou nas palavras dela, mas não insistiu pela verdade. Também não sentia correto perguntar se Adrien sabia de algo, ou pedir que seu amigo intercedesse, já que nada no comportamento de Hei e Hannah atrapalhava no desenvolvimento dos planos e nem na convivência com os membros da organização. Sendo assim, não viu alternativa além de deixar que os dois se entendessem por si só.

No terceiro dia depois que Adrien retornou da França, os trabalhos acumulados em sua ausência pareciam não ter fim. Adam estava cada vez mais ansioso e queria que seu irmão o ajudasse com Naomi, porém não o apressava. Adrien precisa encobrir com perfeição os passos de Shen para que sua avó não perceba, e isso lhe tem tomado muito de seu tempo. Havia algumas solicitações de trabalho pendentes e Adrien precisa analisar tudo com muito mais cuidado do que o habitual, pois com o incidente envolvendo sua irmã e a polícia, existe uma pequena mas possível possibilidade de emboscadas. Ao menos o fato de não poder usar Scarlet até que Shen retorne, lhe dava mais tempo para resolver o problema com a polícia de Los Angeles.

Adrien agradece por Charlotte ser uma garota compreensiva, pois desde que chegaram ele mal teve tempo de dar atenção a sua noiva. Ainda bem que Layla e Brad a receberam maravilhosamente bem e o ajudaram a distrair Charlotte. 



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